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sábado, 2 de maio de 2026

DAVI BERNARDO UNE LINGUAGEM ESCRITA COM A VISUAL

O artista Davi Bernardo trabalhando
em nova obra no seu ateliê.

O artista plástico Davi Bernardo Artista plástico, escritor, Mestre em Artes Visuais participou de quatro edições da Bienal do Recôncavo – de 1998 a 2004. Foi premiado no Salão de Arte Contemporânea do Consulado da Holanda em 2003. É um leitor compulsivo que encontrou uma forma de se expressar entrelaçando a linguagem escrita com a visual. “Sempre li muito e a palavra entra com naturalidade e frequência em meus trabalhos plásticos às vezes com textos escritos por mim ou de outros autores”, afirmou o artista durante nossa conversa. Tudo isto acontece porque gosta de experimentar criando formas de se expressar utilizando os mais diversos materiais e objetos que lhes chegam às mãos. Algumas vezes parte para o mundo mágico da invenção e surgem até palavras que ainda não estão no dicionário oficial e que talvez nunca estarão. É graduado em Artes Plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e  concluiu seu curso em etapas . Decidiu estudar para concurso, sendo aprovado e começou trabalhar como funcionário público. Porém, desde a infância que a arte exerce um certo fascínio em sua vida, desenhava e pintava copiando figuras de revistas. Disse que ficava esperando a Revista Manchete sair, porque teve um período que publicava semanalmente uma reportagem sobre os grandes nomes da arte universal e também de artistas brasileiros. O dono da revista Adolpho Bloch morava no Rio de Janeiro era um colecionador e incentivador   importante das artes na sua época.

Obra s/ título , acrílica sobre tela,
de 1994.


Já no ano de 2002 iniciou uma série de trabalhos que denominou de Pinturas Maximalistas, embora nem todos os apresentados eram propriamente pinturas. O artista Davi Bernardo expôs suas pinturas e também objetos pessoais que ele se apropriou como roupas e cartas, dentre outros e construiu seu discurso criativo somando o elemento gráfico, ou seja, inserindo a linguagem visual ao lado de textos tratando de suas opiniões sobre o processo criativo contemporâneo. Tinha ali uma conexão biográfica com o artista como estivesse apresentando um diário particular. Esses princípios os acompanham até hoje unindo as linguagens verbal e visual, tornando-se única.” Para acentuar o caráter inusitado e abstrato, os textos / imagens, às vezes, são escritos / desenhados de cabeça para baixo ou na lateral”. O artista brinca com as linguagens como num jogo de armar. 
Divide seu ateliê com seu amigo artista e também colega de trabalho Josemar Antonio este em Dreams Work / Work Dreams revelou utilizar uma técnica de sobreposição, saturação e distorção das imagens, que são capturas no dia a dia das pessoas à beira das estradas brasileiras.

Contato com a Literatura

Seu nome de batismo é Davi Bernardo Ribeiro Machado e nasceu em vinte de agosto de 1962 no Hospital Santa Izabel no final de linha do bairro de Nazaré em Salvador. A família morava no bairro do Barbalho e ele é o quarto de cinco filhos. Seu pai o Jornalista e professor de Filosofia e Ética da Universidade Católica de Salvador, Germano Dias Machado dirigiu durante muitos anos o Jornal A Semana, na Arquidiocese de Salvador, que funcionava na Praça da Sé. O Davi Bernardo gosta de escrever e já publicou um livro de contos intitulado "Depois Terei de Falar

Esta obra de Davi Bernardo leva o
espectador a imaginar os rostos  da figuras.


em Voz Alta", e também ilustrou o livro de seu irmão Paulo Emanuel Machado que tem o título "Você Não Pode ser o Oceano". 
Seu pai além de professor tinha um grupo de pessoas que escrevia poesias, contos e romances e ele cuidava desta parte de edição. Portanto, o Davi Bernardo nasceu e cresceu no mundo da Literatura. Sua mãe d. Miriam Ribeiro Machado era professora de Geografia na Escola Técnica Federal e no Colégio Estadual Duque de Caxias. Davi e seus irmãos cresceram neste ambiente onde a leitura era uma presença obrigatória. Disse que se transformou num leitor compulsivo e isto o tem ajudado e muito em suas incursões pelo mundo das artes visuais.

Fez o curso primário na Escola Getúlio Vargas, que pertencia ao complexo educacional do ICEIA - Instituto Central Estadual Isaias Alves, no bairro do Barbalho,  e em 1973 parte do ginásio no Colégio de Aplicação da UCSAL, que funcionava no Convento da Palma, Largo da Palma, ambos em Salvador. Lembrou quando estudava lá com seus 

Arara de alumínio, roupas, tinta p/
tecido e cabides. As peças estão 
endurecidas com cola branca .
Na exposição os visitantes
 podiam manusear.
.
irmãos foram feitas as filmagens de Dona Flor e Seus Dois Maridos, na casa de número 12, e que eles subiam as escadas da torre da capela e ficavam vendo os atores e técnicos naquele movimento das filmagens. Ficou um ano tomando uma banca da professora Claudemira, (não se recorda o sobrenome da mestra) que era muito conceituada, no bairro da Saúde, se preparando para ir para a Escola Técnica Federal onde fez o ano básico e depois o primeiro ano de Edificações. Foi transferiu para o Colégio Duque de Caxias, no bairro da Liberdade, onde sua mãe era professora de Geografia e foi ser aluno dela. Contou que é muito complicado ser aluno da mãe porque tem que ser o mais bem comportado, o melhor aluno. E pior que os colegas ficam fazendo bullying dizendo que era protegido e que passava porque a professora era sua mãe. Teve uma hepatite forte e foi obrigado a parar por uns tempos e logo depois  fez vestibular para Arquitetura, mas  não foi aprovado. Então resolveu em 1981 fazer para Administração, na UCSAL ,foi aprovado, e se graduou em 1985. 

Porém, a arte lhe acompanhava desde os anos 70 e lembrou que em 1975 a Revista Manchete publicou uma reportagem sobre Paul Cézanne. O artista  nasceu em Aix-en-ProvenceProvença, e morreu 19 de janeiro de 1839 em sua cidade natal em 22 de outubro de 1906. Foi um pintor pós-impressionista francês, “cujo trabalho forneceu as bases da transição das concepções do fazer artístico do século XIX para a arte radicalmente inovadora do século XX”. Ficou encantado com a vida do artista francês e com suas paisagens quase abstratas e decidiu que iria fazer vestibular para a Escola de Belas Artes. Prestou o vestibular e  foi aprovado e neste momento não cursou. Formado em Administração começou a procurar emprego e não encontrava ocasião em que seu pai Germano Machado sugeriu que procurasse emprego no campo das artes gráficas. Conseguiu o emprego desejado e trabalhou no bairro de Pernambués num escritório de publicidade que ficava junto a uma gráfica . O escritório pertencia a dois jovens que na época trabalhavam no jornal da Tribuna da Bahia. Lembrou que  um deles era o Jorge Pugas, da J & A Produções Gráficas , o outro chamava-se Marcos, mas não conseguiu lembrar do sobrenome. Eles arranjavam os serviços e Davi Bernardo fazia a arte final para publicação. Enquanto isto estudava para concurso até que foi aprovado para a Receita Federal e continua até hoje. Retornou à Escola de Belas Artes  concluiu a graduação e fez a partir 

Durante suas viagens costuma
levar um caderno p/ desenhar.
.
de 2011 o Mestrado sendo orientadora a professora e artista Sônia Rangel com a tese Narrativas do Cotidiano - Numa Poética da Palavra - Imagem Objeto. Sendo um leitor compulsivo desde criança  lia as Enciclopédia Ilustrada e a palavra sempre entrou em seus trabalhos visuais. Primeiro os rabiscos como elemento visual e imaginava que era um texto, mas não era. Posteriormente vieram os textos de escritores e poetas consagrados como Fernando Pessoa e mesmo de sua autoria. Portanto, tinha aquela preocupação constante da palavra e da imagem. 
Declarou que sempre teve uma certa dificuldade em se manter num estilo determinado. Tem artista que passa o tempo inteiro com mesmo estilo. Lembrou de Piet Mondrian (1872-1944) artista holandês que surgiu no movimento modernista europeu no início do século XX. Ele procurava refletir sobre as leis matemáticas e abraçou a corrente de arte neoplasticismo e se destacou também nas artes gráficas e na arquitetura. Ele também limitou seu vocabulário formal às três cores primárias o vermelho, azul e amarelo, aos três valores primários preto, branco e cinza, e às duas direções primárias a horizontal e vertical, e pintava com variações dessas cores e a posição dos elementos geométricos.

"Estimulando Sentimentos
Amistosos", serigrafia  sobre
a página de  livro antigo, 2020
.
 Também Alfredo Volpi que  nasceu em Lucca, na Itália, em 14 de abril de 1896 e faleceu em São Paulo no dia 28 de maio de 1988.Foi um pintor ítalo-brasileiro considerado pela crítica como um dos artistas mais importantes modernos com o legado consagrado e complexo, começou sua carreira pintando paisagens, marinhas e personagens e depois se fixou nas bandeirolas. O Volpi ficou famoso conservando a estrutura das bandeirinhas e mudando as cores. 
Já o Davi Bernardo, guardando as proporções, é claro, se vê como um experimentador gosta de aprender com os materiais usando várias técnicas. Quando conhece um material tipo barro para cerâmica fica fascinado para fazer trabalhos relacionados, depois vira para a gravura, volta para a cerâmica. 
Confessou que tinha uma angústia para ter um estilo próprio até quando a artista e professora Sônia Rangel sua orientadora no Mestrado disse que ele “tinha princípios que lhes norteiam”. Um desses princípios é o hibridismo, ou seja, de misturar técnicas diferentes. Assim a professora o tranquilizou, passou a misturar estilos, imagens e usar materiais diversos num mesmo trabalho. Continuou colocando uma pintura ao lado uma fotografia, etc. 
Fez algumas instalações, que entende como " um trabalho complexo, e disse que   que tudo que produz tem uma relação com a Literatura. A imagem nasce de um texto, e citou o escritor italiano Ítalo Calvino. Os pais de Ítalo Calvino foram Mario Calvino e Eva Mameli Calvino, ambos cientistas italianos. Eles estavam temporariamente em Cuba, onde Calvino nasceu em 1923, antes de retornarem à Itália pouco tempo depois.  Veio a  falecer na Itália aos sessenta e um anos de idade em 1985. Durante sua existência foi jornalista e escritor, autor de vários livros. Ítalo Calvino “abordou a imagem como um elemento central para a construção da narrativa, a imaginação e a percepção do mundo. Explorou o visual tanto na literatura quanto na fotografia e cinema, destacando a imagem como um início poético, um mapa conceitual e um meio de tornar visível o invisível, buscando o equilíbrio entre a leveza da descrição e a profundidade filosófica.” Wikipedia. 

Obra inspirada na frase de Henry Matisse sobre
como queria que sua arte fosse vista.
Disse que geralmente suas ideias para as artes visuais nascem de um texto porque sua cabeça parece situar-se na Literatura. Fez uma exposição em 2011, na Galeria Cañizares, na EBA, que chamou de blz _ etc. a exemplo de jogos dos Sete Erros sendo cada palavra iniciava com uma letra do alfabeto na ordem de A a Z.  Começando as palavras com as vinte a seis letras do alfabeto. Estão aí inclusas entre as palavras estranhas sete inventadas, inexistentes no dicionário oficial. Como são todas difíceis, muita gente não sabia o significado e consultava o dicionário. Ainda tinha umas pegadinhas da palavra parecer significar uma coisa e na realidade era outra. Só que algumas delas não estão e talvez nunca estarão no dicionário oficial. Geralmente tudo surge de um texto que estou lendo, de uma provocação. 

Também realizou  uma exposição em 2015 com mais três pessoas através um projeto do Banco Capital no EBEC. Na época estava lendo uma biografia de Henry Matisse chamado Notas de Um Pintor, de 1908, lembrou de uma frase que ficou em sua cabeça: Eu sonho com uma arte de equilíbrio, de pureza e de serenidade, sem temas inquietantes ou deprimentes, uma arte que possa ser, para qualquer trabalhador cerebral, seja ele um homem de negócios ou um homem de letras, algo como uma poltrona reconfortante onde ele possa relaxar do seu cansaço físico". Então Davi Bernardo criou uma série de obras inspirada nesta frase. Pintou poltronas, cadeiras e dividiu os quadros em dois, e também colocou textos invertidos e de lado  para provocar as pessoas a olhar com mais cuidado.

Detalhe do políptico da Alegria de
Viver,resina poliester,papel e nanquim,
 de 2016 da série  Pinturas Maximalistas.
Depois enviou um projeto para a Caixa Cultural em 2016 “ eu me jogo, não fico esperando”. O edital estava escrito que se aprovado tinha que ter uma curadora e  produtora. Escolhi Matilde Matos e sua filha Claudine Toulier e dei o nome de Pinturas Maximalistas. Aí começou a trabalhar com resina colocando em camisetas. Fazia os desenhos e as pinturas nas camisetas que conseguia com parentes e amigos. Depois de desenhar e pintar jogava a resina e ficava num cabide. A resina cria  volume e conseguiu comercializar algumas delas. Colocou também uma arara e pendurou várias camisetas, essas com uma cola para engomar e ficar durinhas. As pessoas manuseavam durante a exposição.

Falou da criação de uma instalação. Acha que “a imagem nasce de um texto e este sempre é o meu caminho.”  Foi assim que em 2019 assumiu seu lado de escritor e lançou um livro de contos com o título “Depois Terei de Falar em Voz Alta”, onde revisita as vivências entre os séculos  XX e XXI falando de dores, incertezas, preconceitos e soluções. Aqui ao contrário ele constrói imagens com seus textos bem elaborados ,uma nova forma de desenhar com a escrita. Os contos em número de doze todos tem nomes de mulheres Ana Teresa, Aparecida, Aurélia, Madame Carlota, Carolina, Conça e Mariinha, Dani, Leô, Lourdes, Maria, Mariah e Roberta. Continua escrevendo e publicando em revistas online como a Subtexto e a Quarup.

EXPOSIÇÕES

Exposição Colcha de Retalhos no
MAC com Josemar Antonio.
Realizou em 2006 a exposição individual Pinturas Maximalistas&quot, na Caixa Cultural, Salvador-Ba onde pesquisou os limites entre pintura e objeto. Em 2008 participou da coletiva, Experimento 01 - Subsolo, no MAM-BA. Foi selecionado para os Salões Regionais de Valença (2009) Feira de Santana e Jequié (2010) e Alagoinhas (2011). Em 2010 iniciou Mestrado em Artes Visuais na EBA/UFBA, sob orientação da professora Sonia Rangel, que redundou na exposição individual , blz_etc, em 2011. Com os artistas Tanile Maria e Josemar Antônio formou o grupo Úbere, de estudos, discussões e experimentações em arte contemporânea.

EXPOSIÇÕES - Individuais - Em 2011 - “blz_etc”, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2006​ - “Pinturas Maximalistas”, Centro Cultural da Caixa Econômica, Salvador-BA.

Coletivas - Em 2016 - Máximo Divisor Comum, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2014 -  Para Levar a Algum Lugar, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2013 -  Dizer, Diga, com a artista Tanile Maria, Galeria ACBEU, Salvador-BA;  Circuito das Artes, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2012-  Circuito das Artes , Museu Carlos Costa Pinto, Salvador-BA; “Atelier Coletivo VISIO”, na Sala de Arte Cinema da Universidade Federal da Bahia. 2011 - Salão de Artes Visuais da Bahia  Centro Cultural de Alagoinhas, Alagoinhas-BA; Projeto Coletivo “Entre Folhas”, concepção e coordenação geral de Viga Gordilho,

Davi Bernardo gosta de dividir o suporte de
tela, madeira ou papel em espaços onde 
exerce  a sua criatividade.

projeto expográfico de Eriel Araujo e curadoria de Ayrson Heráclito, Galeria Cañizares. 2010 - Projeto Coletivo “Entre Folhas”, concepção e coordenação geral de Viga Gordilho, projeto expográfico de Eriel Araujo e curadoria de Ayrson Heráclito, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA. Projeto Acción Arte Itinerante LatinoAmérico; Espaço de Arte, No Lugar, Quito-Equador, Centro Arte y Culturas Bolivianas, La Paz-Bolívia, La Casita Colectiva, Mendoza-Argentina, La Fábrica, Córdoba-Argentina e Café, Cultura e Artes, Salvador-BA. “Panorama 2010”, com o grupo Úbere, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA. “Desloque-se”, com o grupo Úbere, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA; Salão de Artes Visuais da Bahia - 2010, Feira de Santana e Jequié-BA. 2009 - “Panorama 2009”, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA, Salão de Artes Visuais da Bahia - 2009, Centro Cultural de Valença, Valença-BA . 2008 - “GRAVURA: Influências na Nova Geração”, Goethe Institut – ICBA, Salvador-BA. “Colcha de Retalhos e Outras Lembranças”, com Josemar Antonio, Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana-BA. “Experimento_01 – Subsolo”, MAM, Salvador-BA.  2007 ​- “Novas expressões da gravura”, Goethe Institut – ICBA, Salvador/BA. 2005 -  Salão de Artes Visuais da Bahia , Feira de Santana-BA.  Salão de Artes Visuais da Bahia - 2005, Porto Seguro-BA. 2004 - VII Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA. 2002 -  VI Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA.

Natureza morta feita de
 bordado. Davi é um
experimentador de 
várias  técnicas e estilos.
​                    Prêmios

“A Holanda no Olhar do Artista Brasileiro”, Consulado da Holanda – Salvador-BA - Dez / 2003, terceiro colocado. “Projeto de Cultura e Arte do Banco Capital 2005”, Galeria do EBEC – Salvador-BA - Out/2005, Artista Revelação. “Salão de Artes Visuais da Escola de Administração do Exército 2005”, Escola de Administração do Exército – Salvador-BA – nov./2005, terceiro colocado. Edital “Prêmio Matilde Matos” - FUNCEB - Edital de Apoio a Montagem de Exposição no Estado da Bahia – 2007, MAC – Feira de Santana -BA - abr./2008.

APRECIAÇÃO

Texto para a exposição individual “blz_etc”, Galeria Cañizares, Salvador-BA, em 2011. “" num jeito enciclopédico de colecionar, Davi Bernardo recolhe seus objetos e produz seus próprios textos num devir de acasos e recordações, para que o mundo continue a existir, agora obra de arte sua, reinventado mundo desfolhado em suas mil páginas de intimidade e estranhamento, como se reencenasse um prazer de infância de enciclopédias e livros de arte adivinhados mais que lidos na biblioteca dos pais.

Obra de uma camiseta usada de
suporte de texto e imagem
.
Seu dicionário faz duvidar dos dicionários, seu texto-imagem brinca tanto com a fixação das palavras quanto com a flutuação da experiência do mundo. Meio às cegas, apalpamos com os olhos sua escrita-imagem, às vezes a metal, às vezes a tinta, às vezes a fogo - foi feita para durar - por certo estas matérias durarão mais que nós. Sensação contrária, também persistente é essa instabilidade, lugar onde o artista nos coloca, pois qualquer que seja a sua escolha: cadeira, porta, chaveiro, moldura, gaveta, parede, canto de sala, fotografia, como espaço suporte da obra ou superfície em forma ambígua, o que ecoa é esse jogo de narrativas superpostas em texto-imagem que se conta em nós na busca de decifrar o que quer nos contar. Grande parte da leitura da obra são lacunas. Em fragmentos, vazios, faltas, nos surpreendemos a investigar a ressonância de nossas próprias memórias, reconhecidas e estranhadas em objetos familiares ou palavras inventadas, por isso esse provocativo distúrbio entre ver e ler aqui persiste como qualidade essencial da obra. &quot .” Sonia Rangel -Artista Visual e Cênica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 26 de abril de 2026

JENNER AUGUSTO UM MODERNISTA SERGIPANO NA BAHIA

O pintor Jenner Augusto no ateliê.
 O artista sergipano Jenner Augusto  era pintor, escultor, cartazista, ilustrador, desenhista e gravador. Gostava de retratar o povo humilde e as paisagens de sua terra e com seu jeito calmo meio desconfiado ia trilhando o seu caminho que desde início não foi fácil. Seu pai faleceu quando ele tinha apenas seis meses de idade e sua mãe era professora primária da família Silveira que tinha um pensamento político considerado avançado contra os coronéis que dominavam a cena política da época. Por isto a carreira de sua mãe foi tumultuada e como castigo os políticos de então sempre a puniam com nova transferência para uma cidade desconhecida. Portanto, durante sua infância morou em várias cidades sergipanas e a sua mãe nunca abriu mão de suas convicções políticas. Para ajudar no sustento da família começou a trabalhar cedo e foi engraxar sapatos, pintar paredes, ser vendedor de lojas e até cantor de cabaré, já que tinha uma voz privilegiada, e também trabalhou como revisor do jornal Correio de Aracaju, onde seu irmão Junot Silveira era o redator-chefe. O mestre Junot veio antes para Salvador e foi professor, diretor do Colégio Mário Augusto Teixeira de Freitas, no bairro de Nazaré, presidente por muitos anos da Imprensa Oficial do Estado - IOE que editava e imprimia o Diário Oficial do Estado, e depois se tornou Empresa Gráfica da Bahia – EGBA, e o DO hoje é online. Junot Silveira trabalhou também em A Tarde durante muitos anos até sua aposentadoria. Voltando ao artista Jenner Augusto foi na cidade de Lagarto, segundo consta no livro “Jenner, Cores de Uma Vida”, escrito em parceria de Mário Britto e Zeca Fernandes, este último neto do artista, que Jenner começou a fazer letreiros de propaganda e cartazes de filmes de caubóis para o cinema de Mané Dentista que se descobriu pintor. Sendo autodidata disse que “aprendeu a juntar óleo e pigmentos, adicionar a medida exata do secante, corrigir cor suja substituindo o preto pelo azul”, na sua lida com os pintores de paredes. Jenner nasceu em onze de novembro  de 1924 em Aracaju, Sergipe  e faleceu em dois de março de 2003 em Salvador aos 78 anos de idade.

Alagados um tema que lhe tornou conhecido.
Quando residiu em Laranjeiras conheceu a obra de Horácio Hora, que era um artista conceituado sergipano que faleceu em 1890, em Paris. Lá existe a Casa Laranjeiras onde está o legado deste importante mestre da pintura e o Jenner Augusto passou a se interessar pelo desenho copiando as obras de Horácio Hora e em seguida passou a fazer seus próprios desenhos. Até que em 1944 muda-se de Laranjeiras para Aracaju, e sua evolução no desenho já é visível. Foi trabalhar nos escritórios dos donos do jornal Folha da Manhã. Já um ano depois toma coragem e realiza sua primeira exposição, e começa a se entrosar no ambiente cultural e artístico da cidade participando de algumas exposições coletivas. Sob forte influência de Cândido Portinari pintou as paredes do Cacique Bar com murais “baseados em cenas históricas, no folclore e nos costumes de Sergipe." Hoje o Cacique Bar foi reformado e a obra de Jenner Augusto restaurada, e é considerada o marco do início do modernismo na capital sergipana. Ficou em Aracaju até 1949 quando através uma carta resposta de Cândido Portinari aconselhando-o a estudar mais o desenho e procurar um local mais adiantado nas artes que ele decidiu vir morar em Salvador. 
Cenas da História e Costumes de Sergipe,
detalhe do mural que pintou no Cacique Chá.
 Um marco do modernismo em Sergipe.
Seu irmão Junot Silveira já era um jornalista conhecido na cidade e arranjou um emprego garantindo assim a sua sobrevivência financeira. Trabalhou como assistente no ateliê de Mário Cravo Júnior e passou a se integrar ao grupo renovador da arte baiana que se opunha ao academicismo da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia. O mais velho do grupo era o Mirabeau Sampaio e os demais Mário Cravo Júnior, voltava de Syracuse, nos Estados Unidos, onde estudara com Ivan Mestrovic. Jenner Augusto vinha de Aracaju com uma experiência de dez anos;  Carlos Bastos tinha estudado em New York; do Paraná veio Poty; do Rio de Janeiro o Henrique Oswald; de São Paulo o Lênio Braga; o Agnaldo Manoel dos Santos, de Itaparica;  Hansen, de Hamburgo, na Alemanha; Di Prete, da Itália; o Marcelo Grassmann, de São Simão, interior de São Paulo; Udo Knoff,  da Prússia Oriental; Carybé, de Buenos Aires, na Argentina; Raimundo de Oliveira, de Feira de Santana; Pancetti ,  Campos de Jordão; da Bahia vieram ainda o  Rubem Valentim, Genaro de Carvalho, que chegara de Paris  e Lygia Sampaio, a única mulher do seleto grupo.

Coroinhas na Praia outro tema que é muito
apreciado por colecionadores de Jenner.
Portanto, estava formado o grupo de modernistas que juntos trocavam novas  ideias e experiências para criar obras que rompessem com o academicismo que ainda insistia em permanecer tendo a Escola de Belas Artes como um baluarte a ser vencido. Eles se reuniam informalmente na maioria das vezes na casa de Mário Cravo Júnior e arranjaram até um quadro onde Rubem Valentim se encarregou de fazer algumas anotações. De 1950 para cá veio outra geração de modernistas com Juarez Paraíso, Emanoel Araújo, Sante Scaldaferri, Edson da Luz, Calasans Neto, Floriano Teixeira, que chegou do Maranhão.

O festejado crítico de arte Antonio Bento escreveu que “não deixa de ser curioso para a crítica de arte observar que os dois maiores paisagistas da Bahia a partir de meados do século vinte, tenham sido filhos de outros estados: o paulista Pancetti e o sergipano Jenner, este vizinho fronteiriço e, consequentemente, quase íntimo ou, pelo menos bem mais próximo da visualidade e dos sentimentos comuns aos filhos de sua terra de adoção.” Dizia Jenner Augusto que a Bahia lhe servia de inspiração lírica, enquanto o Nordeste pelo seu lado trágico. Mas, sua relação com a Bahia era tanta que decidiu morar definitivamente aqui e passou mais de trinta anos em sua casa-ateliê no bairro do Rio Vermelho.

Uma bela paisagem onde  Jenner demonstra
 o equilíbrio da paleta de cores que escolhia.
Em 1950 participa pela primeira vez do Salão Baiano de Belas Artes juntamente com seus colegas do grupo de modernistas.  Três anos depois casa com também sergipana Maria Luiza Mendonça e participa do Salão Nacional de Arte Moderna no qual esteve presente regularmente até 1962. Em 1953 executou um afresco chamado de Evolução do Homem para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador, Bahia, levando um ano a ser concluído. Em 1966 o artista sergipano já era conhecido em todo o país e foi convidado pelo governo americano a fazer sua primeira exposição internacional na Filadelfia, chamada Baianos na Filadelfia e a partir de então expôs na Holanda, Inglaterra, Espanha, Portugal, França e Bélgica.

Tornou-se muito conhecido por pintar como ninguém a paisagem baiana e principalmente os Alagados expressando todo o contexto que envolve este bairro de edificações muito precárias onde o sofrimento dorme e acorda com seus moradores. Conhecendo através da literatura e de minhas observações pessoais é verdade que podem dizer que ele sofreu apenas influência de Horácio Hora e de Cândido Portinari no início de sua jornada porque o artista Jenner Augusto desenvolveu sua arte moldada em sua personalidade de quietude e com ar de melancolia. Costumava chamar as séries que

.
Sempre que viajava aproveitava para
fazer esboços do que via pelo caminho.
pintava de momentos e que as cores que empregava dependia do seu estado de espírito, portanto encontramos na produção do artista obras com cores vibrantes e outras com as cores mais fechadas , mais densas, lembrando um clima europeu.  Era um exímio desenhista e ilustrou o livro Os Caminhos de Casa, de Odorico Tavares, um incentivador das artes na Bahia, e depois Tenda dos Milagres, do grande escritor baiano e seu amigo Jorge Amado. Anos depois os dirigentes de A Casa Jorge Amado reuniram desenhos do artista e fizeram uma publicação acompanhando de textos de Jorge e James Amado, Mirabeau Sampaio, Carybé, Glauber Rocha, Vinicius de Moraes, Mário Schenberg, dentre muitos outros, enaltecendo a sua obra e a qualidade dos seus desenhos. Também chegou a fazer algumas esculturas, mas nunca as expôs. Geralmente esculpia e presenteava a seus amigos e parentes, inclusive tem uma feita de barro de São Cosme e Damião que foi presenteada à sua esposa Luiza, que era seu braço direito que cuidava da parte de divulgação e comercialização de suas obras.

COMO ERA JENNER

Reuni seu filho Guel Silveira, também artista plástico consagrado e o neto Zeca Fernandes, formado em Ciências Sociais, fotógrafo e galerista, para revelarem um pouco como era o artista Jenner Augusto na sua intimidade. Coube a Guel como inventariante cuidar e dividir o legado pai, e Zeca seu filho e neto de Jenner  era talvez o que mais conviveu e se afeiçoou ao avô. Eles moravam no bairro da Graça e Jenner no Rio Vermelho, mas as visitas eram muito frequentes. Revelou Zeca que foi mesmo a partir dos catorze anos que seu avô passou a lhe falar sobre arte. “Ele tinha uma mania ao pintar um quadro colocar de costas encostado na parede do ateliê, sem assinar. Depois ele vinha já assinava e colocava na

O artista Guel Silveira, filho de Jenner e
Zeca Fernandes que é seu filho  .
Zeca foi o  neto mais próximo de Jenner.
moldura. Eu chegava e começava a virar e olhar o que ele tinha pintado e nunca reclamou. Outras pessoas ele não deixava mexer nas obras antes de assinar. Se você olhar com cuidado os quadros do meu avô verá que as bordinhas estão descascadas porque ele colocava na moldura ainda com a tinta sem secar. Não tinha paciência de secar para colocar moldura”. 
Lembraram que sua mãe e avó Luiza tinha um conhecimento sobre arte muito importante, além de ser um excelente marchand da obra de Jenner Augusto. Também ele conviveu com muitos artistas não só brasileiros como de artistas estrangeiros. Seu filho Guel Silveira ressaltou que "havia entre os artistas da época de Jenner Augusto uma convivência muito forte e de amizade entre eles e hoje sinto falta disto. Eles se encontravam, aos domingos sempre havia um almoço, um encontro deles. " Acrescentou em seguida  o Zeca Fernandes um fato interessante que "o pintor pernambucano que residia em Paris, Cícero Dias, ia realizar uma exposição em Salvador e mandou suas obras enroladas da capital francesa. Quando chegaram Jenner Augusto, que era  seu amigo fraterno, mandou emoldurar, montou toda a exposição e procurou vender . Quando  Cícero Dias chegou já estava tudo pronto. Quanto à  sua mãe Luiza tinha amizades com artistas de outros países. Inclusive um certo conhecimento com a Françoise Gilot (1921-2023) que era pintora francesa, escritora e musa de Pablo Picasso, conhecida como a única mulher a deixá-lo. Eles viveram juntos entre 1943 e 1953, tiveram dois filhos, Claude e Paloma. Gilot construiu uma carreira artística própria bem-sucedida, separando-se de Picasso devido à natureza exigente e sufocante do relacionamento. A esposa de Jenner Augusto tinha consigo um livro autografado por Françoise que guardava com muito carinho.

Jenner  chegou a cantar nos cabarés da noite
baiana . Aí ele pintou uma cena do mangue, como
também eram chamados os cabarés na época.
Falando da obra de Jenner Augusto seu neto Zeca Fernandes disse ainda “ser um admirador da sua produção e sempre que se detém com mais atenção diante de um quadro dele descobre um detalhe interessante. São momentos de  contemplações muito prazerosas e afetivas. Ele acordava cedo ia para o ateliê pintar, meio dia almoçava, descansava um pouco, voltava para o ateliê, e já no final da tarde saía para ver alguma paisagem ou resolver problemas pessoais, ver uma galeria, um museu, uma nova exposição. Sempre saía com um caderno na mão para rabiscar algo que lhe interessava. Muitas vezes ia direto a um local como Lagoa do Abaeté, alagados ou Dique do Tororó desenhar in loco”. E retruca: “hoje seria impossível diante da violência que vivemos hoje em Salvador.” Tanto o Guel Silveira e seu filho Zeca disseram que gostam mais da fase de Jenner Augusto dos anos 50 quando fazia uma pintura expressionista. A casa de meu pai era sempre aberta aos amigos, principalmente aos pintores e escritores seus amigos e lá constantemente estavam falando de algo ligado às artes. Crescemos assim com meu pai repassando para nós informações sobre modernismo brasileiro e a arte que estava sendo feita nos grandes centros europeus e nos Estados Unidos."

Jenner também ia para a Lagoa de Abaeté p
pintar a paisagem e as lavadeiras.
No tempo que Jenner morou no Rio de Janeiro entre os anos 70 e 90 quando os filhos iam visitá-lo com seus netos o artista  gostava de levá-los ao shopping da Gávea que na época tinha galerias de arte, além de visitar museus e outros espaços culturais. Durante essas visitas  gostava de falar sobre o artista que estava expondo, sua arte e se o conhecia pessoalmente do ser humano, etc.Shopping da Gávea, foi inaugurado em maio de 1975 e ficou conhecido  entre os anos 70 e 90 como um polo cultural e artístico, funcionando com um conceito de "galeria" de rua, com corredores amplos e foco em arte, cultura e livrarias, teatro e lojas de antiguidades . O local era famoso pela Galeria de Arte Anna Maria Niemeyer e por lojas conceituadas como a loja de discos Gramophone. O artista Jenner Augusto morava num apartamento na Gávea que ficava próximo ao shopping e depois de visitar a galeria e outros locais sentavam para fazer um lanche.

Carybé, Mário Cravo Júnior e Carlos Bastos .
Calasans Neto, Floriano Teixeira e Jenner
Augusto, sentados.
Disse Zeca Fernandes que sua relação com o avô se consolidou a partir dos seus catorze anos já quando morava na Casa do Rio Vermelho. Ele era talvez o único que Jenner Augusto deixava mexer nos quadros que acabara de pintar e também em outras coisas do ateliê. Guel relembrou que seu pai hospedava em sua casa os pintores Aldemir Martins,
(1922-2006), pintor cearense, ilustrador e escultor ; Kazuo Wakabayashi , nasceu em Kōbe, (1931- 2021) foi um artista plástico nipo-brasileiro;Manabu Mabe (1924·1997) nasceu Kumamoto, Japão morreu em São Paulo aos 73 anos; Arcanjo Ianelli ,Nascido e falecido em São Paulo (1922-2009), foi um influente artista, escultor, desenhista e pintor brasileiro; o carioca Orlando Rabello Teruz 1902 -1984) foi um pintor e professor brasileiro; o mineiro Inimá José de Paula , nasceu Itanhomi - MG (1918 -1999) foi um pintor, desenhista e professor brasileiro, dentre outros. 
Contou ainda Guel que o relacionamento e a cumplicidade entre os artistas da época era tanto que quando seu pai chegou ainda jovem de Aracaju era muito pobre e o argentino Carybé ,que também passava alguns apertos na vida dividia a sopa com ele. Ele ficou emocionado ao contar este detalhe, adiantou que está se perdendo aquele intercâmbio que existia entre os artistas , os colecionadores e algum cliente que ia ao ateliê do artista e lá via até o seu processo criativo e muitas vezes se estabelecia uma amizade. Hoje muitos artistas têm contratos de exclusividade e as vendas são obrigatoriamente feitas através a intermediação do galerista ou marchand.

Exposições

Exposição em Ixelles, na Bélgica, com o pintor
surrealista francês Paul Delvaux.

E
m 1952 - Galeria Oxumaré, em Salvador, trinta e nove pinturas e treze desenhos.1953 - Salão Nacional de Arte Moderna, do Rio, onde expõe regularmente até 1962. Em 1955 - Primeira individual no Rio de Janeiro, na Exclusividades (Rua Xavier da Silveira). A exposição foi toda , patrocinada por Zora Seljam e Pedro Borges, é toda vendida. 1956 - Expõe no Belvedere da Sé, em Salvador, apresentando sessenta e quatro trabalhos, entre pinturas, desenhos, guaches e monotipias.1957- Participa da mostra Artistas da Bahia, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.1958 - Realiza nova exposição no Belvedere da Sé, de Salvador, 1959 - Exposição individual no Rio de Janeiro.1960 - Museu de Arte Moderna da Bahia, Expõe vinte e três telas.1963 -Expõe na Galeria Querino, em Salvador; Participa da mostra Arte Nova, no Museu de Dallas , EUA.1964 - Expõe na Galeria Bonino ,Rio de Janeiro, RJ.1965 - Primeira exposição individual em São Paulo, na Galeria Astréia.1966 - Mostras Artistas da Bahia (Madrid e Barcelona) e Baianos na Alemanha.1967 -Exposições na Galeria Debret, de Paris, e no Museu de Ixelles, na Bélgica.1969 – Exposição na Galeria Astréia em São Paulo-SP.  1970 - Exposição na Galeria Ranulpho , Recife-PE. 1971 - Exposição em São Paulo  em A Galeria. 1972 - Exposição na Galeria da Associação Mineira de Imprensa, Belo Horizonte-MG. Mostra Baiani a Milano, integrada por sete artistas residentes na Bahia; Mostra Arte-Brasil-Hoje: 50 Anos Depois, Galeria Collectio, São Paulo-SP. 1973 – Exposição de Artistas Baianos em Belo Horizonte, mostra esta relacionada à literatura de Jorge Amado. 1974 - Exposição Retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo-SP; Exposição Retrospectiva no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro-RJ; Exposição Retrospectiva no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador-BA.1975 - Exposição na Galeria da Praça, Rio de Janeiro-RJ. 1976 - Exposição na Ranulpho Galeria de Arte, Recife-PE; Exposição na Galeria da Praça, Rio de Janeiro-RJ. 1977 - Exposição em A Galeria, São Paulo-SP; Exposição na Galeria Oficina de Arte, Porto Alegre-RG.1978 - Exposição na Galeria AMI, Belo Horizonte-MG. 1979 - Exposição na Ranulpho Galeria de Arte, São Paulo-SP; Exposição na Kattya Galeria de Arte, Salvador-BA. 1980 - Exposição de Artista Baianos na Semana da Bahia no Estoril, Lisboa, Portugal; Exposição na Ranulpho Galeria de Arte, Recife-PE; Exposição Coletiva da Coleção de Arte |Brasileira em Hanover, Dusseldorf e Colônia, na Alemanha. 1988 - Exposição no Escritório de Arte da Bahia, Salvador-BA. 1991 - Exposição na Atrium Galeria de Arte, Salvador-BA. 1994 -Exposição de Inauguração do Espaço de arte Jenner, Salvador-BA. 1995 -Exposição no Escritório de Arte da Bahia, comemorativo dos cinquenta anos de pintura.

Painéis e Murais

Sertanejos ,do mural do Cacique Chá,
 em Aracaju, Sergipe, de 1949.
Em 1949 - Bar Cacique. Aracaju. Óleo sobre parede. Temas históricos
brasileiros e folclóricos de Sergipe.1951 - Sobre parede Tema da pesca do xaréu Antiga casa de Édio Gantois, Itapuã, Salvador, 1953 - Óleo Hospital de Tisiologia. Salvador, Óleo sobre parede. Tema abstrato .1953-1954 - Centro Educacional Carneiro Ribeiro, Salvador, Afresco, Tema "Evolução do Homem". 1955 - Fundação Gonçalo Muniz. Salvador, Óleo sobre tela, Tema "O Comércio e a Indústria Sustentam a Ciência. 1958 - Centro de Educação Técnica da Bahia, Ondina, Salvador, Azulejo, com a colaboração do ceramista Udo Knoff Tema "Chegada de Tomé de Souza à Bahia"; Em Feira de Santana. Óleo sobre Eucatex, Tema Feira do Gado", Estação da Estrada de Ferro, de Feira de Santana-BA. 1962 - Aeroporto de Aracaju. Aracaju-SE, Óleo sobre parede. Tema em torno da colheita do coco e motivo indígena; Hotel Palace, Aracaju, Óleo sobre parede, Tema "Chegada de uma família Nobre a Sergipe". 1980 - Campus Universitário de Sergipe. Entrada da Reitoria, óleo sobre Tela 6m x 3m. "Instrução, Ciência, Cultura e Arte"

 Museus com obras de sua autoria

 Museu Nacional de Belas Artes -RJ. Museu de Arte Moderna de São Paulo-SP. Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador-BA. Museu de Olinda-PE. Museu de Araxá-MG. Museu de Feira de Santana-BA. Museu de São Cristovão-SE. Museu da Revista Manchete, Rio de Janeiro-RJ. Museu de Dallas. Fundação Calouste Gulbenkian-Lisboa, Portugal. Museu Hermitage - Rússia. Museu de Arte Contemporânea de Lisboa.

 Livros e álbuns

Em 1968 - Jenner - Imprensa Oficial da Bahia. Salvador, Coleção Plásticos da Bahia, Texto de apresentação de James Amado e citações de textos de diversos autores. 25 reproduções a cores e 69 em preto e branco. 1970 – Jenner - Prodaarte, São Paulo, Supervisão de Carlos Nicolaewsky. Texto de apresentação de Jorge Amado, em português, inglês e francês. 24 pranchas a cores.1967 - Jenner Augusto / Álbum de Desenhos da Europa. 1970 - Imprensa Oficial da Bahia, Salvado- BA, Texto de apresentação de Carlos Eduardo da Rocha, são 12 pranchas a cores.1974 - Jenner, a Arte Moderna na Bahia, Roberto Pontual com 183 páginas, Editora Civilização Brasileira. 1980 - Jenner, Jenner Augusto da Silveira, Bruno Furer Gráficos Brunner, São Paulo. 1981 - Os Alagados de Jenner, Ranulpho Galeria de Arte, Recife-PE.