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sábado, 29 de março de 2025

DULCE CARDOSO FAZ A INTEGRAÇÃO DA CERÂMICA , VIDRO E PINTURA

Dulce Cardoso molda em argila
imagem de um santo .
Estou diante de uma artista com oitenta e dois anos de idade que transparece uma vitalidade impressionante. Ela faz a integração da cerâmica,vidro e a pintura. Para isto Dulce Cardoso vaza a cerâmica para encaixar a peça de vidro numa combinação perfeita. Mantém em sua residência o atelier com oficinas e espaço cultural onde tem mostra permanente de seus trabalhos na Rua Agnelo Brito, no bairro da Federação, em Salvador. Ela fala fluentemente e rapidamente de suas atividades na arte da cerâmica e vive sempre procurando soluções e outras formas de realizar a sua obra. Foi logo me dizendo que “o tamanho do forno não deve ser o limite para o ceramista”. Isto mostra que Dulce Cardoso gosta de desafios, e se o forno é pequeno para a obra que imaginou ou pretende um colecionador, arquiteto, decorador ela vai encontrar a solução. É uma das mais requisitadas ceramistas por arquitetos como o David Bastos, Celeste Leão, André Sá e Milena Sá e também decoradores para complementarem com suas obras em cerâmica ou vidro conjugados os seus projetos para edifícios e  residências.
Mostrou que é capaz de fazer peças de mais de dois  metros graças a soluções que encontrou, como por exemplo, fazer por etapas, e através de encaixes justos montar a peça. Quando indaguei sobre se esses encaixes não poderiam desequilibrar a peça ela simplesmente respondeu que não acontece porque constrói uma base adequada à peça e os encaixes têm que ser muito precisos, não deixando folgas. 
Como escreveu seu amigo Aldo Tripodi “ao longo dos anos alia o domínio técnico com a invenção artística e cria uma poética particular”. Já vi muitas peças feitas por ceramistas famosos e não vi entre as dezenas de peças nas prateleiras e mesas do seu atelier, e nem mesmo nas fotos que manuseei, algo que parecesse com alguma cerâmica conhecida. Tudo tem a marca desta mulher magra, de aparência frágil, mas na verdade é uma artista forte e vibrante que manuseia a argila desde 1984. Além de ceramista ainda mantém um gosto requintado pela culinária, e que divide com sua clientela através do sistema delivery do Temperos do Atelier. Entre seus pratos apreciados está a maniçoba que já foi alvo até de um texto de Helô Sampaio no seu livro de receitas. Fiquei sabendo também que alguns jornalistas e amigos, inclusive o saudoso Silva Filho, juntamente com Helô gostavam de apreciar in loco sua maniçoba e outros pratos.

Tres peças com  flores estilizadas.
Atualmente vem criando peças originais unindo o vidro à cerâmica num trabalho minucioso e cuidadoso por serem materiais que tem a queima em temperaturas diferentes e requerem tratamentos diferenciados. Mas, essas características mexem com a vontade hercúlea desta mulher em criar e enfrentar novos desafios. Dulce Cardoso mostra que adora desafios e sua cabeça não para de imaginar coisas e soluções para esta arte milenar, que existe desde as primeiras civilizações habitaram este Planeta. Primeiro fabricaram os objetos utilitários como panelas e potes. No Brasil lembramos de pronto da cerâmica marajoara produzida por povos indígenas que habitavam a Ilha de Marajó, no Pará, entre os anos 400 e 1400 d.C. Na Bahia de Maragogipinho, onde anualmente é montada uma feira e os oleiros expõem os objetos que fabricam de barro. Eles têm uma forma peculiar de ornamentar as suas peças com arabescos que vêm de muitas gerações, usando a tabatinga, tinta tradicional obtida através de utilização de pigmentos retirados da terra. A palavra Tauá é de origem indígena e significa "barro vermelho" em tupi Aqui na Bahia, em Maragojipinho,  esta tradição está sendo ameaçada com a utilização de tintas industriais principalmente de PVC. Ela lamenta e recomenda que os artesãos de Maragogipinho e outros lugares "continuem a utilizar as tintas tradicionais, ficam bem mais autênticas as peças, também devem evitar copiar peças de fora". É uma profissional ágil, mas exigente com o resultado de sua produção e uma defensora da cerâmica tradicional. "Nós ceramistas que trabalhamos com a cerâmica artística usamos as tintas minerais para colorir nossas peças."

                                                     QUEM É

Variedade de peças com  formas originais.
Ela disse que  peixes são fáceis de estilizar.
A Maria Dulce Cardoso Cardoso é natural de Conceição de Feira, onde nasceu em dez de maio de 1942. Filha do fazendeiro  Epaminondas Mascarenhas Cardoso e Avany Barreiros Cardoso. Seu pai foi um dos pioneiros na criação do polo de avicultura no município e também contribuiu para o fortalecimento da bacia leiteira com a introdução de matrizes de alta performance.  Portanto, sua infância  “foi maravilhosa fazendo pequenas cacimbas, brincando com os bezerros, cozinhando e outras brincadeiras comuns entre as crianças do interior deste país". Disse que  tem quatro irmãos e que sempre iam para a feira local, e no açougue, seu pai tinha uma banca de comercializar carnes, pegavam um pedaço de carne e iam fazer suas paneladas. Lembra que achava o máximo sair com a carne nas mãos presa por uma pindoba. Para quem não é do interior a pindoba é uma palha do ouricurizeiro, palmeira nativa do sertão. Logo que ela lembrou da carne presa numa pindoba me veio à mente rins de ovinos que eram também presos numa pindoba que eu e meus amigos na juventude compravámos para fazer tira-gosto nas nossas farras. Estudou no Grupo Escolar Hermilo Cardozo e banca à tarde com a professora Zelita. Veio fazer o Admissão no Colégio Nossa Senhora das Mercês, localizado na Avenida Sete de Setembro, em Salvador, e ocorreu um episódio que lhe marcou. Fez uma prova de Matemática, com prova oral e escrita, e por poucos décimos a professora lhe reprovou. Seu pai ficou chateado e tirou das Mercês, e a matriculou no Colégio Dois de Julho, no bairro Fazenda Garcia. Ela tinha pouco mais de treze anos de idade, e disse que esta troca de colégios resultou numa completa mudança de ambiente e metodologia. Aí terminou o ginásio e em seguida foi fazer o Curso Pedagógico no Colégio Nossa Senhora da Salete, no bairro dos Barris. Chegou a ensinar no Curso primário numa escola municipal, mas finalmente optou por ir trabalhar com seu esposo Aroldo Cardoso na empresa de refrigeração que criou especializada em projetos e montagens de câmaras frigoríficas, e atualamente é uma empresa patrimonial. Ela passou a trabalhar na parte administrativa. Seu objetivo era fazer Arquitetura e sua mãe a incentivava, mas não levou a ideia adiante. Foi quando teve o primeiro contato com a cerâmica através um curso com o grande ceramista ucraniano Udo Knoff,
Na Foto 1. Vemos o painel que fez com Sante
Scaldaferri para a Secretaria da Indústria.
Foto 2. Painel do Centro de Convenções .
Sabemos que o Centro desabou, e não se
sabe do destino do painel de 32 m2.

na Escola de Belas Artes que ainda funcionava na Rua 28 de Setembro, no Centro Histórico. Levou pouco tempo no curso. “Conheci um pouco, mas não firmei nada”. Certo dia minha avó foi fazer uma exposição de flores naturais através o Instituto Mauá e precisava de uns jarros de barro para colocar suas flores. Então em fui à Feira de São Joaquim e lá por acaso me encontrei com o mestre Vitorino, que é um dos pioneiros da cerâmica de Maragogipinho, e tinha uma barraca de vender produtos de cerâmica. Eu já o conhecia porque ele trabalhou aqui em casa levantando uma parede revestida de cerâmica de Maragojipinho. Foi quando me convidou para comparecer a um curso de torno que ia fazer no Museu de Arte Moderna, nas Oficinas do MAM, que na época eram dirigidas por Juarez Paraíso.  Foi ao curso e conseguiu fazer uma peça no torno, centralizando bem o barro. Muitos alunos colocaram as peças no torno e ao girar caiam longe. Na sua ida ao MAM ficou também sabendo que a professora Bethânia Vargas, já falecida, ia dar um curso de cerâmica. Ela se inscreveu e participou do curso. Lá conheceu alguns artistas como Reinaldo Eckenberger e Ramiro Bernabó . Fez umas máscaras para serem expostas juntamente com outras peças dos alunos do curso. Lembra que roubaram uma das máscaras e que nunca mais encontrou. Ela disse que pintou as máscaras com uns pigmentos minerais e quando foram pro forno a tinta soltou toda. Fui pesquisar e fiquei sabendo que antes tinha de agregar os corantes à argila líquida que chamam de barbotina. Então ela preparou e deu tudo certo.

Dulce tem satisfação em repassar para
 interessados  sua arte milenar .
Durante algum tempo um jovem chamado de Josemar, que é de Maragogipinho, trabalhou com Dulce Cardoso em seu atelier  e aprendeu a fazer vários trabalhos diferenciados. “Incentivei ele a usar as tintas tradicionais dos oleiros de lá para manter a autenticidade como o engobe.” Os engobes cerâmicos são obtidos pelas misturas de argilas, feitos de pigmentos inorgânicos e podem ser fornecidos em pó ou empastados à base de água e outros aditivos que são aplicados à superfície de peças cerâmicas antes ou depois da primeira queima de 600 a 700 graus, que são consideradas queimas baixas. Eles têm uma função estética e funcional dando um conforto de cor e textura, além de melhorar a aderência e impermeabilização. Já existem engobes para baixa e alta temperaturas.

No seu atelier encontramos muitas peças
prontas e outras para finalizar.
Para as pessoas que não conhecem a cerâmica de Maragogipinho, vale a pena visitar. É um distrito da cidade baiana de Aratuípe, fica no Baixo Sul, da Bahia. Dista 227 Km de Salvador e tem uma tradicional produção ceramista. São quase uma centena de olarias que vem passando de geração à geração há cerca de trezentos anos. Podemos ver as cerâmicas de lá em três categorias: religiosas que apresentam objetos sacros como santos da igreja católica e as quartinhas, talhas e porrões do candomblé; as decorativas como o boi-bilha, baianas, porco-cofre, vasos e luminárias; as utilitárias: porta-incenso, gameleiras, travessas, panelas, moringas, potes, entre outras.

Voltando a Dulce Cardoso na sua busca sempre por aprender foi  participar de um curso com o professor Jorge Fernandez  Chiti ,em Buenos Aires e lá recebeu uma apostilha e conseguiu traduzir do espanhol para o português com a ajuda de um dicionário . Confessou que os ensinamentos do mestre argentino são úteis até hoje no seu trabalho de ceramista. Ele tem vários livros publicados e disponíveis na Amazon. Esteve no Congresso organizado pela Revista Mãos na Massa, do  Pascoal Gerdulo, que é o maior fornecedor de argila para ceramistas de todo o país. E de lá foi para o interior de São Paulo para ver o trabalho do artista uruguaio  Angel Roberto Bonino (1932-2008), que tinha um atelier onde trabalhava com vidro ,era um famoso mestre vidraceiro. Fizeram amizade , ela e o esposo Aroldo Cardoso com o Bonino, que lhes passou as informações necessárias para a construção de um forno próprio para o vidro. Hoje ela está integrando o vidro com a sua cerâmica e resulta em peças muito personalizadas, estilosas e criativas. O seu esposo a princípio relutou em construir o forno para vidro, porque sua especialidade é projetos de câmaras frigoríficas e argumentou “que os princípios são bem diferentes”. Mas, construiu primeiro um forno a gás e depois o de vidro. Dulce vem trabalhando cada a vez com mais habilidade nesta integração do vidro com a cerâmica.

                                                                    REFERÊNCIAS

Três pratos personalizados e escultura
modulada para jardim.
Aldo Tripodi - Uma Poética do Barro - A obra de Dulce Cardoso considerada em sua totalidade, reflete uma coerência estilística, e isto é fruto de sua constante investigação, persistência e talento artístico, Constrói sua criação com o barro, que é um elemento de alta plasticidade, mas que requer, esta mesma matéria,  acurado conhecimento técnico para alcançar o resultado desejado. Não se furtando a este desafio, Dulce Cardoso, explora todas as possibilidades que o barro oferece. Ao longo dos anos, alia o domínio técnico com a invenção artística e cria uma poética particular. Inventa e reinventa. Um simples objeto utilitário: um prato, um vaso, torna-se, à parte de sua função prática,um objeto merecedor de uma apreciação artística: também se dedica a escultura, bem como aos painéis, pastilhas e objetos. Para um juízo crítico pouco importa a função do objeto, contanto que este objeto atenda aos critérios que se deseja para uma análise estética, Poucos artistas conseguem aliar praticidade do objeto criado com a possibilidade de uma apreciação, isto requer do seu inventor um vasto conhecimento da técnica por ele eleita e uma refinada sensibilidade. Neste caso Dulce atende a estes pré-requisitos, esta é a razão porque sua obra justifica para ela a afirmação de ser esta artista uma das maiores representantes da arte cerâmica, em Salvador.

Ailton Lima - Popular Erudito na Arte de Dulce Cardoso – “O talento criador de Dulce a impulsiona para investigar valores mutantes, extrapolando ○ convencional. Mescla a pureza do barro com um vigoroso universo cromático, se apoiando nos segredos do secular artesanato cerâmico do nosso Recôncavo, fazendo-o erudito. Dulce marca sua forte presença em qualquer participação coletiva, nos mostrado o brilhantismo no diálogo entre ○ comum e o inovador. É uma artista simples, porém muito segura do seu potencial expressivo, despojada e eloquente no vasto panorama das artes plásticas”.

Bule de vidro para  mostra do Café Cafelier

Leonardo Alencar - A Cerâmica Criativa –“Fomos todos em início modelados no barro, em exigência primeira da tridimensionalidade. Em barro também nossos ancestrais inscreveram seus primeiros nomes e talvez cartas de amor.Com barro também adornaram-se e nele depositaram seus alimentos. De onde vem no entanto este impulso de torná-lo ornato e veículo da comunicação expressiva? Da alma do artista evidentemente, e o artista é aquele coordenador de planos e de espaços, da volumetria ordenada. Dulce Cardoso consegue associar artesanato e a plástica poética em cerâmica, tanto nas de incursões escultóricas, quanto nas de modelagem planimétrica, e esta artista que a Bahia bem poderia conhecer melhor, prepara com doçura e sutileza quase orientais, a representação em barro de livros abertos com folhas tangidas pelo vento; mas não e só isso: o que poderia ser um mero exercício artesanal que por ele mesmo se bastaria, traz o clima de mistério no texto que não se lê, porquê está, mas não é, embora a qualquer momento possa vir a ser, como diz Machado de Assis em Soneto de Natal: "A folha branca pede-lhe a inspiração”, e em Dulce Cardoso o que não falta é inspiração: Colares, gargantilhas, anéis, estojos, travessas, pratos, bandejas, painéis, demonstram a infatigável atividade desta Artista da cerâmica tão apaixonada pelo seu metier. Para os que gostam de Arte e uma alegria visitar o atelier de Dulce Cardoso.

                                                              EXPOSIÇÕES 

INDIVIDUAIS2005 - Sanlazzaro Espaço Arte- Salvador-Ba; 2004 - Espaço Cultural do Atelier - Salvador-Ba; 2003 - Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM - Salvador-Ba; 2002 - Museu Eugenio Teixeira Leal- Salvador -Ba; 1998 - Museu BANEB de Azulejaria Udo Knoff. Salvador BA; 1995 - Quereres Café e Arte - Salvador-BA.

SALÕES -Em 1999 - Selecionada para o XXVI Salão Regional de Artes Plástica da Bahia. Vitória da Conquista -BA; XXIII Salão Regional de Artes Plástica da Bahia. Feira de Santana-BA;1996 - II Salão de Artes Plásticas do MAM-BA. Museu de Arte Moderna da Bahia; 1995 - I Salão de Artes Plásticas do MAM-BA, Museu de Arte Moderna. BA. 

PAINÉIS -Em 2005 - Tribuna da Bahia. Salvador BA; 1999 - Centro de Convenções da Bahia. Salvador BA; 1998 - Secretaria da Indústria e Comércio da Bahia. (em Parceria com o artista plástico Sante Scaldaferri). Salvador BA; 1997 - Hotel Portal de Lençóis. Lençóis-BA; 1996 - Mar Hotel Rio Vermelho, Salvador-BA e na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia Salvador Ba.

COLETIVAS2005 – Transformação, na Galeria EBEC Salvador-BA; Acervo Espaço Cultural do Atelier. Salvador-BA; 2004 - Terra Cotas da Terra, Conjunto Cultural da Caixa Salvador-BA; 2003 - Nós Mulheres, Galeria EBEC. Salvador-BA; 2001 - Diálogos. Espaço Cultural do Atelier. Salvador BA; Centro de Memória e Cultura dos Correios; Salvador BA; 2000 - Memorial dos

Foto 1 - Conjunto de garrafas. Foto 2-
Painel abstrato na entrada da casa.
Foto 3- Painel no Atelier.
Foto 4. Dulce falando de sua trajetória.
Governadores. Fundação Pedro Calmon, Salvador-BA; Câmara Municipal de Salvador, Índio. Terra. Barro, Exposição Comemorativa aos 500 Anos de Brasil e 450 Anos da Cidade de Salvador, Salvador-BA; 1999 - Museu de Arte Sacra, Resto da Tradição. Salvador-BA;  1998 -  Galeria Caminho das Artes, Salvador- BA;  Shopping Barra, Praça Euvaldo Luz, Salvador-BA; Espaço Cultural da Casa do Comércio, Salvador-BA ;  Livraria Grandes Autores,  Salvador-BA;  1997 - Associação Comercial da Bahia,  O Recôncavo,  Salvador-BA ; Galeria do Cafelier, Salvador- BA;  Shopping Barra,  A arte no Barra, Salvador-BA; 1994- Galeria Bauhaus, Goiânia-GO; 1992 – Sebrae, Hors Lá,  Salvador-BA ; Associação Brasileira de Cerâmica, Espaço Cultural da Estação do Metrô São Bento, Mostra de Arte Cerâmica Contemporânea, São Paulo – SP; 1991- SESI- Serviço Social da Indústria, Shopping Barra -Salvador-BA;  Associação Baiana de Arte Cerâmica,  Casa do Comércio,  Salvador-BA ; Espaço Moviarte - São Conrado Fashion Mall, Rio de Janeiro – RJ; Pintura a Fogo Sobre Terracota, Exposição a Quatro Mãos,  Sorensen e Dulce Cardoso no Museu de Arte Moderna, Salvador- BA ; SESC - Serviço Social do Comércio, Shopping Barra, Salvador-BA; 1990 - Espaço Cultural Forte de Santa Maria, SESI - Serviço Social do Comércio Salvador-BA; Espaço Cultural Forte de Santa Maria. Salvador-BA; SESC- Serviço Social do Comércio, Shopping Piedade, Salvador-BA; 1989 - Galeria do SESC- 1ª Mostra de Cerâmica Artística da Bahia- Salvador-BA; 1988 - Galeria do SESC, Salvador-BA; Biblioteca Central do Governo do Estado da Bahia, Salvador-BA; 1986 - Shopping Center Iguatemi -Alunos das Oficinas do MAM-BA.

Já coordenou vários seminários, cursos e palestras e posso destacar o I Seminário de Design Cerâmico que reuniu os professores Norma Grimberg, de São Paulo, Pascoal Gerdulo, também de São Paulo e grande fornecedor de argila para ceramistas de todo o país; Jorge Fernandez Chiti, da Fundação Condorhuasi, Argentina, que falou sobre Profundizacion Cerámica dentre outros. Este curso foi realizado no Museu de Arte Moderna da Bahia com o patrocínio da Universidade do Estado da Bahia – Uneb e Ucsal. Também em 1990 coordenou o curso de Painéis e Murais, ministrado por David Ruight, e o de Formas, Modelagem e Barbotina, ministrado pelo Prof. Josias Paulo dos Santos / UFBA ; Em 1991 dos cursos Esmaltes para Alta Temperatura e outro sobre Construção de Fornos, ambos ministrados pelo professor e engenheiro inglês Jeremy Fiennes.

 

 

 

 

 

sábado, 22 de março de 2025

LITTUSILVA PINTA E ESTUDA A INFLUÊNCIA INDÍGENA NA CULTURA

O artista Littusilva pintando em seu ateliê.
Vamos conhecer mais um   pouco da obra e a trajetória do artista Littusilva, residente na cidade de Alagoinhas-BA. Ele vem quase diariamente postando uma nova obra no Instagram para deleite de seus seguidores. É um artista visual criativo e de muitas habilidades. Já projetou e até construiu casas residenciais, clínicas médicas, igrejas e móveis. É pintor, desenhista, escultor, e ativista cultural há mais de cinquenta anos integrado com a cultura da cidade onde nasceu e vive até hoje. Desde 2001 vem questionando a identidade sociocultural de sua cidade enaltecendo a herança antropológica e cultural deixada pelos índios tupis e falando da miscigenação das culturas indígenas e africanas. Para ele muitos dos elementos culturais atribuídos aos africanos em sua região são na realidade de origem indígenas. O Littusilva escreveu um livro chamado África Tupi que publicará em breve defendendo esta tese.

Quatro obras com a temática indígena
feitas em técnica mista sobre papel.
Sua produção artística atual reflete esta preocupação com as culturas indígena e africana e ele vem criando uma série de obras trazendo nos seus traços livres e em cores muitas vezes de tonalidades fortes figuras dessa iconografia. São homens e mulheres em seus afazeres, principalmente indígenas com suas ferramentas e símbolos sagrados  dentro da visão contemporânea do artista. Tomei conhecimento da sua obra através dessas postagens que me chamaram a atenção pela qualidade e temática. Ao manter contato com Littusilva imediatamente se estabeleceu uma empatia e conversamos sobre sua rica trajetória de um artista que vem lutando para sobreviver de sua arte com dignidade numa cidade do interior baiano. Sou do interior e sei que não é fácil viver de arte, porque as demandas são limitadas, e o artista precisa se prover de recursos para continuar criando. Hoje as redes sociais, com a sua visibilidade e abrangência ajudam, mas nem tanto. Muitas vezes a contemplação e o gostar de uma obra de arte postada nas redes sociais para por ali mesmo, não avança para uma negociação.

                                                         LEMBRANÇAS

"Mulheres de Lagoinha", obras de Littusilva.
O Littusilva desde criança está envolvido com a arte e este despertar se fortaleceu quando no curso ginasial num trabalho de escola desenhou uma versão do Homem Universal, de Leonardo Da Vinci, acrescentando elementos sensuais. Isto despertou o interesse de professores e alunos de sua escola. Aos treze anos de idade seu pai que era maçom comprou um cavalete, papeis, telas e tintas, e lhe presenteou. Também lhe deu uma tarefa que foi pintar símbolos da maçonaria para serem colocados nas paredes da loja maçônica que fundou em Alagoinhas.
Seu pai José Cornélio Ramos era um artesão que fabricava sapatos sob encomenda para seus conterrâneos. Naquela época muitos dos sapatos usados no interior eram fabricados nas próprias comunidades por hábeis artesãos. E o Cornélio fazia além de sapatos, sandálias, chinelos, cinturões e outros objetos de couro. Já sua mãe Maria José da Silva Ramos era dona de casa e quando jovem pertenceu a juventude do Partido Comunista da Cidade de Alagoinhas. Naquela época as ferrovias estavam em pleno desenvolvimento no Brasil e por lá transitavam vários trens e haviam muitos ferroviários. É possível que esta militância seja resultado da atividade sindical na região. Brincando o Littusilva disse que sua mãe “era a único xamã comunista que conheci”. Isto porque a d. Maria José colocava cartas de Tarô e praticava outras atividades ligadas à espiritualidade.
Foto I - Casa residencial. Foto 2 - Clínica
médica ; Foto 3 - Catedral de Santo
Antônio, com a fachada projetada por
Littus . No  ano passado foi reformada
 perdendo sua identidade cultural.
O Littusilva é autodidata nas artes visuais, porém concluiu o curso de Técnico em  
Arquitetura, no Centro Integrado Luiz Navarro de Brito, em Alagoinhas, que funcionou de 1968 a 1979. Foi o primeiro curso secundário da cidade e sua turma de Técnica em Arquitetura foi a primeira e única. Neste Centro foram implantados os cursos ginasial e colegial, além dos cursos técnicos. Seu objetivo era ser um arquiteto, mas este sonho se realizou posteriormente com a formatura de uma filha que é arquiteta. Devido ao curso de Técnico em Arquitetura foi trabalhar no escritório do arquiteto Gildo Improta, que projetou muitos imóveis em Alagoinhas, e depois se transferiu para outra cidade. O Littusilva   se destacou desenhando projetos no escritória do professor Gildo Improta  e na ausência do seu empregador passou a fazer seus próprios projetos. Fez também o curso de design na EBADE – Escola Baiana de Arte e Decoração. Aos vinte e cinco anos criou uma construtora e passou a projetar e construir casas residenciais, clínicas e até reforma de igrejas. Disse que até a catedral de Santo Antônio, de Alagoinhas, ganhou uma identidade arquitetônica própria e lá fez um grande painel de concreto. Mas, o atual bispo resolveu reformular e a identidade sumiu, ficando apenas o painel que representa o santo casamenteiro conduzindo a comunidade. Nesta catedral tem também um grande galo feito de bronze de autoria de Mário Cravo Júnior. Littusilva disse que o galo está voltado para a antiga casa dos pais do escultor. Segundo ele o pai de Mário Cravo foi prefeito da Cidade, e Mário teria ficado por lá parte da sua infância.  O Mário Cravo Júnior  o presenteou com um livro alemão de arquitetura, que foi importante para fazer seus projetos arquitetônicos, e guarda até hoje. Quando projetava e construía casas e outros imóveis notou que havia dificuldade em mobiliar as casas e outras construções modernas por falta de móveis compatíveis.

Móveis projetados e feitos na marcenaria
de Littusilva.
Aconteceu que diante das constantes crises da economia brasileira sua construtora foi afetada e decidiu fechar e se dedicar inicialmente a desenhar móveis. Em seguida montou uma marcenaria especializada na fabricação de móveis modernos e chegou a ter mais de quarenta funcionários. A clientela era das classes média e alta e muito exigentes, e ele procurava cada vez mais aprimorar seus móveis. Porém, sabem que o empreendedorismo não é o forte dos artistas. Foi se chateando com fornecedores, clientes e com a burocracia estatal terminando por fechar sua marcenaria. O Littusilva confessa que formou muitos mestres de marcenaria que hoje estão trabalhando em suas oficinas atendendo sua clientela. Nesta época da marcenaria havia ainda em Alagoinhas muitos bons funileiros e outros profissionais que trabalhavam na estrada de ferro. Ele afirmou também que este período coincidiu com seu divórcio da mãe dos seus três filhos, e que hoje sua ex-mulher e filhos residem em Minas Gerais onde são instrutores de yoga. Declarou que também chegou a praticar e ensinar yoga. Diante desses fatos aos quarenta e sete anos desistiu definitivamente de ser empresário e passou a se dedicar à sua arte. Disse que foi e ainda é um grande desafio para ele. Atualmente pinta e desenha diariamente em seu ateliê e que também é um militante cultural muito ativo. Nesta sua militância confessa que após realizar o movimento etnoarqueológico na sua região conseguiu catalogar vários objetos materiais e imateriais marcantes do modo de sentir e pensar dos povos tradicionais caiçaras.

                                     PINTURA

Observem a leveza do traço e a composição
equilibrada nas figuras que ele pinta.
Sua pintura tem uma figuração,composição e colorido diferenciados. Seus traços são livres e cntornam parcialmente as figuras que desenha e pinta. Reconhece que pode ter sido influenciado por importantes pintores inclusive Carybé, o próprio Mário Cravo Júnior, com quem teve uma boa aproximação, mas que atualmente gosta muito do trabalho do pintor paulista Paulo Sayeg.  Ele se refere ao Paulo Eduardo Sayeg,  nascido em 1960, em São Paulo, e é pintor e desenhista. Porém, enfatiza que hoje tem sua própria linguagem artística e que “não quero desenhar simplesmente o ser humano. Desenho dentro de uma visão e todo o conjunto cultural de uma ancestralidade e conto histórias através dos meus desenhos e pinturas. Extraio da minha memória as figuras dos índios tupinambás, dos vaqueiros que rompem a caatinga em busca de uma rês perdida, e assim vou celebrando e homenageando a nossa gente. Este imaginário e símbolos precisam ser preservados e sempre lembrados porque nós descendemos e também dependemos deles.” E continuou: “Pra mim a arte é o silêncio visível. Procuro trazer para o campo da observação com poesia. Minha arte é uma expressão do silêncio fora das gavetas, algo que provoca no outro uma inquietação."

                                                      QUEM É

Totens que criou nas ruas de Alagoinhas.
Seu nome de batismo é Joselito 
da Silva Ramos, nasceu em treze de fevereiro de 1953, na cidade de Alagoinhas, interior da Bahia. É filho de José Cornélio Ramos e Maria José da Silva Ramos. Poetizando disse que enquanto nascia “o apito longo do trem anunciava partida. E o caboclo de olhos azuis, o sapateiro poeta, partia. Deixava esperança e medo na futura Casa Deyse, senti o cheiro da alfazema e ouvi o som do acordeon. Um grito sussurrado: É Homem! Nasci na oficina do sapateiro poeta, na cama do belo xamã comunista.”

Conta que sua infância “foi numa rua de areia branca, perto de tudo: das dores, ao lado da Delegacia; dos prazeres, à direita, com as doces mulheres da vida; das fantasias, na esquina, o Parque de diversões; e da sobrevivência, em frente, o Mercado das Carnes. Aprendi a acreditar em cegonhas, Papai Noel e em Homens Santos. Pintei o belo, desenhei sonhos. Vi a morte e seus mistérios, vi o som e a cor do tempo… Só não vi a cegonha, nem o Papai Noel e nem os Homens Santos. Hoje, escrevo, desenho, pinto e modelo peças mensageiras da minha África Tupi, como Littusilva.” Hoje ocupa uma cadeira na Academia de Artes e Letras de Alagoinhas.

Escolhendo objetos de fibras para a Feira
de Arte Popular que criou na sua cidade.
Criou uma Feira de Arte Popular, em Alagoinhas, para expor os trabalhos dos artesãos locais. Afirmou que foi muito difícil porque tanto o Instituto Mauá e o SEBRAE não lhes ajudaram nesta empreitada respondendo que Alagoinhas não tinha uma identidade cultural peculiar. Foi diante desta negativa que decidiu pesquisar nas feiras livres e na zona rural do município e recolher os objetos que fabricavam, os costumes, os símbolos culturais e religiosos. Com ajuda do Laguna Shopping conseguiu reunir objetos e informações e montou a Feira de Arte Popular.  Dai em diante não parou de estudar essas manifestações procurando mostrar que Alagoinhas tem sim, sua identidade cultural. Expôs muitos objetos, culinária e informações que hoje lhe permitem destacar a presença indígena nesses objetos e simbologias resistentes, muitos dos quais atribuídos de origem africana, quando na realidade são indígenas que se miscigenaram com a cultura dos africanos que aqui aportaram e se espalharam por todo interior do país.

                   ATIVIDADES E EXPOSIÇÕES

Instalações em cerâmica
e um caçuá feito de cipós.
Em 1972 - Conclui Curso Técnico de Arquitetura, No Centro Integrado  Estadual Luiz Navarro de Brito – ALAGOINHAS; 1973 - FEIRAM- Feira dos Municípios - Primeira exposição individual: Alagoinhas – Bahia – Brasil; 1983 - Conclui Curso de Design de Interiores na Escola Baiana de Decoração - EBADE- Salvador;  1985 a 1996 - Torna responsável do Asilo de Velhos Bezerra de Meneses como voluntário em Alagoinhas ; 1988 - Participa do curso de Yoga - extensão - Universidade Católica da Bahia; 1989 - Funda em Alagoinhas primeiro Núcleo de Yôga;  1999 - Coordena a primeira Campanha da Caminha da Paz em Alagoinhas a convite da Câmara de Vereadores;  2001 – Participa da coordenação de implantação da Escola de Pais do Brasil – EPB- em Alagoinhas; 2015 - Publicações na revista Ponto de Mutação do curso, Pós Critica de Cultura- Uneb ; 1978 a 80 - Coordena os primeiros Salões de Artes Plásticas de Alagoinhas - Na Faculdade de Professores de Alagoinhas.( Semana de Arte e cultura de Alagoinhas); 2001 – Torna-se membro da Academia de Letras e Arte de Alagoinhas - Funda o Ateliê Coletivo Waka, no Centro de Cultura de Alagoinhas. – Núcleo de Pesquisa da Identidade Cultural De Alagoinhas; 2006 - Participa do Salão Regional de Artes Visuais– Alagoinhas e Ganha o Prêmio de Destaque; 2008 - Participa do Salão Regional de Artes Visuais do Interior da Bahia como homenageado pelas pesquisas realizadas e pelo conjunto das obras. -Um dos trabalhos é a identidade Visual de 2009 dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia; Participa da Bienal do Recôncavo da Bahia em S. Félix ; Curador e Organizador da exposição Coletiva de Artes Visuais na inauguração da Galeria de Arte Mário Cravo, na sede da FIGAM, em Alagoinhas; 2012 - Curador e Organizador do Encontro Mítico - Coletiva de Artes Visuais no Centro de Cultura de Alagoinhas;  2014- Coordena o Movimento dos Artistas Plásticos de Alagoinhas - MAPA ; Curador e Organizador da Exposição Coletiva de Artes Visuais - o Meu Quintal, no Centro de Cultura de Alagoinhas; Curador e Coordenador da
 Littusilva durante a nossa
conversa sobre sua trajetória.

Intervenção Artística do MAPA no CCA : Os Saberes do Meu Quintal; Coordenador e Curador da Ocupação Artística no Antigo Matadouro, Anexo do Centro de Cultura de Alagoinhas, com a denominação de Casa do Boi Encantado, em parceria com o MAM na Terceira Bienal da Bahia;
2015 – Através  a Galeria d’Arte Associazione Culturale da Itália, participa da Biennale dei Castelli dela Gera d’Adda; 2016 – Na Casa do Comércio em Salvador expõe na Coletiva de Artes Visuais “Outubro Rosa”; 2017 - Participa na Anjos Art. Gallery da exposição coletiva “Encontro de Tons ”;  2018 - passa a assinar como Littusilva e participa do Le Carrousel Du Louvre; 2019 - Exposição individual - Galeria Gotelib, Shopping Cassino Atlântico, Rio de Janeiro;  Expõe no  Salão de Arte Contemporânea Internacional em Maceió - AL, como convidado especial;  2022 – Recebe o Titulo Doutor Honoris Causa – Faculdade de Formação Brasileira e Internacional de Capelania.
 Este curso de Capelania prepara profissionais para oferecer assistência espiritual, conforto emocional e suporte moral às pessoas.


sábado, 15 de março de 2025

RENER RAMA FAZ UMA IMERSÃO NO UNIVERSO DAS CORES

 Rener Rama trabalhando num  ensaio
em busca de novas tonalidades de cores.
Estive observando o atual processo criativo do artista Rener Rama em seu ateliê no bairro dos Barris, em Salvador, na sua busca contínua por uma pintura que se caracteriza pela contemporaneidade .Ele busca a amplitude da cor em todo o espaço da tela ou do papel através das constantes camadas de tintas que vão se sucedendo e se misturando em degradés quase imperceptíveis.  Está fazendo vários ensaios em  pequenos formatos no papel e presenciei o artista pintando um desses cartões. As pinceladas são rápidas e em seguida vai espalhando freneticamente  a tinta guache de várias cores em camadas que se misturam até formar uma cor na tonalidade que lhe agrade. O resultado é sempre surpreendente, imprevisível.  Ele disse que a tinta guache quase não respeita o seu comando e esta dificuldade o estimula a buscar  ainda o que deseja.Tudo é feito rapidamente porque a tinta guache que usa em seu estado pastoso seca rapidamente e Rener precisa encontrar uma tonalidade que seja abrangente em todo o espaço que está usando para pintar. Com a tinta acrílica deve ser quase mesma coisa principalmente porque costuma trabalhar com grandes telas e precisa espalhar a tinta em largos  espaços. A tinta acrílica é melhor para sobrepor camadas de tinta e a  secagem também se dá em pequeno espaço de tempo. Confesso que é preciso olhar e olhar com satisfação esses espaços mágicos  coloridos criados por Rener Rama os 
As obras de Rener Rama merecem uma
observação atenta e  reflexão sobre
o que estamos vendo, 2023.
quais nos transmitem energia e vibração. Ficamos procurando pequenas nuances de cor e vamos sendo tomados de alegria nesta contemplação. É como se a gente estivesse olhando um céu sem estrelas e começássemos a catar alguma estrela, e no final descobrimos que quase não há estrelas, e tampouco nuances de cor nas telas coloridas do artista. Elas têm sim, uma vibração, energia  e um encantamento próprios que nos transportam para o mundo mágico da pintura pela pintura. A pintura de Rener Rama tem o dom da simplicidade, e é muito difícil fazer o simples.

Evidente que estamos diante da produção de um artista  fortemente influenciado pelo
minimalismo, que é um movimento artístico surgido nos Estados Unidos nas décadas de 50/60 caracterizado por esta abordagem que valoriza a simplicidade e o essencial. Temos artistas minimalistas na arquitetura, na literatura, no design, e até na tecnologia.  Nos ensaios que vem fazendo, e já somam perto de quatrocentos, todos estão numerados e alguns trazem ainda quantas camadas de tinta ele usou para chegar naquela tonalidade de cor. Durante nossa conversa disse que adotou quatro princípios orientadores no seu processo criativo : continuidade, maciez gradual, diversidade cromática e intensidade cromática. Chegou a enviar para uma galeria paulista um pequeno texto com estas explicações técnicas sobre como vem trabalhando nestes ensaios. Vejamos:
Antes Rener Rama criava  obras com 
figuras, as quais foram se diluindo até
desaparecerem ao aprimorar a 
sua técnica pictórica.

Continuidade - Chamo de continuidade aquele efeito visual em que cada parte do espaço é interligada a outra sem qualquer tipo de divisão ou interrupção nesse fluxo de espaço, fluxo espacial que é simultaneamente fluxo cromático. A ideia de fluxo me interessa na medida em que nos convida a uma experiência contemplativa extrema, quando a pintura opera como suspensão da experiência do mundo, oferecendo-se em seu lugar como experiência festiva, prazerosa, plenificadora.” Quando ele fala em  plenificadora refere-se a pleno, completo.

Maciez Gradualé um efeito visual em que a passagem de uma cor para outra é  operada com a máxima gradação e suavidade, construindo, assim, uma extensão em que se opera o degradê de cores . Simultaneamente, o gerenciamento do tamanho da extensão que este terá no espaço geral da pintura. Com tal gerenciamento, produzo inúmeros e diferentes tamanhos e intensidades de degradês. Sem sair do mesmo conceito operacional (maciez em gradiente), produzo diferentes combinações de degradês.”

O artista é um pesquisador incansável em
busca de uma pintura contemporânea que
lhe satisfaça em toda a sua plenitude.
 
Diversidade Cromática : “ é a utilização de grande quantidade de cores que, mesmo com sua variedade, convergem para o estabelecimento de um matiz predominante, valorizando a produção de uma sensação de continuidade espacial.”

Intensidade Cromática : “Chamo de intensidade cromática a elevação da cor a sua máxima saturação por meio do uso de cores puras, combinadas com operações de contraste simultâneo, modulação tonal e expansão da cor em grandes áreas no espaço total da pintura.

                                                        SUA TRAJETÓRIA

Disse que trabalha com arte desde a infância e “sempre interessado em aperfeiçoar suas possibilidades expressivas e formais.”  Mas, na  virada da década de 80/90  iniciou profissionalmente após ser impactado por artistas como Anselm Kiefer, Sandro Chia e Daniel Senise  passou a pintar enquanto fazia o curso de Artes Plásticas, além de participar de salões e mostras individuais e coletivas. Fez o Mestrado na EBA em 2001 quando deu início a uma fase conceitual e tecnicamente mais embasada em sua obra. Disse ainda que segue “essencialmente na pintura, sempre curioso e interessado nas possibilidades expressivas dessa linguagem no contexto da subjetividade contemporânea”.

Obras da exposição A Nova Mão Afro-
Brasileira, no Museu Afro-Brasil
em São Paulo, 2018.
 Investiga e desenvolve  especialmente a partir de 2000, uma pintura focada em questões do espaço que submete a processos de minimização da fatura, suavização de polaridades e mistura da cor com o próprio espaço da obra. Trabalha como uma espécie de franco pintor, buscando instaurar pelo próprio fazer da pintura, um campo pictórico com o sentido de totalidade e expansão . Produz na busca de um resultado em que o espaço e a cor possam ser contemplados como uma mesma realidade. As pinturas a partir de 2023  representam uma importante consolidação do que tem investigado nos últimos 24 anos.

Vemos aí a variedade de tonalidades
de cores em degradés com suavidade.
Ensaios feitos em pastel seco sobre papel.
Sendo um  artista, especialmente interessado em pintura, disse que foi influenciado incialmente por sua mãe e avós que foram muito criativos sempre construindo, brinquedos com recicláveis, pedra e outras coisa e às vezes sem nome, mas que lhe impactavam por suas cores. “Depois de uma adolescência introspectiva e mergulhado em muitas leituras, incluindo o cromatismo, para mim, impactante dos quadrinhos da Disney, cheguei às influências mais fundamentais na minha obra, nessa fase, paralelamente ao curso de artes plásticas," lembrou Rener. Em seguida destacou, “as vertentes pictóricas me influenciaram: a primeira influência vem de artistas que me despertaram para o sonho de uma pintura densa, enérgica e com ênfase na exploração da amplidão espacial. Cito então, Sandro Chia, Sante Scaldaferri, Jackson Pollock, Anselm Kiefer, Daniel Senise e Iberê Camargo. A outra vertente de influência me levou primeiro a um mergulho no cromatismo e depois à relativização daquele sonho inicial por uma densidade pictórica. Falo então de Mark Rothko, Yves Klein, Ianelli, Volpi, e os minimalistas Donald Judd e Dan Flavin.”

                                                 QUEM É

O artista Rener Rama mostrando  obra
de sua autoria inserida num livro.
O Rener José Ramos Anselmo nasceu em seis de março de 1968, em Serrinha, interior da Bahia. É filho do ex-funcionário do Banco do Brasil Valmir José Anselmo e de d. Maria Helena Ramos Anselmo, tem mais dois irmãos. Estudou na Escola  Tio Patinhas, Escola Paroquial de Serrinha e na Escola André Negreiros até a quinta série quando seu pai foi transferido para Salvador, e vieram morar na Rua Bernardo Catharino, no bairro da Barra. Aqui foi matriculado na Escola Oswaldo Valente, que funcionava na Rua Presidente Kennedy, na Barra, e que hoje não mais existe. A seguir foi estudar no Colégio Sartre, da Barra, onde concluiu o ginásio e o colegial.

Falando de sua infância lembrou que desenhava muito e que seus pais e tios sempre o presenteavam com cadernos de desenho , lápis de cor e tintas . Enquanto seus amigos iam jogar bola ele preferia ficar em casa desenhando e tocando violão e guitarra. Mas, aos dezoito anos achou que a música ia lhe aprisionar largou os instrumentos musicais e foi fazer o vestibular para engenharia elétrica. Não foi aprovado, e logo depois decidiu fazer vestibular para as Artes Plásticas, sendo aprovado. Posterioemente  fez concurso e foi aprovado para trabalhar no Banco do Brasil, onde ficou quatro anos, teve que trancar a matrícula na EBA em 1993. Quando quatro anos depois o banco lançou o Programa de Demissão Voluntária-PDV ele saiu do banco, e foi se dedicar exclusivamente às artes visuais retornando em 1997 para a Escola de Belas Artes, concluindo o curso no ano 2000. Fez a pós-graduação e logo depois o Mestrado em Artes Visuais, quando apresentou seu trabalho com o título:  Há Pintura: O Espaço Pictórico como Instauração Poética e Advento do Visivo, sendo  aprovado com distinção.

Obra que integrou a Exposição Tropicália-30 Anos
no MAM-BA. 
Hoje vive exclusivamente de sua arte . Lembrou que estava fazendo uma exposição com Zau Pimentel, na Acbeu  em 1991 , e o Sante Scaldaferri foi ver as obras expostas. Ele gostou e o Rener Rama foi surpreendido com  um telefonema de Sante Scaldaferri que lhe declarou ter gostado das suas pinturas e lhe convidou a ir à sua casa em Itapuã. Para Rener Rama foi uma tarde inesquecível e conversaram muito sobre pintura . Recordou  que em certo momento Sante lhe disse: "Pintura não é desenho", quase um princípio, e pensa até hoje o que é pintura, e o que pode ser pintura? É uma reflexão e lhe locomove muito dentro da pintura, e vê como uma linguagem inesgotável. Tem uns quatro anos que vem dando valor a pintura pela pintura e a figuração foi naturalmente desaparecendo de suas obras. Hoje diluiu completamente a figuração pela própria linguagem pictórica e está decidido  a continuar nesta caminhada.

Não é uma pintura monocromátrica, fez questão de ressaltar, embora muitos podem se confudir que ali tem apenas uma cor. São camadas de cores que resultaram naquela tonalidade.  Ele disse que do ponto de vista do mercado a pintura que faz atualmente ainda é uma incógnita

Ilustração  para o livro de poemas de
Alex Rocha, Esperando a Madrugada,
 que fez em 2018.
tem gente que gosta da figuração.Talvez   não entendem e nem conseguem fazer  um comentário , uma leitura desta nova pintura que estou fazendo. À esta altura não consigo voltar à figuração. Disse que o Emanoel Araújo ao conversar com ele disse que “é um milagre você estar fazendo este tipo de pintura neste meio local .”  No entanto Rener Rama acredita que "pode ser difícil, mas deve ter um nicho, deve existir pessoas que compreendem e gostam deste estilo de pintura. Vou aqui fazendo minhas obras e este degradê que venho fazendo quero encontrar um ponto mais sofisticado, e em algum momento desses ensaios onde estou usando o guache sobre papel vou voltar para o acrílica e pintar minhas telas."

Outra boa lembrança foi sua convivência com o artista Joãozito Pereira, (faleceu em 2017),  que foi seu colega na Escola de Belas Artes, e na época trocavam  experiências. Quando foi fazer o Mestrado reencontrou o Joãozito na Eba, e ele disse: " O que está fazendo aqui?", como se eu não tivesse mais nada a aprender ali. Ele era dessas tiradas, e foi um artista  que sempre queria mais, buscar mais, ousar mais. Nunca estava conformado com o que fazia, e isto me incentivou a buscar sempre mais. Chegamos a ter um ateliê no Pelourinho e disse que o Joãozito sempre pensava grande."

                                                              REFERÊNCIAS

Obra Estado de Bem-Estar, de 1998.
SAJA – Veja  parte de um texto escrito pelo professor e filósofo Saja em 1998 falando  de Rener Rama: sobre as obras apresentadas na exposição Fiat Lux: “O trabalho apresentado aqui por Rener Rama é, sem dúvida, uma contribuição ao conhecimento da face deste homem, e isso é muito bom! Essa é a sua contemporaneidade: não apenas uma bolação acrobática de novas formas, novas disposições, novas – já tão velhas – invenções técnicas, mas um compromisso efetivo com o futuro do homem e do mundo. Em Fiat Lux, o que se encontra é mais uma promessa, um tempo para sempre adiado de luz que, paradoxalmente, é toda aqui e para sempre agora. Vejo que ele trabalha com este ser que ainda virá, um homem do amanhã, sem em nada perder da sua mais cotidiana cotidianidade... o homem será amanhã o que conseguir ser hoje – como está dito no provérbio asteca: A terra será o que são os seus homens!"

MATILDE MATOS – escreveu em 1998 na mostra da Galeria Acbeu:“A pintura de Rener Rama é daquelas que a gente não esquece, facilmente reconhecível entre a leva de artistas surgidos nos libertários anos 90, que tendem a trocar Arte por Cultura quando não por decoração. É raro o artista desta geração que busca desenvolver o meio que ele próprio escolheu – a pintura – cujo avanço pode ou não coincidir com o andamento fugaz da cultura popular orientada pela mídia do nosso tempo. Evidentemente a facilidade deste apelo atrai os artistas. Rener também se utiliza da liberdade pós-moderna, mas busca a qualidade artística numa abstração fluida, instável, volátil, onde a referência figurativa é quase completamente apagada. Em alguns quadros desta mostra usa o objeto minimalista como ponto de referência, enquanto amplia o campo abstrato em torno dele. Pode contrastar o mesmo objeto sobre o preto e o branco, trabalhando em ambos a atmosfera de luz ".

RISOLETA CÓRDULA - publicado no catálogo da exposição (coletiva) Bahia à Paris: Arts Plastiques D’aujourd’hui, na Galerie Leonardo, Paris,1998: “O sentido de harmonia, o uso adequado do espaço e o tratamento requintado do suporte são características primordiais do trabalho de Rener Rama. Utilizando a espessura da tela e as cores em todo o seu impacto, o artista cria grandes espaços com impressionante contraste de sombra e luz, cenários para estranhas figuras isoladas símbolos do seu universo onírico."  Risoleta Córdola, 1998(Membro da Associação Internacional de Críticos de Arte - France)

EDUARDO EVANGELISTA- publicado no catálogo da exposição Natureza (duo Rener Rama e Zau Seabra) na galeria ACBEU, Salvador-BA, 1991 : {...} “Rener Rama revela um trabalho singular e bastante amadurecido, embora seja esta uma fase que está trabalhando há apenas um ano. Seu “Leit motiv” é o ser humano na sua consciência plena de SER, mostrando e mostrado na sua essência. Afigura humana é, portanto, uma constante em seu trabalho e o tratamento pictórico alia requinte técnico e liberdade formal. Gestos largos fazendo a sua forma se reportar, mantidas as necessárias distâncias, às de Iberê Camargo e Paulo Sayeg, em que o fundo faz figura, demonstrando, talvez, uma denúncia das contradições e, certamente, um apelo ao pensamento e à ação. Seu tratamento formal mantém o referencial com seus ulteriores trabalhos a nanquim, onde explorava com acerto e muito bem os efeitos do preto-branco, criando zonas de tratamento que faziam surgir os elementos e as figuras do próprio suporte. Nisto, segue Darel e o faz muito bem. Segundo depoimento do próprio artista, não se trata de retratar nem o pranto nem a alegria, mas captar o todo sem outras emoções que não as estéticas.”

Capa do catálogo da exposição Fiat Luz, 1998.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS 

2010 -Exposição retrospectiva – Evento comemorativo dos 14 anos do Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira – Feira de Santana - Ba ; 2008 - Pessoas e Bolas – Galeria do Conselho – Salvador-BA ; 2003 - Há Pintura – Galeria ACBEU Salvador-BA ; 2000 - Fiat Lux – Galeria SESC PAULISTA – São Paulo-SP; deZENhos – Galeria Moacir Moreno, Theatro XVIII – Salvador-BA ; 1998 - Os Universais – Galeria ACBEU Salvador-BA; Fiat Lux– MAM – Salvador-BA ; 1994 -Coração - My Heart - Love - No Chance – Galeria ACBEU – Salvador-BA;  1988 - Arame Farpado – Escola de Belas Artes,da UFBA – Salvador-BA.

EXPOSIÇÕES COLETIVASEm 2013 - A Nova Mão Afro-brasileira - Museu Afro Brasil - São Paulo - Sp ; 50 anos de arte na Bahia - Caixa Cultural - Salvador - Ba; 2010 - Novas aquisições do Museu de Arte Moderna da Bahia - Salvador – Ba ; Circuito das artes - Palacete das Artes -Museu Rodin - Salvador-BA; Panorama ; 2010 – Mostra de Fotografia – Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira – Feira de Santana-Ba ; 2009 - Exposição 2.234 – Casarão,Largo de Santo Antonio a Carmo – Salvador -Ba ; 2008 - 15º Salão da Bahia – MAM – Salvador-BA ; 2007 - XIII Salão Unama de Pequenos Formatos - Galeria Graça Landeira - Belém-PA ; Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia – Juazeiro-BA ; Afetos Roubados no Tempo – Caixa Cultural – Salvador-BA ; 2006 VIII Bienal do Recôncavo – São Felix-BA; Guardares - 15º Encontro Nacional da Anpap - arte: Limites e Contaminações – Galeria Cañizares – Salvador-BA; 25 Artistas Baianos - 25 anos Galeria Solar do Ferrão – Solar do Ferrão – Salvador-BA; Afetos Roubados no Tempo - Espaço Eugénie Villien na Faculdade Santa Marcelina – São Paulo-SP; 2005 - Volta a São Paulo em Mais de 80 Malas – Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba – SP; Art For Today – Galeria ACBEU Salvador-BA ; 2004 - Uma Viagem de 450 anos – Sesc Pompéia – São Paulo-SP; Acervo da ACBEU - Museu
Regional de Arte da UEFS – Feira de Santana-BA ; 2002 - VI Bienal do Recôncavo – São Felix-BA; Arte Arte Salvador – Museu da Cidade (inauguração) – Salvador-BA ; 
Art For Sale – Galeria ACBEU Salvador/BA; 2001 - Exposição Comemorativa dos 125 Anos da Escola de Belas Artes – Conjunto Cultural dos Correios – Salvador-BA ; Pintura em Gestos de Paz – Conjunto Cultural da Caixa – Salvador/BA ; 2000 - 8º Salão de Artes Plásticas de Rondônia – Porto Velho-RO ; V Bienal do Recôncavo – São Felix-BA ; 25 Anos da Galeria ACBEU – Salvador-BA ; 1999 - 100 Artistas Plásticos da Bahia – Museu de Arte Sacra – Salvador/BA; Salão Regional de Juazeiro – Juazeiro - BA; Arte Arte Salvador – Memorial de Curitiba – Curitiba-PR ; 1º Exposição Leilão de Arte GACC – MAM – Salvador-BA ; 1998 - Tropicália 30 Anos – MAM – Salvador-BA ; IV Bienal do Recôncavo – São Felix-BA; Projeto Salvador Arte-Arte 450 anos – MAM – Salvador-BA ; Bahia a Paris – Arts Plastiques d’aujourd’hui – Galerie Leonardo – Paris-França;  1997 - Um Brinde ao Café – Cafeliê – Salvador-BA ; 1996 - 150 Anos da Cia. dos Portos da Bahia – Salvador-BA Banco de Talentos –Memorial da América Latina – São Paulo-SP ;1995 - III Bienal do Recôncavo – São Felix-BA ; II Salão da Bahia – MAM – Salvador-BA ; 

Obra em acrílica sobre tela . A vibração
da cor encanta a espectadora, 2023.
1994 - I Salão da Bahia – MAM – Salvador-BA ; Banco de Talentos – Memorial da América Latina – São Paulo-SP ; 1993 - II Bienal do Recôncavo – São Felix-BA ; 3ª Exposição de Arte dos Alunos e Funcionários da ACBEU – Galeria ACBEU – Salvador-Ba; 1992 - Exposição/Workshop com Luís Paulo Baravelli – MAM – Salvador-BA ; Encontro de Artistas Plásticos no Passeio Público do Palácio da Aclamação (Dia Internacional do Teatro) –promovido pelo Teatro Castro Alves – Salvador-Ba; 1991 Natureza – Galeria ACBEU – Salvador-BA ; Salão Treze – Biblioteca Central dos Barris – Salvador-BA ; I Bienal do Recôncavo – São Felix-BA ; 1990 - 27 Anos da Galeria Treze – SESC-SENAC – Salvador-BA ; 1989 - GA8889 – Teatro Castro Alves – Salvador-BA; 2º Salão Baiano de Artes Plásticas – MAM – Salvador-BA ; 1988 - 25 anos da Galeria Treze – Teatro Castro Alves – Salvador-BA ; Salão Universitário de Artes Visuais – Teatro Castro Alves – Salvador-BA ; MAM (Museu de Arte Moderna)

PRÊMIOS : 2008 - 15º Salão da Bahia – MAM – Salvador-BA ; 2007 - Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia – Juazeiro-BA ; Prêmio Matilde Matos – Edital de Montagem de Exposição – Salvador-BA ; 2000 - 8º Salão de Artes Plásticas de Rondônia – Porto Velho-RO; Prêmio V Bienal do Recôncavo – São Felix-BA – Menção Honrosa; 1996 - 150 Anos da Cia. dos Portos da Bahia – Salvador-BA – Prêmio (pintura) ; 1995 -  III Bienal do Recôncavo – São Félix-BA – Prêmio ; 1992 -  Concurso de Mural para a Escola de Belas Artes – Salvador-BA – Prêmio ; 1991 -  Salão Treze – Biblioteca Central dos Barris – Salvador-BA – Prêmio; 1990 -  Concurso de Mural para a Escola de Belas Artes – Salvador-BA – Menção Honrosa ; 1988 - 25 Anos da Galeria Treze – Teatro Castro Alves – Salvador-BA – Menção Honrosa.

OBRAS EM ACERVOS : Museu Afro Brasil ; Museu de Arte contemporânea da Bahia ; Museu de Arte Moderna da Bahia ; Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira ; Centro Universitário de Cultura e Arte ; Prefeitura Municipal de Salvador; Galeria Sesc Paulista ; Galeria Sesc Pompéia ; Coleção Antônio Gatto ;Theatro XVIII ; Associação Cultural Brasil-Estados Unidos – ACBEU; Coleção Sante Scaldaferri e  Centro Cultural Danneman.