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sábado, 11 de abril de 2026

TONICO PORTELA E SUA ARTE DA PRIMAZIA DO CONCEITO

O artista conceitual Tonico Portela no seu ateliê  
com  materiais que usa nas suas instalações.
O artista visual Tonico Portela é bacharel em Artes Plásticas,  mestre e doutor em Artes Visuais, na linha de pesquisa de Processos Criativos, pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, professor, coreógrafo, performista, curador de várias mostras  e sua arte conceitual caminha dentro de uma visão de espiritualidade sem ligação com a religiosidade de instituições. Seu processo criativo tem uma relação com os materiais naturais, o espaço,  som , luz e os quatro elementos da natureza. Para criar diz ser necessário estar desplugado, isolado deste mundo cheio de barulhos e opções. Sua arte começa com um planejamento intelectual e o que importa mais é o conceito que o produto físico. Está ligada a um movimento artístico surgido na década de sessenta que prioriza a ideia ou conceito sobre a estética ou o objeto final. O artista busca é provocar reflexão e questionar o mercado artístico por meio de instalações, performances e uso de materiais não convencionais. Os artistas que fazem este tipo de arte com suas formas e maneiras diversas procuram abordar os limites da arte, a existência e inexistência da matéria, silêncio, ausência, vazio e o êxtase. Querem discutir todo o pensamento fixo, já determinado rompendo o pré-estabelecido e possibilitando ao expectador todo tipo de sensações e interpretações. É preciso estar aberto para receber esses estímulos sensoriais e visuais. O que permanece fisicamente são as fotografias e os vídeos que quase sempre são feitos durante as instalações e performances. Neste processo acontece uma interação das forças psicológicas, espirituais e intelectuais entre o artista criador e os espectadores que estão ali para participar desses eventos revestidos de sensações.

Tonico Portela na instalação Palavras
Ressonantes, no Museu de Arte Sacra, 2016.
Seu nome de batismo é Antonio Carlos Portela, (não tem o acento circunflexo no primeiro o), assina Tonico Portela, é doutor em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, Professor Adjunto no Curso de Artes Visuais, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB, e integra o grupo de pesquisa em Artes Visuais CNPQ-UFRB. Suas pesquisas estão voltadas para as impressões contemporâneas com utilização das linguagens de instalações, objetos e performances, e segundo ele “tem como objeto de estudo a relação entre arte e espiritualidade no processo criativo”. Já participou de salões, exposições individuais e coletivas , foi premiado algumas vezes. Tem uma boa experiência de vida e conhece vários países graças ao cargo de coreógrafo que tinha no grupo Club Mediterranée que possui villages de férias em locais paradisíacos , já operou na ilha de Itaparica e hoje tem villages em Trancoso, no sul da Bahia,  e no Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, que são muito procurados por turistas que buscam locais diferenciados, são classificados  no meio turístico como resorts de luxo premium all-inclsive.

Instalação Presentes e Ausentes, premiada. 
Feita com areia, metal, cânfora e fotografia.
Numa exposição que fez em 2001 com Bia Santos, Eriel Araújo e Virgínia Medeiros  ganharam o Prêmio Copene de Cultura e Arte .  O artista Tonico Portela apresentou a instalação que denominou de Impressões: Ausentes, Presentes. Cada um  se apresentou com a sua personalidade, individualidade ,  informações que dispõe e  questionamentos dentro  deste encontro  interagindo com as forças psicológicas, intelectuais e espirituais. A propósito escreveu Celeste Almeida Weiner , na época Professora Orientadora do Mestrado em Artes Visuais e Diretora da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, hoje aposentada, que “a partir de Duchamp, todas as formas de representação artística obtiveram novas possibilidades de construção. Com isso, Duchamp não levantou simplesmente a questão:  o que é arte? Indagou o motivo pelo qual alguma coisa pode se tornar uma obra de arte, enquanto outra, exatamente igual, não”. ( Marcel Duchamp nasceu na França em 1887 e se naturalizou americano, faleceu em 1968. É um dos artistas mais discutidos desde o século passado, criador dos ready-mades e é considerado o pai da arte conceitual.)

Para Tonico Portela “Ausentes, Presentes é a suma das inquietações provenientes da fusão de materiais, ideias e conceitos. A poética se instaura a partir da palavra e dos significados, perpassando por uma diversidade de práticas para compreender as relações entre a Tradição e Contemporaneidade. A semântica dos conceitos Ausentes, Presentes é enfatizada pela combinação da palavra com as práticas artísticas, ou seja, a exploração das possibilidades significativas da linguagem verbal enquanto objeto artístico, ampliando a realidade nocional da palavra.”

                                                      TRAJETÓRIA

Uma série de formas de mãos da instalação
Incandescência
O artista visual Antonio Carlos de Almeida Portela nasceu em quatro de março de 1963 no Hospital da Sagrada Família, na Cidade Baixa, em Salvador. É filho de Rafael Francisco da Silva Portela e de d. Therezinha Maria de Almeida Portela. Estudou na Escola Vespasiano Duarte, que era uma escolinha de bairro, e em 1970 a família mudou para o bairro da Pituba quando ele foi matriculado na Escola Tereza de Lisieux, que foi fundada em 1976 e encerrou suas atividades no ano 2000, dando lugar ao atual hospital da Rede Notre Dame Intermédica. Tonico Portela fala com satisfação dos anos que passou na escola que teve três sedes provisórias até a construção de sua sede oficial na Avenida Antônio Carlos Magalhães. Para ele era uma escola diferenciada “um verdadeiro caldeirão de cultura porque éramos incentivados por professores a praticar vários tipos de arte e sempre  organizavam manifestações artísticas de teatro, danças folclóricas, capoeira, canto, artes plásticas, com a participação de muitos estudantes. Foi muito importante na minha formação e participava de uma equipe que se destacava entre as demais. Tenho colegas que até hoje nos encontramos e lembro da Alice Becker, que foi do corpo de balé do Teatro Castro Alves,  estudou lá, e é considerada  uma das pioneiras da introdução do Pilates no Brasil. Também a Adalgisa Rolim que tem uma escola de Dança em Villas do Atlântico, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador,  onde são ministradas aulas de   Ballet Clássico, Street, Jazz, Dança do Ventre, Dança Contemporânea, K- POP, Dança de Salão e Sapateado. 
Ao terminar o ginásio foi transferido para o Instituto Social da Bahia, no bairro de Ondina, onde concluiu o colegial. O ISBA também encerrou suas atividades no final de 2020, após 56 anos de atuação. Ao terminar o colegial prestou vestibular para Processamento de Dados, na Faculdade Trabuco, que funcionava no bairro da Federação, onde estudou até o terceiro ano. Tinha um professor de dança que abriu uma sala defronte a Faculdade Trabuco foi fazer Jazz. Disse Tonico Portela  ser  ele quem  lhe incentivou a continuar fazendo dança. Não lembra os nomes do professor e nem do  espaço onde ocorriam as aulas. Decidiu abandonar o curso de Processamento de Dados, porque sentia dificuldades nas matérias ligadas a cálculos Matemáticos. Decidiu ir morar em São Paulo para  estudar na Escola de Dança do argentino Ismael Guiser, que em parceria com a bailarina Yoko Okada, inaugurou sua primeira escola em 1973, a Escola de Dança Ismael Guiser, que veio encerrar as atividades em 2008. 

Alguns dos 300 porquinhos dourados usados 
numa instalação que fez na ACBEU
.
Disse que ralou muito em São Paulo para se manter trabalhando no Mac Donald e em seguida  numa agência bancária na Avenida Paulista. Morava em pensão e se alimentava muito mal. Quando Tancredo Neves morreu e veio o governo José Sarney com aqueles planos mirabolantes, que não deram certo, ele resolveu voltar para Salvador e foi trabalhar na loja Richards, no shopping Barra. Teve um reencontro com um antigo colega da Escola Tereza de Lisieux que seguiu a carreira da dança Cody Reis, o qual já estava há alguns anos trabalhando no Club Mediterranée, em Itaparica. Ele ligou e perguntou se queria trabalhar lá e ofereceu um cargo de decorador floral. Respondeu que nunca tinha trabalhando com flores, mas ele insistiu , aceitou, e foi apreendendo com um assistente que já fazia este serviço . Fez sua primeira viagem internacional para a Tunísia  trabalhando na boutique do village e com sketches de humor, dança, desfiles de moda dos produtos da loja. Em seguida fez um estágio com Cody Reis, no Rio de Janeiro, em Mangaratiba, em Rio das Pedras, e se tornou coreógrafo. Sua denominação no Mediterranée era regisseur, fazia shows business. Lhe designaram  passar uma temporada num resort de verão em Israel, que abria em abril e ficava até setembro, depois passou seis meses em Bali que é uma província da Indonésia, conhecida como a Ilha dos Deuses. Posteriormente viajou para  Aghâdir que é uma cidade costeira no sudoeste de Marrocos, cidade balneária . Porém, de 1990/1 aconteceu  a guerra do Golfo, Pérsico fechando tudo. Voltou para Itaparica, em seguida lhe mandaram para  Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, como coreógrafo, e logo depois retornou para a Tunísia desta vez para a cidade de Hammamet que é um dos principais destinos turísticos e tem  um villages sazonal. Recebeu o convite de um brasileiro que inaugurou um  village no norte da  Austrália, na   Lindeman Island,  localizada no arquipélago das Ilhas Whitsunday, em Queensland , que é um destino muito procurado , com a maior parte do seu território protegida pelo Parque Nacional das Ilhas Lindeman. Seguiu para Bora Bora em 1994 que é uma pequena ilha do Pacífico Sul, a noroeste do Taiti, na Polinésia Francesa, onde tinha programado passar
Tonico Portela trabalhando com uma matriz
de litografia. Ao lado a lito que  imprimiu.
um ano, mas disse que recebeu um chamado forte, que não explicou qual e voltou antes para Salvador. 
Sempre que passava em frente à Escola de Belas Artes declarou que sentia como que algo estava lhe atraindo, e assim resolveu fazer o vestibular para a Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia para bacharelado em Artes Plásticas Se graduou e  em 2000/1 fez o Mestrado e seu trabalho foi Impressões: Instâncias de Ausências e Presenças. Tratou de todos os métodos de impressões de múltiplos. Em 2013 voltou para a EBA onde fez o Doutorado sendo orientadora Maria Celeste Weiner com o trabalho relacionado ao seu processo criativo com a espiritualidade, não só nos aspectos apenas da religiosidade, mas com diversos tipos de concepção e a espiritualidade na arte.  O título do trabalho é Impressões Monistas: Construindo Percursos Entre Arte e Espiritualidade, que concluiu  em 2018. Fez o pós-doutorado  com a apresentação de uma exposição.  
Como trabalhava com o corpo procurou neste momento  usar mais as mãos, se entrosar com a cena baiana apresentando seu portfólio de coreógrafo, maquiador, cenógrafo e passou a trabalhar com escolas de dança e espetáculos de teatro. Fez um curso de cenografia com o professor alemão Alexander Müller-Elmau através do ICBA   e passou a conhecer vários artistas que fazem uma arte conceitual. Disse também que fez todas as disciplinas de gravura, escultura, desenho e cerâmica, menos de pintura. Revelou gostar muito da pintura, mas que o fazer pintura não lhe atrai muito.  
Atualmente ensina na Faculdade de Federal do Recôncavo que é multicampis , e tem seus campis em Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, Santo Amaro, Amargosa, Cachoeira e Feira de Santana. Ele ensina desde 2010 em Cachoeira, antes foi professor substituto durante dois anos na Escola de Belas Artes ensinando Escultura com resina e Desenho de Observação. Ensinou no curso de Educação Artística, na UCSAL, na sede da Instituto de Música, na Rua Carlos Gomes, e nas gestões do MAMBA de Solange Farkas e Stella Carosso, foi coordenador do Educativo. Em 2010 fez o concurso para a Universidade Federal do Recôncavo onde ministra aulas de Processos Criativos no Curso de Bacharelado de Artes Visuais  ensinando  disciplinas ligadas a escultura e gravura.

Mostras e Prêmios

Instalação Um Presente Ausente, feita com 
areia, cânfora e gravura, de 2001.
Em 2023 - Desver Devires – exposição de Fotografias e vídeos no Recôncavo da Bahia na Galeria B.S.F. (O) Louco, Centro de Artes, Humanidades e Letras, Cachoeira-BA; A Gravura na Bahia a Partir da EBA/UFBA, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes-UFBA, Salvador-BA; Incandescências, exposição individual, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes-UFBA. 2022 - Ações e Reações nos Processos Artísticos - Exposição da produção da linha de processo de criação artística do PPGAV-UFBA, 19/10 a 04/11, Galeria Cañizares-EBA-UFBA, Salvador-BA. 2021- Desver Devires - Mostra 2055 - Universidade Federal do Recôncavo-UFRB. 2019- “Um Brinde ao Café 02 - Exposição de Bules”, coletiva no Cafelier, Salvador-BA. 2017- “Dezsmandamentos”, mostra individual, Museu de Arte da Bahia, Salvador-BA. 2016- “Palavras Ressonantes”, mostra individual, Museu de Arte Sacra, Salvador-BA. 2015- “RomaAmor”, V Mostra de Performance: Corpo Coletivo, Conflitos e Convergências, Galeria Cañizares, Escola de Belas Artes, Salvador-BA. 2014 - “Rio Bom”, mostra coletiva “Um Pouso do Livro Caminhante nas Coisas Existentes de Marcos Zacaríades em Função do Desejo”, Galeria Marcos Zacaríades, Igatu-BA. 2012 - “Ausentes Presentes, mostra coletiva Circuito das Artes, Museu Carlos Costa Pinto, Salvador-BA;  O Sexo e o Tempo II, Festival da Livre Expressão Sexual, Salvador-BA. 2011 - “Natureza Morta com Folha e Gotas de Orvalho”, mostra coletiva Imagem X Imagem, Galeria da Escola de Belas Artes do Paraná, Curitiba-PR. 2007- “Springs” (acervo MAM-BA) – 14º Salão da Bahia – Prêmio Residência Artística - MAM –Bahia. 2006 - “Fontes”, mostra coletiva 25 Artistas Baianos, Galeria Solar do Ferrão, Salvador-BA. 2005 - 300 Porquinhos”, mostra coletiva Art for Today, Galeria ACBEU, Salvador-BA; “Posições Astrais”, mostra coletiva Arte Erótica, Galeria Cañizares, EBA-UFBA. 2004 - “Do Barro da Terra do Ouro”, mostra coletiva Terra Cota da Terra, Centro Cultural da Caixa, Salvador-BA. 
2003 -
Duas obras da mostra O Sexo e o Tempo,  2012.
Os 300 porquinhos”, X Salão da Bahia, MAM – Salvador-BA; O Sexo e o Tempo”, Festival da Livre Expressão Sexual, Quixabeira, Salvador-BA; “Lineares”, Exposição 125 Anos da EBA, Casa dos Correios, Salvador-BA. 2001 - Ausentes e Presentes-II”, mostra coletiva Instalações Bahia 2001, Prêmio Copene Cultura e Arte, MAM-BA; Um Presente Ausente”, Rádio Bazar, Espaço Jiquitaia – Salvador-BA; “Impressões: Ausentes e Presentes”, mostra individual, Galeria Goethe Institut - ICBA. 2000- “Desenho I e II”, V Bienal do Recôncavo, Centro Cultural Dannemann, São Félix-BA; Ausentes Presentes- Objeto I”, Galeria Solar do Ferrão - Salvador-Ba. 1999- “Impressões: Momento II”, XXVII Salão Centro de Cultura Olívia Barradas – Prêmio Oficial- Valença-BA, Velas Redondas”, XXVI Salão Centro de Cultura Camilo J. Lima, Vitória. Conquista-BA; País não Descoberto”, XXV Salão Centro de Cultura João Gilberto, Juazeiro-BA; sem título, XXIV Salão Centro de Cultura Adonias Filho – Itabuna-BA; Auris Brasilis”, XIII Salão Centro de Cultura Amélio Amorim, Feira de Santana-BA. 1998- “Salvador, porto além mar”, Projeto “Salvador, Porto e Mar”, COBEBA, paredes externas do Porto de Salvador-BA.

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