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O artista conceitual Tonico Portela no seu ateliê com materiais que usa nas suas instalações. |
O artista visual Tonico Portela é bacharel em Artes Plásticas, mestre e doutor em
Artes Visuais, na linha de pesquisa de Processos Criativos, pela Escola de
Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, professor, coreógrafo, performista,
curador de várias mostras e sua arte conceitual caminha dentro de uma visão de
espiritualidade sem ligação com a religiosidade de instituições. Seu processo criativo
tem uma relação com os materiais naturais, o espaço, som , luz e os quatro elementos da natureza. Para
criar diz ser necessário estar desplugado, isolado deste mundo cheio de
barulhos e opções. Sua arte começa com um planejamento intelectual e o que importa
mais é o conceito que o produto físico. Está ligada a um movimento artístico surgido na
década de sessenta que prioriza a ideia ou conceito sobre a estética ou o
objeto final. O artista busca é provocar reflexão e questionar o mercado
artístico por meio de instalações, performances e uso de materiais não
convencionais. Os artistas que fazem este tipo de arte com suas formas e
maneiras diversas procuram abordar os limites da arte, a existência e
inexistência da matéria, silêncio, ausência, vazio e o êxtase. Querem discutir
todo o pensamento fixo, já determinado rompendo o pré-estabelecido e
possibilitando ao expectador todo tipo de sensações e interpretações. É preciso
estar aberto para receber esses estímulos sensoriais e visuais. O que permanece
fisicamente são as fotografias e os vídeos que quase sempre são feitos durante as
instalações e performances. Neste processo acontece uma interação das forças
psicológicas, espirituais e intelectuais entre o artista criador e os
espectadores que estão ali para participar desses eventos revestidos de
sensações.
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Tonico Portela na instalação Palavras Ressonantes, no Museu de Arte Sacra, 2016. |
Seu nome de batismo é Antonio Carlos Portela,
(não tem o acento circunflexo no primeiro o), assina Tonico Portela, é doutor
em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, Professor Adjunto no Curso de Artes Visuais, da Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia – UFRB, e integra o grupo de pesquisa em Artes Visuais
CNPQ-UFRB. Suas pesquisas estão voltadas para as impressões contemporâneas com
utilização das linguagens de instalações, objetos e performances, e segundo ele
“tem como objeto de estudo a relação entre arte e espiritualidade no processo
criativo”. Já participou de salões, exposições individuais e coletivas , foi
premiado algumas vezes. Tem uma boa experiência de vida e conhece vários países
graças ao cargo de coreógrafo que tinha no grupo Club Mediterranée que possui
villages de férias em locais paradisíacos , já operou na ilha de Itaparica e
hoje tem villages em Trancoso, no sul da Bahia, e no Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, que são muito procurados por
turistas que buscam locais diferenciados, são classificados no meio turístico como
resorts de luxo premium all-inclsive.
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Instalação Presentes e Ausentes, premiada. Feita com areia, metal, cânfora e fotografia. |
Numa exposição que fez em 2001 com Bia Santos, Eriel Araújo e Virgínia Medeiros ganharam o Prêmio Copene de Cultura e Arte . O artista Tonico
Portela apresentou a instalação que denominou de Impressões: Ausentes, Presentes.
Cada um se apresentou com a sua personalidade, individualidade , informações que dispõe e questionamentos dentro deste encontro interagindo com as forças psicológicas,
intelectuais e espirituais. A propósito escreveu Celeste Almeida Weiner , na época
Professora Orientadora do Mestrado em Artes Visuais e Diretora da Escola de
Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, hoje aposentada, que “a partir
de Duchamp, todas as formas de representação artística obtiveram novas
possibilidades de construção. Com isso, Duchamp não levantou simplesmente a
questão: o que é arte? Indagou o motivo
pelo qual alguma coisa pode se tornar uma obra de arte, enquanto outra, exatamente
igual, não”. ( Marcel Duchamp nasceu na França em 1887 e se naturalizou
americano, faleceu em 1968. É um dos artistas mais discutidos desde o século
passado, criador dos ready-mades e é considerado o pai da arte conceitual.)
Para Tonico Portela “Ausentes, Presentes é a
suma das inquietações provenientes da fusão de materiais, ideias e conceitos. A
poética se instaura a partir da palavra e dos significados, perpassando por uma
diversidade de práticas para compreender as relações entre a Tradição e
Contemporaneidade. A semântica dos conceitos Ausentes, Presentes é enfatizada
pela combinação da palavra com as práticas artísticas, ou seja, a exploração
das possibilidades significativas da linguagem verbal enquanto objeto
artístico, ampliando a realidade nocional da palavra.”
TRAJETÓRIA
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Uma série de formas de mãos da instalação Incandescência |
O artista visual Antonio Carlos de Almeida
Portela nasceu em quatro de março de 1963 no Hospital da Sagrada Família, na
Cidade Baixa, em Salvador. É filho de Rafael Francisco da Silva Portela e de d.
Therezinha Maria de Almeida Portela. Estudou na Escola Vespasiano Duarte, que
era uma escolinha de bairro, e em 1970 a família mudou para o bairro da Pituba
quando ele foi matriculado na Escola Tereza de Lisieux, que foi fundada em 1976
e encerrou suas atividades no ano 2000, dando lugar ao atual hospital da Rede
Notre Dame Intermédica. Tonico Portela fala com satisfação dos anos que passou
na escola que teve três sedes provisórias até a construção de sua sede oficial
na Avenida Antônio Carlos Magalhães. Para ele era uma escola diferenciada “um verdadeiro
caldeirão de cultura porque éramos incentivados por professores a praticar vários
tipos de arte e sempre organizavam manifestações artísticas de teatro, danças
folclóricas, capoeira, canto, artes plásticas, com a participação de muitos
estudantes. Foi muito importante na minha formação e participava de uma equipe que se destacava entre as demais. Tenho colegas que até hoje nos encontramos e lembro da Alice Becker, que foi do
corpo de balé do Teatro Castro Alves, estudou lá, e é considerada uma das pioneiras
da introdução do Pilates no Brasil. Também a Adalgisa Rolim que tem uma escola de
Dança em Villas do Atlântico, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, onde são ministradas aulas de Ballet
Clássico, Street, Jazz, Dança do Ventre, Dança Contemporânea, K- POP, Dança de
Salão e Sapateado.
Ao terminar o ginásio foi transferido para o Instituto Social
da Bahia, no bairro de Ondina, onde concluiu o colegial. O ISBA também encerrou
suas atividades no final de 2020, após 56 anos de atuação. Ao terminar o colegial prestou vestibular para Processamento de Dados, na Faculdade Trabuco,
que funcionava no bairro da Federação, onde estudou até o terceiro ano. Tinha um
professor de dança que abriu uma sala defronte a Faculdade Trabuco foi fazer Jazz. Disse Tonico Portela ser ele quem lhe incentivou a continuar fazendo dança. Não lembra os nomes do professor e nem do espaço onde ocorriam as aulas. Decidiu abandonar o curso
de Processamento de Dados, porque sentia dificuldades nas matérias ligadas a cálculos Matemáticos. Decidiu ir morar em São Paulo para estudar na Escola de Dança do argentino Ismael Guiser, que
em parceria com a bailarina Yoko Okada, inaugurou sua primeira escola em 1973,
a Escola de Dança Ismael Guiser, que veio encerrar as atividades em 2008.
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Alguns dos 300 porquinhos dourados usados numa instalação que fez na ACBEU. |
Disse que
ralou muito em São Paulo para se manter trabalhando no Mac Donald e em seguida numa agência
bancária na Avenida Paulista. Morava em pensão e se alimentava muito mal.
Quando Tancredo Neves morreu e veio o governo José Sarney com aqueles planos
mirabolantes, que não deram certo, ele resolveu voltar para Salvador e foi
trabalhar na loja Richards, no shopping Barra. Teve um reencontro com um antigo
colega da Escola Tereza de Lisieux que seguiu a carreira da dança Cody Reis, o qual já estava há alguns anos trabalhando no Club Mediterranée, em Itaparica.
Ele ligou e perguntou se queria trabalhar lá e ofereceu um cargo de decorador floral.
Respondeu que nunca tinha trabalhando com flores, mas ele insistiu , aceitou, e
foi apreendendo com um assistente que já fazia este serviço . Fez sua primeira viagem
internacional para a Tunísia trabalhando na boutique do village e com sketches de humor, dança,
desfiles de moda dos produtos da loja. Em seguida fez um estágio com
Cody Reis, no Rio de Janeiro, em Mangaratiba, em Rio das Pedras, e se
tornou coreógrafo. Sua denominação no Mediterranée era regisseur,
fazia shows business. Lhe designaram passar uma temporada num resort de verão em Israel, que
abria em abril e ficava até setembro, depois passou seis meses em Bali que é uma província da Indonésia, conhecida como a Ilha dos Deuses. Posteriormente viajou para Aghâdir que é uma cidade costeira no sudoeste de Marrocos, cidade balneária . Porém, de 1990/1 aconteceu a guerra do Golfo, Pérsico fechando tudo. Voltou para Itaparica, em
seguida lhe mandaram para Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, como coreógrafo, e logo depois retornou para a Tunísia desta vez para a cidade de Hammamet que é um dos principais destinos
turísticos e tem um villages sazonal. Recebeu o convite de um brasileiro que inaugurou
um village no norte da Austrália, na Lindeman Island, localizada no arquipélago das Ilhas
Whitsunday, em Queensland , que é um destino muito procurado , com a maior parte do seu
território protegida pelo Parque Nacional das Ilhas Lindeman. Seguiu para
Bora Bora em 1994 que é uma pequena ilha do Pacífico Sul, a noroeste do Taiti, na
Polinésia Francesa, onde tinha programado passar
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Tonico Portela trabalhando com uma matriz de litografia. Ao lado a lito que imprimiu. |
um ano, mas disse que recebeu
um chamado forte, que não explicou qual e voltou antes para Salvador.
Sempre
que passava em frente à Escola de Belas Artes declarou que sentia como que algo
estava lhe atraindo, e assim resolveu fazer o vestibular para a Escola de Belas
Artes, da Universidade Federal da Bahia para bacharelado em Artes Plásticas Se graduou e em
2000/1 fez o Mestrado e seu trabalho foi Impressões: Instâncias de Ausências e
Presenças. Tratou de todos os métodos de impressões de múltiplos. Em 2013
voltou para a EBA onde fez o Doutorado sendo orientadora Maria Celeste Weiner
com o trabalho relacionado ao seu processo criativo com a espiritualidade, não
só nos aspectos apenas da religiosidade, mas com diversos tipos de concepção e
a espiritualidade na arte. O título do
trabalho é Impressões Monistas: Construindo Percursos Entre Arte e
Espiritualidade, que concluiu em 2018. Fez o pós-doutorado com a apresentação de uma
exposição.
Como trabalhava com o corpo procurou neste momento usar mais as mãos, se entrosar com a cena baiana apresentando seu
portfólio de coreógrafo, maquiador, cenógrafo e passou a trabalhar com escolas
de dança e espetáculos de teatro. Fez um curso de cenografia com o professor alemão Alexander Müller-Elmau através do ICBA e passou a conhecer vários artistas que
fazem uma arte conceitual. Disse também que fez todas as disciplinas de gravura, escultura,
desenho e cerâmica, menos de pintura. Revelou gostar muito da pintura, mas que
o fazer pintura não lhe atrai muito.
Atualmente ensina na Faculdade de Federal do Recôncavo que é multicampis , e tem seus campis em Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, Santo Amaro,
Amargosa, Cachoeira e Feira de Santana. Ele ensina desde 2010 em Cachoeira,
antes foi professor substituto durante dois anos na Escola de Belas Artes
ensinando Escultura com resina e Desenho de Observação. Ensinou no curso de
Educação Artística, na UCSAL, na sede da Instituto de Música, na Rua Carlos
Gomes, e nas gestões do MAMBA de Solange Farkas e Stella Carosso, foi coordenador
do Educativo. Em 2010 fez o concurso para a Universidade Federal do Recôncavo
onde ministra aulas de Processos Criativos no Curso de Bacharelado de Artes
Visuais ensinando disciplinas
ligadas a escultura e gravura.
Mostras e Prêmios
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Instalação Um Presente Ausente, feita com areia, cânfora e gravura, de 2001. |
Em 2023 - Desver Devires – exposição de
Fotografias e vídeos no Recôncavo da Bahia na Galeria B.S.F. (O) Louco, Centro
de Artes, Humanidades e Letras, Cachoeira-BA; A Gravura na Bahia a Partir da
EBA/UFBA, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes-UFBA, Salvador-BA; Incandescências,
exposição individual, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes-UFBA. 2022
- Ações e Reações nos Processos Artísticos - Exposição da produção da linha
de processo de criação artística do PPGAV-UFBA, 19/10 a 04/11, Galeria
Cañizares-EBA-UFBA, Salvador-BA. 2021- Desver Devires - Mostra 2055 -
Universidade Federal do Recôncavo-UFRB. 2019- “Um Brinde ao Café 02 -
Exposição de Bules”, coletiva no Cafelier, Salvador-BA. 2017- “Dezsmandamentos”,
mostra individual, Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA. 2016- “Palavras
Ressonantes”, mostra individual, Museu de Arte Sacra, Salvador-BA. 2015- “RomaAmor”,
V Mostra de Performance: Corpo Coletivo, Conflitos e Convergências, Galeria
Cañizares, Escola de Belas Artes, Salvador-BA. 2014 - “Rio Bom”, mostra
coletiva “Um Pouso do Livro Caminhante nas Coisas Existentes de Marcos Zacaríades
em Função do Desejo”, Galeria Marcos Zacaríades, Igatu-BA. 2012 - “Ausentes
Presentes, mostra coletiva Circuito das Artes, Museu Carlos Costa Pinto,
Salvador-BA; O Sexo e o Tempo II, Festival da Livre Expressão Sexual, Salvador-BA. 2011 - “Natureza Morta com Folha e Gotas de Orvalho”, mostra
coletiva Imagem X Imagem, Galeria da Escola de Belas Artes do Paraná,
Curitiba-PR. 2007- “Springs” (acervo MAM-BA) – 14º Salão da Bahia – Prêmio
Residência Artística - MAM –Bahia. 2006 - “Fontes”, mostra coletiva
25 Artistas Baianos, Galeria Solar do Ferrão, Salvador-BA. 2005 - 300 Porquinhos”,
mostra coletiva Art for Today, Galeria ACBEU, Salvador-BA; “Posições Astrais”,
mostra coletiva Arte Erótica, Galeria Cañizares, EBA-UFBA. 2004 - “Do
Barro da Terra do Ouro”, mostra coletiva Terra Cota da Terra, Centro Cultural
da Caixa, Salvador-BA.
2003 -
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| Duas obras da mostra O Sexo e o Tempo, 2012. |
Os 300 porquinhos”, X Salão da Bahia, MAM
– Salvador-BA; O Sexo e o Tempo”, Festival da Livre Expressão Sexual,
Quixabeira, Salvador-BA; “Lineares”, Exposição 125 Anos da EBA, Casa dos
Correios, Salvador-BA. 2001 - Ausentes e Presentes-II”, mostra coletiva
Instalações Bahia 2001, Prêmio Copene Cultura e Arte, MAM-BA; Um
Presente Ausente”, Rádio Bazar, Espaço Jiquitaia – Salvador-BA; “Impressões:
Ausentes e Presentes”, mostra individual, Galeria Goethe Institut - ICBA. 2000-
“Desenho I e II”, V Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São
Félix-BA; Ausentes Presentes- Objeto I”, Galeria Solar do Ferrão - Salvador-Ba.
1999- “Impressões: Momento II”, XXVII Salão Centro de Cultura Olívia
Barradas – Prêmio Oficial- Valença-BA, Velas Redondas”, XXVI Salão
Centro de Cultura Camilo J. Lima, Vitória. Conquista-BA; País não Descoberto”,
XXV Salão Centro de Cultura João Gilberto, Juazeiro-BA; sem título, XXIV
Salão Centro de Cultura Adonias Filho – Itabuna-BA; Auris Brasilis”, XIII
Salão Centro de Cultura Amélio Amorim, Feira de Santana-BA. 1998- “Salvador,
porto além mar”, Projeto “Salvador, Porto e Mar”, COBEBA, paredes externas do
Porto de Salvador-BA.