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| Print da imagem que ilustra a notícia da exposição na ALBA. |
Este blog se propõe a divulgar o movimento de artes visuais na Bahia, no país, e o que acontecer de significativo no exterior.Também resgatará matérias e críticas que escrevi durante mais de três décadas. Espero contar com a participação de artistas, galeristas e promotores de eventos de artes visuais informando de exposições e outros eventos. Contato britoreynivaldo@gmail.com Se você quiser trocar sua foto por uma colorida é só enviar por e-mail.
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quinta-feira, 7 de setembro de 2023
RELEITURA POLÊMICA DE OBRAS DE CARYBÉ
quarta-feira, 6 de setembro de 2023
UMA CABEÇA À FRENTE DO SEU TEMPO
UMA CABEÇA À FRENTE DO SEU TEMPO
JORNAL A TARDE. TERÇA-FEIRA. 14/1/1997![]() |
| Antônio Rebouças diante de uma tela inspirada na Amazônia. |
Estamos
diante de um pensador, com uma característica que inibe os menos avisados: ele
é muito hábil na crítica. Tem ideias firmes, mas se desmancha como uma criança
quando fala em natureza, principalmente plantas. É capaz de ficar horas diante
de uma planta, observando seu comportamento. Porém, é de sua arte que queremos falar.
Sua obra tem forte relação com o expressionismo, embora defenda que "as
formas da natureza, inclusive as dos minerais, se desdobram independentemente
da definição do próprio homem e transcende sua diferenciação." Para
Antônio Rebouças, "a liberdade formal do Universo não classifica ismos,
apenas existe. A figura é um estágio de abstração. Quem define que uma figura é
um homem ou um sapo é o homem". E vai mais além, afirmando que a abstração
pode ser entendida por antiforma, e a figura, seja de um animal, mineral ou
vegetal, é a relação da forma".
O
artista considera que Salvador ainda não possui um mercado de arte à altura do
seu potencial. "O que existe não é profissional”. Entende que a
característica fundamental de um mercado de arte que funciona profissionalmente
é aquela que contribui para a seleção de novos valores, incentivando-os. Quanto
aos marchands, revela sem pedir ressalva: “Tenho amigos do peito e outros
marchands que são meus inimigos íntimos. Com estes, faço o jogo do Tom e
Jerry".
NORDESTE
E AMAZÔNIA
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| O mestre Antônio Rebouças no ateliê, no bairro da Barra, em Salvador. |
Há
oito anos que Rebouças não faz uma exposição individual. Tem 68 anos de idade,
segundo ele, embora a carteira de identidade ateste 72."Isto foi para
entrar na universidade. Tive que aumentar a idade," e desconversa. É bom
mergulhador e já foi também campeão de vela oceânica. Brinca com a filha, que é
geriatra, dizendo que se todos fossem como ele ela ficaria sem ter o que fazer.
Este é o outro lado de Rebouças, brincalhão e conservador.
Suas
viagens são importantes fontes de inspiração, pois ele tem uma sensibilidade
muito apurada e, por isto, enxerga mais do que nós, pobres cidadãos comuns.
Quando falo de Nordeste e Amazônia, não imaginem telas com figuras esquálidas
ou grandes florestas. Ele mostra as angústias e a força do verde da Amazônia
através de formas muito próprias. Consegue transmitir sua angústia, sua revolta
e sua perplexidade frente ao descaso com a miséria e a exuberância da Amazônia,
fugindo dos estereótipos. Aí está a sua grandiosidade como artista. Através de
formas com tendências abstratas, Antônio Rebouças constrói seu mundo pictórico,
forte, belo e valoroso.
Ele
prefere chamar esta série de obras sobre a Amazônia de Morfogênica e explica porquê:
“É a pintura envolvida no nascimento da forma", o que considera um
conceito filosófico. E conceito de formas possui a transcendência do tempo, do
espaço e da luz, não obedecendo, portanto, à observação do homem.
O
artista está preparando um livro sobre seus trabalhos nos campos da pintura,
escultura, arquitetura, urbanismo, decoração, desenho, paisagismo e poesias.
Com este livro, pretende divulgar sua obra em várias áreas. Ensina que para
gostar de boa arte não é necessário erudição. A obra de arte verdadeira fala ao
ser humano, com a mesma força de um vegetal, sentencia.
sábado, 2 de setembro de 2023
ANTÔNIO CARLOS REBOUÇAS E A ARTE DA SUPERAÇÃO
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| Foto 1. Antônio Carlos Rebouças hoje. Foto 2. A sua mãe d. Doralice. Foto 3. Aos 50 anoscom sua filha Isis. |
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| O artista mostra uma escultura de resina de sua autoria. |
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| Obras feitas em nanquim.Um traço livre e que nos leva a pensar no movimento das figuras. |
QUEM É
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| Antônio Carlos Rebouças em seu ateliê na Rua Chile, em Salvador. |
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| O artista no lançamento do seu romance sendo cumprimentado pela saudosa professora Consuelo Pondé de Senna. |
Antes de concluir o ginasial foi trabalhar como soldador na indústria metalúrgica
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| Antônio Carlos Rebouças com pintura recente . |
Quem o incentivou a enveredar pelos caminhos das artes plásticas foi o pintor naif Pedroso, que até hoje continua pintando em seu ateliê localizado na Ladeira da Cruz da Redenção, no bairro de Brotas, em Salvador. No meu blog tem uma ampla entrevista que fiz o ano passado com o Pedroso. Porque seu objetivo era seguir após a aposentadoria a carreira de escritor, inclusive chegou a lançar um romance Os Herdeiros onde trata de uma família patriarcal e a disputa por sua herança. Como paralelamente vinha fazendo seus desenhos e pinturas decidiu tomar um curso de esculturas nas Oficinas do Museu de Artes Moderna da Bahia – MAMBA com o escultor Zu Campos. Fez outros cursos de pintura na Galeria Panorama e com Waldo Robato visando aprimorar suas técnicas, já que é um autodidata ou seja não frequentou a Escola de Belas Artes .
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| Rebouças mostra o cartaz da exposição na Itália. |
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| Mural "Serra do Barbado", que fica na sede do CRA. em Monte Serrat, em Salvador. |
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| Antônio de Almeida Rebouças, engenheiro e artista plástico. Uma pintura e uma escultura de sua autoria do meu acervo. |
Conheci Antônio de Almeida Rebouças há muitos anos. Era uma pessoa altamente inteligente e criativo. Na última vez que estivemos juntos em 2010 notei que estava muito agitado e tinha horas que oscilava entre a alegria e a tristeza. Às vezes indignado com tudo que acontecia em nosso país no mercado de arte. Era difícil de relacionamento exatamente por causa de sua grande sensibilidade. Rebouças faleceu aos 90 anos no dia 27 de maio último. Infelizmente, por motivo alheio à minha vontade, não pude comparecer ao seu enterro. Rebouças gostava de sair pela manhã, cedo, e andar pelo Porto da Barra e, às vezes, "dar umas braçadas", assim confessou naquela tarde que passamos conversando sobre tudo. Costumava me enviar algumas cartas ou bilhetes expressando os seus sentimentos naquele momento, reclamando e esbravejando de alguma coisa que o incomodava. Tenho várias delas guardadas. Leiam esta cartinha que me enviou em 6 de outubro de 1997.
"Amigo Reynivaldo:
"Sei mais do que ninguém que sou jogo duro, mas não consigo levar um ente querido ao enterro. Peço, para você, por esta mensagem no seu jornal. Encontrei Carybé passando por "Saturno”, ia puxando uma batucada da pesada, a nave estava toda orvalhada, mas depois verifiquei que não era orvalho, eram lágrimas do artista com saudades de Nancy, que representava para ele não apenas a esposa, mas um orgulho. A. Rebouças (Para Carybé –"Tonio".
Publico agora esta mensagem única e sentimental por entender que ela reflete um pouco quem era Rebouças e como sofria com as perdas e os dissabores da vida. Sua sensibilidade acurada fazia sofrer e o abalava mentalmente. Era difícil a convivência com ele que mudava repentinamente de humor, mas o seu grande talento de artista nunca foi abalado. Rebouças deveria estar entre os primeiros artistas de nosso país porque suas obras têm uma qualidade acima da média.
Nunca contou com um agente, um marchand ou um galerista que trabalhasse junto ao mercado, as suas obras levando-as para leilões, exposições e bienais, para que pudessem ser apreciadas por um número cada vez maior de pessoas. Vejo novos talentos, ainda carecendo de muito aprendizado, despontando com facilidade enquanto outros pintores de conteúdo sendo esquecidos por marchands, galeristas e colecionadores. Reparem um pouco mais para a produção de Rebouças. Não é porque ele morreu, já afirmei isto nas décadas de 70 e 80 com o mesmo entusiasmo de hoje.
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
O NOVO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA
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| Visão do corredor com 106 metros de projeção. Foto RB. |
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| A Estação da Luz com trem trafegando e pessoas esperando o metrô do outro lado. Foto RB. |
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EXPOSIÇÃO
Diz o portfólio distribuído na entrada do Museu da Língua Portuguesa "uma língua é muito mais do que uma ferramenta de comunicação: é através dela que organizamos pensamentos sentimentos e interpretamos o mundo". A exposição principal " é um mergulho nessa forma muito particular de pensar, sentir e perceber o que nos cerca partilhada por brasileiros, portugueses, moçambicanos, angolanos..." É uma maneira de aprender de forma divertida imerso nas projeções e no áudio e saber toda a grandiosidade da língua portuguesa.
Aí vemos a genealogia da nossa língua portuguesa. Foto Luciana Brito.
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| Foto Luciana Brito |
Mas,
para finalizar devo dizer que estive visitando antes do incêndio a primeira
versão do Museu da Língua Portuguesa e confesso que o impacto foi bem maior que
desta vez, talvez porque mesmo sendo reconstruído nunca conseguem refazer como
na primeira versão. Se visitar a Capital paulista reserve uma tarde inteira para
ir à Estação da Luz conhecer o Museu da Língua Portuguesa.
sábado, 19 de agosto de 2023
ÂNGELA CUNHA UMA TRAJETÓRIA DE ARTE
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| Foto 1 - Ângela Cunha em foto atual tirada por mim em seu ateliê. Foto 2- Em 1976 recortando gravura para expor no MAM-Ba. |
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| Gravura em três tonalidades , de 1977. |
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| Ângela Cunha com os filhos na Galeria Atrium - 1994. |
QUEM É
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| Ângela lembrando que o pai quase tem um enfarte quando foram ao cartório e ela disse que viria para a Bahia. |
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| Obra em nanquim sobre papel Canson de 1,5m por 1m. |
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| Obra em nanquim sobre papel .Hoje ela está pintando em cores mais escuras. |
Outra boa
lembrança é que seu pai gostava de ler e sempre lhe apresentava novos livros
para que lesse e isto contribuiu para que ela tivesse uma boa colocação na
seleção do intercâmbio cultural, e durante toda sua vida. Falava com grande
prazer e alegria desta oportunidade impar de estudar nos Estados Unidos. Já
tinha concluído o curso colegial aqui e foi novamente fazer na High School
Thenafly onde passou a ter contatos com novas disciplinas inclusive com as
artes. Recordou que ao retornar estava com a cabeça mudada com as informações
que recebera e o modo de vida do povo americano. Nos seis meses que ficou em Londrina ao retornar ensinando inglês foi preparando silenciosamente seu novo salto que seria sua
vinda para a Bahia. Depois que estava tudo pronto revelou a seu pai. "Ele
quase tem um enfarte e me perguntou como você vai sobreviver na Bahia minha
filha? Eu não tenho condições de lhe manter lá." Respondeu que ia ser
professora de inglês já que fala fluentemente a língua inglesa. Seu pai teve
que acompanhá-la ao cartório e na entrada parou e colocou a mão na testa, disse
Ângela Cunha. "Uma cena que não esqueço, ele estava muito preocupado."
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| Obra de 2000 já na cor escura. |
Confessa que o casamento e a convivência com Mariozinho foi um aprendizado muito
importante porque "ele era muito competente e profissional. Quase todo o
ano viajava para o exterior onde ele fazia suas exposições em Nova
Iorque, Berlim, Amsterdã, Paris, Copenhague e outras cidades europeias. Quando nos separamos foi um choque
para mim, porque a separação é traumática, é como uma morte.” E confessa rindo:
"foi ele que separou de mim. Viver artista com artista não é fácil. Mas,
continuamos grandes amigos e na época ele vinha ver os filhos com certa
frequência. Confesso que quando ele morreu eu senti muito, mas quando da
separação senti muito mais".
FORMAÇÃO
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| Ângela falando do Prêmio Aquisição que ganhou em 1994 com esta obra no I Salão MAM-BA de Artes Plásticas. |
Voltei e fui estudar até concluir o curso de Belas Artes. Durante o curso tive uma professora Zélia Maria e um dia ela escolheu uma gravura grande de 1,5 metro por 1 metro e exibiu na sala de aula para os meus colegas e disse e segurando a gravura : "Nasce uma gravadora!" "Fiquei muito feliz e passei a fazer muitas gravuras. O professor Juarez Paraíso me emprestava uma prensa que ele tinha em seu ateliê no bairro de Itapuã. Eu ia aos domingos e ficava lá sozinha com o vigia e fazia muitas impressões. Vendi muita gravura e isto ajudava a minha sobrevivência que já estava bem mais tranquila porque recebia um bom salário pelas aulas de inglês na ACBEU. Na época a EBA não deixava os alunos usarem a prensa fora da hora da aula. Foi quando participei de muitos salões e exposições. Até 1980 quando parei de fazer gravura e passei a pintar em 1984", conta Ângela Cunha.
EXPOSIÇÕES
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| Capa do livro-catálogo da exposição no Museu Afro Brasil, em São Paulo, e as quatro mil bolinhas de argila que compõem a sua obra Quando o Último Rio Secar, de 2009. |
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| Obra inspirada em máscara africana feita em nanquim. |
REFERÊNCIAS
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| Mariozinho examinando negativos de fotos suas. Foto do Google. |
Regamos a terra com as lágrimas do sofrimento, ao mesmo tempo sentimos o prazer de vivenciar o que por nós foi construído, posteriormente devemos deixá-los de lado e dar mais um passo. Assim sempre foi, assim sempre será, assim como os dedos que amassam a terra e moldam a natureza à sua imagem, assim também tateamos no escuro em busca de um caminho desconhecido. Os ninhos de barro de Ângela, também são construídos por certos pássaros e outras espécies - todos eles servem para abrigar , para dar proteção a si mesmo ou aos outros". Mário Cravo Neto.
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| Ângela Cunha com o crítico Wilson Rocha. |
Noutro trecho ele escreveu: Ângela Cunha é uma artista lúcida e profundamente informada, certamente a personalidade de artista mais monoestilística de nosso ambiente, a artista que encontrou mais cedo a sua fonte e o seu caminho criativo. Com uma obra reveladora e estimulante, ela é ainda impressionante pela sua admirável relação técnica com o espaço".
NANQUIM
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| Obra em nanquim preto e sépia. |
Segundo a Wikipédia "o nanquim é originário da China e é também chamado de tinta da China preparado com negro de fumo coloidal , também conhecido por pó de sapato e empregado em desenhos aquarelas e na escrita. Foi desenvolvida pelos chineses há mais de dois mil anos, a tinta é constituída por nanopartículas de carvão suspensas em uma solução aquosa. Como nanopartículas dissolvidas em líquido se agreguem e formam micro e macropartículas que sedimentam no fundo do recipiente, os chineses antigos descobriram como estabilizar a solução ao acrescentar goma arábica (uma espécie de cola). A tinta nanquim é muito parecida com a tinta sumi, de origem japonesa para a arte sumi e que tem, como composição, fuligem, goma arábica, água e especiarias."





























