Translate

sexta-feira, 15 de maio de 2015

RIBEIRA DO POMBAL PRECISA PRESERVAR SUA HISTÓRIA

Depois  da igreja este solar era o mais importante.Datado do início do século
 XIX. Poderia ter se transformado numa biblioteca ou casa de cultura .
Vários prédios que serviram de referência para várias gerações de pombalenses foram demolidos, sem que as autoridades e mesmo a população esboçassem qualquer reação. Entre eles podemos citar: a igrejinha e o cruzeiro que ficavam na antiga rua da Santa Cruz, hoje, Avenida Evência Brito; o antigo Mercado Municipal; Solar dos Brito’s; Casa Chaves e o prédio da cadeia pública, conhecido por Quartel, dentre outros. O mesmo vem acontecendo com algumas manifestações populares como os grupos de bumba meu boi, de reisados, etc. Está na hora de uma ação positiva em defesa do nosso patrimônio histórico e cultural.
Foi através da obra da  artista Vânia Reis, que vem ao longo dos anos pintando e  registrando em suas telas a Ribeira do Pombal antiga, que percebi que a reflexão a qual vinha fazendo sobre a descaracterização que a cidade vem sofrendo, também, interessava a outras pessoas. Depois soube que Ubiratan Rocha coleciona fotos antigas dos moradores e da própria cidade, inclusive duas delas ilustram esta matéria.
A majestosa igreja de Santa Tereza, construída pelos jesuítas 
quase ia à baixo pela sanha dos insensíveis.
  A sanha destrutiva da construção civil costuma desrespeitar as tradições em todos os recantos de nosso país. Prédios que deveriam ser conservados, porque fizeram parte da história e do desenvolvimento das cidades, estão desaparecendo. Foi assim com a igreja e o imponente Cruzeiro que ficavam na antiga rua Santa Cruz, hoje, batizada com o nome de Avenida Evência Brito - a igrejinha ficava  mais ou menos no local onde está a Casa do Juiz; o Mercado Municipal; o centenário casarão dos Brito's; os prédios onde funcionavam as lojas de tecidos de Antônio Nascimento e a Casa Chaves, de José Leôncio; os prédios do  antigo Abrigo ( bar) e o posto de gasolina Esso e, recentemente ,  derrubaram  a Cadeia Pública, conhecida por Quartel. Eram prédios que tinham uma identidade com a nossa cidade. Como podemos ver a maioria estava localizado na  Praça Getúlio Vargas, hoje completamente desfigurada com a construção de imóveis de gosto arquitetônico duvidoso. 
As intervenções têm que ser feitas com critérios e não simplesmente porque alguém acha bonito ou feio.O patrimônio de qualquer cidade tem que ser preservado e os pombalenses devem ficar alertas para evitar novas perdas irreparáveis como a da igrejinha na rua Santa Cruz e outros prédios que desapareceram deixando um vazio do nosso patrimônio histórico.                                                                                              
                                              
                                                      PRESERVAR O QUE RESTA

Este belo prédio  também foi demolido e em seu lugar surgiu 
outro de gosto arquitetônico discutível.
Estas referências desapareceram e deram lugar a outros imóveis  sem qualquer valor arquitetônico,contribuindo para apagar da memória das novas gerações a verdadeira história de Ribeira do Pombal. Até a histórica igreja matriz, de Santa Tereza, construída pelos jesuítas, esteve ameaçada na mira para ser demolida e, foi salva, graças a alguns abnegados que fizeram uma campanha ( da qual contribui) para arrecadar fundos para recupera-la. Assim, este templo majestoso continua servindo de casa de oração aos pombalenses e se impondo como o mais antigo prédio da cidade.
Não sou contra a modernidade e o desenvolvimento. Ao contrário, porém, entendo que a modernidade não pode passar como um trator por cima dos bens materiais e imateriais das nossas comunidades. Não é conversa de sonhador, de poeta ou como queiram classificar àqueles que não têm esta sensibilidade de valorizar o nosso patrimônio
 Esta falsa ideia de que os bens só devem ser preservados se forem centenários é ultrapassada. Os técnicos do Crea, de São Paulo, publicaram  uma importante obra: Patrimônio Histórico: Como e Por que Preservar, onde defendem que "a importância de um bem não tem ligação direta com sua idade. Hoje, existem entidades de preservação da arquitetura moderna. Bens recentes podem ser indicados para tombamento, pois também estão sujeitos às descaracterizações ou demolições ".
O escritor Telmo Padilha diz que "o  Patrimônio Cultural é um conjunto de bens culturais, e tem seu valor reconhecido por um determinado grupo, ou mesmo, por toda a humanidade. Normalmente o patrimônio cultural é dividido em duas categorias: os bens intangíveis e os bens tangíveis
Outro prédio significativo da cidade era o imponente Mercado
 Municipal demolido pra nada!
Já o Instituto Estadual do Patrimônio, de Minas Gerais, ensina que "a comunidade é a verdadeira responsável e guardiã de seus valores culturais. Não se pode pensar em proteção dos bens culturais, senão no interesse da própria comunidade, à qual compete decidir sobre sua destinação no exercício pleno de sua autonomia. Para preservar o patrimônio cultural é necessário, inicialmente, conhecê-lo através de inventários e pesquisas realizadas pelos órgãos de preservação , em conjunto com as comunidades. O passo seguinte é a utilização dos meios de comunicação e do ensino formal e informal para a educação e informação das comunidades, para desenvolver o sentimento de valorização dos bens culturais e a reflexão sobre as dificuldades de sua preservação."
                                                       
                                                          CRIAR UM PARQUE PÚBLICO


A Prefeitura Municipal, mesmo com seus poucos recursos, deve olhar para essas descaracterizações que a modernidade impõe, a fim de combatê-las. Também, a nossa  cidade precisa de um local para a Cultura, para realização de exposições, de encontro de escritores e poetas, onde os jovens possam ter maior contato com a arte e a literatura. Este local poderia ser um aglutinador para resgatar as tradições culturais, especialmente as manifestações populares da zona rural.
Quando da realização do projeto Domingueiras o produtor cultural Roberto Sant'Anna, conseguiu reunir várias manifestações populares que a maioria dos pombalenses desconhecia que existiam em nosso município. Foi um momento mágico e encantador para os que gostam de arte e das tradições culturais.
Os administradores de Pombal já devem ir pensando em criar um parque, próximo da Cidade, numa área significativa da caatinga, preservando-a para ser utilizada pelas futuras gerações. A caatinga também está desaparecendo. Essas ações devem ser implementadas por um gestor que pensa no passado, no presente e no futuro de sua Cidade.
Não podemos ficar só conhecidos como a cidade que tem muitos bares e mulheres bonitas. É preciso cultivar também valores culturais, que enriqueçam as atuais e futuras gerações.
                                                                                                                                         Reynivaldo Brito
                                                                                                                                               Jornalista




FESTIVAL DE FOTOGRAFIA EM BELO HORIZONTE


Os artistas e pesquisadores brasileiros e de outros países poderão enviar até o próximo dia 3 de julho suas fotografias para o Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte , que em sua segunda edição, estará recebendo trabalhos que exploram as interseções e relações da fotografia com o universo das artes visuais.
  "Os interessados podem se inscrever para três ações do festival: Exposição Internacional, Moving Images e FIF Universidade. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 3 de julho por meio do site www.fif.art.br. O FIF BH 2015 será realizado entre os dias 10 e 20 de setembro e incluirá ainda palestras, oficinas e maratona fotográfica. 

Para se inscrever na convocatória da exposição internacional, os artistas deverão apresentar uma série de oito imagens, ficha técnica e um breve texto com descrição do trabalho proposto, além de currículo e portfólio, sendo que todos os arquivos solicitados não deverão ultrapassar 15 MB. Os termos da convocatória podem ser consultados no site do festival e o resultado será divulgado até o dia 20 de julho. "

IMAGENS EM MOVIMENTO 

"Visando ampliar o entendimento sobre as possibilidades da produção criativa ligada ao universo da imagem fotográfica, a convocatória Moving Images busca trabalhos que privilegiam a fotografia em movimento. Serão selecionadas obras que atuam no campo de aproximação entre fotografia, vídeo, animação, GIF animado, cinema e novas tecnologias. Esses trabalhos serão exibidos em sessões de projeção durante o FIF BH 2015. Para participar da convocatória, os artistas devem inscrever-se no site enviando um link com apresentação e descrição do trabalho que desejam incluir na programação do Festival."

Durante os onze dias de programação mais intensa do Festival, no mês de setembro, serão realizados cinco painéis de debate abertos a pesquisadores do Brasil e do mundo. A ação busca gerar reflexão sobre a produção imagética, suas influências no mundo e a forma como impactam as relações humanas. Serão selecionados 20 artigos para compor os cinco paineis e também integrarão uma publicação digital de caráter cultural com ISBN. Para se inscrever o pesquisador deverá enviar seu um resumo do artigo por meio do site do Festival. 

Idealizado pelos artistas visuais Bruno Vilela e Guilherme Cunha, o FIF chega à sua segunda edição com a proposta de refletir sobre as relações Mundo, Imagem, Mundo. “O ser humano cria imagens e as utiliza como meio para construir, entender e propagar ideias. A imagem se torna então uma ferramenta de poder, pois ela tanto organiza quanto também desestabiliza realidades”, explica Vilela. “Gerar reflexão sobre a produção imagética e suas influências no mundo é o que pretendemos com o FIF 2015”, completa Cunha. Além dos dois, compõem a curadoria dos trabalhos recebidos pelo festival o crítico, ensaísta, membro-diretor da Associação Cultural Videobrasil (SP) e professor da PUC Minas, Eduardo de Jesus; e a artista e professora da Faculdade de Belas Artes da UFMG, Patrícia Azevedo. 

O FIF-BH 2015 é realizado com recursos do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e conta com apoio de parceiros como Artmosphere, Solução Imagem, Agência Nitro, Canal C, Hahnemuhler, Fundação Clóvis Salgado e Governo de Minas Gerais. "
 
O FESTIVAL

"O FIF - Festival Internacional de Fotografia busca promover o diálogo entre a produção fotográfica de diferentes países, bem como o encontro entre fotografia e outros meios de expressão criativa. 

Em 2015, o festival tem como proposta refletir sobre a produção imagética, suas influências na construção das diferentes visões de mundo e a forma como impactam as relações humanas, por meio do conceito Mundo, Imagem, Mundo. Voltado para o universo fotográfico ligado a pesquisas e investigações no campo das poéticas visuais, o festival bienal busca privilegiar os processos criativos que exploram a fotografía como elemento potêncial do discurso poético e sua interseção com outras plataformas de produção do conhecimento sensível. 

Em sua primeira edição, realizada em 2013 (www.fif.art.br/2013), o Festival recebeu mais de 1.000 inscrições vindas de 73 países. Foram selecionados 340 trabalhos de 32 artistas, de 19 nacionalidades, oriundos de 4 continentes, que integraram a grande exposição que ocupou seis espaços da capital mineira." Estas informações são de Ricaro Girundi, Coordenador das Galerias da SUBSL, de Belo Horizonte.


domingo, 3 de maio de 2015

AS FOLHAS DOS ORIXÁS


Aqui a representação do Orixá  com a
conhecida Espada de Ogum
A nossa cidade é rica pela sua diversidade cultural e, a contribuição africana nos proporciona uma riqueza imensurável de gostos, sabores, cheiros, cores além de  manifestações religiosas e culturais muito variadas. Agora o fotógrafo Alexandre Mury vai mostrar a partir do próximo dia 7 de maio na Galeria Roberto Alban várias fotos do universo das folhas dos Orixás e da cultura afro-brasileira.
 Lembrei que na época da construção da Avenida Bonocô existiam naquele vale vários terreiros de candomblés que foram deslocados e, na época escrevi uma reportagem protestando contra a retirada das árvores sagradas e, principalmente  as do Tempo arrancadas impiedosamente pelos tratores . A necessidade da mobilidade social, hoje tão em voga, levou de arrastão ao esquecimento àqueles terreiros e suas árvores sagradas.  
Portanto, fico feliz em ver que Alexandre Mury vem ressaltar a importância das folhas, e é claro da natureza, no universo dos Orixás. Esta frase da cultura yorubá  transcrita pelo jornalista Antônio Moreno no texto que anuncia esta mostra  - Sem folha não tem Orixá - sintetiza a importância desta relação do culto com a natureza. A mostra intitulada "O Catador na Floresta dos signos" é resultado de "uma incursão artística e filosófica sobre o universo afro-brasileiro a partir de uma pesquisa feita pelo artista fluminense durante dois meses em Salvador. A exposição fica em cartaz até o dia 6 de junho na galeria que fica no bairro de Ondina.
As folhas e flores de Iemanjá
O trabalho de Mury resultou na composição de 12 orixás, numa leitura livre baseada na simbologia das folhas associada à figura humana.  Em sua pesquisa em território baiano, o fotógrafo investigou o tema religioso a partir do contato próximo com as pessoas que vivem o candomblé no seu cotidiano, levando para sua vida essa influência. “Eu tinha uma ideia na cabeça, mas quando cheguei a Salvador tudo mudou. Mudou na construção e no próprio sentido da obra que eu imaginava fazer”, disse, ressaltando a importância da vivência em terras baianas para o resultado final da mostra.
Para  ele a exposição  decorre de sua atenta observação sobre a apropriação dos signos e significados do candomblé pelos baianos.  “Aqui, mesmo quem não é do candomblé acaba incorporando alguma coisa do candomblé no seu dia a dia”, observa o artista, que diz ter procurado em seu trabalho a busca da ancestralidade no que ela tem de mais essencial. Nesse ponto, entra como fio condutor da mostra o elemento natureza, particularmente, as folhas.

terça-feira, 21 de abril de 2015

CENTENÁRIO DE UM GRANDE ARTISTA - HANSEN BAHIA


Esta foto eu fiz no dia em que estive visitando Hansen, que já estava adoentado e veio  mostrar a bela paisagem.
Num domingo ensolarado resolvi pegar a estrada e fui visitar, sem avisar, meu amigo Hansen Bahia, em São Felix. Fazia algum tempo que não tinha estado com ele, principalmente depois que foi morar naquela cidade fugindo do barulho de Piatã , bairro onde morou durante alguns anos numa confortável casa onde mantinha três prensas no seu amplo atelier.
Minha expectativa era encontra-lo forte, com sua potente voz e mãos enormes a me receber, juntamente com a meiguice de Ilse, sua companheira por muitos anos. Porém, ao chegar encontrei meu amigo deitado numa cama com um ededron quadriculado amarrado na cintura e, sem aquele seu jeito, às vezes meio de rude de conversar e receber as pessoas.
Fiquei meio surpreso porque na época mantinha contatos com muitos artistas seus amigos e conhecidos e nenhum mencionou que Hansen estava adoentado. Ele levantou da cama e veio mostrar, sem aquela alegria que lhe era peculiar, a sua linda casa que funciona como se fosse um mirante descortinando o vale , o rio Paraguaçu e as cidades-irmãs Cachoeira e São Félix. Um lugar privilegiado que ele escolheu para viver seus últimos anos nesta terra que adotou como sobrenome.
Logo depois veio a falecer em junho de 1978. Hansen nasceu em Hamburgo, na Alemanha ,e depois de morar em vários locais escolheu a Bahia como sua terra definitiva. Teve uma vida cheia de aventuras e vississitudes . Deixou  uma produção artística vigorosa e  para a fundação que tem o seu nome nada menos que oito mil gravuras catalogadas ,onde ele esculpiu e depois imprimiu, àquela gente simples dos cabarés baratos do velho Centro Histórico, pescadores, carregadores de feira, prostitutas, cafetãos. Enfim, uma infinidade de pessoas que povoam o  universo baiano e jorgeano ( de Jorge Amado) . Também, enfocou pessoas da sociedade e inclusive seus colegas de profissão. A condição humana também lhe serviu de inspiração para suas excelentes e inconfundíveis gravuras
Curtia muito os aglomerados da cidade de Salvador como as feiras livres, os mercados populares, o de São Miguel, sobre o qual fez um álbum de gravuras (Flor de S ;os ancoradouros naturais onde aportam os pequenos barcos e saveiros.
Das duas vezes que morou em Salvador  ( em 1955 a 1959 e de 1966 a 1978) sempre esteve envolvido com a gravura. Lembro que tomei um curso com  ele no Instituto ICBA , no Corredor da Vitória, e fiquei impressionado com os rápidos sulcos que ele fazia nas pranchas de cedro,  levando-as depois  para a impressora de onde saiam suas belas gravuras.
Portão da sua casa em Piatã, onde desistiu de continuar
morando por causa do barulho,segundo me disse.
 Na época o hoje Instituto Goethe era o centro de efervescência cultural de Salvador ,local onde os jovens militantes no movimento estudantil se reuniam para tomar uma cerveja, assistir um dos vários cursos oferecidos ou um filme engajado. Era um dos poucos locais livres para as atividades culturais mais avançadas da época. Foi ali que o encontrei Hansen pela primeira vez e tomei conhecimento da grandiosidade do seu talento já talhado em outras plagas. Lá sua depois esposa Ilse entrou para o curso de gravura e depois se transformou numa espécie de assistente terminando por uma união que durou até sua morte. Ilse morreu logo depois.

CENTENÁRIO

Se estivesse vivo Hansen Bahia teria completado cem anos de vida no dia 19 de abril último. Nasceu na Alemanha  e teve uma infância pobre, inclusive contraiu a tuberculose. Sempre teve este espírito de aventureiro  chegando a pedalar até a Itália, foi sorveteiro, participou de uma trupe de circo, também foi marinheiro embarcado . Teve três filhos do primeiro casamento. Mais dois no segundo relacionamento. Lutou na Segunda Grande Guerra ,quando foi ferido e no porto de Hamburgo recolheu cadáveres. Era um assunto que não gostava de falar. Tinha certamente, horror às  guerras e àquela intolerância dos que já viveram em períodos conturbados  Esteve na Etiópia onde ficou entusiasmado com  a cultura popular e com o ditador Selasiê, que o convidou para ministrar um curso de gravura. 

domingo, 22 de março de 2015

O HUMOR INTELIGENTE DE MARKO ADJARIC


Marko segura alguns trabalhos
num suporte que ele criou
 O sérvio Marko Adjaric ,tem 52 anos, é formado em jornalismo e, se dedica a fazer humor de qualidade utilizando de vários formatos a depender do momento. Está completamente antenado com o que está acontecendo hoje em muitos lugares do mundo, onde ele vai buscar informações sobre o humor que está sendo feito. Diante deste ambiente virtual onde gravita o Markão, como alguns o chamam, mostra uma necessidade de se comunicar e, mais ainda de que as pessoas entendam e riam dos seus trabalhos.
 Evidente que alguns de seus trabalhos estão interligados com a cultura europeia, com autores europeus e, por isto muitas pessoas não decodificam com a velocidade que ele gostaria. Isto o incomoda , porque dentro da sua visão estética e cultural as mensagens são de fácil entendimento.
Obra de Marko  mensagem crítica com  humor
Percebi mais claramente  esta ansiedade quando estive pessoalmente com ele. Já tínhamos trocado algumas mensagens pelo Facebook. Os artistas de modo geral querem que as pessoas apreciem e falem alguma coisa sobre suas obras. Dizem que não se importam com as críticas, mas, verdadeiramente se importam e, ficam alegres, como qualquer ser humano, quando são elogiados.

Outro trabalho de Marko em parceria com
 seu amigo Bira

Também, sente que existe uma resistência ou talvez uma leniência entre os vários profissionais que precisam se comunicar com mais frequência ou intensidade. Ele mesmo faz voluntariamente um trabalho de pesquisa  visando a atualização de seus colegas captando nas várias  mídias trabalhos de artistas europeus e mesmo de outros continentes visando que haja uma abertura ,conhecimento e inter-relacionamento  cada vez maior entre eles. A internet é uma importante ferramenta que o Marko sempre está utilizando para realizar este trabalho .
O artista tem muito entusiasmo pelo que faz. Fui encontrá-lo numa feira que foi realizada no dia 21 de março de 2015, no canteiro central da Avenida Centenário . Estava em companhia da Izabel Delmondes  que vai editar seu próximo livro eletronicamente, portanto, um eBook  ou seja um livro em formato digital. Já está orçando outro livro de 96 páginas, este impresso, o qual será lançado brevemente e tem uma característica especial por ser todo dedicado a trabalhos de humor picante com muitas cenas fortes de sexo. O nome deste livro é Primeiras Bocagens. Com este livro espera alcançar um público menos intelectualizado ou seja o seu objetivo é  agradar os trabalhadores, o homem comumEstá ainda divulgando seu Cordelito , que é um livreto em forma de um cordel onde estão inseridos vários trabalhos de sua autoria. Pretende fazer um circuito pelos colégios levando sua arte e seu humor para os jovens com o objetivo de divulgar cada vez mais esta arte milenar. Ele trabalha com sindicatos fazendo trabalhos de humor e informativos , além de  biografias em quadrinhos.
O seu objetivo é que as pessoas comuns curtam e se identifiquem com seus trabalhos de humor. Já tem alguns prêmios e sua produção não para de crescer. Tem uma visão crítica da sociedade e um orgulho de sua terra a Sérvia a ponto de quando fala onde nasceu costuma dizer que é  sérbio ( com b Mesmo) para frisar a sua nacionalidade. 
Marko e com sua amiga Izabel Delmondes que fará a
edição eletrônica do seu próximo livro.
Sabemos que os sérvios e croatas foram protagonistas de uma guerra fraticida onde milhares de pessoas, principalmente civis, morreram  entre abril de 1992 a dezembro de 1995 na chamada Guerra da Bósnia.
Voltando ao Marko ele faz Caricaturas , Quadrinhos, BDs, Cartoons, Mangás e Manhwas Tem facilidade em falar línguas o que lhe permite buscar informações sobre cartunistas de vários países.
Lembra que publicou alguns trabalhos na Tribuna da Bahia, num suplemento chamado A Coisa, em 1975.Este é o Marko Adjaric um artista , humorista multifacetado capaz de transitar em vários formatos com seu humor inteligente e atualizado.





terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

VÂNIA REIS RESGATA DA MEMÓRIA DE RIBEIRA DO POMBAL

A artista Vânia Reis mostra parte de  obra de sua autoria
A artista Vânia Reis reside no distrito de Barrocão, município de Ribeira do Pombal e, tem realizado um trabalho de resgate da memória da cidade pintando importantes imóveis, alguns inclusive que deveriam ter sido preservados pela Prefeitura Municipal.
Este lindo prédio foi substituído por
outro de arquitetura duvidosa.
Mas, faltam aos gestores de muitas cidades de nosso país a sensibilidade para preservar o patrimônio histórico e, assim muitos imóveis importantes são demolidos e transformados em novos edifícios, que contribuem para enfeiar as cidades, especialmente do interior deste Brasil afora.
Em Ribeira do Pombal temos alguns exemplos como a demolição do Mercado Municipal, do sobrado dos Brito, da Casa Chaves, do sr.José Leôncio,onde por  muitos anos funcionou sua loja de tecidos; a igrejinha e o Cruzeiro  que deram o nome de Avenida Santa Cruz, hoje, Avenida Evência Brito.
Antiga praça Getúlio Vargas, vendo-se ao fundo o Solar dos
Brito's, que foi demolido dando lugar a um supermercado.
 Esses são alguns importantes elementos da arquitetura da cidade que conheci.Certamente muitos outros foram demolidos antes que  tomasse consciência de sua importância histórica para a cidade e futuras gerações.
A praça Getúlio Vargas já sofreu nos últimos 50 anos várias remodelações e, sempre é destruído o que havia sido edificado sob a busca da modernidade. É verdade que atualmente a praça está mais bonita, porém,um  coreto que existia desapareceu e, em seu lugar colocaram um bar em plena praça. Praça é local para passeio, para as crianças brincarem, para os namorados e não local de vender bebidas alcoólicas sob a proteção do poder municipal.
A bela igreja da Mirandela construída pelos jesuítas.
Voltando ao trabalho de Vânia ela vem pintando com base em fotografias esses imóveis desaparecidos com suas pinceladas firmes vai fixando nas telas esta memória que foi retirada das atuais e futuras gerações. Assim, a antiga praça Getúlio Vargas, a Casa Chaves ,do sr. José Leôncio, a loja de Antônio Nascimento,o sobrado dos Brito's , e mais recentemente a Cadeia Pública, conhecida como Quartel , e outros são retratados por ela para a posteridade.
Tenho algumas fotos do antigo abrigo e do posto de gasolina que pertenceram ao meu pai . Ambos foram demolidos dando lugar aos prédios hoje, existentes no local. em plena Praça Getúlio Vargas.

Quem é

Natural do povoado de Barrocão, município de Ribeira do Pombal, Vânia Reis é uma artista autodidata .Começou seu interesse pela pintura por volta dos oito anos de idade. Já fez alguns cursos visando o aprimoramento de sua arte . Sua primeira mostra foi em 1997 em Embu das Artes, no estado de São Paulo.
De lá para cá tem participado de outros eventos ligados às artes plásticas como feiras de artes , exposições individuais e coletivas , inclusive em Salvador. Gosta de pintar prédios e praças, que são ícones das cidades. Também, pinta por encomenda  de pessoas que desejam perpetuar nas telas imóveis , que já pertenceram ou pertencem às suas famílias.




sábado, 10 de janeiro de 2015

ARTESÃOS BAIANOS PERDEM O INSTITUTO MAUÁ

Depois de quase um século dando apoio  e incrementando o
artesanato baiano o governo petista resolve
acabar com o Instituto Mauá.
Depois de 76 anos de funcionamento o atual governador do PT , Rui Costa, decidiu com uma canetada acabar com o Instituto de Artesanato Visconde de Mauá. Um absurdo de uma administração que começa dando sinais de que não importam as tradições da Bahia. Talvez eles nem saibam que muitas das bandeiras da Bahia que tremulam nos órgãos públicos e nas solenidades de gala foram confeccionadas e bordadas por artesãs ligadas ao Instituto Mauá. Esta entidade é responsável pelo incremento do rico e diversificado artesanato em nosso Estado. Dava, através de suas feiras e outras ações, visibilidade ao artesanato que se faz nos mais escondidos recantos do território baiano.
O Instituto Mauá foi criado em 1º de março de 1939 e vinha funcionando ininterruptamente, inclusive suas lojas localizadas no Porto da Barra e na rua Gregório de Mattos, no Centro Histórico, bastante visitadas pelos turistas. Não eram mais visitadas por falta de divulgação por parte da Bahiatursa.
Ali mostrava o artesanato verdadeiramente feito na Bahia, sendo mais uma atração turística da nossa cidade. No Mercado Modelo você encontra uma variedade de artesanato, porém, muitos produtos são confeccionados em outros estados e são vendidos como se fossem da Bahia. 
Esta imagem de São Joaquim , de
autoria de Gerar, um artesão
da região do rio São Francisco
adquiri numa das feiras dos
Instituto Mauá
A extinção do órgão vai deixar uma imensa lacuna em todos os artesãos daqui e dos municípios que tinham nele uma maneira de expor, reunir, orientar e comercializar as peças produzidas pelos artesãos baianos de todas as cidades. Além de estimular a produção e ministrar cursos sobre o trabalho artesanal.
O que o Instituto Mauá precisava era de maior incentivo para que os artesãos que produzem coisas maravilhosas pudessem ter uma visibilidade cada vez maior. 
Portanto, esta administração começa deixando este vazio para uma das manifestações populares mais importantes e rica do nosso estado, que é o artesanato. 
Também, está ligada ao Instituto Mauá a Associação Comunitária Empreendedora Taboarte, que funciona no distrito de Maracangalha. O Instituto comprava as peças dos artesãos e repassava para o público a preços acessíveis, bem mais baratos dos cobrados, por exemplo, no Mercado Modelo, onde os turistas, muitas vezes, são obrigados a pagar mais caro. 
Além disto as obras eram identificadas com o nome do autor, a origem e os preços, o que não acontece em outros locais de venda espalhados pela cidade. 
Muitas famílias de artesãos vão sentir a falta da entidade que sempre foi uma estrutura de apoio a produção do artesanato baiano.