Translate

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

VÂNIA REIS RESGATA DA MEMÓRIA DE RIBEIRA DO POMBAL

A artista Vânia Reis mostra parte de  obra de sua autoria
A artista Vânia Reis reside no distrito de Barrocão, município de Ribeira do Pombal e, tem realizado um trabalho de resgate da memória da cidade pintando importantes imóveis, alguns inclusive que deveriam ter sido preservados pela Prefeitura Municipal.
Este lindo prédio foi substituído por
outro de arquitetura duvidosa.
Mas, faltam aos gestores de muitas cidades de nosso país a sensibilidade para preservar o patrimônio histórico e, assim muitos imóveis importantes são demolidos e transformados em novos edifícios, que contribuem para enfeiar as cidades, especialmente do interior deste Brasil afora.
Em Ribeira do Pombal temos alguns exemplos como a demolição do Mercado Municipal, do sobrado dos Brito, da Casa Chaves, do sr.José Leôncio,onde por  muitos anos funcionou sua loja de tecidos; a igrejinha e o Cruzeiro  que deram o nome de Avenida Santa Cruz, hoje, Avenida Evência Brito.
Antiga praça Getúlio Vargas, vendo-se ao fundo o Solar dos
Brito's, que foi demolido dando lugar a um supermercado.
 Esses são alguns importantes elementos da arquitetura da cidade que conheci.Certamente muitos outros foram demolidos antes que  tomasse consciência de sua importância histórica para a cidade e futuras gerações.
A praça Getúlio Vargas já sofreu nos últimos 50 anos várias remodelações e, sempre é destruído o que havia sido edificado sob a busca da modernidade. É verdade que atualmente a praça está mais bonita, porém,um  coreto que existia desapareceu e, em seu lugar colocaram um bar em plena praça. Praça é local para passeio, para as crianças brincarem, para os namorados e não local de vender bebidas alcoólicas sob a proteção do poder municipal.
A bela igreja da Mirandela construída pelos jesuítas.
Voltando ao trabalho de Vânia ela vem pintando com base em fotografias esses imóveis desaparecidos com suas pinceladas firmes vai fixando nas telas esta memória que foi retirada das atuais e futuras gerações. Assim, a antiga praça Getúlio Vargas, a Casa Chaves ,do sr. José Leôncio, a loja de Antônio Nascimento,o sobrado dos Brito's , e mais recentemente a Cadeia Pública, conhecida como Quartel , e outros são retratados por ela para a posteridade.
Tenho algumas fotos do antigo abrigo e do posto de gasolina que pertenceram ao meu pai . Ambos foram demolidos dando lugar aos prédios hoje, existentes no local. em plena Praça Getúlio Vargas.

Quem é

Natural do povoado de Barrocão, município de Ribeira do Pombal, Vânia Reis é uma artista autodidata .Começou seu interesse pela pintura por volta dos oito anos de idade. Já fez alguns cursos visando o aprimoramento de sua arte . Sua primeira mostra foi em 1997 em Embu das Artes, no estado de São Paulo.
De lá para cá tem participado de outros eventos ligados às artes plásticas como feiras de artes , exposições individuais e coletivas , inclusive em Salvador. Gosta de pintar prédios e praças, que são ícones das cidades. Também, pinta por encomenda  de pessoas que desejam perpetuar nas telas imóveis , que já pertenceram ou pertencem às suas famílias.




sábado, 10 de janeiro de 2015

ARTESÃOS BAIANOS PERDEM O INSTITUTO MAUÁ

Depois de quase um século dando apoio  e incrementando o
artesanato baiano o governo petista resolve
acabar com o Instituto Mauá.
Depois de 76 anos de funcionamento o atual governador do PT , Rui Costa, decidiu com uma canetada acabar com o Instituto de Artesanato Visconde de Mauá. Um absurdo de uma administração que começa dando sinais de que não importam as tradições da Bahia. Talvez eles nem saibam que muitas das bandeiras da Bahia que tremulam nos órgãos públicos e nas solenidades de gala foram confeccionadas e bordadas por artesãs ligadas ao Instituto Mauá. Esta entidade é responsável pelo incremento do rico e diversificado artesanato em nosso Estado. Dava, através de suas feiras e outras ações, visibilidade ao artesanato que se faz nos mais escondidos recantos do território baiano.
O Instituto Mauá foi criado em 1º de março de 1939 e vinha funcionando ininterruptamente, inclusive suas lojas localizadas no Porto da Barra e na rua Gregório de Mattos, no Centro Histórico, bastante visitadas pelos turistas. Não eram mais visitadas por falta de divulgação por parte da Bahiatursa.
Ali mostrava o artesanato verdadeiramente feito na Bahia, sendo mais uma atração turística da nossa cidade. No Mercado Modelo você encontra uma variedade de artesanato, porém, muitos produtos são confeccionados em outros estados e são vendidos como se fossem da Bahia. 
Esta imagem de São Joaquim , de
autoria de Gerar, um artesão
da região do rio São Francisco
adquiri numa das feiras dos
Instituto Mauá
A extinção do órgão vai deixar uma imensa lacuna em todos os artesãos daqui e dos municípios que tinham nele uma maneira de expor, reunir, orientar e comercializar as peças produzidas pelos artesãos baianos de todas as cidades. Além de estimular a produção e ministrar cursos sobre o trabalho artesanal.
O que o Instituto Mauá precisava era de maior incentivo para que os artesãos que produzem coisas maravilhosas pudessem ter uma visibilidade cada vez maior. 
Portanto, esta administração começa deixando este vazio para uma das manifestações populares mais importantes e rica do nosso estado, que é o artesanato. 
Também, está ligada ao Instituto Mauá a Associação Comunitária Empreendedora Taboarte, que funciona no distrito de Maracangalha. O Instituto comprava as peças dos artesãos e repassava para o público a preços acessíveis, bem mais baratos dos cobrados, por exemplo, no Mercado Modelo, onde os turistas, muitas vezes, são obrigados a pagar mais caro. 
Além disto as obras eram identificadas com o nome do autor, a origem e os preços, o que não acontece em outros locais de venda espalhados pela cidade. 
Muitas famílias de artesãos vão sentir a falta da entidade que sempre foi uma estrutura de apoio a produção do artesanato baiano.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

SÉRVULO ESMERALDO EXPÕE EM SALVADOR

São  mais de 50 anos de dedicação à arte. Um cearense que saiu de seu canto , a cidade do Crato ,e foi para a Europa onde passou boas temporadas trabalhando, aprendendo, mantendo contatos e amizades com artistas importantes.É um criador nato que pensa e elabora com cuidado quase científico o que vai resultar da sua ideia inicial. Desenha e imagina posições e os materiais que vai utilizar para concretizá-la. Neste seu processo criativo  nos apresenta uma série de volumes, que colocados em determinados locais nos leva a criar uma infinidade de imagens.São representações de papéis feitos de aço trefilado e outros metais que parecem voar nas paredes; são estruturas circulares dobradas ,côncavas ou convexas dispostas no chão, que nos dão a sensação de que podem ser manuseadas, criando pessoalmente outras possibilidades de composições;são junções de elementos que se lançam ao espaço em busca de altura; são volumes que se dobram e outros que deixam suas sombras como se fossem a continuidade da obra.

A vontade que a gente tem é de tocá-las e manuseá-las criando nossas próprias formas. É uma produção que prima pela racionalidade.Sua formação  certamente influencia na sua criação, embora a sensibilidade demonstrada na sua produção  foge um pouco do concretismo mais apurado.
Nascido no Crato, em 1929, Sérvulo Esmeraldo é escultor,gravador,ilustrador e pintor.Em sua biografia está registrado que começou como um artista dedicado à xilogravura. Em seguida foi residir em São Paulo,e logo depois fundou o Museu da Gravura em sua cidade natal.
Sua primeira viagem à Europa foi através uma bolsa do governo francês, onde foi estudar em Paris litografia na École Nacionale Supérieure des Beaux-Artes e, em seguida, inicia seu trabalho em metal.
Nos anos 60 participa do movimento cinético, quando cria obras movidas pela eletricidade estática.
Volta em 78 para Fortaleza e começa a trabalhar com chapas de aço produzindo suas esculturas com planos dobrados e pintados.Em 1986 organiza a 1ª Exposição de Escultura Efêmera de Fortaleza e passa a criar relevos que  sugestionam encontro de faces. 
Agora Sérvulo Esmeraldo com toda sua experiência com os materiais utiliza a geometria para suas construções e volumes vazados que são muito apropriadas para a gente observá-las no silêncio de uma tarde. Ai surgem diante de nós as possibilidades de girar, de dobrar, de mudar de lugar e assim vão surgindo em nossas viagens imaginárias novas obras. É como se fosse um exercício lúdico, um aprendizado inesgotável.
Sérvulo Esmeraldo ao centro ladeado por mim
e o pintor,italiano Gianfranco D'Andrea
 Estive presente na abertura da mostra na galeria Paulo Darzé oportunidade que troquei algumas poucas palavras com o artista. Embora em algumas fotos  apareça com o semblante fechado é uma pessoa de fácil acesso e cordial. Falou  de sua estadia na Europa e pouco lembrava que já foram realizadas aqui algumas exposições com suas obras. O que importa é que ele está ai firme produzindo e tendo a satisfação de ver e ouvir que sua obra está sendo apreciada por um público amplo.
Outro aspecto importante salientar é que embora já tenha mais de oitenta  anos de idade sua obra é de uma contemporaneidade ímpar. Pode figurar em qualquer museu ou coleção importante da arte contemporânea feita no mundo .Ele é um protagonista e um criador antenado com  o que acontece ao seu redor.




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

AS EXPERIMENTAÇÕES DE JOSÉ BECHARA EM SALVADOR


O artista experimental carioca estará expondo em Salvador a partir  do próximo dia 31 na Paulo Darzé Galeria de Arte, na Vitória, com trabalhos onde utiliza materiais e métodos diversificados. Ele pertence a Geração 90,  frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e partiu de uma produção pictórica para uma linguagem mais abrangente, onde seus trabalhos se transformaram em esculturas e instalações. Também, ainda desenha e pinta e "trava um diálogo com a arquitetura".
Afirma  Luis Camillo Osório no texto introdutório sobre Bechara para Fendas,no catálogo da exposição individual do artista no MAM em 2011: “A saturação das oxidações foi se acumulando, por pressão da própria maturação da poética do seu processo, na superfície das lonas e se projetando no espaço. Este jogo entre saturação e estruturação acompanha o desenrolar do trabalho. Ora predomina a densidade métrica, o acúmulo de elementos que se concentram e se expelem, ora sobressai o esforço estruturante, a grade geométrica e o desenho linear”.
Ele já expôs aqui em bienais e outros eventos importantes além de realizar várias individuais. Depois 
de quatro anos no Parque Lage ,integrou um ateliê coletivo na Lapa, no centro histórico do Rio de 
Janeiro com seus colegas Ângelo Venosa, Luiz Pizarro, Daniel Senise e Raul Mourão. Já em 1962 
inicia suas experimentações com suportes e técnicas diversas, característica que marca sua 
produção artística.Experimenta vários tipos de materiais como lona de caminhão usada e couro 
bovino, e também técnicas de oxidação do cobre e o ferro.
 "Em 2002, aos 45 anos, Bechara realizou sua primeira experiência escultórica com A casa, durante uma residência artística em Faxinal do Céu, Pinhão, Paraná, sob a curadoria de Agnaldo Farias e Fernando Bini, e a consultoria de Christian Viveros. A versão inicial deste projeto foi pensada a partir da casa que servia de habitação e ateliê para o artista durante a residência. A mobília da casa foi reorganizada, se projetando para fora pelas portas e janelas e a peça foi fotografada, dando origem a duas séries: Temporária Paisagem Doméstica ou Não Me Lembro Do Que Dissemos Ontem, que hoje integra coleções nacionais e internacionais, entre elas a  do Centro Pompidou , em Paris, França. Outros desdobramentos desse projeto são Área De Serviço, uma exposição no Paço Imperial do Rio de Janeiro, organizada no programa Atelier Finep em 2004, que mostra conjuntos de móveis domésticos organizados plasticamente; e algumas séries de trabalhos de experimentação gráfica como Externo e Interno.
Em 2004, uma exposição no MAM-Rio, intitulada A Casa, reuniu todo o processo até então desenvolvido além de uma peça escultórica de madeira em dois volumes com o mesmo título. Open House, uma série de esculturas em menor dimensão desenvolvida a partir de 2006, também trata o tema da casa simbólica e plasticamente. Em 2006 o artista fez a escultura Ok, Ok, Let’s Talk, uma instalação de mesas de jantar formando um plano irregular intercaladas por duas cadeiras. Esse trabalho foi exposto na Pinacoteca de São Paulo, assim como no Patio Herreriano, Museo de Arte Contemporáneo Español e na Galeria Mário Sequeira, com uma versão em madeira e uma versão em aço.
A Série Esculturas Gráficas, iniciada em 2009, representa bem a tensão que trabalha o artista entre o geométrico e o material. Obras dessa série foram expostas em importantes instituições como o MAM-Rio de Janeiro, o Instituto Tomie Ohtake e Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa. Em 2010, com a série Gelosia, Bechara começa a trabalhar com o vidro como suporte para suas obras. Placas de vidro com oxidação de aço, placas de fórmica e tinta acrílica constituem peças escultóricas que se apoiam contra a as paredes e quinas das salas de exposição." Wikipédia.

ESTRANHA EXPOSIÇÃO

Fomos surpreendidos eu e alguns participantes da Exposição Geração 70, realizada em 25 de julho de 1985,  da qual fui o curador , reunindo alguns dos artistas desta geração numa mostra que foi um marco de tudo que tinha sido feito em termos de exposição na Bahia. 
 Basta dizer que na abertura da mostra até o trânsito ficou complicado no Corredor da Vitória, especialmente nas proximidade do Museu de Artes da Bahia.Foram apresentados números de Dança, coordenada por Lívia, música com Andrea Daltro e a Orquestra do maestro.., além de performance de teatro. 
Estranhamente tomei conhecimento que os artistas Zivé  e outros estariam organizando uma exposição , como se fosse uma retrospectiva, desta mostra e que estariam descartando alguns artistas da primeira exposição. Acho isto uma atitude grosseira e anti-profissional, além de ser uma ingratidão com todas as pessoas que promoveram e participaram  da verdadeira Geração 70.
Esta postura divisionista e individualista de algumas pessoas tem prejudicado em muito os artistas baianos, pois, essas pessoas teimam em criar igrejinhas ou  clubinhos fechados , e se acham os representantes de uma geração que tem uma abrangência bem maior. 
Tendo sido o curador da mostra Geração 70 jamais imaginei que pudesse se esgotar naqueles nomes que integraram a primeira mostra.Inclusive, iríamos realizar, na época, outra mostra com o nome Geração 70 II para contemplar vários artistas que ficaram fora da primeira.
A razão da limitação naqueles nomes foi porque o dinheiro que conseguimos para realizar o evento, graças ao empenho de Heitor Reis, que na ocasião era Diretor da Fundação Cultural do Estado,não daria para uma mostra maior.Também, o espaço concedido pelo Museu não caberia todos de uma só vez.
 Mas, as desavenças foram tantas, e alguns tentaram até fazer uma mostra paralela, que diante de tanta confusão terminei por desistir de dar continuidade a este projeto.
Pensei depois em levar adiante este projeto mesmo com a posição contrário de muitos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

MIGUEL CORDEIRO VAI EXPOR 60 OBRAS


 Obras em acrílica sobre tela, colagens, plotagens em fine art e intervenções com stencil de autoria do artista baiano Miguel Cordeiro serão apresentadas a partir do próximo dia 25, às 19 horas , no Palacete das Artes,que fica localizado no bairro da Graça.
Serão mostradas um total de 60 obras, quantidade suficiente para o visitante ter uma ideia aproximada do universo criativo deste artista que está no mercado há algumas décadas. Ele começou com incursões nos muros da cidade, ocasião em que fiz uma longa matéria para o jornal A Tarde, revelando para os baianos o autor de grafites que deixaram muita gente curiosa, especialmente com o personagem Faustino. Isto foi em março de 1985, quando escrevi na abertura da matéria:
"Trata-se daquele misterioso personagem que sai durante as madrugadas pichando com frases inteligentes os muros da cidade. Seu verdadeiro nome é Miguel Cordeiro, economista, e autor das célebres frases:Faustino ouve Júlio IglesiasFaustino mora com a tiaFaustino leva a Bahia a sério,Faustino parcelou uma excursão para Bariloche, e muitas outras. Agora o nosso Faustino vai expor. E, parafraseando o Miguel Cordeiro diria que Faustino expõe em Museu."

Miguel Cordeiro é um artista múltiplo e conectado com o que acontece no mundo .Suas intervenções sempre revelam  atualidade. É uma arte pensada e que instiga o espectador.o artista mostrará 60 obras em diversas técnicas : acrílica sobre tela, colagens, plotagens em fine art e intervenções com stencil.
Portanto, são impressões em fotografias, desenhos, pinturas e arte digital que ele faz através da dispersão da tinta e da escrita.
 Esta mostra atual permanecerá de 25 de novembro a 22 fevereiro 2015.

QUEM É 

Miguel Cordeiro nasceu na cidade de Salvador, Bahia, Brasil, no ano de 1956. Artista autodidata começou a realizar trabalhos com desenho, colagem e pintura a partir da primeira metade da década de 1970, com influências da Arte Pop, do Rock, das histórias em quadrinhos e livros de escritores ligados ao movimento da Contracultura. Reconhecido como um dos pioneiros do Graffiti e Street Art no Brasil, quando em 1979 criou o personagem Faustino ao retratar nos muros das cidades aspectos do comportamento humano em um mundo de permanente transformação. Participou de dezenas de exposições e mostras no circuito alternativo, e com o advento da Internet, dos Blogs, das redes sociais o seu trabalho adquire maior alcance fazendo com que sua arte seja analisada e compartilhada por diversos sites e revistas virtuais - nacionais e internacionais, que abordam a trajetória da cultura contemporânea.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

LYGIA SAMPAIO EXPÕE AOS 86 ANOS DE IDADE

Lygia dando entrevista a uma
emissora de televisão na expo
.
Uma das primeiras  modernistas da Bahia , a artista Lygia Sampaio é hoje quase uma cult devido a sua vida pacata e ao afastamento do círculo cultural de nosso Estado. Aos 86 anos de idade ela volta a aparecer agora com uma exposição no Museu de Arte Sacra da UFBa ,o que é muito importante para as novas gerações conhecer esta artista de talento, mas, que não conseguiu ou não quis acompanhar de perto o movimento e a produção de arte. Talvez um pouco culpa do seu temperamento quieto ou mesmo por uma opção de ficar reclusa cuidando de sua vida como funcionária pública e doméstica.
Leonel Matos e Reynivaldo
Brito ao lado da artista
Porém, o que nos revela é que Lygia nunca deixou de pintar. É verdade que não é uma produção comum a um artista que esteja no mercado disputando o seu espaço. Porém, lhe permitiu  ficar com os  pincéis e outras ferramentas de trabalho expressando seus sentimentos através de sua arte.
Quando comecei a me interessar por arte já ouvia falar de Lygia Sampaio. Certo dia fui a uma exposição no antigo Desenbanco onde pude apreciar a qualidade, a expressividade  e a beleza de sua arte. Depois poucas vezes ouvi falar da artista, mesmo frequentando o círculo de arte e mantendo contatos com muitos artistas. Como uma monge Lygia vivia recolhida no seu mundo particular , longe das vernissages e dos encontros de arte.

Cici e Vardete, óleo de Lygia,1949
Recentemente ela falou mais ou menos assim, com seu jeito cheio de simplicidade, que tinha feito umas santinhas e que as achava bonitinhas. Em seguida arrematou : não sei se estou fazendo isto porque já estou velha. Esta é a Lygia Sampaio, com seu corpo frágil, falando baixinho dando mais uma demonstração do seu temperamento humilde.

Não vejo  indiferença do meio artístico com relação a ela. Todas às vezes que ouvi alguém falar de Lygia Sampaio surgiram os elogios. O que deve ter acontecido é quando um artista se esconde, fica recluso ele está dando sinais ao mercado e aos colegas que não quer ser importunado.Ora, o mercado é dinâmico, a vida é dura pra ser tocada, então o recluso vai ficando naturalmente de lado. Este distanciamento muitas vezes funciona como um start e o artista passa a produzir mais e mais . Outras vezes, a falta de estímulo de colegas e do mercado fazem com que o artista produza muito pouco e não evolua.
Centro histórico pintado por Lygia há algumas décadas.


Lygia frequentou a Escola de Belas Artes, mas terminou abandonando devido aos horários que eram conflitantes com os da Prefeitura onde trabalhava. Ela lembrou também que quando estava estressada  no trabalho dava uma volta pelo centro histórico e fazia alguns desenhos . Naquela época esta região da cidade era tomada por prostitutas e malandros especialmente a área do Pelourinho. Portanto, de certa forma ela se arriscava para praticar a sua arte.
Estive na abertura da exposição de Lygia e fiquei realmente impressionado com os desenhos, as xilogravuras e os quadros a óleo que ela pintou durante seus 60 anos de arte. Sendo uma das pioneiras do modernismo baiano e brasileiro Lygia Sampaio precisa ser melhor avaliada e valorizada pela qualidade de sua arte e por este legado que deixa para a arte brasileira. 
Senti de perto que esta mulher valorosa, hoje, frágil, devido aos seus 86 anos de idade , tem uma história de vida dedicada à arte. 
Estava  feliz e rodeada de muitos amigos . Poucos artistas das  novas gerações estiveram presentes na vernissage. Isto é uma demonstração de desinteresse  em aprender, em melhorar a arte que produzem, com uma artista que verdadeiramente sabe pintar.