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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A FOTOGRAFIA NA ARTE DE JOSÉ OITICICA E HUMBERTO

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 23 DE MAIO DE 1983.

 A FOTOGRAFIA NA ARTE DE JOSÉ OITICICA E HUMBERTO
 

Libertem-se um pouco da máquina fotográfica, procurando dominá-la com o cérebro. Olhem, vejam, compareçam e procurem fazer algo diferente quanto à concepção, quanto à apresentação do assunto. Não se prendam ao não pode”

Quem disse isso ousou a revolucionar a arte fotográfica, gerando uma rica discussão em nosso meio cultural. E para quem perdeu as exposições realizadas pela Funarte, a obra de José Oiticica Filho (1906-1964), estará agora presente em A Ruptura da Fotografia nos anos 50. Com textos de Paulo Herkenhoff e dos filhos de Oiticica, César e Hélio Oiticica, que acompanham mais de 70 fotografias, da passagem do fotoclubismo ao Projeto Construtivo, o livro desse importante artista plástico, fruto de uma pesquisa do Projeto Exposições do Núcleo de Fotografia da Funarte, foi lançado dia 3 de maio.

           INTERPRETAR A REALIDADE
 
 
Para o etnólogo, pesquisador, matemático e fotógrafo que inovou, teorizando e definindo questões plásticas, demarcando uma linguagem fotográfica para sua arte, o artista Paulo Herkenhoff escreveu: “A opção construtiva de José Oiticica Filho estabeleceu um embate em dois níveis: Imagem e processo. A primeira questão, a crítica da fotografia figurativa, se aprofundaria. Oiticica, que sempre lhe atribuíra uma função mimética, mesmo se o fotógrafo buscasse a câmara para interpretar a realidade, apresentava agora um argumento estético: as possibilidades de composição (realismo-figurativismo) dentro do retângulo já foram praticamente esgotadas”.

Filho de um conhecido escritor anarquista e pai de Hélio Oiticica, nome representativo na arte brasileira, ligado ao movimento neoconcretista e a tropicália, José Oiticica Filho é um elo cultural entre essas duas gerações que afirmava em 1955, quando perdia o apoio dos fotoclubes e entrava na sua fase abstrata: “É pesquisando, portanto que a arte evolui. Vejam bem, conscientemente. Liberdade consciente significa conhecer bem o assunto, tê-lo aprendido. Significa desviar-se do aprendido, conhecendo bem o antigo caminho e procurando o novo caminho com conhecimento de causa. Significa libertar-se de líderes, principalmente em se tratando de Arte, com A maiúsculo”.

 
               A VISÃO FOTÓGRAFO DE LUÍS HUMBERTO

 
Para os que começam ele diz, “quando estiverem com prestígio e forem procurados pelos novos, mantenham-se recatados, mas receptivos e lembrem-se que cada um de nós é apenas um elo na cadeia do conhecimento”.
Talvez a frase sintetize o momento de mais alta reflexão do fotógrafo Luís Humberto, 21 anos de profissão, sendo 15 dos quais dedicados à produção teórica e que agora surge em seu livro Fotografia, Universos e Arrabaldes, cujo lançamento foi dia 18, segunda-feira, às 18 horas, na Galeria de Fotografia n Funarte (Rua Araújo Porto Alegre, 80, Centro).
                                                                                      Foto de Luís Humberto no Palácio do Planalto.

A obra desse fotógrafo inicia a Coleção Luz e Reflexão, do Núcleo de Fotografia da Funarte que pretende sistematizar a consciência sobre a fotografia no Brasil, evitando os aspectos técnicos, para definir e analisar a especificidade da linguagem fotográfica e seu papel no contexto geral das artes plásticas. Para dar vida a essa teoria, Luís Humberto, no dia do lançamento do livro, fez uma palestra acompanhada de slides, e falou da sua vida profissional dedicada à câmara e ao pensamento teórico.

 POR QUE LUÍS HUMBERTO
 Seu nome surgiu por unanimidade no I Encontro de Fotógrafos Brasileiros, realizado, em agosto de 1982, pelo Núcleo de Fotografia e no qual apareceu a vontade de se criar uma coleção destinada ao debate nessa área. No encontro, os fotógrafos tiveram a iniciativa de apontar Luís Humberto que sempre foi um dos que lutaram pelo reconhecimento profissional do fotógrafo brasileiro e a valorização de sua arte como um meio de expressão. Para o fotógrafo Pedro Vasquez que prefaciou o Livro, “Humberto é um verdadeiro agitador cultural, quer como fotógrafo, quer como professor, ensaísta ou conferencista na origem de inúmeras manifestações fotográficas, desde que abandonou a arquitetura par decompor e reconstruir a realidade com a força de sua visão”.
Acontecerá, certamente, num clima de muita emoção o lançamento de Fotografia, Universo e Arrabaldes, pois o autor reconhece a importância de suas palavras sobre uma platéia repleta de fotógrafos. Para os iniciantes, Humberto dará conselhos que estão no último capítulo do livro. Em Aos que Começam, o fotógrafo saberá que deve “estar preparado para conviver com situações penosas e extremamente sofridas, atentar para a renovação, mesmo que isso destrone os donos da verdade da véspera, saber usar o prestígio em favor de causas justas e nunca desprezar as coisas simples e aparentemente banais”. E para mais tarde quando vier o sucesso e os mais novos lhe procurarem, Humberto recomenda “manter-se recatado, mas receptivo e lembrar-se que cada um de nós é apenas um elo na cadeia do conhecimento e que o trabalho de cada um deve ter um sentido maior, além de suprir unicamente nosso próprio egoísmo”. Os livros podem ser adquiridos na loja Funarte (Rua México, 101, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20.030) ou pelo reembolso postal:

 DOIS ARTISTAS E DOIS ESTILOS DE VER O MUNDO CONTEMPORÂNEO

O Filtro do Luiz Ernesto.

 O desenhista Luiz Ernesto fez sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro. Seus desenhos são todos executados a lápis grafite de diversas numerações, com os quais consegue uma definição de tons e rica textura. Os temas de Luiz Ernesto englobam objetos e elementos das grandes cidades e de interiores domésticos, que ele transforma em animais, numa fantasia onde predomina, sobretudo a forma.
Luiz Ernesto nasceu no Rio de janeiro em 1955. Estudou, quando criança, com Misabel Pedrosa e, posteriormente, na Escola de Artes Visuais, com Rubens Gerchman, Roberto Magalhães e Antônio Grosso. Formado em Engenharia Mecânica pela Pontifícia Universidade Católica de Petrópolis, em 1978, não chegou, todavia a exercer a profissão, optando pelo desenho.
A partir de 1978, começou a mostrar seus trabalhos de litografia no I Salão Nacional de Artes Plásticas, em outras mostras coletivas no Rio de Janeiro e em diversas cidades brasileiras, bem como no exterior- Buenos Aires, New York e Maryland. Em 1980, conquistou o I Prêmio de Desenho no IV Salão Carioca de Arte, promovido pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e, no mesmo ano, o Prêmio Acervo da “Casa de Gravura” na III Mostra Anual de Gravura de Curitiba.
Desenhista que alia fértil imaginação a uma temática irreprensível, vê o mundo ao seu redor com olhos de prestidigitados, transformando certos elementos usuais da paisagem urbana ou da vida doméstica, caixa de correio, orelhões, telefone público, liquidificador, ferro elétrico, panelas, etc..., em animais de variadas espécies, não pelo seu lado agressivo, que não é a sua proposta, mas justamente pela poética de cada situação exposta”, diz dele Geraldo Edson de Andrade.

                                O OUTRO É LUÍZ NELSON

Obra São Jorge e o Dragão.
 Após longo período no exterior, quando freqüentou, em Paris, os cursos de Pintura e Desenho, da Escola Nacional de Belas Artes; de Desenho e Técnica de Pintura, da Academia Julian; e da História da Arte, do Museu do Louvre, voltou ao Brasil e assumiu a cadeira de Desenho e Pintura do Instituto de Belas Artes, atual Escola de Artes Visuais do Parque Laje, indicado pelo Prof. Manoel Santiago para substituí-lo, está de volta o artista Luiz Nelson Ganem. Participou do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, obtendo Menção Honrosa (1965), Medalha de Bronze (1966), Medalha de Prata (1967) e medalha de ouro (1969). Integrou coletivas aqui e no estrangeiro: Instituto Brasil –Estados Unidos, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Salão Paulista de Arte Moderna, Escola Nacional de Belas Artes e Salão de Outono, as duas últimas em Paris.
Obteve Menção Honrosa no concurso para o mural do novo edifício da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro.
 A respeito dele, Paschoal Carlos Magno, em 1968, escreveu: “Visitando o último Salão nacional de Belas Artes, encontrei a presença de um excelente pintor, de arte luminosamente incisiva, sem hesitação na escolha de temas  e no manejo das cores, com densidade emocional, alargando a imaginação dos que lhe admiravam os quadros, com sua desabusada imaginação criadora.

Tratava-se do brasileiro Luiz Nelson Ganem, recém-chegado de longas e demoradas andanças por este mundão de Deus, cujo aprendizado artístico se fizera em Paris, Roma, sob a vigilância de sua própria sensibilidade e cultura, não querendo de maneira alguma perder o melhor de si mesmo, em virar papel carbono dos mestres, cujos cursos freqüentara. Encontrei-o mais tarde como um dos professores do Instituto de belas Artes, cercado de alunos de todas as idades, orientando-os sem deformá-los, não os perturbando na sua espontaneidade, como fazem tantos professores, mais interessados em satisfazer seu narcisismo na repetição de seus processos técnicos e na aceitação de seus princípios estéticos.

               GUIGA ESTÁ ORGANIZANDO UMA EXPOSIÇÃO PARA SÃO PAULO

 O cearense Álvaro Guimarães Pinheiro, mais conhecido por Guiga, está empenhado em reunir um número significativo de artistas naifs para uma exposição na Galeria Maison Arts. O título da expo será Norte/Nordeste em Cores, a qual deverá ser inaugurada em junho próximo. O artista está entusiasmado com a idéia e vem trabalhando intensamente, reunindo trabalhos de seus colegas dentro desta linha pictórica. Segundo Guiga esta mostra coletiva será um acontecimento marcante para os artistas destas duas regiões, “pois mostraremos trabalhos de qualidade concebidos dentro de toda a pureza do primitivo.
“É a maneira simples da gente, ver as coisas e agente através de tintas fortes, tão fortes como essa gente que habita locais quase inacessíveis”.
Guiga que também é poeta escreveu alguns versos que considero interessantes: “Quantas matas desmatadas- Quantas aves em revoadas/ em busca de suas pousadas/Que se exterminam, enfim/Homem, animal destruidor...”/Portanto, mostra que embora tenha deixado sua terra Quixadá, e emigrando para a Bahia, continua preso as suas raízes, preocupado com a devastação da flora e da fauna, já pobres, no Norte e Nordeste. O problema de falta d’água, nas terras ressequidas, tem uma resposta paliativa quando observa as águas salgadas nas lindas praias de Fortaleza ou na Bahia. E, o mar é também uma presença em sua obra. A luz, através das cores fortes que derrama em suas telas, é uma demonstração da própria luminosidade desta terra tropical com suas praias de águas ainda límpidas e coqueiros a balançar preguiçosamente suas palhas, dando água boa e sombra aos que passam.Ele já fez dezenas de exposições individuais e coletivas e seus quadros figuram em coleções de alguns países.
 

EXPOSIÇÃO MARCA OS SESSENTA ANOS DE MÁRIO CRAVO JÚNIOR- 18 DE JULHO DE 1983.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 18 DE JULHO DE 1983.

 EXPOSIÇÃO MARCA OS SESSENTA ANOS DE
MÁRIO CRAVO JÚNIOR

 Bela escultura em alumínio repuxado.                        Esta escultura é de latão e uma das angulosas.
“Não sabia que a sociedade impunha tanta responsabilidade ao sexagenário”, desabafou o escultor Mário Cravo Júnior, que volta a expor individualmente numa galeria baiana depois de 13 anos de ausência. É verdade que tem comparecido em várias coletivas, e que fez há dois anos, uma exposição ao ar livre no Farol da Barra de várias esculturas feitas em polietileno. Porém, individualmente, é esta exposição programada e já armada na galeria MAB, na Rua Guanabara, cujo vernissage ocorrerá no próximo dia 26 que representa não apenas o seu retorno individual a uma galeria baiana como um dos eventos comemorativos de seu sexagenário.
Além desta está idealizando uma grande exposição ao ar livre, cujo local ainda não foi definido. Pensa em colocar suas esculturas de ferro, de dois a quatro metros de altura, na Praça da Sé ou no canteiro central da Garibaldi. Mas tudo ainda depende de alguns detalhes e levantamentos que o artista está fazendo, principalmente, para que a mesma seja vista por um grande número de pessoas.
Outro evento dos seus 60 anos será o lançamento do livro “Cravo”, que seu filho Mário Cravo Neto está acompanhando de perto, em São Paulo, onde está sendo impresso. Serão poucos exemplares, cerca de Hum mil, os quais serão divididos entre os patrocinadores e o artista. O livro contém 30 fotografias feitas por Mário Cravo Neto sobre o trabalho do pai.
A ESPONTANEIDADE
 A figura de Mário cravo com seu rabo-de-cavalo entremeado de cabelos brancos e o inconfundível bigode ligado a duas grossas costeletas, faz parte da paisagem plástica desta Bahia.
Lembro certa vez que o artista foi convidado pela direção do Colégio da Bahia para fazer uma palestra para os alunos e professores sobre a Arte na Bahia. As organizadoras estavam eufóricas, todas emperiquitadas à espera do conferencistas na porta do colégio. Eis que de repente surge a figura de Mário. Que pára diante de um menino que vendia picolés, compre um, de limão, e sai chupando entre as professoras desconsertadas. Assim, subiu as escadas que dão acesso ao auditório e iniciou a sua conversa com os alunos do central. Este fato demonstra exatamente a personalidade descontraída e espontânea de Mário, que embora seja um artista consagrado no Brasil inteiro, e mesmo no exterior, è despojado de vaidades, o que não acontece com outros, muitas vezes menos talentosos.
Para conhecer os seus novos trabalhos concebidos entre 1982 e este ano, marcamos um encontro na Galeria Mab. Ás 16 horas, da última quinta-feira lá estava o Mário.
Foi logo dizendo que estava muito satisfeito em realizar esta exposição, embora lhe agrade muito fazer exposição ao ar livre, como aquela que fez no Farol da barra. Porém, treze anos depois exporá na Galeria Mab com esculturas de menor porte e vários desenhos, que funcionam como um instrumento didático de complementação do seu trabalho escultórico para que as pessoas sintam como tudo acontece. Neste período ele executou muitas esculturas de maior porte para praças públicas e edifícios. Daí a importância desta exposição, porque mostrará desenhos dos últimos 15 anos de sua carreira e trabalhos de escultura de duas fases geminadas. A de metais não ferrosos, (especialmente o latão), que apresenta elementos mais angulosos e as pequenas esculturas em cobre, que estão no interior da galeria. A da segunda fase são feitas em alumínio repuxado, sendo que algumas serão apresentadas dentro da galeria e outras no jardim.
Esta exposição de Mário Cravo tem, portanto um caráter também didático, porque nos seus desenhos podem sentir as suas inquietações plásticas e os tipos de formas idealizados. O desenho é o esqueleto , a idéia passado para o papel que depois transforma-se em esculturas, ganhando os espaços.
Fiquei sensibilizado com a força expressiva das esculturas principalmente das feitas em alumínio repuxado, que têm toda uma ligação orgânica. Parece que os elementos que as compõem estão em movimento, estão pulsando ou brotando como o botão de uma flor no momento de sua abertura.
Mário é um artista espontâneo, mas disciplinado e metódico em seu ofício. Não aceita que qualquer artista deve parar a espera de inspiração, porque como já disse outras vezes, inspiração “é um sal da história, mas um blefe”. Ele acredita no trabalho sério, disciplinado, onde o indivíduo vai conseguindo melhorar a técnica de sua obra. Mas, reconhece que é preciso ter talento e acima de tudo desenvolvê-lo. É neste exercício diário que Mário vem desenvolvendo o talento que lhe é inato. Suas esculturas, por vezes monumentais, provocam inquietações e debates. Lembro-me daquela escultura que implantou na Cidade Baixa, na Praça Cairu, em perfeito contraste com os velhos casarões da Conceição da Praia e o Elevador Lacerda. Hoje, passados os anos, parece que a peça está totalmente integrada à própria paisagem. Agora, discute-se o monumento que idealizou e executou em homenagem ao Dr. Cleriston Andrade. Sem dúvida, que é um marco na sua vida artística e com o passar do tempo estará perfeitamente aceito e integrado àquela paisagem. É um princípio da própria Sociologia, que mudança provoca reação. E, Mário Cravo é acima de tudo um inovador. Como artista qualificado e criativo que é, ele ousa com suas formas e também com a utilização de materiais industrializados e sofisticados. Ousa dominá-los, dando-lhes formas angulosas ou orgânicas e expressividade.
Mário Cravo Júnior nasceu em salvador em 13 de abril de 1923, iniciando seu trabalho por volta da década de 50, e nunca mais parou de criar, além de ser um grande incentivador de jovens artistas. Fotos de Carlo Santana.
 
              UMA FOTÓGRAFA E UM PINTOR NO MAB
 Foto de detalhes de tamboretes , de Améris.               Pintura em acrílica de João Grijó.
 
A exposição que acontecerá a partir do próximo dia 26, às 21 horas, no Museu de Arte Moderna, do artista português João Gripo e da fotógrafa paulista Améris Paolini reúne trabalhos de técnicas completamente diferentes, mas existe uma perfeita identidade, nas formas, ou seja, na geometria dos elementos e principalmente na sensibilidade em captar a plasticidade e na força da expressão em objetos que passam quase despercebidos pela grande maioria das pessoas. Alguns vão lembrar que o Mário Cravo Neto já tratou da temática escolhida ou eleita por Améris. Só que a linguagem foi outra. Um trabalho não invalida o outro ao contrário, eles são complementares, pois o detalhamento de Améris vem enriquecer o estudo do fotógrafo baiano. Porém, voltando á exposição de Grijó-Améris, fiquei gratificado em verificar a identidade de expressão, o cuidado quase que artesanal dos dois artistas, desde a maneira de trabalhar como também de apresentar suas respectivas obras.
Grijó tem uma formação acadêmica e uma vivência que lhe garantem liberdade de ousar. Ele, insatisfeito com espaços e limites das telas, ousa ultrapassá-las, e quando não consegue, corta-se e as superpõe conseguindo efeitos geométricos interaesantíssimos. Pode parecer que suas formas são simplórias, á primeira vista.
Mas, asseguro que é um engano. São formas trabalhadas e pensadas e que dão resultados surpreendentes.
Já Améris, de posse de sua câmera com lentes macro e uma 85 mm conseguiu detalhar os tamboretes, as barracas das festas de largo e os cascos de barcos ancorados. No detalhamento aparecem superposições de tábuas, rendas, palhas e outros materiais acrescidos com o próprio envelhecimento e o uso. O sol e a chuva provocam ranhuras, rachaduras, além do próprio homem pintando e repintando os tamboretes, barracas e barcos a cada ano, criando belas texturas. Assim, enquanto Améris fotografa, o Grijó transfere parte destes elementos para suas telas recortadas e superpostas. Aí está justamente a identidade nas formas, nas superposições e na sensibilidade criadora de ambos.
Outro ponto positivo desta exposição são dois artistas de fora que trabalharam em cima de nossas coisas, ou seja, é uma mostra plástica que revela a visão deles de nossa realidade pictórica e plástica.
Estive visitando o casal de artistas em seu apartamento no bairro da graça. Ao entrar, percebi a presença marcante da criatividade na maneira de dispor os móveis, na apropriação de objetos, os quais ganharam especial destaque, não só pela maneira de dispô-los, mas também pela própria utilidade que lhes foi dedicada.
Lembro, por exemplo, que esteiras de palha são usadas como cortinas, grandes potes como jarros cheios de folhagens secas e assim por diante, dando um tom natural a seu apartamento, que fica num alto prédio, na Rua Manoel Barreto.
Lá assisti à projeção de vários slides da Améris, e pude sentir de perto a grandiosidade plástica, as superposições, a utilização de cores destoantes, a presença das cores da bandeira da Bahia, a intensidade das cores que são usadas nas pinturas de barracas e barcos e o pouco uso do amarelo. Sim, o pouco uso do amarelo, embora no cartaz que anuncia a exposição um trabalho impresso tem a cor amarela.Certamente a preferência maior é pelo azul, vermelho e branco.
 
 
 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

LEONEL BRAYNER EXPÕE 18 OBRAS


     LEONEL BRAYNER  EXPÕE 18 OBRAS

Depois de nove anos sem ter notícias do artista Leonel Brayner ( Foto ao lado)  ele  agora está expondo 18 obras na Galeria Mansarda, no Palacete das Artes Rodin Bahia, que fica na Avenida Euclides da Cunha , no bairro da Graça.  Sua mostra Realidade Possível , o traz de volta. A lembrança da última vez que estive com ele foi quando fiquei conhecendo vários objetos que  produzia. Disse o artista  recentemente que devido a compromissos profissionais andou afastado de Salvador e, que agora está disposto a abrir seu coração com esta  nova exposição .
Sabemos que  é alagoano a aqui reside há algumas décadas, embora ande por São Paulo, Paraná, Goiás e Rio de janeiro, onde também já realizou algumas exposições. Aqui aportou por volta dos anos 70 , em plena ditadura militar. Pessoa afável e comunicativa se aproximou com facilidade  dos artistas mais atuantes,  galeristas e marchands. Produziu telas e objetos, natureza mortas e  já realizou algumas exposições em Salvador.
É um artista que sempre apresenta uma obra, limpa, racional, rigorosa, bem elaborada. No ano passado lançou um livro, o qual ainda não conheço, sobre a paisagem carioca intitulado Rio:Pena e Pincel, com textos de Ruy Castro e Heloísa Seixas.
 Ele relembra que seu avô era engenheiro agrônomo e seu pai ambientalista, mas que foi sua avó materna quem a introduziu no mundo das tintas. Sempre o conheci trabalhando com natureza- morta, compondo ambientes em perfeito equilíbrio e rigor na forma. Seus trabalhos são sempre pensados, idealizados,  como que saem de um laboratório fictício e criativo. Sempre estão com ele elementos ovais, geométricos , pincéis e frutas retratadas em  cores mais ou menos vibrantes  ou colados em estruturas de madeira.

 

CLARIVAL PARTIU DEIXANDO UM RASTRO DE CRIATIVIDADE - 16 SE MAIO DED 1983.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 1983.

CLARIVAL PARTIU DEIXANDO UM RASTRO 
DE CRIATIVIDADE


O telefone toca e do outro lado da linha um cidadão informa que o mestre Clarival Prado Valladares estava morto. “Ele morreu por volta das 15 horas, no Rio de Janeiro, devido a problemas respiratórios. O seu sepultamento será amanhã, sábado, no Cemitério São João Batista”. Fiquei quase mudo e no esforço maior ainda consegui saber alguns detalhes, inclusive da possibilidade futura de seus restos mortais serem trasladados para Salvador, como era seu desejo.
O velho se foi. É verdade. Mas, não se foi como um cometa, deixando apenas por algumas horas ou minutos o rastro de sua cauda luminosa. O velho se foi deixando atrás de si uma obra monumental feita com garra e muita capacidade. O velho se foi, mas ficou aqui marcada a sua figura esguia, calma e perspicaz. Um homem moldado para cuidar e descobrir coisas nobres, grandiosas. Foi neste contato com o monumental da arte existente neste país que soube trabalhar e acima de tudo redescobrir. Assim, obrigou, como conseqüência, uma presença maior de órgãos religiosos, privados e próprio governo a darem uma atenção maior a muitas obras de arte que povoam templos e outros monumentos históricos.
Não sou de sua geração. Mas tive a oportunidade de manter vários contatos e conversamos muito sobre o seu trabalho e, principalmente venho acompanhando sua obra e sentindo sua força interior. Mesmo doente, continuava trabalhando, ajudado por sua mulher Érica, a filha Kátia e, até o seu neto Marcos Antônio. Unidos saíam por este país afora em busca de plasticidade revelando aos brasileiros a riqueza inesgotável das obras de arte.
“Reunir do acaso aquilo que as mãos de outrem fizeram em consagração a imagem de Deus”, uma afirmação que norteou muito o seu trabalho, que em grande parte tem uma ligação muito profunda, com os sentimentos de religiosidade de nosso povo.
O velho era médico. Aliás, tinha se formado em medicina, e até especializou-se em patologia. Porém, desde 1957 que sua paixão maior não era o estetoscópio que ausculta os pacientes, e, sim outro “estetoscópio” que ausculta o palpitar das figuras linhas retas e curvas, e o colorido forte ou tênue das obras de arte. Era um descobridor ou redescobridor, pois saia a procura de tesouros, que muitas vezes estava à vista, mas os insensíveis passavam e nunca imaginaram ou dedicaram-lhe a importância merecida.
Foi assim que aconteceu com o Castelo da Torre, aqui mesmo na Praia do Forte, tão pertinho de nós, mas que lhe dedicaram importância maior depois que ele passou a divulgá-lo. Aí algumas providências forma tomadas evitando que as intempéries do tempo não o destruíssem totalmente.
Também, esteve freqüentando os cemitérios, e através um financiamento do Conselho Federal de Cultura, em 1972, produziu “Arte Cemiterial Brasileira”, onde aparecem destacados importantes monumentos fúnebres, que passavam despercebidos, por muita gente ligada à arte. São obras de artistas anônimos, que foram por ele ressaltadas.
Era assim o velho! Gostava de descobrir coisas, às vezes, tidas como ruínas, esquecidas nos tetos das igrejas, nas sacristias, ao ar livre e mesmo nos cemitérios. Lugar que só freqüenta quem acaba de perder um ente querido ou mesmo àquelas pessoas que guardam consigo saudades de alguém que já morreu há algum tempo.
Agora, o velho repousa no cemitério, onde buscou inspiração para o seu próprio trabalho. Porém mesmo tem um desejo ainda por ser cumprido, ou seja, que seus restos mortais sejam trasladados para Salvador, sua terra natal, e também, seu ponto de partida para a construção da obra grandiosa, que legou a este país.
Clarival morreu aos 65 anos de idade. Diplomado pela Faculdade de Medicina da Bahia. EM 1941, mudou-se para o Rio, ingressando em 1949 no quadro do Hospital dos Servidores do Estado. Em 1952, a convite do reitor Edgard Santos, voltou a Salvador como assistente do diretor do serviço da Anatomia Patológica do Hospital das Clínicas. Defendeu tesa de doutoramento também em 52 e fez curso de pós-graduação na Hrvard University, em Boston. Em 1956, tornou-se docente de Anatomia Patalógica na Universidade Federal da Bahia.
Mas nessa época já iniciava atividades de pesquisa em arte que o projetariam como um dos mais prestigiosos críticos do país. EM 1967, escreveu “Riscadores de Milagres”, pesquisa sobre desenhistas de ex-votos, e em 1972 conquistou o Prêmio Crítica de Arte com o livro “Arte e Sociedade nos Cemitérios do Brasil”, editado pelo Conselho Federal de Cultura de 1970 a 1972 percorreu as cidades históricas de Minas Gerais documentando, através da fotografia e outras obras de arte de importância. Na Argentina, editou um livro de pesquisa sobre a arte de Di Cavalcanti que não foi, entretanto, traduzido no Brasil. No final do ano passado, lançou dois livros nos quais reuniu volumosa parte de suas pesquisas,
“Nordeste Histórico e Monumental” e “Os 400 Anos do Mosteiro de São Bento da Bahia”. Era o último filho sobrevivente do casal Antônio Prado Valladares e D. Clarice Valladares.

                CENTO E CINQÜENTA OBRAS DO SÉCULO XIX

Desde o último dia 10 de maio que está aberta a visitação pública, no Rio de Janeiro, o mais completo e abrangente painel da pintura brasileira do século XIX, composto por 150 obras originais (seguradas em torno de CR$2 bilhões) e cedidas por 21 museus e colecionadores particulares. É a exposição “História da Pintura Brasileira no Século XIX”, patrocinada pela Vera Cruz Seguradora S.A. com o apoio da Fundação Roberto Marinho e do Acervo Galeria de Arte, que até o final do ano será mostrada também em Brasília, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo.
Segundo os historiadores, o século XIX foi de real importância para a cultura brasileira; daí então o interesse em promover este evento cultural, no qual está sendo investido, somente para a mostra do Rio de Janeiro, cifras superiores a CR$100 milhões.
Esses primeiros cem anos da História do Brasil foram muitos ricos artisticamente, devido a fatos como a transferência da família real portuguesa, a elevação do país a Reino Unido e depois a sede provisória da Corte- acontecimentos exaustivamente retratados pelos pintores da época. Verifica-se também nesse período a progressiva emancipação econômica e a passagem do sistema escravagista para outro, baseado no trabalho assalariado e conseqüentemente o aparecimento de uma classe urbana e um comércio aliado aos grupos industriais que surgiram, e por fim o aparecimento da República.

OS SEGMENTOS

Esta mostra é dividida em cinco segmentos, cada um representando um período específico, apresentados em cinco locais diferentes.
No dia 10 de maio foi aberto o primeiro segmento, denominado “A Pintura Remanescente da Colônia, 1800-1830”, na Casa do Bispo (Avenida Paulo de Frontim, 568, Rio Comprido).
No mesmo local foi montado o “Centro Lógico”, mostra que usará recursos audiovisuais, videotapes, displays, etc, com o objetivo de oferecer ao visitante uma visão abrangendo as manifestações artísticas ocorridas em todo o século XIX.
O segundo segmento, Intitulado “A Missão Artística francesa e seus Discípulos, 1816-1840” inaugurado no dia 11 de maio, no Museu do primeiro Reinado (Avenida Dom Pedro II, 293, São Cristovão), reunido obras de 11 artistas, dentre os quais Jean Baptiste Debret e Johan Moritz Rugendas.
O terceiro segmento, “A Pintura Posterior à Missão Francesa, 1853-1870”, aberto no dia 12 de maio, no Museu Histórico Nacional (Praça Marechal Âncora s/n, Centro-Castelo), com obras de Armand Jullien Palliére e François Auguste Moreaux.
No dia 13 de maio inaugurou-se o quarto segmento denominado “A Proteção do Imperador e os Pintores do Segundo Reinado, 1850-1890” no Museu Nacional de Belas Artes (Avenida Rio Branco, 189, Cinelândia), com obras de Victor Meirelles de Lima e Pedro Américo de Figueiredo e Mello dentre outros.
O quinto e último segmento, “A República e a Decadência da Disciplina Neoclássica, 1890-1918”, será inaugurado hoje no Acervo Galeria e Arte (Rua das Palmeiras, 19, Botafogo).
Será lançado também o livro que inspirou a mostra, “História da Pintura Brasileira no Século XIX” do professor Guirino Campofiorito. Cada segmento terá ainda catálogos específicos, também de autoria de Campofiorito, publicado pelas Edições Pinakoteke. A mostra fica no Rio de Janeiro até 12 de junho. E mais uma vez os baianos ficam de fora e não verão tão importante exposição.

É HORA DE SEGUIR ESTE EXEMPLO EM BENEFÍCIO DA ARTE -27 de JUNHO DE 1983.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 27 DE JUNHO DE 1983

É HORA DE SEGUIR ESTE EXEMPLO EM BENEFÍCIO DA ARTE

São Paulo descobriu uma forma de ajudar, com pizza, o maior museu da América Latina, o MASP, cujo acervo avaliado em 300 milhões de dólares está ameaçado pela falta de ar-condicionado no grande prédio da AV. paulista.A pizzaria “Avanti Popoli Facciamo Pizza”, que é também um espaço cultural na Alameda Franca, dedicou metade da renda da sua primeira semana de funcionamento em benefício da reconstrução do equipamento de ar-condicionado do MASP- Museu de Arte de São Paulo. Pietro Maria Bardi, diretor do museu, ficou entusiasmado com a iniciativa, e acabou oferecendo à pizzaria réplica de sua primeira escultura “pop”, a que deu nome de “Pizza” feita com vários rolos de trabalhar massa.
José Ernesto Barvarisi, um dos sócios da pizzaria, diz que, quando decidiram abrir a casa, acharam que o importante era também oferecer mais um espaço cultural para São Paulo. Assim, há áreas no estabelecimento reservadas para exposição de quadros e outras atividades, com noites de autógrafos, lançamentos de músicas etc. “Por isso achamos que a primeira semana deveria ser dedicada ao MASP, para que pudéssemos, com pizza, ajudar um Van Gogh a respirar melhor, já que os grandes mestres do acervo do museu estão sendo asfixiados pela falta de ar-condcionado”.

A IMPORTÂNCIA DO AR

A ausência de climatização pode, efetivamente, levar as telas de um museu à deterioração. Isto por causa da umidade do ar, numa cidade como São Paulo, cuja média gira em torno de 80%. Essa umidade, penetrando na pinacoteca, pode umedecer as telas e proporcionar o aparecimento de fungos, que levam a destruição à obra de arte.Segundo os técnicos, um museu deve ter umidade ambiente entre 50 a 60%, o que é possível obter somente mediante equipamento de ar-condicionado porque tais equipamentos, além de condicionar temperatura, reduzem a umidade.
Justamente para evitar um desastre, a direção do MASP retirou o acervo da pinacoteca e transferiu parte para o salão do primeiro andar, onde as condições são pouco mais favoráveis. E parte desse grande acervo (englobando obras de Rafael, Tiziano, Goya, Van Gogh, Degas, Picasso etc.) foi enviada para uma grande exposição no Japão, onde as telas estarão protegidas em ambiente devidamente climatizado.

                 AS MADONAS NO SOLAR DO FERRÃO


Na próxima semana, em data  a ser definida , o Museu Abelardo Rodrigues estará realizando uma exposição de imagens em madeira, barro cozido e marfim, mostrando a evolução da madona, na arte sacra, do século XVI até o século XX. A mostra a ser apresentada, na sede do museu, no Solar Ferrão, compreende todas as madonas, adquiridas pelo colecionador pernambucano Abelardo Rodrigues, em 40 anos de atividades na busca de objetos de arte sacra. Coleção está adquirida pelo governo do estado, em 1972.
A maioria das peças pertence a artistas anônimos, em particular as dos séculos XVI XVII, que pela ausência de assinatura e pelo próprio estilo indefinido, não foram ainda identificadas. Já as peças do século XX, são trabalhos recentes do artista baiano Manoel Dantas, que em março último realizou uma exposição de escultura.

                                             ARTISTA BAIANA RESIDE E TRABALHA EM CARACAS

A artista Margarita Lamego, é baiana, natural do interior do sudeste.Desce cedo, quando ainda na escolinha Infantil em Ibicuí, começou a sentir amor às artes. Por orientação dos pais, ingressou em 1964 na Escola de Belas Artes da Bahia, onde permaneceu por quatro anos, dali saindo como profissional. Um ano depois realizava seu primeiro trabalho, recebendo o primeiro prêmio, pela confecção de um cartaz sobre o Dia de Anchieta.
Em 1968, porém, procurando acabar sua timidez para “ter mais gente ao meu lado, comecei uma nova atividade: como professora de Percepção Visual para várias agências publicitárias. Em 1971, concluiu um curso de xilografia com o Prof. Juarez Paraíso”.
A partir daí, Margarita Lamego começou a participar de coletivas. EM 1970, a primeira delas, no ICBA, com desenhos e seguindo-se com uma exposição no Centro de Estudos Sociais da Casa dos Jesuítas “onde produzi um mural sobre o Nordeste”.
Juntamente com Graça Ramos fundou um atelier em Salvador com um “cursinho de artesanato em cerâmica e pintura para crianças, em nosso próprio apartamento”.
Em 1973, recebeu uma bolsa de estudos da Fundação Alemã Konrad Adenauer, e em 1974, já estava na cidade germânica de Kassel onde durante quatro semestres, fez especializações no curso de arte em litografia em pedra e metal e fotografia.
Em 1974, realizou sua primeira exposição na Alemanha no Castelo Neu Engling, com trabalhos em xilografia com boa aceitação. “Essa exposição obteve repercussão por serem meus trabalhos considerados como; agressivos, segundo alguns críticos alemães”.
Em 1974, Margarita Lamego, “buscando descobri a América” seguiu para Caracas onde pintou um mural em Puerto de La cruz, sobre os “Bailes de San Juan”, fazendo também, o projeto para um mural no Salão Michelena. Na capital venezuelana, “pelos encantos que a terra me trazia”,fixei residência ali morando até hoje, vindo ao Brasil só em férias ou por rever os pais e familiares em Vitória da Conquista.
Em Caracas, Margarita participou da exposição à arte e arquitetura no espaço urbano, com gravuras, realizadas no Centro Cultural do Brasil daquela cidade. Esta mostra durou um ano.
Também participou com outros gravadores venezuelanos de outras mostras em 1979. Em 1980, mostrou novos trabalhos no Salão de Artistas Gravadores da Venezuela e no salão de Fotografias (adora fotografar mem preto e branco).Em Caracas, é professora e diretora de uma academia de artes para crianças locais.

                                                            MURAL

EXPOSIÇÃO NO IPAC - O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia- IPAC, através da sua galeria de arte, promove, desde o dia 16, a exposição dos trabalhos das oficinas de Expressão Plástica no Museu de Arte Moderna da Bahia- MAMB. A exposição consta de técnicas em gravura (metal, madeira, lito e serigravura), além de esculturas em madeira e cerâmica.
Os trabalhos expostos fazem parte do acervo da oficina, assim como os produzidos neste semestre. Participam da exposição, além de alunos, coordenadores e professores da Oficina de Expressão Plástica.
A galeria de arte do IPAC (Galeria Solar Ferrão) localiza-se no térreo do Solar Ferrão, Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho, estando aberta à visitação do público em geral.
KRAJCBERG EM ESTOCOLMO - 
O êxito de sua apresentação recente na Feira Internacional de Arte em Estocolmo, conquistou para Frans Krajberg um número grande de admiradores no público sueco. Por isso não é de estranhar que ele exponha novamente em Estocolmo, desta vez numa das galerias mais importantes da capital sueca, situada em sua GAMIA STAN (“cidade velha”)- a Galeria Cupido, que para isso se estendeu com a realidade galeria de Arte, do Rio de Janeiro, agente de Krajcberg e sua apresentadora naquela feira internacional.
A nova exposição se realizou entre 2 a 16 de junho passado com o patrocínio da Embaixada do Brasil.

EDUARDO CRUZ - Até o 2 de julho os trabalhos do gravador, desenhista e ceramista Eduardo Cruz, natural de Ilhéus, BA, mas radicado em Porto Alegre, RS, constituídos de desenhos a lápis e pastel sobre papel Fabriano estão expostos no Rio de Janeiro na Galeria Banerj.
O próprio artista define as suas fases basicamente em números de três, as quais estão intimamente ligadas a processos técnicos- mudanças na maneira de pensar/trabalhar. A 1ª fase, entre 66 e 68, foi o período em que fez somente xilogravura, no qual travou contrato mais direto com processos artesanais, e privou do convívio com outros artistas do Atelier Livre de Porto Alegre.
A 2.ª fase, de 69 a 73, corresponde à técnica a técnica de produção de gravuras em relevo, uma reinvenção, usando matriz de Eucatex e marcando as figuras pela simples pressão da prensa. É a fade da ausência total de cor e predominância absoluta do branco.
A fase atual, que começou em 78, caracteriza-se pelo uso do pastel e do lápis. Embora se defina, na prática, como autodidata: -“Não cursei nenhuma escola de arte e também fiquei pouco tempo no Atelier Livre (2anos). O resto foi convívio com artistas gaúchos, e vontade de acertar, de se encontrar”, foi premiado inúmeras vezes, em salões oficiais, aqui e no exterior, dentre os quais ele destaca: Prêmio Aquisição em cerâmica, patrocinado pela Associação dos Artistas Plásticos Francisco Lisboa, em 1963, “no início”, Prêmio Aquisição em gravura no MAM- Rio de Janeiro, no Salão de Bússola, em 1969; Prêmio Bienal Latino-Americano de Gravura, na II Puerto Rico, em 1972; além de uma série de prêmios em salões nacionais, no Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio grande do Sul.
Conquanto seus trabalhos não tenham sofrido quaisquer modificações a partir de cada premiação, Eduardo Cruz admite que o prêmio gratifica, recompensa e responsabiliza”.

MUSEU E FUNDAÇÃO - Desde o último dia 1.º de junho que o Museu de ciência e Tecnologia passou a ser administrado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia-Fceba. Mesmo antes de assumir a administração do museu, Olívia Barradas, diretora executiva da Fceba, promoveu um seminário interno para os funcionários que contou com a participação de Délia Valézio Ferreira, integrante do centro Latino-Americano de Física do Rio de Janeiro, uma das maiores autoridades em política científica do Brasil, além de professores da Universidade Federal da Bahia.
Na visita que fez ao Museu de Ciências e Tecnologia, Olívia Barradas procurou saber de Maria Augusta, diretora do MCT, os principais problemas do museu a fim de resolvê-los imediatamente.
Além do mais prometeu total apoio quanto ao aparelhamento e dinamização do Museu de Ciência e Tecnologia. A partir do documento elaborado pelos participantes do seminário interno, recentemente realizado, é que a fundação partirá para a elaboração de um programa mais dinâmico para o MCT, voltado principalmente para a população escolar localizada entre Amaralina e Itapuã.




UM POUCO DA HISTÓRIA DE UMA TORRE, ORGULHO DA ARQUITETURA

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 06 DE JUNHO DE 1983

UM POUCO DA HISTÓRIA DE UMA TORRE, ORGULHO 
DA ARQUITETURA

 Fotos Google

Paris (ANSA) – Continuam os trabalhos de rejuvenescimento da Torre Eiffel, que deverão estar terminados no começo do verão boreal, e a administração dos correios emitiu um selo para comemorar o nascimento de Gustave Eiffel, ocorrido em Dijon, há um século e meio, precisamente dia 15 de dezembro de 1832.
Ao mesmo tempo, a nova empresa que administra a torre quis homenagear o famoso engenheiro realizando uma exposição no Museu dos Correios sobre o tema, “Gustave Eifel e sua obra”, ilustrada com cerca de 500 documentos e objetos, retrato deles e de seus pais, da mulher de seus filhos, impressões e quadros, contratos e leis, plantas de pontes ferroviárias, desenhos de projetos, esboços e fotografias de suas principais realizações tanto na França como no exterior, entre as quais figura o esqueleto metálico da estátua que representa a Liberdade em Nova Iorque, uma sinagoga, um cassino e fotografias de diversas fases da construção da torre e das atividades que ali se desenvolveram.
Foi uma época rica em acontecimentos aquela em que viveu Eiffel.

A Torre Eiffel, a velha senhora de aço que domina a paisagem de Paris, tem 94 anos e goza de ótima saúde, contrariando as previsões agourentas que lhe vaticinaram um abalo tipo Torre de Babel depois da sua construção. Tornada o símbolo de Paris, é etapa obrigatória para os turistas. Sua realização foi decidida em 1884 pelo governo porque, em um período difícil, enquanto a situação econômica era péssima e a internacional difícil, a frança queria dar ao mundo uma prova da sua vitalidade, criando um monumento que deveria comemorar a revolução de 1798. Como nasceu e por quê? Entre os fatores que deram desenvolvimento a indústrias siderúrgica na segunda metade do século passado, um foi à enorme extensão da rede ferroviária mundial, Pois o aço é um material de primeira importância para construções como pontes e viadutos.
Óbvio, portanto, que o aço se tornasse um pouco o símbolo do progresso técnico da Primeira Exposição Universal de Paris de 1889, através de torre erguida pelo descortínio do engenheiro Gustave Eiffel. Aquela espécie de A. maiúsculo chega a dar uma sensação de elegante leveza, apesar da poderosa mole do seu esqueleto de aço: altura de 320,766 metros, incluída a Torre de TV-8.600 toneladas de peso.

DOIS ANOS DE TRABALHOS

Os trabalhos começaram em 1887.Pouco mais de dois anos bastaram para construir os alicerces da torre e montar o seu esqueleto de aço: 7 toneladas de longarinas em 15 mil modelos, com dois milhões e 500 mil pregos para fixá-las.
Trinta desenhistas, durante um ano e meio, haviam preparado os modelos. As peças chegavam numerosas ao canteiro de obras, e podem ser montadas sem a mais mínima correção. Dia 13 de julho de 1888 (véspera da data nacional pela Tomada de Bastilha), Gustave Eiffel oferece aos parisienses um grandioso espetáculo de fogos de artifício da segunda plataforma. Depois se continuaria a obra da agulha. Eiffel pôde, assim, vangloriar-se de ter vencido os seus colegas britânicos que, havia 50 anos, tentavam em vão concretizar um projeto análogo. A torre foi inaugurada junto com a Exposição Universal, na noite de 6 de maio de 1889, quando ela foi de golpe iluminada por 22 mil lâmpadas a gás.

CHISTE DE SHAW

Durante muito tempo, isto é, enquanto não despontaram os arranha-céus de Nova Iorque, a Torre de Eiffel foi à construção mais alta jamais edificada (a Pirâmide de Quéops mede 146 metros, a cúpula de São Pedro 132 metros, a Catedral de Colônia 159 metros). A cada sete anos é limpa e envernizada (52 toneladas de verniz especial contra a corrosão)- de quando em quando se substituem as traves. Mas somente uma vez se temeu seriamente por sua saúde:
Em 1938, as bases voltadas para o Sena cederam ligeiramente (três centímetros) fazendo temer que a velha senhora quisesse fazer concorrência à Torre de Pisa. Uma comissão de técnicos concluiu que o monumento não era perigoso para “os turistas”. Bernard Shaw jogou logo a sua arguta estocada: “então eu só subirei quando garantirem que não é perigosa para os parisienses”.

POLÊMICAS

A torre de 323 metros de altura despertou ásperas polêmicas na França.
Eram, particularmente, os intelectuais os que a criticavam, porque, diziam, arruinava a paisagem, mas desde o primeiro dia o seu êxito foi total. Em1889 as arrecadações subiram a seis milhões de francos e uma vez que a construção havia custado, 7 milhões e 400 mil francos, a prefeitura cobriu a diferença.
O engenheiro Eiffel era então conhecido em todo o mundo, mas em 1892, quando explodiu o escândalo político financeiro do canal do Panamá, seu nome de certa forma foi prejudicado.
Ferdinand de Lesseps, autor do projeto, lhe havia confiado a direção dos trabalhos, mas a companhia faliu e Eiffel foi acusado de ter emprestado o seu nome a uma pequena empresa em dificuldades para que o projeto fosse aprovado pela câmara e obtivesse o dinheiro. Entre os acusados no processo figurou também Eiffel, condenado a dois anos de prisão e finalmente absolvido. Não obstante, a situação produziu-lhe grande desilusão de modo que cedeu a empresa a seu genro para poder dedicar-se aos estudos. Morreu em Paris aos 91 anos. Viveu uma vida fecunda num século também, fecundo.

  ARTISTA USA AZEITE DE DENDÊ PARA DAR BRILHO

Utilizar azeite-doce para conseguir o brilho exato, das tonalidades de cores das ondas do mar por onde o sal o orixá Nana, na concepção de João Loureiro, é apenas uma das performances deste fiscal da Prefeitura Municipal do Salvador que expões 10 trabalhos nos restaurantes “Rosa Negra”, em Itapuã, partir do próximo dia 6.
São entalhes de madeira nos mais variados temas, mas todos ligados a natureza. “O Sistema Solar”, por exemplo, é o trabalho que ele mais gosta. Levou três anos para ser feito e reflete a luminosidade do sol que brilha com sua total intensidade em Itapuã, onde João mora com sua mulher Sônia e seus nove filhos.
É com satisfação que ele conta o espanto das pessoas quando passam pela sua casa e podem ver pela janela que fica sempre aberta o que ele considera sua obra-prima.
“O Sistema Solar”. A partir do entalhe e, utilizado uma variedade de material tipo areia granulada, purpurina e lantejoula. E depois do trabalho pronto ele passa uma dosagem de resina para conservá-lo.
Seus trabalhos, vem sendo espalhados pela cidade, em bares e restaurantes, além de, no momento, estar produzindo painéis para residências. Seu projeto mais atual é entalhar todos os orixás e mostrá-los em exposições pelo Brasil e o mundo.
João Loureiro despertou para as artes plásticas em São Paulo, onde morou durante dois anos. De volta à Bahia em 1972, ficou em Arembepe pesquisando, experimentando tintas e todo líquido que dê cor, como mercúrio cromo azul de metileno. Seus trabalhos são emoldurados em bambu para reafirmar o fascínio que a natureza exerce sobre ele, conforme faz questão de esclarecer. Seu objetivo é apresentar ao público uma nova forma de tratar velhos temas, como os orixás e o sol, apenas para citar dois exemplos.

               NAS OFICINAS DO MAMB

Durante este mês o Museu de Arte Moderna da Bahia- MAMB movimenta suas Oficinas de Arte com a presença do artista plástico alemão Werner Reister, especialista em gravura que dirigirá um processo de trabalho criativo durante quatro semanas. Esta oficina está aberta a pessoas já familiarizadas com técnicas de artes plásticas, bastando fazer inscrição.
A promoção é da Fundação Cultural do Estado da Bahia, contando com a colaboração do Instituto Cultural Goethe. Esta oficina de criatividade tem o propósito de participar no desenvolvimento das atividades já existente na comunidade. Pela sua natureza versátil (o técnico alemão vai desenvolver junto a artistas daqui novas técnicas de artes plásticas, inclusive vai trabalhar com aproveitamento de objetos achados e detritos industriais, com possibilidades não convencionais de suportes de quadros e peças) dará aos participantes a oportunidades de desenvolver uma atividade criativa mais livre.
Werner Reister é conhecido no Brasil, inclusive montou aqui na Bahia, uma exposição. É um artista conceituado, principalmente pelos seus trabalhos experimentais não somente em sua terra natal (Pforzheim/Alemanha) como em outros países.




UMA COMUNICAÇÃO QUE DEVE SERA COM LUCIDEZ -6 DE MAIO DE 1983.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 06 DE MAIO DE 1983.

UMA COMUNICAÇÃO QUE DEVE SER REFLETIDA 
COM LUCIDEZ


O crítico potiguar Franklin Jorge enviou uma comunicação para o 3º. Encontro Nacional de Críticos de Arte, realizado em abril passado, em São Paulo, onde tece considerações lúcidas sobre as artes plásticas nas regiões Norte e Nordeste do país. Uma comunicação que reflete os reclamos, não só dos críticos, como também dos artistas dessas regiões, acostumados a buscar notoriedade através de críticas e exposições feitas no Sul do país, onde estão concentrados o grande mercado de arte e a divulgação a nível nacional. Para isto concorrem também o provincianismo de muitos artistas da região, acostumados que estão com sistemas autoritários e colonialistas, os quais têm perfeito reflexo nas obras que criam. A luta de críticos e jornalistas que escrevem sobre artes nessas regiões é uma luta quase que titânica, devido à falta de conscientização dos dirigentes da maioria dos órgãos de comunicação de massas, donos de galerias, dirigentes de museus e outros elementos direta ou indiretamente ligados à problemática das artes plásticas.
Basta dizer que a reação contra o surgimento de pessoas interessadas em arte é um fato Incontestável. Porém, deixo e endosso as palavras do Franklin, para uma reflexão sobre todo o universo das artes plásticas.

COMUNICAÇÃO

“1- A distribuição anual dos prêmios da Associação Brasileira de críticos de Arte nos leva a creditar que os mesmos foram criados tão somente para privilegiar um pequeno grupo de críticos e artistas do eixo Rio/São Paulo e que os seus critérios estão pautados por interesses extraculturais.
A Associação Brasileira de Críticos de Arte tem ignorado sistematicamente o trabalho obstinado daqueles críticos que, vivendo longe das facilidades metropolitanas, dão o melhor de suas energias e do seu entusiasmo para o engrandecimento da vida artística das cidades mais distantes.
Os críticos em atividade no Norte/Nordeste do Brasil lutam por manter um espaço que se reduz cada vez mais, engolido pelo noticiário restrito às áreas da política, do futebol e da criminalidade. Enfrentam não apenas as dificuldades de acesso ás informações (livros, revistas especializadas etc.), além da indiferença dos editores que se escudam na afirmativa de que ‘cultura e arte não vendem jornal’.
Durante aproximadamente dez anos, o jornalista Roberto Júlio Pinto, falecido em setembro do ano passado, manteve uma coluna sobre o movimento artístico de Fortaleza, que era publicada todos os domingos no jornal o Povo. Nesses anos todos realizou um admirável trabalho de animação cultural. No Recife, Paulo Azevedo Chaves assina coluna especializada no Diário de Pernambuco, que somente continua circulando duas vezes por semana, graças a um movimento empreendido por um grupo de artistas e intelectuais pernambucanos que reconhecem a necessidade de um espaço dessa natureza, importante como veículo de divulgação e instrumento de questionamento da produção artística
Salientaria, ainda, a atividade de críticos como Wilson Rocha, Matilde Matos, Reynivaldo Brito (Bahia), Odosvaldo Portugal Neiva, Eliezer Rodrigues (Ceará), Gilbert Chaudanne (Piauí) Alcyone Abrahão, Iaperi Araújo (Rio Grande do Norte), Sebastião Godinho (Pará), Solange Berard Lages e Gláucia Lemos (Alagoas).
Muitos desses críticos não pertencem ao quadro da Associação Brasileira de Críticos de arte. Mas que isto não venha servir de desculpas para a omissão. A Associação Brasileira de Críticos de Arte poderia, sem qualquer prejuízo como instituição, legitimar esse trabalho, que dessa forma ganharia maior relevo dentro da comunidade que representa.
É muito fácil manter uma coluna quando o próprio jornal tem interesse na sua conservação. Mas mantê-la contra a má vontade de grupos voltados unicamente para a obtenção de lucros é tarefa que exige, mais do que trabalho, humildade, paciência e um dispêndio muito grande de energias.
Que se reflita sobre esta questão.
E que a Associação Brasileira de Críticos de Arte estenda o seu interesse ao trabalho desses críticos para que dessa forma, consolidem sua posição dentro do jornal e da comunidade.
Nós, críticos das regiões Norte e Nordeste do país, não desejamos tratamento diferenciado. Isto são coisas da SUDENE e do governo federal.
Queremos unicamente a igualdade que o direito nos concede.

2- Gostaria de registrar aqui o meu repúdio à atitude desrespeitosa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte para com os artistas Eugênio Mariano e Ítalo Trindade, que, atendendo convite do reitor Diógenes da Cunha Lima, executaram trabalho de escultura para o monumento recentemente inaugurado nos jardins do Campus. Recusando-se a pagar aos artistas, apesar da existência, de um contrato legal de trabalho, o reitor, que é músico e poeta, mandou destruir a obra original, para que não restasse nenhuma prova, substituindo-a por um conjunto de escultura de artista popular de Tracunhaém, que agora pode ser visto, emoldurado em concreto por umas formas estilizadas que vêm sendo identificadas como as letras iniciais do nome do arbitrário reitor.

3- Que se registre também o meu protesto contra a atuação do diretor de Promoções Culturais da Fundação José Augusto, folclorista Deífilo Gurgel, que acaba de ser reconduzido ao cargo por mais de quatro anos, que, a pretexto de realizar exposições no interior do estado, vem dilapidando sistematicamente o acervo daquela instituição, responsável pela política cultural do estado.
Vale esclarecer que as obras são enviadas em carrocerias de caminhões, sem qualquer tipo de acondicionamento, e expostas em qualquer lugar, num ato que avilta a dignidade do artista e contribui para o empobrecimento progressivo do patrimônio cultural e artístico do Rio Grande do Norte.

4- Que a Associação Brasileira de Críticos de Arte firme uma posição contra o erro que tantas vezes repetido, vem se tornando institucional: a presença de simples curiosos, em geral dondocas de sociedade, em júris e comissões de salões de artes visuais.
Que se apóie efetivamente o artista, denunciando essas inversões que comprometem a seriedade dos salões, que são, afinal, o único veículo de que o artista jovem dispõe para a divulgação do seu trabalho.
O ano passado, em Natal, o diretor de Promoções da Fundação José Augusto chegou ao requinte de introduzir no regulamento do Prêmio Governador do Estado um dispositivo vedando a presença no júri de críticos de arte, porque criam muitos problemas.

                                                             MURAL

CHRISTO ATACA- Conhecido por suas extravagâncias no campo da arte, o escultor Christo volta a atacar. Desta vez pretende, com grandes lâminas de plástico cor-de-rosa, cercar as duas ilhas existentes na Baía de Biacayne, em Miami. Porém, na primeira tentativa as condições atmosféricas dificultaram a execução do seu estranho projeto. Os ecologistas também estão reclamando do Christo.

AGRÁRIO POR PRESCILIANO -Retrato de Agrário de Menezes feito, há 40 anos, por Presciliano Silva, a pedido de Carlos Chiachio, para o “Jornal de Ala”, acaba de ser adquirido, na Galeria Panorama, onde fora parar, por Jayme de Sá Menezes, parente e biógrafo do escritor e poeta baiano, e autor do livro “Agrário de Menezes - Um Liberal do Império”.

A LUTA DAS MULHERES- o Centro de Informação das Nações Unidas está convidando os artistas em geral e, especialmente, as artistas mulheres, a participarem do concurso de desenhos para a escolha de emblema que simbolize a resistência das mulheres da África do Sul e Namíbia, e a solidariedade internacional a essa luta. O emblema escolhido será utilizado pelas Nações Unidas, além de outras organizações e em conferências sobre o tema, em material de divulgação. A realização deste concurso foi decidida pela Conferência Internacional sobre Mulheres e Apartheid, realizada em Bruxelas entre 17 e 19 de maio de 1982. O vencedor receberá um prêmio simbólico de mil dólares.
Os trabalhos dos artistas brasileiros deverão ser enviados para o Centro de Informação das Nações Unidas até o dia 5 de julho, no seguinte endereço: Rua Cruz Lima, 19, grupo 201- Rio de Janeiro, RJ-CEP 22.230.
Todo material que chegar até esta data será enviado para a sede das Nações Unidas e participará do concurso internacional para escolha do símbolo oficial de uma exposição no dia 9 de agosto, Dia de Solidariedade com a Luta das Mulheres da África do Sul e Namíbia. O júri que vai escolher o trabalho vencedor é composto do presidente do Comitê Especial contra o Apartheid, do presidente do Conselho para Namíbia, do secretário geral assistente para o Centro contra o Apartheid e de representantes dos movimentos de liberação nacional da Namíbia e África do Sul.

OBRA FALSA- O colecionador de pintura Marcello Tello expôs no Museu de Arte Moderna de Bogotá uma obra falsificada do famoso pintor espanhol, Salvador Dali, segundo informou o jornal “El Tiempo”. A informação diz que a obra “Elefante Surrealista”, que esteve um mês em exposição como sendo obra original de Dali, é falsificada e seu autor é supostamente o espanhol Manuel Pujo.
A obra foi retirada porque não havia se apresentado nenhum comprador e as autoridades não sabem para onde foi levado o quadro falsificado de Dali.O dono da litografia “Elefante Surrealista” não consegue ser localizado em nenhum lugar, apesar dos esforços das autoridades interessadas em esclarecer as versões da imprensa disso o jornal.

GLORIA PECEGO - Que recentemente participou, em São Paulo, da mostra “Cem Anos de Escultura no Brasil”, no Museu de arte de São Paulo, nasceu no Rio de Janeiro em 1954. Licenciada em Artes Plásticas pela Faculdade Bennett, a artista logo em seguida partiu para a Europa, aperfeiçoando-se em Escultura na Áustria, Holanda e Paris.
A partir de 1970, começou a participar de salões de arte no Rio de janeiro, entre os quais o Salão Nacional de Belas Artes Plásticas da Polícia Militar do Rio de Janeiro (1979), nesse último conquistando o Prêmio Funarte, em 1976, fez sua primeira mostra individual, também no Rio, na extinta Galeria Maison des Arts, tendo exposto ainda em Rotferdã, Holanda; Vlaardingen, Holanda, e em São Paulo, na Galeria Seta, em 1981. Para Pietro Maria Bardi, Gloria Pecego “é artista que, depois de um período de severa expressão verista, andou optando pelas estruturas sintéticas, plasmando singulares formas em pedra-sabão, bronze e poliéster”.