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quarta-feira, 13 de junho de 2018

QUATRO ARTISTAS EXPÕEM EM PEQUENOS FORMATOS

Os artistas Juraci Dórea e Leonel Mattos, que
encontrei na exposição Pequenos Formatos
A História da Arte Universal registra importantes artistas pintando em pequenos formatos, e isto pode ser conferido nos principais museus espalhados nos quatro cantos do Planeta. Agora, quatro artistas baianos, os feirenses Juraci Dórea e César Romero, o soteropolitano Bel Borba e o coaraciense 
Obra com colorido e formas geométricas variadas
de autoria de Bel Borba
( filho de Coaraci) Leonel Mattos estão expondo na galeria, que o último mantem no Salvador Shopping. Esta ideia vem de encontro ao que hoje acontece nas habitações localizadas nas grandes cidades , a exemplo de Salvador, onde os apartamentos são cada vez menores e mesmo as casas são construídas com grandes áreas envidraçadas. Assim, a metragem de paredes de alvenaria tende a diminuir dificultando a colocação de obras de arte de grandes dimensões.

Obra de Juraci Dórea e a forte influência da
literatura de cordel.
Foi pensando nisto que o curador e expositor César Romero reuniu com os colegas para realizar esta mostra, que também se torna acessível pelos preços que estão sendo praticados, para que o amante da arte de classe média possa adquirir uma obra de qualidade de um desses artistas, consagrados aqui e até em outros estados brasileiros.

Sabemos que os  pequenos formatos são uma tendência atual no mercado de arte internacional.Esta mostra com obras em séries de formato de 25 X 20 cm desses baianos de talentos individuais reconhecidos nos brindam. Leonel Mattos pinta desde 1971  gosta de intervenções urbanas, e é um animador cultural. Sempre disposto a observar novas ideias de seus colegas mais jovens e tem um potencial extraordinário para pintar seus símbolos que ora ele os coloca na coletividade ou mesmo na solidão. Já o Bel Borba que ficou conhecido por espalhar seus mosaicos e azulejos nos quatro cantos de Salvador também  desde 86 produz esculturas reciclando vários materiais. Agora ele apresenta obras cheias de cores e detalhes incríveis. Esta sua série foi feita em pedaços de telas colados no eucatex.
O César Romero é psiquiatra de formação e começou a pintar profissionalmente em 1967. É reconhecido por suas Faixas Emblemáticas com movimentos e cores que encantam.
Juraci Dórea é arquiteto e sua obra é calcada na literatura de cordel, e agora ele apresenta obras com um colorido que enche os olhos do observador. 
A fita emblemática de César Romero
 sua identidade pictórica
Falando da mostra Juraci Dórea disse que " este formato torna acessível a obra de arte ao colecionador ou mesmo aos que gostam de arte. Além do formato o preço também é mais um estímulo a adquirir uma obra de qualidade". Completa Juraci que " a satisfação do artista é ver sua obra circular e nestes tempos de uma economia em crise , temos que procurar maneiras de colocar as nossas obras circulando para que possamos continuar produzindo".

Sobre suas obras disse que é uma série chamada de Outras Cenas Brasileiras, e que está expondo apenas 10 obras feitas sobre placas de eucatex pintadas com tinta acrílica. Se você observar de perto vê o cuidado e a qualidade dos desenhos, os traços perfeitos, e límpidos tudo feito a pincel. Alguns inclusive trazem versos do Grupo Era, de Feira de Santana, dentre os quais integram o poeta e pintor Antônio Brasileiro.
Obra de Leonel Mattos mostrando seus simbolos
Leonel Mattos com sua série também de 10 obras apresenta os símbolos que ele simplificou e diversificou nas várias formas e cores. Ele informa que eles expressam em determinadas obras a coletividade , a multidão, e o solitário , quando usa uma única figura.
O artista é um dos mais criativos e profícuos de sua geração e hoje além de manter uma galeria no shopping Salvador, onde sempre ocupa um espaço que esteja vazio, ele promove exposições, atos ao ar livre no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, onde está o seu atelier.

Já o Bel Borba colocou uma série de 10 obras como recortes de formatos geométricos onde sobressaem as cores e os movimentos. São obras quem têm um bom efeito decorativo e apropriadas para os espaços clean.

terça-feira, 29 de maio de 2018

AS CORES VIBRANTES DE BETH SALES


Obra onde vemos mulheres exercendo seus ofícios.
A artista baiana Beth Sales  (Elizabete Lopes Joahson)  mostra mais uma vez suas obras concebidas em cores vibrantes, que lembram os trópicos com suas luzes intensas . Embora tenha morado mais de uma década na fria Noruega, e atualmente residindo em Portugal, ela não perdeu a sua essência e continua pintando, expressando sua arte utilizando uma luz diferenciada dos locais onde esteve ou está.
A artista Beth Sales com  obra de sua autoria
Traz também uma grande disposição em realizar e apresentar os trabalhos que produz. A grande maioria dos criadores de arte gosta de mostrar e falar do seu trabalho, para que as pessoas possam aprecia-los e mesmo emitir opiniões. Assim, pode captar o que realmente precisa ou não ser incorporado. Sabemos que a leitura de uma obra de arte varia muito de um indivíduo a outro porque depende da sensibilidade, cultura e capacidade de expressar através a palavra ou escrita.  Mas, é importante ouvir.


Elizabete revela que pintar é uma necessidade visceral, e que quando pinta confessa  "viajo para não sei onde, ouvindo sempre boas músicas". Diz ainda que é "capaz de transpor a alegria, e as cores fortes vindas da minha alma". Portanto, ai está a essência espiritual desta artista que cruzou os mares para mostrar a sua arte. 
Suas telas sempre estão cheias de peixes, flores, gatos, elementos urbanos e traços fortes que delimitam espaços . Uma arte alegre acima de tudo que vem quebrar este ar taciturno que muitas vezes preenche a vida da pessoas que residem em locais de temperaturas mais baixas. Já em Portugal ela terá um contato maior com o sol e a luz mais intensa. Vamos aguardar para ver se vai influenciar nas suas futuras obras.





sexta-feira, 25 de maio de 2018

A SUAVIDADE DAS CORES E TRAÇOS DE FÁTIMA TOSCA AO EXPOR ÁGUAS

A artista Fátima Tosca trabalhando em seu atelier
Sou um admirador da obra de Fátima Tosca desde o primeiro dia que tive contato com uma pintura de sua autoria. Agora, para deleite dos apreciadores de arte ela está expondo a partir de hoje na MCR Galeria de Arte, em Ondina. São 20 trabalhos em vários formatos sob o título "Águas", e ela alerta que não é uma exposição para falar da falta ou mesmo do excesso de água. Nem  mesmo dos que desperdiçam este precioso líquido, que já está ficando escasso em nosso Planeta. Ela revela que não conseguiria realizar este feito, e portanto, suas obras falam da presença lúdica , necessária e vital da água.
A tela Entre águas e fantasia.
Profusão de barquinhos
A água está presente em nossas vidas desde o momento que somos concebidos, no nascimento, e até na morte. Este líquido nos acompanha por toda nossa vida , e esta mostra de Fátima Tosca tem um elemento de espiritualidade que nos remete a pensar sobre a própria existência do Homo Sapiens na face da Terra.
Sou de uma região onde a água é escassa. Lá não tem rio, riacho ou lagoas significativas .Tudo depende das escassas chuvas ou de furar um poço profundo que muitas vezes ultrapassa a 100 metros de profundidade. Portanto, tenho uma relação de muito respeito com a água, e a valorizo em todos os sentidos. Lembro que quando criança existia um pequeno riacho na entrada da cidade de Ribeira do Pombal que teimava em correr límpido, mesmo timidamente, até durante o verão. Mas, os gestores irresponsáveis o transformaram em esgoto a céu aberto, e soube que recentemente o aterraram definitivamente. 
Aqui em Salvador assistimos rios e riachos transformados em esgotos e alguns foram encapsulados  como fizeram nas avenidas Centenário , Vasco da Gama, Bonocô,  no Imbui, e agora a Prefeitura vai fazer o mesmo na Avenida Antônio Carlos Magalhães para implantar o BRT,além de sacrificar centenas de árvores de grande porte.
Portanto , mesmo que não tenha o objetivo de denunciar Fátima Tosca com sua doçura , que lhe é peculiar, nos faz lembrar estas agressões ao meio ambiente em nome de uma falsa modernidade , e agora a palavra da moda é em nome da mobilidade urbana.

                                         LEVEZA DA CORES

Canto Guardado para inverno II,
leveza das cores e dos traços
Como bem disse Francisco Senna , com sua sabedoria, na apresentação da exposição "Água é fonte de vida,princípio...atmo". Exatamente, ai começa a vida e se expande com toda sua fluidez pelos quatro cantos do Planeta. 
Mas, as cores suaves  das obras de Fátima nos proporcionam a possibilidade de parar o olhar e sentir profundamente a leveza dos elementos que compõem cada pintura. São múltiplos barquinhos na tela "Entre Águas e Fantasias",que me fazem retornar à minha infância,quando fazia barquinhos de papel e os lançava nas enxurradas caudalosas, que se formavam quando chovia trovoadas na cidade de Riachão dos Dantas, em Sergipe. Lá se iam os meus barquinhos cambaleantes até desaparecerem, e serem tragados pelas águas barrentas,
Fátima  prossegue com títulos sugestivos que remetem aos elementos que constituem suas telas. É prazeroso examiná-las em silêncio ,e se transportar a um ambiente de paz, amor e até mesmo ao passado . Flores e pássaros de todas as matizes, sempre em tons suaves de vermelhos,azuis, amarelos e verdes mostram a leveza de sua arte.

A  MCR Galeria de Arte, que fica na Avenida Oceânica, 2400,loja 23, em Ondina ,tel 33323883

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ESCULTURAS E ASSEMBLAGES DE CARLOS FRANÇA

O artista Carlos França
O artista  plástico Carlos França está expondo várias esculturas e assemblages na galeria da Federação do Comércio, que fica na sede da entidade na Avenida Tancredo Neves , em Salvador. Conheço o artista desde os tempos que trabalhamos na redação do Jornal A Tarde onde durante 25 anos se dedicou a fazer charges e ilustrações, no tempo em que os computadores ainda engatinhavam.Atualmente, trabalha como designer gráfico do Senac Bahia onde está há 32 anos.
Assemblage com 
imagem de santo .
Estive visitando a mostra , e o que mais me chamou a atenção foi a habilidade de Carlos França em misturar vários materiais como madeira,metais, cerâmica, pvc entre outros para criar . Confesso que fiquei feliz ao relembrar os tempos que trabalhamos juntos, inclusive esta arte da página principal da  coluna tem como base uma ilustração feita por ele naquela época. 
Aproveito para lembrar que todas as colunas que escrevi durante quase três décadas estão digitalizadas, e aqui você pode pesquisar se tem algo escrito com o nome do artista que está procurando alguma referência.
Entre as obras expostas, cerca de 40, estão luminárias, espelhos, esculturas em aço inox e chapas de ferro, imagens de santos e orixás. Carlos França vai criando o que lhe vem à mente e sempre com muita habilidade e um toque artístico, fundamental para dar um valor especial às suas obras. Pinta também quadros abstratos e figurativos.
"Yemanjá",feita de
madeira,metal e
cerâmica.
Portanto, estamos diante de um  artista versátil ,introvertido, mas disposto a mostrar aos que gostam de arte o que é capaz de fazer. Em 1983 participou de  uma exposição com três outros colegas Reinaldo Gonzaga, Menandro Ramos e Núbia Cerqueira .Foi um sucesso.
Nesta mostra ele apresentou seus fantoches quando denunciou a manipulação do Estado e das empresas :"São milhões  de manipulados por uma minoria enclausurada em salas hermeticamente fechadas com ar artificial, que enxergam apenas o lucro e o próprio bem estar."
Agora, passado o período de denúncia Carlos França se debruça na atual preocupação em contribuir para o embelezamento de espaços com suas obras que servem muito bem como importante elemento de decoração, tanto as esculturas em vários tamanhos, mas principalmente as assemblages. Nestas obras ele revela " uma forte ligação com a condição humana e seus valores,buscando um sentido de movimento e equilíbrio".
Veja que muitas obras estão ligadas à religiosidade dos baianos com as presenças de santos e orixás cultuados nas igrejas e nos terreiros de candomblés.





segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O MESTRE DO DESENHO A BICO DE PENA

A Bahia perdeu mais um dos seus grandes artistas contemporâneos que é o desenhista Ângelo Roberto, natural de Ibicaraí,  que faleceu ontem aos 80 anos de idade ,e teve hoje seu corpo cremado no cemitério Jardim da Saudade.
Nasceu em 1938, na cidade de Palestina, hoje Ibicaraí, ao sul da Bahia. E morava em Salvador desde 1944. Ângelo Roberto se considerava um "menino das linhas de bonde e linhas de arraia". 
Deixou vários amigos, especialmente os remanescestes da velha boêmia que frequentavam os bares e restaurantes cults como o bar Raso da Catarina, o Restaurante do Moreira, no Mercado das Flores ; o bar do Clarindo Silva, no Terreiro de Jesus, entre outros . Ultimamente tinha trocado o álcool por café ,e assim continuava fazendo seus extraordinários desenhos a nanquim em bico de pena.
Ele mostrava sua maestria nos movimentos que conseguia dar aos  animais que desenhava especialmente os cavalos e pássaros.
Achava o cavalo o mais belo e majestoso dos animais, e por isto sempre estava criando novos desenhos de cavalos.Fui dar uma pesquisada neste blog onde estão as colunas que escrevi por mais de vinte anos no jornal A Tarde e encontrei quatro delas onde o destaque é o trabalho de Ângelo Roberto. Separei esta que republico ao lado de 1989 quando ele fez uma exposição com caricaturas de 30 amigos .
Foi um sucesso porque o artista conseguiu com sua sensibilidade ímpar captar os traços essenciais de cada um de seus amigos . Lembro que na exposição todos riam e ficavam fascinados por esta sua capacidade de trazer o essencial de cada um deles com seus traços refinados.
Ai estão reunidos Ubaldo Ribeiro com seu riso rasgado, o papagaio Guido Guerra, o saudoso Bell Machado e assim por diante.
Faço aqui este triste registro de mais um grande artista que parte, mas deixa sua obra como uma prova da sua existência criativa .

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

FOTOGRAFIA E ARTES VISUAIS DA BELAS ARTES DE SP

Uma das obras da série Imagem Provisória,
de Giovanna Vacani.

Na minha ida à São Paulo estive também visitando num dos pavilhões do Memorial da América Latina, exatamente na Galeria Marta Traba , a exposição de Fotografia e Artes Visuais dos projetos finais dos alunos do Centro Universitário de Belas Artes  . Foi uma surpresa agradável porque eles estavam dando visibilidade a trabalhos acadêmicos que normalmente ficam arquivados em algum canto. 

O pró reitor Sidney Ferreira Leite escreveu : "Qual o destino mais comum dos trabalhos de conclusão de curso? Ser apagado pela aguarrás do tempo, colocado em uma prateleira ou, solenemente guardado no fundo de um depósito. O BA Criative Collectibles chegou para mudar este destino".
Máscaras de cerâmica envolvidas em ataduras distribuídas
na parede até o piso de Júlia Profeta.
Na realidade ai se inicia uma nova caminhada porque é o momento em que os formandos vão tentar sua inserção no mercado e graças a esta iniciativa de expor os trabalhos é uma boa oportunidade de começar a trilhar o caminho do profissionalismo.
Os alunos são do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, entidade que tem 92 anos de atividade e já revelou muitos talentos. Escreveu o professor Roberto Bertani que " o Bacharelado em Artes Visuais, Pintura, Gravura e Escultura existe há mais de 92 anos, a mesmo idade do Centro Universitário Belas Artes, e foi o primeiro curso implantado por esta instituição de ensino."
Obras de Ana Barbaro são figuras feitas em papel
marché. Destaco as expressões significativas e colorido.
Já a professora Rosa Matilde, que coordena o Curso Tecnológico de Fotografia destacou  que "o processo de escolha das imagens e de curadoria foi enriquecedor como experiência didática pedagógica. O resultado foi a revelação de novos talentos , que começam a imprimir sua identidade profissional e que, por meio de sua arte, questionam o mundo e seus diversos aspectos e nos convidam a refletir sobre ele".
Me chamaram mais atenção as obras de autoria de Giovanna Vacani - "Série Imagem Provisória"; as de Júlia Profeta "Sinédoque",com ataduras envolvendo as máscaras de cerâmica, e as de Ana C.B.Barbaro "O Sétimo livro e a pena do destino", com esculturas feitas em papel marché.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MUSEU AFRO BRASIL RESGATA PARTE DE NOSSA HISTÓRIA

Este belo oratório encanta também
 pelo seu tamanho.
A primeira sensação dos que visitam o Museu Afro Brasil  é que estamos diante de um trabalho hercúleo do curador baiano Emanoel Araújo que conseguiu reunir peças importantes e muito valiosas do imaginário e de tudo que diz respeito ao Barroco em nosso país e em Portugal . São cerca de quatrocentas obras bem distribuídas nos espaços onde funciona a Bienal Internacional de São Paulo, no Parque do Ibirapuera. 
exatamente no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, Sob o título de Barroco Ardente e Sincrético - Luso-Afro-Brasileiro, a exposição é uma homenagem ao Jubileu de 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e "traça variadas manifestações do estilo artístico em Portugal e no Brasil, com ênfase em suas expressões em um país miscigenado". A mostra leva o visitante ao espírito do Barroco, tão presente em nosso país, inclusive na Bahia, passando por referências nas culturas erudita e popular dos séculos XVII e XIX.
Nas paredes externas do Pavilhão onde fica
o Museu você visualiza várias obras de arte.


Entre as obras expostas estão algumas de autoria de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho ( 1730?-1814), em Ouro Preto, Minas Gerais, e do Mestre Valentim da Fonseca e Silva ( 1745-1813), no Rio de Janeiro, além do mestre do Aleijadinho, o escultor Francisco Xavier de Brito ( ? - 1751). São obras sacras de Portugal e criações de artistas anônimos .Isto confirma o sincretismo da exposição.Numa publicação da assessoria do Museu Afro Brasil o curador Emanoel Araújo declarou : “Eu chamo de ardente a questão da tropicalidade do Barroco, evocando o trabalho com a madeira e a mecânica dos afrodescendentes. É também sincrético a partir dessa vertente que engloba o lado profano das festas religiosas, como o bumba-meu-boi do Maranhão, que celebra o São João;a cavalhada de Pirenópolis, em Goiás; os reisados de Alagoas e os cortejos dos maracatus de Pernambuco. O Barroco, para mim, é um movimento que não tem fim. É contínuo na cultura brasileira. Vem de Portugal, mas encontra aqui o campo ideal para essa construção de identidade”.
Estão expostas também pinturas de José Joaquim da Rocha (1737-1807), Joaquim José da Natividade (? -1841), Leandro Joaquim (1738-1798), José Patrício da Silva Manso (1753-1801), Frei Jesuíno do Monte Carmelo (1764-1819), José Teófilo de Jesus (1758-1847) e Antônio Joaquim Franco Velasco (1780-1883). Ex-votos e artefatos desse período histórico (oratórios, talhas, esculturas, azulejaria, ourivesaria, prataria, porcelanato) se incorporam à travessia do espírito do barroco, tudo em diálogo com a poesia dos baianos Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711), Frei Manuel de Santa Maria (1704-1768) e Gregório de Mattos (1636-1696).
A exposição também conta com a ambientação musical dos principais compositores sacros brasileiros, como José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita (1746-1805), Damião Barbosa de Araújo (1778-1856) e Domingos Caldas Barbosa (1739-1800). Você fica emocionado com o clima dento do museu.
Diz ainda Emanoel Araujo, na publicação que esse Barroco multifacetado expõe a força da contribuição portuguesa, mas evidencia “a atitude tropical miscigenada da África e do Brasil”, do sagrado ao profano. “Os africanos e seus descendentes, com presença maciça no Brasil, se apropriaram do movimento do barroco, sobretudo porque as corporações de ofícios mecânicos absorvem essa mão escrava e contribuem para a ascensão social do negro”.
A azulejaria da igrejinha da Pampulha (em Belo Horizonte), pintada por Portinari, é projetada no ambiente de uma escada desenhada por Oscar Niemeyer, autor do projeto arquitetônico do Pavilhão Manuel da Nóbrega, onde está o Museu Afro Brasil desde 2004. Tetos de igrejas brasileiras são projetados em outro espaço, em uma elegia à influência francesa das igrejas do Carmo, em Salvador (BA), São Bento e São Francisco da Penitência, no Rio de Janeiro. A artista portuguesa Manuela Pimentel foi responsável  instalação pela  azulejaria lusitana.
Emanoel Araújo afirma na publicação que “Essa exposição se ambientaliza com uma cenografia que envolve diferentes aspectos da arte Barroca. Da azulejaria às paredes internas das igrejas da Bahia fotografadas por Sílvio Robatto na série ‘Barroco Rebolado’, em que ele visualiza a sensualidade das talhas dos anjos e das figuras mefistofélicas”.Para assinalar o contexto histórico, a exposição registra a Revolta dos Alfaiates (1798-1799), na Salvador do século XVIII, e apresenta algumas das festas profanas que surgem do advento do Barroco: as cavalhadas de Goiás, a luta dos mouros e cristãos, o maracatu, o Rei de Congo e o bumba-meu-boi maranhense. A exposição “Barroco Ardente e Sincrético - Luso-Afro-Brasileiro”. Vários artistas baianos estão presentes com suas obras plásticas.

A exposição iniciou em 3 de agosto de 2017 e estará aberta até 3 de março de 2018.Imperdível.

O MUSEU AFRO BRASIL

As manifestações populares tem presença destacada
no Museu Afro Brasil.
A exposição sobre o Barroco é itinerante,mas você ficará muito satisfeito ao visitar as obras permanentes que integram o Museu Afro Brasil criado por Emanoel Araújo.
Este museu certamente veio contribuir em muito para a compreensão , preservação e divulgação desta herança cultural e artística do negro que é tão forte em nosso país.
As obras nos permitem entender melhor a História de nosso país, pois vai além dos livros didáticos na medida em que nos apresenta a igualdade do pertencimento e respeito por uma parte importante da população matriz da nossa brasilidade.
Existe um roteiro impresso que pode ser adquirido na lojinha do museu onde você observa a temática central de cada núcleo, onde ao lado das obras existem pequenos textos explicativos que ajudam a entender e sentir a importância de cada obra. Foi pensado até nas cores que aparecem abrindo cada núcleo para melhor orientar o visitante. Uma visita imperdível.
O Museu está localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, no Parque Ibirapuera, em São Paulo , e abre de terça a domingo das 10 horas até às 16 horas. Tel (11)5579-0593.