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sábado, 12 de setembro de 2026

ISAÍAS DE CARVALHO E SEU PONTILHISMO EM PRETO E BRANCO

Isaías de Carvalho desenhando com sua
caneta de nanquim olhando uma foto
  da Cidade de Salvador.
 O arquiteto, desenhista, professor e escritor Isaías de Carvalho vem há décadas realizando um trabalho artístico que demanda uma grande observação e paciência porque ele vai construindo as imagens a partir de pontinhos muito singelos com uma caneta de tinta nanquim, tão conhecida e inventada pelos chineses há séculos. Esta tinta é feita de partículas de carbono chamado de negro de fumo suspensas em água, estabilizadas com goma arábica ou gelatina. A Cidade do Salvador é o tema de suas obras monocromáticas e confessa no livro que publicou  Salvador em Preto e Branco quando escreveu nas primeiras páginas que sua obra é uma conexão lógica já que foi professor por longos anos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo,  da Universidade Federal da Bahia. Seu olhar é diferenciado em relação a nós seres comuns porque está presente em seu olhar de observador não só a teoria do urbanismo, mas também a prática de ver as diferenças nas vias, nas edificações , nos usos dos espaços e  na volumetria . Disse a arquiteta e urbanista brasileira Raquel Ronilk que   “as cidades refletem as formas como se organiza a sociedade, e se ela é dinâmica, se é viva, não há como evitar as transformações”. 

Vemos a Praça Cairu vista do alto. Isaías
mostra a Cidade pulsando durante a noite na
Festa de Nossa Senhora da Conceição da
Praia. A foto  original é do Acervo de João
Cipriano Brasileiro.
.
Com seu olhar e sua caneta de nanquim ele capta  e registra  as mudanças que a Cidade passa. Estamos falando não apenas de uma grande área urbana com alta concentração de pessoas, moradias, comércios e serviços, mas de um ser vivo que cresce para cima e para baixo, para todos os lados, que deixa partes de seu corpo sem vida, basta olhar os centros de muitas cidades por este mundo a fora. Também se regenera e  essas transformações estão presentes no trabalho do arquiteto-desenhista. Ele começou criando suas obras a partir de fotos de  retratos de seus familiares e depois das feitas  nos anos 40 e 50 por seu tio Adriano Coelho  Messeder. Seu tio ilustrou com suas fotos  livros da  historiadora Marieta Alves  sobre igrejas e irmandades religiosas da Bahia. Em seguida Isaías de Carvalho passou a escolher outras fotos antigas e atuais que retratam tempos passados e presentes de nossa Salvador e com elas reproduz usando minúsculos pontos pretos e espaços negros e vazados reproduzindo  toda a beleza e a grandiosidade da expansão urbana e a nostalgia de outrora.

                                             TRAJETÓRIA

Veja os centenas de pontos que o artista usou
para retratar a Ladeira de São Bento em meados
do século XIX. Baseado num cartão postal.
O arquiteto Isaías de Carvalho Neto nasceu em Salvador em dois de fevereiro de 1942. É filho do comerciante Isaías de Carvalho Filho e Maria de Lourdes Messeder de Carvalho Santos. No ano de quarenta e nove, quando tinha apenas sete anos de idade seu pai foi acometido por uma tuberculose e teve que ir para São Paulo em busca de tratamento de saúde e, os quatro filhos do casal foram morar com parentes. Foi assim que Isaías de Carvalho e um irmão foram para a cidade de Ilhéus enquanto os dois outros ficaram aqui morando com a historiadora Marieta Alves. Ao término do tratamento seu pai voltou e assim pode concluir o curso primário na Escola Ana Nery que funcionava na Rua do Caquende, no bairro  de Nazaré. Esta região chamada de  Caquende é uma antiga área histórica que hoje abriga o Condomínio do Edifício do Caquende e o Solar De Maria localizado na Avenida Joana Angélica, nº 1536. A área pertencia antigamente com Barão de Caquende e as terras se estendiam abrangendo os atuais bairros de Nazaré, Saúde e Tororó. 
A Pesca do Xaréu, desenho
 feito a partir de  foto de 1950.


Voltando ao jovem Isaias de Carvalho Neto em 1954 seus país resolveram colocar um seu irmão para estudar no Ginásio Santo Antônio, que funcionava na histórica cidade de  São João Del Rei, estado de Minas Gerais, tido como um bom ginásio e de regime rígido na disciplina . Seu pai perguntou se ele iria para acompanhar o seu irmão. Isaías aceitou e assim foram para Minas Gerais estudar. Voltou anos depois e foi terminar o colegial no Colégio de Aplicação, que funcionava no tradicional prédio da Avenida Joana Angélica, que pertencia a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal da Bahia. A diretora era a professora Leda Jesuína, e lá permaneceu até a conclusão do colegial em 1968. Lembra com alegria a qualidade do ensino no Colégio de Aplicação que proporcionava aos alunos fazer teatro, canto e outras atividades enriquecendo o seu conhecimento, e também da vice-diretora professor Maria Angélica Matos, que era muito presente junto aos alunos.

A Baía de Todos os Santos repleta de velas
brancas dos saveiros e veleiros. Foto de
Adriano Coelho Messeder.
Em 1962 fez vestibular para a Faculdade de Arquitetura, que funcionava no Corredor da Vitória e ainda era ligada a Faculdade de Belas Artes. Recordou que nos finais da década de 50 houve um movimento para separar as faculdades de Arquitetura da Escola de Belas Artes e que os alunos e professores ocuparam um casarão que existia defronte ao atual Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória. Quando se transferiu para a Federação em 1963 o casarão sediou a Escola de Nutrição, hoje tem um prédio de apartamentos no lugar do casarão que foi demolido. Lembrou que a mudança para o bairro da Federação e foram construídos  uns barrocões provisórios quando era reitor da UFBA o Edgard Santos. Em 1964 são iniciadas as obras da Faculdade de Arquitetura. 

Isaías está atento às transformações
que ocorrem em Salvador e com sua
expertise de arquiteto e urbanista 
 capta os detalhes.
.
O Isaías de Carvalho sempre teve uma atividade política no movimento estudantil. Foi presidente do Grêmio Lítero Esportivo do Colégio de Aplicação, e assim pode viajar por várias cidades do interior da Bahia  fazendo política estudantil contra a ditadura militar com os líderes da Associação Baiana de Estudantes Secundários - ABES. Já cursando arquitetura foi também presidente do Diretório Acadêmico e lembrou da sua participação de demais colegas e professores  no Seminário de Melhoramento do Estudo da Arquitetura - SEMEA que resultou numa grande contribuição para as reformas que vieram ocorrer em 1969. Para ele a reforma universitária promovida  pela ditadura  militar de 1964 descentralizando os cursos universitários com o objetivo de esvaziar o movimento estudantil resultou em gerações de péssimos políticos que ainda hoje contribuem para o atraso do país. 

Falando sobre sua formação afirmou que seus professores costumavam sair da sala de aulas levando os alunos para conhecerem de perto as vias e construções da Cidade. "Saíamos levando até cavaletes para desenhar in loco a lápis e carvão." Detalhou que quando você desenha com bastão de  carvão ficava difícil de apagar e que ele usava uma lâmina de gilete curva para conseguir raspar o os erros ou manchas do papel. Reconhece que é um artifício, mas que não ficava limpo completamente. Sempre foi muito próximo do ato de desenhar. Se considera " um arquiteto que desenha. O que faço é um desenho de observação. Vou olhando e vendo. O olhar é diferente do ver, que é mais preciso. No olhar vemos a paisagem numa panorâmica, no ver vemos todos os detalhes," completou Isaías de  Carvalho.

Veja a imponência dos  casarões e e tranquila 
Praia da Preguiça em tempos passados.
Baseado numa foto de Adriano Messeder
.
Ao concluir a graduação em arquitetura e urbanismo montou um escritório no edifício Larbrás, na Avenida Estados Unidos, bairro  do Comércio, em Salvador, juntamente com seu colega Carlos da Silva Sampaio. Fizeram alguns projetos e acompanharam obras . Em 1971 foi convidado e seguiu para a Cidade de Itabuna, no sul do Bahia, para ser o Secretário de Viação e Obras Públicas. No ano de 1972 teve .que sair e foi para São Paulo acompanhar o tratamento de saúde de sua esposa. Ao voltar, retomou sua vida profissional e, em 1973 fez concurso para auxiliar de ensino da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo passando a  ensinar Teoria da Arquitetura. Paralelamente ao magistério sempre estava desenhando principalmente os rostos de seus parentes e amigos. Eram desenhos, segundo explicou, que lembravam os clichês tipográficos que antigamente eram usados nas gráficas e nas ilustrações de jornais. O clichê de impressão é uma matriz em alto-relevo, semelhante a um carimbo industrial, usada para transferir tinta, calor ou pressão para uma superfície. Quanto maior o número de pontos fica mais denso, mais escuro. Depois chegou o sistema offset que
Retratos de parentes feitos com
 o pontilhismo monocromático
eliminou os clichês. Também passou a fotografar variados locais da Cidade com filmes de 400 asas analógicos, mas de boa qualidade. Continuou estudando e se aperfeiçoando. Fez o aperfeiçoamento em Didática, mestrado em Ciências Sociais, aqui em Salvador na UFBA, e Doutorado em Arquitetura e Urbanismo com concentração em Semiótica, na Universidade de São Paulo – USP. 
 A semiótica é a ciência que estuda os signos e os processos de produção de sentido, ou seja, como as coisas adquirem significado para os seres humanos. Como se declara um arquiteto que desenha adiantou que está sempre próximo da representação dos objetos, na linha da representação simbólica. Ao retornar  continuou ensinando e fez concurso  para assistente de ensino, sendo aprovado. Foi quando recebeu um convite para ensinar na Faculdade de Administração, também da Universidade Federal da Bahia. Aceitou o convite e foi ensinar em Administração em 1993 permanecendo até 2001. 

Vemos a Rampa do antigo Mercado
 Modelo que foi destruído num grande
 incêndio em 1969.
Foi acometido de uma doença grave e pediu licença médica. Curado retornou e quando foi buscar seus pertences no escaninho na ADM não estavam mais lá.  Ficou chocado com esta atitude da direção da faculdade da época  e decidiu pedir sua aposentadoria. Voltou a ensinar na arquitetura num trabalho voluntário onde ficou até 2009. Enquanto ensinava  uma aluna que sempre lhe fazia consultas sobre as mudanças da Cidade do Salvador, lhe incentivou a colocar no papel as informações e fotos que dispunha . Foi assim que decidiu  escrever e publicou em 2012 o livro chamado Memória Urbana, com foco no urbanismo da Cidade. Disse que não é um livro  de suas memórias pessoais,  e sim das mudanças que a Cidade passou. 

Quando perguntei como ele chegou ao pontilhismo afirmou  que foi em 2012 ao olhas  uma parede vazia em sua casa . Decidiu fazer uns desenhos para colocar no local, onde antes tinha um tapete que adquirira em Manaus. Como fotografava  notou que ao revelar se ampliasse muito a imagem ou colocasse muita luz estourava e os

Isaías de Carvalho com o mural de
desenhos de paisagens da Cidade .
pontos ficavam espaçados. Foi aí que resolveu reproduzir as fotos através o desenho de observação usando pontos feitos com uma caneta de tinta nanquim. Passou a fazer desenhos de observação usando fotos dos anos 40 e 50 do seu tio Adriano Coelho Messeder, suas e de cartões postais. Os parentes e amigos  o incentivaram a publicar um livro e ele passou a pesquisar sobre o que existia a respeito de Salvador. Assim ia destacando os locais que lhes interessavam e chegou a cerca de oitenta fotos, todas com partes de textos de historiadores e  memorialistas sobre aquele local da Cidade. Em 2019 lançou o segundo livro intitulado Salvador em Preto e Branco, no Museu de Arte Sacra. O livro foi editado pela Universidade Federal da Bahia.

                         PONTILHISMO

Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte, obra-prima do pintor francês Georges Seurat, realizada entre 1884 e 1886
O pontilhismo que conhecemos foi inventado e desenvolvido  pelos pintores franceses Georges Seurat e Paul Signac em  meados do século XIX. Esta técnica de pintura surgiu como uma derivação do movimento impressionista e se constitui em pequenos pontos ou manchas de cor as quais provocam quando vistas em conjunto em imagens. É baseada na chamada Lei das Cores Complementares resultado do estudo feito por Michel Eugène Chevreul, na França. Dizia ele que as cores deviam ser justapostas e não entre mescladas, deixando à retina a tarefa de reconstituir o tom desejado pelo pintor, combinando as diversas impressões registradas. Interessante é que o nome pontilhismo surgiu para ridicularizar e rebaixar os trabalhos desses artistas pioneiros deste estilo. O pontilhismo usado pelo arquiteto-desenhista por Isaías de Carvalho é monocromático e ele só usa preto do nanquim. Enquanto o pontilhismo tradicional usa quatro cores que são o azul, amarelo, vermelho e preto. Ao olhar do espectador os tons parecem mais
Obra em pontilhismo Volta às Trincheiras,
de Eliseu Visconti.
claros devido os espaços em branco entre um ponto colorido e outro. Normalmente as obras são feitas usando a tinta óleo por ser mais espessa e evitando escorrer e manchar

Diz a Wikipedia “que no Brasil durante a Primeira República (1889-1930) vários artistas “empregaram procedimentos divisionistas, especialmente em suas paisagens e pinturas decorativas. Podemos destacar, nesse sentido, os nomes de Belmiro de Almeida, Eliseu Visconti, Rodolfo Chambelland, Artur Timóteo da Costa, Guttmann Bicho, entre outros. O painel central do teto do Foyer do Teatro Municipal do Rio de Janeiro é um exemplo de pintura decorativa onde Eliseu Visconti empregou vários estilos e procedimentos artísticos, inclusive o pontilhismo.”

sábado, 5 de setembro de 2026

LUIZ HUMBERTO O ARQUITETO AMANTE DAS ARTES

Luiz Humberto desenhando no computador.
O conceituado arquiteto baiano Luiz Humberto Carvalho é um amante das artes e  prima em seus projetos pela funcionalidade. Com mais de meio século de carreira  já projetou centenas de prédios aqui, em dezenas de cidades do interior e em outros estados. É arquiteto, desenhista, escultor, ilustrador, incentivador das artes visuais  e defensor do patrimônio histórico e cultural. Afirma que sua “obra é caracterizada em grande parte, por temas folclóricos, religiosos, e por formas gráficas originais associadas a uma técnica moderna que dão origem a um produto bonito, lógico e atual. Seu estilo único vanguardista irreverente já se tornou uma marca própria, facilmente reconhecida em objetos e esculturas de design arrojado, em construções modernas, erguidas em Feira de Santana, Salvador e em várias cidades brasileiras." Em quase todos os seus projetos arquitetônicos faz questão de colocar obras de arte. Tinha uma grande amizade com o artista Emanoel Araújo, e em vários dos prédios e casas que projetou em Salvador tem uma escultura ou gravura do artista santamarense de saudosa memória. Nos apartamentos e casas que saem da sua prancheta sempre tem um lugar especial para a introdução de novas obras de arte e, mais recentemente, observou que as famílias têm inúmeros porta-retratos. Depois desta constatação passou a sugerir nos imóveis que projeta, uma espécie  de 
Reforma do Hospital Santa Izabel e a fonte 
luminosa contemporânea
.
 painel num dos corredores, onde as famílias vão colocando os novos porta-retratos na parede à medida que surgem os filhos e netos. Assim eles podem apreciar até o crescimento dos novos membros da família através das fotos feitas em épocas distintas. Ele não adotou esta ideia em voga de que o arquiteto faz o projeto com as obras de arte e não deixa ou não admite que se coloquem novas obras. Ao contrário, defende que as pessoas compram no decorrer de suas vidas  novas obras e adereços e gostam de colocar na parede ou num espaço da casa ou apartamento, e não devem ser impedidos.  

Já passaram por sua prancheta de arquiteto projetos de construção e reformas de igrejas históricas, hospitais, universidade, condomínios fechados, prédios comerciais e residenciais, casas e mais de três centenas de agências bancárias. Está projetando um complexo de cinco condomínios no município de Camaçari da Minha Casa Minha Vida e, em cada um terá uma escultura de sua autoria com oito metros de altura. Cada escultura terá duas grandes bolas coloridas que servirão também para identificar cada condomínio pelas cores das bolas. Diz Luiz Humberto que não “considero casa de pobre, nem subhabitação embora o complexo seja do programa Minha Casa Minha Vida. Os moradores terão um condomínio com áreas verdes e todos os equipamentos necessários, além dos carros circularem pelas ruas ficarão estacionados em suas portas. São casas e

Escultura em homenagem a Maria Quitéria,
em Feira de Santana.
apartamentos entre 42 a 44m2, com dois quartos, cozinha e sanitário, num terreno que possibilita ser ampliada até para quatro quartos. Disse Luiz Humberto que “se compararmos com a paulista desvairada onde estão sendo construídos apartamentos com apenas 18 m2 e com o metrô embaixo essas casas são bem mais aconchegantes e de melhor qualidade de moradia”. Também está trabalhando na reforma e ampliação do Hospital Santa Izabel. Ele projetou uma fonte luminosa de 8 metros de altura por onde  flui água vinte e quatro horas. Para isto contou com a experiência do engenheiro Thales de Azevedo Filho que fez os cálculos para que a água flua continuamente em cada uma das bacias da fonte. 

Quatro desenhos usando o suporte de papel 
espelho. Traços leves definem as imagens
.
 É um arquiteto de grande expertise e criatividade  que  valoriza e introduz novas  das obras de arte  em todos os seus projetos. Esta sua atitude resulta numa contribuição importante porque dá visibilidade  a produção artística  e incentiva o mercado de arte local. Esta atitude ajuda também na democratização da arte na medida em que as pessoas que transitam ou ocupam esses imóveis passam a conviver e olhar essas obras aumentando sua sensibilidade. 
O homem Luiz Humberto de Souza Carvalho é uma pessoa sensível, culta, afável, de boa prosa e um colecionador quase compulsório de obras de arte. Sua ampla casa fica debruçada próxima das águas mansas e azuis da bela Baía de Todos os Santos e  parece um museu onde você aprecia imagens desde os santos barrocos aos feitos por artistas populares, quadros e esculturas de vários artistas famosos ou não e, também de sua autoria. Ele fica criando seus projetos neste ambiente amplo e privilegiado e pela tardinha  faz uma pausa para olhar  o poético horizonte onde o sol quase diariamente dá um espetáculo ao se pôr até sumir anunciando a chegada da noite na Baía de Todos os Santos.

                                       TRAJETÓRIA

 Luiz Humberto falando  de sua trajetória.
O arquiteto Luiz Humberto de Souza Carvalho é natural de Feira de Santana, interior da Bahia, onde nasceu em dez de julho de 1950. É filho de Jonathas Teles de Carvalho e d. Cecília de Souza Carvalho. Seu pai era um comerciante muito conhecido na cidade do setor de farmácia, onde tinha uma clientela fiel que lhe procurava até para assegurar se aquele medicamento ministrado pelo médico realmente era eficiente. Só estudou até o quarto ano primário, mas tinha uma experiência reconhecida com os medicamentos que na época vinha adquirir na Capital.  O menino Luiz Humberto estudou o primário na Escola Nossa Senhora de Lourdes e o primeiro ano ginasial no Colégio Santanópolis, ambos em Feira de Santana. O colégio pertencia ao educador e político feirense Áureo de Oliveira Filho.  Em seguida seus pais o matricularam como aluno interno do Colégio Dois de julho, no bairro de Fazenda Garcia. Aí estudou os três anos últimos anos do ginásio interno, e todo o colegial como aluno externo. Passou a morar em pensões estudantis, como a maioria dos jovens do interior que vinha para Salvador estudar. Lembrou que sua mãe e as de seus colegas de internato e pensões costumavam levar doces e outras iguarias caseiras quando os visitavam, e assim eles merendavam. O curioso é que eles passaram a chamar as guloseimas de coelho.

Casa projetada por Luiz Humberto para seus
 pais em Feira de Santana
Em 1969 fez o vestibular para a Faculdade de Arquitetura, da Universidade Federal da Bahia onde graduou-se em 1973. Tomou curso de Desenho e copiava com perfeição as formas e imagens das xícaras da pensão. Sempre gostou de desenhar e quando era estudante desenhou muito. Infelizmente sua mãe jogou fora centenas desses desenhos. Lembrou que a prova do vestibular durava cerca de oito horas, em dois turnos. Primeiro tinham de copiar um objeto e fazer uma composição gráfica e lembrou que Juarez Paraíso por acaso pegou a sua composição que acabara de entregar e ficou olhando balançando a cabeça em sinal de aprovação. Foi um alívio para ele. Também teve a prova de descritiva que durou mais quatro  horas. 

Prédio do Feira Pálace Hotel, projeto de que
se orgulha. Infelizmente está desativado.
No final da década de 60 a início de 70 semanalmente a Editora Abril publicava fascículos da enciclopédia de história da arte chamada A Arte nos Séculos que Luiz Humberto comprava e colecionava. A partir daí passou a tomar conhecimento dos grandes mestres da arte universal, e disse que tem até hoje guardada em algum lugar de sua casa. Esta enciclopédia tanto lhe auxiliou na arte como na arquitetura, porque, segundo ele,  "são duas coisas muito atreladas. Quando a gente fala em Egito estão lá a arquitetura e a arte, se falar na Grécia a mesma coisa. Agora acho que hoje está um pouco bagunçado porque a arquitetura perdeu a regionalidade. Um prédio que está aqui pode estar em qualquer outro lugar. Muitas vezes quando estou num evento tipo Casa Cor sempre ouço as pessoas me questionarem: Luiz é tudo a mesma coisa. Eu respondo é claro que é. E aponta para uma mesa grande e diz: está vendo esta mesa aqui? Fui eu que desenhei há mais de quarenta anos, ela tem originalidade.” Lembrou da Suprema Móveis, de Jaime Fingergut, que funcionava na Avenida Sete de Setembro, em Salvador,  onde eram comercializados móveis tidos como clássicos  comuns naquela época em várias outras metrópoles daqui e de fora do país. "Quando estudava eu detestava aquilo, porque eram móveis que poderiam estar aqui ou em qualquer outra cidade do mundo. Também aqui tinha o decorador Antônio Pedreira, que era um homem culto e que decorava as casas e apartamentos dos novos ricos com móveis antigos. Enquanto em Recife tinha uma arquiteta  chamada Janete Costa que era diferenciada por utilizar em seus projetos móveis modernos e originais".

Sede do Centro Universitário de Feira de
Santana - UNEF .
Também falou do seu projeto de transformação da antiga fábrica de sabão da Phebo na sede da atual Centro Universitário  de Feira de Santana – UNEF. “Fiz uma reforma e uma adaptação total e está lá funcionando.  Você nem imagina que aquilo era uma fábrica de sabonetes e de outros produtos de higiene pessoal. Este problema de identidade vem de longe. Quando o Brasil proclamou a sua independência passou a rejeitar os produtos e o jeito de ser de Portugal passando a imitar e consumir produtos da França e Inglaterra. E citou como exemplo àquela casa que existe  ao lado da Igreja da Graça, em Salvador, que é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
 - IPHAN, veio toda desmontada da Inglaterra. Quando o Brasil encomendou o projeto da Casa da Moeda coincidiu também que o Chile encomendou um projeto do seu Palácio Presidencial ao mesmo arquiteto italiano. Os projetos foram trocados.  O que é hoje o palácio presidencial do Chile que chama da Casa de La Moneda era para ser a Casa da Moeda daqui, e o Palácio Monroe, sede do governo quando a capital era o Rio de Janeiro era para ser o Palácio do Chile”, assegurou o arquiteto Luiz Humberto.

                                  CARREIRA BRILHANTE

Veja a beleza destas fotos do pôr do sol tiradas
por Luiz Humberto da varanda de sua casa.
Estagiou com grandes arquitetos baianos a exemplo de Mário Rubim, depois Alberto
 Fiuza, na Ciplan, no corredor da Vitória, e em seguida com Itamar Batista. Montou seu escritório da Ladeira dos Aflitos, 49, na década de 70 e revelou que três grandes coisas foram para ele muito importantes em sua vida profissional: Primeiro o relacionamento de seu pai em Feira de Santana onde ele fez o projeto do Feira Palace Hotel , com setenta apartamentos e o projeto de reforma e transformação da fábrica Phebo na UNEFO que hoje chamam de Retrofit que é um processo de modernização e requalificação de edificações ou equipamentos antigos atualizando suas funções sem a necessidade de demolição. Deu um up no Baneb onde fez 350 projetos de agências de tamanhos diversos desde o dia que o presidente do banco Renan Baleeiro lhe contratou. Passou lá dez anos projetando as agências. Salientou que no Baneb não tinha nenhum arquiteto trabalhando lá  e as obras das agências eram tocadas por dois engenheiros. Ao chegar verificou que os projetos das agências não tinham projetos complementares de ar-condicionado, elétrico, hidráulico etc. Ele passou a solicitar esses projetos e assim projetou  agências em Salvador, no interior do Estado e em outras cidades por este Brasil afora. O outro fato importante na sua carreira foi sua amizade com Alfredo Falcão conterrâneo e seu colega de pensão, são compadres . Ele montou uma incorporadora chamada Fiel. proporcionando que  Luiz Humberto projetasse dezenas de casas em Feira de Santana. O terceiro fato que impulsionou sua carreira foi através do empresário  Jair Santos Silva, dono da construtora Nordeste, que lhe contratou para fazer o projeto do Feira Pálace Hotel. Ressalta que nem tinha terminado ainda a sua graduação em Arquitetura, e foi um desafio, e hoje o prédio é uma referência arquitetônica na cidade.

O painel de Carybé no foyer do TCA que conta
a lenda de Moema. Abaixo a obra Moema
pintada por Victor Meirelles, em 1866
.
No trabalho de projetar as agências do Baneb descobriu que no almoxarifado do Patrimônio do banco existiam quinze obras do artista baiano Rubem Valentim. Solicitou estas obras  e colocou numa das agências que projetou. Outra curiosidade importante é sobre aquele belo e imponente painel que hoje decora o foyer do Teatro Castro Alves, foi encomendado ´por ele a Carybé para a agência que existia no térreo do Palácio da Aclamação, em Salvador. Lembrou que acertando os detalhes e o tema com o artista que a obra ia ficar em lugar de fluxo de público, e como o pessoal da limpeza costumava lavar o chão com produtos corrosivos resolvemos fazer o pé de concreto. "Carybé argumentou que o que perdura é religião e folclore . Citou o artista que um painel por exemplo  retratando os feitos de Santos Dumont está obsoleto porque já temos jatos. Para Carybé o que perdura é religião e folclore. Aí lembrou a lenda de Moema a amante de Caramaru. O português Diogo Álvares Correia, o Caramuru, que chegou aqui como náufrago e se apaixonou por Paraguaçu, a filha do cacique Taparica, da temida tribo dos tupinambás, que costumava devorar os prisioneiros. Depois de alguns anos ele resolveu voltar para a Europa com Paraguaçu, que foi batizada como Catarina de Paraguaçu. Conta a lenda que ele tinha uma amante chamada Moema que era  loucamente apaixonada por Caramuru. Quando ele partiu com Paraguaçu ela  saiu nadando atrás da caravela que levava o casal para a Europa até desaparecer nas águas do Atlântico. Foi assim que Carybé resolveu retratar esta lenda, além de esculpir no seu painel  vários orixás." Lembrei que tem uma obra fantástica de Victor Meirelles que retratou em 1866 a Moema deitada numa praia com semblante melancólico.

Com o artista Sante Scaldaferri encomendou  um painel para a agência do Baneb num prédio de um pequeno centro empresarial que fica defronte ao Iguatemi. Na agência do Baneb de São Pedro convidou Floriano Teixeira  que criou um painel com motivos históricos; em Feira de Santana o artista Emanoel Araújo fez um painel todo em branco, coisa que ele não fazia e  Celso Cunha fez um painel com uns Orixás, para uma agência da Baneb Corretora, no Rio de Janeiro.

                                                 PRESERVAÇÃO

Quatro desenhos de Luiz Humberto de 
dois Cristos, a Baía de Todos os Santos e a
 Baiana  do Acarajé. Versatilidade!
Por exemplo, reclama que na Bahia perdura a mania de derrubar as edificações, a exemplo do Centro de Convenções. “Aquele prédio foi escolhido num concurso nacional e deveria ter sido preservado, como também tem que ser preservado o edifício do Instituto do Cacau, que fica no Comércio.” Na Pituba tem um loteamento chamado de Vela Branca, que foi projetado pelo arquiteto japonês Yoshiakira Katsuki que tinha umas áreas verdes comuns. Hoje está um pouco deturpado porque incorporaram em algumas dessas áreas verdes. O bairro do Itaigara também é projeto dele. O arquiteto  Katsuki residiu aqui nas décadas de 1960 a 1980, e foi uma figura central no desenvolvimento urbano e na arquitetura brutalista do estado, também projetou a estações rodoviárias de Feira de Santana, Itabuna e de Jequié. A arquitetura brutalista é um estilo que se destaca pelo uso expressivo do concreto armado aparente e de estruturas geométricas imponentes, sem revestimentos ou acabamentos disfarçados. 
Portanto, vemos que o arquiteto Luiz Humberto tem uma preocupação com a Cidade de Salvador e está atento às intervenções boas e ruins que ocorrem por problemas e soluções  criados por seus planejadores e administradores urbanos. Recentemente escreveu um artigo intitulado Salvador que chega : Arte, Estrutura e Cidade onde fez uma crítica pertinente aos planejadores da cidade. Em determinado parágrafo diz: "Entramos pela Bonocô , a Avenida Mário Leal Ferreira  - o grande idealizador e projetista das avenidas  de vale - hoje eixo dos transportes de massa: metrô, BRT e um volume considerável de veículos ( carros, ônibus). Nessa Bonocô, deparamo-nos com a principal linha do metrô, elevada sobre pilares de formas variadas, com capitéis diversos e estações de passageiros - tudo isto sobre um canteiro central que deveria ser um jardim desenhado para ser apreciado, atenuar o ruído do trânsito e cumprir outras funções ambientais urbanas". O artigo continua com críticas aos planejadores.

Azulejos com desenhos do arquiteto-
artista Luiz Humberto
.
O arquiteto Luiz Humberto  é bisneto de padre e muito religioso. Aconteceu que a mãe Carmem, do Terreiro do Gantois, lhe encomendou para fazer uma releitura da Fonte de Oxalá. Passou a frequentar o terreiro e pode sentir a proximidade da religião católica com o candomblé. Então foram surgindo além das imagens de santos passou a desenhar os orixás e hoje estão incorporados às suas manifestações artísticas sempre utilizando suportes modernos como o papel espelho e alumínio composto em seus grafismos e esculturas. 
Revelou  gostar de desafios e passou a falar de um projeto especial que fez para uma senhora que era doméstica na casa de uma prima aonde ele ia nos finais de semana filar o almoço quando morava nos pensionatos estudantis. Ela comprou um terreno de 4m x 9m numa dessas favelas, que hoje os responsáveis pelo planejamento social rebatizaram de comunidades, e Luiz Humberto conseguiu fazer um projeto linear colocando tudo que ela queria neste pequeno terreno. Sempre que vai visitar a casa de um cliente para fazer uma reforma  procura sempre respeitar a funcionalidade e o desejo do morador. Lembrou que há muitos anos uma cliente queria um arco ligando dois ambientes da casa e assim ele projetou. Também se orgulha do projeto que fez da casa de seus pais em Feira de Santana num terreno plano. Ele projetou uma casa horizontal e apenas dois quartos no piso superior atendendo ao desejo de sua mãe que disse que queria uma casa onde ela “tivesse que varrer o menos possível”, falou rindo lembrando das preferencias da mãe.

                                                     CRIAÇÃO DE ARTE

Ele utiliza o computador como ferramenta para criar seus desenhos e em seguida encaminha com as especificações e detalhamento necessários para serem impressos em impressoras modernas conhecidas por router usando suportes específicos como papéis especiais a exemplo de papel espelho. As suas esculturas pequenas também manda fazer em 3D determinando inclusive os cortes e a profundidade desejada no alumínio composto. A chapa de ACM (Alumínio Composto) possui três camadas, tipo sanduiche é muito resistente e tem duas camadas de revestimento de alumínio, já no meio vem a camada de polietileno. Além disso, ainda tem a cor, que é uma super pintura de poliéster. Esse tipo de produto é utilizado em esculturas, fachadas comerciais de lojas, painéis de sinalização, letreiros e placas de propaganda externa. É um artista antenado com o surgimento de novas técnicas e ferramentas modernas para expressar a sua arte. Disse que começou detalhando seus desenhos e com a prática do desenho arquitetônico passou a ser mais livre.

                               EXPOSIÇÕES COLETIVAS E INDIVIDUAIS

Três esculturas do artista .
E1989 - ARQUITETARTE - A Arte vista pelos Arquitetos - Centro Cultural Amélio  Amorim, Feira de Santana-BA; Coleção de 10 esculturas - Acervo do Museu Regional de Arte de Feira de Santana - BA. 2007 - Galeria Prova do Artista-Exposição Arquitetos Artistas, Salvador-BA; Dez Orixá e seus Emblemas -Mosaicos-Tapetes-Esculturas no Museu da Misericórdia, Salvador- BA. 2009 - Exposição: Os 4 Olhares Feirenses, Feira de Santana-BA. 2010 - Exposição: Quatro Vitrines Feirenses, Feira de Santana-BA; Exposição Sant´Ana: Imagens seculares e uma história com novos olhares, Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA; Exposição Quarttier: Imaginário do Sagrado, Quarttier, Lauro de Freitas-BA. 2011- Exposição Sant´Ana: Imagens seculares e uma história com novos olhares, Espaço Cultural Jornal A Tarde, Salvador-BA; Exposição Arquitetos Artistas, Museu Regional de Arte-CUCA, Feira de Santana-BA; Exposição Sant´Ana: Imagens seculares e uma história com novos olhares, Museu Regional de Arte-CUCA, Feira de Santana-BA. 2013 - Exposição Águas do Sagrado-Museu Da Misericórdia, Salvador-BA. 2014 - Exposição Sentar & Relaxar - Hotel Sotero, Salvador-BA. 2018 - Exposição Sentar - Um Casa - Feira de Santana – BA. 2019 -Exposição Retrospectiva de Luiz Humberto - Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira - Feira de Santana-BA ;  Exposição Minha Nossa Senhora - Igreja e Abadia Nossa Senhora da Graça, em Salvador-BA; Exposição Poéticas Concretas Soteropolitanas - Museu Da Misericórdia, Salvador-BA;  Exposição Salvador em Preto e Branco - Museu De Arte Sacra, Salvador-BA; Exposição Senhora Santana – Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA.2025 -Exposição -Visões Contemporâneas Arquitetos / Artistas- Ernesto Bitencourt Galeria Salvador-BA. 2026 - Exposição Arquitetos Artistas - Tria Galeria de Arte- Salvador-BA; Exposição  A Última Porta: Arquiteturas do Acolhimento -Tribunal de Justiça da Bahia - exposição promovida pela ABAVI  
                         CURADORIA
Em 2019 - Exposição Poéticas Concretas Soteropolitanas - Museu Da Misericórdia, Salvador-BA ; Exposição Salvador em Preto e Branco - Museu De Arte Sacra, Salvador-BA. 2014Exposição Poesias Em Telas - Carlos Alberto Kruschewsky - Hotel Sotero, Salvador-BA; Exposição Senhora Santana – Museu de Arte da Bahia.

OBRAS EM MUSEUS E COLEÇÕES PARTICULARES

Coleção de 10 esculturas – acervo do Museu Regional de Arte de Feira de Santana-BA;  Moringas de Maragogipinho - Museu da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Feira de Santana-BA;  Coleção de 10 esculturas – acervo do Museu da Misericórdia-Salvador-BA ; Esculturas/Murais Urbanas - Maria Quitéria - Feira de Santana-BA;  Reserva Murano - Feira de Santana-BA; Reserva Versatile - Feira de Santana-BA; Reserva Lumière  - Feira de Santana-BA ; Painel Clube de Campo Cajueiro - UNEF – Feira de Santana-BA;  Painel UNEF - Feira de Santana-BA;  Galeria da Via Sacra - Capela particular do Bispo da Arquidiocese de Salvador-BA. · Galeria da Via Sacra - Igreja de Nossa Senhora da Graça- Convento dos Beneditinos, bairro da Graça em Salvador-BA;  Monumento Jardim Brasil - Feira de Santana-BA; Escultura Mobilie - Hospital Santa Izabel, praça Renato Novis;  Escultura fonte luminosa do Hospital Santa Izabel da Bahia em Salvador-BA.

 ILUSTRAÇÕES DE LIVROS

Já ilustrou os livros Sonos, de autoria de Francisco Hora;  O Sorriso da Bola e  Novo Endereço, ambos de Ruy Botelho;  Comparsas, de Claudio Portugal e  Um Olhar Por Cima do Muro, de Ticiano Leony.