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sábado, 14 de março de 2026

A IMPORTÂNCIA DE PRESERVAR A MEMÓRIA DOS GRANDES ARTISTAS BAIANOS - SANTE SCALDAFERRI

Até as poltronas de descanso de Sante e Marina
continuam no mesmo lugar. Aí foram horas
de muitas conversas e entendimentos.
Tudo está no mesmo lugar. Seus quadros nas paredes, dezenas arrumados e cobertos por plásticos bolha no seu ateliê onde nos encontrávamos para conversar ou entrevistá-lo e  receio que tudo isto venha a se acabar. Depois de ver vários acervos desaparecerem com o tempo defendo a necessidade de  uma política pública em parceria com a iniciativa privada que possa acolher e preservar os acervos dos grandes artistas baianos. 
A criação de institutos,  transformando em escolas de arte , memoriais, museus com visitações monitoradas, centros de cultura para  realização de  atividades culturais e artísticas  relacionados ou não às suas vidas criativas seriam algumas opções. 
Neste espaço vivi alguns momentos de muitas histórias lembradas de seguidas gargalhadas. O artista e meu amigo Sante Scaldaferri era um dos caras do meio artístico baiano mais bem humorado que conheci, só perdia para seu amigo e antigo vizinho Calasans Neto. Sempre estava com seu riso largo contrastando com a careca proeminente e as obras de figuras toscas, fora dos padrões de beleza, que criava. Já ouvi algumas pessoas que não tem informações consistentes sobre a arte dizerem “este cara deve ser uma pessoa angustiada”. Nada disto! Sante era altamente humorado e consciente que fazia uma arte que expressava a sua visão crítica de uma sociedade cheia de preconceitos, vaidades , buscando a luxúria e de outros sentimentos e atitudes não muito apreciadas. Desenhou e pintou os beatos nordestinos. Se encantou pelos ex-votos e ainda deixou no seu acervo mais de quatrocentos ex-votos que recolheu em suas viagens pelo interior do Nordeste. Certa vez disse a Sante "você além de gostar e pintar os beatos e ex-votos tem uma semelhança física com os beatos”. Rimos a valer neste dia e ele brincando respondeu. “Beato uma porra!”. Este era o Sante Scaldaferri que nas suas andanças pela Itália visitando museus e seus parentes depois de pintar muitas obras a óleo e acrílica sobre tela descobriu a encáustica, uma técnica milenar de pintar que utiliza cera de abelha quente misturada com pigmentos e resina que depois é aplicada na tela ou suporte de madeira. Resulta numa pintura densa e cremosa com uma secagem rápida e de alta durabilidade. É também chamada de pintura a fogo por ser necessário um soprador ou ferro quente para fundir as camadas. O seu nome vem do grego enkausticos que significa gravar a fogo. A pintura pode ser aplicada com pincel ou espátula quente. Com esta técnica Sante Scaldaferri criou centenas de suas obras da última fase de sua rica produção que provoca grande impacto visual pelas formas agigantadas e expressões instigantes.

A GUARDIÃ DO ACERVO

Marina a guardiã  do acervo de Sante Scaldaferri.
Voltei na semana passada à Rua das Amoreiras, no final de linha do bairro de Itapuã, em Salvador, onde está o santuário de Sante Scaldaferri. Ele não estava lá porque desde o dia quinze de maio de 2016 que se encontra em outra dimensão. Mas, encontrei sua esposa e companheira fiel de muitos anos Marina Ferreira Scaldaferri a guardiã de um acervo valioso e primoroso que precisa ser preservado para que as próximas gerações possam ver como trabalhava e criava o grande pintor baiano Sante Scaldaferri. Conversamos durante quase uma hora juntamente com sua amiga a ceramista Irene Omuro. Com seus noventa e cinco anos de idade Marina mostrou lucidez e disposição física descendo e subindo vários degraus até o ateliê onde estão guardadas as lembranças e as obras de Sante. Foram momentos emocionantes porque a cada plástico bolha retirado para rever as lembranças e muitas pinturas que ele pintou e que até aquele momento não as conhecia. Também tive a oportunidade de apreciar o imenso painel Festas Populares da Bahia de mais de quatro metros de comprimento por cerca de 60 cm de largura que está exposto na parede de casa onde residia. Este painel foi pintado em 1957 para a residência do engenheiro seu amigo Antero Souza e que depois mudou para um apartamento e o painel hoje encontra-se em poder de Marina Scaldaferri. Naquela época ele ainda não pintava as figuras gordas e propositadamente estranhas.

                                                     VERSATILIDADE

Em 2014 numa visita que fizemos eu e Leonel
Mattos. Foi a última vez que estive com ele.
O artista Sante Scaldaferri nasceu em Salvador no ano de 1928, era graduado em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia. É considerado um dos mais importantes pintores brasileiros contemporâneos, e sua pintura é a representação da arte erudita focada na cultura popular. Ele expressou as dificuldades e a religiosidade do nordestino. Sem ficar preso ao regionalismo Sante Scaldaferri tem uma abrangência universal ao expressar os sentimentos mais sórdidos e também os mais presentes no ser humano. Foi através do ex-voto que ele chegou a esta sua linguagem inconfundível e universal quando seus ex-votos assumem nitidamente a condição humana e o artista explora com seus traços ,formas e cores  as fraquezas de caráter, os desejos, os pecados, as artimanhas, as alegrias e tristezas. Neste momento em que vivemos no país de fraudes, corrupção desenfreada e injustiças os personagens criados por Sante Scaldaferri mostram quanto sua arte é atual, e poderiam muito bem representar essas figuras da República que estão se banqueteando em festas e clubes fechados em Trancoso no interior da Bahia e até na Europa, explorando o povo, prendendo inocentes e enriquecendo ilicitamente. Esta transfiguração estética que ele fazia do ex-voto serve, portanto, para que nós cidadãos olhemos para essas figuras toscas e fora dos padrões de beleza e reflitamos sobre o futuro do nosso país.

Um desenho de autoria de Sante.
Era desenhista, pintor, escritor e um intelectual que participava ativamente da vida cultural baiana inclusive foi dos conselhos de algumas instituições culturais. Quando jovem participou do grupo ou geração MAPA que tinha como integrantes os cineastas Glauber Rocha, Paulo Gil Soares e Geraldo Sarno; o poeta Fernando da Rocha Peres ; Neônio Spindola numismata,  colecionador e estudioso de moedas, cédulas, medalhas e outros objetos de troca monetária, como fichas e moedas antigas, além de jornalista e escritor brasileiro; o Jornalista e poeta Florisvaldo Mattos; o artista Calasans Neto, e a atriz Helena Ignez. Funcionou nas décadas de 50/60 e o grupo é considerado um impulsionador do Cinema Novo e também da renovação cultural e do desenvolvimento das artes e da literatura na Bahia.

Obra Pesadelo com Ex-Votos, 1999.
 O artista Sante Scaldaferri além de fazer muitas exposições individuais e participar de algumas dezenas de coletivas, de salões, bienais aqui e fora do país ele um dos integrantes do Cinema Novo contribuindo com pequenas cenografias e até como ator em filmes do seu amigo Glauber Rocha. Realizou mais de vinte painéis sendo que o primeiro foi em 1956 na antiga Boite XK que funcionava no Corredor da Vitória, onde hoje encontra-se um daqueles prédios majestosos, portanto já se foram setenta anos! O último painel foi em 1997 chamado Deus e o Diabo na Terra do Sol, no Cine Glauber Rocha para a exposição Cor, Pintura e Ação, comemorativa dos 100 Anos do Cinema – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro-RJ. Foi premiado catorze vezes em salões e bienais aqui e fora do país. Pintou centenas de obras que hoje estão em museus e coleções particulares e públicas e em seu acervo particular.

Muitas dessas realizações foram acompanhadas de perto por sua esposa e companheira inseparável a Marina Ferreira Scaldaferri que  e hoje é a guardiã de seu importante acervo. Ela nasceu em vinte e três de setembro de 1933 na cidade de São Félix, no Recôncavo baiano, e ao terminar o primário foi internada juntamente com suas irmãs no Colégio Dois de julho,

Sante e Marina em retrato de família.
no bairro do Garcia, em Salvador. Três anos depois a família veio para Salvador e foram morar no bairro do Barbalho e matriculadas no Colégio da Bahia. Ao terminar o científico fez vestibular para a Faculdade de Odontologia e ao concluir sua graduação foi trabalhar na Delegacia da Criança com o dr. Elísio Athayde. Ela ia aos clubes de Mães que na época funcionavam em espaços de igrejas  e  lavanderias públicas para fazer palestras para as mães sobre noções básicas de higiene pessoal e das crianças. Foi quando conheceu Sante Scaldaferri que veio para implantar cursos de Educação Artística Infantil. Através do Serviço Social do Comércio – SESC.  Disse que "no início não aceitou o namoro porque naquela época artista era tido como um sujeito irresponsável e sem futuro." Mas, a insistência foi tanta que terminou aceitando com a ajuda de uma amiga que serviu de cupido.

Os concursos públicos eram feitos pelo Departamento Administrativo do Serviço Público - DASP. A Marina Scaldaferri em 1962 fez o concurso para dentista e foi aprovada e  designada para trabalhar no laboratório no Hospital Ana Nery, que funciona ainda hoje no bairro da Caixa D’água. Inicialmente foi ligada funcionalmente ao Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em

Uma repórter em ação na visão do artista.
Transportes e Cargas - IAPETEC, depois virou Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social – INAMPS, e finalmente no Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. Paralelamente ao trabalho de dentista ela se matriculou  no Instituto de Música da Bahia, na Rua Carlos Gomes, número 103 para estudar piano. Portanto, enquanto cuidava dos dentes das pessoas nas horas vagas em sua residência dedilhava e continua dedilhando as teclas do seu piano que o acompanha há algumas décadas.  O Instituto foi fundado pelo maestro Diolino Froes Mascarenhas e hoje não funciona mais no prédio antigo, pertence a Universidade Católica do Salvador. A dedicada Marina Scaldaferri disse que deixou de frequentar o Instituto de Música quando ainda funcionava em seu local de origem, e a razão de desistir de frequentar é que algumas vezes saía de Itapuã onde morava com Sante e ia para a Rua Carlos Gomes. Infelizmente ao chegar diziam que não ia ter aula porque haveria uma reunião e outras desculpas. Até que se chateou e desistiu.

Lembrou Marina Scaldaferri que casou em 1967 na Igreja Presbiteriana, que funciona no bairro do Garcia, embora ele fosse católico. Sante Scaldaferri era católico fervoroso e oblato do Mosteiro de São Bento frequentava a missa todos os domingos. O casal saía de Itapuã ele a deixava na igreja presbiteriana e seguia para o Mosteiro de São Bento, no Centro Histórico de Salvador. Os oblatos podem ser casados ou solteiros e embora não vivam na clausura do convento são membros da comunidade monástica e vivem o espírito da Regra de São Bento em seu cotidiano, na família e no trabalhoForam quase cinquenta anos nesta toada. Disse que sente muita falta, que é muito difícil ficar sozinha e até hoje fico pensando o

Desenho de Mulher Nua e Deitada.
que fazer com este acervo. O desejo de Sante era a criação de um Instituto para cuidar do acervo e desenvolver ações culturais ligadas às  artes visuais. Ela já catalogou quatrocentos ex-votos e igual número de obras. Ele doou algumas obras para o Mosteiro de São Bento e outras foram doadas por ela. Os ex-votos estão guardados na Igreja da Graça, que pertence a ordem dos beneditinos e  tem um grande claustro.  
Tinha um professor de Anatomia Artística da Escola de Belas Artes Aldemiro Brochado e o Sante Scaldaferri passou a ser seu assistente e fazia os desenhos para ilustrar as aulas do professor. Quando Lina Bardi morava na Bahia ele também ajudou na implantação de uma escola de arte infantil no foyer do Teatro Castro Alves. Juntamente com o dr, Elísio Athayde, da Delegacia da Criança montaram uma escola infantil de Arte no bairro dos Alagados. Trabalhou ainda um tempo no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC que era dirigido por Vivaldo Costa Lima. Juntamente com o professor Arquibaldo Silva eles fizeram um centro de artesanato e as crianças produziam e a metade do dinheiro arrecadado com as vendas ficava com as crianças.
Desenho de Sante se
destaca pela qualidade.
 Ele foi trabalhando nesses locais até que se firmou como pintor. Moravam no bairro da Graça na casa dos pais de Sante Scaldaferri ,só que eram imóveis geminados, independentes. Foi quando em 1975 mudou para a Rua das Amoreiras, número 7, e passou a se dedicar a sua arte exclusivamente. Foram para lá porque Calasans Neto tinha comprado um terreno e incentivou Sante a adquirir outro. Eles fizeram as casas nos anos de 1974/5 quase ao mesmo tempo e foram vizinhos durante grande parte de suas vidas. No início Marina Scaldaferri não queria que ele comprasse o terreno porque o final de linha de Itapuã é muito distante do Hospital Ana Nery onde ela trabalhava no bairro da Caixa D’água. Disse que  pegava o serviço às sete horas da manhã, tinha de acordar às 5 horas  fazer o café e sair para trabalhar. Ficou neste trabalho por quase trinta anos até se aposentar. O artista Sante Scaldaferri e Marina tiveram uma vida simples, mas viajaram muito e todas às vezes que ia para a Europa ele fazia questão de passar em Trecchina  que é uma pequena cidade  ao sul da Itália, na região da Basilicata província de Potenza, com cerca de 2.404 habitantes, onde nasceram seus pais. Sua mãe Terezina Scaldaferri chegou ao Brasil grávida e seu pai Ferdinando Scaldaferri vieram e foram parar na cidade de Jequié. Sante que era muito brincalhão dizia rindo “Não me pergunte porque eles foram parar em Jequié, que não sei dizer”. O pai de Sante era o mais jovens dos três irmãos e com os anos eles passaram a comprar e vender café e depois montaram uma torrefação de café e vendiam pra toda a região. Prosperaram e os pais de Sante Scaldaferri vieram morar em Salvador no bairro da Barra onde ele veio a nascer. Quando tinha uns três anos de idade o pai adoeceu e voltou para a Europa para fazer o tratamento, chegou a ir para França e voltaram para a Trecchina. Sua mãe ficou viúva e  casou novamente e teve mais dois filhos. Portanto, ele foi criado pelo padrasto, do qual gostava
O acervo de 400 ex-votos de sua coleção
e centenas de obras já estão catalogados.

muito. Eles o incentivaram a fazer Engenharia e chegou a se inscrever no vestibular, mas ao chegar na porta desistiu. Se considerava péssimo em fazer contas. Brincando dizia  na época a Escola de Belas Artes estava “precisando de alunos, aí eu passei”. Brincadeira dele, revela Marina. 
Relembrou Marina Scaldaferri que"ele sempre falava  que tinha um professor na Escola de Belas Artes em sala de aula que contava uma anedota dizendo "quando o italiano tinha um filho jogava o barro na parede. Se o barro ficasse preso na parede o filho ia ser pintor, se caísse não ia ser pintor. E completava : O barro deste não pegou. Dizia rindo se referindo ao aluno Sante Scaldaferri. Ele nunca disse quem era este professor, mas soube que com o tempo tornaram-se amigos. Quanto as obras de Sante ela disse que “a pessoa tem o direito de gostar e não gostar de uma pintura. O que não pode é dizer que a pintura não presta, porque aí vai ter que argumentar porque não presta. Modéstia à parte Sante sabia pintar." Contou ainda Marina Scaldaferri que um cliente de Sante antes dizia que nunca iria colocar um quadro desse na minha parede e que depois terminou comprando um e tempos depois comprou o segundo” Sante Scaldaferri dizia que a pintura não deve ser somente decorativa. Ele fez o que gostava, foi feliz. Foi contestado e  dizia “O homem vai e a obra fica “, e eu fico feliz porque contribuí para ele fazer o que gostava e se sentir feliz.
 
LEMBRANÇA

No seu livro Sante Scaldaferri Desenhos, de 2003, ele incluiu um texto de minha autoria ao lado dos escritos por Glauber Rocha, Ivo Vellame, César Romero, Guido Guerra, Jorge Amado, Godofredo Filho, Theon Spanudis, dentre outros. Veja o texto:

Desenho que ilustra o texto ao lado.
O pintor Sante Scaldaferri está expondo no Solar do Unhão desde ontem em comemoração aos 20 anos dedicados à arte. Uma pintura vinculada às raízes da cultura popular onde o artista explora toda a dramaticidade e a religiosidade do povo nordestino. Uma pintura forte como expressa a própria temática carregada de um misticismo à toda prova. A própria figura de Sante lembra um beato de fala mansa e de fácil conversa. As caras que preenchem todos os espaços de suas telas são repetitivas, mas não cansam. São figuras representadas pelos nordestinos quando necessitam pagar uma promessa e fazem seus bonecos de cerâmica ou madeira colocando escondidos nos cruzeiros, quase sempre afastados dos centros das vilas e cidades do interior. Os cruzeiros estão localizados nos arredores, em pequenos montes como verdadeiros vigilantes das vidas e destinos dessas localidades
.
Sante sabe assim captar todo este misticismo e transportá-lo para a tela e por isso vem marcando seu lugar no panorama pictórico da Bahia. O desenho não é apurado e não precisava ser porque ele busca exatamente traduzir os conhecimentos desta gente sofrida e esquecida do nosso Nordeste. Um detalhe curioso é que todas as suas figuras têm olhos grandes e vigilantes como a demonstrar que embora esquecidos estão vivos e a qualquer momento poderão se agrupar, como já aconteceu com milhares que seguiram Antônio Conselheiro e outros fanáticos, que de vez em quando aparecem.
A pintura de Sante Scaldaferri tem assim uma importância histórica muito grande, porque ele retrata esta gente que tende a desaparecer à medida que o progresso vai chegando com as rodovias asfaltadas, com a luz elétrica, com os receptores de televisão instalados nas pracinhas, e, especialmente, com a invasão de "*turistas' que só lhes trazem malefícios. As cabeças são grandes, como também os narizes e os lábios grossos e curtidos pelo sol Tenho diante de mim uma de suas telas datadas de 1976, "Casa do Romeiro*, onde aparece um romeiro vestido “a rigor", uma mulher de longos cabelos e muitas cabeças de beatos e um boi à frente. Uma verdadeira "família" reunida dentro da visão pictórica deste artista de linhas e contornos fortes, que vive captando o misticismo do nordestino.”

                                                                       EXPOSIÇÕES

Capa do catálogo da exposição
na Galleria Montesant
i,1987.
INDIVIDUAIS - Em1957- Galeria da Escola de Belas Artes – Salvador-BA. 1958 - Galeria Domus Salvador-BA.  1959 - Pequena Galeria de Arte da Biblioteca Pública Salvador-BA. 1960 - Galeria da Escola de Belas Artes - Salvador-BA .1961 - Museu de Arte Moderna – Salvador-BA. 1965 - Galeria Goeldi Rio de Janeiro RJ.1966 -Galeria Atrium -São Paulo-SP; Galeria Quirino – Salvador-BA.1967 - Galeria Atrium- São Paulo-SP.1968 - A Galeria - São Paulo-SP.1969 - Galeria Voltaico - Rio de Janeiro-RJ. 1971 - Galeria da Biblioteca Central - Salvado- BA. 1973 - Museu de Arte Sacra – Salvador-BA.1975 -Museu Regional - Feira de Santana-BA. 1977- Museu de Arte Moderna – Salvador-BA. 1978 - Palácio Buriti- Brasília-DF.1981- Galeria Genaro de Carvalho – Salvador-BA; Galeria Rodrigo M. F Andrade - Rio de Janeiro-RJ e Galeria CEPLAC – Brasília-DF.1982 - Museu de Arte Moderna – Salvador-BA; Museu de Arte da Universidade Federal – Fortaleza-CE.1983 - Galeria do Centro Cultural Cândido Mendes - Rio de Janeiro-RJ.1984 - Galeria Ars, Artis - São Paul- SP e Galeria Anna Maria Niemeyer - Rio de Janeiro-RJ. 1985 - Museu de Arte da Bahia – Salvador-BA e Museu de Arte Moderna - Exposição do políptico "As Tentações de Cristo" - São Paulo-SP.1986 - Museu de Arte Moderna (Destaque do Trimestre) - Salvador-BA. 1987 - Montesanti Galleria - São Paulo-SP e Galeria Anna Maria Niemeyer - Rio de Janeiro-RJ. 1988 - Choise Galeria de Arte - São Paulo-SP e Tereza Galeria de Arte – Salvador-BA.1989 - Brasil Inter Art Galerie – Pari- França; Cívica Galeria D'Arte Città di Portofino – Portofino-ltália; Galeria Anna Maria Niemeyer - Rio de Janeiro- RJ e Performance Galeria de Arte – Brasília-DF. 1992 - Gaymu Inter Art Galerie – Paris-França. Ethinic Modern Art – Genebra-Suíça.1993 - Galeria Anna Maria Niemeyer - Rio de Janeiro-RJ e Galeria Sofitel-Prova do Artista – Salvador-BA. 1995 - Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro-RJ.1996 - Museu de Arte Moderna – Salvador-BA. 2001 - Prova do Artista Galeria de Arte – Salvador-BA.

Quatro obras  em encáustica sobre madeira.
COLETIVASEm 1953 - Apresenta suas pinturas em salões de arte e exposições coletivas ainda como estudante. 1957 -Termina o Curso de Pintura na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, a começa sua vida profissional. Participa de várias exposições coletivas e salões regionais, entre eles o I Salão Pan- Americano de Arte Moderna, em Porto Alegre e no XIV Salão Municipal de Belas Artes, em Belo Horizonte-MG, sendo selecionado também para o Vll Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, tendo exposto obras neste Salão nos anos de 1963, 67,68, e 69. Em 1960 - Participa do Prêmio Probel de Pintura, em São Paulo e, também, juntamente com Mario Cravo e Calasans Neto, das exposições "Artistas Baianos", no Rio de Janeiro, e "7 Baianos no MAMBA", Salvador, no XV Salão Municipal de Belas Artes, Belo Horizonte, e no IX Salão Paulista de Arte Moderna, São Paulo. 1961 a 1964 -Participa, entre outras, da exposição "Novos Artistas da Bahia", Rio de Janeiro e "Artistas Nordeste"", inaugurando a nova sede do MAM, no Solar do Unhão, Salvador-BA. 1965 - Participa do Salão Esso de Artistas Jovens, tendo sua pintura exposta pela primeira vez no exterior, em Washington DC, EUA. A partir de então tem participado de exposições internacionais Espanha, França, Inglaterra, Itália, Portugal, Suécia, Suíça, Costa Rica, Guiana, Venezuela, Marrocos, nos EUA, Senegal, Tunísia, China, Formosa, Hong Kong e Malásia.1966 a 1968 - XVI Salão Paulista de Arte em São Paulo e I e Il Bienal Nacional de Artes Plásticas, em Salvador-BA. 1969 a 1972 - Exposição "Artistas Plásticos da Bahia", Belo Horizonte; “Pré-Bienal do Nordeste", Recife e Pré - Bienal de São Paulo" e "Brasil Plástica 72". em São Paulo, ambas organizadas pela Fundação Bienal Internacional de São Paulo.1973 a 1979 - Exposições Jorge Amado e Os Artistas de Teresa Batista Cansada de
Painel Festas Populares pertence ao acervo
do artista
.

Guerra, Belo Horizonte e "7 Baianos", Rio de Janeiro; "Centenário da Escola de Belas Artes", Salvador, e "Israel 30 Anos", Salvador.1980 - Exposição "Novas Obras" no Museu Parreiras, Niterói-RJ, e "11 Artistas da Bahia", Fortaleza, senda selecionado para o I Salão Nacional de Artes Plásticas do Rio de Janeiro, expondo obras neste Salão nos anos de 1981, 82,83,84 e 85. Participa em 1981 e 1982 da "5 Exposição de Arte Brasil-Japão", itinerante no Brasil e Japão, "Pablo! Pablo! Uma Interpretação Brasileira de Guernica", Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília e na exposição "3 Artistas da Bahia", Brasília-DF.1983 e 1984 -  XXXVI Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, Recife; 5 Mostra do Desenho Brasileiro, Curitiba; Panorama de Arte Atual Brasileira, São Paulo; "Artistas Contemporâneos da Bahia", São Paulo; "Five Contemporary Bahian Artist", New York, EUA; "I Feira da Cultura Brasileira" São Paulo; "Circuito de Artes Plásticas do Nordeste", Salvador; "Arte Postal", Curitiba;  "Visão Genuína da Arte Brasileira", Fortaleza e "Artistas da Bahia", Fortaleza-CE . 1985 – 1988 - XVI|l Bienal Internacional de São Paulo, exposição Expressionismo Brasileiro; 3 Salão Paulista de Arte Contemporânea, São Paulo; Exposição "Afro-Bahia", São José, Costa Rica, e nas exposições "Premiados do VIIl Salão Nacional de Artes Plásticas", Rio de Janeiro; "Baianos em Brasília", Brasília-DF; "A cidade e os Astros", Rio de Janeiro, e "Afro-Bahia", Túnis, Tunísia.1989 e 1990 - Participa na ll Bienal Internacional de Cuenca, Equador, e IlI Bienal de La Habana, Cuba. Exposições "The 4th. International Art Fair, Londres, Inglaterra; “Barcelona Internacional Art Forum", Barcelona Espanha;
Obra O Sonho Dourado de Zinha, 2000.
"Art Bahia", Túnis, Tunísia; “Premier Mondial de L'Antiquité, de L'Art Moderna et Contemporais", França; Pintura Contemporânea do Brasil, Caracas, Venezuela e “Pintura "Afro-Bahia", Casablanca, Marrocos .1991 -Participa como membro da representação brasileira da XXl Bienal Internacional de São Paulo e das exposições "Art Miami 91; International Art Exposition", Miami Beach, EUA; "Artefiora 91; Mostre Mercato D'Arte Contemporânea", Bolonha, Itália; “10 Anos de Acervo da Coleção do Centro Cultural Cândido Mendes", Rio de Janeiro; "The 6th. International Art Fair", Londres, Inglaterra; "Art Jonition International; Foire International D'Art Contemporais", Nice, França e "Petit Formats", Paris, França. 1992 -  Participa das mostras "Cristóforo Colombo", Interpretazioni di Artisti Contemporanei su Colombo" e "L'Arte Applicata alle Mollete da Bucato  -Ter Miniesposizione a Rotazione in Contemporânea durante as comemorações do V Centenário do Descobrimento das Américas, em Genova, Itália e da "Art Miami 92, International Art Exposition", Miami Beach, EUA;  "Europ'Art Salon International des Galeries Art Actuel", Genebra, Suíça ;  "Semaine d'era de I'Amerique Latine et Caraibes", Paris, França ; "La nuit de la Bastille", Paris, França, e "A Caminho de 
Registros das Bienais que participou.
Niterói" (Coleção João Sattamini), Rio de Janeiro. 1993 -  Participa na "Panorama de Arte Atual Brasileira 93-Pintura", São Paulo-SP e das exposições "Paixão do Olhar" e "Piracema", Rio de Janeiro ; "Art Miami 93, International Art Exposition", Miami Beach, EUA;  "Art Taipeh- International Exposition", Taipeh- Taiwan; "International Art Exposition", Hong Kong-China .1994 -  Exposições "Além da Tapobrama- A Figura Humana nas Artes Plásticas dos Países de Língua Portuguesa", Lisboa-Portugal; "Sante Scaldaferri e Arakem Costa", Antibes – França ; "Art Miami 94" - International Art Exposition, Miami Beach- EUA ;  "International Art", Cingapura-Malásia, "International Art Exposition", Kaohsiung, Taiwan, "China Art Expo 94"; Quangzhou,-China . 1995 - Exposição "Mistérios e Fronteiras", Lausane-Suíça; "Cor-Pintura-Ação" - Comemorativa dos 100 anos de Cinema, Rio de Janeiro, “Além da Tapobrama", Rio de Janeiro e "Art Stockolm", Stockolm, Suécia. 1996 - Exposições "Contemporary Brazilian Art", Nova lorque, EUA; “11 Mestres das Cores", Barcelona-Espanha e "Mistérios e Fronteiras", Rio de Janeiro. 1997 – 1ª Bienal Interparlamentar de Pintura do Mercosul, Montevidéu- Uruguai, e exposições "Art Miami 97", Miami Beach, EUA; "Artistas Ilustradores de Castro Alves" - Comemorativo dos 150 anos do poeta, em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. 1998 - Participa da inauguração do Parque das Esculturas, exposição permanente no MAM-BÀ, Salvador, "Tropicália 30 Anos - 40 Artistas da Bahia", Salvador; "Bahia à Paris - Art Plastiques d' Aujourd'hui", Paris-França e do Festival "Torri d'Avvistamento", Turquinia e Tuscania-ltália, 1999 - Exposições "Arte Arte Salvador, 450 Anos", Salvador e "Artistas Brasileiros" (juntamente com Carlos Bastos), Frankfurt am Maim-Alemanha. 2000 - I Bienal Internacional de Arte, Buenos Aires- Argentina. 2001 - Exposição "Mestres da Arte Baiana", Salvador-BA.

PRÊMIOS- Em 1953 - IIl Salão Universitário de Belas Artes, Salvador, BÀ - Menção

Obra que publicou sobre os primórdios da
arte moderna na Bahia e foi premiado.

Honrosa em Desenho.1954 - Salão do Il Congresso Nacional de Estudantes de Arte, Salvador-BA, Menção Honrosa em Pintura e 3° Prêmio em Desenho. 1956 - VI Salão Baiano de Belas Artes, Salvador, BA - Menção Honrosa em Pintura. 1959 - I Salão Universitário Baiano de Arte Moderna, Salvador-BA - 1° Prêmio em Pintura ; Vencedor do Concursa para Cartaz Publicitário e XIV Salão Municipal de Belas Artes, Belo Horizonte-MG - Prêmio de Aquisição.1981 - Ill Salão da Ferrovia. Rio de Janeiro-RJ - Referência Especial do Júri. 1982 - V Salão Nacional de Artes Plásticas, Rio de Janeiro-RJ - Referência Especial do Júri.19835° Mostra do Desenho Brasileiro, Curitiba-PR - Prêmio Secretaria do Interior.1984 - XVI Salão Nacional de Arte, Belo Horizonte-MG - Prêmio Centrais Elétricas de Minas Gerais; Vencedor do "Concurso de Monografia do Museu de Arte Moderna da Bahia, Fundação; Cultural do Estado da Bahia, com o trabalho "José Guimarães e os Primórdios da Arte Moderna na Bahia. 1985 - VIlI Salão Nacional de Artes Plásticas, Rio de Janeiro-RJ - Prêmio de Aquisição. 1997 -1ª Bienal Interparlamentar de Pintura do Mercosul, Montevidéu, Uruguai - Gran Prêmio- Comision Administrativa del Poder Legislativo. 1998 Lançamento da Monografia vencedora do Concurso em 1994, acima referido, sob o título "Os primórdios da Arte Moderna na Bahia Depoimentos, Textos e Considerações em torno de José Tertuliano Guimarães e outros artistas"

 

 

        

 



sábado, 7 de março de 2026

JÔ FERNANDES O PINTOR DAS CENAS DO COTIDIANO

Jô Fernandes pintando numa mesa plana como
fazia quando era layout man fazendo as
ilustrações das peças publicitárias .
O artista curitibano, Jô Fernandes é publicitário, pintor e ilustrador atualmente residindo em Fortaleza, no Ceará, vem se notabilizando por retratar paisagens e cenas do cotidiano através de suas aquarelas em acrílica. Ele gosta de ir até os locais levando  tintas e outras tralhas para pintar in loco captando todos os detalhes para realizar as suas pinturas. Já pintou em beira de estrada, na zona rural e urbana, e até mesmo fez performances em shoppings mostrando a sua arte espontânea. Dá aulas de pintura a um grupo de senhoras em Fortaleza e sente muito estimulado por poder contribuir levando a arte para outras pessoas e se orgulha de despertar talentos. Não frequentou a academia, é autodidata e tudo começou desde criança quando copiava desenhos em quadrinhos e já adolescente fazia letreiros e placas para serem colocadas na frente de casas comerciais. Antes de enveredar pela publicidade concluiu o curso de Edificações, na Escola Técnica de Curitiba, no Paraná onde desenhava projetos arquitetônicos. Depois enveredou pela publicidade sendo layout man. que “é o profissional responsável por estruturar e organizar visualmente elementos em materiais
Carrinho de  Reciclagem , Fortaleza.
gráficos, como revistas, jornais, livros ou sites. Eles definem a disposição de textos, imagens e design para garantir uma comunicação clara, atraente e funcional, podendo também atuar na pré-impressão”. Evoluiu profissionalmente e tornou-se diretor de arte de várias empresas importantes de publicidade em Salvador, Fortaleza, Curitiba e São Paulo. Antes da internet os diretores de arte mais criativos eram muito disputados e seus passes comprados por quem oferecesse mais vantagens e dinheiro, como acontece hoje com os jogadores de futebol. Diz não se enquadrar” em nenhum estilo,” mas sua pintura tem uma pegada naif e ele trabalha com acrílica sobre tela com um colorido forte, com as tintas quase cruas. Seu processo se inicia com uma base de látex que ele coloca por toda a extensão da tela e quando seca passa a pintar e posteriormente é que estica nos chassis. Não usa o cavalete, e sim uma mesa plana como fazia nos seus tempos de layout man. Para os que não conhecem estilos de pintura naif " é uma expressão artística de origem francesa , autêntica e popular, criada geralmente por artistas autodidatas que não seguem padrões acadêmicos, perspectiva ou proporções formais. Caracteriza-se por cores vibrantes, temas cotidianos, formas simples e espontaneidade, muitas vezes lembrando desenhos infantis e valorizando a cultura popular."

Composição com cangaceiras e utensílios
que usavam.
Seu nome de batismo é Joaquim Fernandes Silva, assina suas obras como Jô Fernandes nasceu em três de dezembro de 1950 na cidade de Curitiba, no Paraná, onde fez o primário no Grupo Escolar Xavier da Silva. Quando crianças uma amiga de seus pais d. Emília Saldanha lhe deu um kit de aquarela após ver que ele gostava de desenhar e pintar com lápis de cor. Já adolescente foi estudar pintura com o pintor curitibano “Mario Beckmann Rubinski que estudou na Escola de Belas Artes do Paraná e cursou didática de desenho na Faculdade Católica do Paraná, em 1958. Realiza capas de catálogos de salões paranaenses e participa da comissão julgadora do Salão de Artes Plásticas para Novos entre 1969 e 1971 e leciona na Casa Alfredo Andersen, durante dez anos. Em paralelo à produção artística, trabalha como chefe da Seção de Belas Artes da Biblioteca Pública. Demorou pouco tempo estudando com o Rubinski. Ao terminar o ginásio seguiu para a Escola Técnica onde concluiu o curso de Edificações, em 1968. 

Composição em acrílica sobre tela com
elementos da cultura nordestina.
O Jô Fernandes Passou um tempo trabalhando desenhando em escritórios de arquitetura até fazer concurso público para a Prefeitura de Paranaguá, no litoral do Paraná, que tem um importante porto.  Fundada em 1648 é a mais antiga cidade do estado e atualmente tem cerca de 146 mil habitantes. Permaneceu por lá cerca de dois anos. Aos vinte e dois anos de idade quando decidiu trabalhar na Victor Johnson Publicidade. Contou o ex-funcionário Elói Beto Zanetti que a empresa tinha o nome do dono que já era veterano na área e ficou também conhecido por cativar seus clientes. Costumava até procurar pontos para lojas, arrumava tudo e o cliente ficava cativo. Seu senso prático na área marcou a publicidade em Curitiba. Portanto, foi uma escola de aprendizagem importante para muitos jovens que iniciavam na publicidade inclusive para o Jô Fernandes que trabalhou nesta empresa por vinte e cinco anos seguidos. Como acontece com muitos brasileiros seu sonho era trabalhar numa empresa de publicidade paulista e foi assim que em 1973 entrou para a Empresa Paulista de Publicidade- EPP, passando a ganhar mais e  a ser mais visto no meio 
Ônibus levando retirantes para São Paulo.
publicitário. Recebeu um convite e foi trabalhar em Brasília para atuar na Serra Publicidade, do Grupo mineiro Victor. Ficou durante um ano quando conheceu sua primeira esposa. Casou e depois de um tempo vieram morar em Salvador. Aqui trabalhou com Jorge Santos, na Chama Publicidade, e depois com Duda Mendonça, na DM9,  finalmente com Fernando Passos, o Fernandinho, e Claudio Barreto, na Engenho Novo. Aqui entrou para a turma da boemia de artistas e escritores e fez amizades com Ângelo Roberto, Fred Souza Castro e muitos outros. Nasceram seus dois primeiros filhos. Era diretor de arte dessas empresas de publicidade e a pintura sempre estava exercendo nas horas vagas em sua casa.  Com o casamento desfeito recebeu um convite e foi trabalhar em Fortaleza, no Ceará. Isto ocorreu   em 1996 quando entrou para a Scala Publicidade como diretor de Arte. Passou um período também na Marca Propaganda e Árvore Publicidade. Vem o segundo relacionamento e tem uma filha menor de idade. Se aposentou em 2016 e de lá para cá tem se dedicado exclusivamente à sua arte e às aulas de pintura  para um grupo de pessoas. Alguns dos seus alunos são egressos da Escola de Belas Artes de Fortaleza e
Igreja com casario, de Jô Fernandes.
ele disse que é muito gratificante porque ficam trocando experiências. Durante as aulas os participantes falam de assuntos ligados a História da Arte e das técnicas variadas que aprenderam na Belas Artes. 
Reconhece ser difícil viver de arte no Brasil, e que não sabe avaliar em outros países, mas que é muito prazeroso e está feliz com sua opção em fazer arte. No próximo mês de abril vai fazer sua quinta exposição num Shopping, em Fortaleza. Tem obras espalhadas por este Brasil afora e no exterior e mantém um contrato com a Galeria Carré d’Artistes, onde expõe quarenta obras em três formatos 36cm x 36cm, 29cm x 29 cm, 19 cm x 19 cm e 13cm x 13cm. Eles expõem obras de vários artistas numa espécie de racks e as pessoas escolhem. Portanto, são obras em pequenos formatos e os preços são acessíveis. "A Carré d'Artistes Brasil é uma galeria de arte francesa localizada em São Paulo, focada em tornar a arte acessível com obras originais e únicas de artistas brasileiros e internacionais. A galeria oferece pinturas e esculturas de diversos estilos e tamanhos, promovendo o trabalho de artistas de diferentes horizontes, e tem franquias em outros países”.

EXPOSIÇÕES

Expondo num shopping em Fortaleza, no Ceará.
INDIVIDUAIS - Em 2012 - Expo Shopping Via Sul Fortaleza, Fortaleza-CE. 2013 - Expo SESC Av. Duque de Caxias Fortaleza -CE; Solar Bonifácio Câmara Maranguape -CE; Expo Sesc Praia de lracema, Fortaleza -CE; Museu de Pacoti-CE; Expo Shopping Terrazo, Fortaleza-CE; Expo Shopping Benfica, Fortaleza-CE; Expo Shopping Eusébio-CE; Expo no Núcleo de Arte, Educação e Cultura de Euzébio, Eusébio-CE.  2014 - Mostra Cariri de Cultura, Cariri-CE; Galeria Carré d'Artistes São Paulo; Expo Núcleo de Arte, Educação e Cultura -NAEC, Eusébio CE; Expo Escola de Saúde Fortaleza-CE; Expo Shopping Eusébio-CE. 2015- Mostra Cariri de Cultura ,Cariri-CE; Mostra Ceará Moda Centro Dragão do Mar, Fortaleza-CE. 2016 - Mostra Ceará Moda Centro Dragão do Mar – Fortaleza-CCE. 2017 – Galeria MacNight, Viena-Aústria; Expo Shopping Benfica, Fortaleza-CE. 2018 - Casa Cor Teresina-Piauí; Evento Fiocruz,Fortaleza-CE.2019- Expo -Shopping Benfica, Fortaleza -CE. 2023 – Expo Alphaville ,Fortaleza-CE.

COLETIVAS -Em 2013 -Galeria FA7 , Fortaleza -CE. 2014 – Galeria FA7,Fortaleza -CE ; Expo Shopping Benfica, Fortaleza CE. 2015 -  Escola Parque do Tapuio,  Aquiraz-CE;  Expo no Núcleo de Arte e Cultura do Eusébio-CE. 2025 - Galeria Carré d'Artistes Boca Raton Miami- EUA; Expo Academia Cearense de Artes , Fortaleza-Ceará; Expo Casa 55 Shopping Aldeota Fortaleza- CE; Expo Artistas de Maranguape-CE; Expo Casa55 ; Expo Fiocruz Fortaleza-CE; Expo da Academia Cearense de Artes – Aca; Expo  Shopping Via Sul Fortaleza-CE.


 

 

 

 

 

 


sábado, 28 de fevereiro de 2026

NORMA COUTO E A EXCELÊNCIA NA ARTE DA CERÂMICA ARTÍSTICA

Ceramista Norma Couto com pastas
  e catálogos de sua  trajetória.
A artista piauiense Norma Couto, nascida em  Parnaíba, no delta do rio do mesmo nome está radicada em Salvador desde 1965 quando veio estudar na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia concluindo os cursos de Artes Plásticas e depois  Licenciatura em Desenho e Plástica. Porém, a cerâmica o atraiu ao frequentar as aulas e o ateliê do professor Udo Knoff,  no bairro de Brotas. Em 1979 vai para Portugal onde se especializa em cerâmica na Universidade da cidade de Aveiro. Concluiu seu Mestrado em Artes com o tema Forma e Natureza e participou de bienais, exposições aqui e no exterior. Foi premiada quatro vezes sendo a mais importante de 1996 na Categoria Cerâmica Artística, no 40º Congresso Brasileiro de Cerâmica em Criciúma, no estado de Santa Catarina.  Relembrou que fez o curso primário na Escola Santo Antônio que pertencia a um casal de maranhenses que se estabeleceu na cidade de Parnaíba, no Piauí, onde nasceu em três de outubro de 1945 e morava com seus pais que a matricularam quando atingiu a idade de ir para a escola. Disse que a professora d. Maria Celeste de Jesus era educadíssima, acredita que tenha estudado em escolas de freiras. O curso ginasial foi estudar no antigo Ginásio Parnaibano, que era particular e quando seu pai passou a ser o diretor conseguiu estadualizar e passou a se chamar de Colégio Estadual Lima Rebelo, que foi o criador da instituição.  Fundado em 11 de junho de 1927 como Ginásio Parnaibano, é uma das instituições mais tradicionais do estado do Piauí, sendo a primeira instituição a oferecer ensino médio na região. Idealizado por José Pires de Lima Rebelo, mudou-se para sua atual sede em 1959 e hoje atua como CETI Lima Rebelo, com ensino em tempo integral.

Esta obra mostra a Amazônia sendo devastada 
e foi exposta numa estação do metrô
em São Paulo.
Seu pai José de Lima Couto era professor e costumava dizer que consideravam o Piauí como “o patinho feio porque tinha muitos analfabetos. "Meu pai veio a este mundo para se dedicar à educação”, afirmou Norma Couto. Como diretor do Ginásio Parnaibano ele já conseguira transformar em estadual passando a se chamar Ginásio Estadual Lima Rebelo. Em seguida através sua amizade com um ex-aluno o político Chagas Rodrigues com quem disse ter feito um pacto para  a criação do curso colegial. Seu pai era educador e não político, mas fez um acordo, se o político prometesse transformar o ginásio em colégio ele subiria no palanque com ele apoiando a sua candidatura a deputado federal. Também seu pai conseguiu posteriormente  com o governador Petrônio Portela outro imóvel, instalaram a Escola Normal e inovaram criando juntamente  os cursos primário e ginasial. Assim a menina entrava no primário, fazia o ginasial e o curso Normal. Desta maneira formou centenas de professoras primárias que contribuíram em muito para na época aumentar o nível de escolarização na região do Parnaíba. A artista Norma Couto foi uma das jovens que concluiu o curso 
Três belas obras criadas pela artista em 1989.
Normal na Escola Francisco Correia. Ao se formar recebeu um convite para ensinar na escolinha do SESI do professor Benedicto Jonas Correia, amigo de seu pai. “Como meu pai sempre me via desenhando e interessada em arte agradeceu e disse que eu iria para Salvador estudar na Escola de Belas Artes”, contou Norma Couto. Lembrou ainda que seu tio,  irmão de seu pai era um bom desenhista e pintor e foi ele quem pintou o pano de boca do Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, do Maranhão. O pano de boca do Teatro Arthur Azevedo, localizado no centro histórico de São Luís (MA), é um elemento imponente que faz parte de um dos teatros mais antigos do Brasil, inaugurado em 1817. Antes o pano de boca, que é a cortina principal na frente do palco, era movido manualmente, atualmente é automática e pesa quase uma tonelada.

Seu pai também dava aulas de Inglês e como na época não existiam aparelhos audiovisuais para projetar slides para ajudar a ministrar suas aulas ele costumava fazer desenhos de passarinhos e outros animais e objetos representando as palavras para melhor compreensão dos seus alunos. Já sua mãe vinha de uma família de artesãos. A jovem Norma Couto chegou em Salvador no ano de 1965 com apenas dezenove anos. Fez vestibular para Artes Plásticas ao concluir fez dois anos para

Norma Couto trabalhando numa pintura feita em 
pastel seco e lápis.
Licenciatura. Foi trabalhar em 1971 como diagramadora do jornal Tribuna da Bahia permanecendo durante dois anos. Lembra que naquela época ,uma coisa que a incomodava. Nós jornalistas fumávamos muito e as roupas ficavam com forte cheiro de fumaça. Eu mesmo fumava quase duas carteiras de Holywood  diariamente. 
Como já estava formada soube que estavam abertas as inscrições na Escola de Belas Artes da UFBA para ministrar aulas de Desenho e Escultura. Ela se inscreveu em Desenho, passou e foi ensinar Desenho III que era de observação e depois Desenho IV que era de percepção visual, como os alunos enxergam o mundo. Seus alunos eram estudantes de Engenharia Civil, Arquitetura e de Belas Artes, dentre outros cursos.

Casou em 1976 com o professor de Oceanografia português Jorge Falcão Paredes que ensinava no curso de pós-graduação Universidade de São Paulo-USP e depois veio trabalhar no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento - CEPED e  também ensinou um período no Instituto de Geociências, da UFBA. Enquanto isto Norma Couto continuava ensinando e passou a ajudar o professor Udo Knoff em suas aulas e quando a esposa do professor d. Hortênsia, que era seu braço direito no ateliê  faleceu ela passou também a frequentar o seu estúdio em Brotas. Foi aí que o

A artista Norma Couto mostra alguns
azulejos pintados por ela.
Jorge Paredes  fez contato com um professor do Departamento de Engenharia Cerâmica da Universidade de Aveiro,em Portugal para ela estudar lá. Norma Couto foi  e depois para Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde juntamente com o esposo ficaram um ano por lá. Ela conseguiu uma bolsa da CAPES. Tinha como seu orientador intelectual o professor Eduardo Calvet de Magalhães, que gostava muito dos brasileiros. Ele era muito amigo do cônsul brasileiro casado com a senhora Beatriz  Mello Franco que era ceramista. Com essas amizades conheceu muitas fábricas de cerâmicas em Portugal, inclusive conseguiam barro de qualidade para trabalhar. 
Entre as  que visitaram destacou a Fábrica Cerâmica  do  Carvalhinho  que  se notabilizou na produção de réplicas de azulejos seiscentistas e setecentistas e  foi fundada em 13 de Novembro de 1841 por Tomás Nunes da Cunha e António Monteiro Cantarino.
Quando voltou o MEC tinha baixado uma portaria  determinando  que os professores auxiliares deveriam se qualificar melhor fazendo Mestrado e Doutorado alegando que tinham muitos auxiliares nos quadros das universidades brasileiras  Foi quando Norma Couto e outros professores resolveram se requalificar e alguns deixaram a universidade. Passou três anos fora da universidade cuidando da sua única filha. Em 1982 aconteceu outro concurso público criado pelo reitor Luiz Fernando Macedo Costa com muitas vagas foi quando Norma Couto, José Dirson Argollo , Iza Guimarães e Malie Kung Matsuda fizeram o concurso e foram aprovados. "Fomos contratados em março de 1983 e passei a ensinar cerâmica. "Na época cerâmica era apenas um semestre e percebi que era um período muito curto dada a sua complexidade . Consegui mais um semestre só que era dedicado apenas para o Curso de Decoração, começou assim",  revelou Norma Couto. Depois passou a ser matéria optativa para qualquer curso tinha alunos de Odontologia, Biologia, Belas Artes, etc. Além dela ensinavam Udo Knoff e Antônio Pinho, os dois vieram a falecer, e os atuais professores são Conceição Fernandes e Eriel de Araújo Santos  foram meus alunos.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAISEm 2006 - Pratos Defumados, Restaurante Confraria das Ostras, Salvador - BA.  1999 - Forma e Natureza, Porto das barcas, Parnaíba - PI. 1999 - Forma e Natureza, Casa da Cultura da Fundação Monsenhor Chaves, Teresina - PI. 1995 - Forma e Natureza, produção de cerâmicas do mestrado em Artes (MAE), Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA, Salvador- BA. Ao lado Norma Couto junto a um cartaz de sua exposição Forma e Natureza na individual no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA, que ocupou três andares, em 1995, com grande presença de público.

EXPOSIÇÕES COLETIVASEm 2025 - Docentes em Pauta, Galeria Cañizares, Salvador – BA. 2023 - Independência do Brasil na Bahia, exposição de artes plásticas em homenagem ao Bicentenário da Independência do Brasil na Bahia, Galeria Cañizares, Salvador - BA. 2023 - A Gravura na Bahia a partir da EBA/UFBa, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2022 - Exposição Flores, Palacete das Artes, Salvador-BA. 2019 - Um Brinde ao Café II, exposição de Bules, Cafelier, Salvador-BA. 2018 - Fluxos Visuais - EBA 140 anos desde 1877, Palacete das Artes, Salvador-BA. 2008 - A Arte Cerâmica /Amazônia, Estação São Bento do Metrô de São Paulo, São Paulo - SP. 2007 - Mulheres em Movimento, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2003 - Artes Visuais da Bahia, Gabinete Português de Leitura, Salvador-BA. 2002 - O Salvador Menino II, Fundação João Fernandes da Cunha, Salvador-BA. 2001 - O Salvador Menino, Museu Náutico da Bahia, Salvador-BA; Exposição Comemorativa aos 500 anos do Descobrimento da Baía de Todos os Santos, Teatro Gregório de Matos, Salvador-BA. 1997 - A Arte e seus Mestres - Exposição de professores e ex-professores da EBA / UFBa em comemoração aos 120 anos de sua fundação – Galeria Cañizares, Salvador-BA; Salão Nacional de Arte do Professor (acervo permanente), Espaço Cultural Sofia Olszewski Filha - APUB -Associação dos Professores da UFBa, Salvador-BA; Um Brinde ao Café – Exposição de Xícaras, Cafelier, Salvador-BA. 1995 - Arte no Barra, Shopping Barra, Salvador-BA. 1993 - Arte no Barra, Shopping Barra, Salvador- BA; Esculturas e Objetos dos Mestrandos em Artes Plásticas da EBA/UFBa, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 1992 -Sentindo a Forma - Exposição de Esculturas, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 1991 -

Capa do Catálogo da Bienal em Zagreb
Iugoslávia  de cerâmica em pequeno
formato  que ela participou.
Exposição de Cerâmicas de Associados da ABAC - Associação Baiana de Arte Cerâmica, Casa do Comércio, Salvador-BA. 1989 - 1ª Mostra de Arte Cerâmica Artística da Bahia dos Associados da ABAC, Galeria de Arte do Sesc / Senac / Copel, Salvador-BA; Arte / Mostra, Shopping Barra, Salvador-BA. 1985 - Exposição Cerâmicas e Tecelagens (com a artista Lísia Rocha), Theatro 4 de setembro, Teresina-PI. 1983 - 1ª Expo Verão, Hotel Othon, Salvador-BA. 1967 - 1ª Exposição Feminina de Artes Plásticas da Bahia, Foyer do Teatro Castro Alves, Salvador-BA. BIENAIS - 2005 - VII Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, Aveiro - Portugal. 1991 - III Bienal Mundial de Cerâmica Pequena, Zagreb - Iugoslávia (Zagreb foi parte integrante da Iugoslávia de 1929 até sua dissolução em junho de 1991, servindo como uma das principais cidades e capital da República Socialista da Croácia dentro da Federação; III Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, Aveiro - Portugal. 1989 - I Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, Aveiro - Portugal. 1968 - II Bienal Nacional de Artes Plásticas, Convento da Lapa, Salvador-BA. 

PREMIAÇÕES - 1996 - Troféu Gaia pelo melhor trabalho “Forma e Natureza”
apresentado na categoria Cerâmica Artística no 40º Congresso Brasileiro de Cerâmica e 1º do Mercosul, Criciúma-SC.  1993 – 3º Prêmio na categoria escultura no IX Salão de Artes Plástica de São Cristóvão-SE. 1970 – 1º Prêmio de gravura no concurso para decoração dos Institutos de Matemática e Geociências da UFBa, Salvador-BA. 1967- 1º Prêmio de gravura na exposição “90 Anos da Escola de Belas Artes da UFBa”, Foyer do Teatro Castro Alves, Salvador-BA. Acima Norma Couto recebendo seu prêmio durante o 40º Congresso Brasileiro de Cerâmica e 1º Mercosul em Criciúma, em Santa Catarina em 1993.