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sábado, 1 de agosto de 2026

A GRANDEZA DA ARTE DO PEQUENO CALASANS NETO

Calasans Neto com uma matriz pintada que
usava para fazer suas xilogravuras.
Este ano completou duas décadas o  falecimento do gravador, pintor, ilustrador e escultor  Calasans Neto, ocorrido em primeiro de maio de 2006. É  sempre bom relembrar o legado que os artistas modernistas baianos deixaram.  
O festejado cineasta baiano Glauber Rocha escreveu em abril de 1962 o ABC da Arte & do Amor de Calasans Gravador como apresentação para uma exposição do artista.  Assim usou todas as letras do alfabeto para falar do amigo, do artista, do homem e da figura sempre cheia de alegria que era o Calá. Tenho comigo o livro Calasans Neto Gravuras onde está inserido o ABC escrito por Glauber Rocha com uma dedicatória carinhosa de Calá que guardo com cuidado e carinho. “Reynivaldo você que tem feito tanto pelas artes plásticas da Bahia um grande abraço deste seu amigo e leitor. Calá. “Escolhi a letra C do ABC escrito pelo cineasta para reproduzir uma parte do texto: “C - Calasans sorri muito, é excelente piadista - mas no fundo ele “pensa” e não sei bem quais caminhos atingiu esta saída dramática para sua arte; Calasans tem a propriedade quase exclusiva de comunicar, cada vez mais gráfico, cada vez mais homem de jornal e de panfletos e cartazes – cada vez mais participante. Creio que o convívio de quase dois anos com Lina Bo Bardi abriu muitos caminhos para o gravador-gráfico :Lina Bardi é uma das poucas pessoas no Brasil que coloca o nosso contexto cultural em termos....”

 Foto 1. A fachada do ateliê. Foto 2-Pracinha com 
escultura de Calá. Foto 3 - Painel dos pássaros 
noturnos de Abaeté .Foto 4.Sala com um tríptico.
Voltei na última quarta-feira, dia 22 de julho de 2026, a visitar o ateliê onde por várias vezes estive para entrevistar Calasans Neto sobre suas novas xilos, monotipias, pinturas e andanças pelos Estados Unidos e países europeus. Sempre ele aproveitava para fazer uma série de desenhos que depois viravam suas  xilogravuras, monotipias, pinturas , e em seguida eram expostas e comercializadas . Tem por exemplo uma série de monotipias, que é fantástica, inspirada nos músicos de New Orleans, antes da tragédia ocorrida no dia 29 de agosto de 2005. A maré de tempestade do furacão Katrina causou danos em cinquenta e três pontos diferentes na Grande New Orleans, submergindo oitenta por cento da cidade e matando centenas de pessoas. 

Uma dessas entrevistas aconteceu em 1974 no seu ateliê, mas desta vez não era para falar da obra de Calá, e sim de uma peça de teatro de seu amigo-irmão Vinicius de Moraes. Foi o Calá quem me telefonou  solicitando que entrevistasse seu amigo e frequentador assíduo de sua casa e de seu ateliê na Rua das Amoreiras,9, no fim de linha de Itapuã. Combinamos o dia e horário e lá fui  para este encontro com o poetinha. Chegando já estavam no ateliê o Calá e o Vina sentado numa dessas cadeiras de lona, e no chão a seu lado, uma garrafa de

Os padrinhos Calasans Neto /Auta Rosa e 
Jorge Amado e Zélia Gattai no sétimo
casamento do poeta Vinicius de Moraes
com Gessy Gesse na Bahia, em 1973
.
uísque e um copo já com o precioso líquido, que ele tanto apreciava. Ainda encontrei a tal cadeira, só que a lona deve ter estragado e trocaram por outra, mas nos braços estavam as marcas do tempo e restos de tinta. O assunto a ser tratado era uma peça de teatro que o poeta escreveu para ser levada por sua então amada Gessy Gesse intitulada As Feras. Originalmente Vinicius tinha  intitulado  de Chacina em Barros Filho, e foi apresentada num galpão em desuso que existia na Rua dos Ingleses, próximo ao bairro do Campo Grande, em Salvador. A direção foi de Álvaro Guimarães e os artistas eram os baianos Gessy Gesse, Fernando Lona, Jurandir Ferreira, Armindo Bião, Mário Gadelha e Sonia dos Humildes. Foi escrita por Vinicius de Moraes em 1961. Trata-se de uma tragédia naturalista baseada num caso policial ocorrido no Rio de Janeiro. A obra aborda o drama social e as duras condições de migrantes nordestinos no sul do país. Lembro que Calá brincando disse “esta porra está apaixonado outra vez e agora inventou mais esta”. Vinicius sempre rindo só repetia “O que é isto Calasinho?”.

                                            O CALÁ QUE CONHECI

Calasans Neto em seu carro esportivo 
no Farol de Itapuã com algumas
 obras ao fundo.
José Júlio de Calasans Neto nasceu em Salvador, Bahia, no dia onze de novembro de 1932 e veio a falecer em primeiro de maio de 2006. Era gravador, pintor, ilustrador, desenhista,  cenógrafo e escultor. Filho de José Júlio de Calasans, que era médico psiquiatra e professor renomado da Faculdade de Medicina da Bahia, e de Frieda Elisabeth Geiger de Calasans. Foi acometido de poliomielite aos sete anos de idade, que deixou sequelas significativas, mas nem por isto deixava de nadar, dirigia e enfrentava as ladeiras de Salvador com galhardia, mesmo com as limitações que a vida lhe impôs. Era uma das figuras mais alegres, piadista de primeira e sempre tinha algo de engraçado para contar de seus amigos. Calá, como carinhosamente era chamado, tinha uma capacidade incrível de agradar as pessoas que se acercavam dele. A primeira vez que o avistei foi na frente de uma casa onde a família morava na Avenida Joana Angélica, defronte ao Convento da Lapa. Já sabia que andava com o pessoal ligado à cultura e com o Glauber Rocha que estava despontando como grande cineasta. Não lembro o ano, mas acredito que foi na década de 60. Quando já trabalhava como repórter do Jornal A Tarde foi que passei e conhecê-lo pessoalmente e fiz algumas entrevistas com ele sobre sua arte e de seus amigos. Ao seu lado  estava a inseparável Auta Rosa sempre atenta e com seu gatilho de sincericídio pronto para defendê-lo de quaisquer coisas que surgisse. Viveram felizes por longos anos no autodeclarado Principado Autônomo de Itapuã, vizinho de seu amigo Sante Scaldaferri que juntamente com a sua Marina formavam uma dupla de casais, exemplo de amizade e confiabilidade.

Esta é a prensa onde Calasans Neto
e seu impressor Vadeco tiravam
as cópias de suas gravuras. Está
necessitando de restauro.
Foi aluno de Mário Cravo Jr em suas aulas de gravura em metal e de pintura do grande pintor e tapeceiro Genaro de Carvalho, na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia. Em seguida no  ateliê de Genaro que ele começou a pintar. Anos depois abandonou  por um bom tempo a pintura e se dedicou à arte da gravura, onde se notabilizou, principalmente na xilogravura e monotipia. Juntamente com Glauber Rocha, Paulo Gil Soares, Sante Scaldaferri, Fernando Rocha Peres criaram a Jogralesca que teatralizava poemas, além da revista Mapa e a Editora Macunaíma. Nos anos 1956 a 1965   criou cenários para os filmes de Glauber Rocha O Diabo na Terra do Sol e de Francisco Guarnieri Eles Não Usam Black-Tie. Ilustrou dois romances do seu amigo e padrinho Jorge Amado Tereza Batista Cansada de Guerra e Tieta do Agreste, e História Natural de Pablo Neruda, de Vinícius de Moraes, e outros livros de autores baianos.

Retornou à pintura nos anos oitenta pintando suas cabras, baleias e os pássaros da noite que sobrevoam a charmosa e misteriosa Lagoa do Abaeté, que fica próxima a casa onde morou por décadas na Rua das Amoreiras,7 em Itapuã. Fez dezenas de exposições no Brasil e no exterior, inclusive participou da 18ª Bienal Internacional de São Paulo e da II Bienal de Havana, em 1986. Quando falamos em gravadores baianos imediatamente surge o nome de Calasans Neto com seus desenhos tirados de sua cabeça criativa e lembramos de animais mitológicos que enriquecem a literatura universal. Ele produziu vários álbuns com suas xilos e gravuras em metal. Também pintava algumas matrizes e comercializava, o que é uma forma de mostrar e preservar a sua produção artística.

Marina Scaldaferri ( de calça branca) viúva de
Sante, teve uma convivência de vizinhança
e amizade maior Calasans Neto e Auta Rosa.
A ceramista Irene Omuro e seu esposo Luiz ,
 falecido, foram muito amigos do casal
.
DE VOLTA AO ATELIÊ

Desta vez fui me encontrar com Marina Scaldaferri e com Irene Omuro que tiveram uma convivência de grande amizade com Calasans Neto e Auta Rosa.  O namoro  começou com um encontro ocasional em 1963 no Teatro Castro Alves, cujo foyer servia de sede do recém-criado Museu de Arte Moderna da Bahia, pela Lino Bo Bardi e lá permaneceu até 1968 . Contam as amigas que inicialmente teria sido ela que se interessou pelo bardo. O namoro evoluiu e passaram a ser vistos nos encontros com outros amigos. Mas, os pais de Auta Rosa não aprovaram o namoro e certo dia o pai da moça encontrou os namorados saindo do cinema Glória, que funcionava no prédio do jornal A Tarde, no lado que dá para a Rua Rui Barbosa. Houve uma discussão e até empurrões, e o Calá chegou a cair. Mas, Auta Rosa sempre foi uma pessoa decidida e resolveu deixar a casa de seus pais e foi acolhida por sua amiga Maria das Dores Amorim, a Dorinha, e lá permaneceu até casar-se em 30 de outubro de 1964. As coisas foram melhorando até comprar o terreno na Rua da Amoreiras  em Itapuã ,e resolveram construir uma casa que levou o número 9. Na década de 70 o bairro de Itapuã era uma vila de pescadores e tinham muitas casas de veranistas e os terrenos ainda eram baratos

Esta era a casa de Calasans Neto, que hoje
pertence a outra família.
O arquiteto escolhido para fazer o projeto foi o David Largman, que era seu amigo e um dos donos da Maison de Móveis, uma casa de móveis que existia na Avenida Sete de Setembro, em Salvador.  Logo depois ele foi para o Rio de Janeiro, onde faleceu. David Largman (Rio de Janeiro- RJ, 1928 - Rio de Janeiro- RJ, 2005), foi um pintor, desenhista, artista visual e arquiteto brasileiro. Formou-se em arquitetura pela Faculdade Nacional de Arquitetura. O artista Calasans Neto e Auta Rosa depois de morarem em imóveis alugados se mudaram para Itapuã e lá viveram o resto da vida. Eles foram muito felizes e o casamento durou mais de quarenta e dois anos até a morte de Calá em primeiro de maio de 2006. Logo depois Auta Rosa foi acometida por um câncer  e quando já estava doente decidiu doar a sua casa para a amiga que a acolheu na época do namoro com Calasans Neto a Maria das Dores Amorim, e para preservar o acervo e o ateliê do marido vendeu o ateliê e parte do terreno e doou as matrizes para Eduardo Pinto Rozendo, que é filho de uma prima que ela gostava muito. A Auta Rosa veio a falecer em dezenove de novembro de 2018, aos oitenta e cinco anos de idade. Portanto, graças a Eduardo Rosendo as matrizes, a prensa e painéis e outros pertences de Calasans Neto estão preservados . A entrada é pela Rua Calasans Neto,número 10, e ainda não está aberta à visitação pública. Posteriormente Dorinha veio a falecer e a casa da Rua das Amoreiras, número 9, ficou com sua filha Ivana Amorim, que vendeu a outra família. 

Já a  ceramista Irene Omuro conheceu Calasans Neto numa exposição do artista no Sauípe Grand Premium Brisa, em Sauípe, que fica no litoral Norte da Bahia, município de Mata de São João. Na ocasião comprou uma monotipia e ficaram amigos e ela terminou fazendo uma parceria quando ele a convidou para aprender a fazer monotipias por volta do ano de 2004. Lembrou Irene que “ele ficava lendo jornal ou fazendo outra coisa, e de vez em quando dava um pitaco. Deixei de fazer porque tive um problema de alergia com o Varsol, que é um removedor utilizado para limpeza das ferramentas. Mas, depois que ele faleceu fiquei ainda vindo uns quinze dias para fazer companhia a Auta Rosa. Com o falecimento de Vadeco, que era o impressor de Calasans Neto, terminei ficando sem condições de continuar com as monotipias, mesmo porque não tenho prensa para imprimir os trabalhos”. Tanto a Marina como a Irene Omuro elogiaram o trabalho de conservação desenvolvido por Eduardo Rozendo Pinto que vem preservando o acervo de Calasans Neto com muito zelo.

VIZINHANÇA E CAMARADAGEM

Esta é a casa construída por Sante  Scaldaferri,
que era  vizinho  de Calasans Neto.
Logo que Calasans construiu a casa passou a chamar Sante Scaldaferri para que ele comprasse o terreno vizinho para fazer uma casa. A princípio Marina, esposa do Sante, não aprovou a ideia porque ela trabalhava no Hospital Ana Nery, na Caixa D’água, e a distância era muito grande de Itapuã. Mas, terminaram concordando e o Sante comprou o terreno, que também tinha um preço acessível e foi o mesmo arquiteto carioca David Langerman, que também era artista visual, quem fez o projeto. Portanto, os dois amigos dos tempos de colégio e das atividades culturais foram morar juntos e foi uma amizade que durou até a morte de ambos. A casa de Sante Scaldaferri está lá bem conservada com mais de trezentas obras pela viúva Marina, que já tem noventa e cinco anos e está lúcida e tocando muito bem o seu piano, nas tardes de Itapuã. Me disse Eduardo Rozendo Pinto que “é muito prazeroso quando ele está na casa-ateliê que foi de Calasans Neto porque a gente ouve os passarinhos cantando e a sonoridade do piano da Marina, nossa vizinha querida”. Contou ainda Marina Scaldaferri que o Calá gostava de falar que no local onde eles construíram as casas tinha sido um cemitério de índio. Ele criava um casal de cachorros. Um dia estava trabalhando quando olhou para um dos cachorros notou que estava todo arrepiado. Ele parou, olhou novamente e já estava caindo a tarde. Aí perguntou a Marina. Você ficava? Também não, saí apressado com medo, e deu sua gargalhada inconfundível. Lembrou  Irene Omuro que "ele sempre tinha uma história ou piada para contar. Uma dessas disse  que estava ele e Glauber Rocha no Pelourinho defronte a um cartório quando um senhor veio e perguntou se eles não poderiam assinar como testemunhas no Registro de Nascimento de seu filho. Os dois prontamente aceitaram e assinaram como testemunhas. Ninguém sabe quem é este felizardo ou felizarda."

Críticas e opiniões

Várias personalidades do mundo cultural escreveram sobre Calasans Neto. Somente no livro Gravuras tem uma poesia de Carlos Drummond de Andrade e textos de Glauber Rocha, Quirino Campofiorito, Walmir Ayala, Clarival Prado Valadares, Fernando Sabino, Carlos Heitor Cony, Jorge Amado , Zelia Gattai, dentre muitos outros. A poesia de Drummond: “Tardes. noites, manhãs / no mar, no céu, na terra:/ Quantas Itapuãs / o meu olhar descerra/na arte de Calasans! / É um sonho da Bahia, / alta visão povoada/de paixão, e magia/ a explodir em cada / forma de luz no dia!”

Jorge Amado, Auta Rosa e
Calasans Neto. A foto deve
ser da Zélia Gattai.


JORGE AMADO – “Calá e a madeira - Com sua luz em preto e branco, explodindo vez por outra no vermelho, com sua luz cavada no mistério da madeira, retirada de seu cerne, mestre Calasans Neto, que amamos todos chamar simplesmente Calá, o bom Calá, ilumina nossa beleza baiana e a engrandece.
Sem dúvida, nasceu artista e gravador, entalhado, e sua missão ele a cumpriria de qualquer maneira, de qualquer jeito, fosse como fosse. Para cumpri-la, porém, assim com tanta consciência, força e sensibilidade, com essa grandeza, foi-lhe necessário somar ao talento e à vocação os dotes de um caráter sem concessões. de um coração de homem generoso e alegre. Ah! a alegria de viver de mestre Calá é uma lição de vida e esse homem de pequena estatura se mede por sua coragem, sua fibra. seu sentimento vital, seu amor aos seres e às coisas; e que grande homem!
Beleza de madeira, beleza da paisagem baiana, da cidade, do mar e do rio: as praias quase abstratas de tão impossíveis, as rochas como tartarugas, o grande sol e a doce lua, os saveiros, os navios no rumo do Recôncavo, as pequenas cidades sonolentas, as igrejas de ouro ou de pedra e o casario, as cabras e as baleias, eis as gravuras e as talhas de Calasans Neto, filho e pai da Bahia, nascido de seu ventre e parindo sua beleza. Ele nos acrescentou, nos deu algo de real nos fez mais ricos. Tomou de nosso mistério e o recriou. tomou de nossa condição baiana e lhe deu termos de arte, perenidade e universo
Gosto de vê-lo sorrir enternecido com um detalhe qualquer, o salto de um gato, olhar do pequinês, gosto de vê-lo diante da madeira a socavar, a retirar do vegetal a pedra e o cimento das casas, a luz e o sol, a cabra e a baleia, e o nosso mar verde-azul de Iemanjá. Sua Iemanjá é Auta Rosa, esposa e flor, nesga de aurora, e lá vai mestre Calá com sua bem-amada pela mão. Riem os dois. contentes e dispostos. Mas mestre também O drama: sua Bahia é Calá về a beleza e poética e dolorosa, mágica e pobre. Porque Calasans Neto sabe toda a verdade da Bahia, é de sua terra e de seu tempo, nele artista e homem são um ser único, indissolúvel ....”

Calasans Neto brincando com o poeta Vinicius de
Moraes,  1973. Este era o espírito alegre  de Calá.
VINICIUS DE MORAES – “Calasans Neto e as baleias:” Bem-amado Calá,
Primeiro e Único. Príncipe de Itapuã, Duque das Amoreiras ,Conde do Abaeté Barão do Coco Verde, Cavalheiro de Auta Rosa: dizei-me depressa o que é aquela coisa gorda lá no horizonte que não é um barco e que não é um monte, que não é um gêiser e que não é uma ilha mas que em todo caso é uma maravilha, pois não sendo fonte ainda dá-se ao luxo de ter um esguicho que lhe sai do casco igual a um repuxo?
- Aquilo, ó ignorante Aedo e súdito, é o cetáceo mamífero do período eocênico a que chamam baleia, que sem ser bonita também não é feia, eu diria mesmo que  é engraçadinha, e com toda a pinta de bem-educada, só de uma puxada come mil sardinhas.
- Calá, meu Príncipe, se ela for donzela eu queria tanto me casar com ela...
- E muito bem obraria, sórdido Poeta, desse-lhe eu tal ousadia, que lhe ordeno tire imediatamente de suas cogitações, pois todas as baleias me pertencem, fazem parte do meu harém. E como a espécie está em vias de extinção, devido à irrecorrível ambição dos homens, que as transformam em óleo, âmbar espermacete, guano e carne comestível, eu procuro perpetuá-las em madeira, com martelo, formão e goiva, de modo a que sejam sempre lembradas como bicho mais materno da Criação, e ao mesmo tempo o mais plácido, bem-humorado e cheio de dengo, a ponto de haver quem pense que desmunheca feito essas bichas grandes e gordas que saem pulando e dando gritinhos nos banhos de mar a fantasia, durante o Carnaval.
Que coisinha mais fofa! Eu estou inteiramente vidrado, obnubilado, apaixonado por elas, ó poderoso Sultão, e muito honrado me sentiria se, como prêmio aos meus esforços, me fosse dada em casamento a mão, ou melhor, a nadadeira de uma dessas encantadoras e jovens mini baleias que o formão do Mestre grava com tanta graça e poesia, quando vêm apreciar de longe as belezas da cidade do Salvador.
-E se mal lhe pergunto, a que esforços se refere o espúrio Bardo?,
- Aos de ter resistido às tentações do Demônio configurado em homem de muito charme e filáucia, belo, canoso e cheio de retórica: um misterioso aventureiro tido e havido como o Pirata do Rio Vermelho que não se cansa de soprar-me ao ouvido o Poder e a Glória obtidos através de um golpe para usurpar-vos o trono: um
As baleias que no período colonial apareciam
muito pelas bandas de Itapuã é tema de
uma série de gravuras de Calá.
flibusteiro de procedência árabe chamado Caymmi, cujo único intento é apoderar-se do Principado de Itapuã, onde já conquistou uma Praça, para seu gozo pessoal, porque, dono de bela voz e bom tocador de alaúde, pretende destarte cativar com suas canções as ingênuas baleias de vossos mares e, quem sabe, fazê-las dançar sambas-de-roda, lutar capoeira e dar-se a outros desfrutes para seu único e pervertido deleite. Mas eu soube resistir às suas melífluas insinuações e aqui me tendes, poderoso Senhor, vosso servidor humilde e defensor até a morte do sacrossanto Brazão deste falanstério, que fica representado desde já por duas sinuosas baleias azuis tocando-se em V pelos rabos e ladeando um escudo em verde, tendo ao meio, em negro, a figura de Iemanjá, pois diz ter ela renascido nestas águas, em cima, em ouro, a semiesfera superior do Astro Rei- tudo isso sobre fundo branco e sublinhado por um dístico em forma de fita dourada, de pontas unguladas, no qual se lê, em caracteres negros, o doce nome de Itapuã: O Principado Livre e Autônomo de Itapuã em todo o esplendor de suas cores o céu, o mar, a areia, a luz e as águas negras do Abaeté!”.......

Exposições

Individuais: Em 1956 - Porto Alegre-RS - Gravuras e Monotipias, na Galeria Dariano; Caxias do Sul-RS - Gravuras, na Associação de Cultura Franco-Brasileira.1958 - Belo Horizonte MG - Xilogravuras, na Galeria Interiores; Salvador BA - Série Velas, na Galeria Domus. 1959 - Salvador BA - Individual, na Pequena Galeria da Biblioteca Pública.1960 - Belo Horizonte MG - Individual, no MAP; Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Macunaíma.1962 - Salvador BA - Individual, no MAM/BA.1964 - Salvador BA - Série Taigara, na Galeria Querino.1965 - Salvador BA - Xilogravuras, na Galeria Convivium.1966 - Rio de Janeiro RJ - Matrizes de Xilogravuras, na Galeria Bonino; Salvador BA - Matrizes, na Galeria Convivium.1968 - Rio de Janeiro RJ - Gravuras do Álbum das Cabras, na Galeria Bonino; São Paulo SP - Matrizes, na A Galeria.1969 - Rio de Janeiro RJ - Matrizes de Gravuras, na Galeria da Praça.1973 - Lisboa (Portugal) - Gravuras do Livro Tereza Batista, na Galeria da Editora Europa América.1974 - Londres (Inglaterra) - 30 Wood-Engravings by Calasans Neto, na Kendal & Dent Ltda; Washington (Estados Unidos) - Gravuras do Livro Tereza Batista, no The Library of Congress, Hispanic Society Room. 1975 - Salvador BA - Gravuras do Álbum Do Jazz e 10 Monotipias sobre o Tema, na Galeria ACBEU.1976 - Washington (Estados Unidos) - Art Gallery of Brazilian, no Brazilian American Cultural Institute.1978 - Natal RN -

Ilustração exposta no Museu
do Ceará -MUC, em 1981,
 


Onze Gravuras para o Livro Tieta do Agreste, no Teatro Alberto Maranhão; Califórnia (Estados Unidos) - Individual, na California State University; Fortaleza CE - Individual, no Museu da Universidade do Ceará;- Resende RJ - Xilogravura, no MAM/Resende; Goiânia GO - Matrizes, na Casa Grande Galeria de Arte; Brasília DF - Matrizes, na Marchant Marlene Gastal; Lisboa (Portugal) - Xilogravura, na Biblioteca Nacional de Lisboa.1979 - Salvador BA - Monotipias, no Shopping Center Iguatemi.1980 - Quebec (Canadá) - Gravuras, na Université Laval Cité Universitaire.1981 - Califórnia (Estados Unidos) - Individual, na California State University. Em Washington (Estados Unidos) - Paintings and Monoprints, na Washington World Gallery; Fortaleza CE - Gravuras dos Álbuns Tereza Batista Cansada de Guerra e Itapuã, no Museu da Universidade do Ceará; Nova York (Estados Unidos) - Color US Brazilian, na W & J Sloane; Dacar (Senegal) - Semaine Culturelle de Bahia au Theatre Daniel Sorano .1982 - Salvador BA - Gravuras do Álbum Itapuã Sol, na Livraria Civilização Brasileira; Paris (França) - Individual, no Hotel Inter Continental;  Estoril (Portugal) - Gravuras do Álbum Atlantis, na Galeria do Cassino Estoril .1983 - Porto Alegre RS - Pinturas, na Galeria Modus Vivendi; Salvador BA - Pássaros Noturnos do Abaeté, na Art Boulevard Galeria . 1984 - Salvador BA - Monotipias para o Livro A Lenda do Pássaro que Roubou o Fogo, no Núcleo de Arte do Desenbanco; Feira de Santana BA - Monotipias para o Livro A Lenda do Pássaro que Roubou o Fogo, no Museu Regional de Feira de Santana; Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Antônio
Cabras e pássaros do Abaeté, pintura.
Bandeira; Luanda (Angola) - Pinturas, na União de Artistas Plásticos. 1985 - Salvador BA - Individual, no Escritório de Arte da Bahia. 1986 - Maceió AL - Monotipias, na Fundação Pierre Chalita; João Pessoa PB - Monotipias, na Galeria Gamela de Arte Ltda.1987 - Fortaleza CE - Metamorfose, no Imperial Othon Palace; Brasília DF - Dualidade da Metamorfose, na Galeria JBR ; Salvador BA - Dualidade da Metamorfose, na Galeria Anarte. 1988 - Rio de Janeiro RJ - Simbologia da Metamorfose, na Galeria Bonino; Brasília DF - Monotipias, na Casa Thomas Jefferson. 1989 - Salvador BA - Monotipias, na Galeria Cañizares. 1990 - Salvador BA - Fragmentos Urbanos, na Ada Galeria de Arte.1991 - Salvador BA - Crônica em Oito Tempos, na ACBEU.1992 - Salvador BA - Monotipias para o Livro Os Deuses Lares, no Núcleo de Arte do Desenbanco; Lisboa (Portugal) - Monotipias, na Lojas Quintão; Zurique (Suíça) - Metamorfose, no Wellenberg Hotel; Salvador BA - Individual, na Roberto Alban Galeria de Arte; Salvador BA - 25 Monotipias: Tereza Batista e Tieta. Exposição Comemorativa dos 80 Anos de Jorge, na Fundação Casa de Jorge Amado. 1993 - Salvador BA - Pinturas, na Galeria Prova do Artista/Hotel Sofitel. 1994 - Salvador BA - Monotipias, na Galeria Companhia das Índias.1995 - Fortaleza CE - Gravuras Ponta-Seca e Buril, na Galeria Jorge Amado da Aliança Francesa; Campos do Jordão SP - Gravuras, na Casa da Xilogravura. 1996 - Salvador BA - Gravuras do Livro História Natural de Pablo Neruda, de Vinicius de Moraes, no MAM/BA. 1997 - Salvador BA - Gravuras Ponta-Seca e Buril, na ACBEU; Salvador BA - Pinturas, no Espaço Calasans Neto ; Bagé RS - Gravuras, no Museu da Gravura Brasileira; Cachoeira BA - Individual, na Fundação Museu Hansen Bahia; Brasília DF - Gravuras Ponta-Seca e Buril, na Casa Thomas Jefferson.1998 - Salvador BA - Frutaria. Monotipias, na Associação Cultural Dante Alighieri; Salvador BA - Monotipias, na Galeria da Fundação Casa de Jorge Amado; Salvador BA - Lagoa e Mar, no MAM/BA. 1999 - Feira de Santana BA - Calasans Neto: pinturas, na Galeria de Arte Carlo Barbosa. 2000 - Salvador BA - Individual, no MAM/BA.

Coletivas Calasans Neto participou de inúmeras coletivas e salões aqui e no exterior. Veja algumas delas: Em 1952 - Feira de Santana BA - 1ª Exposição de

Pintura de Calá , mostrando sensualidade
com poucos traços.
Arte Moderna de Feira de Santana, no Banco Econômico. 1956 - Salvador BA - Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumaré.1958 - Belo Horizonte MG - Gravura Brasileira, no MAP; Salvador BA - Pinturas, no Forte de Monte Serrat .1959 - Salvador BA - Inauguração do Museu de Arte e História da Bahia .1960 - Rio de Janeiro RJ - 9º Salão Nacional de Arte ; Rio de Janeiro RJ - Artistas Novos da Bahia, na Galeria do Ibeu;  Rio de Janeiro RJ - Três Artistas Baianos, na Galeria Macunaíma;  Salvador BA - Sete Artistas Modernos da Bahia, no MAM/BA ;  São Paulo SP - 9º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia. 1962 - Paris (França) - 2ª Exposição Internacional de Cartazes de Cinema Contemporâneo; Rio de Janeiro RJ - Artistas Novos da Bahia, na Galeria do Acbeu. 1963 - Paris (França) - Jovens Gravadores Brasileiros, na Casa do Brasil.  Salvador BA - Artistas do Nordeste, no Museu de Arte Popular do Unhão. 1964 - Rio de Janeiro RJ - Artistas da Bahia, no Copacabana Palace; Salvador BA - Artistas Abstratos da Bahia, no Instituto de Cultura Brasil-Alemanha. 1965 - Salvador BA - A Gravura da Bahia, na Galeria Convivium. 1966 - Madri e Barcelona (Espanha) - Artistas da Bahia, no Instituto de Cultura Hispânica; Salvador BA - 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas - sala especial; Washington D. C. e Filadélfia (Estados Unidos) - Artistas Baianos. 1967 - Rio de Janeiro RJ - Ciclo de Estudos da Arte Brasileira, na Galeria Macunaíma; São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria. 1968 - Rio de Janeiro RJ - Cartazes de Cinema Internacional, no MAM/RJ; Salvador-BA - Grande Leilão, na Galeria Renot. 1969 - Rio de Janeiro RJ - Grandes da Bahia, na Galeria Irlandini. 1970 - São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria; São Paulo SP - Feira de Arte, na A Galeria. 1971 - Fortaleza CE - Artistas da Bahia, na Galeria Vila Rica; Rio de Janeiro RJ - Álbum de Gravura Sete Gravadores, na Mini Gallery; Rio de Janeiro RJ - Arte Jovens da Bahia, na Galeria Voltaico; Rio de Janeiro RJ - Artistas Plásticos da Bahia, no Teatro Castro Alves; Salvador BA - Coletiva, no Banco Crefisul; São Paulo SP - 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP; São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria; São Paulo SP - Entalhadores Baianos, na A Galeria. 1972 - Belo Horizonte MG - Artistas Baianos, na Galeria Ami; Belo Horizonte MG - Três Artistas da Bahia, na Galeria Guignard; Milão (Itália) - Artistas Baianos, na Galeria Chettini; Salvador BA - Homenagem ao Livro Gente da Terra, de Antonio Celestino, no MAM/BA; Salvador BA e Recife PE - Arte Bahia Hoje, no MAM/BA; São Paulo SP - 50 Anos da Arte Moderna no Brasil da Semana de 22, na A Galeria; São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria; São Paulo SP - Gravadores, na A Galeria. 1973 - Belo Horizonte MG - Jorge Amado e os Artistas de Tereza Batista, na Galeria Ami Brasil;
Natureza morta com trutas, de sua autoria.

a DF - Exposição 4 Baianos, na Múltipla Galeria de Arte; Salvador BA - Exposição Didática de 22 Artistas Baianos, na Fundação Patrimônio Cultural da Bahia;  Salvador BA - Homenagem a Genaro de Carvalho, na Galeria Berlinda.1974 - Rio de Janeiro RJ - O Cartaz do Cinema Brasileiro, no MAM/RJ ;  Rio de Janeiro RJ - Pequena História da Pintura Brasileira, na Mini Gallery;  São Paulo SP - Artistas da Bahia, na A Galeria. 1975 - Nova Orleans (Estados Unidos) - Álbum Do Jazz, no New Orleans Jazz Museum; Salvador BA - Coletiva, na Galeria Tempo; Salvador BA - Festival da Arte Bahia, na Galeria Cañizares; São Paulo SP - A Mulata Brasileira, na A Galeria; Washington D. C. (Estados Unidos) - Quatro Artistas da Bahia, na Art Gallery of the Brazillian American Cultural Institute. 1976 - Cachoeira BA - 1º Festival de Inverno da Cidade de Cachoeira; Salvador BA - Acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia, no MAM/BA; Salvador BA - Coletiva, na Galeria Arco-Íris; Salvador BA - Coletiva, na Panorama Galeria Arte; São Paulo SP - Coletiva, na A Galeria. 1977 - Natal RN - Coletiva, na Biblioteca Câmara Cascudo;  Salvador BA - A Gravura na Bahia, no MAM/BA;  Salvador BA - Centenário da Escola de Belas Artes da Universidade da Bahia, no MAM/BA; Salvador BA - Coletiva, na Galeria Grossman;  Salvador BA - Coletiva, na Panorama Galeria Arte; São Paulo SP - 9º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP. 1978 - Salvador BA - Bahia Arte Versão 78, na Eucatexpo;  Salvador BA - Coletiva, na Galeria Grossman;  Salvador BA - Exposição do Verde, no Centro de Turismo de Natal; Salvador BA - Gravura Brasileira, na Galeria Grossman. 1979 - Salvador BA - Coletiva, na sede do Citibank; São Paulo SP - Coletiva, na A Galeria. 1980 - Estoril (Portugal) - Seis Artistas da Bahia, na Semana da Bahia no Estoril; Fortaleza CE - 11 Artistas da Bahia, no Museu de Arte da UFCE; Salvador BA - Coletiva, no Bistrô do Luiz; Salvador BA - Gravura Arte Maior, no Museu Costa Pinto; São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Grossman. 1981 - Salvador BA - 1º Salão de Veteranos e Novas, na Vilas do Atlântico; Salvador BA - 5 Artistas, no Hotel Le Merídien Bahia; Salvador BA - Coletiva, na Época Galeria; São Paulo SP - Coletiva, na Galeria Grossman. 1982 - Bilbao (Espanha) - Artender 82. Muestra Internacional de Arte Gráfico;  Brasília DF - Três Artistas da Bahia, na Casa Thomas Jefferson;  Londres (Inglaterra) - Brazilian Exhibition, no The Wraxall Gallery;  Londrina PR - Coletiva, na Galeria Bahiarte;  Maracaibo (Venezuela) - 2ª Bienal del Grabado da América, no Museu Municipal de Artes Gráficas; Salvador BA - A Bahia Vista por Seus Artistas, no Shopping Itaigara; Salvador BA - Artistas Plásticos Contemporâneos no 4º Encontro Monástico Latino-Americano; Salvador BA - Artistas Baianos, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli; Salvador BA - O Espaço da Cultura, na Galeria de Arte Alberto Bonfiglioli;  São Paulo SP - 15ª Exposição de Arte Contemporânea, na Chapel Art Show.1983 - Porto Alegre RS - A Paisagem através de Artistas Brasileiros, na Galeria Modus Vivendi; Salvador BA - Influência do Candomblé na Arte da Bahia. Comemoração dos 90 Anos de Mãe Menininha do Gantois, no MAB; Salvador BA - Os Sertões de Euclides da Cunha, no MAM/BA; São Paulo SP - Coletiva, no Chapel Art Show.1984 - Curitiba PR - 6ª Mostra da Gravura Cidade de
Uma excelente monotipia de Calasans Neto.

Curitiba - A Xilogravura na História da Arte Brasileira, na Casa Romário Martins; Dacar (Senegal) - Exposição Afro-Bahia, na A Galeria Nationale; Rio de Janeiro RJ - A Xilogravura na História da Arte Brasileira, na Funarte. Galeria Sérgio Milliet; Salvador BA - 1ª Mostra Sul América de Arte Baiana, no Bahia Othon Palace; São Paulo SP - 15º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP; São Paulo SP - 17ª Exposição de Arte Contemporânea, na Chapel Art Show.1985 - Costa Rica (América Central) - Arte Afrobaiana, no Temporales; Rio de Janeiro RJ - Coletiva, na Way Galeria de Arte; Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ;  São Paulo SP - 18ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal. 1986 - Brasília DF - Baianos em Brasília, na Casa da Manchete;  Havana (Cuba) - 2ª Bienal de Havana; Salvador BA - Bahia de Todas as Artes, Convenção Latino-Americana da IBM, no Centro de Convenções da Bahia; Salvador BA - Reflexões, na Art Boulevard Galeria.1987 - Itaparica BA - Coletiva, no Club Mediterranée; Itaparica BA - Coletiva, no Galeão Sacramento; Salvador BA - 12 Artistas Brasileiros, na Anarte Galeria; Salvador BA - Coletiva, na Galeria Rodin; São Paulo SP - 20ª Exposição de Arte Contemporânea, na Chapel Art Show.1988 - Estoril (Portugal) - Exposição Comemorativa dos 50 Anos de Vida Literária do Escritor Fernando Zamora, no Cassino do Estoril; Porto Alegre RS - Coletiva, na Sala Aurora de Arte; Salvador BA - Coletiva, na Galeria da Câmara Municipal; Salvador BA - Coletiva, no Shopping Barra;  Salvador BA - Os Ilustradores de Jorge Amado, na Fundação Casa de Jorge Amado;  Salvador BA - Projeto Verão, no MAM/BA; São Paulo SP - Semana de Arte Baiana, no Hotel Transamérica. 1991 - Fortaleza CE - Baianos Homenageando Floriano Teixeira, no Escritório de Arte do Ceará; Salvador BA - Rosa Ibarra e Calasans Neto, na ACBEU. 1992 Rio de Janeiro RJ - Eco Art, no MAM/RJ; Salvador BA - Interpretando a América, na ACBEU; Salvador BA - Universo Amado, na Anarte Galeria. 1993 - João Pessoa PB - Xilogravura: do cordel à galeria, na Funesc. 1994 - São Paulo SP - Xilogravura: do cordel à galeria, no Metrô.1995 - Salvador BA - Artistas Contemporâneos da Bahia, na Galeria Cañizares; São Paulo SP - Gravadores Brasileiros na Tríade, no Clube da Gravura; 1996 - Salvador BA - Homenagem ao Presidente do Chile Eduardo Frei, no MAM/BA .1997 - Feira de Santana BA - Doze Artistas Brasileiros, no Espaço Cultural de Feira de Santana; Rio de Janeiro RJ - Quinze Monotipias Semana da Bahia, no Hotel Intercontinental;  Salvador BA - Um Brinde ao Café, no Espaço Cafelier. 1999 - Curitiba PR - Arte-Arte Salvador 450 Anos, na Fundação Cultural de Curitiba. Solar do Barão; Rio de Janeiro RJ - Arte-Arte Salvador 450 Anos, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro; Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. Gravura Moderna Brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes, no MABA; Salvador-BA - 100 Artistas Plásticos da Bahia, no Museu de Arte Sacra; - Salvador BA - Arte-Arte Salvador 450 Anos, no MAM/BA. 2000 - São Paulo SP - Investigações. A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural. 2001 - Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural; Penápolis SP - Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

MAAZO HECK EXPÕE "TUDO SOBRE MIM" EM SÃO PAULO

 

Maazo Heck com uma obra .
O artista visual  Maazo Heck exporá a partir do próximo dia vinte e três no Espaço República, na Avenida São Luiz, 86, no 5º andar, no Centro de São Paulo suas novas obras com o título  Tudo Sobre Mim. Ele apresentará vinte e cinco pinturas inéditas que produziu nos últimos cinco anos e marca a sua primeira mostra individual na capital paulista. A temática gira em torno da falta de humanidade nas grandes cidades e a sensação de impotência que sentem as pessoas, principalmente as mais sensíveis. Como parte da programação os organizadores informam que o público poderá participar de duas atividades gratuitas conduzidas pelo artista Maazo Heck e pela curadora da mostra Michaela A F.

A primeira atividade será no dia vinte e cinco de julho a partir das quinze horas com uma demonstração prática de pintura ao vivo, seguida de uma conversa sobre o seu processo criativo, a pesquisa artística e os conceitos que permeiam a exposição. No dia primeiro de agosto, também a partir das quinze horas os visitantes acompanharão uma visita guiada com o artista e a curadora que falarão sobre os detalhes das obras, a simbologia presente e os caminhos que resultaram nesta mostra.

                                                           FIGURAÇÃO / ABSTRAÇÃO

Maazo durante a montagem de
sua exposição.
As pinturas expostas vão desde a figuração até a abstração. Depois das dobras que o
Maazo já nos apresentou anteriormente, agora ele vem com corpos parcialmente ocultos por tecidos dividindo espaço com imagens que se aproximam de símbolos, criando composições de forte impacto visual em que as dobras, os volumes e as formas assumem o protagonismo. Lembram das pinturas hiper-realistas que o Maazo Heck fazia aqui em Salvador pintando lindas formas de mulheres envolvidas por cores que nos remetiam ao sublime, a poética da feminilidade?

Dizem os organizadores que “o título Tudo Sobre Mim carrega uma ironia. Embora a série tenha origem nas inquietações pessoais do artista, as pinturas não propõem uma narrativa autobiográfica." A série nasceu de sua angústia e a falta de humanidade. Ele diz conviver diariamente com cenas que lhe atravessam e permanecem com ele. A pintura foi a forma que encontrou “de transformar esses incômodos em reflexão”. Ele é paulista de nascimento, mas morou muitos anos em Salvador e se graduou pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, em Artes Plásticas. Disse ainda o Maazo que “uma exposição sempre muda quando sai do ateliê e encontra o público e que é neste momento que o trabalho ganha dimensão.” Sua expectativa é que as pessoas percorram esse caminho com ele e construam suas próprias interpretações.

terça-feira, 14 de julho de 2026

SEMANA MOVIMENTADA NAS ARTES VISUAIS

 EXPOSIÇÃO MANTOS ENTRELAÇADOS NA CAÑIZARES

Luciana Valio
trabalhando.

A artista Luciana Valio vai expor a partir do próximo dia dezessete na Galeria Cañizares , em Salvador, uma série de trabalhos em homenagem a professora e artista visual Viga Gordilho, que também faz a curadoria da exposição que tem o nome sugestivo de Mantos Entrelaçados. Está prevista que no dia da abertura por volta das dezoito horas uma performance com as obras expostas. Informam as artistas que a exposição é resultado de uma pesquisa desenvolvida durante o estágio de pós-doutorado realizado em 2025 no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escolas de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – EBA.  As obras são resultado de experiências que a artista vivenciou na Bahia e no Rio Grande do Sul “buscando construir uma etnografia própria reconhecendo seu chão a partir do encontro com o outro. Nesses percursos, territórios e materialidade entrelaçam-se, orientando as escolhas das técnicas têxteis entendidas como portadoras dos sabores ancestrais de cada lugar”.

Serão expostos mantos, cestos e outros objetos artísticos produzidos a partir do encontro com diferentes paisagens, saberes e materiais encontrados ao longo da pesquisa entre palhas, areia, folhas, ervas, flores e até cera de abelha. Certamente diz a artista cada um dos elementos traz consigo memórias, modos de fazer e relações de cuidado. “O ato de tramar, presente em toda a exposição, ultrapassa a dimensão técnica para afirmar-se como gesto de permanência, resistência e construção coletiva. Um gesto inscrito no corpo performa a ação cotidiana do trançado, envolvido com a vida comum”. A mostra homenageia Viga Gordilho por meio da obra Alloro, também dedicada a todas as mulheres silenciadas.

A Luciana Valio é uma artista visual, pesquisadora e professora universitária. Ela investiga as relações entre a arte têxtil, corpo, território, materialidade e saberes ancestrais, desenvolvendo trabalhos que articulam práticas artísticas, pesquisa e extensão em diálogo com as comunidades artesãs de diferentes lugares. Ela é paulista onde nasceu em 1978, vive entre Campinas, no interior de São Paulo e no Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul. Desde 2016 que vem trabalhando fundindo a arte e a natureza utilizando têxteis e os fazeres manuais. Suas performances mostram a conexão entre Corpo, natureza e o mundo espiritual (Cosmos).

A professora, artista visual e curadora Viga Gordilho escreveu que o Manto Alloro “é o silêncio transformado em trama coletiva”. O surgimento dessa escultura têxtil surgiu há muitos anos, quando ela conheceu a escultura de Bernini, sobre o mito de Dafne, perseguida por Apolo, ela é transformada por seu pai em um loureiro. Este mito nunca teria saído do seu imaginário  e Viga confessa que sempre teve uma grande vontade de fazer algo a respeito do silêncio feminino.  A escultura Apolo e Dafne encontra-se na Galleria Borghese, em Roma, e retrata o exato momento em que a ninfa se transforma num loureiro para fugir do deus Apolo. A obra é famosa por seu realismo e foi feita pelo escultor Gian Lorenzo Bernini entre os anos 1622 e 1625. A escultura impressiona a todos que tem a oportunidade de vê-la de perto por seu realismo extremo , onde o mármore parece ter movimento e leveza. Ao lado Viga Gordilho com seu manto.


         CAETANO DIAS LANÇA LIVRO ÁGUA BRUSCA

O artista visual  Caetano Dias que é pintor, escultor, cineasta e escritor  lançará no próximo dia  18, às 10.30 horas, na Paulo Darzé Galeria , no Corredor da Vitória, em Salvador,  o seu livro Água Brusca ,com  quatrocentas páginas, onde  através de um

conto discorre sobre a importância da rabeca, este instrumento musical rudimentar que ainda é fabricado e muito utilizado nas manifestações populares especialmente nas comunidades rurais. Este instrumento de cordas friccionadas é chamado de pai do violino e chegou à Europa trazida pelos árabes e depois ao Brasil pelos colonizadores portugueses. A rabeca se popularizou no Brasil na música popular e no folclore, sendo ainda tocada no Nordeste , nos fandangos caiçaras e em festas populares como bumba-meu-boi. O livro de Caetano Dias contém poemas, contos além  muitas ilustrações e fotografias de Eliezer Bezerra e Márcio Lima, dentre outros . Disse o artista que o livro é quase uma novela e traz este universo mítico que ele vem se dedicando há algumas décadas . Inicialmente fez um longa  metragem  A Rabeca , que recebeu alguns prêmios em festivais de cinema . Fez também Caboré de Sangue, um  curta-metragem sobre um boiadeiro que atravessa o sertão de Canudos e faz uma passagem através de rituais. O protagonista recolhe vestígios da Guerra de Canudos   forja um Alfabeto Sinestésico e reescreve a memória do massacre. Ele fez também uma ligação entre a Rabeca e a Guerra de Canudos. Todos constam do livro.

Obra do autor inserida no livro.
A trama principal do livro se desenvolve no Raso da Catarina, uma região inóspita e de grande beleza natural, onde costumava se homiziar o bando de Lampião quando era muito perseguido pelas volantes . Disse o autor que tem o personagem principal do conto que é o Cândido e também um deus africano incógnito que teria sido capturado na África e traficado para cá sem seus algozes saberem de quem se tratava. Já o  nome Água Brusca  teria se inspirado num pequeno rio seco, tão comum nas regiões áridas nos chamados pequenos rios e riachos temporários cujas águas são revoltosas e abundantes no período chuvoso e  na estiagem, especialmente durante o verão, ficam mostrando o seu leito, e com as ventanias e redemoinhos se transformam em pequenas tempestades de areia e poeira. Vemos que  é um caleidoscópio de imagens e  situações criadas pela fértil imaginação do autor, sempre com uma pitada de espiritualidade e misticismo.


sábado, 11 de julho de 2026

GERALDO BONELLI UM ARTISTA SINGULAR NA VIDA E NA ARTE

O artista Geraldo Bonelli  pintando
em sua casa no bairro de Nazaré.

O artista Geraldo Bonelli Borges,   assina suas obras como Geraldo Bonelli é desenhista, ilustrador e pintor. Graduado em Direito, mas a arte o trouxe para a EBA onde também se graduou em Artes Plásticas e passou a frequentar a escola como se fosse sua segunda casa. Lá trabalhou como monitor das aulas de Desenho dos professores Riolan Coutinho, Juarez Paraíso e Márcia Magno, e fazia os trabalhos de sinalização, cartazes para exposições da Galeria Cañizares, faixas e outros serviços de ilustração. Tinha um local no chamado Porão, na Galeria Cañizares, que era um pequeno espaço onde construiu o seu mundo. Bonelli, como é carinhosamente chamado por professores e alunos é um artista singular, que tem uma produção calcada na pureza, na singeleza e até na ingenuidade com que pinta as figuras humanas de suas composições. Elas sempre estão caminhando em verdes estradas, contemplando o mar ou uma cena rural, namorando, dançando e até mesmo flutuando sobre o mar, perto da Lua. Ele me disse que procura pintar como se estivesse fazendo uma poesia. É exatamente neste ambiente poético, lírico, onírico e quase surreal que surgem essas figuras criadas por Bonelli, sempre magras lembrando ilustrações de poemas ou contos da literatura universal. As cores que identificam também as suas obras são quase sempre verdes, azuis e amarelos atenuados as quais  contribuem para criar esta ambientação poética. A própria vida simplória que escolheu para trilhar se encaixa perfeitamente com sua arte. Uma vida e uma arte singulares.

Vejam a singeleza e o ambiente de ingenuidade
em que as figuras humanas estão inseridas
 nas pinturas do Bonelli.
Juntamente com seu amigo Duda - que se notabilizou como impressor e por suas  gravuras, o qual já o entrevistei e publiquei um texto que está disponível nesta coluna desde março de 2023 - a dupla transformou as instalações da EBA em uma espécie de segunda casa. Viviam por lá diariamente envolvidos com a gravura, pintura e fazendo alguns serviços. Hoje com as idades avançadas e limitações de locomoção e outros problemas de saúde não têm se encontrado. 

Disse o Geraldo Bonelli que até conseguiu o número de um telefone atribuído ao amigo Duda e fez algumas ligações na tentativa de falar com ele, mas infelizmente ainda não conseguiu. O artista Geraldo Bonelli participou juntamente com seu amigo de várias Feiras de Arte que foram criadas pela professora Márcia Magno e que fizeram sucesso na época. Ele participou em 1991 do 1º Leilão de Arte da Escola de Belas Artes da UFBA; em 1993 expõe individualmente na Galeria Cañizares; Em 1994 da I Bienal Internacional Afro-Americana de Cultura , em Salvador e  outro registro sobre o artista  encontra-se  na Enciclopédia Itaú, onde está registrado que  expôs no mesmo ano na II Bienal do Recôncavo em São Félix, na Bahia. Em 2007 participou com seu amigo

A dupla na exposição,1994.
Duda de uma exposição na Galeria Cañizares intitulado a Duda & Bonelli – Mares e Bares; ganhou o prêmio de ilustrador no concurso Ilustre o Poema, promovido pelo jornal A Tarde e a EBA para ilustrar o poema O Garimpeiro da poetisa Nildéia Andrade, quando recebeu cinco mil cruzeiros, dinheiro da época. Foi Artista em Destaque em 2008 promovido pela EBA também de algumas exposições promovidas pela Marinha do Brasil, na data em que se comemorara o Dia do Marinheiro no chamado Salão da Bahia Marinhas . Chegou até a tirar o primeiro lugar em 2010 com a obra Mares e Bares na Festa de Iemanjá,  na sua VIII Edição, e algumas menções honrosas em outras mostras coletivas. 
Pintou juntamente com Juarez Paraíso, Renato Viana, Márcia Magno e mais outros  , num total de vinte e nove artistas, um painel no Cine Glauber Rocha quando  retratou alguns ícones da cinematografia internacional, especialmente de Hollywood, sentados como estivessem assistindo um filme na sala de projeção. Este projeto fez parte da   XVIII Jornada Internacional de Cinema da Bahia ocorreu em setembro de 1991, em Salvador, sendo um marco histórico para os festivais de documentários e produções de caráter social e político no país

Quatro obras em acrílica sobre tela atestam
a pintura  poética singular do Bonelli.
Depois de trabalhar como monitor dos professores Riolan Coutinho, Juarez Paraíso e Márcia Magno, ficou realizando pequenos serviços por alguns anos.  Revelou que se tornou funcionário efetivo num desses “trens da alegria”, que de vez em quando acontece na administração pública em nosso país.
Outra curiosidade é que ele mora na Travessa Padre Miguelinho, que fica nos fundos do Hospital Ramiro de Oliveira, localizado no Campo da Pólvora. Quase ninguém nota e poucos conhecem esta Travessa  onde não passa carro. O Padre Miguelinho foi um revolucionário brasileiro conhecido por sua atuação na Revolução Pernambucana. Batizado  Miguel Joaquim de Almeida e Castro  , nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte em 17 de setembro de 1768  . Foi arcabuzado em  Salvador, 12 de junho de 1817, no Campo da Pólvora, acusado de lesa-majestade. Ele tinha desembarcado aqui com outros revoltosos que também foram castigados.

                                     TRAJETÓRIA

O desenhista, ilustrador e pintor Geraldo Bonelli Borges nasceu na cidade de Itabuna, na Bahia, em dez de abril de 1950. Cursou o primário da Escola Luso Brasileiro e o ginasial e colegial no Colégio Estadual de Itabuna. Seu pai Abel Vital Borges era dentista a sua mãe Maria Angelina Bonelli professora de piano.
Geraldo Bonelli , sem camisa, pintando no
andaime no Cine Glauber Rocha.

Pouco tempo antes da grande enchente que ocorreu em Itabuna a família se transferiu para Salvador.Disse que perdeu  nesta enchente muitos desenhos que produziu durante a sua juventude . Isto foi no ano de 1967 e foram morar na Avenida Dom João VI, no bairro de Brotas. Depois se transferiram para a casa onde morou com seus avós na Travessa Miguelinho, no bairro de Nazaré onde Bonelli reside até hoje. Ele chegou também a passar uns tempos com os avós paternos no bairro da Ribeira. Fez vestibular para Direito em 1971 sendo aprovado e cursou até ser graduado em 1976, mas nunca exerceu a profissão de advogado. Desde jovem que gostava de desenhar e a arte foi lhe conduzindo até que decidiu fazer o vestibular para a Escola de Belas Artes em 1980. Como tinha facilidade em desenhar trabalhou como monitor de desenhos com os professor Riolan Coutinho, Juarez Paraíso e Márcia Magno. Como sempre foi boêmio muitas vezes ao término das aulas acompanhava o professor Riolan Coutinho em suas investidas pelos bares que funcionavam no entorno da Escola de Belas Artes.  Lembrou que concluiu  o curso na EBA com três anos e meio, em 1983. Não fez a disciplina Educação Física porque já tinha mais de trinta anos, e por isto foi dispensado.  Em 1987 conseguiu se efetivar e continuou trabalhando até 2024,  quando foi aposentado por tempo de serviço.

Bonelli esperando visitantes numa das feiras 
que participou na EBA, com um cigarro
nas mãos. Fumou por décadas.
 Quando fez sua  exposição na EBA em 1993 escreveu  professora, escultora e pintora Márcia Magno :  “Geraldo Bonelli Borges ou simplesmente Bonelli expõe pela primeira vez os seus trabalhos no Painel – Artista em Destaque da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Trata-se de um verdadeiro artista que sem dúvida merece um destaque especial, independentemente de ser uma das pessoas mais populares e queridas da Escola de Belas Artes Bonelli com seu temperamento gentil, boêmio e tranquilo conseguiu conquistas todos os professores, funcionários e alunos transformando a Escola de Belas Artes na sua casa e o “Porão” no seu atelier de trabalho. É lá que Bonelli desenha, “pinta e borda.” É onde esconde a sua coleção de telas :é o seu mundo. Ele é admirado por todos que passam a conhecer a sua integridade percebem nos seus trabalhos uma autêntica linguagem plástica pessoal e de grande espontaneidade. Formado em Direito pela UFBA e posteriormente em Artes Plásticas, Bonelli e exerce com habilidade a linguagem verbal e a linguagem pictórica. A obra de Geraldo Bonelli é fruto da persistência e do talento e nela a cada momento, descobre-se algo inédito e curioso. Seus personagens, altamente estilizados transformam-se em figuras lânguidas numa sequência de formas e movimentos dando a impressão de estórias sequenciadas, bem solucionados pelo grande desenhistas e caricaturista que é.

Obra de Bonelli  premiada no Salão Bahia
Marinhas  na sua VIII Edição, em 2010
.
O tema abordado atinge a todos de uma forma bastante particular, refletindo momentos singulares de nossa vida, num ambiente melancólico, onde o sonho e a magia são contagiantes e construtores de uma atmosfera surrealista. Bonelli usa tons pálidos e seus azuis e verdes conferem aos trabalhos uma certa sobriedade e indagação, sendo significativos o contraste e a leveza dos seus personagens. Suas composições são expressivas e sempre caracterizadas por uma diversidade de situações inusitadas. Bonelli domina o pincel e o lápis com a mesma facilidade. É como se fosse uma extensão do seu próprio corpo. É um exemplo típico da vocação artística, de dedicação que revela e materializa o talento.”

COLUNA ARTES VISUAIS - No dia catorze de setembro do mesmo ano publiquei na minha coluna Artes Visuais um pequeno texto que agora transcrevo:” Geraldo Bonelli na Cañizares: Desde o último dia 9, a Galeria Cañizares está expondo pinturas do artista plástica Geraldo Bonelli, permanecendo aberta até o próximo dia 30. Nascido em Itabuna, Bonelli diplomou-se em Direito e em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia. Suas telas retratam momentos singulares da vida num ambiente melancólico onde o sonho e a magia envolvem seus personagens de uma forma quase surrealista. Sua característica essencial é o constante movimento dado à figura humana, suas posturas, emoções e seus dias após noites envolvidas numa atmosfera essencialmente boêmia, lírica e romântica. Geraldo

Obra feita com hidrocor em 1971 ,quando 
na época havia uma onda psicodélica.
Bonelli utiliza tons pálidos e os azuis e verdes confere, certa sobriedade a esses momentos.

HERBERT MAGALHÃES – Também o então professor da EBA Herbert Magalhães escreveu e publicou um texto com uma entrevista de  perguntas e respostas. O recorte guardado pelo artista não traz a data precisa com o título "Bonelli, Com Certeza! Ele é mais do que conhecido na Escola de Belas Artes. Difícil não o encontrar lá dentro, ocupado em algumas tarefas. Igualmente difícil é vê-lo mal-humorado ou desanimado. Refiro-me naturalmente a Geraldo Bonelli Borges ou apenas Bonelli. Quem o vê na simplicidade de suas atitudes, e na sua modéstia, não diz que ele é bacharel em Direito, mas que o destino o fez trilhar os caminhos da arte. Fui encontra-lo no seu cantinho, um pequeno espaço no porão da Galeria Cañizares, pintando um cartaz para a Escola, pois lá ele é o responsável pela realização de cartazes, sinalizações, faixas etc." A seguir vem as oito perguntas e as respostas do Bonelli que não transcrevo por limitação do espaço.