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O artista Roberto Lisboa concentrado em seu novo bordado para expressar sua arte. |
O
artista Roberto Lisboa que assina RL é um cientista do ramo da Genética que fez
mestrado na USP de Piracicaba e doutorado nesta área na Espanha. Devido a problemas de saúde está
aposentado e através de um amigo foi a uma exposição no Museu de Arte da Bahia que tinha um programa visita aos ateliês de três artistas, e num deles viu alguns
bordados. Atualmente o bordado como arte está presente em vários países e é uma
forma de expressão pessoal e política que utiliza a agulha, linha e tecido como
suas ferramentas para criar obras cheias de significação, subjetivas, rompendo
a linha da decoração funcional. Esta forma de produzir arte também resgata a
memória de nossos ancestrais e permite a fusão com a arte contemporânea
transformando através de suas formas em narrativas visuais únicas e de grande
expressividade. Na visita à exposição Roberto Lisboa tomou conhecimento que a Tininha Llanos, que é uma artista visual e gestora cultural, estava
coordenando uma oficina de bordado num imóvel localizado no bairro de Santo
Antônio, em Salvador .
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| Nesta obra uma homenagem ao Burle Marx. |
Durante nossa conversa lembrou que estava
no Parque Lage, no Rio de Janeiro assistindo uma palestra do cenógrafo Hélio Eichbauer
(1941-2018)conhecido como um dos renovadores da cenografia brasileira moderna
e também por transitar em várias gerações de artistas, quando ele insistia afirmando “vocês
devem bordar”. O Hélio discorreu sobre a qualidade e as possibilidades que o
bordado oferecia. Roberto Lisboa depois de ouvir Hélio Eichbauer e participar desta
oficina de bordado começou a bordar, e hoje está ganhando notoriedade
como um artista visual que borda com muita categoria. Inclusive fez uma
exposição chamada RIO em 2018-2019 em Juazeiro, na Bahia com vários bordados que
são tão perfeitos, que se você olhar de relance, imagina que são pinturas. A
temática que usou são as carrancas, os cangaceiros e outros elementos ligados às
manifestações culturais e religiosas do entorno do Velho São Francisco. ESPANTO
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Foto 1 - Canudos de Antônio Conselheiro, 2019.Foto 2- Série Carrancas do São Francisco, Minas Gerais ,2018. Foto 3 - Série Carrancas do São Francisco - Jaguar. |
A primeira vez que vi um homem
bordando foi nos idos dos anos setenta na zona rural do município de Cachoeira,
no Recôncavo Baiano. Era um senhor negro que tranquilamente e solitariamente
sentado numa cadeira com as pernas cruzadas estava ali concentrado num pedaço
de pano e com uma agulha ia dando seus pontos. Curioso me acerquei dele e
perguntei se podia fotografá-lo, e pacientemente balançou a cabeça concordando.
Em seguida lhe fiz algumas perguntas, inclusive com quem aprendera a bordar, e
me respondeu que foi com sua genitora. Enquanto insistia em trocar algumas
palavras ele não parava de enfiar a agulha no pano e pude ver algumas imagens
de animais e árvores que estava criando com seus pontos. O pano não tinha
desenhos pré-estabelecidos, tudo saía da sua mente criativa. Agradeci e nunca
mais soube deste artista anônimo. Agora fui procurar a foto preciosa no meio
das centenas de outras que fiz durante minhas andanças de repórter do jornal A
Tarde e da revista Manchete, mas ainda não a encontrei. Vou continuar
procurando...
Passado um tempo fui visitar
minha mãe em Ribeira do Pombal que era uma viciada em bordados, a ponto de a
agulha de metal ferir seus dedinhos que já estavam com a pele mais fina e frágeis
devido aos seus quase noventa anos. Ela fazia lindas toalhas de mesa, colchas
enormes que demoravam meses para serem finalizadas e sempre presenteava seus
parentes e amigas com algum bordado. Lhe
falei que tinha encontrado um homem bordando e ela imediatamente levantou a
cabeça e disse. “Não é possível, homem bordando? Este mundo está perdido!” O
espanto de minha mãe pode hoje parecer estranho e até preconceituoso, mas não era.
No contexto social da época bordar era ocupação de mulher, ali elas se
encontravam e conversavam por horas. Outras preferiam bordar solitariamente.
Minha mãe tinha a companhia de minha irmã que aprendeu com ela e até pouco
tempo fazia também seus bordados. Quando viva minha mãe inspecionava para
verificar se “estava tudo certinho”. Quando minha irmã errava era aconselhada a desmanchar
e voltar a fazer. Bordado é uma prova de resistência, paciência e um trabalho
que ajudou e ajuda na sobrevivência financeira de muita gente por este mundo
afora.
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Roberto Lisboa com um bordado onde sobressai a figura humana e vegetação. |
Atualmente o bordado foi
alçado à categoria de arte, ultrapassou a linha tênue que separa o artesanato
da arte. Sabemos que a arte é a expressão do artista, pessoal, tem sentimento,
estética ou intelectual. Já o artesanato tem sua função precípua de criar
utensílios domésticos ou decorativos. Mas, os artistas já utilizam as
ferramentas dos bordados como as agulhas, panos e linhas para criar suas obras
cheias de significação e sentimentos. É uma forma nova de se expressar
artisticamente e está dentro de um movimento chamado de slow que começou na Itália no segmento da alimentação e tem
como objetivo a desaceleração, a fuga da pressa e do digital para dar ênfase
aos trabalhos feitos a mão. Sem saber que estava “aderindo” a este movimento
costumo sempre ao entrevistar tomar minhas anotações a mão. Gravo as
entrevistas, mas, só uso a gravação quando tenho alguma dúvida porque não é
fácil acompanhar escrevendo o que as pessoas falam. Voltando ao bordado numa
rápida pesquisa que fiz fiquei sabendo que surgiu com o ponto cruz, cujos registros
remontam na pré-história. “No tempo das cavernas o ponto cruz era usado nas
costuras das vestes, feitas com peles de animais. As agulhas eram
confeccionadas de ossos e no lugar das linhas usavam as tripas de animais ou
fibras vegetais”. Os principais tipos de bordados segundo a Wikipedia são: bordado livre, ponto cruz (clássico em X), ponto russo (efeito 3D), e técnicas refinadas como Richelieu (recortes) e bordado com fitas.
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| Estudantes na Exposição Povos e Plantas. |
NOSSO ARTISTA
O cientista-artista Roberto
Romão Lisboa nasceu em nove de junho de 1968 em Juazeiro, na Bahia, e é filho
de Francisco Romão Carneiro e Terezinha Lisboa Romão. Seu pai era empresário,
tinha uma torrefação de café e sua mãe professora do Estado e também gostava de fazer os seus bordados. Estudou o primário
no Educandário São Francisco e foi transferido para o Colégio Motiva que era um
estabelecimento de ensino muito moderno para os padrões da época. Depois seus pais acharam que o Motiva era moderno
demais e o matricularam no Colégio Dom Bosco, em Petrolina, cidade coirmã
de Juazeiro. Estudou e graduou-se em 1990 em Agronomia pela Universidade
Estadual do Médio São Francisco. Em 1991 entrou num Grupo de Pesquisas de Genética e foi
fazer uma pós graduação em Recife em 1991, passando por Piracicaba em São Paulo
e Nova Viçosa em Minas Gerais, e na Embrapa em Petrolina. Fez o mestrado na
Universidade de São Paulo de Piracicaba - USP, no Departamento de Genética e estudou as
melancias em três regiões do país.
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O cientista Roberto Lisboa pesquisando as plantas nos arredores de Madri. |
Quando fui ao seu encontro no
apartamento no bairro da Graça, em Salvador, foi logo me dizendo que faz parte
da quinta geração em Genética depois de Mendel. O cientista citado por Roberto
Lisboa é o monge beneditino Gregor Mendel (1822-1884) nascido na Morávia que
ficou famoso como o Pai da Genética. Cruzando ervilhas ele conseguiu
informações valiosas sobre a hereditariedade. Mesmo sem muito conhecimento a
respeito de divisão das células e do material genético o cientista foi capaz de
propor como as características são transmitidas aos descendentes de maneira
correta e aceita até hoje. .
Começamos a conversar sobre
sua carreira. Fiquei sabendo que foi orientado no seu mestrado por um cientista
brasileiro da quarta geração de geneticistas que foi o Paulo Sodré Martins, já
falecido, que por sua vez fora orientado pelo alemão Friedrich
Gustav Brieger (1900-1985) pioneiro botânico e geneticista alemão. Foi o
patriarca acadêmico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, doutor
em botânica e livre-docente na área de genética pela Universidade de Berlim e
membro da Academia Brasileira de Ciências.
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Bordado da série Aprés Burle Marx - Entre Manguezais , de 2019. |
Já o geneticista Roberto Lisboa pesquisou as
melancias que são cultivadas e apreciadas no Brasil, especialmente no
Nordeste. Ele diz ter encontrado mais de duas dezenas de variações, oito cores de polpa,
mais de vinte cores de sementes, e de casca além dos sabores. Fiquei sabendo
que as melancias foram trazidas para o Brasil durante o tráfico de escravos
africanos. Disse que existem duas origens possíveis que vieram com os bantos e
sudaneses. Comparou com muitas melancias existentes no mundo, inclusive com as da
Rússia, que tem um grande centro de sementes. Ganhou uma bolsa de estudos e foi
para Espanha em 1995 onde ficou seis meses na Universidade Politécnica de Madri, e voltou como especialista em
Recursos Genéticos Vegetais . Fez um
concurso para professor substituto para a Universidade Federal de Sergipe e começou
a dar aulas em 1995 e foi até 1996, era um contrato de um ano e pouco. Fez o mestrado na Universidade Estadual de Piracicaba- USP, em São Paulo. Em 1997
voltou para a Espanha através de uma segunda bolsa para fazer o seu doutorado.
Foi quando soube de um concurso para professor na Universidade de Feira de
Santana. Foi aprovado e teve que suspender o doutorado. Depois retornou em 1999
à Madri para continuar o doutorado, onde permaneceu quatro anos preparando sua
tese ligada a Ecologia Espacial que disse ser um trabalho inovador usando
padrões especiais e processos ecológicos orientado pelo pesquisador Adrián
Escudero, quando estudou uma população de plantas do sul de Madri e em 2003
conclui o doutorado.
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| O Rei da Vela, Linha de algodão em tela,2018. |
Voltou para a Bahia e em 2005 montou um grupo
de pesquisas em Recursos Genéticos Vegetais com a participação com todas as
universidades da Bahia que tinham alguma interlocução nesta área. Ajudou a
montar a Rede de Recursos Genéticos da Bahia juntamente com outros
pesquisadores. Hoje abrange todo o Nordeste e criaram a Sociedade Brasileira de
Recursos Genéticos e dois programas de pesquisas de pós-graduação um na UFRB –
Universidade Federal Rural da Bahia ,em Cruz das Almas, e outro na Universidade Federal
de Feira de Santana. Foi convidado em 2009
para ser examinador de um concurso na Universidade Rural do Rio de Janeiro e
soube de uma exposição comemorativa dos cem anos do arquiteto Burle Marx. Adiou
seu retorno e disse ficar impressionado ao constatar que Burle Marx tinha feito muitos estudos sobre os cactos. É que por coincidência Roberto Lisboa estava estudando os cactos e suas formas de cultivar e preservar. Em 2012 decidiu voltar pro Centro de
Pesquisas do Instituto do Jardim Botânico Burle Marx e foi recebido pelo
pesquisador Gustavo Martineli. Passou a estudar Burle Marx e tentou duas bolsas
na CAPES e no CNPQ para estudar a fundo os trabalhos desenvolvidos por ele, mas
não conseguiu.
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| Obra Copacabana de Engana, de 2019. |
Fez duas
publicações nas revistas Science e Nature de um trabalho sobre o semiárido no
mundo com a participação de vários cientistas e publicaram nestas duas revistas,
ele foi o pesquisador chefe no Brasil. Montou uma exposição Plantas e Povos, em Juazeiro ,na Bahia, contratou um grupo do Rio de Janeiro entre eles o Hélio Eichbauer para preparação e montagem da mostra. Seus colegas que participava do
grupo de geneticistas do Nordeste cederam muitos materiais e foram enviados para Juazeiro
onde foi montada e exposição que durou duas semanas. Conseguiu inicialmente um
ônibus da universidade de Juazeiro e quando voltou para as aulas em Feira de Santana seus alunos estavam certos que iriam para Petrolina visitar a exposição . Eles ficariam hospedados nas instalações do Exército e ainda iriam visitar a
Embrapa em Petrolina. Aconteceu que por razões que não sabe o então reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana resolveu suspender o ônibus e isto revoltou os
alunos. O cientista Roberto Lisboa disse que muitos alunos de escolas públicas do segundo grau de Petrolina e Juazeiro já tinham visitado a exposição. Foi assim que seus alunos de Feira de Santana criaram
muitos problemas com a negativa do reitor e ele começou a ter problemas de saúde, teve que se afastar e depois solicitou sua aposentadoria.
EXPOSIÇÕES E ATIVIDADES
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Vemos nesta obra o sanfoneiro e plantas do Nordeste. |
Frequentou a Escola de Artes visuais do Parque Laje e o Espaço Tom Jobim (2012-2014),
e os cursos de Arte e Filosofia do cenógrafo
e intelectual Hélio Eichbauer. Depois
de dar início a pesquisa com aulas de bordado botânico no ateliê da artista
visual Tininha Llanos, seguiu com Cristiane Mohallen no Sesc/SP e com Tammy Yamada Lamarão, no espaço Fox, Belém do
Pará. Estudou Desenho de Observação com os artistas Jaison Santos da Conceição/ MAMBA
e Pedro Marighella, no Ativa Ateliê, ambos em Salvador-BA.
Em 2014 organizou a Exposição Plantas e Povos, Juazeiro-BA, com
grande sucesso de público. Expôs seus bordados
em 2019 na Casa Cor-SP ; na Casa Philos, na Feira
Literária de Paraty, no estado do Rio de Janeiro; e fez uma exposição individual Rio+, Espaço Potó,
Petrolina-PE, e o Catálogo Rio+. Em 2024
- Si tu No Estás, Trinta Galeria de Arte
Contemporânea, Santiago de Compostela, Espanha.
Workshop: Bordados e Narrativas, Fundação Bienal de
Cerveira, Cerveira, Portugal; Árvore Cooperativa de Artistas, Porto, Portugal e no Museu de Arte Moderna, Salvador-BA.
Didil Costa
ResponderExcluirDou valor! Parabéns pro artista e a você Rey por valorizar a arte de um modo geral. A sensibilidade de criar, tecer fio a fio, ponto a ponto é imensurável diante dos belos resultados, ao mesmo tempo se tem excelente terapia ocupacional.
Marco Bulhoes Bulhoes
ResponderExcluirGrandes bordados.
Maria Das Graças Santana
ResponderExcluirParabéns pelo trabalho
Domingos Dantas Brito
ResponderExcluirBeleza!
Jorge Nascimento
ResponderExcluirPositivo!
Dilson Brito
ResponderExcluirBravo!
Maria José Almeida
ResponderExcluir👏🏽👏🏽👏🏽
Palmas!
Edvaldo F. Esquivel
ResponderExcluirParabéns! Tudo que Pinta e Borda é Arte, na certa.
Antonio Reis
ResponderExcluirÓtimo
Maria Das Graças Santana
ResponderExcluirPalmas!
Therezinha Carvalho
ResponderExcluirA cada publicação Reynivaldo o jornalista escritor, e caçador de talentos, hoje surpreende os leitores desse blog com a história de vida do Roberto Lisboa, pesquisador e cientista vegetal, que encontrou o caminho da arte no bordado.
Achei muito interessante esse trabalho, por unir a genética vegetal que já é fascinante, e que despertou nesse artista a inspiração para o bordado que é um trabalho manual tão sensível.
É bonito ver um homem nesse espaço que ainda é pouco comum, criando com tanta delicadeza. O bordado é para pessoa sensível, dedicada, e nessa arte a pessoa se ocupa, cria e coloca sentido na sua criatividade e nas coisas.
O Roberto Lisboa faz isso de forma significativa, trazendo sensação de construção e cuidado.
Esse trabalho mostra como é possível transformar conhecimento em arte de forma criativa e sensível.
Celia Mallett
ResponderExcluirPalmas!
Leonel Rocha Mattos
ResponderExcluirMuito interessante o trabalho de Roberto Lisboa! Ele possui o que os verdadeiros artistas têm, seu mundo imaginário peculiar destaca-se na linguagem que escolheu. É o que eu digo, o homem aprende qualquer coisa, mas o que diferencia do artista é a criatividade .
Viviane Carvalho
ResponderExcluirO Sr. sempre antenado com a cultura e a arte numa visão modernista. Abs!!
Fernando Freitas Pinto
ResponderExcluirParabéns ao Artista Roberto Lisboa pelas suas obras e Reynivaldo Brito pelo interessante texto. Abraços!!
Márcia Cristina Silva Barros
ResponderExcluirMestre Reynivaldo Brito sempre nos surpreendendo com sua capacidade jornalística. Parabéns Roberto Lisboa, pela arte e sensibilidade! Ganhei meu sábado lendo essa entrevista!
Elizabete Lopes Johansen
ResponderExcluirTOP !
Lucio Emanuel
ResponderExcluirÉ realmente impressionante o trabalho de Roberto Lisboa. Fiquei encantado com a sua arte que utiliza o bordado como um pincel na mão daqueles mestres figurativistas. E também pela temática regionalista jâ que eu sou também juazeirense. Aliás, fui amigo do seu pai Chico Romão e de sua mâe Dona Terezinha, pessoas muito conhecidas e estimadas em nosso Juazeiro. Parabéns, Reynivaldo Brito por essa maravilhosa história de vida que você nos conta e essa resenha cultural que você realizou! E daqui mando um abraço para esse genial artista do bordado. Sinto-me honrado em ser seu conterrâneo!
Ana Santos
ResponderExcluirQue trabalho maravilhoso! Agulhas e linhas substituem pincéis e tintas.
Marco Bulhoes Bulhoes
ResponderExcluirJogue duro, Reynivaldo. Obrigado por incentivar as artes visuais na Bahia.
Sergio Anunciação
ResponderExcluirMuito bom! 🎬🎨👏👏👏
Mauricio Calabrich
ResponderExcluirMuito bom
Edicarlos Santana
ResponderExcluirParabéns lindo trabalho
Silvana Teixeira
ResponderExcluirTOP!
Ivo Neto
ResponderExcluir👏👏👏
Palmas!
Tereza Souza
ResponderExcluirParabéns, trabalho maravilhoso!👏👏👏👏🤩
Edilson Santos
ResponderExcluirPalmas!