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Ceramista Norma Couto com pastas e catálogos de sua trajetória. |
A artista piauiense Norma Couto,
nascida em Parnaíba, no delta do rio do mesmo nome está radicada em Salvador desde 1965 quando veio
estudar na Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia concluindo
os cursos de Artes Plásticas e depois Licenciatura em Desenho e Plástica. Porém, a
cerâmica o atraiu ao frequentar as aulas e o ateliê do professor Udo Knoff, no bairro de
Brotas. Em 1979 vai para Portugal onde se especializa em cerâmica na Universidade
da cidade de Aveiro. Concluiu seu Mestrado em Artes com o tema Forma e Natureza
e participou de bienais, exposições aqui e no exterior. Foi premiada quatro
vezes sendo a mais importante de 1996 na Categoria Cerâmica Artística, no 40º
Congresso Brasileiro de Cerâmica em Criciúma, no estado de Santa Catarina. Relembrou que fez o curso primário na Escola
Santo Antônio que pertencia a um casal de maranhenses que se estabeleceu na
cidade de Parnaíba, no Piauí, onde nasceu em três de outubro de 1945 e morava com
seus pais que a matricularam quando atingiu a idade de ir para a escola. Disse
que a professora d. Maria Celeste de Jesus era educadíssima, acredita que tenha
estudado em escolas de freiras. O curso ginasial foi estudar no antigo Ginásio
Parnaibano, que era particular e quando seu pai passou a ser o diretor
conseguiu estadualizar e passou a se chamar de Colégio Estadual Lima Rebelo,
que foi o criador da instituição. Fundado em 11 de junho de 1927
como Ginásio Parnaibano, é uma das instituições mais tradicionais do estado do Piauí,
sendo a primeira instituição a oferecer ensino médio na região.
Idealizado por José Pires de Lima Rebelo, mudou-se para sua atual sede em 1959
e hoje atua como o CETI Lima
Rebelo, com ensino em
tempo integral.
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Esta obra mostra a Amazônia sendo devastada e foi exposta numa estação do metrô em São Paulo. |
Seu
pai José de Lima Couto era professor e costumava dizer que consideravam o Piauí como “o patinho feio porque tinha muitos analfabetos. "Meu pai veio a este mundo
para se dedicar à educação”, afirmou Norma Couto. Como diretor do Ginásio Parnaibano
ele já conseguira transformar em estadual passando a se chamar Ginásio Estadual
Lima Rebelo. Em seguida através sua amizade com um ex-aluno o político
Chagas Rodrigues com quem disse ter feito um pacto para a criação do
curso colegial. Seu pai era educador e não político, mas fez um acordo, se o
político prometesse transformar o ginásio em colégio ele subiria no palanque
com ele apoiando a sua candidatura a deputado federal. Também seu pai conseguiu posteriormente com o governador Petrônio Portela outro imóvel, instalaram a Escola Normal e
inovaram criando juntamente os cursos primário e ginasial. Assim a
menina entrava no primário, fazia o ginasial e o curso Normal. Desta maneira formou
centenas de professoras primárias que contribuíram em muito para na época aumentar
o nível de escolarização na região do Parnaíba. A artista Norma Couto foi uma
das jovens que concluiu o curso
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| Três belas obras criadas pela artista em 1989. |
Normal na Escola Francisco Correia. Ao se
formar recebeu um convite para ensinar na escolinha do SESI do professor Benedicto
Jonas Correia, amigo de seu pai. “Como meu pai sempre me via desenhando e
interessada em arte agradeceu e disse que eu iria para Salvador estudar na
Escola de Belas Artes”, contou Norma Couto. Lembrou ainda que seu tio, irmão de seu pai
era um bom desenhista e pintor e foi ele quem pintou o pano de boca do
Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, do Maranhão. O pano de boca do Teatro Arthur Azevedo,
localizado no centro histórico de São Luís (MA), é um elemento imponente que
faz parte de um dos teatros mais antigos do Brasil, inaugurado em 1817.
Antes o pano de boca, que é a cortina principal na frente do palco, era movido
manualmente, atualmente é automática e pesa quase uma tonelada.
Seu
pai também dava aulas de Inglês e como na época não existiam aparelhos audiovisuais
para projetar slides para ajudar a ministrar suas aulas ele costumava fazer desenhos de passarinhos e
outros animais e objetos representando as palavras para melhor compreensão dos
seus alunos. Já sua mãe vinha de uma família de artesãos. A jovem Norma Couto
chegou em Salvador no ano de 1965 com apenas dezenove anos. Fez vestibular para
Artes Plásticas ao concluir fez dois anos para
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Norma Couto trabalhando numa pintura feita em pastel seco e lápis. |
Licenciatura. Foi trabalhar em
1971 como diagramadora do jornal Tribuna da Bahia permanecendo durante dois anos.
Lembra que naquela época ,uma coisa que a incomodava. Nós jornalistas
fumávamos muito e as roupas ficavam com forte cheiro de fumaça. Eu mesmo fumava quase duas carteiras de Holywood diariamente.
Como já estava
formada soube que estavam abertas as inscrições na Escola de Belas Artes da
UFBA para ministrar aulas de Desenho e Escultura. Ela se inscreveu em Desenho, passou
e foi ensinar Desenho III que era de observação e depois Desenho IV que era de
percepção visual, como os alunos enxergam o mundo. Seus alunos eram estudantes
de Engenharia Civil, Arquitetura e de Belas Artes, dentre outros cursos.
Casou
em 1976 com o professor de Oceanografia português Jorge Falcão Paredes que
ensinava no curso de pós-graduação Universidade de São Paulo-USP e depois veio
trabalhar no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento - CEPED e também ensinou um período no
Instituto de Geociências, da UFBA. Enquanto isto Norma Couto continuava
ensinando e passou a ajudar o professor Udo Knoff em suas aulas e quando a
esposa do professor d. Hortênsia, que era seu braço direito no ateliê faleceu ela passou também a frequentar o seu
estúdio em Brotas. Foi aí que o
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A artista Norma Couto mostra alguns azulejos pintados por ela. |
Jorge Paredes fez contato com um
professor do Departamento de Engenharia Cerâmica da Universidade de
Aveiro,em Portugal para ela estudar lá. Norma Couto foi e depois para Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde juntamente
com o esposo ficaram um ano por lá. Ela conseguiu uma bolsa da CAPES. Tinha
como seu orientador intelectual o professor Eduardo Calvet de Magalhães, que
gostava muito dos brasileiros. Ele era muito amigo do cônsul brasileiro casado
com a senhora Beatriz Mello Franco que era ceramista. Com essas amizades conheceu muitas
fábricas de cerâmicas em Portugal, inclusive conseguiam barro de qualidade para
trabalhar.
Entre as que visitaram destacou a Fábrica Cerâmica do Carvalhinho que se notabilizou na produção de réplicas de azulejos seiscentistas e setecentistas e foi fundada em 13 de Novembro de 1841 por Tomás Nunes da Cunha e António Monteiro Cantarino.
Quando voltou o MEC tinha baixado uma portaria determinando que os professores
auxiliares deveriam se qualificar melhor fazendo Mestrado e Doutorado alegando que tinham muitos auxiliares nos quadros das universidades brasileiras Foi quando Norma Couto e outros professores resolveram se requalificar e alguns deixaram a universidade. Passou três anos fora da universidade cuidando da sua única filha. Em 1982 aconteceu outro concurso público criado pelo reitor Luiz Fernando Macedo Costa com muitas vagas foi quando Norma Couto, José Dirson Argollo , Iza Guimarães e Malie Kung Matsuda fizeram o concurso e foram aprovados.. "Fomos contratados em março de 1983 e passei a ensinar cerâmica. "Na
época cerâmica era apenas um semestre e percebi que era um período
muito curto dada a sua complexidade . Consegui mais um semestre só que era dedicado apenas para o Curso
de Decoração, começou assim", revelou Norma Couto. Depois passou a ser matéria
eletiva para qualquer curso. Tinha alunos de Odontologia, Biologia, Belas Artes.
Além dela ensinavam Udo Knoff e Antônio Pinho, os dois vieram a falecer, e os
atuais professores são Conceição Fernandes e Eriel de Araújo Santos foram meus
alunos.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS – Em 2006 - Pratos Defumados,
Restaurante Confraria das Ostras, Salvador - BA. 1999 - Forma e Natureza, Porto
das barcas, Parnaíba - PI. 1999 - Forma e Natureza, Casa da
Cultura da Fundação Monsenhor Chaves, Teresina - PI. 1995 - Forma
e Natureza, produção de cerâmicas do mestrado em Artes (MAE), Museu de
Arqueologia e Etnologia da UFBA, Salvador- BA. Ao lado Norma Couto junto a um cartaz de sua exposição Forma e Natureza na individual no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA, que ocupou três andares, em 1995, com grande presença de público.
EXPOSIÇÕES COLETIVAS – Em 2025 - Docentes em Pauta,
Galeria Cañizares, Salvador – BA. 2023 - Independência do Brasil
na Bahia, exposição de artes plásticas em homenagem ao Bicentenário da
Independência do Brasil na Bahia, Galeria Cañizares, Salvador - BA. 2023
- A Gravura na Bahia a partir da EBA/UFBa, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 2022
- Exposição Flores, Palacete das Artes, Salvador-BA. 2019 - Um
Brinde ao Café II, exposição de Bules, Cafelier, Salvador-BA. 2018
- Fluxos Visuais - EBA 140 anos desde 1877, Palacete das Artes, Salvador-BA. 2008
- A Arte Cerâmica /Amazônia, Estação São Bento do Metrô de São Paulo, São Paulo
- SP. 2007 - Mulheres em Movimento, Galeria Cañizares, Salvador-BA.
2003 - Artes Visuais da Bahia, Gabinete Português de Leitura,
Salvador-BA. 2002 - O Salvador Menino II, Fundação João Fernandes
da Cunha, Salvador-BA. 2001 - O Salvador Menino, Museu Náutico da
Bahia, Salvador-BA; Exposição Comemorativa aos 500 anos do Descobrimento da
Baía de Todos os Santos, Teatro Gregório de Matos, Salvador-BA. 1997
- A Arte e seus Mestres - Exposição de professores e ex-professores da EBA /
UFBa em comemoração aos 120 anos de sua fundação – Galeria Cañizares, Salvador-BA;
Salão Nacional de Arte do Professor (acervo permanente), Espaço Cultural Sofia
Olszewski Filha - APUB -Associação dos Professores da UFBa, Salvador-BA; Um
Brinde ao Café – Exposição de Xícaras, Cafelier, Salvador-BA. 1995 -
Arte no Barra, Shopping Barra, Salvador-BA. 1993 - Arte no Barra,
Shopping Barra, Salvador- BA; Esculturas e Objetos dos Mestrandos em Artes
Plásticas da EBA/UFBa, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 1992 -Sentindo
a Forma - Exposição de Esculturas, Galeria Cañizares, Salvador-BA. 1991 -
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Capa do Catálogo da Bienal em Zagreb Iugoslávia de cerâmica em pequeno formato que ela participou. |
Exposição de Cerâmicas de Associados da ABAC - Associação Baiana de Arte
Cerâmica, Casa do Comércio, Salvador-BA. 1989 - 1ª Mostra de Arte
Cerâmica Artística da Bahia dos Associados da ABAC, Galeria de Arte do Sesc /
Senac / Copel, Salvador-BA; Arte / Mostra, Shopping Barra, Salvador-BA. 1985
- Exposição Cerâmicas e Tecelagens (com a artista Lísia Rocha), Theatro 4 de setembro,
Teresina-PI. 1983 - 1ª Expo Verão, Hotel Othon, Salvador-BA. 1967
- 1ª Exposição Feminina de Artes Plásticas da Bahia, Foyer do Teatro Castro
Alves, Salvador-BA. BIENAIS - 2005 - VII Bienal
Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, Aveiro - Portugal. 1991
- III Bienal Mundial de Cerâmica Pequena, Zagreb - Iugoslávia
(Zagreb foi
parte integrante da Iugoslávia de 1929 até sua dissolução em junho de 1991, servindo como uma das principais cidades e capital da República
Socialista da Croácia dentro da Federação. ; III Bienal
Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, Aveiro - Portugal. 1989
- I Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, Aveiro - Portugal. 1968
- II Bienal Nacional de Artes Plásticas, Convento da Lapa, Salvador-BA.

PREMIAÇÕES
- 1996 - Troféu Gaia pelo melhor trabalho “Forma e Natureza”
apresentado na categoria Cerâmica Artística no 40º Congresso Brasileiro de
Cerâmica e 1º do Mercosul, Criciúma-SC. 1993
– 3º Prêmio na categoria escultura no IX Salão de Artes Plástica de São
Cristóvão-SE. 1970 – 1º Prêmio de gravura no concurso para
decoração dos Institutos de Matemática e Geociências da UFBa, Salvador-BA. 1967-
1º Prêmio de gravura na exposição “90 Anos da Escola de Belas Artes da UFBa”,
Foyer do Teatro Castro Alves, Salvador-BA. Acima Norma Couto recebendo seu prêmio durante o 40º Congresso Brasileiro de Cerâmica e 1º Mercosul em Criciúma, em Santa Catarina em 1993.
Grande artista da cerâmica. Obrigado pelo incentivo aos artistas, Reynivaldo Brito.
ResponderExcluirParabéns para esta destacada ceramista e muito bom ler a analise de um crítico de arte renomada como Reynivaldo Brito
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