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sábado, 17 de agosto de 2024

WALDO ROBATTO O ARQUITETO QUE PINTA A CENA URBANA

Waldo  retoca uma das suas últimas obras.
Muitos artistas visuais que conhecemos  não escolheram inicialmente esta profissão como aquela que iria nortear suas vidas pelos anos afora. Alguns fizeram vestibular para outras carreiras sendo algumas até completamente distantes da arte e outros instintivamente de acordo com o talento de cada um. Porém, a maioria deles optou pelo vestibular de Arquitetura e Urbanismo e concluíram o curso, outros deixaram pela metade porque a arte se apresentava como uma opção natural, quase imperativa que terminaram abraçando. É o caso do Waldo José Robatto Campos Filho ou simplesmente Waldo Robatto que se formou em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia e chegou a exercer a profissão durante alguns anos no mesmo   espaço físico onde hoje tem seu ateliê e sua Oficina de Arte. Por lá já passaram centenas de jovens e adultos recebendo os ensinamentos ministrados por ele e outros professores convidados. A arte entrou em sua vida desde os dez anos de idade quando estudava no Colégio Antônio Vieira, localizado no bairro do Garcia, em Salvador-Ba e seus colegas mais chegados descobriram que ele tinha uma capacidade ímpar em desenhar. Portanto, quando eles precisavam de um desenho qualquer ou mesmo de uma capa para um trabalho que teriam que apresentar sempre apelavam para o dom artístico de Waldo Robatto. Depois foram os professores do colégio que passaram a pedir para fazer os cartazes das gincanas e de outros eventos que normalmente eram realizados nos colégios durante os anos escolares.

Obra da série Meninos de Rua. Moleques
tentando limpar o pára-brisa de um carro.
Adianta o artista que seus pais nunca fizeram qualquer objeção sobre suas escolhas, mesmo que naquela época houvesse um certo preconceito para a profissão de artista visual. As famílias sempre recomendavam que os filhos escolhessem uma profissão que lhes garantisse um futuro seguro do ponto de vista da sobrevivência financeira. Quando estudava Arquitetura e Urbanismo não foi um estudante assíduo nas aulas e às vezes abandonava o semestre inteiro chegando a perder por falta alguns semestres. Também entrou para a universidade muito jovem com apenas dezessete anos e queria curtir um pouco a vida.  Somente em 1986 terminou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e formou uma sociedade com dois colegas e foram trabalhar elaborando projetos de arquitetura e urbanismo. A sociedade durou apenas três anos porque surgiram divergências com relação a conceitos arquitetônicos e exigências de clientes. Por ter este temperamento de liberdade, de fazer o que gosta e entender que este é o caminho para a criação terminou fechando o escritório de Arquitetura. Em seguida passou a pensar em fundar uma Oficina de Arte porque estava casado e era necessário ter um rendimento para sustentar a família que se formava. Passou uma temporada pintando Meninos de Rua uma arte panfletária, de engajamento político com um forte conteúdo social, muito comum naquela época. Sempre realinhando o abandono e a miséria das crianças em nosso país e as mazelas dos governos de então. Disse Waldo Robatto que suas obras eram bem aceitas por certos grupos de pessoas, mas que não conseguia comercializar com certa facilidade. Ele fazia uma arte figurativa onde os personagens eram crianças limpando pára-brisas de carros, vendendo bombons, engraxando sapatos, andando pelas ruas ou deitados nas calçadas sempre chamavam a atenção das pessoas e tendo como pano de fundo a Cidade.

Obra com flores e vegetação muito
requisitada por decoradores
.
Hoje pai de quatro filhos, sendo dois arquitetos, um músico e um engenheiro mecânico ele se considera um artista feliz na sua profissão e que agora está focado em pintar cenas urbanas. Os dois filhos arquitetos um é do sexo masculino e uma moça. Disse que este filho arquiteto parece que vai seguir o caminho parecido com o que escolheu. Ele já está desenhando e pintando e isto pude comprovar com depoimentos de algumas pessoas que o conhece principalmente do professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da UFBA, Marcelo Silva, filho do grande mestre Nilton Silva.

Meninos de Rua se comunicando com 
 copos plásticos e um fio de nylon.
Voltando ao Waldo Robatto talvez a escolha das temáticas da sua arte sejam uma Influência da Arquitetura e do Urbanismo porque suas pinturas sempre estão a mostrar as vias de mobilidade urbana, o casario, os vendedores de frutas e outros produtos, transeuntes, os carros em movimento. Tudo relacionado com a Cidade onde moram e trabalham milhões de pessoas. Vi algumas telas que pintou recentemente da Feira das Sete Portas, que remetem à sua infância quando morava no final de linha do bairro de Nazaré. “Bastava descer uma ladeira e minha mãe já chegava comigo e a moça que trabalhava lá em casa na Sete Portas. Tínhamos que atravessar a rua e na feira tinha quase tudo que ela necessitava e gostava de comprar. Depois retornávamos com as compras subindo a ladeira”,fala Waldo Robatto. Quando recentemente esteve na Feira das Sete Portas disse que ficou impressionado porque “a feira pouco mudou internamente. Parece que as barracas dos mais variados produtos estão nos mesmos lugares, evidentemente com o tempo mudaram as pessoas que vendem e frequentam a feira e uma ou outra barraca deve ter mudado seu layout e mesmo os produtos que hoje vendem.”, disse Waldo Robatto.

Vendedora de frutas na rua em Salvador.
O artista gosta de sentir e viver a Cidade e isto o estimula a fazer suas obras sempre refletindo este clima e a relação das pessoas que transitam pelas ruas, pelo comércio, pelas feiras livres. Este borbulhar transmite uma sensação de vitalidade, é o ambiente urbano com toda sua essência de problemas técnicos e pessoais. Ele credita ao artista e professor de arte Euler de Pereira Cardoso que durante décadas em sua Panorama Galeria de Arte passaram muitos artistas que hoje estão no mercado e também profissionais liberais, donas de casa e até crianças que queriam aprender alguma técnica de pintura. Por lá também passou o artista e atual professor de Arte Waldo Robatto que foi levado por seu pai aos doze anos de idade. Escreveu o artista: “Minha arte é resposta às indagações provenientes do tempo passando, em formas e cores, que não conseguiria fazer em palavras. Aos doze anos, com incentivo de meus pais ingressei numa escola particular de pintura sob a orientação de Euler Cardoso, figura simpática e decisiva em minha carreira. Em 1979, saindo do Colégio Antônio Vieira, ao qual credito muitas conquistas na 

Palhaço num ambiente onírico e fantasia.
parte educacional, ingresso na 
Universidade Federal da Bahia no curso de Arquitetura e Urbanismo, e posteriormente  no de Artes Plásticas da Faculdade Católica”. Não chegou a concluir Artes Plásticas e em 1988 começou a se dedicar mais à carreira de artista plástico e professor de pintura, foi quando transformou seu escritório de arquitetura em sua Escola de Arte, que até hoje funciona no shopping Pituba Parque Center, em Salvador-BA. Lembrou que antes de abrir a escola elaborou alguns panfletos para distribuir e colocou pequenos anúncios no jornal A Tarde, atraindo na época tantos alunos, que tinha até fila de espera. Foi aí que viu realmente que poderia continuar com seu objetivo e que ali estaria um porto seguro para continuar pintando e repassando seus conhecimentos para seus alunos.

A frente da Feira de Sete Portas repleta 
de vendedores de frutas.
Começou pintando a óleo sobre tela e suas obras traziam uma mensagem social muito comum naquela época com a temática de Meninos de Rua, como escrevi anteriormente. Disse que pintou muitos anos esta temática e alguns tinham um aspecto caricatural, porém outros refletiam mais a realidade que via diante dele. Para Waldo Robatto a arte tem que ter uma recompensa interior para o artista, e depois para o seu público. Na época vendia pouco e não se preocupava com o mercado porque morava em casa de seus pais, embora aos vinte anos já tivesse nascido seu primeiro filho.

Confessa que como tem um temperamento acha tímido quando começaram a surgir os primeiros alunos   ficava desconfortável para ministrar as aulas, porém depois de certo tempo percebeu que até os próprios alunos iam interagindo e passou a se relacionar melhor com as pessoas. Disse que nos primeiros dez a quinze anos tinha até fila de espera por causa do número de alunos e da limitação do espaço. Também as exigências dos alunos lhe levaram a estudar mais, a trabalhar mais na sua própria pintura e a se dedicar com mais afinco às aulas e à Oficina de Arte. Informou Waldo Robatto que  por lá já passaram muitos arquitetos e filhos de outros profissionais de vários segmentos e para sua alegria tem muitos filhos de ex-alunos da escola estudando . “Acho que a pessoa que estuda pintura, dança ou música ela está conversando consigo mesma e que a arte contribui para a formação do indivíduo de uma forma muito positiva. Hoje vivo exclusivamente de fazer arte pintando e ensinando e isto me proporciona a me encontrar como gente”, arremata Waldo Robatto.Temos aqui alunos de formação diferentes, profissionais liberais, donas de casa, adolescentes e neste ambiente plural e de gerações diversas eles se interagem e vejo isto de forma muito prazerosa disse Robatto.

                                                   EXPOSIÇÕES E ATIVIDADES

Cena de um bar com música do vivo.
Lembrou que foi um frequentador assíduo da Galeria 13, que funcionava na Rua Gravatá no Centro Histórico de Salvador, próximo à Praça dos Veteranos, onde fica o Quartel do Corpo de Bombeiros, do saudoso Deraldo Lima. Na época tinha um fusquinha e enchia de colegas e amigos para pintar no Zoológico, Campo Grande e que um dia foram até para a Cidade de Cachoeira-Ba. Infelizmente essas incursões terminaram porque roubaram o seu fusquinha. Waldo Robatto fez a sua última exposição no Palácio das Artes, quando seu colega Murilo Ribeiro era o Diretor do Museu Rodin.

Numa exposição feita em maio de 2004 afirmou o artista e crítico Justino Marinho: "Com a mesma fluidez com que é capaz de tratar uma temática social, ele consegue pintar naturezas mortas, cenas de festas populares, composições abstratas e outras tantas visões que a sua sensibilidade seja capaz de mostrar que vale a pena. Waldo Robatto faz parte daquele grupo de artistas que encara a pintura como uma atividade séria, diária, capaz de dignificar o seu autor e comprovar que o ato de pintar traz embutido na ação, um sentimento mágico, quase inexplicável. Uma coisa sagrada.”

Primeira obra pintada em óleo sobre tela ,
em 1981.
INDIVIDUAIS1982 – Exposição Individual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo,da UFBA; Exposição na Magno Galeria de Arte , Salvador-Ba; 1979 – Individual na Panorama Galeria de Arte; 1976- Exposição Individual Panorama Galeria de Arte; Exposição na Assembleia do Estado da Bahia; Exposição no Restaurante Bella Napolli, Salvador-Ba; 2006 – Exposição Waldo Robatto Pinturas, Loja Dismel, Salvador-Ba; Exposição Fragmentado no Espaço Cultural Brasil Açu, Salvador-Ba; Exposição Ambiências no Cine Teatro do Bahiano de Tênis, Salvador-Ba; Exposição Bargaço, Brasília-DF; Exposição em Comemoração dos 5 Anos do Cine Teatro Bahiano de Tênis; Exposição na Fábrica Ford, em Camaçari-Ba; Exposição Primavera, no Othon Palace Hotel, Salvador-Ba; Exposição Janelas Urbanas, no Museu de Arte Moderna da Bahia; Exposição Waldo Robatto em Telas, no MAM e lançamento do Catálogo do mesmo nome; 2004 – Exposição no Cine Teatro do Clube Bahiano de Tênis, Salvador-Ba; 2000 - Exposição Noturnos no Museu de Arte Moderna da Bahia; Palestra a Universidade Católica de Salvador sobre Técnica de Pintura; Exposição Pinturas e Gravuras no Shopping Barra, Salvador-Ba; 1986 – Exposição Projeto Arte no Interior, na Galeria de Arte da Associação Recreativa e Cultural, ARC Dinor, Dinorá Casa da Cultura Américo Simas, São Félix-Ba

COLETIVAS2010 – Exposição Sant’Ana no Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA; Coletiva Waldo Robatto Oficina de Arte, no Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães, Salvador-BA; 2009 – Exposição Novos Artistas no Espaço Bomtempo, Salvador-Ba; Mostra de Arte Comemorativa do IV Centenário do Tribunal de Justiça da Bahia, Salvador-Ba; Exposição Arquitetos Artistas – 50 Anos da Faculdade de Arquitetura, Museu de Arte Sacra, Salvador-Ba; Exposição Elas Com Eles, Barra Flat, Salvador-Ba; 2008 – Participação no Festival de Verão – Você é Feito de Música, Salvador-Ba; Exposição Centro Cultural do Tribunal de Justiça, Salvador-Ba; Exposição Solidariedade a Chico Diabo -EBEC Galeria de Arte, Salvador-Ba; Exposição Grandes Artistas da Bahia em Pequenos Formatos, Museu Regional de Feira de Santana-Ba; Exposição Saguão da Assembleia Legislativa, Salvador-Ba ; Exposição Três Olhares, foyer Cine Teatro Casa do Comércio; Leilão das Voluntárias Sociais da Bahia, Museu Rodin, Palacete das Artes,Salvador-Ba; 2007 -
Alunos da Oficina de Arte recebem bons
fundamentos sobre a pintura.
Exposição Dia dos Pais , Pituba Parque Center, Dia dos Pais; Exposição Aliança Francesa -Brasília-DF; III Mostra Dismel Decoração, Salvador-Ba; Exposição Artistas Arquitetos, Galeria Prova do Artista, Salvador-Ba; Exposição da Waldo Robatto Oficina de Arte, Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães; 2006 -Exposição Waldo Robatto Oficina de Arte, Aeroporto Luís Eduardo Magalhães; 2005 – I Feira Beneficente de Artes Plásticas da UNEB; Art For Today, Galerias Simultâneas, Salvador-Ba; Exposição Waldo Robatto Oficina de Arte ,Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães; 2004 – Exposição Cinelle Galeria de Arte, Salvador-Ba; Exposição Solar do Ferrão, Salvador-Ba; Exposição Oficina de Arte Waldo Robatto, Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, Salvador-Ba; Exposição Cem Artistas da Bahia e lançamento do livro; Exposição Os Mais Destacados Artistas Plásticos da Bahia, Jornal de Salvador; Exposição Waldo Robatto, no Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães; 2001 - Exposição Cine Bahiano de Robatto Hansen Bahia,
Feira livre onde vemos até
cabras.
Cachoeira-Ba; Exposição Cinelli Galeria de Cinelle Luciana em Cinelle Bandeirantes; Mestres da Pintura da Bahia, TV Bahia; Exposição Waldo Robatto Oficina de Arte na Cinelli Galeria de Arte,Salvador-Bahia;2000 – Aula Pública no Aeroclube Plaza Show, Salvador-Ba; Exposição Aeroclube Plaza Show; Exposição Argivai Center, Salvador-Ba; Exposição Centro Comercial 38 Barra, Salvador-Bahia; Exposição Artes Plásticas e Fotografias no Museu de Arte Moderna da Bahia; Participação Casa Cor, quadro e um painel; Exposição Comemoração aos 10 Anos da Waldo Robatto Oficina de Arte; 1998 – Exposição Feira de Arte e Antiguidade, Shopping Iguatemi; IX Exposição Coletiva Waldo Robatto Oficina de Arte na Casa do Comério, Salvador-Ba;1997-Exposição 100 Anos do Instituto de Música da UCSAL, Museu di Mosteiro de São Bento, Salvador-Ba;1996 – VII Exposição da Waldo Robatto Oficina de Arte, Casa do Comércio, Salvador-Ba; 1995 – VI Exposição da Waldo Robatto Oficina de Arte, Casa do Comério;1994 – V Exposição da Waldo Robatto Oficina de Arte, na Casa do Comércio;1993 – IV Exposição da Waldo Robatto;1992 – III Exposição Waldo Robatto Oficina de Arte, na Casa do Comércio; 1991 – II Exposição Waldo Robatto Oficina de Arte, no Shopping Barra, Salvador-Ba; I Exposição da Waldo Robatto Oficina de Arte, Pituba Parque Center; Participação da Mesa Redonda O Arquiteto e a Arte, na UFBA;1998 – Exposição na Galeria 13,Salvador-Ba;Exposição na Galeria de Arte SESC-SENAC,Pelourinho,Salvador-Ba;1987- Exposição Bahia Arte Hoje, Casa da Cultura de Pernambuco, Recife; Exposição Traços e Cores, Aracaju- Sergipe; Exposição Além da Criatividade, Shopping Piedade, Salvador-Ba; Exposição Coletiva Clube Costa Verde, Salvador-Ba; Exposição no XIX Congresso Baiano de Odontologia; Exposição Acervo Deraldo Lima, Galeria 13, Salvador-Ba; Coletiva de Pintura Restaurante Bom Vivant, Galeria de Vivam Fim de Ano na Biblioteca Central do Estado da Bahia, Salvador-Ba; I Mostra de Arte Sindipetro, Museu de Arte Moderna da Bahia-
Cena urbana noturna com carro em
movimento.
Salvador-Ba; 1985 – Coletiva de Junho da Galeria Panorama, Salvador-Ba; Exposição Biblioteca Central; Exposição Tons do Infinito, Galeria Malhoa, Gabinete Português de Leitura, Salvador-Ba; II Itapoarte , Salvador-Ba; Exposição Galeria 13; Exposição Kroma II, Shopping Center Itaigara; Mostra de Arte Galeria SPHAN Pró-Memória Cachoeira-Ba; Exposição de Junho, Galeria 13;III Mostra de Arte Sandoval, O Rei da Noite , Salvador-Ba; Exposição Comemorativa aos 21 Anos da Galeria 13;Exposição Kroma III, Galeria 13;Exposição Tela e Entalhe, Museu Regional de São Francisco, Salvador-Ba; Exposição Fênix, Galeria Cañizares, Escola de Belas  Artes da UFBA; Fênix II na Faculdade de Arquitetura da UFBA; Uma Noite de Arte no Instituto de Música da UCSAL; 1983 – Expo-Bahia Verão – Hotel Meridien; I Salão Nacional de Artes Plástica Presciliano; V Salão Nacional de Artes Plástica Genaro de Carvalho; Exposição Foyer do Teatro Castro Alves, Salvador-Ba; Coletiva Galeria 13; 1981- Grande Leilão de Artes Benefício ao Hospital Aristides Maltez, no Salvador Praia Hotel, Salvador-Ba; Coletiva de Natal na Panorama Galeria de Arte, Salvador-Ba.


 


sábado, 10 de agosto de 2024

VIGA GORDILHO E A TRAJETÓRIA DE SUA ARTE AFETIVA

Viga Gordilho além de pintora, professora
e pesquisadora gosta de escrever sobre
seus projetos  artísticos. 

Quando cheguei para conversar com a artista Viga Gordilho em seu apartamento-ateliê na Ladeira da Barra, em Salvador-Ba notei que a mesa estava repleta de livros e alguns catálogos. E à medida que a conversa fluía a artista apresentava alguns dos livros que escreveu durante sua trajetória de mais de cinquenta anos pintando, pesquisando, escrevendo e transmitindo ideias e seus conhecimentos sobre as artes visuais para centenas de alunos e pessoas de comunidades específicas. Vem realizando exposições em museus e espaços culturais aqui e no exterior. Atua como curadora  com ações educativas em espaços museológicos e comunidades às margens da Baía de todos os Santos e ribeirinhas. Suas pesquisas estão sempre voltadas para a arte e a natureza e também focadas nas raízes da formação do povo brasileiro,e em outros lugares. Agora mesmo encontra-se  no interior da Argentina trabalhando com uma pequena comunidade.

A artista Viga Gordilho falando durante a
Oficina realizada este ano chamada de
Entre o Cafezal e a Criação. Trabalhou
com corantes, terras e fibras de algodão.
Ensinou dezessete anos no Colégio Maristas fez o Mestrado, e depois foi fazer o Doutorado em São Paulo . Após décadas ensinando está aposentada, mas continua trabalhando e pesquisando diariamente. É sempre convidada a dar aulas e palestras sobre arte em outros estados e fora do Brasil. A exemplo desta sua presença neste momento numa região da Argentina chamada Humahuaca onde de 4 a 10 de agosto  ocorreu a Celebração e Cerimônia Ancestral dos povos locais. Ela vai fazer algumas palestras e trabalhar com arte com as pessoas interessadas da comunidade local. Esta já é a 17ª edição deste evento que ocorre anualmente. Com certeza a Viga Gordilho trará folhas, flores e outras lembranças que puder coletar. Essas coletas compõem os materiais que utilizará em suas obras futuras as quais sempre têm no âmago as reminiscências, suas lembranças afetivas por onde passa.

Obras em pequenos formatos  criadas aos
pares representando no  seu projeto
Cartas de Afeto as duas margens dos rios
onde esteve e escolheu para marcar sua
trajetória artística e suas lembranças.
No livro-tese que escreveu para o concurso de professora titular da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia,   Compartrilhamentos Poéticos, de 2020, ela traça sua trajetória usando a metáfora dos cursos rios onde o passado e o presente estão fundidos e suas experiências ainda estivessem acontecendo.  Daí
 criou dois polos que chamou de canteiros o de imagens e outro de palavras. Nada mais são do que o registro temporal de sua trajetória como pessoa e artista. Ao examinar algumas obras de Viga Gordilho me veio a cabeça o fazer manual e a delicadeza com que aquela senhora alta e corpulenta consegue manusear elementos pequeninos e transforma-los durante o processo criativo em obras que nos impele a pensar na fragilidade. Traz consigo lembranças de sua infância na casa onde viveu em Salvador no boulevard Pedro Veloso Gordilho, em Nazaré, ao lado do Colégio Central ou da Bahia, localizado na Avenida Joana Angélica. Também  de sua vivência com seus avós maternos num casarão em estilo eclético em Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia que tinha porões e um extenso quintal cheio de animais e de árvores frutíferas. Disse que seus avós maternos moravam numa chácara na Rua da Linha, em Santo Antônio de Jesus, pediram a seus pais que deixassem ela ir por uns tempos a viver com eles. Viga Gordilho considera que foi uma época de ouro em sua vida. O sobrado onde eles moravam foi construído em 1912, infelizmente já demolido pela sanha da modernidade. Toda sua obra traz a marca de uma memória aguçada, sensível,delicada  e afetiva muito forte. Brincando revelou que suas irmãs dizem que ela não pode lembrar de tanta coisa e que é uma “infância roubada”. Porém, ela ri e reafirma que lembra inclusive do dia que sua mãe foi buscá-la na casa dos avós maternos e da roupinha que vestia e que tinham feito duas trancinhas em seus cabelos.

Viga  tendo ao fundo obras autorais.
 Ela conta que a casa de seus pais em Salvador-Ba foi construída em 1953 num terreno deixado por seu avô, onde seus tios também construíram suas residências. No entanto a Rua começou a se desfigurar como local residencial a partir dos anos 70. Estudou inicialmente na Escola Nossa Senhora Auxiliadora, dirigida por d. Anfrísia Santiago, localizada na Avenida Joana Angélica, quase na descida da Ladeira da Fonte Nova, em Salvador-Ba. A educadora d. Anfrísia Santiago era conhecida por ser rígida e exigir além de bom comportamento que suas alunas se dedicassem aos estudos. Também as mensalidades eram altas e Viga Gordilho foi compelida a ser transferida para a Escola Ana Nery, no bairro da Saúde, e lá concluiu o curso primário. Lembra da professora Maria Guiomar Ramos nas aulas de redação colocava reproduções das obras do artista francês Jean Debret (1768-1848) para que os alunos dissertassem sobre o que estavam vendo. A imaginação da criançada era livre e assim surgiam as mais diferentes interpretações,e isto o influenciou a gostar de arte.

 Viga Gordilho às margens do Rio Paulista,
em Vista Alegre, Barra Grande, na Bahia
procurando materiais para suas obras
.
Confessa Viga Gordilho que nunca teve dúvidas de que iria seguir a carreira artística e que também abraçaria o magistério para retransmitir ideias e os conhecimentos que adquirisse durante a vida para os jovens e outras pessoas interessadas. Estudou o ginásio no Colégio Estadual Severino Vieira em 1968, enquante sua mãe Maria Sanches de Almeida Gordilho na época ensinava Desenho e Trabalhos Manuais no mesmo estabelecimento de ensino. Nos finais de semana sua mãe costuma usar a garagem da casa para pintar e fazer trabalhos manuais. Ao terminar o ginásio foi estudar no Colégio Nossa Senhora do Carmo de Olga Meeting, na Rua da Mangueira, onde formou-se em professora primária e chegou a dar aulas durante um ano numa escola no Largo de Dois Leões. Fez o vestibular em 1970, com vinte anos de idade para a Escola de Belas Artes, da UFBA. Foi quando o Ministério de Educação e Cultura mudou novamente de nome do ensino da Arte. “Nunca vi uma matéria mudar tanto de nome como o da arte”, pontuou Viga Gordilho. A disciplina passou a ser chamada de Educação Artística, depois foi feita uma Reforma Universitária e mudou novamente para Integração Artística, passamos a trabalhar com quatro linguagens: teatro, dança, artes visuais e música. Foi aí que fui ser aluna de Possi Neto, em Teatro, de Ernest Widmer em Música, de Zélia Póvoas, em Artes Visuais e Marta Saback em Dança.”

Aqui ela utilizou galhinhos
de cerejeira que recolheu na
Coréia do Sul quando foi
expor e palestrar.
Quando estudava fez muita amizade com os colegas Maria Adair, José Dirson, que hoje é um restaurador reconhecido e Goia Lopes. Foi através de Maria Adair que soube que o Colégio Maristas, então localizado no bairro do Canela, próximo a EBA estava precisando de professor de Arte. O colégio era todo masculino e eram muitas turmas aí Maria Adair já não conseguia ensinar em todas elas. Foi fazer o teste sendo aceita pelos irmãos maristas que mandaram a propósito de um teste que ela restaurasse a escultura de uma pomba que tinha no estacionamento e estava muito danificada.  A escultura foi levada para a Escola de Belas Artes e lá restaurou. Quando entregou a obra restaurada os irmãos maristas gostaram e a contrataram para ensinar Arte aos alunos. “Brincando, brincando fiquei lá durante dezessete anos e meus quatro filhos estudaram em regime de bolsas nos Maristas. Até que fui conversar com os irmãos que pretendia fazer um concurso para ensinar na Escola de Belas Artes como professora substituta e eles concordaram e passei em segundo lugar. Porém, como só existia uma vaga não consegui entrar imediatamente. Aconteceu que tinha um vaga de professor colaborador e foi assim passei a ensinar em alguns horários conciliando minhas aulas nos Maristas e na EBA. Posteriormente teve outro concurso que fez e foi aprovada em primeiro lugar, isto em 1990. Aí teve que deixar de vez os Maristas e foi ensinar na EBA em tempo integral quando conheceu mais de perto o professor João José Rescala . Passou a ministrar aulas de Teoria e Técnica de Pintura e adotou o seu livro repleto de informações valiosas sobre pigmentos, tintas etc. Neste período fez muitos cenários para peças de teatro e balé e pintava suportes com 21 m x 9 m, e com este trabalho ajudava no orçamento doméstico. "Hoje é tudo no computador, antes era na mão grande", arremata Viga Gordilho.

                                                              QUEM É

Viga Gordilho mostra o casarão onde seus
avós maternos moravam . Esta tela foi
pintada por sua avó Donina.
A Maria Virgínia Gordilho Martins, que assina Viga Gordilho Nasceu em oito de
maio de 1953, em Salvado. Filha de José Geraldo Gordilho e Maria Sanches de Almeida Gordilho. Sua mãe era professora de Desenho e Trabalhos Manuais e gostava de pintar. Também sua avó materna Donina pintava e seu avô era fotógrafo profissional e cuidava da chácara que produzia frutas e verduras que ele comercializava em Santo Antônio de Jesus. Logo depois que nasceu foi morar com seus avós maternos em Santo Antônio de Jesus, interior da Bahia. Desde criança que tem a mania de recolher conchas, pedrinhas, penas, folhas, pequenos galhos de árvores por onde passa. Atualmente coleta esses materiais os quais são utilizados  em suas obras. Disse que quando criança ia para a praia e seu pai sempre que via ela coletando conchas e pedrinhas coloridas  dizia "guarde porque daqui a alguns anos não vão mais existir."

Na conversa com a Viga Gordilho lembrei que quando estudava no ginásio e colegial, principalmente as meninas, costumavam guardar folhas, flores e pétalas de flores dentro dos livros e cadernos. Geralmente eram reminiscências de um namoro, de um local especial onde estiveram com seus pais, amigos ou namorados.

MaNinHo  defende a natureza.
No ano de 1986 publiquei na minha coluna sua exposição quando ela nos apresentou seu personagem MaNinHo.  O nome foi escolhido em homenagem aos  filhos MAria,NINa e PaulinHO.  E o MaNinHo foi assim apresentado.  Vejamos: “Quem é você?” Eu sou MaNinHo, /a Terra vim conhecer. / Enviado por um astronauta, / que me disse que ela é bonita e feliz: / Pessoas, casas e animais. / Como você, num dado eu moro, / nele vemos tudo... / É o dado do faz-de-conta MaNinHo é um defensor ferrenho do meio ambiente, que naquela época era a pauta em todo o mundo.  Com sua cara gorducha e seus cabelos lisos ele chega como um anjo em visita a esta Terra tão conturbada. A aquarelista e colorista Viga é uma ilustradora de mão cheia de livros infantis. Utilizando principalmente o verde, amarelo e o azul ela introduz Maninho em situações as mais diversas. Numa delas MaNinHo protesta contra a falta de respeito para com o meio ambiente, lembra das brincadeiras infantis, da roda, do chicotinho queimado, do esconde-esconde, os quais foram substituídos por figuras grotescas que dão tiros para todos os lados sob o pretexto de defender o bem e a felicidade.”

Em janeiro de 2001 depois de apresentar em São Paulo sua exposição Cantos, Contos e Contas a artista Viga Gordilho  expôs aqui no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA, no Terreiro de Jesus, onde mostrou seus experimentos com ceras, metais, contas, pigmentos, corantes, terra e fibras naturais brasileiras, criando formas harmoniosas e espaços bi e tridimensionais. Ela continuava fazendo doutorado em Artes Plásticas na Escola de Comunicação e Artes da USP, tendo como linha de pesquisas Poéticas Visuais, com o projeto Cantos, Contos e Contas. .

Voltei a publicar um novo texto dezembro de 2015 com o título Operária da Arte quando ela buscou a relação do homem com a Terra e dei este título por entender que a artista se joga de corpo e alma nos projetos que abraça. Ela é acima de tudo uma Operária da Arte, uma criadora que se envolve com o todo o processo criativo, que busca novidades.  É um xamã na medida em que desempenha o papel de criadora, com um ritual delicado e único, tem funções e habilidades inerentes àqueles que aqui chegaram com este destino e souberam desenvolver o seu ofício criativo e espiritual.

Viga  trabalhando com 
  mulher argentina.
 Para escrever o Memorial sobre sua trajetória ela vinculou suas lembranças a seis rios o Paraguaçu, na Bahia; o Douro, em Portugal, o Tietê em São Paulo, o Orange na África do Sul, o rio Tória na Espanha e o Reno considerado o rio mais importante da Europa que nasce nos Alpes suíços e percorre a Alemanha. Já fez várias exposições individuais e coletivas aqui e fora do país, além de participar de inúmeros projetos coletivos. Viga Gordilho tem uma vitalidade ímpar e uma sensibilidade aguçada de coletar e vê importância em elementos da natureza e objetos que passam por nós despercebidos .

O Projeto Carta de Afeto ela fez algumas exposições com obras apresentadas aos pares porque estão relacionadas com suas reminiscências nas visitas que fez a esses rios. Cada obra representa uma margem desses rios e são feitas em pequenos formatos usando fibras, folhas, pequenos galhos e outros materiais recolhidos por ela nesses locais e colocados nos suportes de pequenas telas.

                                           EXPOSIÇÕES E ATIVIDADES 

Nome artístico: Viga Gordilho. Graduação: Desenho e Plástica - Escola de Belas Artes -EBA Universidade Federal da Bahia - UFBA (1972-1975); Mestrado em Artes EBA/UFBA (1993-1995); doutorado em Artes pela Escola de Comunicações e Artes- ECA Universidade de São Paulo- USP (2000-2003) e Pós Doutorado pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto FBAUP. 2019. Professora Titular- 2020 - Departamento I - História da Arte e Pintura. Atua no Programa de Pós Graduação em Artes Visuais-PPGAV, como aposentada, atendendo a Resolução nº02/2014, que institui o Programa Especial de Participação de Professores Aposentados nas Atividades de 

Viga  participa de todo
o processo de sua arte.
Ensino de Graduação e Pós-Graduação, de Pesquisa e de Extensão na UFBA. Coordenadora do PPGAV 2006-2008, quando o PPGAV recebeu a nota 4. Membro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas- ANPAP, desde 1996 e eleita Presidente, 2009/10, organizando o 18 e 19 Encontros Nacionais, respectivamente na UFBA e na UFRB. Membro da Academia de Ciência da Bahia, desde 2012. Recebeu bolsa da CAPES (PICD), bolsas de estudos PCI-Programa de Cooperação Interuniversitária como Professora Visitante no Departamento de Escultura e Novas Tecnologias na Faculdade de Belas Artes de São Carlos da Universidad Politécnica de Valencia- UPV na Espanha (2000 e 2001). Professora visitante na Escuela de Bellas Artes de Rosario - 2013, Escola de Belas Artes da Universidade Provincial de Córdoba - 2015 (Argentina), da Escola de Música e Belas Artes do Paraná-EMBAP, nos anos 2013,2014 e 2015). Trabalhos selecionados para participar do Projeto Fraenkulturforum nas cidades Esen e Hagen na Alemanha (2002), para o projeto itinerante VisibleVisions em Johannesburg na África do Sul (2003), em Nairobi no Kenya (2005), e projeto aprovado de curadoria, para a Embaixada do Brasil em Seul, Coréia do Sul (2023). Coordenou o Eixo de Artes do projeto multidisciplinar Baía de Todos os Santos- BTS, de 2007 a 2012. Recebeu o prêmio COPENE de Cultura e Arte - (1996) e como Artista Residente SACATAR (2004). Vem realizando mostras no Brasil, África, África do Sul e Europa. Obras, artigos e capítulos publicados em anais da ANPAP, revistas, livros nacionais e internacionais. Autora dos livros: "Cantos  Contos Contas - Uma trama às águas como lugar de passagem; Onde Se Esconde O Cinza Luminooso Onde  As Casas e Vestem De Céu; Ruínas da Fratelli Vita (Org.); Anais 18 e 19 Encontros da ANPAP (Org); "Entre  Territórios - Mesas Redondas" (Org); "BTS em Retalhos" (Org.), "O Vestido Fuxiqueiro", ComparTRILHAmentos Poéticos, um memorial em tempo gerúndio, Trilhas De Cristal e "Outros comparTRILHAmentos". Líder do grupo de pesquisa,Mameto MAtéria, MEmória e conceiTO em poéticas visuais contemporâneas, credenciado pelo CNPq, desde 2006. Pesquisa a natureza, especialmente as folhas sagradas e outros símbolos oriundos do entrelaçamento cultural afro-indígena-luso brasileiro, e tem como campo de referência metafórica as margens dos rios como guardiãs de uma poética do silêncio, usando a pintura expandida, arte têxtil e a criação de objetos como linguagens sem fronteiras.

sábado, 3 de agosto de 2024

AS ANDANÇAS DA PERFORMÁTICA IEDA OLIVEIRA

A artista Ieda Oliveira com um dos seus 
sete  gatos e ao fundo objetos e pinturas
de sua autoria.
A artista visual Ieda Oliveira se diferencia da grande maioria dos seus colegas porque no seu jeito de ser no dia a dia ela vive normalmente com os dedos das mãos cheios de anéis coloridos, os cabelos pintados em mais de uma cor, além de brincos e outros adereços que formam este personagem que parece sair de um conto infantil com sua  alegria contagiante e  conversa fácil. 
Estamos diante de uma atriz nata que poderia estar trabalhando num circo mambembe, desses que se armam nos poucos espaços vazios que ainda restam nas cidadezinhas do interior ou mesmo sendo integrante do elenco de uma grande companhia teatral. Ela gosta e vive os personagens que assume quando está trabalhando em suas instalações e performances onde busca acima de tudo o despertar para a arte, a confiança no outro e também uma interação com as pessoas das feiras livres, das periferias das cidades grandes, os passantes, os pagadores de promessas   as quais normalmente não têm contato com a arte e nunca foram a uma exposição ou museu. A artista  os envolve fazendo papéis de coadjuvantes e suas performances se transformam numa diversão, e assunto principal nas conversas do dia daquele local.  Muitos que viram e participaram de uma performance da artista nunca mais esquecerão, principalmente as crianças que são sempre as primeiras a se aproximar de Ieda Oliveira quando ela portando seu megafone os convoca para o ato. Nas suas
Alguns dos quinze cavalinhos de aço corten
criados por Ieda Oliveira
.
 performances sempre se apresenta com um traje diferenciado, pois costuma vestir fantasias previamente escolhidas de acordo com o que vai realizar. O que notei nos vídeos e na conversa com Ieda Oliveira é que inicialmente as pessoas ficam desconfiadas e chegam até a pensar “essa mulher é uma vigarista”, outros que se trata de uma” brincadeira de mal gosto” e assim por diante. Mas, quando a performance vai se desenrolando a confiança entre os presentes e a artista vai se estabelecendo aos poucos e depois tudo congrega em momentos de alegria e confraternização.
Participou do Projeto Urbano promovido pela Fundação Gregório de Mattos quando apresentou sua instalação definitiva na Praça da Inglaterra, na Cidade Baixa, em Salvador, lugar que em épocas passadas era ocupada por fotógrafos lambe-lambe, camelôs e outros profissionais. São quinze cavalinhos  que chamou de Haras para M.B.O. ( Manoel Bitencourt Oliveira) que são as iniciais do pai também artista. Esta ideia surgiu desde 1991 em suas andanças pela Chapada Diamantina.
Pinturas sobre espuma que usou
como suporte para se expressar
.
Em 1998 participou da Bienal Internacional do Recôncavo em São Felix, Bahia, quando apresentou a instalação Brincadeiras composto de vinte cadeiras de ferro, dessas que ainda são usadas principalmente no interior onde o assento é feito de fitas ou macarrão de plástico, além de quatro portas que pintou do apartamento onde morava. 
Ela pintou nas portas mulheres dos prostíbulos da Rua 28 de Setembro. As portas não foram selecionadas, mas as cadeiras receberam o Grande Prêmio da Bienal do Recôncavo e ela foi agraciada com uma viagem para à Alemanha onde ficou uma temporada em Berlim e outras cidades. Quando trouxe de volta as portas e posteriormente foi mudar do apartamento alugado onde vivia o proprietário Álvaro Viana mostrando desprendimento autorizou levar as portas. “Leve minha filha aí estão suas obras”, e Ieda fez questão de registrar este gesto.

                                               ALGUMAS  PERFORMANCES

Vemos Ieda Oliveira com o megafone
orientando os particiantes do sorteio.

Na performance Andando e Dormindo – A sorte é cega Ieda Oliveira esteve apresentando num circuito em cinco cidades Ubaíra, São Gabriel, Mutuípe, Monte Santo e em Salvador. Tratava-se de uma rifa chamada Raid das Moças, muito comum nos anos 70 e 80 e ainda presente em comunidades do interior quando alguém quer vender algo para fazer um dinheirinho então parte para a rifa. Compra uma cartela do Raid das Moças com nomes de mulheres e sai "vendendo" as assinaturas em número de cinquenta. Ieda Oliveira plota o Raid das Moças em tamanho grande e compra um animal ou um objeto, a exemplo um bode, uma bicicleta e as pessoas vão assinando sem pagar nada. O sorteado leva para casa o seu prêmio. Por ser gratuito aí se estabelece a desconfiança, e sempre tem algum mais taxativo que insiste e verbera sua desconfiança. A artista vai confirmando o prêmio, e no final quando enche a cartela de assinaturas faz o sorteio e o felizardo pula de alegria com o animal ou o objeto nos braços. Essa performance foi agraciada com o Prêmio Setorial de Artes Visuais do Governo da Bahia, promovido em parceria com o Instituto Cultural Brasil Alemanha – ICBA no ano de 2014.

Ieda em Taiwan com crianças
brincando com Jogo da Preá.
A artista escreveu: “O que tenho notado nos últimos circuitos que fiz é uma grande euforia do público para participar na formação da obra. Mesmo desconfiados, sentem-se atraídos pela novidade acontecendo no local, isso se fortalece quando percebem que em minhas intervenções estou ofertando coisas de graça, como alimentos, roupas, eletrodomésticos, animais, dentre outras, sem ninguém precisar desembolsar um centavo”.Em 2022 fez a instalação Farinha do Mesmo Saco na Galeria ACBEU quando portando uma cuia de queijo para guardar o dinheiro da venda de dezenas de saquinhos de farinha timbrados com o nome da exposição ia oferecendo ao público em troca de um valor simbólico. Disse que ficou satisfeita com a interação com os visitantes da instalação e que daí em diante passou a ter uma maior interação com o público em seus novos trabalhos.

A performance O Jogo da Preá é inspirada nas brincadeiras que aconteciam nas quermesses das festas do padroeiro das cidades do interior. Era composto de várias casinhas de madeira numeradas e colocadas em círculo para evitar que a preá ou preá fugisse. Numa casinha especial ficava a preá ou o preá e as pessoas ganhavam os números correspondente a cada casa. Quando todos números eram vendidos a preá ou o preá  era solto e na casinha que entrasse quem tinha aquele número era o sorteado. O prêmio quase sempre era um objeto e até mesmo um animal que o pessoal da comunidade doava à igreja para ajudar na sua manutenção. Vemos ai em Taiwan, na China, Ieda Oliveira  com a caixinha onde está a preá explicando às criancinhas através um interprete os detalhes do jogo.

Foto 1. Ieda puxando o jumento pelas ruas 
de Lençóis. Foto 2. Distribuindo lençóis.
Foto 3. Deitada na praça coberta por um
dos lençóis que  distribuiu na comunidade.
No início de 2015 participou da mostra Latino-americana de Performances Urbanas - MOLA, em Lençóis, na Chapada Diamantina, na Bahia com a performance Vendo Lençóis. Visitou a comunidade do Alto das Estrelas que fica fora do circuito turístico da cidade explicando a sua performance. Arranjou um jumento e percorreu as ruas da cidade mercando   e distribuindo lençóis anunciando com uma placa de papelão “Vendo Lençóis”. Depois deitou no chão na praça e ficou à espera das pessoas com os lençóis que distribuiu para cobri-la. Enfrentou um calor danado porque o sol estava forte e esquentou as pedras do piso. Uma das participantes d. Lili chegou até a dançar portando seu lençol até cobri-la. Certamente essas pessoas guardam até hoje este registro diferenciado.

 Ieda Oliveira com sua Pedra
Falsa subindo a ladeira de
Picuaraçá em Monte Santo
.
Em 2015 a artista Ieda Oliveira surge com nova performance a Pedra Falsa na cidade de Monte Santo, sertão da Bahia, onde anualmente no dia primeiro de novembro, Dia de Todos os Santos, acontece uma romaria quando centenas de pessoas sobem a Serra de Picuaraçá para pagar suas promessas levando pedras que são depois deixadas pelo caminho. As pedras lançadas devem se encaixar junto a outras que estão amontoadas pelo trajeto. Se por acaso a pedra lançada não se encaixar e rolar ladeira abaixo é sinal ruim, e talvez seja a última viagem do penitente.  A cidade de Monte Santo dista 352 Km de Salvador e foi palco das pregações de Antônio Conselheiro. Ieda fez uma “pedra” com espuma dessas usadas em colchões, pintou de preto e subiu a serra com a Falsa Pedra na cabeça enquanto seus amigos Fábio Salmerón filmavam e Jonathas Medeiros fotografava sua subida trajando um longo vestido vermelho. A subida foi difícil porque a trilha é sinuosa, cheia de pedras e o vento que soprava era forte. Mas, com sua obstinação a artista deixou lá sua pedra falsa que levava na cabeça na cepelinha onde estão guardadas as lembranças dos pagadores de promessas. Ela tinha uma forte relação afetiva e artística com o seu pai o Mané da Loja que chegou a participar de duas versões da Bienal Naifs do Brasil, em Piracicaba, em São Paulo, fez duas individuais em Ubaíra, interior da Bahia, participou de três bienais do Recôncavo em São Félix, Bahia, dentre outras.

                                                                  QUEM É

Ieda Oliveira em sua casa-ateliê.
A artista Ieda Oliveira nasceu em Santo Antônio de Jesus, em nove de setembro de 1969 e passou sua infância  em Varzedo, então distrito. Hoje Varzedo se emancipou e tem cerca de nove mil habitantes. É filha de Manoel Bitencourt Oliveira, já falecido, e Eunice de Jesus Oliveira, a d. Nice, que acompanha de perto as atividades artísticas da filha. Seu pai conhecido como Mané da Loja, era comerciante e sua loja vendia desde cachaça com folha até antiguidades que ele costumava comprar nas fazendas da região. Estudou até o quarto ano primário no Grupo Escolar Estevão Moreira Sampaio. Lembra de sua professora Lourdes Amorim, conhecida por Lurdinha de Barrigudo, por causa de seu esposo que tinha uma barriga proeminente. Certo dia um advogado da cidade de Rui Barbosa chamado de dr. Robério que gostava de comprar e garimpar antiguidades visitou seu pai e vendo sua filha por ali o incentivou a colocar no colégio de freiras em Santo Antônio de Jesus. Era o Colégio Santo Antônio e que tinha internamento de meninas. Seu pai resolveu ir para Santo Antônio conversar com a Madre Purificação e no início do ano 1980, ela tinha nove anos quando foi internada. Antes providenciaram o enxoval, compraram uma mala nova e assim tomaram a velha Kombi do conterrâneo Djalma que fazia o transporte entre Varzedo e Santo Antônio de Jesus e seguiram até o colégio. Ieda Oliveira era filha única. A sua mãe sentiu muito a sua falta, mas era preciso continuar os estudos. Foi matriculada no quinto ano do primário e mesmo interna foi reprovada

Quatro desenhos da artista que
reuni nesta imagem.
em algumas disciplinas e o pai não deixou fazer a recuperação obrigando-a a repetir o ano. Voltou para casa e trouxe com ela um gato que ganhou no internato. Eram mais de oitenta meninas de várias cidades. Disse que rolava muita confusão e já estava no primeiro ano do magistério e as freiras aconselharam a tirar do internato. Assim só pode continuar os estudos no Colégio Santo Antônio como aluna externa. Então passou a ir e voltar de Varzedo até Santo Antônio de Jesus num velho ônibus que apelidaram de Trem porque balançava muito e “batia mais que coração de ladrão”, além de as roupas ficarem empoeiradas. A distância é de apenas dezessete quilômetros, porém a estrada era esburacada e de terra. Era poeira no verão e lama no inverno.  Estudou no colégio até o terceiro ano do magistério. A única opção era a Casa de Rosário que ensinava datilografia. Ela não conseguiu se formar em datilografia. Matriculou-se no Colégio Stilo para fazer o curso de vestibular, mas como o ensino de Física, Química e Matemática era muito puxado Ieda Oliveira desistiu. Isto foi entre os anos 1988 e 1989. Ela não queria ficar em Varzedo e de quando em vez arrumava a sacola e fugia para Coaraci para a casa de uma tia deixando a mãe e o pai preocupados até que a tia avisasse da sua chegada inesperada. Neste ínterim ela tomou conhecimento que o prefeito de Santo Antônio de Jesus dr. Renato Machado tinha fundado uma Residência para os Estudantes em Salvador, na Rua Direita da Piedade. Foi assim que através um primo chamado de Delson, que era metido na política conseguiu informação que o dr. Renato Machado ia para Varzedo tal dia. Seu pai o procurou e solicitou duas vagas para ela e a amiga Roseli Andrade. O prefeito mandou que procurasse a vice Creuza Queirós encarregada da Residência estudantil. Vieram estudar Ieda fez um curso no Sartre, depois no Águia, se matriculou na Católica, passou em Licenciatura Artes Plásticas, fez também o vestibular na Escola de Belas Artes da UFBA e foi aprovada onde cursou o bacharelado em Artes Plásticas e Roseli Andrade, em Biblioteconomia. Saiu em 1988 após receber uma carta da universidade que deveria se formar senão seria jubilada. Em 2007 fez o Mestrado e depois o Doutorado.

Ieda Oliveira , o pai M.B.O e visitantes na
instalação Vendo a Venda, no MAM-Ba.
Desde jovem e nas férias gostava de ficar na loja ajudando o pai principalmente quando ele precisava ir para a roça ver o plantio ou mesmo acompanhar o dia a dia do trabalhador que lá morava. Também disse ter uma relação forte com a terra e que gostava de acompanhar o plantio de milho, feijão, mandioca, amendoim e outras culturas e de assistir o processo das colheitas. Mas, a arte sempre foi mais forte e hoje é uma artista reconhecida principalmente pela arte conceitual que abraçou. Como já falei a própria loja de seu pai virou assunto de uma performance Vendo a Venda que apresentou no Museu de Arte Moderna da Bahia, em 2009. Ela montou as prateleiras, encheu de produtos e passou a distribuir produtos aos visitantes. Durante a instalação produziu alimentos que constavam de farofa de sardinha, abafa-banca, geladinho, café, arroz com sardinha, além de bebidas inclusive infusões de cachaça com diversas folhas, e no final toda a mercadoria foi doada aos moradores da Gamboa vizinhos do museu. Esta é a maneira que escolheu Ieda Oliveira para se expressar através de instalações, performances que tem o seu fundamento nas ideias e nos conceitos em detrimento dos suportes têm uma característica da efemeridade ficando seus registros apenas em vídeos, fotos e escritos. Este movimento surgiu nos anos 1960 e chegou forte até o final dos anos 70. O artista pode se expressar com suas performances, instalações, vídeos, textos, fotografias e até mesmo através a música. Nos livros de arte você vai encontrar que este termo foi usado pela primeira vez em 1961 através um texto de Henry Flynt sobre o Grupo Fluxus. Também dizem que o precursor foi o Marcel Duchamp com seus ryde-mades, a exemplo de um vaso sanitário que denominou de A Fonte apresentou num museu, e assim fez com outros objetos do cotidiano elevando-os à categoria de obra de arte.  Na verdade, não existem limites estabelecidos para a arte conceitual e de quando em vez surgem artistas se expressando dentro de seus ditames que deixou para trás o formalismo cartesiano. Por isto que nem sempre a arte conceitual é bem recebida e palatável, especialmente por aquelas  pessoas que não entendem muito de arte ou mesmo preferem uma pintura ou uma escultura clássica.

                                                PRIMEIRO VENDIDO

Performance Com a Cabeça nas Nuvens,
em 2015  na cidade de Mutuipe-Ba.
Lembrou Ieda Oliveira que ainda era estudante e juntamente com seus colegas Oscar Brasileiro e o Adriano Castro, que hoje tem um canal do You Tube chamado de Red bill, conseguiram expor juntamente com os cem artistas que participavam da mostra Pinte o Pelô em 2007 na Galeria do Sebrae. Eles expuseram na mostra graças a Alexandre que era filho do dono da Galeria Arcada das Artes, que existia no Pelourinho,  organizador da mostra juntamente com Maria Adair e colocou algumas pinturas que fez inspirada nos prostíbulos da Rua 28 de Setembro. Foi quando apareceu uma alemã e comprou seu trabalho e quando foi receber o dinheiro da venda ficou sabendo que se chamava de Milka Tisna, de Munique, a qual depois passou a comprar novos trabalhos e fez até exposições na Alemanha de suas obras. Ela é médica psiquiatra e quando vinha trazia materiais de pintura, revistas, catálogos e o dinheiro da venda das obras que tinha levado e foram vendidas. Assim ela levava novas obras, inclusive deu a Ieda Oliveira o seu primeiro computador. Considera que a alemã foi muito importante em sua trajetória.

A artista deitada com um bolo em forma 
de coração sobre o peito e os passantes 
se servindo no bairro  do Canela, em
Salvador-Ba.
Em 2015 fez uma performance na Rua Araújo Pinho, no bairro do Canela, em Salvador, quando deitou numa mesa e colocou no tórax um bolo em formato de coração e convidava as pessoas que passavam a cortar um pedaço e depois saiam comendo. Ela chamou de Forma de Bolo. No princípio as pessoas ficavam receosas até que a primeira tomou coragem e cortou o seu pedaço. Aí vieram outras até o término do último pedaço. Essas são algumas das instalações e performances que a Ieda Oliveira já fez durante a sua trajetória artística. Mesmo assim não abandonou a sua pintura e inclusive me mostrou em sua casa várias pinturas por ela realizadas.

Neste interim fez um concurso para ensinar na Escola de Belas Artes da UFBA e passou em primeiro lugar com 9,5 de média. Porém, quando já estava providenciando os exames de saúde e papéis para apresentar e tomar posse foi informada quase às vésperas  que uma moça de Minas Gerais,  passou em último lugar com a nota sete ,mas  ela é considerada negra cotista e foi escolhida por sorteio. Entrou na Justiça e está aguardando o desfecho . A Ieda Oliveira já tem experiência de magistério porque durante seis anos ensinou como professora substituta. Era uma única vaga e ela entende que não se pode fracionar uma vaga para atender a politica woke dos 20% de cotas. Atualmente está ensinando Educação Artística no Instituto Normal Isaias Alves

                                                           ATIVIDADES

Ela conseguiu levar o secular confessionário 
da igreja para a performance O PecaDor,
em São Paulo.
Ieda Oliveira é artista visual, professora e pesquisadora. É doutora (2017), mestre (2009) e graduada (1998) em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia - Escola de Bela Artes. Possui vasta experiência nas artes visuais e conta com prêmios no currículo. Participou, enquanto artista, de importantes eventos artísticos nacionais e internacionais, como a 26a Bienal Internacional de São Paulo, quando apresentou a performance O PecaDor onde espalhou duas toneladas de grãos de milho e colocou o confessionário que o padre Gilberto da paróquia de Varzedo-Ba o emprestou. Foi um sucesso e durante a performance três assistentes ficavam com rodos juntando os grãos de milho que se espalhavam quando as pessoas andavam sobre eles. Participou ainda da III Bienal do Mercosul e a II Trienal de Luanda. Fez residência artística na Kunstlerhaus, de Hamburgo, na Alemanha, e no Taipei Artist Village, em Taiwan. Realizou mostras individuais internacionais em Berlim, Munique e Siegburg, na Alemanha, e em Taipei, em Taiwan. Participou de mostras coletivas no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, e na SOSO, Galeria de Arte Contemporânea, em São Paulo. Participou da mostra itinerante Mostra Nordeste de Artes Visuais, do Museu Murilo Lagreca, em Recife (PE), da Pinacoteca do Estado
Ieda e seu pai desfilando
enrolados em papéis
alumínio e de filme.
do Rio Grande do Norte, em Natal (RN), do Centro Cultural do Banco do Nordeste, em Fortaleza (CE), do Museu Assis Chateaubriand, em Campina Grande (PB) e da Galeria CESMAC de Arte Fernando Lopes, em Maceió (AL). Em
2018, ganhou o Prêmio FUNARTE - Periferias e Interiores. Em 2019, participou da mostra À Nordeste, no SESC 24 de Maio, em São Paulo, e da mostra Orquestra para Pássaros, no Goethe Institut da Bahia (BA). Em 2020/2021 participou do 
Projeto RUA (Roteiro de Arte Urbana) inaugurando uma instalação permanente chamada Haras para M.B.O., na Praça da Inglaterra, uma das mais importantes de Salvador, no bairro do Comércio. Em 2021 também apresenta a obra Ninho de Cobra na mostra Desmanche, no Centro Cultural Vale Maranhão (MA) e participa da exposição Museu de Dona Lina, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), com a obra Lagarta de Fogo, que faz parte do acervo permanente do museu. Vemos à direita Ieda Oliveira e seu pai M.B.O enrolados ele em papel alumínio e ela em papel filme andando à noite pelas ruas do centro da cidade do Salvador Bahia na performance Homem de Aço e Mulher de Vidro. Em 2023 participou do Art Souterrain Festival - La Fête, Montréal, Québec, (CA), no mesmo ano participou da coletiva, A Gravura na Bahia – A Partir da EBA/UFBA, Galeria Cañizares, Salvador, (BA), e da mostra 2 de Julho, a Independência do Brasil na Bahia, Galeria Cañizares, Salvador, (BA).   Em 2024 participou da mostra
Uma das pinturas da
série inspirada em sacos
de papel usados em
vendas  do interior
.
 Casa de Mulheres, Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) Salvador, (BA). Em Salvador, já expôs diversas vezes no Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu da Bahia, Goethe Institut, Galeria ACBEU, dentre outras galerias. Realizou várias performances e intervenções urbanas nas ruas da capital baiana e em cidades do interior da Bahia, além de ter criado a RAIO – Residência Artística Ieda Oliveira. O interesse temático da artista reflete e revela aspectos originais do cotidiano baiano e nordestino com a interface transdisciplinar na contemporaneidade, conectando o local ao global. Para além da experiência artística, atua também na área acadêmica. Já ministrou aulas na UFBA, UCSAL e UNEB/PARFOR. Ministrou cursos através da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) em diversas cidades do interior da Bahia. Ministrou oficinas no Museu de Arte Moderna da Bahia e participou de Comissões de Seleção e Premiação em Salões de Arte, dentre outros. Atualmente, trabalha em um curso técnico profissionalizante oferecido pelo Governo do Estado no Centro Estadual de Educação Profissional Formação e Eventos Isaías Alves (ICEIA) onde é professora de diversas disciplinas vinculadas às artes visuais e ao teatro.