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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O CARTUNISTA PAULO SERRA COMEMORA 50 ANOS DE MERO

O cartunista baiano Paulo Serra 
tem cinquenta anos de estrada.
É hora de comemorar os 50 anos de uma heroica luta ecológica de um artista que criou o personagem Mero em 1976 e até hoje continua combatendo o desmatamento e a morte de animais silvestres em sua luta cotidiana pela ecologia em nosso país, e em particular  em Abrantes, onde reside, e no seu entorno. Seu criador é o cartunista, ilustrador, publicitário e escritor Paulo Serra que já escreveu alguns livros e dezessete cartilhas, num total superior e cem trabalhos gráficos,  todos falando e enfocando a necessidade de preservação de nossos recursos naturais. Paulo Serra aos setenta e três anos de idade fala e discorre com facilidade sobre os temas ligados a ecologia com a mesma força e com o mesmo a entusiasmo de quando o conheci em 1982 na redação do Jornal A Tarde. Na ocasião lhe apresentei ao dr. Jorge Calmon, que era o Redator Chefe do jornal, para que ele lhe mostrasse suas tiras de quadrinhos com o personagem Mero. O encontro foi proveitoso e assim passou a publicar durante alguns anos semanalmente as tiras focadas na ecologia, que na época era um assunto em alta. 

Agora vai realizar uma exposição retrospectiva de sua luta meritória  na Flipelô. A Festa Literária Internacional do Pelourinho-Flipelô começa hoje dia 5 e vai até  9 de agosto de 2026, marcando sua 10ª edição e os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, no Centro Histórico de Salvador, com atividades em espaços como o Café Teatro Zélia Gattai e na Casa Caixa. Será uma oportunidade ímpar para as pessoas que gostam de arte e literatura manterem contatos com artistas e escritores que participarão da Flipelô e conhecer toda a trajetória do cartunista Paulo Serra, que já recebeu a Medalha do Mérito Ambiental Mário Leal Ferreira, concedida pela Câmara Municipal de Salvador, por indicação do vereador do PV, André Fraga.  Ele está apresentando trinta pranchas resumindo sua caminhada durante os cinquenta anos, e está ultimando uma publicação pela Editora Victor, de Isabel Delmondes, sobre Ecologia. O cartunista está  contando toda a história de como começou e criou o personagem Mero que já foi publicado em mais de sessenta jornais e revistas de todo o país.

                          SUA HISTÓRIA

Paulo Serra sempre foi um defensor ferrenho
da Ecologia e dedicou grande parte de
sua vida na defesa da Natureza.
Depois de algumas décadas sem contato presencial com Paulo Serra nos encontramos no meu escritório para relembrar coisas ligadas a seu Mero e falar de suas andanças. Seu nome de batismo é Paulo Roberto Meireles Serra e nasceu em casa no bairro do Canela, em Salvador no dia três de setembro de 1953.  É filho de Orlando Reis Serra, que era contador, e de d. Odelita Meireles Serra, dona de casa. Passados alguns anos seus país foram morar na cidade de Mundo Novo, interior da Bahia, onde ele fez parte do curso primário. Em seguida seus pais retornaram a Salvador e foi estudar na Escola Jesus, Maria José que funcionava no Forte de São Pedro. Ao concluir o primário foi estudar no Colégio Antônio Vieira, no bairro do Garcia, onde permaneceu de 1964 a 1974 até concluir os cursos ginasial e colegial. Já no colégio juntamente com alguns colegas fundaram o jornal estudantil Jorbunalda, que era um jornal mimeografado onde fazia caricaturas de professores, escrevia piadas com seus colegas e professores e fazia críticas. Disse que nunca foram importunados pelos padres jesuítas do Colégio Antônio Vieira, nem mesmo pelo nome do jornal.

Ainda estudante colegial em 1971 juntamente com Bel Borba e o fotógrafo Marco Aurélio passaram a frequentar todos os domingos a Feira do Artesanato coordenada pela Bahiatursa. Esta feira foi criada na década de 70 para que os artistas do Centro Histórico, que vinha sendo recuperado, e de outros bairros de Salvador pudessem

A Lagoa do Abaeté foi uma de suas lutas até 
a criação do Parque Ecológico.
expor e comercializar em pequenas barracas seus produtos de arte e artesanato. Os três jovens vendiam xilogravuras e outros trabalhos. Lembra Paulo Serra que as vendas eram poucas e na década de 90 foi desativada. Ao concluir o colegial decidiu ir morar em São Paulo e matriculou-se nas Faculdades Integradas Alcântara Machado onde concluiu o curso de Publicidade. Estudou na capital paulista graças ao crédito educativo e ajuda de seu avô materno Deocleciano Meireles, por quem tem uma gratidão eterna. Para sobreviver com mais dignidade passou a comercializar seus cartuns enfocando o casario colonial, as baianas do acarajé, pescador, vendedor de coco na praia e outros personagens populares da Bahia, além das matrizes de xilogravuras, porque não dispunha de prensa para reproduzir cópias em papel. Ele fazia as matrizes e pintava vendia nas famosas feiras de arte e artesanato do estado de São Paulo: a Feira de Artesanato da Praça da República, o polo cultural de Embu das Artes e nos eventos sazonais no Parque Ibirapuera.

                                                      NASCIMENTO DE MERO

A imagem do Mero nasceu de uma rachadura 
num muro na capital paulista
.
O seu personagem que o acompanha a décadas surgiu do acaso. Certo dia ele ia num ônibus para a aula de Educação Física, porque nas Faculdades Integradas Alcântara Machado não tinha espaço suficiente para a aulas de educação Física. Quando estava no ônibus avistou uma parede rachada em forma de um corpo humano e sem a cabeça. Guardou aquela imagem, e ao voltar para casa desenhou e acrescentou a cabeça e colocou uma gravata. Estava criado o personagem que durante cinco décadas vem sendo um defensor e guardião da Ecologia.  Disse "o cartunista que alguns reparam que o personagem é corcunda. Mero nasceu assim, é um personagem diferente. Em seguida precisava achar um nome para meu personagem e estava lendo um livro quando me deparei com o nome de um peixe chamado mero. Fui ao dicionário e lá estava escrito que mero significa algo simples, comum, puro ou sem grande importância, e nomeia um peixe grande do mar. O peixe mero pertence à família dos serranídeos (Serranidae), que inclui peixes conhecidos como os badejos, garoupas e chernes e seu nome científico Epinephelus Itajara significa "senhor das pedras" em tupi. Pode medir até três metros e passar dos 400 quilos. É dócil e não tem medo do homem e por isto está ameaçado de extinção." O artista Paulo Serra vibrou quando descobriu a coincidência de que o mero é da família serranídeos, que lembra seu sobrenome Serra.

Depois criou dona Mera e  o filho Merinho.
Já em São Paulo "fui olhar minha mala e encontrei uns desenhos antigos que tinha levado daqui e um deles era de uma mulher regando um prédio, numa verdadeira floresta de prédios. Foi aí que surgiu a ideia de substituir a mulher pelo meu novo personagem e daí em diante ele foi ganhando força com novos cartuns, desenhos." Notou também que morando em São Paulo suas camisas apareciam com a gola suja e aquilo na década de 70 era fruto da poluição das chaminés. “Existia uma fábrica de cerveja da Brahma no bairro do Paraíso que além de exalar um cheiro horrível de cevada ainda poluía quando estava funcionando com suas chaminés trabalhando intensamente. Eram onze mil indústrias na cidade. Mas sempre dizia que ao se formar voltaria para Salvador, mesmo sabendo das oportunidades bem maiores de crescimento que São Paulo oferecia e oferece até hoje de crescimento na profissão."

Aqui chegando o jornalista e estudioso dos quadrinhos Gutemberg Cruz fez um Anuário dos Quadrinhos e incluiu o cartunista Paulo Serra, e em 2022 lançou o Grande Dicionário do Quadrinho Brasileiro, da Editora Noir, com 416 páginas. Este dicionário é uma grande

Mero já foi publicado em mais de sessenta
órgãos da imprensa em todo o país.
fonte de consulta dos quadrinhos em nosso país. Mero nasceu em outubro de 1976 e talvez tenha sido o primeiro personagem de cartum ecológico. Ele se queixa que nunca conseguiu vender um cartum como obra de arte. Muita gente acha que colocar um cartum, uma piada na parede não é bom porque envelhece. Mas, sabemos que Juarez Machado, Ziraldo, Caruso e outros sempre venderem seus cartuns que foram e são emoldurados e pendurados nas paredes. “Aqui para conseguir um local para mostrar os cartuns é muito difícil. Em São Paulo é bem mais fácil. Lá expus no Museu da Imagem e do Som – MIS. Através de uma colega de curso chamada Bárbara, ( ele não lembra o sobrenome, sabe apenas que tinha descendência italiana) levou seus cartuns para o jornalista Ari Silva, que era o dono da Gazeta da Zona Norte. Ele gostou e começou a publicar no seu jornal e depois conseguiu em outros jornais, e hoje o Mero já foi publicado em mais de sessenta jornais e revistas. Fez uma exposição no Planetário do Rio de Janeiro e teve boa visitação. Disse ainda que o Mero é o educador e em seguida criou a família. O Merinho é um menino teimoso, que joga game, consumista e é abusado. Já a mãe a d. Mera é conciliadora e gosta de plantas. O Mero não fala dentro do balão dele. Quando o Mero fala eu desenho e quem vê tem que decodificar o desenho e com isto rompo a fronteira da escrita porque o desenho é entendido em todas as partes do mundo. Se inspirou nos filmes mudos de Charles Chaplin onde as pessoas têm que entender até o que ele está pensando... Expôs também no Planetário , do Rio de Janeiro e em outros estados .

Um selo comemorativo.
Quando retornou em 1980 voltou para Salvador e foi trabalhar na DM9, que era  uma grande empresa de publicidade baiana, mas ficou por pouco tempo. Começou a publicar suas tiras no jornal A Tarde a partir de 1982 no Caderno Econômico e ficou até 1995. Na realidade recebia muito pouco por suas tiras. Foi procurar os grupos ecológicos e entrou para o Gambá onde fazia todas as ilustrações das publicações necessárias. Levou uns dez anos, e em seguida foi para o Germem, que era dirigido por José Augusto Saraiva, já falecido, por quem ele tem gratidão. Aí participou de estudos sobre a Baía de Todos os Santos, sobre os manguezais, da Lagoa do Abaeté. Confessou o Paulo Serra que tem um amor especial pela Lagoa do Abaeté onde passou uns dez anos indo quase diariamente fotografando, desenhando e lutando por sua preservação. Confessa que a maior luta ecológica do Mero foi pela Lagoa do Abaeté. Lembrou que a Área de Proteção Ambiental (APA) das Lagoas e Dunas do Abaeté foi criada em 22 de setembro de 1987 por meio do decreto estadual nº 351. Posteriormente, em 3 de setembro de 1993, foi instituído no local o Parque Metropolitano do Abaeté. 

RESERVA ECOLÓGICA

 Ele contou uma história que merece registro. Graças ao saudoso professor e artista plástico Alceu Lisboa que era dono do então Colégio Nobel, do bairro do Itaigara – recentemente falecido – ele foi fazer em 1990 uma palestra sobre Ecologia e desenhar

A Reserva Espinita  exemplo de preservação.
com as crianças. Em 1990, um episódio marcante mudou os rumos da família. O Antonio Maia tinha 14 anos, relatou ao cartunista e ambientalista Paulo Serra o triste dia em que um caçador derrubou uma árvore para matar uma preguiça na propriedade de seu pai. Comovido, Paulo Serra desenhou a cena em um cartum dedicado ao menino. Naquele instante, Maia teve a certeza que dedicaria sua vida à proteção das matas e animais da Espinita. Décadas depois, os dois se reencontraram, já com a Espinita reconhecida como uma Unidade de Conservação. O nome Espinita é de um bolero mexicano da década de 1940, interpretado pelo trio Los Panchos. O termo significa “pequeno espinho” e remete às desventuras de um amor não correspondido. Quando foi adquirida em 1973, a fazenda já carregava esse nome.”

Anos depois este garoto já homem feito, trinta e tantos anos depois,  o localizou foi até o seu sítio onde Paulo Serra reside em Abrantes, na Bahia,  para dizer que era gestor de uma fazenda transformada em um santuário ecológico. Trata-se de Antônio Lemos Maia Neto, que é o gestor da RPPN Espinita que fica no município de Igrapiúna, no sul da Bahia.A RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) é uma unidade de conservação (UC). Ela faz parte do grupo de uso sustentável de acordo com a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC - Lei nº 9.985/2000).” A Espinita pertence a Jazom Araújo de Oliveira que é alagoano,

Desenho de Paulo Serra feito para Antônio
Lemos Maia  no Colégio Nobel ,em 1990.
técnico agrícola e agricultor. Veio para a Bahia em 1971 para trabalhar no desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar no município de Camamu-BA. Foi discípulo, amigo e genro do engenheiro agrônomo Antônio Lemos Maia, responsável pela introdução de diversos cultivos agrícolas no Baixo Sul da Bahia”.“Já o Antônio Lemos Maia Neto é baiano, médico Veterinário formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília-(UnB). Filho dos proprietários, cresceu praticamente dentro da Espinita, perambulando e brincando por suas matas, riachos e plantações. Ainda criança descobriu também, na biblioteca de sua avó Wanda, o mundo dos grandes naturalistas que estudaram a biodiversidade brasileira. Na adolescência plantou sua primeira floresta com espécies nativas, recuperando um antigo roçado de mandioca. Também foi nessa época que começou a observar as aves, abelhas, plantas e outras formas de vida, com uso de binóculo, caderneta de campo, e mais tarde, da fotografia.” (Fonte Reserva Espinita).

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

UMA EXPLOSÃO RÍTMICA DE CORES E FORMAS

A Tarde . Terça-feira 14/9/1993


A essência da obra de Luiz é a energia.
Pinceladas fortes e vibrantes como os ritmos contidos como numa partitura de Beethoven feita com muita energia. Notas que se cruzam compondo belas imagens abstratas, ficando para a criação da individualidade. possíveis identificações de objetos ou pessoas. Uma obra que privilegia a pintura em sua essência. O ato de pintar, de usar as cores fortes com a consciência de harmonia, refletindo exata- mente que por trás de uma visível espontaneidade de traços e gestos está a espiritualidade de alguém que sabe o que busca expressar.    Há mais de 25 anos que ele vive em Paris. Esta convivência com a cidade luz talvez tenha provocado um sentimento de solidão onde muitas vezes o relacionamento e até mesmo a própria "amizade perde sua verdadeira dimensão", diante da distância e da luta desenfreada pela sobrevivência.

Luiz Augusto com sua sensibilidade aguçada supera a imagem que concebemos diante de sua figura calma e introspectiva. De posse do pincel o pequeno Luiz transforma-se num gigante das cores e das pinceladas vigorosas. Mesmo vivendo num espaço relativamente limitado ele consegue pintar imensas telas com camadas espessas utilizando pó de mármore e outros materiais. Este amazonense (nasceu em Manaus) nem nos lembra de longe a imensidão do seu Estado que esconde tantas riquezas e onde recentemente Yanomamis oram vitimados por garimpeiros insanos.  Luiz é de outro tempo. De um tempo civilizado e isto foi reforçado com sua convivência no Primeiro Mundo. Agora ele retorna com nova exposição na Anarte, que fica na Avenida Presidente Vargas, 2.400, em Ondina, Salvador, com vernissage no próximo dia 16. Uma exposição que deve ser visitada por todos aqueles que gosta de pintura e também pelos artistas para sentirem de perto a dimensão de uma obra universal, que rompe as fronteiras geográficas para nos brindar com composições vigorosas e criativas.

OS OBJETOS DE LUIZ ERNESTO

Luiz Ernesto nasceu em 1955. Carioca, engenheiro, dedica-se desde 1971 ao estudo das artes plásticas. Em 1978, ano de sua formatura, expõe pela primeira vez e passa a exercer atividades de professor de Desenho, Litografia e Pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e posteriormente no Projeto Arco-íris da Funarte. Participou de coletivas importantes no Brasil e no exterior, obtendo premiações diversas. Em 1984, Marcus Lontra Costa, que o apresentou, escreveu que “Luiz Ernesto trabalha com a surpresa, aproximando a ironia do humor. A mensagem é ao mesmo tempo, simples e elaborada. Isso justifica a aceitação de suas metáforas visuais em todos os níveis de percepção Essa força peculiar explica a aceitação que a obra do artista despertou, tanto na crítica quanto no público em geral, durante a exposição "Como Vai Você, Geração 80?", da qual foi, inegavelmente, um dos destaques. No trabalho atual do artista, que poderá ser visto a partir do dia 16 de setembro na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro, ○ aspecto crítico e irônico permanece e as imagens banais continuam.

 IDALINA PINTA UM RETRATO DE SANTA

A artista plástica Idalina Almeida pintou o retrato falado da Nossa Senhora que aparece" ao vidente Pedro Régis em Anguera. A técnica utilizada é acrílico sobre tela de 1,80 x 0.92m, que apresenta a santa em tamanho natural. O trabalho será mostrado ao público no dia 29 de setembro sexto aniversário do aparecimento da santa ao vidente Idalina especializou-se em retratos e tem feito trabalhos de personalidades que se encontram em museus e outras instituições. O retrato da Nossa Senhora, levado à igreja do Centro Administrativo, no domingo, causou forte emoção entre os presentes. A artista diz que tem uma relação muito especial com o quadro que se sentiu predestinada a pintar.

   GERALDO BONELLI NA CAÑIZARES

Desde o último dia 9, a Galeria Cañizares está expondo pinturas do artista plástico Geraldo Bonelli, permanecendo aberta ao público até o próximo dia 30. Nascido em Itabuna, Bonelli diplomou-se em Di- reito e em Arles Plásticas pela Universidade Federal da Bahia. Suas telas retratam momentos singulares da vida, num ambiente melancólico onde o sonho e a magia envolvem seus personagens de uma forma quase surrealista. Sua característica essencial é o constante movimento dado à figura humana, suas posturas, emoções e seus dias após noites envoltas numa atmosfera essencialmente boêmia, lírica e romântica. Geraldo Bonelli utiliza tons pálidos e os azuis e verdes conferem certa sobriedade a esses momentos.







 




sábado, 1 de agosto de 2026

A GRANDEZA DA ARTE DO PEQUENO CALASANS NETO

Calasans Neto com uma matriz pintada que
usava para fazer suas xilogravuras.
Este ano completou duas décadas o  falecimento do gravador, pintor, ilustrador e escultor  Calasans Neto, ocorrido em primeiro de maio de 2006. É  sempre bom relembrar o legado que os artistas modernistas baianos deixaram.  
O festejado cineasta baiano Glauber Rocha escreveu em abril de 1962 o ABC da Arte & do Amor de Calasans Gravador como apresentação para uma exposição do artista.  Assim usou todas as letras do alfabeto para falar do amigo, do artista, do homem e da figura sempre cheia de alegria que era o Calá. Tenho comigo o livro Calasans Neto Gravuras onde está inserido o ABC escrito por Glauber Rocha com uma dedicatória carinhosa de Calá que guardo com cuidado e carinho. “Reynivaldo você que tem feito tanto pelas artes plásticas da Bahia um grande abraço deste seu amigo e leitor. Calá. “Escolhi a letra C do ABC escrito pelo cineasta para reproduzir uma parte do texto: “C - Calasans sorri muito, é excelente piadista - mas no fundo ele “pensa” e não sei bem quais caminhos atingiu esta saída dramática para sua arte; Calasans tem a propriedade quase exclusiva de comunicar, cada vez mais gráfico, cada vez mais homem de jornal e de panfletos e cartazes – cada vez mais participante. Creio que o convívio de quase dois anos com Lina Bo Bardi abriu muitos caminhos para o gravador-gráfico :Lina Bardi é uma das poucas pessoas no Brasil que coloca o nosso contexto cultural em termos....”

 Foto 1. A fachada do ateliê. Foto 2-Pracinha com 
escultura de Calá. Foto 3 - Painel dos pássaros 
noturnos de Abaeté .Foto 4.Sala com um tríptico.
Voltei na última quarta-feira, dia 22 de julho de 2026, a visitar o ateliê onde por várias vezes estive para entrevistar Calasans Neto sobre suas novas xilos, monotipias, pinturas e andanças pelos Estados Unidos e países europeus. Sempre ele aproveitava para fazer uma série de desenhos que depois viravam suas  xilogravuras, monotipias, pinturas , e em seguida eram expostas e comercializadas . Tem por exemplo uma série de monotipias, que é fantástica, inspirada nos músicos de New Orleans, antes da tragédia ocorrida no dia 29 de agosto de 2005. A maré de tempestade do furacão Katrina causou danos em cinquenta e três pontos diferentes na Grande New Orleans, submergindo oitenta por cento da cidade e matando centenas de pessoas. 

Uma dessas entrevistas aconteceu em 1974 no seu ateliê, mas desta vez não era para falar da obra de Calá, e sim de uma peça de teatro de seu amigo-irmão Vinicius de Moraes. Foi o Calá quem me telefonou  solicitando que entrevistasse seu amigo e frequentador assíduo de sua casa e de seu ateliê na Rua das Amoreiras,7, no fim de linha de Itapuã. Combinamos o dia e horário e lá fui  para este encontro com o poetinha. Chegando já estavam no ateliê o Calá e o Vina sentado numa dessas cadeiras de lona, e no chão a seu lado, uma garrafa de

Os padrinhos Calasans Neto /Auta Rosa e 
Jorge Amado e Zélia Gattai no sétimo
casamento do poeta Vinicius de Moraes
com Gessy Gesse na Bahia, em 1973
.
uísque e um copo já com o precioso líquido, que ele tanto apreciava. Ainda encontrei a tal cadeira, só que a lona deve ter estragado e trocaram por outra, mas nos braços estavam as marcas do tempo e restos de tinta. O assunto a ser tratado era uma peça de teatro que o poeta escreveu para ser levada por sua então amada Gessy Gesse intitulada As Feras. Originalmente Vinicius tinha  intitulado  de Chacina em Barros Filho, e foi apresentada num galpão em desuso que existia na Rua dos Ingleses, próximo ao bairro do Campo Grande, em Salvador. A direção foi de Álvaro Guimarães e os artistas eram os baianos Gessy Gesse, Fernando Lona, Jurandir Ferreira, Armindo Bião, Mário Gadelha e Sonia dos Humildes. Foi escrita por Vinicius de Moraes em 1961. Trata-se de uma tragédia naturalista baseada num caso policial ocorrido no Rio de Janeiro. A obra aborda o drama social e as duras condições de migrantes nordestinos no sul do país. Lembro que Calá brincando disse “esta porra está apaixonado outra vez e agora inventou mais esta”. Vinicius sempre rindo só repetia “O que é isto Calasinho?”.

                                            O CALÁ QUE CONHECI

Calasans Neto em seu carro esportivo 
no Farol de Itapuã com algumas
 obras ao fundo.
José Júlio de Calasans Neto nasceu em Salvador, Bahia, no dia onze de novembro de 1932 e veio a falecer em primeiro de maio de 2006. Era gravador, pintor, ilustrador, desenhista,  cenógrafo e escultor. Filho de José Júlio de Calasans, que era médico psiquiatra e professor renomado da Faculdade de Medicina da Bahia, e de Frieda Elisabeth Geiger de Calasans. Foi acometido de poliomielite aos sete anos de idade, que deixou sequelas significativas, mas nem por isto deixava de nadar, dirigia e enfrentava as ladeiras de Salvador com galhardia, mesmo com as limitações que a vida lhe impôs. Era uma das figuras mais alegres, piadista de primeira e sempre tinha algo de engraçado para contar de seus amigos. Calá, como carinhosamente era chamado, tinha uma capacidade incrível de agradar as pessoas que se acercavam dele. A primeira vez que o avistei foi na frente de uma casa onde a família morava na Avenida Joana Angélica, defronte ao Convento da Lapa. Já sabia que andava com o pessoal ligado à cultura e com o Glauber Rocha que estava despontando como grande cineasta. Não lembro o ano, mas acredito que foi na década de 60. Quando já trabalhava como repórter do Jornal A Tarde foi que passei e conhecê-lo pessoalmente e fiz algumas entrevistas com ele sobre sua arte e de seus amigos. Ao seu lado  estava a inseparável Auta Rosa sempre atenta e com seu gatilho de sincericídio pronto para defendê-lo de quaisquer coisas que surgisse. Viveram felizes por longos anos no autodeclarado Principado Autônomo de Itapuã, vizinho de seu amigo Sante Scaldaferri que juntamente com a sua Marina formavam uma dupla de casais, exemplo de amizade e confiabilidade.

Esta é a prensa onde Calasans Neto
e seu impressor Vadeco tiravam
as cópias de suas gravuras. Está
necessitando de restauro.
Foi aluno de Mário Cravo Jr em suas aulas de gravura em metal e de pintura do grande pintor e tapeceiro Genaro de Carvalho, na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia. Em seguida no  ateliê de Genaro que ele começou a pintar. Anos depois abandonou  por um bom tempo a pintura e se dedicou à arte da gravura, onde se notabilizou, principalmente na xilogravura e monotipia. Juntamente com Glauber Rocha, Paulo Gil Soares, Sante Scaldaferri, Fernando Rocha Peres criaram a Jogralesca que teatralizava poemas, além da revista Mapa e a Editora Macunaíma. Nos anos 1956 a 1965   criou cenários para os filmes de Glauber Rocha O Diabo na Terra do Sol e de Francisco Guarnieri Eles Não Usam Black-Tie. Ilustrou dois romances do seu amigo e padrinho Jorge Amado Tereza Batista Cansada de Guerra e Tieta do Agreste, e História Natural de Pablo Neruda, de Vinícius de Moraes, e outros livros de autores baianos.

Retornou à pintura nos anos oitenta pintando suas cabras, baleias e os pássaros da noite que sobrevoam a charmosa e misteriosa Lagoa do Abaeté, que fica próxima a casa onde morou por décadas na Rua das Amoreiras,7 em Itapuã. Fez dezenas de exposições no Brasil e no exterior, inclusive participou da 18ª Bienal Internacional de São Paulo e da II Bienal de Havana, em 1986. Quando falamos em gravadores baianos imediatamente surge o nome de Calasans Neto com seus desenhos tirados de sua cabeça criativa e lembramos de animais mitológicos que enriquecem a literatura universal. Ele produziu vários álbuns com suas xilos e gravuras em metal. Também pintava algumas matrizes e comercializava, o que é uma forma de mostrar e preservar a sua produção artística.

Marina Scaldaferri ( de calça branca) viúva de
Sante, teve uma convivência de vizinhança
e amizade maior Calasans Neto e Auta Rosa.
A ceramista Irene Omuro e seu esposo Luiz ,
 falecido, foram muito amigos do casal
.
DE VOLTA AO ATELIÊ

Desta vez fui me encontrar com Marina Scaldaferri e com Irene Omuro que tiveram uma convivência de grande amizade com Calasans Neto e Auta Rosa.  O namoro  começou com um encontro ocasional em 1963 no Teatro Castro Alves, cujo foyer servia de sede do recém-criado Museu de Arte Moderna da Bahia, pela Lino Bo Bardi e lá permaneceu até 1968 . Contam as amigas que inicialmente teria sido ela que se interessou pelo bardo. O namoro evoluiu e passaram a ser vistos nos encontros com outros amigos. Mas, os pais de Auta Rosa não aprovaram o namoro e certo dia o pai da moça encontrou os namorados saindo do cinema Glória, que funcionava no prédio do jornal A Tarde, no lado que dá para a Rua Rui Barbosa. Houve uma discussão e até empurrões, e o Calá chegou a cair. Mas, Auta Rosa sempre foi uma pessoa decidida e resolveu deixar a casa de seus pais e foi acolhida por sua amiga Maria das Dores Amorim, a Dorinha, e lá permaneceu até casar-se em 30 de outubro de 1964. As coisas foram melhorando até comprar o terreno na Rua da Amoreiras  em Itapuã ,e resolveram construir uma casa que levou o número 7. Na década de 70 o bairro de Itapuã era uma vila de pescadores e tinham muitas casas de veranistas e os terrenos ainda eram baratos

Esta era a casa de Calasans Neto, que hoje
pertence a outra família.
O arquiteto escolhido para fazer o projeto foi o David Largman, que era seu amigo e um dos donos da Maison de Móveis, uma casa de móveis que existia na Avenida Sete de Setembro, em Salvador.  Logo depois ele foi para o Rio de Janeiro, onde faleceu. David Largman (Rio de Janeiro- RJ, 1928 - Rio de Janeiro- RJ, 2005), foi um pintor, desenhista, artista visual e arquiteto brasileiro. Formou-se em arquitetura pela Faculdade Nacional de Arquitetura. O artista Calasans Neto e Auta Rosa depois de morarem em imóveis alugados se mudaram para Itapuã e lá viveram o resto da vida. Eles foram muito felizes e o casamento durou mais de quarenta e dois anos até a morte de Calá em primeiro de maio de 2006. Logo depois Auta Rosa foi acometida por um câncer  e quando já estava doente decidiu doar a sua casa para a amiga que a acolheu na época do namoro com Calasans Neto a Maria das Dores Amorim, e para preservar o acervo e o ateliê do marido vendeu o ateliê e parte do terreno e doou as matrizes para Eduardo Pinto Rozendo, que é filho de uma prima que ela gostava muito. A Auta Rosa veio a falecer em dezenove de novembro de 2018, aos oitenta e cinco anos de idade. Portanto, graças a Eduardo Rosendo as matrizes, a prensa e painéis e outros pertences de Calasans Neto estão preservados . A entrada é pela Rua Calasans Neto,número 10, e ainda não está aberta à visitação pública. Posteriormente Dorinha veio a falecer e a casa da Rua das Amoreiras, número 9, ficou com sua filha Ivana Amorim, que vendeu a outra família. 

Já a  ceramista Irene Omuro conheceu Calasans Neto numa exposição do artista no Sauípe Grand Premium Brisa, em Sauípe, que fica no litoral Norte da Bahia, município de Mata de São João. Na ocasião comprou uma monotipia e ficaram amigos e ela terminou fazendo uma parceria quando ele a convidou para aprender a fazer monotipias por volta do ano de 2004. Lembrou Irene que “ele ficava lendo jornal ou fazendo outra coisa, e de vez em quando dava um pitaco. Deixei de fazer porque tive um problema de alergia com o Varsol, que é um removedor utilizado para limpeza das ferramentas. Mas, depois que ele faleceu fiquei ainda vindo uns quinze dias para fazer companhia a Auta Rosa. Com o falecimento de Vadeco, que era o impressor de Calasans Neto, terminei ficando sem condições de continuar com as monotipias, mesmo porque não tenho prensa para imprimir os trabalhos”. Tanto a Marina como a Irene Omuro elogiaram o trabalho de conservação desenvolvido por Eduardo Rozendo Pinto que vem preservando o acervo de Calasans Neto com muito zelo.

VIZINHANÇA E CAMARADAGEM

Esta é a casa construída por Sante  Scaldaferri,
que era  vizinho  de Calasans Neto.
Logo que Calasans construiu a casa passou a chamar Sante Scaldaferri para que ele comprasse o terreno vizinho para fazer uma casa. A princípio Marina, esposa do Sante, não aprovou a ideia porque ela trabalhava no Hospital Ana Nery, na Caixa D’água, e a distância era muito grande de Itapuã. Mas, terminaram concordando e o Sante comprou o terreno, que também tinha um preço acessível e foi o mesmo arquiteto carioca David Langerman, que também era artista visual, quem fez o projeto. Portanto, os dois amigos dos tempos de colégio e das atividades culturais foram morar juntos e foi uma amizade que durou até a morte de ambos. A casa de Sante Scaldaferri está lá bem conservada com mais de trezentas obras pela viúva Marina, que já tem noventa e cinco anos e está lúcida e tocando muito bem o seu piano, nas tardes de Itapuã. Me disse Eduardo Rozendo Pinto que “é muito prazeroso quando ele está na casa-ateliê que foi de Calasans Neto porque a gente ouve os passarinhos cantando e a sonoridade do piano da Marina, nossa vizinha querida”. Contou ainda Marina Scaldaferri que o Calá gostava de falar que no local onde eles construíram as casas tinha sido um cemitério de índio. Ele criava um casal de cachorros. Um dia estava trabalhando quando olhou para um dos cachorros notou que estava todo arrepiado. Ele parou, olhou novamente e já estava caindo a tarde. Aí perguntou a Marina. Você ficava? Também não, saí apressado com medo, e deu sua gargalhada inconfundível. Lembrou  Irene Omuro que "ele sempre tinha uma história ou piada para contar. Uma dessas disse  que estava ele e Glauber Rocha no Pelourinho defronte a um cartório quando um senhor veio e perguntou se eles não poderiam assinar como testemunhas no Registro de Nascimento de seu filho. Os dois prontamente aceitaram e assinaram como testemunhas. Ninguém sabe quem é este felizardo ou felizarda."

Críticas e opiniões

Várias personalidades do mundo cultural escreveram sobre Calasans Neto. Somente no livro Gravuras tem uma poesia de Carlos Drummond de Andrade e textos de Glauber Rocha, Quirino Campofiorito, Walmir Ayala, Clarival Prado Valadares, Fernando Sabino, Carlos Heitor Cony, Jorge Amado , Zelia Gattai, dentre muitos outros. A poesia de Drummond: “Tardes. noites, manhãs / no mar, no céu, na terra:/ Quantas Itapuãs / o meu olhar descerra/na arte de Calasans! / É um sonho da Bahia, / alta visão povoada/de paixão, e magia/ a explodir em cada / forma de luz no dia!”

Jorge Amado, Auta Rosa e
Calasans Neto. A foto deve
ser da Zélia Gattai.


JORGE AMADO – “Calá e a madeira - Com sua luz em preto e branco, explodindo vez por outra no vermelho, com sua luz cavada no mistério da madeira, retirada de seu cerne, mestre Calasans Neto, que amamos todos chamar simplesmente Calá, o bom Calá, ilumina nossa beleza baiana e a engrandece.
Sem dúvida, nasceu artista e gravador, entalhado, e sua missão ele a cumpriria de qualquer maneira, de qualquer jeito, fosse como fosse. Para cumpri-la, porém, assim com tanta consciência, força e sensibilidade, com essa grandeza, foi-lhe necessário somar ao talento e à vocação os dotes de um caráter sem concessões. de um coração de homem generoso e alegre. Ah! a alegria de viver de mestre Calá é uma lição de vida e esse homem de pequena estatura se mede por sua coragem, sua fibra. seu sentimento vital, seu amor aos seres e às coisas; e que grande homem!
Beleza de madeira, beleza da paisagem baiana, da cidade, do mar e do rio: as praias quase abstratas de tão impossíveis, as rochas como tartarugas, o grande sol e a doce lua, os saveiros, os navios no rumo do Recôncavo, as pequenas cidades sonolentas, as igrejas de ouro ou de pedra e o casario, as cabras e as baleias, eis as gravuras e as talhas de Calasans Neto, filho e pai da Bahia, nascido de seu ventre e parindo sua beleza. Ele nos acrescentou, nos deu algo de real nos fez mais ricos. Tomou de nosso mistério e o recriou. tomou de nossa condição baiana e lhe deu termos de arte, perenidade e universo
Gosto de vê-lo sorrir enternecido com um detalhe qualquer, o salto de um gato, olhar do pequinês, gosto de vê-lo diante da madeira a socavar, a retirar do vegetal a pedra e o cimento das casas, a luz e o sol, a cabra e a baleia, e o nosso mar verde-azul de Iemanjá. Sua Iemanjá é Auta Rosa, esposa e flor, nesga de aurora, e lá vai mestre Calá com sua bem-amada pela mão. Riem os dois. contentes e dispostos. Mas mestre também O drama: sua Bahia é Calá về a beleza e poética e dolorosa, mágica e pobre. Porque Calasans Neto sabe toda a verdade da Bahia, é de sua terra e de seu tempo, nele artista e homem são um ser único, indissolúvel ....”

Calasans Neto brincando com o poeta Vinicius de
Moraes,  1973. Este era o espírito alegre  de Calá.
VINICIUS DE MORAES – “Calasans Neto e as baleias:” Bem-amado Calá,
Primeiro e Único. Príncipe de Itapuã, Duque das Amoreiras ,Conde do Abaeté Barão do Coco Verde, Cavalheiro de Auta Rosa: dizei-me depressa o que é aquela coisa gorda lá no horizonte que não é um barco e que não é um monte, que não é um gêiser e que não é uma ilha mas que em todo caso é uma maravilha, pois não sendo fonte ainda dá-se ao luxo de ter um esguicho que lhe sai do casco igual a um repuxo?
- Aquilo, ó ignorante Aedo e súdito, é o cetáceo mamífero do período eocênico a que chamam baleia, que sem ser bonita também não é feia, eu diria mesmo que  é engraçadinha, e com toda a pinta de bem-educada, só de uma puxada come mil sardinhas.
- Calá, meu Príncipe, se ela for donzela eu queria tanto me casar com ela...
- E muito bem obraria, sórdido Poeta, desse-lhe eu tal ousadia, que lhe ordeno tire imediatamente de suas cogitações, pois todas as baleias me pertencem, fazem parte do meu harém. E como a espécie está em vias de extinção, devido à irrecorrível ambição dos homens, que as transformam em óleo, âmbar espermacete, guano e carne comestível, eu procuro perpetuá-las em madeira, com martelo, formão e goiva, de modo a que sejam sempre lembradas como bicho mais materno da Criação, e ao mesmo tempo o mais plácido, bem-humorado e cheio de dengo, a ponto de haver quem pense que desmunheca feito essas bichas grandes e gordas que saem pulando e dando gritinhos nos banhos de mar a fantasia, durante o Carnaval.
Que coisinha mais fofa! Eu estou inteiramente vidrado, obnubilado, apaixonado por elas, ó poderoso Sultão, e muito honrado me sentiria se, como prêmio aos meus esforços, me fosse dada em casamento a mão, ou melhor, a nadadeira de uma dessas encantadoras e jovens mini baleias que o formão do Mestre grava com tanta graça e poesia, quando vêm apreciar de longe as belezas da cidade do Salvador.
-E se mal lhe pergunto, a que esforços se refere o espúrio Bardo?,
- Aos de ter resistido às tentações do Demônio configurado em homem de muito charme e filáucia, belo, canoso e cheio de retórica: um misterioso aventureiro tido e havido como o Pirata do Rio Vermelho que não se cansa de soprar-me ao ouvido o Poder e a Glória obtidos através de um golpe para usurpar-vos o trono: um
As baleias que no período colonial apareciam
muito pelas bandas de Itapuã é tema de
uma série de gravuras de Calá.
flibusteiro de procedência árabe chamado Caymmi, cujo único intento é apoderar-se do Principado de Itapuã, onde já conquistou uma Praça, para seu gozo pessoal, porque, dono de bela voz e bom tocador de alaúde, pretende destarte cativar com suas canções as ingênuas baleias de vossos mares e, quem sabe, fazê-las dançar sambas-de-roda, lutar capoeira e dar-se a outros desfrutes para seu único e pervertido deleite. Mas eu soube resistir às suas melífluas insinuações e aqui me tendes, poderoso Senhor, vosso servidor humilde e defensor até a morte do sacrossanto Brazão deste falanstério, que fica representado desde já por duas sinuosas baleias azuis tocando-se em V pelos rabos e ladeando um escudo em verde, tendo ao meio, em negro, a figura de Iemanjá, pois diz ter ela renascido nestas águas, em cima, em ouro, a semiesfera superior do Astro Rei- tudo isso sobre fundo branco e sublinhado por um dístico em forma de fita dourada, de pontas unguladas, no qual se lê, em caracteres negros, o doce nome de Itapuã: O Principado Livre e Autônomo de Itapuã em todo o esplendor de suas cores o céu, o mar, a areia, a luz e as águas negras do Abaeté!”.......

Exposições

Individuais: Em 1956 - Porto Alegre-RS - Gravuras e Monotipias, na Galeria Dariano; Caxias do Sul-RS - Gravuras, na Associação de Cultura Franco-Brasileira.1958 - Belo Horizonte MG - Xilogravuras, na Galeria Interiores; Salvador BA - Série Velas, na Galeria Domus. 1959 - Salvador BA - Individual, na Pequena Galeria da Biblioteca Pública.1960 - Belo Horizonte MG - Individual, no MAP; Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Macunaíma.1962 - Salvador BA - Individual, no MAM/BA.1964 - Salvador BA - Série Taigara, na Galeria Querino.1965 - Salvador BA - Xilogravuras, na Galeria Convivium.1966 - Rio de Janeiro RJ - Matrizes de Xilogravuras, na Galeria Bonino; Salvador BA - Matrizes, na Galeria Convivium.1968 - Rio de Janeiro RJ - Gravuras do Álbum das Cabras, na Galeria Bonino; São Paulo SP - Matrizes, na A Galeria.1969 - Rio de Janeiro RJ - Matrizes de Gravuras, na Galeria da Praça.1973 - Lisboa (Portugal) - Gravuras do Livro Tereza Batista, na Galeria da Editora Europa América.1974 - Londres (Inglaterra) - 30 Wood-Engravings by Calasans Neto, na Kendal & Dent Ltda; Washington (Estados Unidos) - Gravuras do Livro Tereza Batista, no The Library of Congress, Hispanic Society Room. 1975 - Salvador BA - Gravuras do Álbum Do Jazz e 10 Monotipias sobre o Tema, na Galeria ACBEU.1976 - Washington (Estados Unidos) - Art Gallery of Brazilian, no Brazilian American Cultural Institute.1978 - Natal RN -

Ilustração exposta no Museu
do Ceará -MUC, em 1981,
 


Onze Gravuras para o Livro Tieta do Agreste, no Teatro Alberto Maranhão; Califórnia (Estados Unidos) - Individual, na California State University; Fortaleza CE - Individual, no Museu da Universidade do Ceará;- Resende RJ - Xilogravura, no MAM/Resende; Goiânia GO - Matrizes, na Casa Grande Galeria de Arte; Brasília DF - Matrizes, na Marchant Marlene Gastal; Lisboa (Portugal) - Xilogravura, na Biblioteca Nacional de Lisboa.1979 - Salvador BA - Monotipias, no Shopping Center Iguatemi.1980 - Quebec (Canadá) - Gravuras, na Université Laval Cité Universitaire.1981 - Califórnia (Estados Unidos) - Individual, na California State University. Em Washington (Estados Unidos) - Paintings and Monoprints, na Washington World Gallery; Fortaleza CE - Gravuras dos Álbuns Tereza Batista Cansada de Guerra e Itapuã, no Museu da Universidade do Ceará; Nova York (Estados Unidos) - Color US Brazilian, na W & J Sloane; Dacar (Senegal) - Semaine Culturelle de Bahia au Theatre Daniel Sorano .1982 - Salvador BA - Gravuras do Álbum Itapuã Sol, na Livraria Civilização Brasileira; Paris (França) - Individual, no Hotel Inter Continental;  Estoril (Portugal) - Gravuras do Álbum Atlantis, na Galeria do Cassino Estoril .1983 - Porto Alegre RS - Pinturas, na Galeria Modus Vivendi; Salvador BA - Pássaros Noturnos do Abaeté, na Art Boulevard Galeria . 1984 - Salvador BA - Monotipias para o Livro A Lenda do Pássaro que Roubou o Fogo, no Núcleo de Arte do Desenbanco; Feira de Santana BA - Monotipias para o Livro A Lenda do Pássaro que Roubou o Fogo, no Museu Regional de Feira de Santana; Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Antônio
Cabras e pássaros do Abaeté, pintura.
Bandeira; Luanda (Angola) - Pinturas, na União de Artistas Plásticos. 1985 - Salvador BA - Individual, no Escritório de Arte da Bahia. 1986 - Maceió AL - Monotipias, na Fundação Pierre Chalita; João Pessoa PB - Monotipias, na Galeria Gamela de Arte Ltda.1987 - Fortaleza CE - Metamorfose, no Imperial Othon Palace; Brasília DF - Dualidade da Metamorfose, na Galeria JBR ; Salvador BA - Dualidade da Metamorfose, na Galeria Anarte. 1988 - Rio de Janeiro RJ - Simbologia da Metamorfose, na Galeria Bonino; Brasília DF - Monotipias, na Casa Thomas Jefferson. 1989 - Salvador BA - Monotipias, na Galeria Cañizares. 1990 - Salvador BA - Fragmentos Urbanos, na Ada Galeria de Arte.1991 - Salvador BA - Crônica em Oito Tempos, na ACBEU.1992 - Salvador BA - Monotipias para o Livro Os Deuses Lares, no Núcleo de Arte do Desenbanco; Lisboa (Portugal) - Monotipias, na Lojas Quintão; Zurique (Suíça) - Metamorfose, no Wellenberg Hotel; Salvador BA - Individual, na Roberto Alban Galeria de Arte; Salvador BA - 25 Monotipias: Tereza Batista e Tieta. Exposição Comemorativa dos 80 Anos de Jorge, na Fundação Casa de Jorge Amado. 1993 - Salvador BA - Pinturas, na Galeria Prova do Artista/Hotel Sofitel. 1994 - Salvador BA - Monotipias, na Galeria Companhia das Índias.1995 - Fortaleza CE - Gravuras Ponta-Seca e Buril, na Galeria Jorge Amado da Aliança Francesa; Campos do Jordão SP - Gravuras, na Casa da Xilogravura. 1996 - Salvador BA - Gravuras do Livro História Natural de Pablo Neruda, de Vinicius de Moraes, no MAM/BA. 1997 - Salvador BA - Gravuras Ponta-Seca e Buril, na ACBEU; Salvador BA - Pinturas, no Espaço Calasans Neto ; Bagé RS - Gravuras, no Museu da Gravura Brasileira; Cachoeira BA - Individual, na Fundação Museu Hansen Bahia; Brasília DF - Gravuras Ponta-Seca e Buril, na Casa Thomas Jefferson.1998 - Salvador BA - Frutaria. Monotipias, na Associação Cultural Dante Alighieri; Salvador BA - Monotipias, na Galeria da Fundação Casa de Jorge Amado; Salvador BA - Lagoa e Mar, no MAM/BA. 1999 - Feira de Santana BA - Calasans Neto: pinturas, na Galeria de Arte Carlo Barbosa. 2000 - Salvador BA - Individual, no MAM/BA.

Coletivas Calasans Neto participou de inúmeras coletivas e salões aqui e no exterior. Veja algumas delas: Em 1952 - Feira de Santana BA - 1ª Exposição de

Pintura de Calá , mostrando sensualidade
com poucos traços.
Arte Moderna de Feira de Santana, no Banco Econômico. 1956 - Salvador BA - Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré.1958 - Belo Horizonte MG - Gravura Brasileira, no MAP; Salvador BA - Pinturas, no Forte de Monte Serrat .1959 - Salvador BA - Inauguração do Museu de Arte e História da Bahia .1960 - Rio de Janeiro RJ - 9º Salão Nacional de Arte ; Rio de Janeiro RJ - Artistas Novos da Bahia, na Galeria do Ibeu;  Rio de Janeiro RJ - Três Artistas Baianos, na Galeria Macunaíma;  Salvador BA - Sete Artistas Modernos da Bahia, no MAM/BA ;  São Paulo SP - 9º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia. 1962 - Paris (França) - 2ª Exposição Internacional de Cartazes de Cinema Contemporâneo; Rio de Janeiro RJ - Artistas Novos da Bahia, na Galeria do Acbeu. 1963 - Paris (França) - Jovens Gravadores Brasileiros, na Casa do Brasil.  Salvador BA - Artistas do Nordeste, no Museu de Arte Popular do Unhão. 1964 - Rio de Janeiro RJ - Artistas da Bahia, no Copacabana Palace; Salvador BA - Artistas Abstratos da Bahia, no Instituto de Cultura Brasil-Alemanha. 1965 - Salvador BA - A Gravura da Bahia, na Galeria Convivium. 1966 - Madri e Barcelona (Espanha) - Artistas da Bahia, no Instituto de Cultura Hispânica; Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas - sala especial; Washington D. C. e Filadélfia (Estados Unidos) - Artistas Baianos. 1967 - Rio de Janeiro RJ - Ciclo de Estudos da Arte Brasileira, na Galeria Macunaíma; São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria. 1968 - Rio de Janeiro RJ - Cartazes de Cinema Internacional, no MAM/RJ; Salvador-BA - Grande Leilão, na Galeria Renot. 1969 - Rio de Janeiro RJ - Grandes da Bahia, na Galeria Irlandini. 1970 - São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria; São Paulo SP - Feira de Arte, na A Galeria. 1971 - Fortaleza CE - Artistas da Bahia, na Galeria Vila Rica; Rio de Janeiro RJ - Álbum de Gravura Sete Gravadores, na Mini Gallery; Rio de Janeiro RJ - Arte Jovens da Bahia, na Galeria Voltaico; Rio de Janeiro RJ - Artistas Plásticos da Bahia, no Teatro Castro Alves; Salvador BA - Coletiva, no Banco Crefisul; São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP; São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria; São Paulo SP - Entalhadores Baianos, na A Galeria. 1972 - Belo Horizonte MG - Artistas Baianos, na Galeria Ami; Belo Horizonte MG - Três Artistas da Bahia, na Galeria Guignard; Milão (Itália) - Artistas Baianos, na Galeria Chettini; Salvador BA - Homenagem ao Livro Gente da Terra, de Antonio Celestino, no MAM/BA; Salvador BA e Recife PE - Arte Bahia Hoje, no MAM/BA; São Paulo SP - 50 Anos da Arte Moderna no Brasil da Semana de 22, na A Galeria; São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria; São Paulo SP - Gravadores, na A Galeria. 1973 - Belo Horizonte MG - Jorge Amado e os Artistas de Tereza Batista, na Galeria Ami Brasil;
Natureza morta com trutas, de sua autoria.

a DF - Exposição 4 Baianos, na Múltipla Galeria de Arte; Salvador BA - Exposição Didática de 22 Artistas Baianos, na Fundação Patrimônio Cultural da Bahia;  Salvador BA - Homenagem a Genaro de Carvalho, na Galeria Berlinda.1974 - Rio de Janeiro RJ - O Cartaz do Cinema Brasileiro, no MAM/RJ ;  Rio de Janeiro RJ - Pequena História da Pintura Brasileira, na Mini Gallery;  São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria. 1975 - Nova Orleans (Estados Unidos) - Álbum Do Jazz, no New Orleans Jazz Museum; Salvador BA - Coletiva, na Galeria Tempo; Salvador BA - Festival da Arte Bahia, na Galeria Cañizares; São Paulo SP - A Mulata Brasileira, na A Galeria; Washington D. C. (Estados Unidos) - Quatro Artistas da Bahia, na Art Gallery of the Brazillian American Cultural Institute. 1976 - Cachoeira BA - 1º Festival de Inverno da Cidade de Cachoeira; Salvador BA - Acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia, no MAM/BA; Salvador BA - Coletiva, na Galeria Arco-Íris; Salvador BA - Coletiva, na Panorama Galeria Arte; São Paulo SP - Coletiva, na A Galeria. 1977 - Natal RN - Coletiva, na Biblioteca Câmara Cascudo;  Salvador BA - A Gravura na Bahia, no MAM/BA;  Salvador BA - Centenário da Escola de Belas Artes da Universidade da Bahia, no MAM/BA; Salvador BA - Coletiva, na Galeria Grossman;  Salvador BA - Coletiva, na Panorama Galeria Arte; São Paulo SP - 9º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP. 1978 - Salvador BA - Bahia Arte Versão 78, na Eucatexpo;  Salvador BA - Coletiva, na Galeria Grossman;  Salvador BA - Exposição do Verde, no Centro de Turismo de Natal; Salvador BA - Gravura Brasileira, na Galeria Grossman. 1979 - Salvador BA - Coletiva, na sede do Citibank; São Paulo SP - Coletiva, na A Galeria. 1980 - Estoril (Portugal) - Seis Artistas da Bahia, na Semana da Bahia no Estoril; Fortaleza CE - 11 Artistas da Bahia, no Museu de Arte da UFCE; Salvador BA - Coletiva, no Bistrô do Luiz; Salvador BA - Gravura Arte Maior, no Museu Costa Pinto; São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Grossman. 1981 - Salvador BA - 1º Salão de Veteranos e Novas, na Vilas do Atlântico; Salvador BA - 5 Artistas, no Hotel Le Merídien Bahia; Salvador BA - Coletiva, na Época Galeria; São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Grossman. 1982 - Bilbao (Espanha) - Artender 82. Muestra Internacional de Arte Gráfico;  Brasília DF - Três Artistas da Bahia, na Casa Thomas Jefferson;  Londres (Inglaterra) - Brazilian Exhibition, no The Wraxall Gallery;  Londrina PR - Coletiva, na Galeria Bahiarte;  Maracaibo (Venezuela) - 2ª Bienal del Grabado da América, no Museu Municipal de Artes Gráficas; Salvador BA - A Bahia Vista por Seus Artistas, no Shopping Itaigara; Salvador BA - Artistas Plásticos Contemporâneos no 4º Encontro Monástico Latino-Americano; Salvador BA - Artistas Baianos, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli; Salvador BA - O Espaço da Cultura, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli;  São Paulo SP - 15ª Exposição de Arte Contemporânea, na Chapel Art Show.1983 - Porto Alegre RS - A Paisagem através de Artistas Brasileiros, na Galeria Modus Vivendi; Salvador BA - Influência do Candomblé na Arte da Bahia. Comemoração dos 90 Anos de Mãe Menininha do Gantois, no MAB; Salvador BA - Os Sertões de Euclides da Cunha, no MAM/BA; São Paulo SP - Coletiva, no Chapel Art Show.1984 - Curitiba PR - 6ª Mostra da Gravura Cidade de
Uma excelente monotipia de Calasans Neto.

Curitiba - A Xilogravura na História da Arte Brasileira, na Casa Romário Martins; Dacar (Senegal) - Exposição Afro-Bahia, na A Galeria Nationale; Rio de Janeiro RJ - A Xilogravura na História da Arte Brasileira, na Funarte. Galeria Sérgio Milliet; Salvador BA - 1ª Mostra Sul América de Arte Baiana, no Bahia Othon Palace; São Paulo SP - 15º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP; São Paulo SP - 17ª Exposição de Arte Contemporânea, na Chapel Art Show.1985 - Costa Rica (América Central) - Arte Afrobaiana, no Temporales; Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Way Galeria de Arte; Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ;  São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal. 1986 - Brasília DF - Baianos em Brasília, na Casa da Manchete;  Havana (Cuba) - 2ª Bienal de Havana; Salvador BA - Bahia de Todas as Artes, Convenção Latino-Americana da IBM, no Centro de Convenções da Bahia; Salvador BA - Reflexões, na Art Boulevard Galeria.1987 - Itaparica BA - Coletiva, no Club Mediterranée; Itaparica BA - Coletiva, no Galeão Sacramento; Salvador BA - 12 Artistas Brasileiros, na Anarte Galeria; Salvador BA - Coletiva, na Galeria Rodin; São Paulo SP - 20ª Exposição de Arte Contemporânea, na Chapel Art Show.1988 - Estoril (Portugal) - Exposição Comemorativa dos 50 Anos de Vida Literária do Escritor Fernando Zamora, no Cassino do Estoril; Porto Alegre RS - Coletiva, na Sala Aurora de Arte; Salvador BA - Coletiva, na Galeria da Câmara Municipal; Salvador BA - Coletiva, no Shopping Barra;  Salvador BA - Os Ilustradores de Jorge Amado, na Fundação Casa de Jorge Amado;  Salvador BA - Projeto Verão, no MAM/BA; São Paulo SP - Semana de Arte Baiana, no Hotel Transamérica. 1991 - Fortaleza CE - Baianos Homenageando Floriano Teixeira, no Escritório de Arte do Ceará; Salvador BA - Rosa Ibarra e Calasans Neto, na ACBEU. 1992 Rio de Janeiro RJ - Eco Art, no MAM/RJ; Salvador BA - Interpretando a América, na ACBEU; Salvador BA - Universo Amado, na Anarte Galeria. 1993 - João Pessoa PB - Xilogravura: do cordel à galeria, na Funesc. 1994 - São Paulo SP - Xilogravura: do cordel à galeria, no Metrô.1995 - Salvador BA - Artistas Contemporâneos da Bahia, na Galeria Cañizares; São Paulo SP - Gravadores Brasileiros na Tríade, no Clube da Gravura; 1996 - Salvador BA - Homenagem ao Presidente do Chile Eduardo Frei, no MAM/BA .1997 - Feira de Santana BA - Doze Artistas Brasileiros, no Espaço Cultural de Feira de Santana; Rio de Janeiro RJ - Quinze Monotipias Semana da Bahia, no Hotel Intercontinental;  Salvador BA - Um Brinde ao Café, no Espaço Cafelier. 1999 - Curitiba PR - Arte-Arte Salvador 450 Anos, na Fundação Cultural de Curitiba. Solar do Barão; Rio de Janeiro RJ - Arte-Arte Salvador 450 Anos, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro; Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. Gravura Moderna Brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes, no MABA; Salvador-BA - 100 Artistas Plásticos da Bahia, no Museu de Arte Sacra; - Salvador BA - Arte-Arte Salvador 450 Anos, no MAM/BA. 2000 - São Paulo SP - Investigações. A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural. 2001 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural; Penápolis SP - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural.