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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

EXPOSIÇÃO DE BEATRIZ MILHAZES NO MAB

Beatriz Milhazes na abertura da exposição.
 Está aberta ao público no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, até o dia vinte e seis de abril , de terça a domingo, das 10 às18 horas,  a primeira exposição individual em Salvador da artista carioca   Beatriz Milhazes chamada de 100 Sóis composta de telas em grandes formatos e um forte colorido. Quando você está diante de uma dessas imensas telas coloridas com a prevalência dos amarelos mergulha em mandalas gigantes, grandes círculos e rosáceas sente uma sensação positiva com a vibração das cores e das formas. São elementos geométricos que vão conduzindo o seu olhar e de repente retorna ao começo como que perdido num labirinto de formas, cores e tonalidades. O observador atento experimenta momentos de sensações positivas enquanto seu olhar é desviado para os florais e volutas que a artista utiliza para formar as suas composições.

Veja a variedade de rosáceas,florais e outros
 elementos que compõem esta bela obra
.
Segundo o curador Tiago Mesquita “a mostra é um recorte de três décadas da produção da artista e se inicia nos anos 90 quando passou a desenvolver a técnica criada por ela que a batizou de monotransfer.” Esta técnica consiste em transferir para a tela através de colagem e monotipia imagens pintadas numa folha de plástico, deixa secar e depois transfere para a tela através o decalque. A técnica permite criar camadas, texturas e formas precisas, facilitando a colagem e o reposicionamento dos elementos antes da fixação final. Para ele as obras expostas “revelam o percurso da artista em direção a um espaço abstrato de coordenação de diferenças, onde padrões, cortes diagonais e giros, mesmo tensos encontram equilíbrio. Um jardim de maravilhas, feito com a luz e 100 sóis, em que contrastes coexistem sem arestas, na voltagem máxima”.

Visitante observa com atenção uma obra da
exposição no MAB.
A artista nasceu em 1960 no Rio de Janeiro é gravadora e pintora reconhecida internacionalmente como um nome importante da arte contemporânea. Em 1981 formou-se em Comunicação Social e antes de se formar passou a frequentar o curso de Artes Plásticas, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Anos depois já estava lecionando e coordenando as atividades culturais. Consolidou sua carreira depois que realizou exposições no Carnegie International, (1995); bienal de Sydney (1998); bienal de São Paulo (1998, 2004); Bienal de Shangai (2006) e Bienal de Veneza (2003, 2024) e no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque – MOMA. Segundo a Fundação Itaú que patrocina a mostra através incentivos da Lei Rouanet aqui estão reunidas obras produzidas ao longo de trinta anos e representa um panorama da pesquisa da artista. A exposição é composta de pinturas históricas, trabalhos inéditos, colagens recentes e uma instalação.

 

 


sábado, 31 de janeiro de 2026

FLORIANO TEIXEIRA E A DELICADEZA DO TRAÇO E LIBERDADE DE CRIAR

O artista Floriano Teixeira pintando e posando 
em seu atelier , em Salvador
.

Nestes tempos bicudos que
estamos vivendo atualmente em nosso país onde a política cultural oficial quer impor reduzindo a expressão artística a manifestações sobre racismo, ancestralidade e gênero é sempre bom lembrar dos grandes artistas que vivem e viveram nesta Cidade cheia de contrastes. Antes os grandes artistas  nunca estiveram ou estarão rezando por esta cartilha que aprisiona a criatividade.
Hoje o  Estado totalitário controla a política cultural  colocando nos museus e demais instituições do setor  seus militantes, e as liberações de verbas ocorrem discriminadamente através da leis Rouanet e Luiz Gustavo, dentre outras. Sei que a demanda atual é resultado da imposição mercantilista de alguns galeristas e marchands que estão engajados a esta política maléfica e têm seus críticos remunerados para chancelar esta política por questões ideológicas. A academia por sua vez está totalmente contaminada por esta visão reducionista que empobrece a cultura na medida em que multiplica e incute nas cabeças dos jovens estudantes que esta é a melhor maneira de se expressar. O artista precisa de liberdade e as ideologias quer sejam de tendências de direita ou esquerda funcionam como grilhões de ferro presos nas suas pernas. 

Hoje vou falar do desenhista, pintor e escultor Floriano Teixeira um dos mais livres e criativos que aqui viveu e trabalhou por longos anos em seu atelier na Rua Ilhéus, no bairro do Rio Vermelho. Fazia questão de dizer que não pertencia a nenhuma das escolas da pintura. Ele pintava suas belas mulatas com uma leveza e graça poética que ao apreciar uma tela do artista você fica em estado de graça
Foto 1- Gabriela. Foto 2- Dona Flor. 
Foto 3- Tieta . Foto 4 - Mulheres no Banho.
com a maestria do seu traço e o colorido que nos 
revela este clima tropical em que vivemos. As famosas janelas que são elementos importantes numa fase de sua pintura onde surgem furtivamente mulheres nuas, casais fazendo sexo e às vezes até brigando nos remete aos clássicos da pintura que sempre introduziam algum personagem ou objeto para serem decifrados ou reconhecidos. Floriano Teixeira  trabalhava freneticamente pintando muitas vezes durante os três turnos para sustentar uma família numerosa de sete filhos e netos. Pintar para ele além de ser uma necessidade visceral fruto do seu talento era também uma questão de sobrevivência, e foi assim até o seu falecimento.   Contou sua filha Silvana Teixeira que ele sentiu uma forte dor de cabeça, tomou alguns remédios e a dor não passava. Ela deu algumas massagens no pescoço e nada da dor passar. Foi aí que ele decidiu ir para o Hospital Santa Izabel, em Salvador, e lá constataram que tinha tido um AVC. Apesar dos procedimentos feitos pelos médicos, infelizmente ele veio a falecer. Ele faleceu em vinte e um de julho de 2000 aos setenta e sete anos de idade.

                                                             QUEM ERA

Tríptico da Fundação de São Luís , de 1972.
O artista Floriano Araújo Teixeira é natural da cidade de Caiapó no estado do Maranhão, onde nasceu em oito de março de 1923 e saiu de lá ainda jovem. O município até hoje apresenta um baixo Índice de Desenvolvimento Humano-IDH do país. Fica localizado na região da Baixada, conhecida por sua história ligada à evangelização indígena e colonização, sendo seu nome de origem tupi-guarani, que significa "fruto maduro" ou "fruto dourado. No último Censo em 2010 tinha cerca de dez mil habitantes. Imaginem como era atrasada quando Floriano Teixeira saiu de lá e vai para São Luís, capital do Maranhão.
Realizou seus estudos no Grupo Escolar Sotero dos Reis, em São Luís, depois no Liceu Maranhense, quando em 1935 teve suas primeiras aulas de desenho com o professor Rubens Damasceno. Faz algumas aquarelas, caricaturas e histórias em quadrinhos. Nos anos 40 foi introduzido por J. Figueiredo no ambiente artístico de São Luís quando estuda e documenta tipos populares e cenas do cotidiano da velha capital maranhense. Conhece a obra de El Grego e ficava impressionado com o alongamento das figuras do mestre. Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco (1541-1614) foi um pintor, escultor e arquiteto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira na Espanha
Em finais de 1941 Floriano Teixeira recebe o I Prêmio no Salão de Dezembro, provocando sua decisão de ser um pintor profissional. No ano de 1948 foi encarregado de fazer o levantamento e catalogação das gravuras, desenhos, e pinturas da coleção de Arthur Azevedo, quando tem contato direto com obras de  Honoré-Victorien Daumier,(1808-1879)
Obra O Banho e vemos a janela com um casal
na sua intimidade
.

caricaturista, chargista, pintor e ilustrador ;  
Charles Garnier (1825-1898) foi um arquiteto  e Jean-François Millet ( 1814-1875) pintor realista e um dos fundadores da Escola de Barbizon na França rural. É conhecido como precursor do realismo, pelas  representações de trabalhadores.Os três eram franceses.
Dois anos depois já está no Ceará e em 1952 funda com o pintor  Antônio Bandeira o Grupo Independência. Foi no Ceará que conheceu d. Alice com quem teve sete filhos. Foi o primeiro Diretor do Museu de Arte Moderna do Ceará. Quando participava de uma exposição de artistas nordestinos em Salvador recebeu o convite do grande escritor Jorge Amado para vir morar na Bahia, e assim em 1965 decide viver aqui até a sua morte. Fez doze capas da Coleção de Obras Completas de Graciliano Ramos, os desenhos dos romances Dona Flor e Seus Dois Maridos, A Morte e a Morte de Quincas Berro D’água, Milagre dos Pássaros e o Menino Grapiúna, todos de Jorge Amado, seu grande amigo. Também, ilustrou a obra Maria Duzá, de Lindolfo Rocha.

Floriano e Alice que conheceu em Fortaleza,  
num momento de descontração na
casa do amigo o escritor Jorge Amado
.

Este maranhense que brincava dizendo ter nascido “no condado de Cajapió ", mas adotou a Bahia como sua segunda terra deixou um legado com seu traço inconfundível e delicado. Tenho diante de mim, no meu escritório, duas obras de Floriano Teixeira. Numa delas vemos uma bela mulata com suas vestes amarelas deixando aparecer sutilmente seus predicados naturais, observada por um lindo pássaro chamado de galo de campina ou cardeal e, ao fundo um casal, aos carinhos. A outra, é uma aquarela  uma criancinha acariciando sua cabra. Estas duas obras mostram um pouco da criatividade e da singeleza deste artista que soube conquistar a Bahia   pintando a alma do povo baiano e hoje sua arte é apreciada por todo o Brasil. 
Ao completar setenta anos ele escreveu em novembro de 1983 num catálogo da exposição comemorativa da data: SETENTA ANOSSetenta anos passam tão rápidos que não dá para se notar. Quando vivemos como gostamos de viver o tempo não conta porque ele simplesmente não existe. Calendários e relógios são instrumentos de tortura e destruição. Sem eles o ar que respiramos é mais leve e
Quatro desenhos que hoje pertencem
a sua filha Silvana.
puro, o sonho é mais colorido e o poder da criação é bem maior. Sem os delatores do tempo podemos fazer cultura e arte sem pressa. Setenta anos passam tão de mansinho que não dei por isso .1923 foi ontem e foi ontem também 1950 quando desembarquei e conquistei o Ceará. Enquanto descansava da viagem, casei-me com uma nativa da terra conquistada e no ato fiz seis filhos saudáveis. Foi tudo tão rápido que o Diabo nem chegou a piscar e eu já estava chegando nesse mesmo ano da graça de 1964 na Bahia (veja como o tempo, não conta) para fazer a minha primeira exposição individual no MAMB a convite da Diretora na Lina Bo Bardi. Como o tempo nada significa e eu não tenho pressa fui ficando por aqui. Gostei do jeitinho faceiro e sensual desta terra que também gostou de mim. Nos apaixonamos e nos demos tão bem que aqui fiz mais um filho. Hoje a Bahia e eu somos amantes.” Floriano Teixeira

                                                           DEPOIMENTOS

Silvana Teixeira
Silvana Teixeira - Ninguém melhor para falar do artista Floriano Teixeira do que sua filha Silvana Teixeira que permaneceu ao lado do pai até a sua morte. Ela lembrou que sua casa vivia cheia de filhos e netos do artista e que ele não se queixava disto, ao contrário adorava ver as crianças brincando. Quando indaguei como era a rotina do pai. Silvana lembrou que ele acordava cedo e tomava o seu café e ia para o atelier trabalhar. Permanecia o dia inteiro defronte ao cavalete, levantava para as refeições e voltava ao atelier. Muitas vezes pintava durante a noite. Perguntada qual a preferência dos clientes sobre as obras do pai ela disse que grande parte queria obras que tivessem as famosas janelas onde ele colocava personagens como mulheres mudando a roupa, nuas e às vezes até fazendo amor. Cada obra desta é um quadro dentro de outro quadro e por serem minúsculos os personagens da janela demandava tempo e muita atenção.

JORGE AMADO – “Em Floriano Teixeira, o artista consciente e sutil, de sensibilidade incomum, funde-se no homem profundo e generoso, no brasileiro da mais alta qualidade, grande artista. Artista e homem, um ser único, humaníssimo, e que grande artista!  Entre os mestres do desenho brasileiro, Floriano Teixeira se coloca em lugar de destaque, um dos maiores entre os maiores.”

Carybé  com Floriano.
CARYBÉ"Algo de monge medieval, ou de persa, anda por dentro de Floriano nos óleos, em geral de grandes planos e pinceladas largas; de repente, numa janela, numa porta ou num portaló vê-se uma cena detalhadíssima, verdadeira miniatura, contando vida do povo, sempre com uma carga de poesia, uma alegria de cores e outra alegria: a de inventar meios de expressão, de dar mais e sempre mais, o que o leva a pesquisar constantemente".


Marcos fala do artista.
 MARCOS CURI – MCR GALERIA - Disse o galerista Marco Curi, da MCR, que ao abrir a galeria em 1989 focou nos artistas modernos, e entre os artistas modernos da Bahia identificamos que tínhamos maior aproximação e admiração por Floriano Teixeira. É considerado um artista baiano por sua vivência aqui e também por saber interpretar a alma dos baianos. Foi a partir daí começamos a adquirir as obras do artista. Na década de 90 quando ele ainda estava em produção de quinze em quinze dias ia ao atelier dele para ver as novas criações. Assim nossa amizade foi se consolidando e ia acompanhando a sua produção. Ele tinha uma característica de pintar seus quadros de forma metódica e lenta, sempre muito preocupado com a qualidade e  permaneceu assim até a sua morte. Ele tinha um nível cultural alto e interpretava os romances de Jorge Amado como ninguém. Para ilustrar a capa de um livro por exemplo, Floriano fazia questão de ler antes de iniciar suas ilustrações. Tem uma série de personagens femininas que Floriano Teixeira pintou inspirado nas mulheres dos livros de Jorge Amado. Realizamos na galeria três exposições artista. Devo ter no acervo meu, de meu filho e da galeria umas quarenta obras de sua autoria, talvez seja a maior coleção de suas obras  da Bahia. Porém, tem um colecionador baiano que reside no sul do país que deve ter umas setenta obras, e deve ser o maior colecionador.

O t exto ao lado foi desta exposição
realizada na Galeria Acbeu,1997.
 JOHN DWEIR - “Para mim, o mundo de Floriano é um mundo em formação, um mundo onde não há um, porém muitos centros. É um mundo onde não há só a mão de Deus ou de um pintor ou de um autor. É um contato com outros mundos, em estado mundo em perene  gestação, que se desdobra sobre si mesmo em um esforço de criação. Assim, uma janela num quadro de Floriano pode estar em comunicação com o quadro onde está colocada ou com um outro quadro que ele pintou há anos ou que vai pintar no futuro. A realidade de Floriano é a mesma que se encontra em Cem Anos de Solidão de Garcia Márquez, onde o narrador se esforça para contar tudo, admitindo, porém que, como não pode caber tudo dentro das páginas da capa do livro, também a moldura de um quadro não é suficiente para conter o mundo do pintor. Assim é que Floriano chama seu leitor, ou seja, seu espectador, para que entre em seu mundo e ajude a recriá-lo através de uma leitura múltipla de sua realidade. No processo, cria-se um mundo nas telas de Floriano de uma atração incrivelmente forte, com milagre da multiplicação de seus textos visuais." Escreveu John P. Dwyer, diplomata americano e um apreciador da arte que viveu aqui e escreveu no catálogo da mostra que o artista fez em 1997, na Galeria ACBEU, no Corredor da Vitória.

A poetisa Myriam Fraga.
MYRIAM FRAGA - "Um Inquieto Navegante - Floriano é um pintor da figura. Andarilho contumaz, na vida e na obra, passeou por várias escolas, percorreu caminhos que foram do cubismo nos quadrinhos, lustrações, caricatura, muralismo, tudo passou pelo cadinho de seu talento sempre aberto a novos experimentos. Agora parece que finalmente apaziguou. Ou pelo menos ancorou por algum tempo (quanto, só Deus sabe) nas águas calmas de um porto não sonhado, mas construído com a tenacidade do marinheiro que aprendeu, com a vida e com a arte, que para os inquietos navegantes não há porto porque " porto é navegar". Um homem viageiro, Floriano. Um índio andejo. Um cavaleiro de muitas cruzadas. E de múltiplas lutas. As cicatrizes são várias. Os gilvazes. E as lembranças também, os "souvenirs" da viagem. Desta longa peregrinação que ele pacientemente iniciou, criança ainda, nos longes de Cajapió."

 

sábado, 24 de janeiro de 2026

CRISTINA DAMASCENO E A FOTOGRAFIA INSERIDA NO MUNDO DA ARTE

A professora Cristina Damasceno durante
 nossa conversa na EBA.
A
fotógrafa e professora universitária baiana Telma Cristina Damasceno Silva Fath, que assina Cristina Damasceno , tem uma trajetória profissional que merece ser compartilhada. Foi minha aluna no Curso de Comunicação Social, da UFBA e do professor de Fotografia Oldemar Vitor, que na época trabalhava no jornal a Tribuna da Bahia, e veio a falecer em 2008. Foi ele quem a despertou para o mundo da Fotografia. Ainda jovem se destacou fazendo foto jornalismo, especialmente no setor cultural . Concluiu em 1986 o curso de 
Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia,  e atualmente é chefe do Departamento de Expressão Gráfica e Tridimensional da Escola de Belas Artes.  Possui mestrado e doutorado em Artes Visuais, pela Universidade Federal da Bahia e  especialização em Fotografia Técnica pela Staatliche Fachschule für Optik und Fototechnik Berlin (1993). Está desenvolvendo pesquisa sobre a História da Fotografia Artística na Bahia e é colunista no jornal A Tarde. As fotos que publico  abaixo foram feitas por Cristina Damasceno e publicadas em jornais e revistas de Berlim, na Alemanha.
Como todo jovem que tem suas inquietações e projetos logo depois de se graduar em Comunicação  viajou em 1987 para Inglaterra com o objetivo de estudar Inglês. Permaneceu naquele país durante um ano e meio . Lá tomou conhecimento que poderia ir para Israel morar num kibutz na qualidade de voluntária, mesmo não tendo descendência judaica. Foi assim que em 1988 partiu para Israel com destino à cidade de Éliat. Lá trabalhou numa fábrica de cordas de instrumentos musicais, colhendo melões e no processamento de tâmaras. A cidade de Éliat tem cerca de uns 49  mil habitantes fica
Cristina captou este momento onde os
bailarinos dançam com muita  plasticidade.
localizada mais ao sul de Israel. É um importante balneário turístico no extremo do deserto do Neguev, às margens do Mar Vermelho (Golfo de Aqaba), conhecida por suas praias, recifes de coral para mergulho, e perto da Jordânia. Nesta sua permanência em Israel conheceu uma pessoa com quem casou e decidiram ir morar em Berlim, que é uma das metrópoles onde a arte pulsa durante vinte e quatro horas. De 1993 a 2000, trabalhou em Berlim na agência de fotografia Wende. Permaneceu por lá mais de uma década quando o relacionamento terminou Telma Damasceno resolveu voltar ao Brasil. Por onde passou sempre esteve com sua máquina fotográfica nas mãos e foi   registrando o que lhe interessava.  Terminou se especializando em fotografar espetáculos culturais como a dança, cenas de teatro, shows musicais e exposições plásticas.

"Comovido até às  Lágrimas" - Peter Matic
rodeado por seus entes queridos
 Ao retornar a Salvador  foi fazer o Curso de Mestrado da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia e sua tese foi A Fotografia Artística na Bahia e sua Inserção nos Salões Oficiais de ArteNas suas pesquisas  descobriu que “um dos primeiros fotógrafos baianos foi José Antônio da Cunha Couto, que possuía uma Galeria de Pintura e Fotografia, em 1873. 
Já o  estúdio “Photographia Artística”, no início do século XX, pertenceu aos professores do Liceu de Artes e Ofícios e da Escola de Belas Artes: Francisco Terêncio Vieira de Campos, Antônio Olavo Baptista e Oséas Santos. Eles utilizaram a fotografia como ferramenta de auxílio na realização de suas encomendas.” Destacou “ a entrada da fotografia no museu através da foto clubismo na Bahia, onde suas ações possibilitaram a organização dos primeiros salões de arte fotográfica no estado; como também, a Segunda Bienal de Artes da Bahia. Os Salões Nacionais de Arte Fotográfica realizados na Escola de Belas Artes, na década de 1990 foram de fundamental importância, no sentido de trazer para o estado o intercâmbio da produção fotográfica nacional. Assim como as Mostras de Fotografia Contemporânea da Bahia promoveram a fotografia local. A pesquisa revela que, durante 1991 a 2006, a Bienal do Recôncavo apresentou em relação ao Salão da Bahia um maior panorama acerca das tendências da produção artística na fotografia baiana.”

 " Linguagem Corporal que Faz Você Querer
Desviar o Olhar "- o Berliner Ensemble numa
 tentativa de retratar uma fantasia masculina
.
 Logo depois visando sua ascensão no magistério universitário fez o Doutorado, na Escola de Belas Artes, da UFBA, e sua tese foi “O Processo de Legitimação da Fotografia no Campo da Arte e sua Repercussão na Bahia”. Nas suas pesquisas Cristina Damasceno descobriu o caminho percorrido pelos baianos amantes da fotografia 
e escreveu: 
Professores e estudantes, oriundos da Academia de Belas Artes da Bahia, incluíram a fotografia dentre seus serviços artísticos. Nos anos de 1940, a atuação do Foto Cine Clube Bandeirante foi fundamental para a inserção da fotografia nos espaços legitimadores da arte, exercendo, também, influência no cenário foto clubista brasileiro. Na Bahia, nos anos de 1960, a fotografia adentrou o Museu de Arte Moderna e foi integrada em exposições de caráter nacional, como: 1° Salão Nacional de Arte Fotográfica da Bahia; Sala Especial de Fotografia, na II Bienal de Artes Plásticas da Bahia; II Salão Bahiano da Fotografia Contemporânea. Seguindo as tendências internacionais de renovação da arte moderna, a fotografia passou a ser assimilada de forma híbrida pelos artistas baianos: Lênio Braga, Juarez Paraiso, Jamison Pedra e Silvio Robatto, no projeto ambiental do grupo Etsedron, dentre outros." 
                                                        
                                                  TRAJETÓRIA
Nasceu em Salvador em vinte e dois de janeiro de 1974 e seu nome completo é Telma Cristina Damasceno Silva Fath. O seu pai Felizardo Alves da Silva era eletricista da Coelba, e sua mãe d. Creuza Damasceno da Silva que é professora de História, já aposentada. Fez o primário na Escola Moderna, que funcionava no bairro da Graça, em Salvador,  o ginásio no  Ginásio Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o segundo grau no Colégio Salesiano de Salvador, que fica no bairro de Nazaré. Depois fez o vestibular para Comunicação Social, na Universidade Federal da Bahia e trabalhou de free lancer para o Jornal A Tarde fotografando eventos culturais.
Foto expressiva de um espetáculo de
dança em Berlim.
Viajou para Londres, na  Inglaterra em 1987 fez alguns cursos de fotografia inclusive tinha laboratório com câmara escura e se interessou pela parte técnica da fotografia. Seu objetivo principal era estudar a língua inglesa. Lembrou que nos bairros de Londres existiam locais onde as pessoas que gostavam de fotografia se reuniam e tinha todo equipamento disponível para revelar os filmes . Já os produtos químicos usados na revelação eram adquiridos pelos alunos.  Ela frequentou esses locais, e assim seu aprendizado foi se expandindo. Permaneceu por cerca de um ano e meio quando tomou conhecimento que havia um programa de voluntariado para Israel. Foi assim que terminou indo morar num kibutz e lá conheceu  um jovem alemão, que trabalhava com  editoração de livros e outras publicações. Se relacionaram e foram residir em Berlim. 

"Os Rapazes de Syracuse"- Os
dois calouros - Tilman von
Blomberg e Torsten Bjorn 
Aí a Cristina Damasceno interrompe e diz – “Eu assisti a queda do Muro de Berlim!” Realmente merece ser citado porque foi um marco importante na História da civilização ocidental. Ocorreu em nove de novembro de 1989, reunificou a Alemanha e  marcou a queda Cortina de Ferro e o início da democratização na Europa Oriental. 
Também fez curso de especialização em Ótica e Fototécnica numa escola  ligada atualmente a Universidade Livre de Berlim. Quando esteve por lá era  patrocinada pela Agfa - Gevaert que é uma multinacional belga líder em tecnologias de imagens principalmente nos setores de impressão gráfica oferecendo  produtos analógicos e digitais. Tem inclusive fábrica no Brasil. Aprendeu a revelar filmes em PB e colorido, comparava os filmes com os reveladores de vários fabricantes e fazia os gráficos para avaliar, aprendeu a fotografar pelo microscópio e teve acesso a câmeras especiais.  Quando saiu foi trabalhar no laboratório da agência Wende especializada em fotografias de esportes. Mas, a Cristina Damasceno não se identificava com este trabalho ligado às atividades esportivas. Isto aconteceu em  meados de 90 quando começaram a surgir as primeiras câmeras digitais . Saiu e foi trabalhar em uma associação ligada aos museus de Brandemburgo que tinha como objetivo ensinar Fotografia a adolescentes. Os administradores  queriam que entre os instrutores estivessem alguns estrangeiros, porque assim os adolescentes teriam contato com  estrangeiros e iam perdendo o preconceito. O trabalho também era de laboratório.  Paralelamente,  começou a fotografar peças de teatro, de dança e Ópera. Se cadastrou na maioria dos teatros, e assim recebia com  antecedência  a programação das peças e óperas que seriam apresentadas. É costume por lá que dois dias antes da estreia os diretores  fazem  um ensaio geral para a
"O Estupro" - Martin Reinke (de óculos)
sobre Bruno Winzen.
imprensa. "A gente fotografava e levava para os jornais que escolhiam as melhores fotos e publicavam. Inicialmente eles não se importavam com minhas  fotos." Mas, ela insistiu, e assim devagar alguns jornais começaram a publicar e isto veio a facilitar o seu trabalho a exemplo do Der Spiegel e a revista cultural Zitty. Disse que a crítica tem um papel importante na Alemanha , e se a peça não receber boa avaliação dos críticos  não se sustenta e pode até sair de programação. Eles trabalham com free lancer, não tinham fotógrafos fixos, os editores compram as imagens de profissionais diversos. Mergulhou culturalmente e teve a  oportunidade de fotografar uma peça de dança coreografada por Mikhail Baryshnikov , o famoso dançarino russo.

Quando voltou em 2001 para Salvador trabalhou como fotógrafa free lancer na Gazeta Mercantil e também como assessora de imprensa. Como tinha esta experiência na Fotografia foi convidada a ensinar na Faculdade da Cidade, no curso de jornalismo, em Salvador.  Foi neste período que passou a estudar e pesquisar e viu que quase tudo que imaginava fazer  já havia sido feito por grandes profissionais no decorrer do tempo. Então  passou a refletir quanto difícil seria tentar fazer algo diferente, e  optou por estudar com afinco a História da Fotografia. Em seguida  se  matriculou no Mestrado e depois no Doutorado na EBA  e continuou pesquisando os antigos fotógrafos baianos . Durante suas pesquisas descobriu que foi Lina Bo Bardi que reuniu pela primeira vez na Bahia fotografias e levou para o museu alçando a  fotografia como arte. 

Ao final da nossa conversa Cristina Damasceno  disse que "no meu  processo de pesquisa  tenho uma coisa que quero registrar. As colunas que você escreveu desde a década de 70 encontrei muitas informações que usei nas minhas dissertações do Mestrado e do Doutorado. Isto aconteceu em minhas idas para a Biblioteca Central pesquisar, e ao manusear os jornais encontrei muitas informações sobre a fotografia como arte em suas colunas,” .



1-     

 

 

 

 

 

 

 

 


sábado, 17 de janeiro de 2026

ELIAS SANTOS COM SUA ARTE ENOBRECE MATERIAIS DESCARTADOS

Elias Santos em seu ateliê observando
 suas obras
.
 O baiano Elias Santos é pintor, um exímio desenhista, escultor, ilustrador e artista conceitual que trabalha com os mais variados tipos de materiais desde o gesso, o plástico, peças de aparelhos eletrônicos descartadas no lixo, papelão de embalagens e até casca de ovos. Durante nossa conversa ele disse que está guardando cascas de ovos que se encaixam depois da retirada da clara e gema. Ainda não decidiu o que fazer com elas, mas adiantou que certamente usará em algum trabalho futuro. Portanto, estamos diante de um artista da reciclagem conhecidos como upcyclers. Poderíamos dizer que é um alquimista capaz de transformar em arte materiais que nós leigos consideramos imprestáveis e descartáveis. Talvez o que tenha levado o artista a buscar estas alternativas para se expressar são as condições de vida que vem experimentando desde a sua infância. Nasceu em dezenove de novembro de 1966 no distrito de Gamboa, município de Cairu, no Recôncavo Baiano. Gamboa é um vilarejo de pescadores, localizado na Ilha de Tinharé, vizinho do Morro de São Paulo, local onde seu pai Benedito Adolfo da Silva durante toda sua existência exerceu a sua profissão de pescador, enquanto sua mãe d. Beatriz Santos costurava e vendia confecções e comidas caseiras nas feiras livres das redondezas. O artista Elias Santos tem nove irmãos e talvez por influência do irmão mais velho que é músico, compositor e   fotógrafo chamado Clovis Luz, assina Leleza, ele tenha decidido ser artista visual.

Obra Vocifera, de 2011. Assemblage feita
com gesso pedra, placa mãe, plugs ,
pelúcia e foamboard.
Seu pai também tinha habilidades de artesão e fazia as chamadas esteiras usadas para armar a camboa. Explicou Elias Santos que na camboa são usados dois tipos de varas. As rústicas para fazer o   corredor, e as de taquara construir o cercado.  Essas varas são fincadas na areia  para criar um labirinto, direcionando peixes e crustáceos para uma área de captura chamado de cercado. Os peixes entram e não conseguem voltar. Quando a maré baixa os pescadores vão recolher os peixes e crustáceos no cercado. A taquara usada para construir o cercado é uma espécie de bambu nativo da região.

O Elias Santos Silva passou a maior parte da infância em Valença, Bahia, terra de sua genitora e fez parte do primário na Escola Municipal Alaor Coutinho. Disse ter frequentado outras escolas primárias porque morava de aluguel e quando acontecia mudar seus pais procuravam matricular os filhos em escolas mais próximas da casa onde estivessem morando. Já o ginásio fez no Complexo Escolar Gentil Paraíso Martins, que tem mais de setenta anos de fundado. Ao terminar o ginásio foi para a Escola Média de Agricultura da Região Cacaueira - EMARC, pertencente à Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira - CEPLAC onde se formou em 1984 em Técnico Agropecuário.  Nunca exerceu esta atividade e lembrou que na época existiam três opções para os estudantes que terminavam o ginásio na cidade. Magistério, que era normalmente escolhido pelas meninas, técnico agrícola e contabilidade. Ao concluir o curso trabalhou por um período na Prefeitura Municipal, e em seguida ficou fazendo letreiros, pintando placas de casas comerciais e outros

Quatro máscaras feitas em
papelão de embalagens.
serviços na área de publicidade. Foi para o Rio de janeiro participar da ECO 92 juntamente com Araken Vaz Galvão e Zenildo Barreto da Casa Baiana da Cultura Latino Americana, Cabincla, que é um coletivo audiovisual de Salvador, Bahia, que se destacou na produção de cinema independente, focando em narrativas periféricas, cultura local e produções de baixo orçamento. Eles convidaram artistas de Valença para expor no espaço que eles tinham na ECO 92. Foi uma boa experiência porque conheceu museus, galerias e quando retornou em 1993 decidiu fazer vestibular para a Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia. “Disse a mim mesmo. Vou fazer vestibular para artes plásticas porque o que vi sou capaz de fazer. Passei em segundo lugar.” Um fato interessante é que a divulgação do vestibular era feita pelos jornais e rádios FMs. Lembrou Elias Santos que ao ligar o rádio a lista já vinha sendo lida há algum tempo e não conseguiu ouvir o seu nome. Porém, passou a receber parabéns de conhecidos e quando conseguiu pegar um jornal estava lá o seu nome. Para ele “a EBA foi muito importante para mim porque recebi muitas informações e tive contatos com novos artistas a exemplo de Joãozito, Judite Pimentel, Marcondes Dourado, dentre outros.” Morava na Residência Universitária, no Corredor da Vitória e permaneceu uns seis anos. Demorou a concluir o curso porque naquela época aconteciam muitas greves que duravam meses.

                                                TRAJETÓRIA ARTÍSTICA

Esculturas da manifestação Zambiapunga..
Estas três pequenas esculturas representam integrantes de uma manifestação cultural da região de Valença, Cairu, Taperoá e Nilo Peçanha. É formada por cerca de quarenta personagens e é um legado dos africanos perpetuado a mais de duzentos anos. A origem está no povo bantu  e o som é extraído de enxadas ,tambores, cuicas  que chamam de berra boi e  búzios .Em 1982, o Zambiapunga ressurgiu graças as pesquisas da professora Lili Camadelli com as escolas estaduais do município. Elias Santos fez estas esculturas  de  papietagem em 2024. A Papietagem é uma técnica artesanal derivada do papel machê, porém mais simples, consistem em usar tiras ou pedaços de papel umedecidos em uma solução de água com cola e então aplicado sobre a estrutura a ser criada.
O artista  trabalha com vários materiais e cria esculturas representando manifestações da  cultura popular e também de arte contemporânea. Já na  exposição que realizou em 2011 o artista Elias Santos usou sucatas de material eletrônico integrados por fios e canudos em caixas iluminadas por leds que remetiam a cabeças robotizadas. Não estive na ocasião visitando esta mostra do Elias Santos e agora a visito através das imagens e das palavras do César Romero. Reproduzo um trecho do seu texto para que possamos compreender o impacto que isto causou e também ver e ressaltar sua capacidade criativa.As placas de equipamentos eletrônicos em desuso, um dia foram de vital importância e hoje, em completo abandono, estabelece uma metáfora de transformação. O que um dia era vital, não mais é: são apenas testemunhas de um tempo que passou. E o que foi pode retornar numa outra função que não a original. Existe em Junções um segundo momento: cinco gabinetes de computador, com cenografias internas. Neste espaço, uma pequena lâmpada, pequenino lume, sutilmente ressalta aspectos e ideias de terceira dimensão, Imagens virtuais da solidão humana. Todos os trabalhos trazem ideias construtivistas de anelo dramático. A montagem de Junções é absolutamente simples, correta, de poderoso requinte. Não busca invencionices bizarras que nada acrescentam ao produto final.”

Obra Cabeça Cúbica feita em papel, em 2011.
Na mostra Junções / Disjunções Elias Santos apresentou obras tridimensionais explorando o potencial expressivo dos mais diversos materiais estabelecendo correlações, liberando elementos perceptivos, sedimentados em torno das formas habituais. Escreveu que quase sempre parte do encontro com algum objeto ou situação que desencadeia um fluxo de associação de imagens num processo por meio do qual as exigências da matéria vão deixando nenhum fragmento viável para a sua continuação.  Reconhece que as cabeças que esculpiu em pedaços de giz não tinham particularidade expressiva que as distinguissem umas das outras. Ao serem destruídas no próprio fazer, cumpriram um circuito completo de nascimento e perecimento que inscreveram sua breve existência na ordem dos fatos percebidos não pela sua materialidade, mas pela sua duração.  Escreveu ainda que buscou na sua participação estabelecer um diálogo com o espaço do museu, compondo com fios elétricos colados diretamente na parede, desenhos que deram continuidade aos movimentos que irradiavam das serpentes representadas num autorretrato de Juarez Paraíso, que também participou da exposição coletiva. Disse ainda que o resultado final foram circuitos cujos desenhos sugeriam uma escrita musical desconstruída .

EXPOSIÇÕES

Obra Máquina Visual. Prêmio 
Artista Destaque na Bienal
do Recôncavo, 2006
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Individuais: Em 2015 - As Vozes do Ancestral, Galeria Pierre Verger, Salvador-BA, Edital Portas Abertas para as Artes Visuais – FUNCEE.  2013 – As Vozes do Ancestral, Centro de Cultura Olivia Barradas, Valença-BA, Programa de Cultura do Banco do Nordeste. 2011- 2012- Exposição Junções, Galeria ACBEU, Salvador-BA. 1995 -Semblantes Semáforos, Escola de Belas Artes, UFBA, Salvador- BA
Coletivas : Em 2024 - Cais - Galeria Galatea, Salvador -BA. 2020 - Cura - Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA. 2018 - Arte de Passagem - Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA. 2016 - Circuito das Artes - Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA; Exposição Só Cabeças - Museu de Arte Moderna, Salvador-BA; Paisagem Intermitente - Ocupação Coaty, Projeto Ativa, Salvador-BA. 2014 Circuito das Artes - Galeria Cañizares, EBA-UFBA, Salvador-BA. 2013 - Circuito das Artes - Triangulações, Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães - MAMAM, Recife-PE; Circuito das Artes Triangulações, Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, Brasília- DF; Circuito das Artes, Galeria ACBEU, Salvador-BA. 2012 - Escultura Nova, Galeria ACBEU, Salvador-BA. 2009 - There is Hope - Aroup Show, GV Art, London-UK; Gifts for the Gifted - Aroup Show. GV Art London-UK.  2008 - Atualização em ReTALHOS PosTAIS da Bahia, Museu do Palácio da Galerie Tavire Inerve, Portugal. 2007- Circuito das Artes, Galeria ICBA, Salvador-BA; coletiva dos Artistas Elias Santos e Fernão Paim, Galeria ACBEU, Salvador-BA; 25 Artistas Baianos - 25 anos Galeria Solar do Ferrão, IPAC, Secretaria de Cultura da Bahia. 2005 - VI Mercado Cultural: Exposição de Desenhos - Instituto Cultural Casa Via Magia. 2004 - Máquina Sensorial, Galeria Aliança Francesa,

Obra Ligações Clandestinas, ocupação
do Coaty, em 2016.

Salvador-BA. 2003 - V Mercado Cultural, Instituto Cultural Casa Via Magia, Salvador-BA. 1999 - Exposição de Fotografias, Galeria ACBEU, Salvador-BA. 1998 - Corpo Sem Órgãos, Galeria do ICBA, Salvador-BA. 1996 – Exposição Untitled Galeria ACBEU, Salvador-BA.
Prêmios: Em 2006 - Artista Destaque do Recôncavo na VIlI Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA; Prêmio Salão Regional de Artes Plásticas da Bahia, FUNCEB, CCOB, Valença-BA. 2002 - Prêmio Aquisição na VI Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix- BA.  1995 - Prêmio 3º lugar no Xlll Salão Regional de Artes da Bahia, FUNCEB, CCOB, Valença- BA.