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| O colecionador Domenico Gatto. |
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| Algumas obras de arte remanescentes da coleção do empresário e colecionador Domenico Gatto. |
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| A bela xilogravura feita por Calasans Neto para ilustrar o cardápio do Hotel Oxumaré. |
Este blog se propõe a divulgar o movimento de artes visuais na Bahia, no país, e o que acontecer de significativo no exterior.Também resgatará matérias e críticas que escrevi durante mais de três décadas. Espero contar com a participação de artistas, galeristas e promotores de eventos de artes visuais informando de exposições e outros eventos. Contato britoreynivaldo@gmail.com Se você quiser trocar sua foto por uma colorida é só enviar por e-mail.
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| O colecionador Domenico Gatto. |
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| Algumas obras de arte remanescentes da coleção do empresário e colecionador Domenico Gatto. |
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| A bela xilogravura feita por Calasans Neto para ilustrar o cardápio do Hotel Oxumaré. |
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| Wilson Besnosik, foto de Antônio Queirós. |
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| A poeta Myrian Fraga (1937-2016) pela lente de Wilson Besnosik. |
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| Foto do livro "Revelações do Tempo" |
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| Esta bela xilogravura mostra seu lado de artista plástico. |
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| Foto do Baixio, que Wilson tinha predileção por ela. Talvez pela natureza exuberante. |
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| Foto de MichaelJackson no Pelourinho. |
O jornalista José Bonfim escreveu um dia após seu falecimento: " Wilson Besnosik foi uma grande figura. Do tipo que vem ao Planeta e marca ponto, não passa em branco. Perfeccionista, ajudou muitos jornalistas a aprenderem ou aperfeiçoarem seu ofício, dando dicas, dando broncas, aplaudindo. Wilson morreu dia 6 de maio de 2007. Fiquei lembrando das tantas reportagens que fizemos juntos. Das viagens, dos prêmios. Lembro bem de três: sobre a agonia e morte de Irmã Dulce , o combate ao trabalho escravo em vários municípios baianos, o combate à exploração do trabalho infantil, na região do Sisal. Foram prêmios da ABI, do Banco do Brasil, da Visão Mundial e outros mais que comprovam a finitude da passagem do Besnosik pela Terra. 
Mandela na Bahia com baiana autêntica.
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| Wilson em ação com sua alegria inconfundível. |
Para finalizar, deixo aqui registrado o depoimento de sua filha Marina Besnosik , hoje mãe de dois meninos Felipe e Marcelo que reverberam a alegria e o carisma do "vovô anjo" como eles costumam chamar o Wilson. "Difícil é explicar com palavras o que você sabia fazer tão bem com as imagens... passar emoção! Você tinha uma sensibilidade única, que juntava o amor ao trabalho com uma criatividade peculiar. É pai ... o que a gente não podia prever é que o para sempre, sempre acaba. Mas, nada vai conseguir mudar o que ficou."
Galeria Cañizares completou cinquenta anos em novembro do ano passado, pois ela foi fundada em 1970 para ser um espaço de exposições da Escola de Belas Artes , da Universidade Federal da Bahia, durante o reitorado do professor Roberto Santos. Foi criada antes da transferência da Escola de Belas Artes, que funcionava na rua 28 de setembro, no Centro Histórico de Salvador, e veio ocupar o casarão onde até hoje se encontra na rua Araújo Pinho, 212. Na década de 70 o número era 15, no bairro do Canela. Na época era diretor da escola o professor Evandro Schneiter , e o nome Cañizares é uma homenagem ao fundador da Escola de Belas Artes ,em 1877, o mestre Miguel Navarro Y Cañizares. Ele era natural de Valencia,na Espanha, e aportou aqui não podendo seguir viagem para o Rio de Janeiro devido uma epidemia de peste .Ele foi convidado a dar aulas no Liceu de Artes e Ofícios. Depois se desentendeu com a direção da instituição, e junto com colegas e alunos criou a Academia de Belas Artes que funcionava em sua própria casa. Para isto É a galeria mais antiga em funcionamento em Salvador. Ocorre um fenômeno com as galerias de arte da Cidade . Muitas delas abrem e têm um breve período de funcionamento. Já inclusive escrevi alguns artigos sobre importantes galerias que foram responsáveis por grandes exposições e lançamentos de artistas, hoje, consagrados nos mercados de arte brasileiro e até internacional.
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| Miguel Navarro y Cañizares, auto-retrato de 1887. |
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| A diretora da EBA, professora Nanci Novaes |
Para o professor Juarez Paraíso "a Galeria Cañizares tem como principal objetivo proporcionar exposições de artistas profissionais , da arte moderna e pós-moderna , assim como da vanguarda local e nacional. Os melhores exemplos da produção artística comtemporânea é o que se busca apresentar à comunidade baiana em em particular, à comunidade universitária e aos alunos da Escola de Belas Artes. Também tem havido exposições em homenagem aos grandes mestres do passado, professores da Escola, assim como exposições de alunos concluintes , já em fase de franco amadurecimento artístico".
ALGUMAS EXPOSIÇÕES DA CAÑIZARES
RESGATE DA II BIENAL - 1968
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| A artista Carmen Carvalho com obra,2018. |
Centenas de alunos tiveram sensações semelhantes ao expor pela primeira vez numa galeria de arte, e ali seus trabalhos serem vistos e comentados por convidados, visitantes e professores. Uma sensação indescritível. Entre eles, o hoje consagrado artista plástico Zivé Giudice, experimentou esta sensação em novembro de 1976, quando fez sua primeira exposição numa galeria. No convite da mostra ele conversa com o professor Juarez Paraiso que lhe faz algumas colocações sobre a temática escolhida que foca na solidão e nas angústias do homem frente à sociedade competitiva que vivemos deste muito tempo. Zivé disse que através da pintura de algumas figuras isoladas apresenta a total impossibilidade de comunicação,e nas desintegradas procura mostrar a angústia em que muitos vivem. Quanto à escolha de uma cor para realizar seu trabalho disse que não é pensada, apenas intuitiva, emocional. A exposição ficou em cartaz de 19 a 30 de novembro de 1976.
"Durante o tempo que estive na Eba-Ufba , vi a Cañizares , através da sua atuação e articulação com alunos e professores , constribuir substancialmente com a formação de alunos. Salve o Galeria Cañizares nos seus 50 anos ! " Na foto: Oswaldo e Leonardo Alencar, pintores sergipanos; Ivo Vellame, o poeta Ildásio Tavares , Zivé e visitantes .
MÉDICOS PINTORES - 1978
Lembro que existia um movimento interessante de médicos que também gostavam de pintar. Eles organizaram várias exposições, e sempre era procurado por Affonso Roberto Martins Garrido, uma pessoa de temperamento afável que além de médico, pintava e gostava de frequentar as exposições da Cidade. Em 1978 eles fizeram uma exposição na Cañizares e uns alunos mais rebeldes não gostaram. Daí se vestiram de jalecos e com estetoscópios pendurados no pescoço fizeram um protesto no dia da exposição. Coisa de estudantes cheios de energia. Mas, devemos apoiar todos àqueles que pintam e gostam de arte, independente da profissão que exercem. Na época apoiei os estudantes na defesa do mercado. Acontece que a maioria dos médicos pintava por prazer, diletantismo, não queria se transformar em pintor profissional. Desses lembro apenas que Mirabeau Sampaio ( falecido) e César Romero pintavam profissionalmente.
Eu publiquei na coluna em 21 de outubro de 1978 o manifesto dos estudantes, e também divulguei a exposição dos médicos pintores e escultores .Vejam ai:
Abaixo os médicos que participaram da exposição que provocou o movimento de artistas e estudantes preocupados com o precário mercado de arte de então.
MÉDICOS PINTORES- na Galeria Cañizares estão expondo Affonso Roberto Martins Garrido, Artur Ventura de Matos, Carlos Gilberto Widmer, Carlos Lopes Bittencourt, César Romero, Dulce Serrano Schaeppi, Eduardo Araújo Filho, Fernando Fortuna Guimarães, Flanklin Witz Leite Neto, Geraldo Bastos Guimarães, Gilberto Apê, Gilberto Carvalhal ,França Gomes, Humberto R. V. Peixoto, Italvar Cruz Rios, Jaime Nunes da Silva, Jessé Acioly; José Mirabeau Sampaio, José Pedreira Carrera, José Stanchi Correia, Lourival Burgos Muccini, Nancy Carvalho Cruz, Nelson Hart Madureira, Osvaldo Leal e Rodolfo Dantas Júnior. Expondo esculturas: Luís Fernando Pinto e Luís Carlos Medrado Sampaio.

No verão do ano de 1986 Maria Adair decidiu trabalhar com um grupo de alunos da Escola de Belas Artes , tendo como proposta criar juntos preservando a individualidade e a independência de cada um dos participantes. Inicialmente, onze alunos da EBA, um de Arquitetura e outro de Física se apresentaram com vontade de pintar e desenhar. Mas, apenas cinco deles, conseguiram organizar um horário para entregar suas obras . Confessa Adair que "foi um trabalho gostoso e integrado de produção e companheirismo." Tinham encontros não apenas na EBA como também nas festas do Rio Vermelho,no Bonfim ou atrás do trio elétrico, e até na casa dela. Era pleno verão de 1986 e eles aproveitaram para fruir e receber inspiração da Cidade e de seu povo. O resultado foi uma exposição na Galeria Cañizares com a participação de pinturas e desenhos dos artistas Emília , Márcia Abreu, Paulo Carvalho, Hedi Lamar e Saulo. A exposição permaneceu aberta à visitação pública de 12 às 24 de março.
EXPOSIÇÃO DO BICENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO FRANCESA - 1980
CENTENÁRIO DE ALBERTO VALENÇA - 1991
A exposição contou com pinturas do acervo da EBA, do Museu Costa Pinto, do Museu de Arte da Bahia, e de colecionadores particulares. Um dos quadros que chamou sua atenção foi este ao lado de nome "Ladeira da Montanha", do acervo do Museu Costa Pinto .datado da década de 1910, onde se vê a lateral do Teatro São joão, destruído por incêndio em 1923".
1º LEILÃO DE ARTE DA ESCOLA DE BELAS ARTES DA UFBA - 1991
Veja as artistas das décadas de 40,50,60 e 70 que participaram da mostra Mulheres em Movimento 1 : ( De cima para baixo,da esquerda para a direita) Denise Pitágoras, Carmen Carvalho, Hilda Oliveira, Lizia Rocha,Edsoleda Santos,Terezinha Dumet,Norma Courp ,Malie Matsuda ( texto) ,Celia Azevedo, Ana Maria Vilar, Márcia Magno, Rosalice França, Grace Gradin, Iza Guimarães, Bernadete Campelo, Vera Lima, Margaritta Lamegho, Graça Ramos, Suza Machado ( revisora do texto),Célia Aguiar, Sônia Castro ,Lygia Sampaio, Maria Carrano, Iza Moniz, Lygia Milton, Haydée Valente, Mercedes Kruschewsky,. Artistas ausentes na foto: Maria Célia Calmon, Jacyra Oswald, Mariza Fernandes Correa, Adele Balazs, Dagmar Pessoa, Liana Bloise, Zelia Maria, Yedamaria, Ângela Cunha, Hilda Salomão, Liane Katsuky, Maria Adair , Sônia Rangel, Sofia Olszwski e Célia Gomes.
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| Obras vandalizadas de Chico Mazzoni, Paulo Rufino Mattos e Murilo além do pórtico de fixação de uma das obras .Vemos a de Leonel Mattos , ainda intacta nesta foto feita antes do vandalismo. |
Essas obras foram fixadas em 28 totens de madeira de autoria do arquiteto Adriano Mascarenhas. Decorridos 15 dias de inaugurado o projeto os trabalhos começaram a ser vandalizados , e ontem, Juarez Paraíso recebeu a notícia triste que várias dessas obras foram riscadas com um objeto cortante. Ele acrescentou que este vandalismo acontece em nossa Cidade por completa ausência de qualquer policiamento. É bom lembrar que o Quartel e a Escola da Polícia Militar ficam nas imediações do caminho onde as obras estão instaladas.
Juarez falou ainda que a situação é tão caótica com relação a segurança pública que agora quando algum órgão encomenda um busto ou uma estátua para ser colocado em praça pública ou numa avenida solicitam que não sejam feitos em bronze, que é muito mais duradouro e pujante, e sim em fibra de vidro porque os roubos são muitos desses monumentos.
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| Localizado num majestoso sítio, que é o Solar do Unhão, o MAM-Ba vem enfrentando uma série de crises e má gestões. |
Mais uma crise se abate sobre o Museu de Arte Moderna da Bahia, que está acéfalo sem direção. Uma série sucessivas de crises vem contribuindo para que esta relevante instituição e espaço para os artistas baianos venha perdendo sua importância. Tudo isto é resultado de uma política cultural retrógrada que se abateu sobre a Bahia nos últimos vinte anos. Lembro que numa determinada gestão sumiu o Livro de Tombo, onde deveriam estar registradas todas as obras do acervo; acabaram com o Centro de Cultura Popular, que funcionava num galpão do conjunto arquitetônico do Solar do Unhão, cujo acervo foi organizado por Lina Bo Bardi; noutra gestão nem papel tinha para fazer um ofício; o pier permaneceu interditado por anos; fecharam o restaurante; realizaram bailes carnavalescos em seu pátio e uma reforma do sistema elétrico levou anos,nem sei se já concluiram. Enfim, o Mam quase sempre foi e continua sendo maltratado por governos e gestores colocados lá politicamente. Não basta gostar de arte, ser artista , crítico de arte ou museólogo.É preciso saber se o diretor é um bom gestor, se tem capacidade de gerir, de atrair colaboradores e público com suas ações para inserir o museu envolvendo os artistas baianos.
A bela escada idealizada por Lina Bo Bardi
foi inspirada no carro de bois. Não tem
pregos, tudo é encaixado.
Antes o MAM-Bahia era vinculado diretamente à Fundação Cultural da Bahia. Hoje, juntamente com os demais 11 museus está vinculado ao IPAC , que não tem qualquer expertise como gestor ou coordenador de museus. Este órgão já mostra total incapacidade de cuidar do nosso Patrimônio Histórico ,Artístico e Cultural que está visivelmente caindo aos pedaços. Centenas de casarões do Centro Histórico e seu entorno estão em péssimas condições, e para complicar transferiram para o IPAC a coordenação dos museus.
O museu chegou a atrair quase 200 mil pessoas por ano para sua sala de cinema, sua galeria ao ar livre, além da galeria na capela e os dois salões principais. Era um museu-escola respeitável e ajudou na formação de muitos artistas que estão ai no mercado de arte. Mesmo antes de fechar suas oficinas já mostravam fraqueza por falta de gestão, incentivos e verbas. Mas, na verdade o museu nunca integrou e prestigiou os artistas baianos depois da sua primeira década de fundado. Sempre teve um olhar para fora e não conseguiu criar um pertencimento, uma relação forte com a grande maioria dos artistas baianos. Sempre pequenos grupos foram beneficiados e conduziram o seu destino ajudados por gestores incompetentes.
Fundado em 1960 pela arquiteta Lina Bo Bardi que a convite do então governador Juracy Magalhães foi convidada para criar um museu-escola, trazendo sua experiência após a construção do Museu de Arte Moderna de São Paulo, juntamente com seu esposo Pietro Maria Bardi.Inicialmente o museu foi instalado no foyer do Teatro Castro Alves , e já em 1963 foi definitivamente transferido para o conjunto arquitetônico do Solar do Unhão, datado do século XVIII. O casal tinha esta concepção de um museu escola em movimento dai a realização de cursos e estratégias para a construção de público e abrir o museu para a comunidade. Expõe na Exposição Nordeste no Ibirapuera, em São Paulo ,várias peças coletadas em várias regiões do Nordeste Brasileiro como em Pernambuco,Ceará, Bahia , dentre outros estados. Foi dai que surgiu a oportunidade dela vir criar o MAM aqui. Estas peças iriam participar de uma exposição numa feira de designe em Milão, na Itália, mas houveram uns contratempos e ficaram encaixotadas por anos no porão do MASP.
As Oficinas de arte sempre interrompidas.
Lembra o artista Justino Marinho que " a direção do MASP ,onde as peças estavam num porão , conseguiu que o Governo da Bahia através do Diretor da Fundação Cultural, Geraldo Machado trouxesse as peças. Durante muitos anos estas peças ficaram encaixotadas num depósito da entidade e muitas se perderam. A maioria foi restaurada pela museóloga Mary do Rio e estão expostas no Museu do Solar do Ferrão."
Peças de cerâmica nordestina. Ilustração do
Museu do Ferrão.A arquiteta italiana conseguiu imprimir muitas atividades e o MAM era realmente um centro vivo de cultura com várias exposições importantes e formando um acervo considerável com obras de grandes artistas. Ela inclusive fez algumas viagens ao interior do Nordeste documentando e adquirindo peças do artesanato popular que foram expostos em São Paulo durante a V Bienal Internacional . Depois as peças vieram para o MAM, e ela montou num galpão do mesmo conjunto arquitetônico o Centro de Cultura Popular com inúmeras peças utilitárias e até mesmo do vestuário nordestino coletadas nos anos 50 e 60. Sua origem foi a coleção de Martim Gonçalves, que dirigiu a Escola de Teatro da Ufba, e posteriormente ampliado por Lina . Com seu olhar atento ela conseguiu reunir um acervo considerável deste material com peças utilitárias e figurativas,carrancas,ex-votos,imaginária, esculturas em cerâmica, fifós, panelas de barro,brinquedos,dentre outros. Fez uma pesquisa de caráter etnográfico. No início deste ano as peças reapareceram, e estão agora em exposição permanente no Solar do Ferrão.Museu Escola Comunidade o seu programa cultural foi diversificado com cursos de artes plásticas, xilogravura , litogravura, serigrafia,escultura em madeira, cerâmica, na opinião de Juarez Paraíso. Os alunos tinham assistência individual sem interferir no criativo de cada um. De 1980 a 1988 segundo ele não houve até que chega a Solange Farkas, de São Paulo, e fecha as oficinas e acabou com o único salão de artes plásticas que tinha e que fora criado pelo ex-diretor Heitor Reis.
As oficinas voltaram tempos depois, porém nunca mais tiveram aquele caráter criativo e educativo , e não atriaram tantos talentos como na sua primeira fase. Hoje, estão fechadas como também o próprio museu.
MOVIMENTO
Pátio do Solar do Ferrão, usado para
apresentações musicais , teatrais e exposições
ao ar livre.Cheguei a enviar várias mensagens para os artistas baianos no sentido de nos movimentarmos com vistas a abertura e revitalização do Museu de Arte Moderna da Bahia . É inadmissível que o MAM fique fechado .Acho que tem que ser um movimento em prol do museu que vem sofrendo nas últimas décadas um esvaziamento e descaso do Governo. Este movimento deve ser apartidário, e o seu objetivo deveria ser o fortalecimento do MAM e a volta de suas oficinas, que tantos talentos incentivou.A pandemia não é motivo para esta leniência dos responsáveis pela produção das artes visuais em nosso Estado. Entendo que todos nós temos responsabilidades para com esta instituição e podemos através de ações , divulgação e critica a este descaso conseguir a sua abertura , e principalmente exigir a sua revitalização. Não adianta só abrir e ficar na letargia que vem há quase duas décadas.
As reações e respostas foram diversas. Uns alegaram a dificuldade de uma ação devido a pandemia, outros que tinham solicitações junto à Secretaria de Cultura e isto poderia prejudicá-los, outros que o museu sempre esteve distante dos artistas baianos e que beneficia apenas grupos específicos. Alguns mais afoitos falaram em ocupação . Enfim, a ideia está posta. Não quero liderar nada. Quero participar, ajudar . Falei que no primeiro momento criaríamos uma comissão e marcaríamos uma entrevista denunciando o absurdo; faríamos um documento assinado por um grande número de artistas , e a terceira etapa seria uma manifestação na frente do Solar do Unhão denunciando o descaso para com o MAM.