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sábado, 18 de março de 2023

EDVALDO GATO UM ARTISTA DE MÚLTIPLAS ARTES

Edvaldo Gato trabalhando em sua
 mais recente xilogravura
.
 Um dos mais criativos artistas baianos é  desenhista, ilustrador, colorista e especialmente gravador Edvaldo Gato que completa oitenta e um anos de idade no próximo dia 24 de junho deste ano. Ele tem uma vasta produção de desenhos e xilogravuras, ilustrações, pinturas  onde vem deixando registrado através de décadas sua visão desta nossa Bahia. Seu desenho é cheio de linhas curvas com uma clara influência do nosso barroco. Quando a gente se vê diante de uma pintura, um desenho ou uma xilo de sua autoria somos levados a percorrer com alegria as sinuosidades que cria com suas figuras ligadas às tradições de nossa terra. Participou das duas Bienais Nacionais de Artes Plásticas realizadas aqui, sendo a primeira no Museu do Carmo com uma gravura quando ainda assinava o nome de Edvaldo Araújo, e na segunda Bienal com o pseudônimo de Edvaldo Gato, que assumiu após uma brincadeira de juventude. 

Cartaz de xilo da exposição 1971.
Talvez devido a este detalhe de ter participado com seu nome verdadeiro da primeira Bienal e com o pseudônimo na segunda os organizadores não o incluíram na terceira Bienal, realizada no MAM, o que considero uma injustiça com o artista, porque todos que participaram da primeira Bienal foram chamados. Agora na mostra que está sendo levada na Escola de Belas Artes, comemorativa dos 70 anos de ensino da gravura na Bahia, intitulada A Gravura na Bahia A Partir da EBA, também ficou de fora . Gato estudou na EBA a partir dos anos 60, na rua 28 de setembro, e posteriormente no Canela, foi monitor de gravura e com certeza é um dos grandes representantes da gravura na Bahia na mesma geração de Calasans Neto e outros. Foi ele que sugeriu que fossem também ministradas aulas de gravura em metal e litografia, quando era diretora Mercedes Kruschesky. 

Xilo de Edvaldo Gato.
Sabia que no Baixo Maciel, no Centro Histórico de Salvador , tinham algumas pequenas gráficas que estavam quase fechando, pois utilizavam métodos antigos de impressão como a gravura em metal e também a litografia para desenhar e imprimir as imagens das publicações que lhes encomendavam. 
Ele sugeriu a Mercedes Kruschesky que comprasse este material e assim foi feito com a aprovação do reitor Roberto Santos, e foram adquiridas prensas, pedras para litografia e algumas ferramentas. 
Foi assim que passou a ministrar na qualidade de monitor o curso de gravura em metal, e uma aluna de nome Idalina, que sabia trabalhar com litografia foi monitora desta técnica. Em 1970 o professor de gravura era Lobianco e tive que fazer a matéria Gravura e ele me disse" você sabe tudo, é para você me ensinar". 

O artista Edvaldo Gato em seu
 atelier e eu.
Estive visitando o seu atelier em Campinas de Brotas, bairro de Brotas, e pude constatar as dezenas de matrizes, principalmente de tamanho médio de xilogravura e a riqueza do seu traço, composição e sua sensibilidade em captar o clima da cultura baiana, a sua capacidade de desenhar em bico de pena. São desenhos rebuscados e muito criativos que exigem do observador uma atenção especial para percorrer todos os detalhes. 
Entre as dezenas de exposições coletivas e individuais que participou e realizou uma me chamou a atenção que foi na Galeria da Empresa de Correios e Telégrafos, em Brasília, em dezembro de 1972 intitulada de Desenhos em Pastel, no catálogo desta mostra o professor e artista plástico Riolan Coutinho, já falecido, escreveu um pequeno texto de apresentação que diz: "Desenhista e gravador dos mais conhecidos em terras da Bahia, tendo o seu nome ligado a várias ornamentações carnavalescas da cidade do Salvador, Edvaldo Gato vem mostrar nesta sua fase atual de artista plástico uma nova faceta: a de colorista. Nos seus recentes trabalhos realizados para uma exposição em Brasília na técnica pastel Gato explora uma só temática a das Yabás , personagens andróginas de nossa mitologia."

"Com um desenho flexível, mas contido, feito de linhas fortes e firmes, Gato contorna as formas barrocas de suas sereias que se destacam sobre um fundo animado de cores intensas; pois não é só na figura singela e sensível que o artista se aplica - o fundo também se constitui num elemento expressivo pelo valor ornamental que lhe é atribuído. Assim a forma, a cor e o ornamento se integram harmonicamente na visão barroca destas Yabás - sensuais Iaras cujo encanto e mistério fazem parte do sortilégio e magia da alma e da cultura afro baianas". Ai ao lado um cartaz feito por Edvaldo Gato, talvez o primeiro cartaz sobre a Capoeira feito na Bahia. Nesta época ele trabalhava na SUTURSA. 
Ao lado capa do pequeno catálogo-convite da exposição de desenhos a pastel que fez em Brasília.

                                                     ARTISTA VERSÁTIL

Gato na visão de
Ângelo Roberto
O Edvaldo Santos Araújo, que antes assinava suas obras como Edvaldo Araújo e depois assumiu o pseudônimo de Edvaldo Gato conta que esta mudança de nome ocorreu devido e uma distração que cometeu. Ao se dirigir para uma festa na Faculdade de Enfermagem da Ufba, no bairro do Canela, em Salvador, foi surpreendido por uma chuva forte e para não sujar e molhar a bainha de sua calça colocou por dentro das meias. Ao chegar no local esqueceu de tirar e os colegas passaram a brincar chamando-o de Gato de Botas, Gato de Brotas, daí ele passou a assinar Edvaldo Gato. Fez muitas ilustrações para os jornais Estado da Bahia e Diário de Notícias, que pertenciam aos Diários Associados, e funcionavam no casarão onde tem o Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal, na Rua Carlos Gomes. 

É um artista versátil e teve várias atuações especiais no cinema sendo autor e coautor no "O Mundo do Seo Nestor", com direção de  Agnaldo Azevedo, o Siri; As Philarmônicas; A Volta do Boca do Inferno,(coautor) ; A Noite da Seresta; Memória do Carnaval de 1979:Uma decoração de Juarez Paraiso; A Noite do Folclore; Cairu e suas festas populares; participação especial no filme Bahia Carnaval, de Oscar Santana, da Sani Filmes, sobre a decoração que fez no Carnaval; participação nos trabalhos de cenografia do filme Tenda dos Milagres, dirigido por Nelson Pereira dos Santos ; direção e apresentação do filme O Cisne Também Morre, sob direção de Tuna Espinheira. Estes filmes e muitos outros estão acondicionados numa caixa de isopor e fazem parte da História do Cinema na Bahia.
Matrizes de duas xilos de autoria do artista .

Recebeu várias premiações criando cartazes para importantes eventos, como também selos comemorativos da Empresa de Correios, ganhou os concursos para decorar os Carnavais de Salvador nos anos de 1971,1973 e 1976 e em 1977 na cidade de João Pessoa, na Paraíba, além de participar de muitas outras decorações de Carnavais, e também de decorações elétricas dos festejos natalinos em Salvador.

                                            

                               SUA  VIDA

Um desenho em bico de pena
 Edvaldo Santos Araújo, o Edvaldo Gato nasceu no Centro Histórico de Salvador, na Ladeira do Paço, número 34, filho de Joaquim Neves Araújo e d. Olinda Angelina Santos Araújo.O seu pai era mecânico, eletricista e aprendeu a dirigir muito cedo na cidade de Livramento de Brumado, onde um abastado fazendeiro comprou um carro no início do século XX. O menino Joaquim ficava olhando o motorista que veio junto com o automóvel para ensinar como dirigir e também algumas noções de mecânica daquela novidade. Com sua curiosidade aguçada aprendeu tudo que o profissional ensinou e seus pais tiveram que dar uma autorização para que ele dirigisse o automóvel porque ainda não completara 18 anos. 

Depois seu Joaquim veio para Salvador e aqui fazia serviços de motorista, mecânico e eletricista até juntar algum dinheiro e comprar um carro. Conta Edvaldo Gato que o primeiro carro foi um Chrevrolet de Estribo e depois um segundo comprado nas mãos dos americanos ao término da  Segunda Guerra Mundial. Os gringos ficavam aquartelados  onde hoje está a base da Aeronáutica próxima ao Aeroporto Dois de Julho, hoje Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães, e o comando na atual Escola de Aprendizes Marinheiros, no Comércio, chamada Base Backer. Seu pai dirigia caminhões e outros veículos militares  dos americanos e trabalhava na parte mecânica. Ao acabar a guerra eles deixaram caminhões e como Joaquim dirigia para o comandante terminou comprando o carro que dirigia, que era um Ford 1941. Seu pai ficou conhecido como Joaquim da Praça da Sé, porque segundo Edvaldo Gato "ele teve o primeiro carro de praça da Cidade, que assim era chamado naquela época, o que hoje  chamam de táxi. Ele dirigia todo engravatado e fazia ponto na Praça da Sé. As pessoas ficam receosas de tomar o carro porque tinham que

Gato e Fernando Coelho apresentam
decoração do Carnaval de Salvador
sentar ao lado do motorista, e na época não era muito bem vista esta atitude. Mas, o tempo passou e meu pai passou a trabalhar levando noivos para casamentos e outros eventos sociais. Lembro que ele enfeitava o carro todo para os casamentos. Era um Chevrolet de estribo e depois o Ford 1941."

Vieram morar na Estrada Velha de Campinas de Brotas que tinha pouquíssimas casas e algumas pequenas propriedades rurais. O Edvaldo Gato já tinha uns oito anos de idade. Ele lembra que o bonde vinha até a atual igreja de Nossa Senhora de Brotas, e também os ônibus que na época se chamavam Marionetes. Viu o bairro de Brotas se desenvolver. Ai já começara a fazer seus primeiros desenhos, inclusive muitos para trabalhos escolares de seus colegas. Um dia seu pai Joaquim perguntou o que queria ganhar de presente e ele escolheu uma caixa de lápis de cor. Foram até a Baixa dos Sapateiros e o Edvaldo Gato foi direto para o local onde estava a caixa de lápis de cor que já estava "namorando" há algum tempo. Também comprou um caderno de Desenho, tudo isto nas Lojas Brasileiras-Lobrás, popularmente chamada de  Loja Quatro e Quatrocentos. Conheci a Lobrás na Ladeira de São Bento, se não me engano no térreo do Edifício Basbaum.

Estudou na Escola da professora d. Candinha pela manhã e à tarde na Escola Lucas Dantas, no antigo Beiju, hoje Rua Teixeira Barros. Depois foi estudar no Ginásio Baiano de Ensino, no Campo da Pólvora, onde fez até o terceiro ginasial. Como na época era considerado um ginásio que não puxava muito pelo ensino e já morava na Estrada de Campinas de Brotas pediu ao pai que o transferisse para o então Ginásio Góes Calmon.

Mais um cartaz feito por Gato.

O bairro de Brotas tinha poucas ruas calçadas e em Campinas de Brotas tudo ainda era de terra batida. Com a caixa de lápis de cor nas mãos fez muitos desenhos. Mas, ele lembra que antes quando morava na Ladeira do Paço fez um belo desenho do majestoso prédio do então Instituto de Cacau que fica no bairro do Comércio. Falou com saudade e pesar por não saber que fim deu ao desenho. Mas, sua fama de desenhista cresceu em Campinas de Brotas e um dia estava na porta de sua casa em meados da década de 50 quando  um senhor chamado de Jerônimo, não lembra o sobrenome, que diariamente passava em sua porta, pela manhã com destino ao trabalho com uma pasta nas mãos e todo engravatado, e voltava à tardinha. Num certo dia lhe pediu para ver meus desenhos. "Mostrei uma pequena tela onde tinha pintado uma marina e um barco apoitado. Uma semana depois ele me devolveu a tela e junto um envelope que continha uma carta do professor Conceição Menezes, uma figura muito conhecida na época, como professor do Colégio da Bahia me recomendando ao diretor da Escola de Belas Artes." Os pais o incentivavam e Edvaldo foi até a Escola de Belas Artes, na rua 28 de Setembro e lá apresentou a tal carta , sendo logo encaminhado para fazer um pequeno teste e passou a frequentar a Escola . Em 1962 prestou Vestibular, que foi o primeiro realizado pela EBA, porque antes não havia vestibular, e sim um pequeno teste de aptidão, onde veio a se formar.

Bela xilo de Edvaldo Gato.
Recordando do seu primeiro dia na EBA disse que ao entregar a carta na recepção a funcionária entrou na sala da Diretoria e em seguida lhe acompanhou para percorrer as salas de estudo e foi até a sala de Desenho de Modelo ao Vivo e lá chegando havia uma modelo sentada num banco em cima de um pequeno tablado. Depois ela levantou e deixou cair um roupão  que cobria seu corpo nu. "Lembro que depois a conheci e chamava-se Vera. Foi um choque para mim, mas tudo bem. Meus professores foram de Desenho o Mendonça Filho, cerâmica Udo Knoff, escultura Mário Cravo, modelagem Buck, pintura e afresco Réscala, dentre outros. "

Chegou a trabalhar no Instituto de Aposentadoria dos Comerciários - antigo IAPC, que foi extinto, foi ilustrador da SUTURSA, Superintendência de Turismo de Salvador, funcionava no subsolo do Belvedere da Sé, tendo como superintendente o editor de livros, Gumercindo Dórea.

A partir daí percorre uma longa carreira vitoriosa com vários prêmios em concursos de Decoração de Carnaval, de Cartazes de importantes eventos realizados na Bahia, conhecido ilustrador, criou vários desenhos que se transformaram em selos oficiais da Empresa Brasileira de Correios, fez um painel-mural em homenagem ao cineasta Glauber Rocha numa promoção da Fundação Cultural da Bahia e Embrafilme, fez trabalhos para muitas prefeituras do interior. 

Talvez o primeiro cartaz de
capoeira feito na Bahia
.

Edvaldo Gato coordenou a parte de arte do projeto Espicha Verão, durante duas edições, sendo uma em frente ao Forte de Santa Maria e a segunda nas imediações do Farol da Barra. Ele levava tintas, cavaletes, pincéis , telas, papeis e artistas e quem chegasse poderia pintar. Foi um sucesso, mas devido a sua inexperiência de lidar com a coisa pública terminou tendo prejuízo financeiro e nunca foi ressarcido.

Teve um grave problema de saúde e sua mobilidade ficou prejudicada há cerca de uma década quando passou a usar muletas. Talvez por não ter um bom plano de saúde e uma boa assistência os problemas se agravaram e a uns cinco anos passou a usar uma cadeira de rodas. Esta limitação de mobilidade agravada com os altos e baixos das atividades artísticas também contribuíram. Possui muitas matrizes que precisam ser utilizadas para novas tiragens e até mesmo tiragens inéditas para que volte com força ao mercado de arte. Ele não parou de desenhar e de criar suas gravuras em seu atelier que teve que improvisar no térreo de sua casa, já que o seu atelier tinha um amplo espaço no primeiro andar da sua casa. Posso garantir que as gravuras de Edvaldo Gato podem figurar em qualquer coleção importante pela qualidade e inventividade de suas obras.

 EXPOSIÇÕES

O artista Edvaldo Gato é desenhista, gravador, ilustrador, cartazista e pintor dos mais conhecidos em terras da Bahia, tendo o seu nome ligado a várias ornamentações carnavalescas da Cidade do Salvador, com muitas exposições individuais e coletivas realizadas aqui e em outros estados. Foi premiado várias vezes em concursos de cartazes, e de peças filatélicas para confecção de selos, envelopes e carimbos pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Também teve atuação especial no campo do cinema com os diretores Siri,Tuna Espinheira e Oscar Santana.

Em 1973- As exposições - Pelourinho Jovem 73 e Feira de Arte e Artesanato do Pelourinho foram promoções da Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia;1962-  Artistas Baianos na Escola de Enfermagem da UFBA; 1963 - Primeira Convenção dos Lions Clubes da Bahia; 1964 - V Congresso dos Lojistas da Bahia; 1965 - Galeria Cañizares da EBAUB/UNFBA ;Galeria Bazarte Salvador – BA; 1966- Primeira Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia; 1968 - Segunda Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia, Salvador-BA; Segunda Semana da Cultura do Município de Cruz das Almas-BA; 1969 - Arte Jovem Bahia/Galeria Voltaico, Rio de Janeiro, na Primeira Selecionada Exposição de Renomados Artistas Plásticos da Bahia/Galeria Visuarte - BA; 1971- Feira de Arte na EBAUB/UNFBA ; Outubro Arte EBAUB/UNFBA;
Exposição Didática de Gravura da Galeria Cañizares da EBAUB/UNFBA; 1972 -  Galeria Candeeiro – Salvador-BA; Galeria de Arte da Bahia- GAB- BA; IV Salão de Arte Universitária promovido pelo Conselho de Extensão da UFMG no  Palácio das Artes de Belo Horizonte -MG ; Galeria da Biblioteca Central da Bahia, Salvador-Ba; Simpósio Franco-Brasileiro sobre a Indústria Petroquímica na Bahia ; Pré-Feira da Providência no Copacabana Palace, Rio de Janeiro; Feira da Providência no setor da Bahia – RJ; Salão da Moda e da Habitação no Pavilhão de São Cristóvão-RJ; 1973- Exposição Pelourinho Jovem 73, na Galeria de Arte do Pelourinho – Salvador-BA; Exposição "ION BA, trabalhos doados;
Feira de Arte e Artesanato do Pelourinho- Salvador-BA ; IV Feira Rio Export-Fair-RJ; I Salão de Arte do Clube de Engenharia da Bahia, EXIBA; 1974 - Galeria de Arte do Pelourinho, Salvador-Ba; Galeria de Arte Lya Roquette Pinto da Federação das Bandeirantes do Brasil – RJ; Plásticos da Bahia no Centenário do Diário de Notícias;  Casa do Estudante do Brasil- RJ; Ensaio Plano de Integração Artística, Exposição nº1, Salvador-BA; Museu de Arte Moderna na Semana Nordestina- RJ; Primeira Galeria de Arte da Cidade de Santo Antônio de Jesus- BA; 1975-  Primeira Exposição Coletiva de Artistas Baianos na Galeria RAG- Salvador -BA; 36 Artistas Brasileiros na Galeria Amanda Costa Pinto, promoção da Prefeitura Municipal de Cachoeira -BA; XV Feira da Providência através das Voluntárias Sociais da Bahia; Festival de Arte Contemporânea da Bahia na
Galeria Cañizares da EBAUB/UNFBA; Festival de Arte da Bahia/75 na Galeria Cañizares da EBAUB/ENFBA, Salvador-Ba; Feira de Gravuras da Cooperarte promovida pelo Instituto Cultural Brasil Alemanha; 1976 -  Galeria Arco Iris-BA; 1978- Exposição de Trabalhos doados em benefício da Fundação de Assistência a Menores do Estado da Bahia. Solar do Unhão; 1981 - 35 Anos de Gravura da Escola de Belas-Artes da UNFBA, Salvador-BA; 1982 -
Exposição Cinema e Artes Plásticas, na Galeria do Cine Teatro do ICBA; Exposição O Folclore nas Artes Plásticas, na Galeria Genaro -Salvador-BA; 1982 – Exposição Cinema e Artes Plásticas, na Galeria do Cine Teatro do ICBA, Salvador-BA; Exposição na sede da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos -EBCT ;1983 – Exposição no Circuito de Artes Plásticas do Nordeste Bahia, Museu de Arte Moderna, Salvador-Ba; VI Salão Nacional de Artes Plásticas, no Palácio da Cultura e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; 1984 -Exposição na Galeria EBCT, Salvador-Ba; 1986 -Exposição na Mudança na Câmara de Vereadores da Cidade do Salvador; Mostra Baiana de Artes Plásticas, no foyer do Teatro Castro Alves, Salvador-BA; 1988 -A Gravura em Destaque, Homenagem do Ateliê Livre de Metal, da Universidade de Brasília, DF; Exposição comemorativa dos 25 anos da 13 Galeria de Arte, Câmara Municipal de Salvador-BA; Exposição Inauguração da Galeria FAZART, Salvador-BA; Exposição na Galeria de Arte da Câmara de Salvador-BA; 1991 – I Exposição e Leilão de Arte do Grupo de Apoio à Criança com Câncer -GACC, no Museu de Arte Moderna da Bahia; Exposição da Escola Parque dos Artistas Plásticos Filiados à Associação de Artistas Plásticos Modernos da Bahia, Salvador-BA; 2008 – 68 + 40 O Resgate da II Bienal de Artes Plásticas da Bahia, Galeria Cañizares, Salvador-BA; Exposição e Leilão das Voluntárias Sociais, no Palacete das Artes, Salvador-BA; Coordenação da Exposição Praça das Artes, no evento Espicha Verão, Salvador-BA; 2009 – Exposição Coletiva BrasilBahiart 2ª Edição , Salvador-BA; Coordenação  da Instalação da Praça das Artes, no Evento Espicha Verão; 2010 – Exposição Coletiva na Waldo Robatto, Oficina de Arte, comemorativa dos 21 Anos.

 

 

 


 [RB1]



terça-feira, 14 de março de 2023

JAYME FYGURA E SUA VIDA PERFORMÁTICA

Jayme Fygura ao centro, Leonel Mattos e eu.
Estive com o Jayme Andrade Almeida, conhecido nos meios urbanos de Salvador e artísticos performáticos nacional como Jayme Fygura, é assim junto que ele gosta de ser tratado. Consegui que tirasse a máscara de pano que cobria o seu rosto por uns poucos segundos e pude em seguida conversar tranquilamente sobre sua vida e sua arte na manhã de 10 de março de 2023, num espaço improvisado de atelier do seu amigo Leonel Mattos, no bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Ali está envolvido num projeto para pintar uma série de cinquenta telas de 1m x 1m. Mas, prometi que não publicaria qualquer foto sem sua máscara instigante. A magia que envolve seu personagem deve permanecer causando a mesma curiosidade que tinha. Nessas telas ele pinta detalhes das máscaras de metal que usa e outras peças de sua indumentária, além de Orixás, a exemplo do Exu, este numa tela bem maior. O Leonel o deixa livre para fazer o que lhe vem à cabeça e o resultado tem sido surpreendente. Além de artista plástico performático, é compositor e cantor. Era vocalista da banda de rock underground Farpas Band, e chegou a se apresentar muitas vezes em público no SESC e em outros espaços alternativos, sempre vestido numa de suas indumentárias cantando e tocando guitarra. Atualmente está impedido de cantar porque quebrou alguns dentes superiores quando foi atropelado, e os dentes precisam de restauração, e não tem grana para isto. Até sua fala está um pouco prejudicada devido aos dentes danificados.

Jayme Fygura com algumas obras recentes.
Matei a curiosidade de ver o seu rosto que aqui tento descrever. É um homem negro por
volta de sessenta anos, de barba rala com muitos fios brancos, braços musculosos, cabelos brancos entrançados e amarrados por uma fita vermelha. Bem articulado, o Jayme Fygura conversa tranquilamente sobre vários assuntos e tem ciência de que sua indumentária ser extravagante e causar reações diversas que vai da curiosidade do transeunte ao medo de alguns. Devido a sua atitude de usar o seu corpo como suporte para sua manifestação artística ele já foi vítima de algumas incompreensões e até agressões, quando certa vez um morador do Pelourinho atirou uma pedra que lhe atingiu e feriu sua perna. Em outubro de 2016 estava comemorando a vitória de um político na Rua Carlos Gomes quando foi atropelado por um carro que lhe quebrou cinco costelas, dentes, e deixou sequelas no braço direito, impedido de fazer esforço maior, como pegar pesos, por exemplo, e também afetou sua coluna e seus movimentos. Ele vem aos poucos se recuperando, e na época chegou a pedir ajuda pela internet porque estava impossibilitado de trabalhar, e passou algumas privações. Aliás privações sempre o acompanham. 

                                                                        INFÂNCIA


Jayme na frente de
sua casa no Carmo
Muito já se escreveu sobre o Jayme Fygura, inclusive tem uma dissertação de Mestrado de autoria do artista José Mário Peixoto Santos, intitulado "Jayme, a Figura do Artista Performático", datada de 2003, até foi filmado pelo cineasta Daniel Lisboa. Portanto, é um artista que não passa despercebido pela Academia, pelo meio artístico e também pela mídia. Mas, o que quis conhecer foi o lado humano do Jayme que está por trás daquela indumentária extravagante e performática que anda vagando pelo Centro Histórico provocando reações diversas, inclusive fetiche entre mulheres e gays. 

De quando em vez sai com uma frase fora do contexto. Não gosta de falar de sua vida e dos familiares. "Deixe fora!" Diz com sua voz hoje prejudicada pelo atropelo que lhe quebrou os dentes superiores. “Sou um João Ninguém. Mas, na realidade depois de alguma conversa se mostra confiante e fala com desembaraço do seu trabalho, dos seus objetivos e mesmo da família. Por trás daquela figura que espanta muita gente tem um homem sensível e responsável. Cuida da sua esposa que ficou com algumas limitações depois do AVC, e chega no horário estabelecido por ele e Leonel Mattos para pintar um total de cinquenta telas que estão no atelier improvisado para serem pintadas. Já pintou algumas delas e o resultado é um conjunto de obras que reflete a sua vida performática com cores fortes, feitas com espátula e pincel em densas camadas.

O menino Jayme Andrade Almeida nasceu no dia 2 de janeiro de 1959, na cidade de Cruz das Almas, mas foi registrado em Salvador. Passou sua infância no bairro Alto do Peru, na rua Pacheco de Oliveira, onde seu pai um homem que viajava muito, pois era da Marinha Mercante e mantinha sua família num padrão de classe média . Ele hoje questiona porque seu pai foi comprar uma casa em plena área de mato, quando poderia ter comprado na Ribeira, por exemplo. Mas, - adianta- talvez ele comprou porque tinha outras pequenas construções as quais alugava. Nós tínhamos uma vida tranquila, nos alimentávamos bem. Não faltava nada, até meu pai ser atropelado no Rio de Janeiro e teve dificuldade para se aposentar e receber uma pequena indenização da Marinha Mercante. Como tinha diabetes a perna nunca cicatrizou e assim levou até os seus últimos dias de vida. Quando ele morreu minha mãe teve de pedir ajuda das pessoas para acabar de criar os sete filhos. Sofremos muito."

 

Estudou o primário na Escola União e Progresso, no Alto do Peru, mas não gostava das aulas de História e sempre procurava filar as aulas. Costumava se esconder num depósito onde eram empilhadas as velhas carteiras quebradas. Certo dia estava lá, tinha por volta de cinco anos de idade, quando entrou a funcionária encarregada de fazer o mingau para distribuir com os alunos, quando ela chegou para mudar a roupa e vestir a farda. Ele ficou nervoso ao ver aquela cena e saiu correndo. Foi denunciado à diretoria pela funcionária, como ele estivesse se escondido para vê-la tirar a roupa. Mas, foi apenas uma coincidência, confessa o articulado JaymeFygura . Aí passou a sofrer o que hoje chamam de builling. Passado um tempo foi estudar no Colégio Pinto de Carvalho, em São Caetano, mas não chegou a concluir o segundo grau.

Jayme,vocalista da Farpas
 Band
E continuou "a miséria bateu em nossa porta. A nossa residência ficava na Rua Pacheco de Oliveira, no Alto do Peru, e entre os inquilinos que moravam atrás da nossa casa  tinha um artesão, que não lembro o nome dele, que fazia umas esculturas de madeira. Foi aí que comecei na minha adolescência a me interessar e passei também a fazer pequenas esculturas de Exu e ia vender no Mercado Modelo. Foi o despertar para as artes."

Foi servir ao Exército no Batalhão de Guardas, no Forte do Barbalho, de 1968 até meados de 1970 e chegou até a se preparar para fazer o curso cabo. Pretendia seguir a carreira militar e seu objetivo era ser sargento. Mas, ocorreu que sua atual esposa ficou grávida e o "salário do Exército", era muito baixo teve que sair para procurar um emprego que ajudasse no sustento da família. Foi assim que foi trabalhar na gráfica Liderança, que ficava em São Caetano. Lá trabalhou como chapista, impressor e depois o dono fez uma pequena sala, colocou ar condicionado e ali passou a desenhar logotipos e outros desenhos de publicidade. Evoluiu e passou não apenas a atender os clientes da gráfica como também seus clientes que lhes encomendavam desenhos de marcas, etc. Em seguida foi trabalhar numa agência de publicidade a Baldacci e lembra que chegou a ganhar até uns quinze salários mínimos por mês. Passou a ter uma vida tranquila até comprou um carro. Todo seu trabalhão era manual. Com a chegada do computador enfrentou alguma dificuldade, mas chegou a fazer o curso de CorelDraw. Porém, com a chegada de Collor de Mello ao poder em 1990-1992 perdeu o emprego e tudo que tinha ganho. "Ai passei a procurar emprego e só queriam pagar 2 a 3 salários mínimos, e havia uma grande oferta de estagiários universitários que se submetiam por qualquer salário. Me aborreci e desisti".

                                           DEPOIMENTO

Jayme Fygura pintando no ateliê
Foi o artista Leonel Mattos na década de 1970 que realmente começou a observar o que o Jayme Fygura produzia. Ele estava fazendo uma exposição na Galeria Abaporu, de Ligia Aguiar, no Pelourinho, em dezembro de 1997 quando o Jaime apareceu e o convidou para conhecer as pinturas que fazia na casa de número 4, na Ladeira do Carmo, e vendia esporadicamente aos turistas que passavam por ali. Foi quando Leonel Mattos viu suas indumentárias e se interessou em divulgar. Lembro que um dia ele chegou com Jayme na sede do Jornal A Tarde, na Avenida Tancredo Neves, onde eu trabalhava e todos ficaram espantados. Mandei entrevistar e publiquei a matéria. A partir daí passaram a vê-lo como um artista performático. Suas indumentárias foram sendo acrescidas de novos elementos como uma forma de proteção. Quando ele andava nas ruas até alguns motoristas maldosos jogavam o carro em cima dele foi então que resolveu colocar proteção nos joelhos com placas de metal. É uma pessoa muito tímida, tem algo que o impede de conviver com as pessoas de cara limpa. Se esconde através de máscaras, luvas, botas a se proteger das pessoas e de cachorros que latem muito quando o encontram. Muita gente o conhece como Homem Lata. Ele gosta quando as pessoas se assustam ou se aproximam. 

Jayme com sua  arte
performática.
Ressalta Leonel Mattos "que Jayme Fygura não pode ser confundido com figuras folclóricas como a Mulher de Roxo, o Mágico Mr. Brocks e outros. Jayme tem consciência que é um artista performático e age assim durante todo o tempo que está acordado." Leonel o apresentou a galeristas, levou para todas suas exposições, e também para as ruas quando pintaram vários muros. Lembram que certa vez estavam pintando nas imediações da Avenida Garibaldi quando passou um sujeito que parou o carro e mandou ele apagar uma suástica nazista que estava pintando a qual pretendia cobrir com umas flores. Mas, a reclamação do motorista foi tão contundente que decidiu apagar.

 

Realmente como lembra Leonel Mattos "Jayme não é um acumulador de coisas como acontece com alguns outros. Ele tem consciência e usa os materiais que consegue para a criação de sua indumentária, que é única, e se apresenta ao público como um artista performático". Com certeza, o Jayme tem muita consciência do seu trabalho e preserva inclusive esta magia de seu personagem. Não permite muita intimidade que venha a revelar a sua verdadeira identidade.

Numa mensagem que me encaminhou através o Whatzapp disse que a década de 80 foi melhor para ele quando recebeu as casas e também fundou a sua banda de  rock The Farpa Band e participou do Festival do Rock, na praia de Jaguaribe, em Salvador, organizado pelo sindicato dos músicos e recebeu uma premiação disputando com várias  bandas de rock. Recebeu o prêmio no valor de R$3.800,00 reais pela premiação em primeiro lugar. "Por isto não parei mais e continuei meu caminho na carreira musical performático. Isto me fortaleceu muito na época"

                                           O HOMEM X ARTISTA PERFORMÁTICO

Jayme Fygura na frente do
ateliê ,no bairro de Amaralina.
Tive a oportunidade única de conversar alguns segundos do Jayme Fygura sem a máscara ninja de cor preta que tirou depois de reclamar e ficar desconfiado. Isto aconteceu logo após ser apresentado por Leonel Mattos e conversarmos um pouco. Antes nos cumprimentamos normalmente e passamos a conversar sobre sua infância, adolescência, sua juventude, passagem pelo Exército, seu casamento, família e filhos. Talvez transmitindo confiança e com o apoio de Leonel Mattos conseguimos que tirasse a máscara ninja que escondia o seu rosto. Tem uma preocupação imensa em deixar sua esposa e os dois filhos já adultos fora do seu trabalho artístico. Notei que se comporta como tivesse duas vidas. Uma do marido que cuida da esposa, que sofreu um AVC e passou por um período muito complicado, e do pai que não deixa os filhos se envolver com a sua obra. A segunda é a vida do artista que permanece a maior parte do tempo vestido naquelas indumentárias que assustam e atraem pessoas  e provocam reações de espanto e até mesmo de revolta, aos que não conseguem compreender um trabalho performático.

Jayme de costas com
seus cabelos brancos
.
Ele é natural de Cruz das Almas onde nasceu em 2 de janeiro de 1959, mas foi registrado em Salvador. Isto era muito comum entre as pessoas mais humildes naquela época registrar os filhos posteriormente. Filho de Estefânia Andrade Almeida e Arlindo Souza Almeida, que era da Marinha Mercante. Seus pais já faleceram e atualmente mora entre a Ladeira do Carmo, número 20, e a sua residência familiar na Avenida Gal Costa. Enquanto conversávamos volta a me questionar: "Vai divulgar na matéria os nomes dos meus familiares? Estou preocupado. Quero eles fora! Os nomes de mamãe e papai pode divulgar". Argumentei que era normal falar dos nomes dos familiares dos entrevistados, mas não consegui convencê-lo e saiu com esta resposta. "Mas, no meu caso é diferente porque existem pessoas que podem prejudicá-los. Não quero que ninguém saiba de nada!"  Aí está exatamente uma das razões porque o JaymeFygura desde os anos 70 se apresenta com esta indumentária que assusta e impõe um distanciamento. Ele tem uma forte timidez e assim se protege dos seus medos. Diz que é ligado a Exu e Omolu e que sua cabeça pertence a Oxum. 

Sei é que sempre sai com suas diferentes indumentárias com uma lata de forma cilíndrica representando o falo de Exu, onde me disse que coloca um recipiente de vidro e ali guarda o seu pênis depois de passar álcool gel no recipiente. Isto porque "tenho as pernas juntas e as vezes sofro com assaduras. Para evitar infecção adoto esta forma de proteger a genital". Ele revelou ainda que deixou de participar do Carnaval porque mulheres e gays ficavam querendo tirar a lata que imita o falo do Exu e isto o deixava incomodado.

Jayme Fygura até hoje sofre sequelas no
 braço direito e em outras partes do
corpo
Foto Google
         curador do Festival de Arte Negra, que foi realizado em Minas Gerais em 2012, com participação de Jayme Fygura o Francellis Castillo Leal escreveu "Jayme é arte que provoca choques tectônicos por onde passa, abrindo fissuras no psiquismo humano e social". É verdade até no seu dia a dia sempre tem algum fato que marca a presença dele por onde passa, imagine no local onde reside e trabalha.

       Como ficou desempregado durante o governo Collor de Mello foi morar de favor no Edifício Themis onde guardou uma grande caixa com suas indumentárias. De quando em vez colocava algumas delas para tomar sol e os moradores dos apartamentos mais altos jogavam todo tipo de objetos e até cabeças de galinhas e pó de café. foi aí que conseguiu um local na Rua das Flores, no Pelourinho e saiu arrastando a imensa caixa no asfalto da Praça da Sé até esta nova moradia. Também, ligava a radiola alto ouvindo rock. Certo dia um dos moradores desligou a sua luz. Ele bateu forte na porta para pedir para religar a luz e houve um desentendimento e foi aí que o vizinho jogou uma pedra na sua perna e terminaram na delegacia, mas depois foi feito um acordo e tudo ficou em paz. Mas continuou colocando  nas janelas as roupas para tomar sol e uma vizinha implicou e deu queixa no IPAC, até que o transferiram para a casa de número 4, no primeiro andar, na Ladeira do Carmo.

Lá também não foi aceito porque funcionava um restaurante no  térreo e toda a fumaça da cozinha entrava no espaço que ele ocupava. Para se proteger "e respirar o ar puro " colocou uma imensa cortina para desviar a fumaça, mas também acumulava a sujeira que caia do teto do casarão, e às vezes sujava as mesas dos clientes. Ali ele comercializava suas obras como pinturas e esculturas e também umas carrancas que um conhecido trazia da região do São Francisco. Também, os vizinhos reclamavam que ele trabalhava com serras cortando metal e com marretas causando um barulho danado. Foi ai que Sonia Fontes, da Conder , no Governo de ACM, lhe destinou o térreo da Casa número 20, da Ladeira do Carmo, onde está até hoje e construiu o seu Sarcófago, e recebeu também uma casa num conjunto habitacional na Avenida Gal Costa, onde vive com sua família. 

 

Além de ter sido atropelado em outubro de 2016, na Rua Carlos Gomes e hoje estar enfrentando as sequelas o motorista atropelador fugiu deixando-o estirado no chão, e a placa do veículo não foi anotada, o Jayme Fygura foi assaltado três vezes. Sua indumentária não intimidou os assaltantes atraídos talvez pelas histórias que correm no Pelourinho de que ele tem grana. Na realidade Jayme Fygura precisa trabalhar sempre para se sustentar e enfrenta dificuldades financeiras com certas frequências. Quando do atropelo colocou um cartaz e uma mensagem apelando para as pessoas o ajudarem a enfrentar as dificuldades porque foi obrigado a permanecer quase um ano inteiro numa cama até que teve a ideia de apelar por ajuda pela internet. Vejam parte da mensagem: "Estamos passando por dias muito difíceis, sei que já precisei de sua ajuda. Mas, agora algumas coisas pioraram, por isso peço que me ajudem como puderem. Somos pessoas idosas, minha esposa e eu, e existem muitas formas de ajudar. Estamos abertos a todo tipo de apoio". A ajuda era para compra de alimentação , remédios e outros gastos de rotina.  Para isto oferecia a venda suas máscaras, pinturas e outros objetos de arte de sua autoria. Veja que aí ele volta a mostrar preocupação com a esposa, portanto ele tem esta ligação com a família.

 

 

                                 

 


quarta-feira, 8 de março de 2023

A HISTÓRIA DA GRAVURA BAIANA EM MAIS DE 200 OBRAS

Abertura da mostra na Galeria Cañizares.
Uma exposição que merece ser vista está na Galeria Cañizares, no bairro do Canela, em Salvador, onde você poderá apreciar e conhecer um pouco da história da gravura de nosso Estado. Tudo começou em 1953 quando o artista Mário Cravo Jr ministrou  o primeiro Curso de Gravura na Escola de Belas Artes da UFBA, portanto, há setenta anos, e para isto contou com a boa vontade de José Valadares, que era Diretor do Museu de Arte da Bahia, que emprestou uma prensa, a qual até hoje se encontra na escola  sendo utilizada pelos professores e alunos.  A exposição tem a curadoria da Diretora da Escola Nanci Novais e do professor de gravura o paulista Evandro Sybine. 

Nanci Novais, Hilda Oliveira 
e Terezinha Dumet.
Disse a professora Nanci Novais que "esta mostra já era para ter sido realizada, mas como surgiu à necessidade de homenagear o professor Juarez Paraíso, que está com uma exposição no Palacete das Artes, no bairro da Graça, até o dia 31 deste mês, a mostra da gravura só foi iniciada ontem, dia 7, na Galeria Cañizares.  Estão expostas mais de duzentas obras sendo todas pertencentes ao Acervo  da Escola de Belas Artes e dos acervos de  seis colecionadores particulares. O visitante tem a rara oportunidade de ver reunidas gravuras dos mais importantes artistas baianos que trabalharam com gravura entre eles Emanoel Araújo, Calasans Neto, Sante Scaldaferri, Mário Cravo, Newton Silva, Hansen Bahia, Rescala, Edison da Luz, Washington Falcão, Estivaletti, Hilda Oliveira, Floriano  Teixeira, Terciliano Jr. , Márcia Magno, Terezinha Dumet e muitos outros. 

É bom lembrar que foi realizado antes um  curso de gravura por Poty Lazzarotto, no Museu de Arte Moderna da Bahia e por aqui passaram  expoentes da gravura como o Oswaldo Goeldi, dentre outros. Diz a Curadoria que a partir do curso ministrado pelo modernista Mário Cravo Jr. "a gravura se instalou na EBA com ares modernistas, ganhando características próprias , inovando na linguagem, nas técnicas ,materiais e nos procedimentos, tornando-se ,assim referência no cenário artístico do  País".

As obras expostas são de artistas a partir dos anos 1950, ligados a Escola de Belas Artes que foram influenciados pelos mestres Mário Cravo Jr, Henrique Oswald e Hansen Bahia."Obras também de gravadores que desenvolveram seus trabalhos nas décadas de 60 e 70 na Galeria Convivium, Bazarte, Coperarte, galeria-oficina de serigrafia e xilogravura que funcionou no ICBA não sons 1970sob a liderança de Renato da Silveira e Hansen Bahia e também do curso de Gravura do Museu de Arte Moderna da Bahia . Depois surgiu o Clube de Gravura da Bahia, criado pelo artista Anote-lo L'Abatte reunindo vários artistas da EBA e de outros cursos de gravura.

Esta gravura Carro de Boi, de Hansen Bahia, 
é uma das mais significativas entre
as  expostas na Cañizares.

Importante ressaltar que além de mostrar um panorama da gravura  produzida na Bahia a exposição da EBA serve para prestigiar e incentivar para o surgimento de novos colecionadores da gravura. A mostra reúne as coleções: Acervo da EBA dos artistas Juarez Paraíso, José Dílson Argolo, Hilda Oliveira, Evandro Sybine, Antonello L'Abatte, Adriel Figueiredo , Josemar Antônio e dos atuais alunos  de gravura da EBA. Esta gravura Carro de Boi, integra o acervo do professor Evandro Sybine. Ele informou que faz parte de uma série de três gravuras do Carro de Boi.
As três obras de autoria de Newton Silva.
Pedi ao professor Marcelo Silva, filho do mestre Newton Silva, que doou três obras para o acervo da EBA que escrevesse um pequeno texto sobre as obras de seu paí. Vejam as palavras de Marcelo aqui transcritas: "Nem sempre Newton Silva, representava seus desenhos em suporte de papel. As décadas de 50 e 60 foram períodos em que ele mais produziu gravuras, nunca fugindo de temas  ligados a figura humana em particular  os humildes, e trechos de casarios europeus. Nesta exposição da Galeria Cañizares podemos apreciar três trabalhos inspirados em mendigos que viviam nas imediações da igreja do São Francisco, em pleno Centro Histórico de Salvador. Podemos ver sua fidelidade à forma e a proporção, características dos grandes acadêmicos baianos".

 

 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

SURPRESO COM A QUALIDADE DA ARTE DE GUEL SILVEIRA

A
Guel diante de seu última obra
 minha reação foi de surpresa ao ser apresentado à produção artística de Guel Silveira realizada das últimas décadas.  Estive com ele em 1978 e de lá para cá vi algumas publicações em jornais de exposições realizadas aqui e em outras capitais. Mas, tinha conhecimento que Guel teria decidido largar a pintura e passara a se dedicar à pecuária criando gado na região de Vitória da Conquista, onde passou a morar com sua família. Foram treze anos nesta atividade e o que levou a esta ruptura foi um fato que lhe deixara chateado porque ao realizar uma exposição em Recife, foi publicado um texto sobre a exposição e trocaram o seu nome pelo do pai Jenner Augusto. Foi um choque, e ele resolveu parar para pensar um pouco se deveria continuar trabalhando com arte. Porém, Guel Silveira é muito mais do que o filho de um artista plástico famoso. 
Guel Silveira é um artista na essência da palavra, tem criatividade, sabe mexer com as formas, tintas e outros materiais. Possui além de formação acadêmica, na Escola de Belas Artes da UFBA, onde estudou com grandes mestres baianos, também frequentou os ateliers de Calasans Neto, aprendendo a xilogravura, e no atelier de Mário Cravo Jr. Participou de um curso promovido pelo meu saudoso amigo Sante Scaldaferri, ministrado no Teatro Castro Alves, na época em que funcionou o Museu de Arte Moderna da Bahia no foyer daquela casa de espetáculos, nos idos dos anos 60. Depois de décadas de trabalho ele está com seus últimos trabalhos intitulados de Dobras saindo do plano rumo ao tridimensional. Em breve veremos esculturas abstratas e geométricas criadas pelo artista. Sua produção artística nada tem a ver com o que produzia seu pai. São completamente distintas. E ponto final nisto!
Xilogravura de 1974,de Guel
Anos depois, já no ano de 2001, Sante Scaldaferri escreve: "Surge um pintor que de há muito tempo conhece técnica, sabe pintar e faz pintura de boa qualidade apresentada em diversas exposições, que pesquisou muito, fez pintura abstrata, que sempre procurou um caminho, que têm muita sensibilidade e outros predicados, porém, nesta exposição, ele nos mostra tudo que estava latente dentro de si, e que agora começa a aflorar. Mudou tudo: a temática, o discurso e a escrita. Ele consegue transfigurar, ironizar, reinterpretar, e colocar a realidade e os fatos que o cercam, de uma forma pessoal e contemporânea. Este é um texto de um pintor, sobre a exposição de outro, com muito orgulho) colega." 

Portanto, tem uma sólida formação e disciplina de trabalho, que faltam a muitos artistas. Diariamente, sai de sua casa e vai para o atelier localizado num amplo apartamento no Morro do Gato, em Salvador, onde cria suas obras. Guel Silveira não gosta de limites e de ficar preso a determinadas temáticas. Hoje pode pintar uma marinha, amanhã uma natureza morta e depois vai para as dobras e colagens misturando temáticas e materiais. 

"Violeta Varonil", obra feita em spray 1984.
Fiquei também surpreendido com a quantidade de catálogos e livros escritos sobre sua obra. Portanto, estamos diante não do filho de um pintor famoso. Estamos diante de um artista que sabe o que quer, tem uma obra consolidada, e importante, registrada para a posteridade. É muito meticuloso, diria até um pouco tímido, porque sua obra já deveria ser muito mais conhecida dos brasileiros e, particularmente dos baianos, e está necessitando urgente ganhar novos espaços. Tem qualidade, são pinturas feitas dentro da técnica e não àquela pintura chapada que muitas vezes encontramos por aí.

Relembra Guel Silveira que foi muito profícua a convivência com os grandes artistas modernistas baianos "porque cada encontro era um aprendizado." Aos 18 anos já frequentava o atelier de Calasans Neto, o querido Calá, que passava as informações necessárias para que criasse suas gravuras as quais eram impressas na prensa do mestre, no atelier que funcionava na casa de Calá no bairro de Itapuã. Depois comprou uma prensa e posteriormente alugou um espaço no bairro da Boca do Rio, por sinal vizinho ao amigo e contemporâneo Mário Cravo Neto, o Mariozinho, o grande fotógrafo reconhecido mundialmente, que nos deixou prematuramente. 

Em 1999 mostra naturezas-
mortas
Escrevi em 1978 no jornal a Tarde na minha coluna Artes Visuais: "Disse certa vez um político mineiro que "o homem não tem culpa de três coisas na vida: a cor da pele, o sobrenome que carrega, nem o lugar onde nasceu." Esta frase é suficiente para entendermos que Guel teve a felicidade de nascer no meio de um forte movimento artístico modernista que vivia a Bahia, e isto deve ser celebrado. Aqui este movimento se fortaleceu tendo como um dos principais incentivadores o grande escritor Jorge Amado que era um agregador de amizades que duraram enquanto viveram. Foi neste ambiente salutar que se formou a personalidade artística de Guel vendo àqueles mestres do modernismo baiano atrair inclusive artistas de outros países e estados como o Floriano Teixeira, do Maranhão, e seu próprio pai que era sergipano, Carybé vindo da Argentina e Hansen Bahia, da Alemanha, dentre outros. 

Nesta marinha em acrílica sobre tela me
 chama a atenção a transparência
e a luminosidade .
O artista Guel Silveira começou com uma pintura abstrata e depois passou pelo figurativo. Atualmente está desenvolvendo uma série de obras que ele chama de Dobras inspiradas na arte milenar dos orientais e asiáticos de dobrar, os famosos origamis. A delicadeza desta arte, que reproduz animais e mesmo objetos, nos remete a delicadeza e   leveza do fazer. Como disse anteriormente, só mesmo as pessoas meticulosas, calmas e persistentes conseguem realizar bem esta arte. Assim Guel Silveira vai calmamente criando suas obras utilizando materiais diferentes em pequenos e até mesmo minúsculos pedacinhos de papel e outros materiais para compor uma obra. Sempre nas formas que cria podemos ver de longe a uma referência com um animal marinho e mesmo com a paisagem iluminada da orla do bairro do Rio Vermelho, em Salvador, onde cresceu e viu começar a florescer a sua arte. 

"A Inquisição", também em acrílica
e tela
.
O curioso é que mesmo interrompendo suas Dobras para pintar marinhas e até mesmo abstratos notamos que existe uma certa coerência nesta passagem e como que se completam para formar este conjunto, aparentemente complexo, mas harmônico. As cores quase sempre caminham dentro de uma ideia maior que é de expressar livremente o sentimento do ambiente em que vive. E quando seu assistente o Paulo Sérgio foi pacientemente apresentando as obras fui também observando que elas embora tenham unidade não repetem a maioria dos elementos que as compõem. Portanto, uma demonstração da elasticidade de sua criação.

Uma das características da forma de trabalhar de Guel Silveira é que além de pintar ao mesmos obras usando o abstracionismo e o figurativo ele nunca está satisfeito com o quadro que teria concluído. Ao olhar sempre volta e faz algumas modificações retirando ou introduzindo novos elementos. A sua intenção é que a obra realmente tenha tudo que ele imaginou em momentos diferentes. Sempre foi assim quando começou com as gravuras, depois com a técnica do spray, com a pinturas em acrílico sobre tela e agora com as dobras onde faz recortes, colagens e pintura na mesma obra, utilizando alguns tipos de materiais como juta, cartonado, papéis lisos, estampados e reciclados e Arches, este muito utilizado pelos seus colegas artistas para pintar aquarelas, além de pedaços de placas de isopor full. Portanto, além da criação pictórica tem esta coisa do fazer, da habilidade manual de um artesão que vai construindo o meticulosamente o seu mundo dentro de uma dimensão de intimidade com os diversos materiais. 

Pintou e ainda pinta inspirado nas
pinaúnas,que existiam em grande
número nos arrecifes das praias
 do bairro do Rio Vermelho.

A propósito de suas Dobras o próprio Guel Silveira escreveu :Dobras: Virar, revirar, dobrar, transpor em múltiplas viras. / Buscar todas as viradas de cada esquina, de cada rua, de cada labirinto, de todos os avessos / Tudo na vida é dobra. / O que não pode ser dobrado é fixo, estático, não se multiplica, não dá sombra, não revela, também não esconde. / Não ilumina, não mostra a intensidade da luz. / Não amplifica, não reverbera e nem vibra / É oco, não ecoa, não transmuta. /...

Na conversa que tivemos numa tarde ensolarada em seu atelier disse que sofreu alguma influência dos artistas o paulista Arthur Luiz Piza que nasceu em 13.01.1928 e faleceu em 26.05.2017 na França / Ile de France / Paris. Do cearense   Antônio Bandeira nascido em 26 de maio de 1922 e falecido em Paris, 6 de outubro de 1967), e também dos mestres nipo-brasileiros Manabu Mabe (1924-1997) e Kazuo Wakabayashi (nasceu em 1931) e Tikashi Fukushima,(1920-2001) que os conheceu frequentando sua casa.

Vejo também um distanciamento completo da sua produção e do que fazia o seu pai, que era um figurativo, enquanto o Guel Silveira tende mais   para o abstrato, e mesmo quando se inspira numa singela piraúna ou ouriço do mar, como é conhecida em outros locais do litoral brasileiro, ele consegue transmutar este molusco e representá-lo dentro de sua linguagem abstrata. E aqui reproduzindo as sábias palavras do caro Geraldo Edson de Andrade, escritas em 2012, infelizmente Edson está em outra dimensão. Veja: "A linguagem abstrata não é tão fácil como costumam afirmar os diletantes. Uma composição abstratizante pode conter, sim, elementos reais quando transfigurados pela sensibilidade do artista que nela expressa não somente sua catarse interior nela inserida memória e afetividade. Há, pois sensível ligação entre formas e cores com sentimento e emoção norteando as intenções de Guel nas mais recentes pinturas".

Esta obra ele estava trabalhando nela
quando cheguei ao seu atelier para
iniciar a nossa conversa.

Outra surpresa foi saber que Guel Silveira era amigo do poeta Thiago de Mello com quem privou desta amizade alguns dias em sua casa construída às margens de um rio em plena floresta Amazônia. Aí lembrei de um episódio que vivi no final dos anos 1960 quando fui ao Rio de Janeiro participar de um congresso estudantil realizado na Faculdade Cândido Mendes, e o então agentes do DOPS, que era o temido Departamento de Ordem Político e Social apareceram com várias viaturas cercando o prédio da Faculdade. Foi exatamente logo após o poeta Thiago de Mello, que estava todo vestido de branco, acabara de recitar vários poemas de cunho político para nós estudantes. Foi um momento sublime, interrompido com a possibilidade de sermos presos e levados para a sede do DOPS. Felizmente o então reitor da Faculdade o professor Cândido Mendes era um homem muito querido e respeito interveio e lá pela madrugada as viaturas começaram a sair. Foi um alívio geral. 

Guel ao lado de seu amigo o poeta
Thiago de Mello na sua casa doada por
Lúcio Costa em  plena floresta amazônica,
onde passou alguns dias.
Mas, voltando a falar desta amizade o Guel Silveira esteve algumas vezes na casa que foi construída e doada ao poeta Thiago de Mello pelo arquiteto Lúcio Costa, aquele mesmo que juntamente com Oscar Niemeyer construiu a ilha da fantasia, a nossa Brasília. A casa fica às margens do rio no município de Barreirinha e o acesso é feito de barco.

 A propósito o poeta dedicou alguns versos em ocasiões distintas sobre a obra pictórica do Guel Silveira. Escolhi esses versos e aqui os transcrevo: "É nas cores que está a linguagem poética de Guel. / Como a moça da janela, o pássaro no vento, a doçura no pêssego. / No convívio com elas, amoroso e constante aprendeu sozinho / o que o mestre Albee ensinou na sua teoria das cores. / Passa horas, tem vez que atravessa o dia na frágua palheta, / trabalhando só para encontrar a sua cor mágica. / Recordo que respondeu Rodin, quando o poeta Rilke, jovem, ?

lhe perguntou o que era preciso para ser um grande artista: /-Primeiro nascer artista e depois trabalhar , trabalhar e trabalhar". E em outra ocasião escreveu o poeta Thiago de Mello: "Faz tempo considero que não deve haver discórdia / entre o artista e a pessoa... Os dois são um só / Guel Silveira, belo artista, um homem bom".

Atualmente Guel Silveira está expondo vários trabalhos da série Dobras, na Galeria Zeca Fernandes, localizada na Rua Alameda dos Mulungus, 83, Praça dos Eucaliptos, bairro Caminho das Árvores.  Guel está também expondo várias obras no evento de decoração Casas Conceitos, que está sendo realizado no bairro de Santo Antônio Além do Carmo , no Centro Histórico de Salvador. É um evento que reúne  arquitetura, decoração, arte e entretinimento e estará aberto até 30 de outubro. Está instalado na Escola Divino Mestre, um antigo centro de ensino que não funciona há 20 anos. A área te, 3 mil metros quadrados e o evento tem três ambientes. Vale a pena conferir. Ao lado o convite da outra exposição, que você ainda pode visitar na Praça dos Eucaliptos. 


 PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES

Em 1974- A Galeria São Paulo Panorama de Arte Atual Brasileira; Exposição no  Museu de Arte Moderna de São Paulo; Mostra no Diário de Notícias Salvador  ; Novarte Bahia Feira de Santana-Ba;   1975 Museu do Estado da Bahia Salvador  1976 A Galeria São Paulo  Galeria Agora Rio de Janeiro ; 1977 Panorama Galeria de Arte Salvador  Oscar Seráfico Galeria de Arte Brasília  Galeria Grossman São Paulo  Galeria AMI- Belo Horizonte  1978 Galeria Grossman Salvador  Augusto Rodrigues Galeria de Arte Recife  Galeria AMI- Belo Horizonte ; 1979 Kattya Galeria de Arte Salvador  1980 ; Galeria Casablanca Rio de Janeiro;  1995 Espaço de Arte Jenner Salvador;  1997 Galeria Valeria Vidigal Vitória da Conquista-BA ; 1998 Museu Galeria de Arte Caetano Veloso Santo Amaro-BA ; 1999 Espaço de Arte Jenner Salvador  Exposição de lançamento do livro 100 Artista Plásticos Salvador  Arte Salvador 450 anos Museu de Arte Moderna da Bahia ; 2000 Manolo Saez Curitiba (Edição Especial Correio da Bahia);  2001 Espaço de Arte Jenner Salvador;  2007 Manoel Lorenzo Galeria de Arte Salvador ; 2008 Fundação Gregório de Matos Salvador  2009 Câmara dos Deputados Brasília  ; 2011 Museu Rodin Bahia ; 2012 Tramas Galeria Rio de Janeiro  Zeca Fernandes Escritório de Arte;  Ilustração do livro "Tieta do Agreste" Jorge Amado ⁃ Galeria Jenner Augusto Sergipe ,Aracaju (SE); O Exercício Livre da Memória - Adilson Santos - P55 Edições - 2013- Salvador-(BA); 50 anos de Arte na Bahia - Uma Homenagem a Matilde Matos - Edições  EPP- MCM ,Salvador - BA; Um sentir sobre as artes visuais de Sergipe - 50  artistas - Coleção Mario Brito - Ed. Jornal O Capital LTDA - ME , Aracaju (SE);  Riolan- Desenhos, Gravuras e Pinturas - Edição Faz Cultura do Governo do Estado da  Bahia , Salvador - BA; Jenner Augusto - Cores de Uma Vida - Org. Mario Britto  e Zeca Fernandes - Ed. Sociedade Semear - Banco do Brasil ; Guel Silveira- Verdades do Inconsciente - Ed. Santa Marta - Salvador - BA; 2015- Exposição Entre Obras e Dobras, na Galeria Jenner Augusto, em Aracaju-SE ; 2022- Exposição Obras e Dobras na Galeria Zeca Fernandes, Salvador-Ba.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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