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sábado, 4 de outubro de 2025

DANIEL SANTIAGO UM DOS PIONEIROS DA ARTE CONCEITUAL NO BRASIL

O artista Daniel Santiago criando uma nova 
capa de seu livro Tabela Poética dos
Números Irreversíveis usando acetona.

O artista multimídia, jornalista, desenhista, professor, publicitário, pintor, ator e performático pernambucano Daniel Lima Santiago é conhecido nos meios intelectuais onde atua desde os anos 70 criando uma arte onde combina ironia com rigor no conteúdo e a discussão dos problemas sociais, políticos e afetivos. Um dos pioneiros  do movimento de vanguarda arte conceitual no Brasil ele vem no decorrer dos anos realizando uma produção coerente com suas ideias usando como ferramentas a fotografia, vídeos, serigrafia, offset e a linguagem escrita. Também utiliza do próprio corpo em suas performances, e os livros-objetos que lança passaram a ser parte de sua produção, além das obras enviadas pelos correios chamada de arte-postal. É um artista de nome nacional e está presente na historiografia das artes visuais no Brasil por sua produção ter qualidade e importância na arte conceitual. Daniel Santiago vive o tempo inteiro navegando no mundo da arte. Enquanto conversávamos interrompeu para solicitar um pouco de acetona. Abriu o frasco e derramou o produto na capa de um de seus livros e começou a passar o dedo polegar em cima da ilustração da capa resultando numas manchas. Parecia que estava num ritual religioso onde a pessoa é acometida de um transe, de um estado de manifestação. De repente parou e exibindo o livro e disse: “estou lhe ofertando um livro com uma capa única!” Esta imprevisibilidade do artista pode transformar seu interlocutor num elemento de sua criação. É provocativo e costuma chamar as pessoas de grande artista, grande jornalista, grande motorista, grande dona de casa e assim por diante com uma ironia peculiar que às vezes fica até cansativo para os desavisados uma convivência demorada com sua mente brilhante. Quando passou a me chamar de grande jornalista, retruquei  : diga grande artista! Aí ele sorriu e passou a falar de outros projetos que tem e pretende realizar. Sua cabeça funciona como se fosse um rolo de filme que está sendo projetado e não pode parar. A produção de Daniel Lima Santiago é tão extensa que precisaria de muito mais espaço e talvez de um livro com muitas páginas para registrar todas elas.

Daniel Santiago representando Godot com 
a cineasta Katia Mesel procurando Samuel
Bekckett pela Rua do Catete, no Rio de 
Janeiro, 2023.
Nasceu em Garanhuns, estado de Pernambuco em 1939 e ainda menino aprendeu a desenhar com o tio Saul Santiago que fazia desenhos publicitários de cachaça Chica Boa e outros produtos populares e inicialmente exibia nos muros da cidade de Catende, em Pernambuco, e posteriormente para serem veiculados nos jornais da época. Daí em diante Daniel Santiago passou a desenhar e a pintar com frequência. Tem uma rica experiência de vida passando pelo serviço militar na Aeronáutica onde ingressou aos dezessete anos de idade na
 década de 60 chegando à patente de cabo, quando foi transferido para Salvador. Permaneceu aqui de 1962 a 1966 e aprendeu a fazer xilogravura, influenciado por Hansen Bahia e Emanoel Araújo. Fez um concurso para desenhista publicitário das Lojas Mesbla, e seu desenho estava tão bem feito que o gerente nem quis mais fazer a prova com os demais candidatos. Trabalhou durante um ano e meio elaborando anúncios para jornais e televisão. Rompeu com  um namoro porque a moça só queria casar , e resolveu arriscar a vida em São Paulo, destino de milhões de nordestinos. Levou consigo cópias de suas xilogravuras, desenhos, algumas roupas e pouco dinheiro. A viagem de ônibus durou quarenta horas, e foi muito sofrida porque não tinha dinheiro para se alimentar.

Daniel  Santiago procura no celular
fotos e vídeos das performances.
Em 1967 deixou São Paulo e foi para Curitiba onde lecionou Desenho na Escola Nacional de Desenho em Curitiba-PR. Em 1970 fez Curso de Especialização de Desenho, em 1971 -1972 de Pintura, em 1973 de Escultura e em 1974 de Teatro no Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais, na cidade de Ouro Preto. Em 1977 concluiu a graduação em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco, e em 1980 formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. Foi professor de Desenho na Escola de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco e no SENAC-Recife; professor   de Planejamento Gráfico nos Cursos de Jornalismo e de Relações Públicas da Universidade Católica de Pernambuco, de Desenho e Educação Artística em colégios públicos e particulares. Foi ainda professor da Equipe de Treinamento de Professores da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco e de Desenho Artístico no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães. Ministrou o Curso de Pintura para professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. Participou de várias comissões julgadoras em salões de arte. É artista plástico com catálogos de participação em mais de cem exposições no Brasil e no exterior. Manteve uma parceria durante anos com o artista Paulo Bruscky, mas atualmente segue sua carreira individual.

Quando se aposentou da Prefeitura de Recife em 2010, aos setenta anos de idade, por sugestão de sua esposa foi arrumar suas gavetas, prateleiras e estantes quando encontrou um pequeno caderno com os registros do ano em que passou em São Paulo e sobreviveu à base de pão com banana e pizza com caldo de cana. O caderno contém um diário onde estão registradas as dificuldades que enfrentou. As peripécias são tão interessantes que os editores da Revista Piauí decidiram publicar na sua edição de fevereiro de 2010 com o título Parece Que Falta Oxigênio no Ar acompanhada de belas ilustrações de autoria de Daniel Santiago. O seu diário pode ser encontrado na internet. Vemos ao lado uma bela ilustração do seu diário feito em São Paulo e ai aparecem as bananas, o pão, a pizza e o caldo de cana na garrafa.

                                               SUA CAMINHADA

O meu encontro com o artista Daniel Lima Santiago foi na tarde do dia nove do corrente mês, e a cada pergunta que fazia ele sempre vinha com uma resposta entremeada de ironia. Este é o comportamento padrão ou “normal” do artista.  Nasceu em 28 de abril de 1939 na cidade de Garanhuns, estado de Pernambuco, filho de Salatiel Santiago e Maria Rodrigues Santiago. Ao lhe indagar o que seu pai fazia em Pernambuco respondeu: “Era guarda da peste, e trabalhava aplicando o ciano gás, que foi um produto usado na Segunda Guerra Mundial.” O Brasil teve uma epidemia de peste bubônica entre os anos de 1899 e 1907 quando muita gente morreu por falta de atendimento. Esta doença é causada por uma bactéria transmitida por picada de pulgas de ratos e outros roedores, e os sintomas são febres, calafrios e inchaço dos gânglios linfáticos. No Brasil ocorreram surtos de peste bubônica iniciada em Santos e espalhando-se pelo país, com maior impacto no Rio de Janeiro. Daí em diante a doença vem sendo combatida e o Salatiel

Santiago integrava a equipe de guardas que aplicava o ciano gás em Pernambuco. 
O artista Daniel Santiago passou parte de sua infância na cidade de Bom Conselho, que fica no agreste pernambucano, onde cursou o primário, e o segundo grau no Ginásio São Geraldo. O científico estudou em Salvador no Colégio Manoel Devoto e Colégio Estadual da Bahia, o Central, mas não conseguiu concluir. Foi quando decidiu ir para São Paulo em 1966 e passou as dificuldades que narrei acima e que foi publicado na secção Diário, da Revista Piauí. Ressaltou que trabalhou como datilógrafo na capital paulista e que “era um bom datilógrafo, batia muito rápido”. Acima quatro pinturas de sua autoria. Na primeira imagem a Praça Derby, em Recife, e as três  outras retratam  pontos da capital pernambucana feitas na década de setenta quando ele costumava sair com seu cavalete e suas tintas a óleo e seus pincéis pintando pontos que achava interessante.

                                      ARTE CONCEITUAL

Quando estudava na Escola de Belas Artes de Recife tomou conhecimento do movimento de arte conceitual que “surgiu nas décadas de 1960 e 1970, nos Estados Unidos e Europa, como um movimento que prioriza a ideia ou conceito por trás da obra em detrimento da sua forma física ou estética visual. O termo foi usado oficialmente por Henry Flynt em 1961, no contexto do grupo Fluxus, que questionava o mercado e o formalismo da arte, influenciado por vanguardas como o Dadaísmo”. Já o termo happening surgiu também nos Estados Unidos e teve como seu expoente o artista

Frame do vídeo da entrevista de Daniel
Santiago e Paulo Bruscky a Gilberto Prado.
americano Allan Kaprow (1927-2006). No happening o artista mistura elementos de artes visuais, teatro e performance com a participação do público. Disse Daniel Santiago que depois de tomar conhecimento desses movimentos passou a chamar os colegas para fazer um happening e ninguém quis lhe acompanhar dizendo que era coisa de maluco. “Foi quando conheci um cara meio doido e perguntei. Você tem coragem de fazer isto comigo na praia? Ele topou. Era o Paulo Bruscky”.  Levaram os objetos que Daniel Santiago tinha produzido e também algumas pinturas e colocaram na praia da Boa Viagem. Com isto atraíram muita gente curiosa querendo saber o que era aquilo, e assim começou a caminhada dos dois artistas. Foi aí que em 1971 nasceu a Equipe Bruscky & Santiago que durou cerca de dez anos, e segundo Daniel Santiago “foi se apagando como a luz de uma estrela.” O Daniel é um criador nato, as ideias brotam na sua cabeça como a água brota de uma nascente ,e vai seguindo o seu caminho até  se transformar num rio caudaloso. 

Contou também que em 1971 a Equipe Bruscky & Santiago distribuiu uns convites impressos em papel verniz tendo a  frente na cor azul e amarelo no verso. Outros tinham a cor amarela e o verso azul. O convite chamava as pessoas a comparecer no dia tal, às tantas horas na Ponte de Ferro, em Recife, para a abertura da ARTESPOCORPONTE, é um acrônimo de Arte, Exposição, Cor, Corpo e Ponte. Compareceram cerca de duzentas pessoas levando seus convites coloridos e trocando mensagens da Ponte da Boa Vista para a Ponte de Ferro. Disse Daniel Santiago que o convite foi inspirado numa lona usada pelos aviadores americanos na Segunda Guerra Mundial. Esta lona era um equipamento de sobrevivência caso a aeronave fosse abatida. Para fazer cada convite a

Os participantes do hapenning na Ponte de  
Ferro, em Recife, Pernambuco.
Equipe Bruscky & Santiago usou duas folhas de papel verniz, uma folha amarela e outra azul, coladas pelo verso. O texto do convite, foi impresso no lado amarelo, em tipografia, redigido por Daniel Santiago. Metade dos convites tinha escrito Ponte da Boa Vista e a outra Ponte de Ferro. Eles ficaram no meio e instruíram como reagir quando davam determinados sinais. No final os convidados estariam exibindo apenas um lado do convite que poderia ser todo azul ou todo amarelo, e quando coincidisse todos da mesma cor   deveriam jogar os convites no rio Capiberibe. Este happening foi o primeiro realizado na cidade do Recife e chamou a atenção dos policiais federais que pensaram tratar-se de um movimento subversivo.

Enquanto nossa conversa prosseguia  notou que  os raios do sol estavam entrando pela janela e incidindo sobre uns objetos. Levantou-se e explicando que dava uma bela foto se estivesse em sua casa onde tem alguns pequenos espelhos. Ele usa espelhos para captar os raios do sol e os transporta para outro espelho, e faz uma fotografia com o celular ou

Uma bela Organela de Daniel Santiago.
com uma máquina fotográfica. Em seguida trabalha a foto saturando ao máximo a luz e assim a foto vira no jogo de luz e sombra algo indescritível, uma imagem abstrata que ele denominou de Organelas. Na Biologia as organelas citoplasmáticas são pequenas estruturas encontradas no citoplasma das células eucarióticas, cada uma com uma função especializada que é essencial para o funcionamento e sobrevivência da célula. Como vemos o Daniel Santiago mistura ciência e arte. Com os espelhos capta a luz e seus efeitos físicos, criando formas que se assemelham às organelas das células. Suas Organelas lembram águas-vivas pela transparência e  formas. Na realidade são objetos fotografados e trabalhados até perderem sua forma original

Tem quase dez livros-objetos. Os primeiros criados pela Equipe Bruscky & Santiago deu o nome de Outra Pedra de Roseta, e foram feitos à mão com recortes de jornais e revistas. Em seguida mandava para uma tipografia afim de costurar os dorsos, dando mais consistência, encadernava e encapava. Nenhum livro é igual ao outro porque o gráfico pegava e dava os cortes necessários aleatoriamente para ficar no tamanho e na forma de um livro. A Equipe colocou este nome porque imaginava se um desses livros fosse solto no espaço, e

Livros-objetos  do artista.
alguém de outra civilização o encontrasse iria tentar decifrar o que estava escrito ali, e teria muitas informações sobre a Terra, como aconteceu quando encontraram a Pedra de Roseta escrita em hieróglifos e foi decifrada por Jean - François Champollion em 1892. Atualmente três novos livros que estão sendo finalizados de autoria do artista Daniel Santiago. Um deles chamado O Céu é de Chocolate onde todos os objetos utilitários possíveis são feitos de chocolate. São trezentas páginas, porque ele acha “se tiver menos de trezentas páginas não é um livro.” O outro é um romance e chama-se Um Nome de Mulher. “O cara conhece uma dona e ele a chama de Doutora Maria das Dores de Machado.... A personagem pede que o marido a chame simplesmente de Maria das Dores, então o marido retruca dizendo que gostaria que o nome dela fosse ainda bem maior para ele não parar de chama-la. Então todas as trezentas páginas do livro têm inúmeros e extensos nomes de mulheres. 

O terceiro livro que está no prelo chama-se Captcha que é a sigla de Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart, ou seja, é um teste de segurança projetado para diferenciar humanos de robôs na internet. Ao apresentar um desafio relativamente fácil para humanos entender, mas difícil para computadores e robôs. O Captcha protege sites e serviços online contra o uso indevido e o acesso não

Quatro elementos do captcha que ele
criou para exemplificar.
autorizado. Exemplos incluem a identificação de texto distorcido, a seleção de imagens específicas ou a resolução de problemas matemáticos simples, sendo uma medida de autenticação e proteção de dados. Muitas vezes tentamos decifrar várias vezes até conseguir identificar as letras e os números do Captcha. Daniel Santiago criou vários sinais e preencheu todas as páginas do livro com sinais que a gente consegue decifrar, com alguma dificuldade, mas o computador não consegue, a não ser que seja criado um novo programa para decifrar.

 PERFORMANCES

A Palmeira-noiva  que integrou
a 3 ª Bienal da Bahia.
O artista Daniel Santiago tem inúmeras performances gravadas em vídeos que fez em Salvador, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Londres e em outros lugares.  Em 2015 em Recife fez uma performance chamada Desenhando Com as Duas mãos, usando os Dois Lados do Cérebro para a exposição sob a curadoria da artista Eugênia Harten. A mostra chamada 1º Intercâmbio Cultural Brasil / Itália, no Museu da Cidade de Recife foi inaugurada em dois de julho 2015. Ele se apresentou todo paramentado de branco com um jaleco comprido, touca e luvas como fosse fazer uma cirurgia, e desenhou o rosto de uma mulher na presença de várias pessoas. Em 2014 participou da 3ª Bienal da Bahia  no Palacete das Artes em Salvador com  artistas nordestinos que produziram muitos trabalhos e não foram mostrados e nem tiveram reconhecimento do público devido as restrições impostas pela ditadura militar.    Enrolou uma palmeira imperial no Largo do Papagaio com um vestido de noiva , colocou uma grinalda e chamou a performance de A Palmeira-noiva. Ele se inspirou na namorada que teve quando tinha vinte e um anos e namoravam no Largo do Papagaio.

Em 2014  contratou um vendedor de mingau e convidou várias pessoas para comparecer ao Beco do Mingau que fica no Largo Dois de Julho, em Salvador foi chamado assim por ser um ponto de venda de mingau, uma iguaria simples e tradicional. Sua história está ligada à luta pela Independência da Bahia em 1823, onde as mulheres desempenharam um papel crucial ao levar mingau e armas para os combatentes, disfarçadas e com estratégias para confundir o inimigo. Nesta performance até o artista performático Jaime Figura esteve presente. Na foto  vemos o escritor, poeta e professor pernambucano Jomard Muniz de Britto, Jayme Figura e Daniel Santiago no Beco do Mingau, que fica nas imediações do Largo Dois de Julho. Estão aguardando a distribuição do mingau.

Em 2012 Daniel Santiago vestiu um terno e gravata e entrou na água na praia da Boa Viagem, em Recife, Pernambuco, até desaparecer completamente na performance que

Um frame do vídeo de sua performance
entrando de terno e gravata no mar.
chamou de O Velho Ernest Hemingway. O escritor americano Hemingway ficou famoso com o romance O Velho e o Mar, o qual se transformou no filme de grande sucesso tendo como ator Spencer Tracy, e o nome do pescador do romance é Santiago,  marginalizado por seus colegas devido aos seus fracassos na pescaria. “Seu passeio solitário e silencioso rumo ao mar engendra reflexões sobre a finitude da existência”. Lembra a história de Bass Jan Ader (1942-1975), desaparecido durante a performance na qual cruzaria o Atlântico em um pequeno veleiro.

Em 2008 no seu diálogo com a Literatura apresentou o Cartaz-Poema de Augusto dos Anjos uma foto performance. No cartaz, Daniel Santiago transcreve o irônico poema Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, e explorou sua semelhança física com fotografias do poeta. Em 1982 em O Brasil É o Meu Abismo a palavra foi o motor fundamental, utilizando 

uma frase de poema de Jomard Muniz de Britto, Aquarelas do Brasil. A performance original consistiu no próprio artista pendurado de cabeça para baixo, preso pelo tornozelo e segurando um cartaz com a frase-título. O rodopiar do corpo do artista exigia da audiência, para leitura da frase, a
movimentação pelo espaço da galeria.

Em 1979 na performance intitulada O Duelo ele e Paulo Bruscky fazem uma metáfora da máquina fotográfica como arma, instaurando o embate entre perspectivas. O vídeo mostra as máquinas fotográficas vão se aproximando até se chocarem. Explicou Daniel Santiago que esta performance está percorrendo várias capitais do Brasil integrando a exposição Memes: no Br@sil da Memeficação é uma exposição inédita e de grandes dimensões sobre um dos maiores fenômenos dos tempos atuais e o Brasil é um dos países que mais produz e consome memes no mundo. A exposição tem a curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli.

Além dos vídeos e das performances, Daniel Santiago produziu e produz em múltiplas mídias, explorando também inserções em meios de comunicação. Nessa última possibilidade, as ações de Poesia Classificada, em grande parte em parceria da Equipe  Bruscky & Santiago , causam estranhamento pelo ruído da informação poética em formato carregado de pragmatismo: os cadernos de classificados dos jornais.

Em 1977 na performance Eu Como Poesia eles mostram a ambiguidade do título é adicionada a onomatopeia “nhoc, nhoc, nhoc, nhoc”, incitando imagens do universo dos quadrinhos no leitor/espectador. Em 1980 essa atenção e relação de jogo com a língua estão presentes em Alfabeto no Plural cartazes com exercícios linguísticos e suas camadas de significados.

Em 1976 a Equipe  Bruscky & Santiago fez uma performance De Que É Que Eu Tenho Medo? com um desenho produzido pela dupla após a proibição da II Exposição Internacional de Arte/Correio, que resultou na prisão dos artistas.  Educação da Mão e da Vista (1962-1967) reforça a permanência de um modus operandi que privilegia contatos, trocas e parcerias, já que é resultado de um curso realizado por correspondência para aprender a desenhar, no qual segue à risca instruções do professor.

Na performance Godot Esperando Samuel Beckett ele se inspirou na peça teatral  Esperando Godot do escritor e dramaturgo irlandês que foi montada em teatros do mundo inteiro . Simboliza a existência humana marcada pelo absurdo, a falta de propósito e uma espera sem fim por um significado ou salvação que nunca chega. A expressão tornou-se um símbolo da situação de incerteza e espera constante na vida, onde as pessoas se agarram a uma esperança sem garantias, repetindo ciclos de passividade e conversas vazias na tentativa de preencher o tempo e o vazio existencial. "

Apresentação de Discurso Político com Tom Zé.
Participou de um happening com Tom Zé e sua banda e mais quarenta atores, no Sesc Sorocaba, em São Paulo, que durou sete meses chamado Fresta. Foi um encontro marcante baseado num de seus livros-objeto chamado de Discurso Político. Pura criatividade e muita improvisação. Dirigiram o espetáculo Eros Valério e Hércules Soares. “A obra é uma afirmação de diversas pessoas dizendo que roubam. Eles não denunciam que há roubo aqui ou ali, ou que tal coisa é roubo, afirmam que pessoalmente, individualmente, roubam atualmente, roubaram no passado e roubarão no futuro. A partir dos roubos surgem as mortes e as ressureições. Cada extermínio se torna uma amostra cruel de formas diferentes de matar, e cada ressurreição, uma mensagem triste e desesperadora”, explica Thiago Consiglio.

Daniel Santiago e sua neta  nas ruas 
de São Paulo. Ele paramentado de 
Dom Pero Fernandes Sardinha e ela
como a filha do cacique Morubixaba.
Outra performance que ficou conhecida foi quando ele se vestiu do bispo Dom Pero Fernandes Sardinha e juntamente com a neta Izabelle Rezende vestida de índia andaram pelas ruas de São Paulo. O título do evento:  Dom Pero Fernandes Sardinha e a Filha Formosa do Morubixaba que devorou seu Coração.  O bispo morreu no naufrágio em 1556 na foz do rio Cururipe, onde hoje está a cidade do mesmo nome no estado de Alagoas. Todos os tripulantes foram capturados e devorados pelos índios Caetés, que praticavam a antropofagia.  Escreveu um sermão que segundo ele foi psicografado de Dom Pero Fernandes Sardinha antes de ser devorado pelos índios. Onde disse:

"A Arte é a mais controvertida das expressões humanas e a performance é a mais controvertida das expressões artísticas. A Arte imita a vida, a performance imita a arte. Quando a Arte é um exército regular com táticas convencionais de ataque e defesa, a performance é um bando desorganizado de franco-atiradores sempre em retirada. A Arte vive de atividades estabelecidas como a música, a poesia e o teatro, por exemplo, a performance vive das formas não catalogadas, dos conteúdos indeterminados. Nos desertos estéreis onde a pintura não floresce, ali a performance desponta com vigor. E no decorrer de grandes tempestades, quando a dança maravilhosa ou a escultura formidável são quebradas pela força do vento, a performance se dobra discretamente para surgir soberana depois do vendaval. Uma performance não é um espetáculo de dança, nem um show musical, nem uma peça teatral, uma performance é uma performance, mas pode também ser uma peça, um espetáculo, um show, um discurso e outras coisas mais, porque a performance fala todas as línguas, dos homens e dos anjos"


sábado, 27 de setembro de 2025

GUTEMBERG COELHO SUA PINTURA ENALTECE O PATRIMÔNIO DE NOSSO PAÍS

Gutemberg Coelho pintando árvores de uma
floresta imaginária
.
O artista baiano Gutemberg Coelho nasceu em Mar Grande, na ilha de Itaparica, em primeiro de maio de 1965, e desde cedo demonstrou um interesse especial pelo teatro e a dança. Nos anos noventa passou a observar seu irmão  Roque Coelho que já pintava e comercializava seus quadros naifs para turistas no Mercado Modelo onde tinha uma pequena loja , e atualmente reside em Pipa,  distrito do município de Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte. Começou ajudando seu irmão com uma pincelada aqui outra acolá até que tomou gosto pela pintura e passou a ser o objetivo de sua vida. Ele continua realizando exposições de suas obras naifs e também no estilo cubista figurativo moderno em várias cidades europeias. O estilo cubismo figurativo moderno de que fala Gutemberg Coelho refere-se “à fase do cubismo sintético, que foi uma reação à fragmentação extrema do cubismo analítico. Nesta fase, iniciada por volta de 1912, os artistas voltaram a criar figuras mais reconhecíveis, mas sem abandonar a abordagem geométrica e a representação de múltiplos pontos de vista.”

Um belo casario do artista.
Casou aos vinte e um anos de idade e para sustentar a família trabalhou como auxiliar de estatística na empresa de ônibus Água Branca, no Polo Petroquímico de Camaçari de auxiliar de operador químico e até como eletricista . Foi contratado para pintar uma casa no bairro da Barra, em Salvador onde estava hospedado um alemão que veio para cá  aprender a falar e escrever Português. Enquanto fazia seu trabalho de eletricista  o alemão procurava conversar com ele querendo saber o significado e como se pronunciava esta ou aquela palavra. Durante uma conversa revelou ao alemão que também pintava quadros. Foi aí que  pediu para levar alguns quadros para ele ver, e terminou o alemão adquirindo dois deles. A temática das obras era a floresta tropical,  os animais, e o assunto ecológico estava em alta. O gringo pagou duzentos dólares por cada pintura e Gutemberg Coelho nunca tinha visto tanto dinheiro. Com estes recursos decidiu viajar para o Rio de Janeiro,  sem qualquer previsibilidade de hospedagem, e mesmo se poderia chegar perto onde estava acontecendo a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento em junho de 1992, a chamada ECO-92. Dormiu na praia e debaixo do tablado de palanque armado para os shows. Levou consigo trinta e quatro obras retratando paisagens rurais, florestas , pássaros e casario colonial.  Juntamente com alguns artistas baianos, que encontrou por lá, e de outros estados participou de uma exposição no Palácio da Cultura. Contou que em cinco dias vendeu todas as obras, a grande maioria paga em dólares e euros.

Obra Músicos, no estilo
cubista figurativo.
O Gutemberg Coelho é dessas pessoas que tem o espírito aventureiro e se joga. Ao término da ECO-92 retornou à Salvador, decidiu sair por aí visitando vários países do continente sul americano. Em seguida foi morar em Porto Seguro onde permaneceu até 2001.  Voltou à Europa, e em 2015 veio residir   em Porto das Galinhas, no estado de Pernambuco, onde arrendou um restaurante e permaneceu durante um ano. Resolveu viajar novamente para a Europa. Morou na Holanda, na capital Amsterdam e lá teve uma pequena galeria na   Brouwersgracht, durante um ano e meio. Já passou temporadas na Bélgica, Espanha e França. Depois aportou em Cascais, Portugal, onde já está por vinte e cinco anos, e em 2009 obteve a cidadania portuguesa. Ele continua realizando exposições de suas obras naifs e também no estilo cubista figurativo moderno em várias cidades europeias.  Atualmente está passando uma temporada em Barra de Itacimirim, no município de Camaçari, Bahia, numa casa que adquiriu, e em cujo quintal passa o rio Pojuca, foi de sua casa que conversamos sobre sua trajetória e sua arte.

                          CAMINHADA

Aqui vemos o casario colonial , o mar e
a floresta.
O seu nome de batismo é Raimundo Gutemberg Coelho,  nasceu em Mar Grande em primeiro de maio de 1965, filho de Fábio Abdon de Souza Coelho e d. Marinalva de Andrade Coelho. Tem onze irmãos e sua infância foi dividida entre as praias de Mar Grande e as ruas dos bairros de Nordeste de Amaralina e São Caetano, em Salvador. Estudou o primário na Escola Municipal Helena Magalhães, localizada na Boa Vista de São Caetano e o ginásio no Centro Estadual de Educação Profissional Luiz Pinto de Carvalho, que na época tinha cursos técnicos integrados. Aí se interessou pelo teatro e a dança e juntamente com alguns colegas chegaram a montar peças de teatro amador e fazer apresentações de dança no próprio colégio e para os moradores do bairro de São Caetano. Casou cedo , teve outros relacionamentos e tem quatro filhos maiores de idade.

Na obra Colheita do Cacau vemos a
simplificação das formas.
Disse ser muito grato ao diretor da entidade portuguesa Cooperação Internacional e Cultura – CIC que constrói pequenos hospitais, e outros equipamentos de infraestrutura, administra por um tempo e depois transfere para os locais.  Aqui na Bahia o distrito de Nova Alegria, em Itamaraju foi um dos beneficiados.  Eles fazem este trabalho nos países africanos de língua portuguesa e no Brasil. O presidente da instituição adquiriu algumas obras de Gutemberg Coelho em 1998. A instituição lhe deu hospedagem durante três meses em Portugal, onde eles mantêm em Lisboa um centro de recuperação de dependentes químicos, e também acolhem pessoas com deficiência física. Lá ele fez alguns workshops ensinando a usar as tintas e a pintar. A diretoria da entidade fez um jantar e convidou cento e cinquenta pessoas com o objetivo de apresentar Gutemberg Coelho aos portugueses , e  a partir daí começou a alçar voo próprio. De lá para cá fez  exposições na Espanha, Portugal, França , Bélgica e Holanda,  e tem obras em coleções particulares e em museus nacionais e internacionais.

                                          EXPOSIÇÕES

O artista Gutemberg Coelho terminando mais
uma obra retratando o casario colonial.

E2001 - Exposição na Real Fábrica, Lisboa, Portugal; Galeria O Baile,            Maçussa -Portugal; CIC, Lisboa - PortugalGaleria Nova Imagem, Lisboa-Portugal; Galeria Mexicana, Lisboa Portugal; Exposição Aquarela do Brasil, Paço D'Arcos Portugal; Galeria  ARS, Lisboa Portugal. 2002 - Galeria Exclusivo, Lisboa-Portugal; Atelier Aberto, Lisboa-Portugal; Junta de Freguesia, Vila do Conde-Portugal; Atelier de Art Naif, Quarteira-Portugal; Aquarela do Brasil, Paço D’Arcos, Portugal; IV Salão da Primavera, Paço D'Arcos, Portugal; MAC, Lisboa-Portugal. 2003 - Fórum Almada, Almada-Portugal. 2004 - Museu Bernardino, Famalicão PortugalMarina Hotel TivoliVilamouraPortugal; Expo Salão, Batalha-Portugal; Palm Properties, CarvoeiroPortugal. 2005 - Hotel Spa Vila Sol, Vilamoura-Portugal; Hotel Tivoli, VilamouraPortugal; Galeria da Câmara, LouléPortugal2006 - Walls At Gallery, Amsterdam- Holanda; Atelier 9, Amsterdam-Holanda; Brazilian FineArtEindhoven-Holanda; Galeria EenRoosGemert-Holanda2007 - Galeria Tons da Baia de
Cartaz de uma de suas
exposições no exterior.
Cascais, Cascais Portugal; Espaço 
Cascais,Vila CascaisPortugal2008 - Galeria Tons da Baia de Cascais, Cascais- Portugal. 2009 - Atelier Cores do BrasilCascais-Portugal. 2010 - Salon d'Art Outros Olhos me Veem , Lisboa-Portugal ; Casa Viva, LisboaPortugalSaud ‘ArtSintraPortugal2011- 11º Salon International De L'arte, Marsella-França; Gallery Hang ‘Art , Martigues-França; ART&COR , Carcavelos-Portugal; Atelier Ecos do BrasilCascaisPortugalCasa VivaLisboa-Portugal2012 -  Salon Le Sm'Art,   Aix-en-Provence FrançaARTSHOWCaldas da Rainha-PortugalExposição Ecos do Brasil IPJ , Faro-PortugalHecho a Mano IFEPA, Murcia – Espanha ; Salon International d'Art Naif , Mulhouse-França.2013 -  Atelier Ecos do Brasil, Cascais-PortugalLEIRIARTES ,Leiria, Portugal; Biblioteca Municipal de Alcobaça, Alcobaça-Portugal ;Galeria Casco, Marinha GrandePortugal ; Arte a Mesa Restaurante  Nacional, Coimbra-Portugal ; Gabinete de Arte Djanira CostaSão Pedro do MoelPortugal2014 - Atelier Aberto, Madrid- Espanha; Galeria Vila Lucullus, Bredene-Bélgica; ArtAlgarve, Lagoa-Portugal. 2015 - Atelier Aberto, Lisboa-Portugal. 2016 - Restaurante O Pescador, Pernambuco-Brasil. 2017 - Atelier Aberto, Lisboa-Portugal. 2018 –Galeria Abraço, Lisboa-Portugal; Atelier Aberto, Lisboa-Portugal. 2019 - LXFACTORY, Lisboa-Portugal; Galeria Abraço, Lisboa-Portugal; Galeria Sta. Maria Maior, Lisboa-Portugal; Coworking, Lisboa- Portugal; Museu La Perine, Laval-França.2021 - Gallery Public. Artists, Viena-Áustria. 2022 - Casino Estoril, Estoril-Portugal; Arca Gallery, Lisboa-Portugal; Casino Estoril, Estoril-Portugal; Expor-Art Latino, Geórgia-USA; Expo-Art Latino, Miami- USA. 2023 - Arca Gallery, Lisboa-Portugal; Casino Estoril, Estoril-Portugal.

 

 

 



sábado, 20 de setembro de 2025

EVANDRO SYBINE O INCENTIVADOR DA RETOMADA DA GRAVURA NA BAHIA

Evandro Sybine no galpão da
EBA onde ministra suas aulas.

Fui encontrar o professor e artista gráfico Evandro Sybine no velho galpão da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, no bairro do Canela, em Salvador, local onde ministra suas aulas ensinando  as várias  técnicas da gravura aos seus alunos. É um entusiasta desta forma de expressão artística e um colecionador de prensas antigas que as adquire de gráficos, que não mais exercem esta profissão, e até resgata em ferros-velhos antes que virem sucata para siderúrgicas. Tem mais de uma dezena delas, a grande maioria funcionando, e cada uma "batizada” com um nome carinhoso. Considero importante ver um professor entusiasmado com o seu ofício e que repassa o que sabe para os alunos com a garra de um principiante. Ele é bacharel em Artes Plásticas e mestre em Artes Visuais através o programa de pós-graduação também da Escola de Belas Artes-EBA. Foi bolsista da Capes quando desenvolveu pesquisa em Poéticas Visuais e Processos de Criação. Trabalhou como professor substituto na EBA-UFBA no Departamento de Expressão Gráfica e Tridimensional durante um ano de 2006 a 2007 e também como professor do Curso de Gravura em Metal e Monotipia nas Oficinas do Museu de Arte Moderna da Bahia nos anos de 2010 a 2014. Atualmente é professor permanente de Gravura da EBA onde repassa para seus alunos na área das Poéticas Visuais contemporâneas as técnicas de artes gráficas, xilogravura, calcografia, litogravura, serigrafia, tipografia e monotipia.

 Evandro Sybine dando  aula.
Sua família se transferiu para Salvador na década de 70 quando da implantação do Polo Petroquímico de Camaçari, que foi o primeiro complexo petroquímico planejado do Hemisfério Sul inaugurado em 1978. Chegou a ter quase uma centena de empresas dos setores químico, petroquímico, automotivo, celulose e de pneus gerando mais de quinze mil empregos diretos. Foi um impulsionador importante para toda região do Nordeste. Com os constantes planos econômicos, falta de segurança jurídica e outros problemas conjunturais que ocorreram no país  vem sofrendo um esvaziamento no decorrer desses anos. A família Sybine enfrentou toda esta instabilidade econômica porque seu pai Vladimir Sybine tinha uma empresa de instalação e manutenção de equipamentos de combate a incêndio e prestava serviços a muitas dessas empresas em Camaçari. O professor Evandro Sybine chegou a trabalhar com seu pai coordenando os funcionários quando da instalação dos equipamentos de combate a incêndios, mas foi sua mãe d. Carmen Lídia Sybine que insistiu para que fosse estudar artes na EBA. Seus dois irmãos se formaram em engenharia civil e arquitetura e faltava ele ter um curso universitário.

                                 SUA HISTÓRIA

Xilogravura de autoria de Evandro Sybine.
O professor e artista Evandro Sybine nasceu na capital paulista em dezoito de julho de 1974. Seu pai é filho de imigrantes que vieram da Estônia, localizada na Europa Setentrional, e sua avó da Hungria, fugindo das guerras que destruíram o continente europeu. Seu avô era torneiro mecânico e trabalhou em indústrias na Grande São Paulo. O Brasil recebeu na época muitos imigrantes europeus e de outros países que fugiam dos horrores da guerra e aqui chegavam sem nada, praticamente com a roupa do corpo, como se costuma dizer. Foram morar na região do Capão Redondo, Vila Alpina, Vila Avelina, Vila Zelina, Vila Prudente em São Paulo, para onde iam a maioria dos polacos, lituanos, estônios, ucranianos, russos, os italianos para o bairro de Bexiga, e os japoneses e outros orientais para o bairro da Liberdade. Já seu pai Vladimir Sybine trabalhou em fábricas como desenhista técnico, profissão que aprendeu aqui nos cursos técnicos na capital paulista. Sua mãe trabalhava na empresa inglesa Linhas Corrente. No ano de 1968 na ocasião em que a Rainha Elizabeth esteve em  São Paulo visitou  a fábrica, quando d. Carmen Lídia Sybine pode ver de perto a sua Majestade.  A empresa “Linhas Corrente foi fundada na Escócia, em 1820, como J. P. Coats, que mais tarde seria adquirida pela empresa britânica Coats Group.  A Coats Corrente operou no Brasil por mais de um século até que, em 2022, o grupo Coats vendeu a operação no Brasil para a gestora Reelpar, que rebatizou a empresa como Linhas Corrente, uma marca que agora opera como uma empresa brasileira.”

O artista e professor Evandro Sybine
coleciona  prensas antigas.
Quando seu pai resolveu vir para a Bahia foram morar na praia de Buraquinho, que fica no município de Lauro de Freitas, e dista trinta e cinco km de Salvado. Na época não tinha quase infraestrutura . Seu irmão mais velho enfrentava diariamente uma verdadeira maratona para estudar. Pegava uma Kombi até Itapuã e de lá um ônibus para chegar à escola. Atualmente o Evandro Sybine e seus pais moram no bairro de Patamares, bem em frente ao Parque de Pituaçu.

Estudou parte do primário no Colégio Adventista, no bairro do Capão Redondo em São Paulo, e quando chegou aqui foi estudar no Colégio Nobre de Villas do Atlântico. Ele se incomoda quando o chamam de paulista ou de gringo devido a seu sotaque e aparência física exibindo a sua barba longa e espessa. Evandro Sybine  costuma retrucar dizendo que “cheguei aqui ainda criança e me sinto baiano. Estou aqui desde os meus onze anos!” Estudou em vários colégios e terminou o último ano do segundo grau cursando no turno noturno do Colégio Odorico Tavares, localizado no bairro da Vitória, que foi fundado em 1994, com capacidade para três mil estudantes. Durante o dia ele trabalhou como copista.


Xilogravura Homem Lendo, de Sybine.
O pai fazia o desenho técnico dos projetos de instalação de equipamentos contra incêndio e através o papel vegetal Evandro Sybine fazia as cópias do desenho original. Mas, confessou   que gostava mesmo de fazer era acompanhar a montagem dos equipamentos juntamente com a peãozada, fazer rosca em canos e até
passar fio. Quanto à arte disse que sempre gostou e que seu pai o levava para ver as bienais em São Paulo. “Nunca esqueço eu segurando no dedo do meu pai, que é grandão, por isto era chamado de Sansão, caminhando no Parque Ibirapuera para ver as obras expostas na Bienal”, relembrou Evandro Sybine. Disse que nunca esqueceu de seu pai Vladimir Sybine lhe mostrando as pinturas de Wesley Duke Lee, mas não soube precisar se foi em 1965 ou em 1967 bienais que o artista participou -   8ª e a 9ª Bienal Internacional de São Paulo.

O artista Wesley Duke Lee nasceu em São Paulo em 1931  

Wesley Duke Lee.
e foi um desenhista, gravador, artista gráfico e professor. Em 1951, realizou curso de Desenho livre no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos, onde estudou na Parson's School of Design e no American Institute of Graphic Arts, em Nova York, até 1955. Durante esse período, acompanhou as primeiras manifestações da arte pop e teve contato com obras de artistas como Robert Rauschenberg (1925–2008), Jasper Johns (1930) e Cy Twombly (1928–2011. Voltou ao Brasi, em 1957, abandonou a publicidade para tornar-se aluno do pintor Karl Plattner (1919–1989), com quem trabalhou em São Paulo e posteriormente na Itália e na Áustria, até 1960. Nessa fase, viveu também em Paris, onde frequentou a Academie de la Grande Chaumière e o ateliê de Johnny Friedlaender (1912–1992). Retornou ao Brasil em 1960 e faleceu em 2010.”

                                       A GRAVURA NA BAHIA

Antes de entrar para a Escola de Belas Artes da UFBA o artista Evandro Sybine assistiu a instalação das esculturas de Mário Cravo Júnior no Parque Pituaçu, e certo dia tomou coragem e procurou o escultor baiano na tentativa de colaborar de alguma forma. Disse que o Mário Cravo Junior o recebeu muito bem, conversou, mostrou umas gravuras digitais que estava fazendo, mas não

O artista Calasans Neto (deitado) , Paulo Gil
Soares e Gisela Valladares brincando na velha
prensa que Mário Cravo Júnior trouxe em
 1954, e que ainda hoje funciona no galpão 
de gravura da EBA.
aceitou a sua colaboração. Recordou de uma Santa Ceia bem estilizada que Mário Cravo estava finalizando e que o grande artista baiano lhe mostrou. Porém, quis o destino que anos depois o Evandro Sybine veio ocupar a cadeira de professor de Gravura na Escola de Belas Artes, onde exatamente o Mário Cravo Junior tinha sido o primeiro professor desta disciplina na Escola de Belas Artes. 
No ano de 1940 Mário Cravo Júnior  fez uma viagem ao Rio de Janeiro para pesquisar como estava o ensino e também o desenvolvimento da gravura e trouxe de lá uma prensa. Três anos depois o diretor do Museu do Estado José Prado Valadares cria um curso e convida o gravador Poty Lazzarotto, do Paraná, que já era famoso, e passou três meses em Salvador ensinando as técnicas de gravura, principalmente a gravura em metal. Em 1953 Mário Gravo Júnior ministrou um curso de água-forte e água-tinta e em 1954 defendeu sua tese Sincronismo da Gravura e da Escultura e tornou-se professor do Curso de Gravura. Nos anos seguintes foram importantes para o desenvolvimento da gravura na Bahia que teve seu auge nas décadas de 60 e 70 com as presenças dos professores Hansen Bahia e de Henrique Oswald e surgiu a geração de Rubem Valentim, Carybé, Yedamaria, Calasans Neto, Emanoel Araújo, Sônia Castro, José Maria de Souza, Juarez Paraíso, Edison da Luz, Edvaldo Gato e depois a geração de Hilda Oliveira, Gley Melo, Hélio Oliveira, Edísio Coelho, Leonardo Alencar, Denise Pitágoras  e muitos outros. Depois houve um arrefecimento e mais recentemente com a presença de Evandro Sybine a gravura baiana vem tomando corpo com novos expoentes a exemplo do Timóteo e Arthur Soar na xilografia; Adriel Figueredo com a serigrafia; na litografia Mauro Lúcio, na gravura em metal Franciele Xavier e a Mirella Silveira com xilo e lettering, dentre outros que começam a se destacar.

Gravura premiada de Sybine.
Disse Evandro Sybine que se encantou pela Bahia e que chegou a trabalhar também como soldador elétrico e passou a fazer algumas esculturas em  metal que chegou a vender, eram principalmente orixás.  Nos anos 90 foi feito um Censo Cultural e lembra que sua família  morava em Itapoã e que a Secretaria da Cultura do Governo do Estado armaram uma espécie um trailer na Lagoa do Abaeté para que os artistas pudessem se inscrever no Censo Cultural, que cadastrou um total de onze mil artistas. Esses trailers foram instalados por toda a cidade. Ele se inscreveu e colocou que era escultor. Quando frequentou as Oficinas do Museu de Arte Moderna se inscreveu para fazer escultura em madeira com o saudoso mestre Zu Campos grande escultor e entalhador. Lá conheceu todo tipo de madeira, aprendeu a usar e até amolar as ferramentas.

Na época o diretor do MAM era Heitor Reis que foi um grande incentivador das oficinas. Lembrou Evandro Sybine que as Oficinas do MAM tinham um ambiente de aprendizado aberto com Flori ensinando escultura em madeira, Renato Fonseca litogravura, Antonello L’Abatte gravura em metal, Márcia Abreu xilogravura, Isa Moniz com escultura, Caetano Dias com a pintura, Zu Campos entalhe e escultura em madeira, dentre outros professores.” O professor e artista Evandro Sybine prestou vestibular para a Escola de Belas Artes foi aluno de grandes mestres da arte baiana e ao terminar continuou sua carreira acadêmica até se tornar professor de gravura. Reconhece que foi inicialmente nas Oficinas e depois na EBA que passou a se interessar pela gravura que hoje é sua grande paixão. Já fez várias exposições individuais e coletivas e continua produzindo juntamente com seus alunos no imenso galpão onde ministra suas aulas.

É bom deixar aqui registrado que as Oficinas do Museu de Arte Moderna foram criadas sob a coordenação de Juarez Paraíso e fechadas depois de quase trinta anos de funcionamento pela diretora do MAM-BA Solange Farkas, que chegou com a ideia de priorizar a arte tecnológica e digital. Ela acabou com as oficinas, e quando perceberam o erro que cometeram tentaram retomar, mas nunca conseguiram alcançar a mesma importância e criatividade . 

                                  EXPOSIÇÕES

O artista Evandro Sybine já
participou de várias mostras.
INDIVIDUAIS:  2010 - Imagens do Arruinamento - O Excesso Gráfico. Galeria da Aliança Francesa, Salvador-BA. 2005 - Gravuras e Objetos - Foyer do Cine Teatro SESC – Casa do Comércio, Salvador- BA, 2005.

COLETIVAS: Em 2016 – Mestre Duda – Exposição na EBA – Salvador-BA. 2014 – Exposição Triangulações – Salvador-BA. 2012 – Exposição Cotidiano – Salvador-BA; Paraconsistentes - 25 artistas contemporâneos da Bahia. Galeria Goethe Institut – ICBA, Salvador-BA; Circuito das Artes. Palacete das Artes – Museu Rodin, Salvador-BA .2011 - Entre Folhas – Coletivo de Artistas. Galeria Cañizares da EBA- UFBA, Salvador- BA.  2010 - Entre Folhas – Coletivo de Artistas. Centro Cultural Dannemann, São Félix- BA; O Lugar no Olhar Contemporâneo. EBA-UFBA, Salvador-BA; Circuito das Artes. Galeria ACBEU, Salvador-BA.  2009 -Doce de Santo - Exposição de um Coletivo de Artistas. Galeria ACBEU, Salvador-BA; Outros Papéis - Coletivo de Artistas. Galeria Cañizares da EBA-UFBA, Salvador-BA. 2008 - Cuidado com os Cantos. Galeria ACBEU, Salvador-BA; 130 anos da EBA-UFBA. Galeria Goethe Institut - ICBA, Salvador- BA; Corpo e Dobra. Galeria Cañizares da EBA-UFBA, Salvador- BA; Poética dos Guardados. Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA. Exposição 68+40 Poética da Transgressão - Galeria Aliança Francesa, Salvador-BA; Impressões 3/3. Foyer Teatro Vila Velha, Salvador-BA; Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia. Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, Vitória da Conquista-BA, Prêmio Incentivo Fundação Cultural; Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia. Centro de Cultura de Alagoinhas, Alagoinhas-BA; Impressões 3/3. Galeria Aliança Francesa, Salvador-BA; Gravura - Influência na Nova Geração. Galeria Goethe Institut –ICBA, Salvador-BA; IX Bienal do Recôncavo. Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA, Prêmio Aquisição; Feridas e Cicatrizes. Salão Nobre da EBA-UFBA, Salvador-BA; Salões Baianos - Artistas Premiados nos Salões Regionais de Artes Visuais 2007-2008 Galeria Solar do Ferrão, Salvador-BA. 2007 - Circuito das Artes. Galeria Goethe Institut – ICBA, Salvador-BA; Mais Gravura. Galeria ACBEU, Salvador-BA. 2006 - 7ème Mondiale de L&#39 - Estampe et de la Gravure Originale - Triennale de Chamalières, Chamalières-França; VIII Bienal do Recôncavo. Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA - Menção Honrosa; Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia, Centro de Cultura Olívia Barradas, Valença-BA- Menção Honrosa pelo Conjunto da Obra. 2005 - VI Mercado Cultural de Salvador, Galeria da Cidade – Fundação Gregório de Mattos, Salvador-BA; Salões

Aqui Sybine e Antonelo L'Abatte olham
uma gravura do artista italiano.
Regionais de Artes Visuais da Bahia, Centro de Cultura Amélio Amorim, Feira de Santana-BA, Vencedor do Prêmio Fundação Cultural do Estado da Bahia; 5 X Gravura - Galeria ACBEU, Salvador-BA; Art For Today - Corredor das Artes. Galeria Goethe Institut –ICBA, Salvador-BBBA; GrupoGravura na Graphias. Galeria Graphias, São Paulo-SP. 2004 - 1º Salão Nacional de Artes de Paraty. Casa da Cultura, Paraty-RJ; 25 de Abril 30 anos - O Que Sente Sobre o 25 de abril de 1974 em Portugal? - Exposição Virtual; Primeira Exposição do Gravura Gravura - Gravuras e Mini Prints - Galeria ACBEU, Salvador-BA; Grupo Gravura em Brasília, Galeria Rubem Valentim, Brasília-DF; Exposição Art For Sale. Galeria ACBEU, Salvador-BA; II Território de Arte de Araraquara, Casa da Cultura, Araraquara-SP.  2003 - Antônio-Tempo, Amor e Tradição - Ano VII, Galeria do Aluno da Escola de Belas Artes da UFBA, Salvador-BA; 8º Premi Internacional de Grabado - Premi el Caliu. Sala El Calil de Olot, Catalunã-Espanha; 9º Salão de Artes de Itajaí, Centro de Eventos do Itajaí Shopping, Itajaí- SC; Do Imperialismo ao Caos. Foyer do Teatro Vila Velha, Salvador- BA. 2002 - 3th Tokyo Internacional Mini Print Triennial. Tama Art University, Tokyo-Japan; 125 anos EBA-UFBA. Centro de Memória e Cultura dos Correios da Bahia, Salvador-BA; Santo Antônio – Releituras Contemporâneas, Espaço Cultural Sofia Olszewski Filha – APUB, Salvador-BA; Projeto Permanente só Papel, Galeria Adriana Penteado Arte Contemporânea, São Paulo-SP; Só Gravura. Galeria Adriana Penteado Arte Contemporânea, São Paulo-SP. 2001 - Destaques das Oficinas do MAM-BA. Galeria das Oficinas do MAM-BA, Salvador-BA; 53ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC-UFBA, Salvador-BA e em 1998 - CAT-UFBA Museu de Arte Sacra, Salvador- BA.

                                       PRINCIPAIS TIPOS DE GRAVURA


1
-XILOGRAVURA-  é uma técnica de arte em que uma imagem é entalhada numa matriz de madeira, que serve como modelo para a impressão de uma imagem em papel ou outro suporte. A origem da técnica é chinesa, e no Brasil ela é fortemente ligada à cultura do Nordeste e à literatura de cordel, ilustrando os folhetos populares. A imagem é criada ao remover partes da matriz, deixando em relevo apenas as áreas que receberão tinta e serão impressas. Xilogravura de José Júlio de Calasans Neto (1932-2006), mais conhecido por Calasans Neto e Calá para os amigos , foi um 
multifacetado artista baiano, reconhecido internacionalmente por suas gravuras, mas também atuou como pintor, ilustrador, desenhista, entalhador e cenógrafo. 


2- CALCOGRAFIA - é uma técnica de impressão e arte que consiste em abrir sulcos e ranhuras numa placa de metal (geralmente cobre) para reter a tinta e transferi-la, sob pressão, para o papel. Também conhecida como gravura em metal ou impressão calco gráfica, a técnica pode envolver o uso de ferramentas como o buril para entalhar a imagem ou a ação de ácidos para criar incisões na superfície da placa. Atualmente, a calcografia é amplamente utilizada em documentos de segurança, como cédulas de dinheiro e passaportes, devido à sua alta tecnologia e à textura em relevo que dificulta a falsificação. Gravura em metal de Francisco Goya y Lucientes foi um pintor e gravador espanhol. É considerado o mais importante artista espanhol do final do século XVIII e começo do século XIX.

2a - ÁGUA-FORTE - é uma técnica de gravura em metal, onde uma placa de metal (como cobre ou zinco) é coberta com um verniz protetor, e o artista desenha sobre ele com uma ponta afiada, expondo o metal. Em seguida, a placa é imersa num ácido (o "mordente"), que corrói as áreas expostas, criando sulcos para a imagem. Após a corrosão, o verniz é removido, a placa é entintada e impressa, resultando numa gravura com linhas de diferentes espessuras, dependendo do tempo que a placa esteve no ácido. gravura em Água- Forte de Ferdinand Staeger.  Nasceu 3/3/1880 e faleceu em 11/9/1976. Foi um pintor e artista gráfico alemão ficou  conhecido como ilustrador e desenhista de tapeçarias e capas de renda.

2b - ÁGUA -TINTA -é uma técnica de gravura em metal que, ao contrário da água-forte que se baseia em linhas, produz manchas, tonalidades e valores planos através de um processo químico com ácido. Nela, uma fina camada de breu (resina) é aplicada na placa metálica, e as diferentes áreas da placa são expostas ao ataque do ácido por tempos variados, criando um efeito de "aguado" que confere profundidade e suavidade à imagem gravada, permitindo a produção de diferentes tons de cinza a preto. Uma Água-Tinta de Yêdamaria, artista baiana, datada de 1985, intitulada Espera.

3SERIGRAFIAtambém conhecida como silkscreen, é um processo de impressão que utiliza uma tela (matriz) para transferir tinta a uma superfície, criando uma imagem ou desenho. Essa técnica é versátil e pode ser aplicada em diversos materiais, como tecidos, vidro, metal, plástico e papel, sendo usada tanto para personalização de peças em massa como para a criação de obras de arte. A principal característica da serigrafia é a qualidade, durabilidade e a capacidade de reproduzir cores vibrantes. Serigrafia de  Gilberto Orcioli Salvador, mais conhecido como Gilberto Salvador, é um pintor, desenhista, gravador, arquiteto e professor brasileiro. Nasceu em  São Paulo 16 de dezembro de 1946.

4-LITOGRAFIA - é um método de impressão e fabricação baseado no princípio da repulsão entre óleo e água, que permite a reprodução de imagens e textos em diversas superfícies, como papel, plástico, metal e silício. Criada no final do século XVIII, a técnica envolve desenhar com materiais gordurosos numa pedra ou placa, e depois usar um processo químico e uma prensa para transferir a imagem para outra superfície. A litografia é amplamente usada na produção de arte, embalagens e na fabricação de circuitos integrados. Litografia de Yêdamaria,  nome artístico de Yeda Maria Correia de Oliveira (1932–2016), foi uma  artista plástica e professora nascida em Salvador. Conhecida por sua técnica refinada e temas que celebravam a cultura baiana e a identidade afro-brasileira, ela construiu uma carreira de mais de 50 anos, com obras expostas em diversos museus e galerias no Brasil e no exterior. 

5 - DIGITAL OU DIG GRAFIA - e infografia são termos usados em contextos diferentes, embora a infografia possa ser um tipo de gravura digital. A gravura digital refere-se a um processo artístico de criar imagens de alta resolução através de impressão digital, com tiragens limitadas e assinadas pelo artista. A infografia é um quadro informativo que combina texto e elementos visuais (gráficos, imagens, etc.) para simplificar e apresentar dados complexos, servindo como uma ferramenta de comunicação e visualização de informações. Gravura Digital de Mário Cravo Júnior . "Artista baiano Mário Cravo Júnior (1923–2018) , nasceu em Salvador, na Bahia. Ele fez parte da primeira geração de artistas plásticos modernistas da Bahia, ao lado de nomes como Carybé e Genaro de Carvalho. Sua obra é marcada pela inspiração em mitos afro-brasileiros e por uma profunda conexão com a cultura popular baiana. Fonte – Google.