terça-feira, 10 de dezembro de 2013

OS VÔOS INTERNACIONAIS DE BIDA



O artista Bida é um velho conhecido do frequentadores do Centro Histórico de Salvador, onde mantém um atelier, que sempre é visitado, inclusive por turistas. Além de pintor, é cantor e compositor e, toda sua obra está calcada nas raízes do nosso povo.
Os pés e mãos grandes de seus personagens nos lembram de Cândido Portinari, cuja maestria nos legou uma obra grandiosa e respeitada em todo o mundo. Mas, voltando a Raimundo Santos Bida ou simplesmente Bida, como ele é mais conhecido, podemos destacar na sua pintura a ocupação de grandes espaços, a cor forte e límpida, a exemplo das que iluminam a nossa Bahia. A temática é sempre calcada nos costumes , nas coisas e gente da terra. Uma pintura que tem um amálgama forte e inconfundível, que transborda energia e força, que mexe com os olhos e a imaginação de todas as pessoas que têm oportunidade de ver de perto uma tela de sua autoria .
É uma pessoa simples. Dessas que estamos acostumados a cruzar pelas ruas do Centro Histórico, de cor negra, cabelos cacheados e rosto nordestino. Fala mansa, não se nega a contar detalhes de sua infância pobre e, de sua luta cotidiana para sobreviver com dignidade de sua arte.Este é o Bida que conheci através de um amigo comum, o saudoso empresário , amante das artes plásticas e da música, Alfeu Pedreira. Ele acabara de adquirir um grande quadro ,o qual introduziu num dos ambientes da Estação Rodoviária de Salvador, e estava emocionado com a força que emana daquela obra de Bida. Me enviou um catálogo e ligou para detalhar sua descoberta e satisfação.
Agora o reencontro no atelier de Leonel Mattos, no Shopping Salvador, onde estava expondo.Natural de Nazaré das Farinhas, hoje com 42 anos de idade, Bida diz que começou muito cedo a se interessar pela arte. "Aos 10 anos meu pai, que era ferroviário" trazia alguns papéis e canetas e eu pintava sem parar. Aos 11 anos um amigo chamado Val me incentivou a visitar o Pelourinho,local onde encontraria vários artistas. Assim fiz e, tive a felicidade de conhecer o artista Gil Abelha, já falecido, que foi o grande incentivador para que me tornasse um pintor profissional.

Nesta época conheceu os mais famosos pintores  baianos e outros que aqui residiam , entre eles o argentino Carybé; os baianos Carlos Bastos e Sante Scaldaferri;  o americano Eckenberger ; o uruguaio Zelayeta. Tinha apenas 16 anos de idade e era época em que o Pelourinho foi recuperado pelo governo.

Também, salienta -  " não posso esquecer da senhora Eunice Vianna, sobrinha do então Governador Luiz Vianna Filho , onde minha mãe trabalhava de cozinheira, que me deu pincéis e uma caixa de sapatos cheia de tintas. Foi uma festa!"
Os anos passaram e Dida começou a receber convites para exposições , muitas fora do país. Foi para a Alemanha ,onde fez um painel de 40 metros por 5,8 de altura num castelo medieval , chamado de Castelo Bela Vista,além de outro de 20 metros por 1,50 metro. As obras foram transportadas daqui de avião e pesaram 280 Kg.
Ele já esteve 12 vezes expondo em cidades diferentes nos Estados Unidos;14 em Portugal, além de França,Itália,Alemanha,Inglaterra,Espanha e Suíça e, tem um convite, ainda a ser confirmado, para ir expor em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.