Translate

sábado, 11 de abril de 2026

TONICO PORTELA E SUA ARTE DA PRIMAZIA DO CONCEITO

O artista conceitual Tonico Portela no seu ateliê  
com  materiais que usa nas suas instalações.
O artista visual Tonico Portela é bacharel em Artes Plásticas,  mestre e doutor em Artes Visuais, na linha de pesquisa de Processos Criativos, pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, professor, coreógrafo, performista, curador de várias mostras  e sua arte conceitual caminha dentro de uma visão de espiritualidade sem ligação com a religiosidade de instituições. Seu processo criativo tem uma relação com os materiais naturais, o espaço,  som , luz e os quatro elementos da natureza. Para criar diz ser necessário estar desplugado, isolado deste mundo cheio de barulhos e opções. Sua arte começa com um planejamento intelectual e o que importa mais é o conceito que o produto físico. Está ligada a um movimento artístico surgido na década de sessenta que prioriza a ideia ou conceito sobre a estética ou o objeto final. O artista busca é provocar reflexão e questionar o mercado artístico por meio de instalações, performances e uso de materiais não convencionais. Os artistas que fazem este tipo de arte com suas formas e maneiras diversas procuram abordar os limites da arte, a existência e inexistência da matéria, silêncio, ausência, vazio e o êxtase. Querem discutir todo o pensamento fixo, já determinado rompendo o pré-estabelecido e possibilitando ao expectador todo tipo de sensações e interpretações. É preciso estar aberto para receber esses estímulos sensoriais e visuais. O que permanece fisicamente são as fotografias e os vídeos que quase sempre são feitos durante as instalações e performances. Neste processo acontece uma interação das forças psicológicas, espirituais e intelectuais entre o artista criador e os espectadores que estão ali para participar desses eventos revestidos de sensações.

Tonico Portela na instalação Palavras
Ressonantes, no Museu de Arte Sacra, 2016.
Seu nome de batismo é Antonio Carlos Portela, (não tem o acento circunflexo no primeiro o), assina Tonico Portela, é doutor em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, Professor Adjunto no Curso de Artes Visuais, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB, e integra o grupo de pesquisa em Artes Visuais CNPQ-UFRB. Suas pesquisas estão voltadas para as impressões contemporâneas com utilização das linguagens de instalações, objetos e performances, e segundo ele “tem como objeto de estudo a relação entre arte e espiritualidade no processo criativo”. Já participou de salões, exposições individuais e coletivas , foi premiado algumas vezes. Tem uma boa experiência de vida e conhece vários países graças ao cargo de coreógrafo que tinha no grupo Club Mediterranée que possui villages de férias em locais paradisíacos , já operou na ilha de Itaparica e hoje tem villages em Trancoso, no sul da Bahia,  e no Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, que são muito procurados por turistas que buscam locais diferenciados, são classificados  no meio turístico como resorts de luxo premium all-inclsive.

Instalação Presentes e Ausentes, premiada. 
Feita com areia, metal, cânfora e fotografia.
Numa exposição que fez em 2001 com Bia Santos, Eriel Araújo e Virgínia Medeiros  ganharam o Prêmio Copene de Cultura e Arte .  O artista Tonico Portela apresentou a instalação que denominou de Impressões: Ausentes, Presentes. Cada um  se apresentou com a sua personalidade, individualidade ,  informações que dispõe e  questionamentos dentro  deste encontro  interagindo com as forças psicológicas, intelectuais e espirituais. A propósito escreveu Celeste Almeida Weiner , na época Professora Orientadora do Mestrado em Artes Visuais e Diretora da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, hoje aposentada, que “a partir de Duchamp, todas as formas de representação artística obtiveram novas possibilidades de construção. Com isso, Duchamp não levantou simplesmente a questão:  o que é arte? Indagou o motivo pelo qual alguma coisa pode se tornar uma obra de arte, enquanto outra, exatamente igual, não”. ( Marcel Duchamp nasceu na França em 1887 e se naturalizou americano, faleceu em 1968. É um dos artistas mais discutidos desde o século passado, criador dos ready-mades e é considerado o pai da arte conceitual.)

Para Tonico Portela “Ausentes, Presentes é a suma das inquietações provenientes da fusão de materiais, ideias e conceitos. A poética se instaura a partir da palavra e dos significados, perpassando por uma diversidade de práticas para compreender as relações entre a Tradição e Contemporaneidade. A semântica dos conceitos Ausentes, Presentes é enfatizada pela combinação da palavra com as práticas artísticas, ou seja, a exploração das possibilidades significativas da linguagem verbal enquanto objeto artístico, ampliando a realidade nocional da palavra.”

                                                      TRAJETÓRIA

Uma série de formas de mãos da instalação
Incandescência
O artista visual Antonio Carlos de Almeida Portela nasceu em quatro de março de 1963 no Hospital da Sagrada Família, na Cidade Baixa, em Salvador. É filho de Rafael Francisco da Silva Portela e de d. Therezinha Maria de Almeida Portela. Estudou na Escola Vespasiano Duarte, que era uma escolinha de bairro, e em 1970 a família mudou para o bairro da Pituba quando ele foi matriculado na Escola Tereza de Lisieux, que foi fundada em 1976 e encerrou suas atividades no ano 2000, dando lugar ao atual hospital da Rede Notre Dame Intermédica. Tonico Portela fala com satisfação dos anos que passou na escola que teve três sedes provisórias até a construção de sua sede oficial na Avenida Antônio Carlos Magalhães. Para ele era uma escola diferenciada “um verdadeiro caldeirão de cultura porque éramos incentivados por professores a praticar vários tipos de arte e sempre  organizavam manifestações artísticas de teatro, danças folclóricas, capoeira, canto, artes plásticas, com a participação de muitos estudantes. Foi muito importante na minha formação e participava de uma equipe que se destacava entre as demais. Tenho colegas que até hoje nos encontramos e lembro da Alice Becker, que foi do corpo de balé do Teatro Castro Alves,  estudou lá, e é considerada  uma das pioneiras da introdução do Pilates no Brasil. Também a Adalgisa Rolim que tem uma escola de Dança em Villas do Atlântico, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador,  onde são ministradas aulas de   Ballet Clássico, Street, Jazz, Dança do Ventre, Dança Contemporânea, K- POP, Dança de Salão e Sapateado. 
Ao terminar o ginásio foi transferido para o Instituto Social da Bahia, no bairro de Ondina, onde concluiu o colegial. O ISBA também encerrou suas atividades no final de 2020, após 56 anos de atuação. Ao terminar o colegial prestou vestibular para Processamento de Dados, na Faculdade Trabuco, que funcionava no bairro da Federação, onde estudou até o terceiro ano. Tinha um professor de dança que abriu uma sala defronte a Faculdade Trabuco foi fazer Jazz. Disse Tonico Portela  ser  ele quem  lhe incentivou a continuar fazendo dança. Não lembra os nomes do professor e nem do  espaço onde ocorriam as aulas. Decidiu abandonar o curso de Processamento de Dados, porque sentia dificuldades nas matérias ligadas a cálculos Matemáticos. Decidiu ir morar em São Paulo para  estudar na Escola de Dança do argentino Ismael Guiser, que em parceria com a bailarina Yoko Okada, inaugurou sua primeira escola em 1973, a Escola de Dança Ismael Guiser, que veio encerrar as atividades em 2008. 

Alguns dos 300 porquinhos dourados usados 
numa instalação que fez na ACBEU
.
Disse que ralou muito em São Paulo para se manter trabalhando no Mac Donald e em seguida  numa agência bancária na Avenida Paulista. Morava em pensão e se alimentava muito mal. Quando Tancredo Neves morreu e veio o governo José Sarney com aqueles planos mirabolantes, que não deram certo, ele resolveu voltar para Salvador e foi trabalhar na loja Richards, no shopping Barra. Teve um reencontro com um antigo colega da Escola Tereza de Lisieux que seguiu a carreira da dança Cody Reis, o qual já estava há alguns anos trabalhando no Club Mediterranée, em Itaparica. Ele ligou e perguntou se queria trabalhar lá e ofereceu um cargo de decorador floral. Respondeu que nunca tinha trabalhando com flores, mas ele insistiu , aceitou, e foi apreendendo com um assistente que já fazia este serviço . Fez sua primeira viagem internacional para a Tunísia  trabalhando na boutique do village e com sketches de humor, dança, desfiles de moda dos produtos da loja. Em seguida fez um estágio com Cody Reis, no Rio de Janeiro, em Mangaratiba, em Rio das Pedras, e se tornou coreógrafo. Sua denominação no Mediterranée era regisseur, fazia shows business. Lhe designaram  passar uma temporada num resort de verão em Israel, que abria em abril e ficava até setembro, depois passou seis meses em Bali que é uma província da Indonésia, conhecida como a Ilha dos Deuses. Posteriormente viajou para  Aghâdir que é uma cidade costeira no sudoeste de Marrocos, cidade balneária . Porém, de 1990/1 aconteceu  a guerra do Golfo, Pérsico fechando tudo. Voltou para Itaparica, em seguida lhe mandaram para  Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, como coreógrafo, e logo depois retornou para a Tunísia desta vez para a cidade de Hammamet que é um dos principais destinos turísticos e tem  um villages sazonal. Recebeu o convite de um brasileiro que inaugurou um  village no norte da  Austrália, na   Lindeman Island,  localizada no arquipélago das Ilhas Whitsunday, em Queensland , que é um destino muito procurado , com a maior parte do seu território protegida pelo Parque Nacional das Ilhas Lindeman. Seguiu para Bora Bora em 1994 que é uma pequena ilha do Pacífico Sul, a noroeste do Taiti, na Polinésia Francesa, onde tinha programado passar
Tonico Portela trabalhando com uma matriz
de litografia. Ao lado a lito que  imprimiu.
um ano, mas disse que recebeu um chamado forte, que não explicou qual e voltou antes para Salvador. 
Sempre que passava em frente à Escola de Belas Artes declarou que sentia como que algo estava lhe atraindo, e assim resolveu fazer o vestibular para a Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia para bacharelado em Artes Plásticas Se graduou e  em 2000/1 fez o Mestrado e seu trabalho foi Impressões: Instâncias de Ausências e Presenças. Tratou de todos os métodos de impressões de múltiplos. Em 2013 voltou para a EBA onde fez o Doutorado sendo orientadora Maria Celeste Weiner com o trabalho relacionado ao seu processo criativo com a espiritualidade, não só nos aspectos apenas da religiosidade, mas com diversos tipos de concepção e a espiritualidade na arte.  O título do trabalho é Impressões Monistas: Construindo Percursos Entre Arte e Espiritualidade, que concluiu  em 2018. Fez o pós-doutorado  com a apresentação de uma exposição.  
Como trabalhava com o corpo procurou neste momento  usar mais as mãos, se entrosar com a cena baiana apresentando seu portfólio de coreógrafo, maquiador, cenógrafo e passou a trabalhar com escolas de dança e espetáculos de teatro. Fez um curso de cenografia com o professor alemão Alexander Müller-Elmau através do ICBA   e passou a conhecer vários artistas que fazem uma arte conceitual. Disse também que fez todas as disciplinas de gravura, escultura, desenho e cerâmica, menos de pintura. Revelou gostar muito da pintura, mas que o fazer pintura não lhe atrai muito.  
Atualmente ensina na Faculdade de Federal do Recôncavo que é multicampis , e tem seus campis em Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, Santo Amaro, Amargosa, Cachoeira e Feira de Santana. Ele ensina desde 2010 em Cachoeira, antes foi professor substituto durante dois anos na Escola de Belas Artes ensinando Escultura com resina e Desenho de Observação. Ensinou no curso de Educação Artística, na UCSAL, na sede da Instituto de Música, na Rua Carlos Gomes, e nas gestões do MAMBA de Solange Farkas e Stella Carosso, foi coordenador do Educativo. Em 2010 fez o concurso para a Universidade Federal do Recôncavo onde ministra aulas de Processos Criativos no Curso de Bacharelado de Artes Visuais  ensinando  disciplinas ligadas a escultura e gravura.

Mostras e Prêmios

Instalação Um Presente Ausente, feita com 
areia, cânfora e gravura, de 2001.
Em 2023 - Desver Devires – exposição de Fotografias e vídeos no Recôncavo da Bahia na Galeria B.S.F. (O) Louco, Centro de Artes, Humanidades e Letras, Cachoeira-BA; A Gravura na Bahia a Partir da EBA/UFBA, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes-UFBA, Salvador-BA; Incandescências, exposição individual, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes-UFBA. 2022 - Ações e Reações nos Processos Artísticos - Exposição da produção da linha de processo de criação artística do PPGAV-UFBA, 19/10 a 04/11, Galeria Cañizares-EBA-UFBA, Salvador-BA. 2021- Desver Devires - Mostra 2055 - Universidade Federal do Recôncavo-UFRB. 2019- “Um Brinde ao Café 02 - Exposição de Bules”, coletiva no Cafelier, Salvador-BA. 2017- “Dezsmandamentos”, mostra individual, Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA. 2016- “Palavras Ressonantes”, mostra individual, Museu de Arte Sacra, Salvador-BA. 2015- “RomaAmor”, V Mostra de Performance: Corpo Coletivo, Conflitos e Convergências, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes, Salvador-BA. 2014 - “Rio Bom”, mostra coletiva “Um Pouso do Livro Caminhante nas Coisas Existentes de Marcos Zacaríades em Função do Desejo”, Galeria Marcos Zacaríades, Igatu-BA. 2012 - “Ausentes Presentes, mostra coletiva Circuito das Artes, Museu Carlos Costa Pinto, Salvador-BA;  O Sexo e o Tempo II, Festival da Livre Expressão Sexual, Salvador-BA. 2011 - “Natureza Morta com Folha e Gotas de Orvalho”, mostra coletiva Imagem X Imagem, Galeria da Escola de Belas Artes do Paraná, Curitiba-PR. 2007- “Springs” (acervo MAM-BA) – 14º Salão da Bahia – Prêmio Residência Artística - MAM –Bahia. 2006 - “Fontes”, mostra coletiva 25 Artistas Baianos, Galeria Solar do Ferrão, Salvador-BA. 2005 - 300 Porquinhos”, mostra coletiva Art for Today, Galeria ACBEU, Salvador-BA; “Posições Astrais”, mostra coletiva Arte Erótica, Galeria Cañizares, EBA-UFBA. 2004 - “Do Barro da Terra do Ouro”, mostra coletiva Terra Cota da Terra, Centro Cultural da Caixa, Salvador-BA. 
2003 -
Duas obras da mostra O Sexo e o Tempo,  2012.
Os 300 porquinhos”, X Salão da Bahia, MAM – Salvador-BA; O Sexo e o Tempo”, Festival da Livre Expressão Sexual, Quixabeira, Salvador-BA; “Lineares”, Exposição 125 Anos da EBA, Casa dos Correios, Salvador-BA. 2001 - Ausentes e Presentes-II”, mostra coletiva Instalações Bahia 2001, Prêmio Copene Cultura e Arte, MAM-BA; Um Presente Ausente”, Rádio Bazar, Espaço Jiquitaia – Salvador-BA; “Impressões: Ausentes e Presentes”, mostra individual, Galeria Goethe Institut - ICBA. 2000- “Desenho I e II”, V Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA; Ausentes Presentes- Objeto I”, Galeria Solar do Ferrão - Salvador-Ba. 1999- “Impressões: Momento II”, XXVII Salão Centro de Cultura Olívia Barradas – Prêmio Oficial- Valença-BA, Velas Redondas”, XXVI Salão Centro de Cultura Camilo J. Lima, Vitória. Conquista-BA; País não Descoberto”, XXV Salão Centro de Cultura João Gilberto, Juazeiro-BA; sem título, XXIV Salão Centro de Cultura Adonias Filho – Itabuna-BA; Auris Brasilis”, XIII Salão Centro de Cultura Amélio Amorim, Feira de Santana-BA. 1998- “Salvador, porto além mar”, Projeto “Salvador, Porto e Mar”, COBEBA, paredes externas do Porto de Salvador-BA.

sábado, 4 de abril de 2026

MARCELO KRUSCHEWSKY E SUA ARTE CONTEMPORÂNEA MONOCROMÁTICA

O artista baiano Marcelo Kruschewsky
trabalhando na textura de uma obra .
Saint-Sornin, França, por telefone.

O artista baiano Marcelo Kruschewsky vive e trabalha desde 1994 em Nova Iorque e quase todos os anos, há cerca de duas décadas, passa a temporada em Saint-Sornin que é uma  comuna francesa situada no departamento de Charente, na região da Nova Aquitânia, sudoeste da França, onde tem uma pequena propriedade. A região é   conhecida pelo seu caráter rural, a área tem paisagens históricas e tranquilas, com a vila focada na preservação de suas raízes e patrimônio local. 
Produz uma arte contemporânea abstrata monocromática onde se expressa usando técnicas mistas em suas pinturas, esculturas e objetos. Formado pela St. Martin’s School of Art e pela London School of Printing, na Inglaterra, o artista disse que suas pinturas e esculturas  são formadas por camadas de tintas, pigmentos naturais, gesso e resina. As cores sutis e superfícies táteis são características recorrentes em sua arte.  Para ele “a presença do preto confere certa profundidade e simboliza o elemento oposto, uma força contraditória como força motriz necessária da evolução. Dentro dessa paleta sombria, interrupções de cores pálidas e linhas quebradas abrem caminho para novas explorações e outras possibilidades”. Disse ainda numa entrevista recente que "desejo destacar em minhas pinturas sua origem primordial, a fragilidade da beleza em meio à turbulência ,sua sobrevivência diante de forças destrutivas e, acima de tudo, a esperança inspirada pela Natureza em constante evolução".

Obras inspiradas nas ruas 209 e 59 da cidade 
de  Nova Iorque, 2023.
É natural da cidade de Coaraci, na região cacaueira da Bahia, onde nasceu em seis de junho de 1973. Seus pais o cacauicultor Albert Romeu Duarte e sua mãe Maria Bernadete Kruschewsky por volta dos dez anos de idade o matricularam no Colégio Dois de julho, em Salvador, e posteriormente no Instituto Social da Bahia, ISBA, em Ondina. Embora não tivesse aptidão para cálculos matemáticos e outras disciplinas desta área foi estudar Administração na Faculdade Trabuco, no bairro da Federação, onde se graduou. Seu pai achava importante ter uma graduação e foi a condição exigida para que ele viajasse para o exterior onde pretendia estudar e fixar residência. Foi inicialmente para Londres, na Inglaterra, onde estudou Desenho ao Ar Livre, mas seu desejo era fazer Art Design porque sua linha de percepção sempre foram as formas geométricas. Com este objetivo escolheu estudar na Saint Martin School of Art, fundada em 1854, inicialmente sob a égide da igreja de St Martin-in-the-Fields. Hoje oferece vários cursos de pintura, escultura e outras áreas mais modernas depois de sua  união  com a Central School of Art and Design em 1989, tornando-se a Central Saint Martins (CSM), um centro mundial líder em educação de artes e design.

Foto 1 - Um Momento Turquesa.
Foto 2 - Um Pássaro me pediu para ser
mais paciente
Foto 3- Eu Amo o Azul.
Foto 4 - Um Passeio no Parque, 2021
Situada em King's Cross, Londres, faz parte da University of the Arts London (UAL) e continua sendo uma das escolas de arte mais prestigiadas do mundo. Para isto teve antes que se preparar durante dois anos estudando na London School of Printing and Grafic Arts que hoje foi rebatizado em 2004 como London College of Comunication (LCC), e funciona como uma das seis faculdades da renomada University of the Arts, O artista Marcelo Kruschewsky aí aprendeu os processos caligráficos, Desenho a mão livre e técnicas de impressão. Preparou seu portfólio para apresentar na Saint Martin School, instituição famosa por onde passaram grandes nomes da arte mundial. Ele foi aceito e passou quatro anos estudando e se relacionando com artistas de várias partes do mundo que estudavam na mesma instituição para em seguida se lançar no mercado de arte. Foi assim que colegas da Saint Martin o convidaram para expor na Malásia e em Singapura. Viajou pela Ásia onde conheceu tecidos tingidos com pigmentos naturais. Ao voltar para Nova Iorque em 1994 criou a marca Zen Garage
Foto 1 - Celebrando a Primavera em
Nova Iorque.Foto 2 -Eu Amo o Amarelo.
Foto 3 - Stúdio em Saint-Sorni, na França.
Foto 4 - Pôr do Sol, 2021-2022.
e passou a desenhar móveis, bolsas, almofadas, colchas, toalhas e outros utensílios femininos e domésticos utilizando tecidos tingidos com pigmentos naturais, que eram adquiridos no Paquistão e em outros países.  “Esses pigmentos naturais são utilizados na produção de tecidos Ikat que são associados às tradições artesanais da Ásia Central e fronteiras indianas. São produtos derivados de fontes orgânicas e esta técnica consiste em tingir os fios de seda ou algodão antes da tecelagem, criando padrões complexos e únicos.” A fabricação era feita no Vietnam. Ele conseguiu comercializar seus produtos em várias cidades americanas e inclusive abriu uma loja aqui num centro comercial na Barra, que era tocada por sua mãe d. Maria Bernadete Kruschewsky, até o seu falecimento. Logo depois Marcelo decidiu fechar a loja e se dedicar exclusivamente à sua arte. 

                               COMEÇO DE TUDO

Algumas obras abstratas  em preto e suas
formas geométricas.
Durante nossa conversa por telefone Marcelo Kruschewsky afirmou que desde criança  desenhava e na época seus pais e parentes não davam muita importância a esta sua aptidão e quando  decidiu ser artista "meu pai me disse você nunca vai ganhar dinheiro com isto!” O tempo passou e quando fez sua primeira exposição na NR Galeria de Arte, que funcionava no Shopping Iguatemi e pertencia as saudosas Julieta Isensée, a July colunista Social de A Tarde, e a Graça Coelho, vendeu uma obra  por cinco mil dólares. "No dia seguinte falei com meu pai está vendo, consegui." 
Todos os quadros expostos tinham a predominância da cor azul. Por isto que sempre afirmo que a melhor coisa da vida é a gente acreditar naquilo que desejamos e estejamos fazendo." Já a segunda exposição  fez no Museu de Arte Moderna da Bahia – MAMBA. Começou também a se dedicar a outras atividades, e após a viagem que fez à Asia trouxe vários objetos tribais, tecidos, pigmentos e chegou a ter uma loja em Nova York, mas o aluguel lá é muito caro, e ele desistiu de ter uma loja física. Criou sua marca Zen Garege e abriu também uma loja em Salvador ambas com produtos que ele fazia o design e eram fabricados no Vietnam. Levou uns oito anos com a loja baiana. Acha que pra época a loja e os objetos comercializados talvez
Escultura da série Efeito Secundário,
feita com resina, pó de mármore e
epigmento preto, 2025. Lembra uma
forma orgânica em movimento.
fossem muito sofisticados para os padrões locais .  
Para o artista Marcelo Kruschewsky a palavra nunca não existe no seu dicionário. Por esta razão disse que este fechamento não é definitivo “as ideias, as coisas estão dormindo, e quem sabe um dia elas acordam glamourosas e voltarão a funcionar e a brilhar”.

Atualmente está produzindo uma série de obras em técnica mista usando gesso, pó de mármore ,resinas, tecidos, óleo para fazer as texturas e em seguida faz a transferência para o suporte final. Espera concluir a série em novembro deste ano. Afirmou que está sempre com um passo à frente do que vem fazendo e sempre apresentando coisas novas.  Faz uma arte abstrata com texturas diferenciadas  e trazem a mensagem que tudo está se transformando na Natureza, mesmo as florestas destruídas  renascem de formas diferentes das anteriores. 

É  estar em constante movimento de transformação que o instiga, que lhe move e inspira como artista. Entende que o artista é muito influenciado e a “gente tem que ser o mais verdadeiro possível com nós mesmos. Não abro mão da minha autenticidade. Sou monocromático, talvez até por ser daltônico. Antes usava o azul, o amarelo,  e hoje uso o preto em várias camadas e preparo as tintas com pigmentos minerais naturais, óleo, pó de mármore, gesso e resina. Assim consigo dar vários tons e o contrastes com o branco do suporte.”

O artista Marcelo Kruschewsky é também conhecido como um garimpador de produtos , objetos e materiais outros em suas viagens por este mundo afora. Sempre em busca de algo interessante e que mexa com sua sensibilidade aguçada.  Ele já esteve o Afeganistão, Tajiquistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Vietnã, Singapura  e outros países fora dos roteiros tradicionais de turistas. Os trabalhos étnicos tradicionais e primitivos lhes interessam de perto e lhes servem de inspiração para seus designs e suas obras construídas dentro de uma visão cosmopolita contemporânea.

Vemos ao lado um exemplo de um dos móveis criados pelo artista . Esta  cama desenhada por ele chamada Cama de Dia, 2023 feita com tecidos  IKAT de veludo de seda,  e tingido a mão de origem do Uzbekistão, é uma  república ex-soviética  que fica na Ásia Central , integra  a chamada Rota da Seda e tem um arquitetura islâmica. O artista Marcelo Kruschewsky é também conhecido como um garimpador de objetos e materiais outros em suas viagens por este mundo afora. Sempre em busca de algo interessante e que mexa com sua sensibilidade aguçada.  Ele já esteve o Afeganistão, Tajiquistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Vietnã, Singapura  e outros países fora dos roteiros tradicionais de turistas. Os trabalhos étnicos tradicionais e primitivos lhes interessam de perto e lhes servem de inspiração para seus designs e suas obras construídas dentro de uma visão cosmopolita contemporânea. 

                            EXPOSIÇÕES

Em 1996 - NR Galeria de Arte, Salvador-BA. 1997 - Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador-BA. 1997 e 1998 - British Airways Executivo Lounge, São Paulo Guarulhos Aeroporto, São Paulo-SP.1998 - Casa Cor Home Design, Salvador-BA. 1999 - Brazilian Institut of Culture Washington DC e na Bryan Platt Gallery, Manhattan, New York, USA. 2000 – Thyson Gallery, Singapore. 2019,2021 e 2023 – La Rochafoucauld, Charente, France. 2023 – SPA Therapy and. Gallery, Manhattan, New York, USA. 2024 – Casa Cor Bahia - Salvador-BA e Casa Conceito Bahia, Salvador-BA. 2025 – Aliance Française, Salvador-BA.


sábado, 28 de março de 2026

O CIENTISTA QUE ABRAÇOU O BORDADO PARA EXPRESSAR A SUA ARTE

O artista Roberto Lisboa concentrado em seu
novo bordado para expressar sua arte.
O artista Roberto Lisboa que assina RL é um cientista do ramo da Genética que fez mestrado na USP de Piracicaba e doutorado nesta área na Espanha. Devido a problemas de saúde está aposentado e através de um amigo foi a uma exposição no Museu de Arte da Bahia que tinha um programa  visita aos ateliês de três artistas, e num deles  viu alguns bordados. Atualmente o bordado como arte está presente em vários países e é uma forma de expressão pessoal e política que utiliza a agulha, linha e tecido como suas ferramentas para criar obras cheias de significação, subjetivas, rompendo a linha da decoração funcional. Esta forma de produzir arte também resgata a memória de nossos ancestrais e permite a fusão com a arte contemporânea transformando através de suas formas em narrativas visuais únicas e de grande expressividade. Na visita à exposição Roberto Lisboa tomou conhecimento que a Tininha Llanos, que é uma artista visual e gestora cultural, estava coordenando uma oficina de bordado num imóvel localizado no bairro de Santo Antônio, em Salvador . 
Nesta obra uma homenagem ao Burle Marx.
Durante nossa conversa lembrou que estava no Parque Lage, no Rio de Janeiro assistindo uma palestra do cenógrafo Hélio Eichbauer (1941-2018)conhecido como um dos renovadores da cenografia brasileira moderna e também por transitar em várias gerações de artistas, quando ele insistia afirmando “vocês devem bordar”. O Hélio discorreu sobre a qualidade e as possibilidades que o bordado oferecia. Roberto Lisboa depois de ouvir Hélio Eichbauer e participar desta oficina de bordado   começou a bordar, e hoje está ganhando notoriedade como um artista visual que borda com muita categoria. Inclusive fez uma exposição chamada RIO em 2018-2019 em Juazeiro, na Bahia com vários bordados que são tão perfeitos, que se você olhar de relance, imagina que são pinturas. A temática que usou são as carrancas, os cangaceiros e outros elementos ligados às manifestações culturais e religiosas do entorno do Velho São Francisco.

                                                ESPANTO

Foto 1 - Canudos de Antônio Conselheiro,
2019.Foto 2- Série Carrancas do São
 Francisco, Minas Gerais ,2018. Foto 3 -
 Série Carrancas do São Francisco - Jaguar.
A primeira vez que vi um homem bordando foi nos idos dos anos setenta na zona rural do município de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Era um senhor negro que tranquilamente e solitariamente sentado numa cadeira com as pernas cruzadas estava ali concentrado num pedaço de pano e com uma agulha ia dando seus pontos. Curioso me acerquei dele e perguntei se podia fotografá-lo, e pacientemente balançou a cabeça concordando. Em seguida lhe fiz algumas perguntas, inclusive com quem aprendera a bordar, e me respondeu que foi com sua genitora. Enquanto insistia em trocar algumas palavras ele não parava de enfiar a agulha no pano e pude ver algumas imagens de animais e árvores que estava criando com seus pontos. O pano não tinha desenhos pré-estabelecidos, tudo saía da sua mente criativa. Agradeci e nunca mais soube deste artista anônimo. Agora fui procurar a foto preciosa no meio das centenas de outras que fiz durante minhas andanças de repórter do jornal A Tarde e da revista Manchete, mas ainda não a encontrei. Vou continuar procurando...

Passado um tempo fui visitar minha mãe em Ribeira do Pombal que era uma viciada em bordados, a ponto de a agulha de metal ferir seus dedinhos que já estavam com a pele mais fina e frágeis devido aos seus quase noventa anos. Ela fazia lindas toalhas de mesa, colchas enormes que demoravam meses para serem finalizadas e sempre presenteava seus parentes e amigas com algum bordado.  Lhe falei que tinha encontrado um homem bordando e ela imediatamente levantou a cabeça e disse. “Não é possível, homem bordando? Este mundo está perdido!” O espanto de minha mãe pode hoje parecer estranho e até preconceituoso, mas não era. No contexto social da época bordar era ocupação de mulher, ali elas se encontravam e conversavam por horas. Outras preferiam bordar solitariamente. Minha mãe tinha a companhia de minha irmã que aprendeu com ela e até pouco tempo fazia também seus bordados. Quando viva minha mãe  inspecionava para verificar se “estava tudo certinho”. Quando minha irmã errava era aconselhada a desmanchar e voltar a fazer. Bordado é uma prova de resistência, paciência e um trabalho que ajudou e ajuda na sobrevivência financeira de muita gente por este mundo afora.

Roberto Lisboa com um bordado onde
sobressai a figura humana e  vegetação.
Atualmente o bordado foi alçado à categoria de arte, ultrapassou a linha tênue que separa o artesanato da arte. Sabemos que a arte é a expressão do artista, pessoal, tem sentimento, estética ou intelectual. Já o artesanato tem sua função precípua de criar utensílios domésticos ou decorativos. Mas, os artistas já utilizam as ferramentas dos bordados como as agulhas, panos e linhas para criar suas obras cheias de significação e sentimentos. É uma forma nova de se expressar artisticamente e está dentro de um movimento chamado de slow que começou na Itália no segmento da alimentação e tem como objetivo a desaceleração, a fuga da pressa e do digital para dar ênfase aos trabalhos feitos a mão. Sem saber que estava “aderindo” a este movimento costumo sempre ao entrevistar tomar minhas anotações a mão. Gravo as entrevistas, mas, só uso a gravação quando tenho alguma dúvida porque não é fácil acompanhar escrevendo o que as pessoas falam. Voltando ao bordado numa rápida pesquisa que fiz fiquei sabendo que surgiu com o ponto cruz, cujos registros remontam na pré-história. “No tempo das cavernas o ponto cruz era usado nas costuras das vestes, feitas com peles de animais. As agulhas eram confeccionadas de ossos e no lugar das linhas usavam as tripas de animais ou fibras vegetais”. Os principais tipos de bordados segundo a Wikipedia são: bordado livre, ponto cruz (clássico em X), ponto russo (efeito 3D), e técnicas refinadas como Richelieu (recortes) e bordado com fitas.

Estudantes  na Exposição Povos e Plantas.
NOSSO ARTISTA

O cientista-artista Roberto Romão Lisboa nasceu em nove de junho de 1968 em Juazeiro, na Bahia, e é filho de Francisco Romão Carneiro e Terezinha Lisboa Romão. Seu pai era empresário, tinha uma torrefação de café e sua mãe professora do Estado e também gostava de fazer os seus bordados. Estudou o primário no Educandário São Francisco e foi transferido para o Colégio Motiva que era um estabelecimento de ensino muito moderno para os padrões da época. Depois seus pais acharam que o Motiva era moderno demais e  o matricularam no Colégio Dom Bosco, em Petrolina, cidade coirmã de Juazeiro. Estudou e  graduou-se em 1990 em Agronomia pela Universidade Estadual do Médio São Francisco. Em 1991 entrou num Grupo de Pesquisas de Genética e foi fazer uma pós graduação em Recife em 1991, passando por Piracicaba em São Paulo e Nova Viçosa em Minas Gerais, e na Embrapa em Petrolina. Fez o mestrado na Universidade de São Paulo de Piracicaba - USP,  no Departamento de Genética e estudou as melancias em três regiões do país.

O cientista Roberto Lisboa pesquisando 
as plantas nos arredores de Madri.
Quando fui ao seu encontro no apartamento no bairro da Graça, em Salvador, foi logo me dizendo que faz parte da quinta geração em Genética depois de Mendel. O cientista citado por Roberto Lisboa é o monge beneditino Gregor Mendel (1822-1884) nascido na Morávia que ficou famoso como o Pai da Genética. Cruzando ervilhas ele conseguiu informações valiosas sobre a hereditariedade. Mesmo sem muito conhecimento a respeito de divisão das células e do material genético o cientista foi capaz de propor como as características são transmitidas aos descendentes de maneira correta e aceita até hoje. .

Começamos a conversar sobre sua carreira. Fiquei sabendo que foi orientado no seu mestrado por um cientista brasileiro da quarta geração de geneticistas que foi o Paulo Sodré Martins, já falecido, que por sua vez fora orientado  pelo alemão Friedrich Gustav Brieger (1900-1985) pioneiro botânico e geneticista alemão. Foi o patriarca acadêmico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, doutor em botânica e livre-docente na área de genética pela Universidade de Berlim e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Bordado da série Aprés Burle Marx - Entre
Manguezais , de 2019.
Já o geneticista Roberto Lisboa pesquisou as melancias que são cultivadas e apreciadas    no Brasil, especialmente no Nordeste. Ele diz ter encontrado mais de duas dezenas de variações, oito cores de polpa, mais de vinte cores de sementes, e de casca além dos sabores. Fiquei sabendo que as melancias foram trazidas para o Brasil durante o tráfico de escravos africanos. Disse que existem  duas origens possíveis que vieram com os bantos e sudaneses. Comparou com muitas melancias existentes no mundo, inclusive com as da Rússia, que tem um grande centro de sementes. Ganhou uma bolsa de estudos e foi para Espanha em 1995 onde ficou seis meses na Universidade Politécnica de Madri, e voltou como especialista em Recursos Genéticos Vegetais . Fez um concurso para professor substituto para a Universidade Federal de Sergipe e começou a dar aulas em 1995 e foi até 1996, era um contrato de um ano e pouco. Fez o mestrado na Universidade Estadual de Piracicaba- USP, em São Paulo. Em 1997 voltou para a Espanha através de uma segunda bolsa para fazer o seu doutorado. Foi quando soube de um concurso para professor na Universidade de Feira de Santana. Foi aprovado e teve que suspender o doutorado. Depois retornou em 1999 à Madri para continuar o doutorado, onde permaneceu quatro anos preparando sua tese ligada a Ecologia Espacial que disse ser um trabalho inovador usando padrões especiais e processos ecológicos orientado pelo pesquisador Adrián Escudero, quando estudou uma população de plantas do sul de Madri e em 2003 conclui o doutorado.

O Rei da Vela,  Linha de algodão em tela,2018.
Voltou para a Bahia e em 2005 montou um grupo de pesquisas em Recursos Genéticos Vegetais com a participação com todas as universidades da Bahia que tinham alguma interlocução nesta área. Ajudou a montar a Rede de Recursos Genéticos da Bahia juntamente com outros pesquisadores. Hoje abrange todo o Nordeste e criaram a Sociedade Brasileira de Recursos Genéticos e dois programas de pesquisas de pós-graduação um na UFRB – Universidade Federal Rural da Bahia ,em Cruz das Almas, e outro na Universidade Federal de Feira de Santana.  Foi convidado em 2009 para ser examinador de um concurso na Universidade Rural do Rio de Janeiro e soube de uma exposição comemorativa dos cem anos do arquiteto Burle Marx. Adiou seu retorno e disse ficar impressionado ao constatar  que Burle Marx tinha feito muitos estudos sobre os cactos. É que por coincidência Roberto Lisboa estava estudando os cactos e suas formas de cultivar e preservar. Em 2012 decidiu voltar pro Centro de Pesquisas do Instituto do Jardim Botânico Burle Marx e foi recebido pelo pesquisador Gustavo Martineli. Passou a estudar Burle Marx e tentou duas bolsas na CAPES e no CNPQ para estudar a fundo os trabalhos desenvolvidos por ele, mas não conseguiu.

Obra Copacabana de Engana, de 2019.
 Fez duas publicações nas revistas Science e Nature de um trabalho sobre o semiárido no mundo com a participação de vários cientistas e publicaram nestas duas revistas, ele foi o pesquisador chefe no Brasil.  Montou uma exposição Plantas e Povos, em Juazeiro ,na Bahia,  contratou um grupo do Rio de Janeiro entre eles  o Hélio Eichbauer para preparação e montagem da mostra. Seus  colegas que participava do grupo de geneticistas do Nordeste cederam muitos materiais e foram enviados para Juazeiro onde foi montada e exposição que durou  duas semanas. Conseguiu inicialmente  um ônibus da universidade de Juazeiro e quando voltou para as aulas em Feira de Santana seus  alunos estavam certos que iriam para Petrolina visitar a exposição . Eles  ficariam hospedados nas instalações  do Exército e  ainda iriam visitar a Embrapa em Petrolina. Aconteceu que por razões que não sabe o então reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana resolveu suspender o ônibus e isto revoltou os alunos. O cientista Roberto Lisboa disse que  muitos alunos de escolas públicas do segundo grau de Petrolina e Juazeiro já tinham visitado a exposição. Foi assim que seus alunos de Feira de Santana criaram muitos problemas com a negativa do reitor e ele  começou a ter problemas de saúde, teve que se afastar e depois solicitou sua aposentadoria.

                        EXPOSIÇÕES E ATIVIDADES

Vemos nesta obra o sanfoneiro e plantas
do Nordeste
.
Frequentou a Escola de Artes visuais do Parque Laje e o Espaço Tom Jobim (2012-2014), e os cursos de Arte e Filosofia do cenógrafo  e intelectual  Hélio Eichbauer. Depois de dar início a pesquisa com aulas de bordado botânico no ateliê da artista visual Tininha Llanos, seguiu com Cristiane Mohallen no Sesc/SP e com  Tammy Yamada Lamarão, no espaço Fox, Belém do Pará. Estudou Desenho de Observação com os artistas Jaison Santos da Conceição/ MAMBA e Pedro Marighella, no Ativa Ateliê, ambos em Salvador-BA.
Em 2014 organizou a Exposição Plantas e Povos, Juazeiro-BA, com grande sucesso de público.  Expôs seus bordados em  2019 na  Casa Cor-SP ; na Casa Philos, na Feira Literária de Paraty, no estado do Rio de Janeiro;  e fez uma  exposição individual Rio+, Espaço Potó, Petrolina-PE,  e o Catálogo Rio+. Em 2024 -  Si tu No Estás, Trinta Galeria de Arte Contemporânea, Santiago de Compostela, Espanha.

Workshop: Bordados e Narrativas, Fundação Bienal de Cerveira, Cerveira, Portugal; Árvore Cooperativa de Artistas, Porto, Portugal e no  Museu de Arte Moderna, Salvador-BA.

 

sábado, 21 de março de 2026

AS PELES TATUADAS DAS CIDADES RESGATADAS POR WILLYAMS MARTINS

Willyams Martins retirando pedaço da pele
da cidade para transformar em arte
O
s muros e paredes das grandes cidades apresentam  marcas do tempo as  manchas, sujeira de todo tipo, raízes de árvores, restos de cartazes de políticos, produtos e de espetáculos os mais diversos. Mas, o que sobressai são as inscrições feitas por anônimos e também por pichadores e  alguns grafiteiros que deixam suas pegadas registradas  e  assinaturas. É um verdadeiro caleidoscópio de cores , formas e traços que encontramos ao caminharmos e observarmos em cada rua, avenida, viaduto ou praça. É como se fossem tatuagens feitas nas peles das cidades. Essas ações provocadas com ajuda do sol e da chuva e pelas mãos invisíveis durante às noites causam interrogações a uns e até indignação a outras pessoas, que as classificam como sujeira e vandalismo, enquanto outras mais sensíveis buscam e enxergam beleza e criatividade por trás daquelas formas, riscos e manchas. Na realidade são mensagens entrecortadas que estão ali registradas pelo gesto de cada traço e nas mensagens aleatórias que podemos encontrar. Essas peles tatuadas das cidades são uma demonstração de vida, de pulsação e da necessidade do ser humano de se
 Pele de São Félix ,que se apropriou em 2007.
 comunicar. Tem os que sem sentir buscam se comunicar até com eles mesmos e os pichadores que saem com rolos, pincéis e tintas dispostos a escalar paredes e até desafiar a lei. Para eles estão se expressando e para os donos dos imóveis pichados se tratam de vândalos que devem ser punidos. Finalmente, tem os grafiteiros que procuram muitas vezes autorização e até são pagos por proprietários para deixarem ali a sua arte. Essas manifestações vêm num crescendo que às vezes os pichadores e grafiteiros encontram até dificuldades para encontrar um espaço onde possam deixar as suas assinaturas e serem vistos pelos moradores.

Tem ainda dentro deste mundo das peles tatuadas das Cidades um personagem diferenciado que enxerga nelas a possibilidade de expressar sua arte através de um trabalho cuidadoso e delicado de apropriação. Trata-se do artista visual, ator e músico de punk rock o piauiense Willyams Martins, radicado em Salvador há muitos anos, que ao percorrer as ruas, avenidas e praças ele vai observando atentamente os muros, as paredes e as “tatuagens” ali deixadas pelo tempo e por
Pele da Cidade de Cartaz político e grafites
retirada no bairro Canela, em Salvador, 2018
.
anônimos que riscaram, desenharam ou até sujaram. O artista seleciona um determinado pedaço de muro, delimita e passa uma resina, cola um pedaço de tecido voil e depois cobre com mais resina transparente. Espera secar e após a secagem corta com um estilete e leva para sua casa. Lá estica num chassi e está pronta mais uma obra de arte fruto desta apropriação que é contestada pelos pichadores e grafiteiros. O artista não retira nada que tenha assinatura deles, apenas as partes onde existem intervenções anônimas e aleatórias. Por este seu trabalho de apropriação de pedaços das peles das cidades já recebeu até um processo em São Paulo e aqui foi alvo de um protesto dos pichadores e grafiteiros que espalharam alguns cartazes pelos muros da Cidade o acusando de ladrão. Alguns sugerem que ele faça alguma interferência depois de esticar “a pele da cidade” nos chassis porque assim tinha uma participação maior do artista. Porém outros acham que perderia a originalidade e que a sua ação em observar, trabalhar para retirar “as peles “dos muros já seria  uma interferência a mais e perde a originalidade.

Pele retirada no Campo Grande,  
em Salvador , 2007.
Consciente desta sua apropriação ele escreveu no catálogo de sua exposição Peles Grafitadas, de 2007: “Hoje à noite coloquei, mais uma vez, minhas mãos contra a matéria – muro. Realizei outra “ofensiva selvagem” ... O vazado, a sutura e o corte da película, revelam a ação contra a “ordem estabelecida”. Descobri que o contato com a superfície mural é limite, e que o desejo de liberdade gera o ato de descolar o que ela reproduz, sem interferência. Percebi que a Cidade é um sampler de grafites articulados em um mesmo som. Lembrei que o muro pode também desmoronar, ao mesmo tempo que é suscetível de receber modificações infinitas, fazendo emergir dali suas próprias expressões. Tento compreender suas imagens grafitadas...”
Na conversa que tivemos em seu ateliê na Rua do Castanheda, em Salvador, disse que ultimamente tem feito poucas intervenções porque a Cidade está muito mais violenta e corre perigo todas às vezes que vai se apropriar de um pedaço de “pele tatuada da Cidade”. Também porque tem muitas obras em seu ateliê que ainda precisam ser demandadas pelo mercado. Confessou que para a arte que ele produz o mercado é um pouco restrito, porque o apreciador ou possível comprador precisa ter uma sensibilidade aguçada para perceber a mensagem, todo o conceito e contexto de sua arte.

                                          MULTIFACETADO

O homem de aparência frágil e pacato se
transforma no palco num selvagem
 cantor de rock punk.
 O artista Willyams Roberto Martins Santos nasceu em onze de março de 1959 na cidade de Teresina, no estado do Piauí. Filho de do perito da Polícia Federal Francisco Ferreira Santos e de d. Maria das Graças Santos. Estudou o primário na Escola Marechal Rondon, pertencente ao Exército Brasileiro, o ginásio e o colegial no Liceu Piauiense, que é a mais antiga escola pública do Piauí. Foi fundada em 1845 em Oiras, a primeira capital do Piauí e transferido em 1853 para Teresina. Aos vinte e dois anos Willyams Martins foi convidado por um casal que tinha um grupo de teatro de bonecos a trabalhar com eles passado um tempo vieram se apresentar em Salvador onde permaneceram por três meses. Só que Willyams se apaixonou pela Cidade e decidiu ficar e “estou aqui até hoje”. Ele perdeu o contato com o casal que teve que voltar porque a esposa engravidou, e lamenta porque disse que “sempre procuro cativar as amizades. Mas, infelizmente algumas a gente perde com o tempo e a distância”. Aqui começou a se entrosar no meio teatral e foi trabalhar com o diretor Walter Seixas, no  Instituto Cultural Brasil-Alemanha - ICBA que depois se transformou em Instituto Goethe, na encenação da peça A Morta, de Oswald de Andrade, escrita em 1937, que vem a ser a última e considerada a mais densa peça do poeta modernista. É apresentada em três quadros: O País do Indivíduo, O País da Gramática e o País da Anestesia.  Ele foi auxiliar de cenografia com Márcio Meireles, além de fazer uma pequena figuração.

Várias peles das cidades neste cavalete para
depois serem esticadas nos chassis.
Quando lhe indaguei que este trabalho não garantia sua  sobrevivência respondeu que 
 trouxe algum dinheiro fruto do seu trabalho em Teresina, e assim ia se mantendo. Em seguida  passou a pintar e vender camisas, foi fazendo outros serviços alternativos e participando de algumas montagens de peças de teatro até que foi trabalhar no Colégio Apoio, no Corredor da Vitória, com o professor José Nilton. Este emprego conseguiu através um anúncio no jornal A Tarde para trabalhar como desenhista gráfico e passou a fazer as ilustrações do Módulos das disciplinas escolares. Fez em 1989 vestibular para a Escola de Belas Artes e  montou uma banda  de rock punk chamada Jovens Sem Lei juntamente com Eduardo Tadeu, que também estudava na EBA na década de oitenta,   foi quando durante um ensaio na casa de Eduardo mais conhecido por Dudu RIP, que fazia o back vocal e cedeu o espaço para eles ensaiarem, na Cidade Baixa, aí a sua sobrinha chegou e foi logo perguntando:” Tio eu preciso fazer meu dever de classe, o senhor me ajuda agora?” Neste momento captaram o nome e a banda passou a se chamar Dever de Classe. Já o vocalista Dudu RIP depois em 1984 fundou  outra banda de rock punk a Proliferação com Henrique Simões (Kiko) o baixista, Ricardo Trindade na guitarra e Wellington
Quatro capas da publicação
artesanal fanzine  Espunk.
Bastos (Pattus) era o baterista
.
 Depois de fazer o vestibular  para a Escola de Belas Artes disse ter  passado quase dez anos estudando por causa das greves constantes e também porque criou a banda e uma revista Fanzine o Estado Social do Punk - ESPUNK e lhe ocupava muito. Ele desenhava, escrevia e ainda cantava na banda . Esta sua relação com o canto vem desde jovem quando cantava no coral do Centro de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares - CESPI, em Teresina, sua cidade natal, dirigido pelo maestro carioca Reginaldo Carvalho.  Já o fanzine punk rock é sempre uma publicação independente, meio artesanal e integrante da contracultura, utilizado para a divulgar a cena do punk rock desde a década de 70.  
Disse ser uma pessoa multifacetada e que as pessoas ficam surpresas quando ele está cantando porque sofre uma verdadeira mutação. O homem calmo, de aparência frágil e contido se transforma num ser selvagem quando canta as músicas do rock punk. Gosta de  se expressar com corpo, a voz e outras  linguagens de que dispõe. Muitas das peles que usa para suas obras revelou que são frutos “de noites de andanças pelas ruas da Cidade. Tudo isto ele considera uma catarse ao se expressar usando ferramentas diferentes. Após sua graduação em 2006 concluiu o seu Mestrado em Artes Visuais, e em  2019 o doutorado também em Artes Visuais com a tese  Processos Criativos, ambos títulos conquistados na  Escola de Belas Artes, Universidade  Federal da Bahia. 

Um dos cartazes que foram espalhados
pela Cidade pelos grafiteiros contra
as ações do artista.
Voltando às peles tatuadas das cidades ele vê cada quadro que delineia com seu olhar e depois se apropria como folhas de um grande e variado livro que procura preservar. Conquistou o em 2007 Prêmio Braskem de Cultura e Arte  com o conjunto de obras que intitulou de Peles Grafitadas e que foram exibidas na exposição da Galeria Solar do Ferrão, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, com a curadoria de Roaleno Costa que escreveu:” Willyams deseja mais que apenas a representação da Cidade, quer possuir seus pedaços, seus depoimentos, fragmentos de cada história do dia-a-dia que se registram nos muros desgastados pelo tempo, reafirmando que ali, tem histórias a contar”.

Foi aí que alguns pichadores e grafiteiros fizeram protestos e criaram um cartaz chamando de ladrão. Experiência pior ele já tinha enfrentado em São Paulo quando a polícia o flagrou tirando um pequeno pedaço de pele num viaduto e o conduziu até a delegacia. Foi aberto um processo e Willyams Martins foi condenado a prestação de serviço comunitário, mesmo mostrando que era um trabalho voltado para sua tese de doutorado. Foi obrigado a prestar serviço comunitário junto ao grupo de percussão feminino a Banda Didá que toca  samba-reggae e  foi fundado em 1993 por Neguinho do Samba, em Salvador, Bahia.  Quanto aos protestos dos cartazes espalhados por Salvador  chegou a ver nos bairros do Comércio, Federação e Centro da Cidade, o artista decidiu resgatar alguns  deles que ostenta com um pouco de orgulho do seu trabalho transgressor, criativo

Foto 1 - Cartaz da exposição. Foto 2- Paredes
da Galeria do Mercado pichadas. Foto 3 - Obra 
vandalizada. Foto 4 - Obra pichada. No dia
seguinte vieram e roubaram
.
e que também contribui para a sua  preservação. Lembrou que até o cantor Caetano Veloso falou na época defendendo o seu trabalho e fez referência a apropriação do artista francês, Marcel Duchamp que se apropriou até de um vaso sanitário industrial, colocou numa  exposição . O artista  criou o conceito de ready made, que corresponde ao transporte de um elemento da vida cotidiana, a “princípio não reconhecido como artístico”, para o campo das artes. Exatamente o que o artista piauiense radicado aqui faz quando transporta um pedaço de pele da cidade e o transforma em arte. 
Afirmou que  depois da fala do cantor durante um show a reação diminuiu.

Outro episódio desagradável aconteceu em 2024, em Teresina, no Piauí, onde ele foi convidado a remover as peles  do Mercado Central, que ia entrar em reforma. O convite era para retirar as imagens dos açougues, das paredes de outras lojas e resultou  numa boa produção. No dia da exposição que aconteceu numa matiné, às 10 horas da manhã,  chegaram dois grafiteiros picharam e danificaram as obras. No dia seguinte apareceu outro grafiteiro e pegou um dos trabalhos e levou para casa. Depois desses episódios Willyams Martins está mais receoso e principalmente depois do aumento desenfreado da violência em Salvador. Na realidade ele já se apropriou de peles tatuadas das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Teresina, Porto Alegre, Salvador, em Timon, no estado do Maranhão, em Rosário na Argentina e em Vila Alegre no Chile.

 EXPOSIÇÕES 

INDIVIDUAIS – Em 2023 - Exposição Manifesta, Câmara dos Vereadores, Salvador-BA. 2022 - Além do Mercado - Galeria do Mercado Velho, Teresina-PI. 2020 - Movimento das Ruas, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador-BA. 2013

 "Sunset no Sertão",  Teresina.
 
- Peles do Cárcere, Roberto Alban Galeria de Arte, Salvador-BA. 2012 - Festival FAN, Festival de Arte Negra, Estação Central do Metrô, Belo Horizonte-MG. 2010 - Projeto Cidade Ideal, Espaço Cultural Barroquinha Salvador-BA. 2009 - A Árvore Já é a Imagem do Mundo, Centro Cultural dos Correios, Salvador-BA. 2007 - Peles Grafitadas, Galeria Solar Ferrão, Salvador-BA. COLETIVAS - 2023 – Pistarama, Instalação em site specific de Dominique Gonzalez-Foerster, Pinacoteca Agneli, Turim- Itália. 2019 O Espaço Dividido, Galeria do Goethe-Instituto, Salvador -BA. 2018 - Estado Bienal, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador-BA. 2015 - ART RIO - Exposição, Feira de Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Um Canto, Dois Sertões - 90 Anos de Bispo do Rosário, Exposição Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, Rio de Janeiro-RJ. 2013 - Aproximações Contemporâneas, Roberto Alban Galeria de Arte, Salvador-BA. 2009 - Temporada de Projetos, Exibição de Projeto  Conversa com Artista, Paço das Artes. SP; 36 Salão de Arte Contemporânea de Santo André, Santo André-SP; 14º Salão UNAMA de Pequenos Formatos, Belém-PA. 
Vemos acima o protesto feito por Willyams Martins contra a violência em sua terra que chamou de  "Sunset no Sertão", no ano de 2010, em Terezina. Sunset traduzindo para o português significa por-do-sol ou entardecer e esses corpos enrolados em lençóis brancos e amarrados estão prontos para serem jogados no Rio Poty.

Prêmios, Bolsas, Residências artísticas e Editais. Em 2022 - Salões de Artes Visuais da – 64° Edição, Secult, Salvador - BA. 2020 – ConVida, Live, Realização - Sesc - Rio. Rio de Janeiro-RJ. - Arte de Passagem III – Itinerância pela Arte Contemporânea da Bahia, Lei Aldir Blanc, Salvador-BA. 2018 - Residência Artística, Edital Mobilidade Cultural, Secult - BA. Em Teresina, PI. The Real Fake, Residência Artística, Curatoria Forense, São Paulo-SP. 2017 - Prêmio de

Pele da Barão de Cotegipe III, retirada em 2007.
Residência Artística Monsenhor Chaves, Teresina-PI; Residência Artística Artur Bispo do Rosário, Rio de Janeiro-RJ; Arte de Passagem II, Uma Itinerância pela Arte Contemporânea da Bahia. Salvador-BA. 2016 - Residência Artística, Cooperativa de Arte, Villa Alegre- Chile. 2015 - Residência Artística Internacional – Cooperativa de Arte Roleplay em Taxco-México. 2014 - Arte de Passagem I, Galeria Castro Alves, Centro Histórico, Salvador-BA. 2012 - Salinas Compartilhada, Oficina de Arte, Programa BNB/BNDES de Cultura. Salinas-BA.

Bienais - Em 2018 - 19ª Bienal Sur, Duralex Sed Lex, Representação Brasileira. Rosário-Argentina. 2017 - XIX Bienal Internacional de Cerveira, Da Pop Arte às Transvanguardas, Apropriações da Arte Popular, Portugal. 2014 - III Bienal Internacional da Bahia, Salvador-BA. 2011 - XI Bienal Internacional de Santos. Santos-SP. 

.