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Foto 1- Gabriel tocando sax. Foto 2 - Dois Perdidos Numa Noite Imunda, técnica mista. Foto 3- Autografando para a poeta Liz Mattos. Foto 4 - Filmando as paleoesculturas de Anílson Borges, em Santa Inês,em 2019. |
Além de
artista visual Gabriel Moreira Caldas Lopes Pontes, assina Gabriel Lopes
Pontes, é diretor, ator e autor de peças teatrais, cineasta, romancista, amante
da música, gosta do trompete e saxofone. Graduado em Artes Plásticas pela
Escola de Belas Artes e pós-graduado em História da Imagem, ambos da Universidade Federal da Bahia têm sua vida marcada por trabalhos nestas áreas
da cultura e sempre está procurando realizar coisas. Agora mesmo está
oferecendo seus serviços para escrever por encomenda textos teatrais, roteiros
cinematográficos, romances, biografias, autobiografias e traduções do inglês, francês
e espanhol. Ele nasceu em Salvador em trinta de março de 1966, portanto está
com sessenta anos de idade. Tem uma energia intelectual que deixa muita gente
bem mais jovem para trás, mesmo estando com limitações de mobilidade ao ser acometido por uma infecção na coluna vertebral,
sendo obrigado a andar numa cadeira de rodas.
É filho do festejado diretor de
teatro Manoel Lopes Pontes, que tem mais se sessenta anos dedicados ao teatro
baiano, chegando a encenar onze peças simultaneamente, e sua mãe Maria Angélica
Moreira Caldas Lopes Pontes é figurinista. Seu avô era dentista de profissão, mas
Augusto Raimundo de Souza Brito de Lopes Pontes quando morava na Capelinha na
década de 50, no fim de linha do bairro do Tororó, em Salvador, criou uma sala
de cinema em sua casa e semanalmente exibia filmes que eram assistidos por
convidados e pelos vizinhos e moradores do entorno. Ele foi nomeado em 1940
coadjuvante de ensino VIII, hoje correspondente a professor auxiliar de ensino, da então Faculdade de Medicina da Bahia, pelo presidente Getúlio Vargas.
CRIOU O GRUPO80
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| Obras em técnica mista de Gabriel Lopes Pontes. |
Estudou o
primário e o ginasial no Colégio Maristas, que funcionava no bairro do Canela,
em Salvador, e na juventude gostava de mergulhar no trecho da orla marítima que vai do Iate Clube da Bahia até o Farol da Barra, pensava estudar
Oceanografia. Também gostava de desenhar e pintar e aos seis anos de idade seu
pai o matriculou num curso de pintura da galeria Panorama, tendo como professora
a artista plástica Anna Georgina. Disse que algo lhe conduzia para o campo
das artes, e assim teve a felicidade de ter como professoras de Educação
Artística, no Colégio Maristas, as professoras e artistas visuais Maria Adair,
Márcia Magno e Viga Gordilho. Terminando o ginasial foi estudar no Colégio
Sophia Costa Pinto e a professora de arte era a artista plástica e grande
restauradora Ana Maria Villar, que nos brinda com lindas aquarelas para desejar um bom dia! Nesta
época o Colégio Sophia Costa Pinto já era misto, antes só aceitava mulheres. A diretora era d. Ieda Barradas, ex-primeira-dama e esposa do ex-governador João Durval
Carneiro. Ao terminar o colegial já estava disposto a fazer vestibular para a
Escola de Belas Artes,. Em 1984 fez o vestibular, foi aprovado e
por coincidência voltou a ser aluno dessas “mulheres incríveis que tiveram uma
importância fundamental na minha formação”, disse Gabriel Lopes Pontes.
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Integrantes do Grupo80: Regina Costa, Gabriel Lopes Pontes, Dilson Midlej e o convidado Michael Walker. Exposição Zigue-Zague Multicor, ,1987. |
Sempre
foi um estudante rebelde e criativo. Juntamente com seus colegas Regina Costa,
Dilson Midlej, Clarissa Carybé, Miguel Bittencourt e Antônio Carlos de
Oliveira Barbosa, conhecido como Buriti, que foi um pintor e ilustrador
baiano nascido em Feira de Santana em 1945 e falecido em 1988, criaram o
Grupo80. Este coletivo visava construir uma identidade artística coletiva e
buscar novos espaços de circulação para a produção visual da época. O Grupo80
integrou o caldeirão cultural da Bahia na década de 80, e início da década de
90, e funcionou de 1985 a 1992, período da redemocratização, efervescência de
novas linguagens plásticas no Brasil. Afirmou ainda Gabriel Lopes Pontes que eles
fizeram várias exposições coletivas e o grupo tinha este núcleo duro, mas que
também vários outros artistas participavam de suas atividades. O grupo surgiu quando em 1987 eles
foram procurar uma galeria para expor suas obras e a responsável pela Galeria Múltiplus, localizada no Morro do Gavazza, em Salvador, exigiu que arranjassem um patrocinador. Foi aí que seu
professor e amigo o paulista Michael Erick Adolph Walker se prontificou a procurar um patrocinador e como conhecia o casal Astrid e Patrick Hannigan, que é o maior franqueado da indústria de perfumaria O Boticário,fez a proposta e o casal aceitou. Foi então que criaram a Galeria Aquarela, num prédio de três pavimentos localizado na Avenida Oceânica, no Porto da Barra, em Salvador. No térreo funcionava a galeria, no primeiro andar o ateliê dos artistas e no outro andar servia para guarda de materiais. O prédio da galeria era vizinho ao Shopping Barra Center e a pizzaria Michelucci.
O amigo e professor de Gravura que arranjou este importante patrocínio assina
Michael Walker é |
| Michael Walker. |
licenciado pela Escola Superior de Artes Visuais de
Genebra, Suíça, e doutorado em Artes pela Universidade de Barcelona, Espanha,
através da bolsa CAPES, concedida pelo Ministério de Educação do Brasil. Em
1982 foi bolsista da Fullbright para realizar uma pós-graduação na área da
gravura nos EUA - University of New México e California College of Arts and
Crafts. Na Galeria Aquarela tudo era devidamente bancado pelo casal de franqueados da perfumaria. Com a
vitória de Fernando Collor de Mello para presidente da República foi instituído pela
ministra Zélia Cardoso o chamado de Plano Brasil Novo, que foi um pacote
econômico lançado em março de 1990 pelo governo com o objetivo principal de
combater a hiperinflação no Brasil. Suas marcas principais |
Baleias desenhadas recentemente por Gabriel Lopes Pontes. |
foram o confisco de
ativos financeiros e o congelamento de preços. Confiscou a poupança dos
brasileiros e bloqueou temporariamente as contas correntes e cadernetas de
poupança com saldo superior a 50 mil cruzeiros novos e os valores foram
depositados nos cofres do Banco Central por 18 meses. Trocou a moeda
substituindo o Cruzado Novo pelo Cruzeiro. Congelou os preços e salários com e
tabelamento geral de mercadorias e serviços para tentar travar a alta
inflacionária. Abertura comercial e extinção de órgãos e de tarifas de importação e extinção ou privatização de empresas e órgãos públicos. Diante
desta situação caótica da economia do país os Hannegan não tiveram outra uma
alternativa senão o fechamento da Galeria Aquarela.
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A peça A Mandrágora,1994, direção de seu pai Manoel Lopes Pontes. Gabriel é o terceiro da esquerda . |
Paralelamente
Gabriel Lopes Pontes fazia teatro como ator, autor e diretor. Confessa com orgulho “que desde os seis anos de idade que frequentava os bastidores dos
teatros com seus pais Manoel Lopes Pontes e sua mãe Maria Angélica Moreira
Caldas Pontes. Em 1979 traduziu o conto O Coração Revelador. Trata-se do
famoso conto de terror psicológico escrito por Edgard Allan Poe e
publicado originalmente em 1843. A história explora a mente de um narrador
anônimo que tenta provar sua sanidade após cometer um assassinato. Ele
traduziu, adaptou para o teatro e foi o ator. O pessoal da colônia espanhola
daqui gostou do espetáculo e o convidou a montar O Velho Ciumento, de
Cervantes. “
El Viejo Celoso, é um esquete ou seja uma cena cômica curta
- escrito por Miguel de Cervantes entre 1610 e 1612 e publicado em 1615. A
história retrata Cárdano, um homem muito idoso e extremamente ciumento que
mantém sua jovem esposa, Lorenza, trancada e isolada do mundo em casa.”
Informou Gabriel Lopes Pontes que seu pai viu as duas montagens feitas por ele
e “me colocou debaixo do braço e me fez um homem do teatro. Fiquei alguns anos
dividido entre as artes plásticas e o teatro. Como a atividade teatral me dava
um retorno financeiro bem maior terminei me dedicando mais ao teatro. Cheguei a
passar uma temporada em Aracaju onde em 1997 montei a peça A Ratoeira, de
Agatha Christie. É uma peça de mistério e assassinato de Agatha Christie,
famosa por ser a peça há mais tempo encenada na história do teatro, com mais de
25 mil apresentações desde sua estreia, em Londres, em 1952. Com esta montagem
fui premiado como o Melhor Artista de Teatro do Estado de Sergipe." Ele
trabalhou com sua parceira e esposa Érika Rodrigues. Voltaram em 1998 para Salvador e
continuaram a fazer teatro por dois anos seguidos.
No CINEMA
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A Suzy ,fêmea do Camarassaurus, escultura de Anilson Borges, Santa Inês . |
Ao retornar conheceu o professor de História Fernando Nóvoa, na Universidade Federal da Bahia, quando ia cursar História, e foi
aconselhado a fazer uma pós-graduação em História da Imagem, ao invés de uma
graduação em História. Através de uma bolsa de estudos integral ele fez a
pós-graduação, se tornando historiador e passou a ensinar e a dar palestras no
circuito universitário de Salvador. Com essas suas andanças ele conheceu o
professor e escritor Luiz Ademir Souza que lhe convidou para dar umas aulas sobre Estética de Cinema na cidade de Conceição do Almeida, na Bahia. Lá organizou um
Festival de Cinema e conheceu o
artista visual Tau Tourinho ,que atua produção
audiovisual independente e na preservação da memória cultural regional. Entre
os seus trabalhos mais recentes no cinema, destaca-se a direção do documentário
"Os
Mandús de Cachoeira", uma obra focada nas
manifestações folclóricas e carnavalescas do Recôncavo baiano. Disse Gabriel
Lopes Pontes que ele, Tau Tourinho e o fotógrafo Lucas Virgolino fundaram o
Movimento do Cinema Novo pela Renovação do Documentário Nacional. Fizeram
alguns documentários e logo depois ele seguiu para Lisboa, capital portuguesa,
onde realizou um longa sobre o Fado. Revelou ter enfrentado algumas
dificuldades e até xenofobia. O filme
que fez chama-se Fado: A Dor Quente e a Paixão Fria que foi lançado no Museu do
Fado e posteriormente foi exibido na Fado Tv, em Portugal. Retornou ao Brasil e
fez a captura das imagens e som do audiovisual Fazedor de Dinossauros, na
cidade de Santa Inês, interior da Bahia, localizada no Vale do Jequiriçá, a 290
km de Salvador, onde existem mais de uma dezena de réplicas gigantes em tamanho real de
dinossauros. As esculturas imensas foram criadas pelo artista plástico Anílson
Borges, inspirado em filmes que assistiu sobre esses animais pré-históricos. As
esculturas são de fibra de vidro e resina. Quando foi iniciar a edição do filme
adoeceu.
Na Literatura
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| Capas dos três romances de Gabriel. |
Além de
tradutor escreveu três romances no estilo pop realismo fantástico, e considera pioneiro neste estilo. Participou do Nosso Sarau no KreatvLab do Goethe -
Institut, no Corredor da Vitória, em Salvador, quando lançou os dois romances
de realismo fantástico “Absynto Azul” e “O Ano Em Que Miguel Vinagre Perdeu A Visão”.
O primeiro romance foi lançado em 2018 chamado “A Linha”, que compõe a Tríade da Solidão. Disse que sua proposta literária está focada na fusão dos gêneros
eróticos, fantástico e humorista, resultado da influência marcante da ficção
científica e das histórias em quadrinhos de super-heróis. Numa entrevista ao
jornal Correio da Bahia afirmou : "Tenho a literatura como um campo aberto
para a livre experimentação estética".
O seu romance A
Linha trata de uma história de amor entre um moço punk e uma
menininha loura, e segundo a crítica à obra é dividida em sete blocos, as
páginas não são numeradas, apenas uma letra – de A a G - denominados
fichas-capítulos, identifica cada capítulo. Inspirado no escritor português
José Saramago não nominou seus personagens, apenas são identificados por suas
características físicas de comportamento. Os principais personagens a menininha
loura e o moço punk são referências para a identificação dos demais que compõem
o romance.
Já o Absynto Azul o
escritor Gabriel Lopes Pontes apresenta a
jornada de um jovem milionário, dotado de habilidades sensoriais
extraordinárias. Ao atingir a maioridade, ele consome uma bebida peculiar e
descobre sua verdadeira identidade como um exilado de outro planeta,
enfrentando a missão de encontrar a única mulher capaz de amá-lo antes de suas
três oportunidades de retorno se esgotarem. Com uma
mistura de humor, fantasia e erotismo, a trama explora a complexidade da
solidão humana, refletindo sobre as relações e a busca por conexão em um
universo repleto de desafios.”
O Ano Em Que Miguel
Vinagre Perdeu A Visão é um romance-concerto dividido em três movimentos. A
obra aborda de forma inovadora o daltonismo - um tema pouco explorado e tratado
como tabu na literatura universal. O romance na sua estrutura do livro simula
movimentos musicais, misturando rítmo e prosa na jornada do protagonista. A visão de Miguel Vinagre serve como metáfora
central para discutir a percepção alterada da realidade e o isolamento humano.
O livro complementa os romances A Linha (2018) e Absynto Azul,
dentro da proposta estética de Pop Realismo Fantástico do autor.
Em 1985 - Ploft,
no Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA .1986 - Argh!, no Shopping
Iguatemi, Salvador-BA. 1987 - Zigue-Zague Multicor, na Galeria Múltiplus,
com obras de Regina Costa, Gabriel Lopes Pontes, Dilson Midlej e o convidado
Michael Walker, Salvador-BA. 1988 - Exposição Inaugural da Galeria
Aquarela, onde mostrou a obra Long John Silver, Salvador-BA. 1989 -
Mostra Pintura Baiana Contemporânea, no Centro o Cultural Portão Curitiba-PR;
Exposição Curitibaianos, Galeria Aquarela, Salvador-BA; Escarcéu, Galeria
ACBEU, Salvador-BA; Em Aberto, na Galeria Aquarela, Salvador-Ba. 1990 -
Substância, na Galeria ACBEU, Salvador-BA. 1991 - Substância II, na Casa
dos Artistas, em Ilhéus-BA. Ao lado vemos a montagem de capas dos catálagos de três exposições e um banner de Gabriel oferecendo seus serviços .
CRÍTICAS E REFERÊNCIAS
Matilde Mattos - "Vejo em Gabriel Lopes Pontes todo o referencial
urbano de hoje, que consegue nos passar nos seus personagens de histórias em
quadrinhos, nos símbolos, nos emblemas, nos pequenos detalhes que acrescenta
quando narra sua fábula perturbadora, onde até o riso é ácido. Influências, é
claro que tem, do Jazz aos grandes cartunistas norte-americanos, como William
Steig, mas o resultado é ele, Gabriel." No convite-catálogo da coletiva
"PLOFT!', Museu de Arte da Bahia, dezembro de 1985.
Dante Galeffi -
"Gabriel Lopes Pontes conta estórias de decadência humana: retrata o
sarcasmo, a tristeza e a solidão do ser desencantado; a sua paixão é o 'JAZZ',
ele vive 'JAZZ', que é a solidão radical; a noite é o espaço vital do solitário
JAZZISTA, noite urbanizada, perpassada por luzes intensas de NEON e abandono,
marcada pelo ritmo contínuo do sopro." No convite-catálogo
da coletiva "ARGH!", Shopping Iguatemi, 1986.
Carlos Eduardo da Rocha - "Gabriel Lopes Pontes, a partir das histórias em
quadrinhos, sua primeira experiência no campo da Arte, realiza sua pintura
altamente colorida. A sua temática é também plena de modernidade porque
inspirada no Jazz. Lopes Pontes cria e recria a figura humana, repito, a partir
da sua experiência de desenhista de histórias em quadrinhos, fixando a
expressão dos músicos e a forma dos instrumentos musicais, dos saxes, das
baterias, dos contrabaixos, onde não faltam os rictus, os esgares, o esforço do
sopro, as emoções das melodias e dos sincopados. Muito bom o resultado, com a
prodigiosa fantasia deste jovem pintor, músico e ator que é, sem dúvida alguma,
Gabriel Lopes Pontes. "No convite-catálogo da coletiva "Zigue-Zague
Multicor", Galeria Multiplus,1987.
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Vemos três estudos Rhynoceralia e um Dinossauro.
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Reynivaldo Brito- Escrevi em fevereiro de 2002 na coluna Artes visuais, no jornal ATarde - GABRIEL EM NOVA FASE: “Mantendo-se na sua característica de realizar
uma pintura de cores vibrantes e bem humorada, marcada pela origem de
quadrinista, Gabriel Lopes Pontes inicia uma nova fase como ao lançar o projeto
100 Telas, no qual pretende realizar uma centena de ASTs, que medem, no mínimo
1,20m por 100cm cada uma e todas retratando pessoas reais .“É excitante pintar
alguém que realmente existe”, afirma Lopes Pontes, que se está valendo de
recurso inédito no seu processo de trabalho, tais como , emprego de modelos
vivos, slides e Tracer Projector.
Mas a
grande novidade mesmo é o uso da tela, suporte que ele até então vinha
relegando a um segundo plano, em função do papel. O projeto é autossustentado com as encomendas de retratos que as pessoas vêm fazendo.
“A maioria quer ser retratada exercendo a profissão e quase ninguém abre mão do
símbolo do seu signo zodiacal ou do distintivo do clube do coração, havendo
também àqueles que querem um nu artístico diferente”, explica o artista. “Na
verdade, estou verificando que muita gente só estava esperando uma oportunidade
de ser retratado de uma maneira diferente para se decidir a posar”. Nesta série
de 100 Retratos, ora em realização, Lopes Pontes está buscando “combinar com
posições mais complexas com uma paleta mais equilibrada”. Considera que o
projeto é um dos dois que vão representar uma ruptura radical na sua vida
artística:” podem rasgar ou incinerar, sem a menor cerimônia, tudo que eu
pintei, desenhei, ou quadrinizei até hoje. Renego também todos os espetáculos
teatrais que escrevi, dirigi ou nos quais interpretei. Com um material humano
que me é dado trabalhar, eu só poderia mesmo ter feito teatro de oligofrenia,
pois as pessoas me procuravam motivadas por mero deslumbramento, e
deslumbramento não tem nada a ver com arte, que, para mim, é algo nobre e
sagrado. Tudo o que eu fiz até agora foi puro exercício - e talvez até mesmo um
bom exercício -, mas disto não passa. Aliás, brevemente, virei a público falar
de um outro projeto intitulado Maxitemah que, juntamente com o 100 Telas ali-
cercará doravante todo meu trabalho”.
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