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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

DOIS FOTÓGRAFOS FOCADOS NA ÍNDIA

Este olhar enigmático captado por Armando nos impressiona
Estamos vivendo a época das selfs e de todo tipo de imagens, muitas delas desnecessárias onde as pessoas expõem suas vidas desmesuradamente nas redes sociais. Tem pessoas que colocam mais de uma dezena de fotos, quase na mesma pose ou cena. Esta superexposição é um espelho desta nova realidade.
Porém, ao lado deste quadro de milhões e milhões de imagens descartáveis, muitas das quais nunca serão impressas num papel fotográfico, estão os  profissionais da arte fotográfica com expertise para clicar com sua sensibilidade a alma das pessoas através um olhar,gesto ou  um movimento inesperado .Eles conseguem captar  com ajuda das suas lentes  além do real dos homens e mulheres, objetos e cenários que surgem em seus caminhos.
Duas mulheres ao encontro do Rio Ganges. Foto de Sinísia.
A fotografia é o documento vivo daquele momento que nunca mais acontecerá. É como a água do rio que segue o seu curso e  jamais será a mesma que passou por você num instante qualquer.
Muitas vezes estranhamos quando alguém nos mostra uma fotografia, mesmo a mais despretensiosa  e espontânea. Não aceitamos porque sempre tem um detalhe que a câmera captou e não gostamos. Quando acontece o contrário  achamos que saímos bonitos, ai salvamos a foto, e até a redistribuímos entre parentes, amigos e amores.
A exposição fotográfica Uma Índia , Dois Olhares que o casal Armando Correia Ribeiro e Sinísia Coni estão fazendo no Museu da Misericórdia, no centro da Cidade, até o dia 17 de dezembro,  é a celebração de um trabalho feito com carinho a quatro mãos.

IMPRESSÕES

A festa Holi (Primavera) com muito pó colorido em Mathura
captada por Armando
Conta Armando Correia Ribeiro que durante dois meses permaneceu na Índia com sua esposa Sinísia, também fotógrafa, especialmente na cidade de Mathura onde acontece todos os anos a tradicional festa Holi, quando os indianos festejam a chegada da Primavera. Eles saem às ruas portando vasilhames e saquinhos cheios de pós coloridos e também, com garrafas de água que atiçam nas pessoas. Todos são molhados e coloridos.
Para se proteger dos pós Sinísia colocou um xale cobrindo a cabeça e uma parte do rosto. Mas, de nada adiantou. Puxaram o xale e lançaram pó e água . Tudo isto é feito num ambiente de cordialidade e doçura.
Indiana imerge parte do seu corpo no sagrado Rio Ganges.
Foto de Sinísia
Os fotógrafos ficaram também impressionados com a religiosidade dos indianos e a capacidade de resiliência em  suportar a pobreza ,como se fosse um carma , na esperança de quando morrer alcançar o Reino dos Céus.
Também, a ligação deste povo com o Rio Ganges é um fenômeno impressionante porque mesmo poluído eles entram, se banham e lançam em suas águas diariamente cerca de 250 corpos, além dos que são cremados em grandes fogueiras em suas margens. Eles chegam conduzindo o corpo do parente ou amigo envolto em flores. Montam uma fogueira e ali tocam fogo e entoam suas preces e fazem meditações.
Na realidade o casal  já tinha informações sobre o que iria encontrar na Índia. Porém, mesmo assim foi uma viagem que marcou as suas vidas para sempre. Conta Sinísia que tinha tomado um barco para fotografar a cidade de Varanasi vista do Rio Ganges. Quando voltava e desceu do barco, algumas moedas que estavam em seu poder caíram no chão. Próximos a ela estavam alguns pedintes que ficaram parados, e um deles veio em sua direção e tocou-lhe levemente no braço apontando as moedas no chão. Se fosse aqui no Brasil será que deixariam a Sinísia ir embora ou avançariam nas moedas?

FOTOGRAFIAS

Armando e Sinísia
O casal de fotógrafos focou com o olhar e sentimento de cada um. Sinísia se fixou mais nas mulheres, nos gestos femininos, na relação delas com o Rio Ganges. Armando está expondo principalmente  algumas fotos de homens com seus olhares fixos e enigmáticos e cenas coletivas.
As imagens falam por si. Elas se bastam, e mesmo o poeta mais sensível seria incapaz de traduzir àqueles momentos mágicos vividos pelos fotógrafos diante desses homens e mulheres anônimos, e dos cenários deslumbrantes.
No catálogo da mostra o psicanalista Marcelo Veras escreveu: Uma Índia, Dois Olhares  "não deixa de ser um exercício de amor, ou seja, fazer surgir o Um onde há dois. A Índia os divide, a exposição os une".
Portanto, não deixe de visitar esta exposição, porque é também uma prova da individualidade  de cada olhar diante do que vemos e vivemos.



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

MARIA ADAIR PINTANDO PARA SUA MOSTRA DOS 80 ANOS

Maria Adair em seu atelier na mesa de trabalho, bairro da Graça
 Uma das mais produtivas e criativas artistas da Bahia completará  80 anos no próximo ano, e para celebrar esta data está trabalhando para realizar uma grande exposição que terá o título de "Cruzando Caminhos e Pontuando a Vida", na Galeria Paulo  Darzé, no Corredor da Vitória, Salvador, Bahia
Trata-se de Maria Adair, esta mulher de estatura baixa e que tem uma força criativa indiscutivelmente desproporcional à sua massa corporal. 
Ela guarda a primeira tela que pintou
da fazenda de seus pais em Itiruçu, Bahia
Conheço Maria Adair há muitos anos e sempre foi assim quase elétrica correndo de um lado pra outro descobrindo novos suportes para expressar a sua arte. Quase tudo lhe serve de suporte. Um pato de cerâmica encontrado em Maragogipinho, um aviãozinho ou helicóptero artesanal, cadeiras, bancos, copos, jarras, talheres, mesas, etc. Enfim, ela lança mão dos mais variados e díspares objetos para transformá-los em arte. 
Sua pintura tem uma identidade própria com suas linhas que se cruzam e se lançam ao infinito. Assim ela está trabalhando freneticamente e todas as pinturas e objetos serão inéditos. Portanto, não se trata de uma retrospectiva, como é padrão entre os artistas que celebram datas especiais. 
Esta tela fará parte de sua exposição dos 80 anos
Na entrevista que me concedeu em seu atelier no bairro da Graça, justificou dizendo que seria muito trabalhoso uma retrospectiva com obras de todas suas fases porque existem trabalhos espalhados em vários estados e no exterior. Por isto ,decidiu  pintar agora todas as obras . É um trabalho de fôlego porque muitas das telas tem 1 m x 1,30 m e até de 1,10 x 1,50 m. Pretende expor oitenta trabalhos.
Esta mostra terá duas séries: Cruzando Caminhos e Pontuando a Vida 
Disse a artista que "os trabalhos não tem nada de realista. São linhas e pontos que se cruzam e se lançam ao infinito. Os pontos ela  representará em 80 cubos de madeira pintados e nas telas está pensando em colocar nomes dos locais por onde passou desde Itiruçu.Vi nestas novas obras de Maria Adair a presença de aplicações de folhas de ouro, prata e de outros metais os quais proporcionam um up ground perceptivo.
Obra Procissão de Nossa
Senhora da Conceição
da Praia
                      TRAJETÓRIA

Nascida na cidade de Itiruçu Maria Adair veio pra Salvador e aqui estudou na Escola de Belas Artes, sendo depois professora e orientadora de vários artistas iniciantes. Tem um temperamento surpreendente porque gosta de conversar, e de repente faz indagações ou questionamentos que se o interlocutor não estiver preparado e  desinibido vai calar de vez. Durante a entrevista se comportou assim em alguns momentos. Como já conheço a Adair fui levando a conversa colocando outra pergunta, mesmo que parecesse inadequada para aquele instante, mas funcionou como um ponto de seguimento.

Obra Dois de Julho no
Centro Histórico

Ela conta que em 2007 fez uma exposição com obras da sua fase Orgânica no Centro Cultural dos Correios, que fica no Terreiro de Jesus, Salvador, Bahia. Esta mostra ocupou os três pavimentos do imóvel.
Depois vieram outras fases como a Viva o Risco, O Espaço Urbano .Viajou por vários países como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Itália, França, Marrocos e Grécia , e dai a surge a  fase Caminhos Cruzados numa clara referência às suas andanças. Nestes países pintou por lá telas e também objetos que encontrou.

                                              SEU MUNDO

Este trabalho é da fase Espaço Urbano

A artista mora numa casa na rua Djalma Ramos que é  enladeirada e fica no bairro da Graça. Tive alguma dificuldade em encontrar porque além de estreita o volume de carros estacionados nestas ruas da Graça é realmente assustador. Ao entrar a gente se depara com um mundo fantástico e agradável repleto de objetos de arte por todos os espaços. Um verdadeiro bazar de arte onde você encontra copos, jarras, cadeiras, bastões, panelas, patos de cerâmica ,cacos de porcelanas, cadeiras, mesas, bancos. São quatro pisos e todos completamente repletos de obras de arte, inclusive nos quartos onde mora com seus filhos. 
Obra Doce de Banana de Rodinha , do
Universo Amado
Confesso que senti  mais calma em relação à última conversa que tive há alguns anos atrás. Olhei a janela e vi que os vidros também viraram suportes para sua arte. Ela tinha riscado os desenhos  e mandado jatear . Ao abrir a janela apareceu o céu. Brincando eu lhe disse: Aqui só falta você pintar o céu. Ela riu. Mas, se tivesse um jeito certamente pintava um pedacinho .
Na mostra intitulada O Universo Amado que fez juntamente com Eliana Kertész , no Palácio das Artes, o crítico Marcos de Lontra Costa escreveu : "Ela é uma artista das telas, mas também a artista dos pratos, dos cacos, das farras, das garrafas, das cerdas e das pedras, de todas as coisas que a Terra põe à disposição da mão humana e que Maria com sofreguidão cria e recria como se sua vida fosse regida pelo compromisso de Labão nas palavras de Camões: Para tão grande amor, tão curta é a vida". 



domingo, 15 de outubro de 2017

MORRE O ARTISTA JOÃOZITO

O artista Joãozito trabalhando em seu atelier
Faleceu hoje, dia 15, o artista Joãozito Pereira, casado com a artista Lanussi Pascoali. Era conhecido simplesmente por Joãozito, e sua morte ocorre aos 51 anos de idade, vítima de um câncer. Conheci o artista em novembro de 1990, conforme registro abaixo em minha Coluna Artes Visuais, quando divulguei a sua exposição.
Ele me procurou na redação do jornal e lá conversamos um pouco sobre os trabalhos que ia expor. Estudou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia .
De lá para cá tive pouco contato com o artista , mas acompanhei de longe seu caminho construindo sua trajetória artística, e infelizmente agora recebo a notícia do seu falecimento.
Tenho conhecimento de que
Obra da série Cabeças do artista Joãozito
participara de uma bienal que era realizada ai no Recôncavo.Fez um trabalho de ocupação artística em casarões que ficam atrás da igreja da Misericórdia. Foi um dos idealizadores da Feira Pedra Papel e Tesouro, e também da exposição Cabeças .
Joãozito fez várias ilustrações para eventos e também gostava de tocar guitarra. Um de seus amigos o  definiu como  um "rebelde,visionário e alegre".
Fez muitos trabalhos de cenografia e realizou sua primeira mostra em 1988 sob o título "encontros com Da Vinci".
Pesquisando hoje, dia 16, sobre a obra de Joãozito fiquei sabendo que pautava sua produção por pintar pessoas marginalizadas e figuras insólitas. Sempre buscando pautar sua produção artística por sair do estereótipos.
Sua obra vai ficar ai eternizada e as boias lembranças que o artista deixa como legado para seus familiares e amigos.
( Fotos Google )





























segunda-feira, 2 de outubro de 2017

TRÊS MOSTRAS SINGELAS E PALESTRA NO MAM-BA

Sabemos que os nossos museus e outras casas de cultura da Bahia a exemplo da Biblioteca Central  estão vivendo à míngua. Não existe uma preocupação do governo em estimular e apoiar a cultura, e o turismo a ponto do Centro de Convenções desabar por falta de manutenção. e o nosso Centro Histórico estar às moscas.
Mesmo assim, alguns dos dirigentes destas instituições fazem um esforço tremendo para apresentar alguma programação.É o caso do Museu de Arte Moderna ,que funciona no combalido Solar do Unhão, que está apresentando três singelas mostras.  
Lá já funcionou um bom restaurante , inclusive era mais um atrativo para que o MAM fosse visitado. O restaurante fechou .Quando estive no ano passado por lá já havia outro inquilino cuidando do restaurante, só que bem mais simples. Agora, não existe mais nada ,nem pra você tomar uma água. O pier de atracação está sem piso.O equipamento  era usado por turistas que ali embarcavam e desembarcavam para navegar pela Baia de Todos os Santos em seus passeios programados . Uma lástima. 
Basta dizer que os museus baianos são subordinados ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - IPAC  ao invés de serem vinculados à Fundação Cultural, e esta mudança foi promovida  por Paulo Souto pouco antes dos petistas assumirem o governo. Piorou.Esta relação é sempre distante e às vezes até conflituosa. 
Agora foi substituído  o Secretário da Cultura. Trocaram seis por meia dúzia. Nada de importante vai acontecer.
No alto à esquerda  pintura em acrílico sobre tela , sem título, de autoria de Davi Caramelo.


AS EXPOSIÇÕES

Voltando ao MAM-Ba uma das exposições ocupa a capela, composta de obras de alunos e professores da Escola de Belas Artes da Ufba. Intitulada de Mostra Gráfica 3  apresenta  muitos trabalhos  produzidos por alunos que dão seus primeiros passos. Encontrei alguns trabalhos interessantes ,outros nem tanto, mas, compreendo porque eles estão na fase de aprendizado e aprimoramento . Isto é muito importante.
Esta aproximação das Oficinas do MAM com a Escola de Belas Artes é positiva  e vem reforçar o movimento da gravura na Bahia, que já foi um dos mais importantes do país.Ao lado obra de Patricia Martins "Com quantas queixas perco o seu retrato".
Obra de Fábio Magalhães " Dos
lugares que me Prendem
".Óleo
sobre tela.

Já  no salão principal estão expostos telas e objetos produzidos por  artistas da nova geração. Chamada de Pertencentes. Informam os organizadores que esta mostra " inicia um processo de pensar que lugar é este a que chamamos de Estado Bienal". Dizem ainda que "outros artistas serão convidados a dialogar com o objetivo de pensar o museu e aproximá-lo dos artistas e das comunidades".
À esquerda detalhe da obra de Vinicius SA "Sorria você está sendo filmado",composta de pequenas lâmpadas que lembram olhos.

Esta terceira mostra está no galpão . Intitulada "Da razão ao Informalismo".São telas  do acervo onde estão obras de Caetano Dias, Almandrade, Fernando Coelho,Florival Oliveira, dentre outras. Acho interessante também que estas obras do acervo sejam retiradas da reserva técnica e mostradas de tempos em tempos ao público, assim vão contribuindo de certa forma para maior conhecimento do que existe .
Foto de Acácia Novaes
Este esforço que vemos não apenas no MAM como também no Palacete das Artes, Museu de Arte da Bahia e no Museu Costa Pinto dentre outros, é uma demonstração que seus gestores querem trabalhar e precisam urgente de apoio financeiro. Sem dinheiro não se faz quase nada a não ser singelas ações 
para que as traças e as aranhas não tomem conta dos espaços.
À esquerda visitantes observam a obra de Caetano Dias.


PALESTRA
Foi cancelada a palestra de Paulo Herkenhoff , depois de ser adiada. Segundo o Mam-Ba informa o cancelamento é por problemas pessoais do convidado.

Ainda dentro deste esforço do MAM-BA de realizar eventos culturais ligados à sua identidade será feita  uma palesta no próximo dia 13, às 15 horas , pelo conceituado crítico de arte e curador Paulo Herkenhoff .
Ele vem a convite do artista e diretor do MAM-Ba Zivé Giudice, e sua fala será  no Casarão do Solar do Unhão, quando abordará o tema "O Estado Bienal', onde fará uma reflexão sobre a arte, polÍticas culturais , e a cidade onde o museu está inserido. 






quinta-feira, 28 de setembro de 2017

MUSEUS BAIANOS RELEGADOS PELO GOVERNO

Veja o perigo deste barracão de materiais velhos dentro
da área do Conjunto do Solar do Unhão.
Estive visitando o conjunto arquitetônico do Solar do Unhão, equipamento belíssimo onde está instalado o Museu de Arte Moderna  da Bahia. Ai já encontrei um contraste gritante de um museu que se propõe a expor a arte moderna e contemporânea localizado num conjunto arquitetônico colonial à beira da Baía de Todos os Santos. Suas obras, por mais que estejam guardadas numa sala especial e climatizada, vão sofrer com o salitre  que é prejudicial e vai diminuir a vida útil das obras.
O pior é que o conjunto necessita de obras urgentes como a implantação de central elétrica e outros equipamentos para que o museu possa minimamente funcionar. O MAM-Ba precisa de uma sede moderna e de fácil acesso para os visitantes.
A situação de penúria do MAM-Ba é tamanha que não existe dinheiro para tocar as suas oficinas , tão importantes para movimentar o museu e incrementar a arte entre a sociedade. O esforço que os diretores do MAM-Ba, do Museu Palacete das Artes, Museu Costa Pinto  e do Museu de Arte da Bahia , dentre outros desprendem  é imensurável, mas frustante porque por mais disposição e ideias que tenham seus diretores não dispõem de  recursos para tocarem suas gestões. Os eventos são singelos porque sem dinheiro quase nada se faz. Estão tirando leite de pedra, como se diz no popular.
Estive há mais de um ano atrás e reclamei que o pier do MAM-Ba havia desabado. Hoje acrescento   que dois barracões horrorosos de obras paralisadas estão interferindo na visão daquele conjunto arquitetônico, inclusive colocando em perigo devido a presença de tábuas velhas e outros materiais de fácil combustão.
Colocaram na Secretaria de Cultura, um professor que nunca foi gestor de nada, e que não tem a expertise de dirigir coisa nenhuma. Hoje, saiu uma noticia de que teria pedido demissão. Tomara que seja verdade , porque também vem demonstrando total falta de prestígio para conseguir recursos para sua pasta. 
Não se pode dirigir uma Secretaria de Cultura como fosse uma sala de aula , focado apenas em editais para privilegiar cantores de pagode e axé em detrimento de manifestações de outros segmentos. 
Tudo que diz respeito a turismo e cultura na Bahia estão praticamente abandonados, porque este governo que ai está certamente não entende nada desses assuntos e acha irrelevantes. A Bahia deu muitos passos atrás no cenário local e nacional no que diz respeito a sua imagem de uma terra que recebe muitos turistas e que tem uma cultura rica e forte.Até estas qualidades conseguiram estragar.

domingo, 3 de setembro de 2017

EDMUNDO SIMAS É SEPULTADO

Foto recente de Edmundo Simas
no espaço de Leonel Mattos
Uma notícia triste. Foi sepultado  hoje pela manhã no cemitério de Brotas o artista Edmundo Simas, conhecido por Super Boy, que sempre estava circulando pelo centro histórico mantendo contatos com seus colegas de profissão daquela área. Era um artista talentoso e tinha uma facilidade enorme em desenhar , especialmente os heróis de Histórias em Quadrinhos. Com seu jeito extrovertido o Super Boy provocava alegria com suas tiradas desconcertantes e certeiras.
Seu nome completo era Edmundo Luiz da Silva Simas,nasceu Ubaitaba vindo depois pra Salvador no ano 1941,também chegou a morar em São Paulo.
Obra que atesta o talento
do Edmundo Simas
Conheci o artista  nos anos 70, na Galeria Rag, que ficava no bairro da Boca do Rio e  reunia muitos desses artistas que não tinham muitas oportunidades e até guarida em outras galerias. Esta galeria pertencia a uma figura inesquecível que chegou a Salvador vindo da cidade de Valença, e aqui se entusiasmou pelas artes plásticas, acumulando um imenso acervo. Gostaria de saber qual o destino que foi dado a tantas obras que ele guardava em sua galeria. 
Foi ali que Simas realizou uma exposição em 1976. Consta que antes  fez duas exposições na Biblioteca Pública  em 1969 e 1971.Participou de outras mostras coletivas e até de salões.Seu forte era desenhar figuras populares, orixás  e heróis em quadrinhos, inclusive chegou até a publicar o seu livro Espadachim. Seus heróis traziam a marca da tradição.Era amigos do pessoal do Grupo Novos Baianos e  participou  do filme.
Segundo seu colega e agitador cultural  Leonel Mattos - um artista compulsivo que desenhava onde estivesse.Não usava o azul em suas pinturas,dizia que vermelho era vida, o preto  sombra e o amarelo  a luz." Recentemente Edmundo , de camisa amarela,  e seu amigo Kahan, que aparecem na foto de mãos dadas ,  pintaram duas  portas de um velho casarão no Pelourinho  fechadas com  tijolos pelas autoridades encarregadas do patrimônio histórico.
Edmundo Simas vinha enfrentando um câncer muito agressivo, o qual terminou tirando sua vida na quinta-feira passada.Mesmo doente ainda continuava fazendo seus desenhos com certa dificuldade até que faleceu.


HOMENAGEM MERECIDA A MATILDE MATOS

Uma das grandes damas das artes
visuais em nossa Bahia
Fiquei contente quando recebi uma mensagem pelas redes sociais de Leonel Mattos que estaria sendo organizada uma homenagem a Matilde Matos, esta grande dama, que sempre prestigiou e enalteceu as artes plásticas e os artistas baianos. Foi ela que verbalizou em 1974 aquele projeto do Etsedron que tinha à frente o artista Edison da Luz e seus companheiros. Este projeto foi muito elogiado , destaque nas artes plásticas em todo o país e participou da Bienal Nacional de São Paulo onde recebeu o Grande Prêmio, sendo que o grupo acabou em 1979.
Matilde também sempre se destacou como uma crítica de qualidade, com seus textos  cheios de sabedoria e conhecimento. Quando falo em críticos me vem à mente Herbert Magalhães, além de Wilson Rocha e seu irmão Carlos Eduardo da Rocha e também, meu querido amigo Ivo Vellame, Aldo Tripodi  que se foram. Não lembro de terem feito homenagens quando estavam vivos pelo trabalho inesquecível que desempenharam e ajudaram a muitos artistas.
 Por isto, sou a favor e defendo que a gente deve homenagear as pessoas que merecem em vida, para que elas possam usufruir deste reconhecimento, que é verdadeiro e  importante .
Infelizmente, não fui ainda visitar a exposição porque estava fora, mas irei com muito prazer o mais breve possível.Para observar e usufruir também desta homenagem a Matilde Matos, que está no espaço  Leonel Mattos, no Shopping Salvador. 
A exposição tem o nome de 90 olhares  para Matilde, em comemoração aos seus 90 anos de idade completados em maio passado. Composta de 90 trabalhos nas diversas plataformas como pinturas, esculturas ,cerâmica,gravuras ,desenhos e outras que estão sendo comercializados a preços especiais ,cujo resultado será destinado à própria homenageada. A exposição conta com obras dos mais consagrados e importantes artistas baianos, principalmente os que ainda estão em atividade em nosso Estado.
Na realidade desde a década de 50 que Matilde Matos com seu jeito acolhedor sempre esteve à disposição dos artistas para opinar e até mesmo orientá-los sobre suas obras .Acompanhava de perto a produção das artes visuais não somente na Bahia, mas sempre antenada com o que era produzido no Brasil e fora de nossas fronteiras..
 A Homenageada
A crítica Matilde Augusta de Matos, é natural de Caicó, no Rio Grande do Norte, onde nasceu em 1927. Chega à Bahia em 1933, depois de morar no sertão baiano, exatamente na bela Serrinha e depois na Princesa do Sertão, a nossa vizinha Feira de Santana , para finalmente em 1943 fixar residência em Salvador.
Ela tem uma vasta obra de apresentações em catálogos,livros publicados e recentemente teve uma atitude digna de registro que foi a doação de 80 obras de sua coleção para o Estado da Bahia, as quais estão no acervo do Palacete das Artes, no bairro da Graça. Este gesto é mais uma demonstração do espírito aberto de Matilde Matos. 
Uma imagem da presença de artistas e convidados na abertura da mostra em homenagem a Matilde

Os Artistas
Estão participando da homenagem à Matilde Matos os artistas: Adenise Romana, Albina Sampaio, Álvaro Machado, André Dragão, André Fonseca, André Viana, Antônio Leal, Arthur Fraga, Ayrson Heráclito, Bel Borba, Bruno Ribeiro, Célia Mallett, César Romero, Chico Mazzoni, Darlene Bezerra, Davi Caramelo, David Glat,Diego Cardoso, Ducca Rios, Dulce Cardoso, Edison da Luz, Elenilson Café, Eliezer Nobre, Enock B. Silva, Fernando Freitas Pinto, Fernando Oberlaender, Filinto do Carmo, Gabriel Passos, Gabriela Joau, Giovana Dantas, Graça Ramos, Guache Marques, Gustavo Moreno, Hilda Salomão, Inda Brandão, Inês Vitória, Isa Oliveira, Isabel Gouveia, Jacira Gabriel,J. Cunha, José Henrique Barreto, Joselita Borges, Juarez Paraíso, Juraci Dórea, Justino Marinho, Kithi, Leonel Mattos, Lidia Sepúlveda, Ligia Aguiar, Lilian Moraes, Linda Cortes, Luiz Cláudio Campos, Márcia Magno, Marcos Buarque, Marcus Schaaf, Maria Luedy,Maria Nazaré Santos, Marizia, Maurício Calabrich, Maurício Requião, Mili Genestreti, Miriam Belo, Moema Gusmão, Murilo, Neide Cortizo, Neidja Bombola, Palmiro, Paulo Melo, Pedro Arcanjo, Quaresma, Raimundo Mudin, Ramon Rá, Ricardo Franco, Ricardo Sena, Rina Dalenca,Rodrigo Seixas,Roger Hale,Ruy Carvalho, Ruy Garcez, Sérgio D'Almeida, Sérgio Rabinovitz,  Silvério, Tereza Mazzoli, Valéria Simões,Viga Gordilho, Waldo Robatto, Wilson Bernardo e Yuri Ferraz.