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terça-feira, 14 de julho de 2026

SEMANA MOVIMENTADA NAS ARTES VISUAIS

 EXPOSIÇÃO MANTOS ENTRELAÇADOS NA CAÑIZARES

Luciana Valio
trabalhando.

A artista Luciana Valio vai expor a partir do próximo dia dezessete na Galeria Cañizares , em Salvador, uma série de trabalhos em homenagem a professora e artista visual Viga Gordilho, que também faz a curadoria da exposição que tem o nome sugestivo de Mantos Entrelaçados. Está prevista que no dia da abertura por volta das dezoito horas uma performance com as obras expostas. Informam as artistas que a exposição é resultado de uma pesquisa desenvolvida durante o estágio de pós-doutorado realizado em 2025 no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escolas de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – EBA.  As obras são resultado de experiências que a artista vivenciou na Bahia e no Rio Grande do Sul “buscando construir uma etnografia própria reconhecendo seu chão a partir do encontro com o outro. Nesses percursos, territórios e materialidade entrelaçam-se, orientando as escolhas das técnicas têxteis entendidas como portadoras dos sabores ancestrais de cada lugar”.

Serão expostos mantos, cestos e outros objetos artísticos produzidos a partir do encontro com diferentes paisagens, saberes e materiais encontrados ao longo da pesquisa entre palhas, areia, folhas, ervas, flores e até cera de abelha. Certamente diz a artista cada um dos elementos traz consigo memórias, modos de fazer e relações de cuidado. “O ato de tramar, presente em toda a exposição, ultrapassa a dimensão técnica para afirmar-se como gesto de permanência, resistência e construção coletiva. Um gesto inscrito no corpo performa a ação cotidiana do trançado, envolvido com a vida comum”. A mostra homenageia Viga Gordilho por meio da obra Alloro, também dedicada a todas as mulheres silenciadas.

A Luciana Valio é uma artista visual, pesquisadora e professora universitária. Ela investiga as relações entre a arte têxtil, corpo, território, materialidade e saberes ancestrais, desenvolvendo trabalhos que articulam práticas artísticas, pesquisa e extensão em diálogo com as comunidades artesãs de diferentes lugares. Ela é paulista onde nasceu em 1978, vive entre Campinas, no interior de São Paulo e no Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul. Desde 2016 que vem trabalhando fundindo a arte e a natureza utilizando têxteis e os fazeres manuais. Suas performances mostram a conexão entre Corpo, natureza e o mundo espiritual (Cosmos).

A professora, artista visual e curadora Viga Gordilho escreveu que o Manto Alloro “é o silêncio transformado em trama coletiva”. O surgimento dessa escultura têxtil surgiu há muitos anos, quando ela conheceu a escultura de Bernini, sobre o mito de Dafne, perseguida por Apolo, ela é transformada por seu pai em um loureiro. Este mito nunca teria saído do seu imaginário  e Viga confessa que sempre teve uma grande vontade de fazer algo a respeito do silêncio feminino.  A escultura Apolo e Dafne encontra-se na Galleria Borghese, em Roma, e retrata o exato momento em que a ninfa se transforma num loureiro para fugir do deus Apolo. A obra é famosa por seu realismo e foi feita pelo escultor Gian Lorenzo Bernini entre os anos 1622 e 1625. A escultura impressiona a todos que tem a oportunidade de vê-la de perto por seu realismo extremo , onde o mármore parece ter movimento e leveza. Ao lado Viga Gordilho com seu manto.


         CAETANO DIAS LANÇA LIVRO ÁGUA BRUSCA

O artista visual  Caetano Dias que é pintor, escultor, cineasta e escritor  lançará no próximo dia  18, às 10.30 horas, na Paulo Darzé Galeria , no Corredor da Vitória, em Salvador,  o seu livro Água Brusca ,com  quatrocentas páginas, onde  através de um

conto discorre sobre a importância da rabeca, este instrumento musical rudimentar que ainda é fabricado e muito utilizado nas manifestações populares especialmente nas comunidades rurais. Este instrumento de cordas friccionadas é chamado de pai do violino e chegou à Europa trazida pelos árabes e depois ao Brasil pelos colonizadores portugueses. A rabeca se popularizou no Brasil na música popular e no folclore, sendo ainda tocada no Nordeste , nos fandangos caiçaras e em festas populares como bumba-meu-boi. O livro de Caetano Dias contém poemas, contos além  muitas ilustrações e fotografias de Eliezer Bezerra e Márcio Lima, dentre outros . Disse o artista que o livro é quase uma novela e traz este universo mítico que ele vem se dedicando há algumas décadas . Inicialmente fez um longa  metragem  A Rabeca , que recebeu alguns prêmios em festivais de cinema . Fez também Caboré de Sangue, um  curta-metragem sobre um boiadeiro que atravessa o sertão de Canudos e faz uma passagem através de rituais. O protagonista recolhe vestígios da Guerra de Canudos   forja um Alfabeto Sinestésico e reescreve a memória do massacre. Ele fez também uma ligação entre a Rabeca e a Guerra de Canudos. Todos constam do livro.

Obra do autor inserida no livro.
A trama principal do livro se desenvolve no Raso da Catarina, uma região inóspita e de grande beleza natural, onde costumava se homiziar o bando de Lampião quando era muito perseguido pelas volantes . Disse o autor que tem o personagem principal da conto que é o Cândido e também um deus africano incógnito que teria sido capturado na África e traficado para cá sem seus algozes saberem de quem se tratava. Já o  nome Água Brusca  teria se inspirado num pequeno rio seco, tão comum nas regiões áridas nos chamados pequenos rios e riachos temporários cujas águas são revoltosas e abundantes no período chuvoso e  na estiagem, especialmente durante o verão, ficam mostrando o seu leito, e com as ventanias e redemoinhos se transformam em pequenas tempestades de areia e poeira. Vemos que  é um caleidoscópio de imagens e  situações criadas pela fértil imaginação do autor, sempre com uma pitada de espiritualidade e misticismo.


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