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O artista Davi Bernardo trabalhando em nova obra no seu ateliê. |
O artista plástico Davi Bernardo Artista plástico, escritor, Mestre em Artes Visuais
participou de quatro edições da Bienal do Recôncavo – de 1998 a 2004. Foi
premiado no Salão de Arte Contemporânea do Consulado da Holanda em 2003. É
um leitor compulsivo que encontrou uma forma de se expressar entrelaçando a
linguagem escrita com a visual. “Sempre li muito e a palavra entra com
naturalidade e frequência em meus trabalhos plásticos às vezes com textos
escritos por mim ou de outros autores”, afirmou o artista durante nossa
conversa. Tudo isto acontece porque gosta de experimentar criando formas de se
expressar utilizando os mais diversos materiais e objetos que lhes chegam às
mãos. Algumas vezes parte para o mundo mágico da invenção e surgem até palavras
que ainda não estão no dicionário oficial e que talvez nunca estarão. É graduado em Artes Plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e concluiu seu curso em etapas . Decidiu estudar para concurso, sendo aprovado e começou trabalhar como funcionário público. Porém, desde a infância que a arte exerce
um certo fascínio em sua vida, desenhava e pintava copiando figuras de
revistas. Disse que ficava esperando a Revista Manchete sair, porque teve um
período que publicava semanalmente uma reportagem sobre os grandes nomes da
arte universal e também de artistas brasileiros. O dono da revista Adolpho Bloch
morava no Rio de Janeiro era um colecionador e incentivador importante das artes na sua época.
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Obra s/ título , acrílica sobre tela, de 1994.
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Já no ano de 2002 iniciou uma série de
trabalhos que denominou de Pinturas Maximalistas, embora nem todos os
apresentados eram propriamente pinturas. O artista Davi Bernardo expôs suas
pinturas e também objetos pessoais que ele se apropriou como roupas e cartas,
dentre outros e construiu seu discurso criativo somando o elemento gráfico, ou
seja, inserindo a linguagem visual ao lado de textos tratando de suas opiniões
sobre o processo criativo contemporâneo. Tinha ali uma conexão biográfica com o
artista como estivesse apresentando um diário particular. Esses princípios os
acompanham até hoje unindo as linguagens verbal e visual, tornando-se única.”
Para acentuar o caráter inusitado e abstrato, os textos / imagens, às vezes,
são escritos / desenhados de cabeça para baixo ou na lateral”. O artista brinca
com as linguagens como num jogo de armar.
Divide seu ateliê com seu amigo
artista e também colega de trabalho Josemar Antonio este em Dreams Work / Work
Dreams revelou utilizar uma técnica de sobreposição, saturação e distorção das
imagens, que são capturas no dia a dia das pessoas à beira das estradas
brasileiras.
Contato com a Literatura
Seu nome de batismo é Davi Bernardo Ribeiro Machado e nasceu em vinte de
agosto de 1962 no Hospital Santa Izabel no final de linha do bairro de Nazaré
em Salvador. A família morava no bairro do Barbalho e ele é o quarto de cinco
filhos. Seu pai o Jornalista e professor de Filosofia e Ética da Universidade
Católica de Salvador, Germano Dias Machado dirigiu durante muitos anos o Jornal
A Semana, na Arquidiocese de Salvador, que funcionava na Praça da Sé. O Davi
Bernardo gosta de escrever e já publicou um livro de contos intitulado "Depois
Terei de Falar
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Esta obra de Davi Bernardo leva o espectador a imaginar os rostos da figuras.
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em Voz Alta", e também ilustrou o livro de seu irmão Paulo Emanuel
Machado que tem o título "Você Não Pode ser o Oceano".
Seu pai além de professor
tinha um grupo de pessoas que escrevia poesias, contos e romances e ele cuidava
desta parte de edição. Portanto, o Davi Bernardo nasceu e cresceu no mundo da
Literatura. Sua mãe d. Miriam Ribeiro Machado era professora de Geografia na Escola Técnica Federal e no Colégio Estadual Duque de
Caxias. Davi e seus irmãos cresceram neste ambiente onde a leitura era uma
presença obrigatória. Disse que se transformou num leitor compulsivo e isto o
tem ajudado e muito em suas incursões pelo mundo das artes visuais.
Fez o curso primário na Escola Getúlio Vargas, que pertencia ao complexo educacional do ICEIA - Instituto Central Estadual
Isaias Alves, no bairro do Barbalho, e em 1973 parte do ginásio no Colégio de Aplicação
da UCSAL, que funcionava no Convento da Palma, Largo da Palma, ambos em Salvador. Lembrou quando
estudava lá com seus
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Arara de alumínio, roupas, tinta p/ tecido e cabides. As peças estão endurecidas com cola branca . Na exposição os visitantes podiam manusear.. |
irmãos foram feitas as filmagens de Dona Flor e Seus Dois
Maridos, na casa de número 12, e que eles subiam as escadas da torre da capela e ficavam vendo os atores e técnicos
naquele movimento das filmagens. Ficou um ano tomando uma banca da professora Claudemira, (não se recorda o sobrenome da mestra) que era muito conceituada, no bairro da Saúde, se preparando para ir para a
Escola Técnica Federal onde fez o ano básico e depois o primeiro ano de Edificações. Foi transferiu para o Colégio Duque de Caxias, no bairro da Liberdade, onde sua
mãe era professora de Geografia e foi ser aluno dela. Contou que é muito complicado
ser aluno da mãe porque tem que ser o mais bem comportado, o melhor aluno. E
pior que os colegas ficam fazendo bullying dizendo que era protegido e que passava porque a professora era sua mãe. Teve uma
hepatite forte e foi obrigado a parar por uns tempos e logo depois fez vestibular
para Arquitetura, mas não foi aprovado. Então resolveu em 1981 fazer para
Administração, na UCSAL ,foi aprovado, e se graduou em 1985.
Porém, a arte lhe
acompanhava desde os anos 70 e lembrou que em 1975 a Revista Manchete publicou
uma reportagem sobre Paul Cézanne. O artista nasceu em Aix-en-Provence, Provença, e morreu 19 de janeiro de 1839 em sua cidade natal em 22 de outubro de 1906. Foi um pintor pós-impressionista francês, “cujo trabalho forneceu as bases da transição das
concepções do fazer artístico do século XIX para a arte radicalmente inovadora do século XX”.
Ficou encantado com a vida do artista francês e com suas paisagens quase abstratas
e decidiu que iria fazer vestibular para a Escola de Belas Artes. Prestou o vestibular e foi aprovado e
neste momento não cursou. Formado em Administração começou a procurar emprego e
não encontrava ocasião em que seu pai Germano Machado sugeriu que procurasse
emprego no campo das artes gráficas. Conseguiu o emprego desejado e trabalhou no bairro de
Pernambués num escritório de publicidade que ficava junto a uma gráfica . O escritório pertencia a dois jovens que na época trabalhavam no jornal da
Tribuna da Bahia. Lembrou que um deles era o Jorge Pugas, da J & A Produções Gráficas , o outro chamava-se Marcos, mas
não conseguiu lembrar do sobrenome. Eles arranjavam os serviços e Davi Bernardo
fazia a arte final para publicação. Enquanto isto estudava para concurso até
que foi aprovado para a Receita Federal e continua até hoje. Retornou à Escola
de Belas Artes concluiu a graduação e fez a partir
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Durante suas viagens costuma levar um caderno p/ desenhar.. |
de 2011 o Mestrado sendo orientadora a professora
e artista Sônia Rangel com a tese Narrativas do Cotidiano - Numa Poética da Palavra
- Imagem Objeto. Sendo um leitor compulsivo desde criança lia as
Enciclopédia Ilustrada e a palavra sempre entrou em seus trabalhos visuais.
Primeiro os rabiscos como elemento visual e imaginava que era um texto, mas não
era. Posteriormente vieram os textos de escritores e poetas consagrados como
Fernando Pessoa e mesmo de sua autoria. Portanto, tinha aquela preocupação constante da
palavra e da imagem.
Declarou que sempre teve uma certa dificuldade em se manter num estilo determinado. Tem artista que passa o tempo inteiro com mesmo estilo.
Lembrou de Piet Mondrian (1872-1944) artista holandês que surgiu no
movimento modernista europeu no início do século XX. Ele procurava refletir
sobre as leis matemáticas e abraçou a corrente de arte neoplasticismo e se
destacou também nas artes gráficas e na arquitetura. Ele também limitou seu
vocabulário formal às três cores primárias o vermelho, azul e amarelo, aos três
valores primários preto, branco e cinza, e às duas direções primárias a
horizontal e vertical, e pintava com variações dessas cores e a posição dos
elementos geométricos.
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"Estimulando Sentimentos Amistosos", serigrafia sobre a página de livro antigo, 2020. |
Também
Alfredo Volpi que nasceu em Lucca, na Itália, em 14 de abril de
1896 e faleceu em São Paulo no dia 28 de maio de 1988.Foi um pintor
ítalo-brasileiro considerado pela crítica como um dos artistas
mais importantes modernos com o legado consagrado e
complexo, começou sua carreira pintando paisagens, marinhas e
personagens e depois se fixou nas bandeirolas. O Volpi ficou famoso
conservando a estrutura das bandeirinhas e mudando as cores.
Já o Davi Bernardo, guardando as proporções,
é claro, se vê como um experimentador gosta de aprender com os materiais usando
várias técnicas. Quando conhece um material tipo barro para cerâmica fica
fascinado para fazer trabalhos relacionados, depois vira para a gravura, volta
para a cerâmica.
Confessou que tinha uma angústia para ter um estilo próprio até quando a
artista e professora Sônia Rangel sua orientadora no Mestrado disse que ele “tinha
princípios que lhes norteiam”. Um desses princípios é o hibridismo, ou seja, de
misturar técnicas diferentes. Assim a professora o tranquilizou, passou a misturar estilos, imagens e usar materiais diversos num mesmo trabalho. Continuou colocando uma
pintura ao lado uma fotografia, etc.
Fez algumas instalações, que entende como " um
trabalho complexo, e disse que que tudo que produz tem uma relação com a Literatura. A imagem nasce de um texto, e citou o escritor italiano Ítalo Calvino. Os pais de Ítalo Calvino foram Mario Calvino e Eva Mameli Calvino, ambos cientistas italianos. Eles estavam temporariamente em Cuba, onde Calvino nasceu em 1923, antes de retornarem à Itália pouco tempo depois. Veio a falecer na Itália aos sessenta e um anos de idade em 1985. Durante
sua existência foi jornalista e escritor, autor de vários livros. Ítalo Calvino
“abordou a imagem como um elemento central para a construção da narrativa, a
imaginação e a percepção do mundo. Explorou o visual tanto na literatura quanto
na fotografia e cinema, destacando a imagem como um início poético, um mapa
conceitual e um meio de tornar visível o invisível, buscando o equilíbrio entre
a leveza da descrição e a profundidade filosófica.” Wikipedia.
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Obra inspirada na frase de Henry Matisse sobre como queria que sua arte fosse vista. |
Disse que geralmente suas
ideias para as artes visuais nascem de um texto porque sua cabeça parece
situar-se na Literatura. Fez uma exposição em 2011, na Galeria Cañizares, na EBA,
que chamou de blz _ etc. a exemplo de jogos dos Sete Erros sendo cada palavra
iniciava com uma letra do alfabeto na ordem de A a Z. Começando as palavras com as vinte a seis
letras do alfabeto. Estão aí inclusas entre as palavras estranhas sete inventadas,
inexistentes no dicionário oficial. Como são todas difíceis, muita gente não
sabia o significado e consultava o dicionário. Ainda tinha umas pegadinhas da
palavra parecer significar uma coisa e na realidade era outra. Só que algumas
delas não estão e talvez nunca estarão no dicionário oficial. Geralmente tudo
surge de um texto que estou lendo, de uma provocação.
Também realizou uma exposição em 2015 com mais três pessoas através
um projeto do Banco Capital no EBEC. Na época estava lendo uma
biografia de Henry Matisse chamado Notas de Um Pintor, de 1908, lembrou de
uma frase que ficou em sua cabeça: “Eu sonho com uma arte de equilíbrio, de pureza e de
serenidade, sem temas inquietantes ou deprimentes, uma arte que possa ser, para
qualquer trabalhador cerebral, seja ele um homem de negócios ou um homem de
letras, algo como uma poltrona reconfortante onde ele possa relaxar do seu
cansaço físico". Então Davi Bernardo criou uma série de obras inspirada nesta frase. Pintou poltronas, cadeiras e dividiu os
quadros em dois, e também colocou textos invertidos e de lado para provocar as pessoas a olhar com mais
cuidado.
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Detalhe do políptico da Alegria de Viver,resina poliester,papel e nanquim, de 2016 da série Pinturas Maximalistas. |
Depois enviou um projeto
para a Caixa Cultural em 2016 “ eu me jogo, não fico esperando”. O edital
estava escrito que se aprovado tinha que ter uma curadora e produtora.
Escolhi Matilde Matos e sua filha Claudine Toulier e dei o nome de Pinturas
Maximalistas. Aí começou a trabalhar com resina colocando em camisetas. Fazia
os desenhos e as pinturas nas camisetas que conseguia com parentes e amigos.
Depois de desenhar e pintar jogava a resina e ficava num cabide. A resina cria volume e conseguiu comercializar algumas delas. Colocou também uma arara e pendurou várias camisetas, essas com uma cola para engomar e ficar durinhas.
As pessoas manuseavam durante a exposição.
Falou da criação de uma
instalação. Acha que “a imagem nasce de um texto e este sempre é o meu caminho.” Foi assim que em 2019 assumiu seu lado
de escritor e lançou um livro de contos com o título “Depois Terei de Falar em
Voz Alta”, onde revisita as vivências entre os séculos XX e XXI falando de dores, incertezas,
preconceitos e soluções. Aqui ao contrário ele constrói imagens com seus textos
bem elaborados ,uma nova forma de desenhar com a escrita. Os contos em número
de doze todos tem nomes de mulheres Ana Teresa, Aparecida, Aurélia, Madame
Carlota, Carolina, Conça e Mariinha, Dani, Leô, Lourdes, Maria, Mariah e
Roberta. Continua escrevendo e publicando em revistas online como a Subtexto e
a Quarup.
EXPOSIÇÕES
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Exposição Colcha de Retalhos no MAC com Josemar Antonio. |
Realizou em 2006
a exposição individual Pinturas Maximalistas", na Caixa Cultural, Salvador-Ba
onde pesquisou os limites entre pintura e objeto. Em 2008 participou
da coletiva, Experimento 01 - Subsolo, no MAM-BA. Foi selecionado
para os Salões Regionais de Valença (2009) Feira de Santana e
Jequié (2010) e Alagoinhas (2011). Em 2010
iniciou Mestrado em Artes Visuais na EBA/UFBA, sob orientação da professora Sonia
Rangel, que redundou na exposição individual , blz_etc, em 2011.
Com os artistas Tanile Maria e Josemar Antônio formou o grupo Úbere, de
estudos, discussões e experimentações em arte contemporânea.
EXPOSIÇÕES - Individuais - Em 2011
- “blz_etc”, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2006 - “Pinturas
Maximalistas”, Centro Cultural da Caixa Econômica, Salvador-BA.
Coletivas - Em 2016
- Máximo Divisor Comum, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2014
- Para Levar a Algum Lugar, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2013
- Dizer, Diga, com a artista Tanile Maria, Galeria ACBEU, Salvador-BA; Circuito das Artes, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2012- Circuito das Artes , Museu Carlos Costa Pinto, Salvador-BA; “Atelier
Coletivo VISIO”, na Sala de Arte Cinema da Universidade Federal da Bahia. 2011
- Salão de Artes Visuais da Bahia Centro Cultural
de Alagoinhas, Alagoinhas-BA; Projeto Coletivo “Entre Folhas”, concepção e
coordenação geral de Viga Gordilho,
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Davi Bernardo gosta de dividir o suporte de tela, madeira ou papel em espaços onde exerce a sua criatividade. |
projeto expográfico de Eriel Araujo e
curadoria de Ayrson Heráclito, Galeria Cañizares. 2010 - Projeto
Coletivo “Entre Folhas”, concepção e coordenação geral de Viga Gordilho, projeto
expográfico de Eriel Araujo e curadoria de Ayrson Heráclito, Centro Cultural Dannemann, São
Félix-BA. Projeto Acción Arte Itinerante LatinoAmérico; Espaço
de Arte, No Lugar, Quito-Equador, Centro Arte y
Culturas Bolivianas, La Paz-Bolívia, La Casita Colectiva, Mendoza-Argentina, La
Fábrica, Córdoba-Argentina e Café, Cultura e Artes, Salvador-BA. “Panorama 2010”,
com o grupo Úbere, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de
Santana-BA. “Desloque-se”, com o grupo Úbere, Museu de Arte Contemporânea
Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA; Salão de Artes
Visuais da Bahia - 2010, Feira de Santana e Jequié-BA. 2009
- “Panorama 2009”, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira
de Santana-BA, Salão de Artes Visuais da Bahia - 2009,
Centro Cultural de Valença, Valença-BA . 2008 - “GRAVURA:
Influências na Nova Geração”, Goethe Institut – ICBA, Salvador-BA. “Colcha
de Retalhos e Outras Lembranças”, com Josemar Antonio, Museu de Arte Contemporânea
Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA. “Experimento_01 – Subsolo”,
MAM, Salvador-BA. 2007 - “Novas expressões da
gravura”, Goethe Institut – ICBA, Salvador/BA. 2005 - Salão de Artes Visuais da Bahia , Feira de Santana-BA. Salão de Artes Visuais da Bahia - 2005, Porto Seguro-BA. 2004 - VII Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA. 2002 - VI Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA.
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Natureza morta feita de bordado. Davi é um experimentador de várias técnicas e estilos. |
Prêmios
“A Holanda no Olhar do Artista
Brasileiro”, Consulado da Holanda – Salvador-BA - Dez / 2003,
terceiro colocado. “Projeto de Cultura e Arte do Banco Capital 2005”,
Galeria do EBEC – Salvador-BA - Out/2005, Artista Revelação. “Salão de Artes
Visuais da Escola de Administração do Exército 2005”, Escola de
Administração do Exército – Salvador-BA – nov./2005, terceiro colocado. Edital
“Prêmio Matilde Matos” - FUNCEB - Edital de Apoio a Montagem de Exposição no
Estado da Bahia – 2007, MAC – Feira de Santana -BA - abr./2008.
APRECIAÇÃO
Texto para
a exposição individual “blz_etc”, Galeria Cañizares, Salvador-BA, em 2011. “" num jeito
enciclopédico de colecionar, Davi Bernardo recolhe seus objetos e produz seus próprios
textos num devir de acasos e recordações, para que o mundo continue a existir,
agora obra de arte sua, reinventado mundo desfolhado em suas mil páginas de
intimidade e estranhamento, como se reencenasse um prazer de infância de
enciclopédias e livros de arte adivinhados mais que lidos na biblioteca dos
pais.
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Obra de uma camiseta usada de suporte de texto e imagem. |
Seu dicionário faz duvidar
dos dicionários, seu texto-imagem brinca tanto com a fixação das palavras
quanto com a flutuação da experiência do mundo. Meio às cegas, apalpamos com os
olhos sua escrita-imagem, às vezes a metal, às vezes a tinta, às vezes a fogo -
foi feita para durar - por certo estas matérias durarão mais que nós. Sensação
contrária, também persistente é essa instabilidade, lugar onde o artista nos
coloca, pois qualquer que seja a sua escolha: cadeira, porta, chaveiro,
moldura, gaveta, parede, canto de sala, fotografia, como espaço suporte da obra
ou superfície em forma ambígua, o que ecoa é esse jogo de narrativas
superpostas em texto-imagem que se conta em nós na busca de decifrar o que quer
nos contar. Grande parte da leitura da obra são lacunas. Em fragmentos, vazios,
faltas, nos surpreendemos a investigar a ressonância de nossas próprias
memórias, reconhecidas e estranhadas em objetos familiares ou palavras
inventadas, por isso esse provocativo distúrbio entre ver e ler aqui persiste
como qualidade essencial da obra. " .” Sonia Rangel -Artista
Visual e Cênica