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sábado, 8 de setembro de 2012

IVONETE DIAS QUER ATENÇÃO DOS COLECIONADORES - 3 DE MAIO DE 1982.


JORNAL TARDE, SALVADOR,TERÇA-FEIRA, 03 DE MAIO DE 1982

IVONETE DIAS QUER ATENÇÃO DOS COLECIONADORES 

A exposição  Nordeste em Cores, realizada na Galeria do Hotel Méridien, tinha tudo para ser sucesso de público e de vendas.Estava localizada numa boa galeria e perto de um público abonado e que gosta da arte exótica, principalmente da chamada arte naif ou primitiva. Mas, não foi. Não foi devido a pouca movimentação de turistas estrangeiros, sempre atentos em busca dessas obras. A divulgação foi considerada pelos expositores como excelente, porém, uma coisa importante que é a venda, não aconteceu como se esperava. Poucos quadros foram comercializados e os participantes, que são artistas que dispõem de poucos recursos, estão enfrentando algumas dificuldades devido as despesas que realizaram para concretização da exposição. Um destes artistas é Ivonete Dias, uma boa primitiva, que veio da longínqua Maracás para expor suas obras. Ela chegou a escrever um depoimento que me enviou dizendo: “Faço um apelo aos senhores colecionadores e ‘marchands’ para que olhem com mais atenção a obra do artista primitivo. Somos gente simples com talento e sem os artifícios acadêmicos. Pintamos o que sentimos, não o que aprendemos de terceiros. No entanto, vivemos de maneira geral à margem de todo o movimento artístico importante."
Mais que um apelo, este trecho do depoimento feito com muita emoção por Ivonete mostra as dificuldades que o artista sem fama encontra. Não é apenas o primitivo. Não é apenas a Ivonete, mas são muitos que estão por aí percorrendo com muito sofrimento caminhos tortuosos, mas que devem e têm que ser vencidos com muita garra.
Compreendo o desabafo de Ivonete, mas não apoio àqueles que desistem pelo meio do caminho.Certamente não é o caso da referida artista, com a qual mantive longa conversa sobre as dificuldades que até certo ponto são consideradas “normais” dentro do mercado de arte. Espero que ela e seus colegas voltem a expor suas obras e que tenham mais sucesso. Aqui estarei para apoiá-los no que for necessário.

                OBRAS DE DALI E VAN GOGH VENDIDAS POR ALTOS PREÇOS

Um dos quadros mais importantes da Salvador Dali, que pertencia a um psicanalista suíço, que o utilizava para ajudar seus pacientes a liberar seus complexos, foi vendido em leilão na Christie’s pelo equivalente a 122 milhões de cruzeiros, o maior preço já obtido por uma obra de um artista vivo.
Dali destaca sua obr L’Enigme du Desir, de 1929.
O próprio Dali considera o quadro pintado em 1929, L’Enigme du Desir,  como uma de suas dez obras mais importantes. Na opinião dos críticos, o quadro de composição caracteristica torturada e bizarra marca a primeira obra de maturidade do artista, com seu estilo surrealista.
O psicanalista Oskar Schiang, que vendeu o quadro, disse que o comprou em 1946 por achar que poderia  ajudar seus pacientes a se livrarem de complexos, e mantinha a pintura ao lado do divã do seu consultório.
O quadro é dominado por uma rocha amarela com buraco a onde está escrito várias vezes: “ma mère, ma mère, ma mère”... um pequeno grupo a esquerda mostra Dali enlaçando seu pai com um peixe, um gafanhoto, uma adega e uma cabeça de leão.
Segundo Schiag, o quadro propiciava um choque útil para ajudar os pacientes a se soltar.
Dali disse uma vez a respeito do quadro: “às vezes eu cuspo com prazer no retrato de minha mãe”. Ele tinha uma explicação psicanalística, pois é perfeitamente possível se amar a mãe e ainda assim sonhar que se cospe nela.
O recorde anterior por obra de um artista vivo, era de outro quadro de Dali, “Sommeil”, vendido no ano passado por 104 milhões de cruzeiros.
Schlag disse que vendeu “L'enigme Du Desir” para doar a uma fundação particular uma biblioteca sobre alquimia, maçonaria, simbolismo e assuntos do gênero.
O comprador foi um marchand suíço.

VAN GOGH
Um desenho a lápis e pena de Vicent Van Gogh foi vendido em leilão na filial da “Sotheby’s em Toronto por 150 mil dólares (22,5 milhões de cruzeiros) em apenas 60 segundos.
O desenho, que mede cerca de 24 por 35 centímetros, e se intitula “O vicariato”, representou o ponto alto de três dias de leilão e constitui uma das únicas duas obras do artista que se encontra no Canadá.
A obra produzida em 1884, no que a Sotheby’s descreveu como “um período relativamente sereno na vida turbulenta” do artista holandês.
O desenho representa a casa dos pais de Van Gogh em Núemen, Holanda, onde seu pai era pastor. (Foto). O comprador foi o proprietário da galeria de arte de Ontário.

                   FOTOBAHIA ABRE INSCRIÇÕES
 A partir de hoje você que gosta de fotografia poderá participar da V Exposição Anual de Fotografia da Bahia-Foto Bahia 82, evento que vem se firmando como um importante veículo de exposição dos trabalhos fotográficos e debate de questões do setor. A temática é livre e trata-se da realidade baiana. Cada concorrente poderá apresentar de 2 a 5 fotos preto e branco ou em cores com dimensões mínimas de 24x30cm e máximo de 30x40cm. A margem fica a critério do autor. As fotos não devem ser apresentadas com qualquer tipo de montagem e os candidatos podem entregar seus trabalhos no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia, na Rua Chile, 22, sala 301, no horário comercial. Aqui vemos as fotos de José Carlos Filho, Isabel Gouvêa, Adenor Gondi e Sílvio Robatto.

              EUNICE MOSTRA O QUE APRENDEU

Desde 1966, que a baiana Eunice Nogueira de Oliveira vem recebendo orientação o mestre Rescála. Agora ela expõe na Galeria Cañizares, pela primeira vez, um toral de 50 quadros e traz a apresentação do professor Rescála que em certo trecho diz:
“A ambiência baiana com todas as tendências, que a caracterizam exercem em seus intelectuais, nítida influência, os quais as sentem e admiram e assim procuram manifestar seus entusiasmos pela terra dadivosa.
Nas artes plásticas são muitos os pintores consagrados, desde o período colonial, considerados da melhor categoria; mas a grande maioria sem os desejados estímulos, vive e produz no anonimato sem oportunidade de aparecer, entre eles estava Eunice Nogueira de Oliveira. Desde 1966 espontaneamente começou a pintar dentro de um autodidatismo, causativo e de resultados problemáticos.
O mais curioso é que afastada do ambiente artístico por residir no interior do estado, sua pintura, na ocasião, não apresentava feição primitivista como acontece em casos semelhantes. Tentava pintar de modo erudito como exigia seus sentimentos e como compreendia a arte em sua grandeza.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ÂNGELO ROBERTO MOSTRA SUA ARTE - 22 DE MARÇO DE 1982.

JORNAL A TARDE, TERÇA –FEIRA, 22 DE MARÇO DE 1982.

ÂNGELO ROBERTO MOSTRA SUA ARTE NA 
GALERIA RAIMUNDO OLIVEIRA

Depois de três anos sem mostrar os seus desenhos, Âng4elo Roberto inaugurou a Galeria Raimundo Oliveira, com uma exposição individual. A nova sala, iniciativa do Instituo Mauá, está localizada no Porto da Barra, no prédio daquela entidade e acrescenta à Cidade mais um local para os artistas plásticos mostrarem seus trabalhos, ampliando, assim, o espaço cultural de suas atividades, até então restrito a comercialização do artesanato baiano.
Ângelo Roberto  é dotada de excepcional sensibilidade, e a sua temática privilegia toda uma realidade cultural baiana, envolvendo, sobretudo, figuras marcantes de nosso povo em fase de quase desaparecimento. Sua contribuição como artista sensível aos costumes de nossa terra e de sua gente é um documento de todo um contexto social numa tentativa de impedir o esquecimento de tipos e cenas da Bahia.
Ultrapassando os limites de uma técnica formal muito usada pelos desenhistas de picos de pena , Ângelo Roberto atingiu a um requinte da técnica muito difícil de ser superado.
Em seus trabalhos verifica-se a valorização dos espaços brancos, integrados na composição das figuras e paisagens. È como ele desenhasse com o branco atribuindo às suas criações uma força, um ritmo e um lirismo comovente.

                                                DOMÍNIO DA MÃO
 Este rapaz tem um domínio completo da mão. Dela, ele nada mais pode exigir. Da sua cabeça é que se espera muito mais.
Vendo os bico de pena de Ângelo Roberto assim se pronunciou o colecionador Antonio celestino: Essa, talvez, seja a última exposição de Ângelo. Ele pretende por as tintas nas telas com as suas cores puras ou misturadas.
Algo muito mais vibrante e cromático a revelar o seu mundo de emoções, suas alegrias e um denso sentimento das pessoas e das suas circunstâncias.
Dele esperamos muito nesta sua nova busca a exprimir sua enorme sensibilidade e humanismo, seu modo muito particular de cuidar com zelo e amor dos entes e objetos que lhes são caros.
Dos pequenos traços que, no seu conjunto produziram comoventes figuras em preto e branco, crianças, prostitutas, vendedoras, mendicantes, pescadores, enfim toda uma galeria de singelas figuras do nosso povo. Ângelo se propõe agora a mostrar o seu talento e criatividade na gama dos tons e semitons, do escarlate agressivo ao depressivo amarelo, do fatídico roxo ao esperançoso azul.
É um desafio que ele próprio se propôs com adesão e a solidariedade dos amigos que prefiguram perplexos os olhos sobre telas a revelar o sentimento e a visão comprometida com o amor e a doação tão própria da figura do artista.
Todavia seus desenhos ficarão eternamente na retina daqueles que poderão contemplá-los , como registro lírico e pungente de algumas cenas do nosso mundo.

                               O QUE ELE PENSA

P- Ângelo Roberto Mascarenhas de Andrade, quem é o desenhista Ângelo Roberto?
R-É o menino das linhas de bonde e linhas de arraia. É um desenhista que só se resolve pela tela quando chega ao fim da linha.
P- E a ironia, Ângelo?
R- Por que seus amigos mais próximos concordam com a afirmativa de que você vê a vida com profunda ironia e não perde nenhuma oportunidade para ironizá-la?
R- Meus amigos mais próximos são mais velhos do que eu. Eles é que me ensinam essa coisas.
P-E sendo você um homem de formação católica por que vê este mundo com olhos tão críticos?
R-Cristo é o primeiro a ver este mundo com olhos críticos.
P- Não são poucos as pessoas que o vêem como um eterno menino. Você jamais conseguiu libertar-se da infância assim como se a tivesse como uma espécie de refúgio, ou, ao contrário, sua infância o envolve, ainda hoje, como um cárcere do qual você não consegue romper as grades.
R- O  passarinho que revisita o ninho pode crer tem autonomia de vôo.
P- E a adolescência? Em particular sua adolescência como ginasiano e participante de movimentos intelectuais na Província da Bahia? Até que ponto toda essa vivência interferiu em sua opção pela arte?

R- Já falei das linhas. Apenas joguei um barandão!
P-Como pai de cinco filhos e sendo apenas desenhista, como você consegue prover a sua e a subsistência da família? Dê ai a receita do milagre.
R- Sendo apenas desenhista, eu não seria pai de cinco filhos. Quanto ao milagre: : pó de pirilimpimpim e sítio.
P- Porque a gente sabe que em muitos países o artista consegue, pelo menos, ser considerado como um verdadeiro profissional, enquanto que, no Brasil, salvo algumas exceções, o artista continua sendo marginal. Você se considera um margina, enten -dendo-se como marginal o cidadão que vive fora do sistema?
R-Um artista não é, necessariamente , um profissional. vice-versa. Sou um marginal. O sistema que espere!
P-Ângelo Roberto considera-se um homem realizado, mesmo no plano apenas do indivíduo como indivíduo já que no plano do ser social sua ironia o define assim como uma espécie de rebelde?
R- Um homem realizado é uma besta. Sou um rebelde.
P-Você crê na vida, mesmo na vida vivida por várias camadas miseráveis de vastas regiões do mundo? Acredita que, apesar de tudo vale a pena viver tudo, inclusive o grotesco, o cruel, o belo e, também, o feio?
R- A universalidade cristão me leva a crer que o belo e o feio são a mesma coisa. Para quem tem olhos críticos.
P-Qual seu grande projeto de esperança?
R- Continuar vivendo entre os amigos mais próximos.

            BAHIA ANTIGA NO  SHOPPING ITAIGARA

Dentro do Projeto Arte Cultura que vem sendo desenvolvido este ano, no Shopping Itaigara, e como parte das comemorações do aniversário da Cidade do Salvador, estará sendo realizada, dentro de poucos dias naquele shopping, a exposição Bahia Antiga, sobre a orientação de Na Antônio Marcelino do Nascimento, considerado o maior colecionador de postais do mundo, com o seu Museu Tempostal. Fotos raríssimas em ampliações muito bem feitas e cuidadosamente montadas mostram aspectos da Bahia, principalmente de Salvador, em épocas passadas. Além de pesquisar as fotos e apresentá-las de maneira a que o público possa ficar bem informado , a direção do shopping teve o cuidado de buscar pessoas que possam orientar a todos que se interessem por detalhes históricos de cada foto. Esta foto mostra o Farol da Barra e adjacências, entre as quais os locais onde hoje estão as ruas Afonso Celso e Marquês de Leão.

A ÚLTIMA CEIA DE LEONARDO DA VINCI

A restauração do quadro Última Ceia, de Leonardo Da Vinci, talvez a obra de pintura mais conhecida no mundo, está revelando detalhes que os admiradores não tem podido ver há quase 500 anos, disseram fontes do setor artístico.
O mural de Cristo com os Apóstolos, pintado por Leonardo entre 1495 e 1498 no Refeitório da Igreja de Santa Maria da Graça, já passou por quatro anos de trabalhos de restauração parcial, que revelou que o mestre da Renascença colocou os comensais numa sala com tapete, comendo laranja e bebendo com copos de bordas douradas, detalhes desconhecidos antes.
Segundo Carlos Bertilli o Superintendente da Herança Artística e Histórica de Milão, um detalhe revelado pela restauração é que o apóstolo Simão não tinha barba longa, originalmente. Ele disse ao jornal Corriere Della Serra  que Leonardo pintou Simão com leve barbicha e que as longas barbas conhecidas dos especialistas em arte moderna foi acrescentada pelos restauradores que trabalharam na pintura posteriormente.
Bertilli disse que outro detalhe notável é que as famosas Portas Escuras da sala em que Cristo e os Apóstolos se banqueteavam não são portas, mas tapetes.
Acrescentou que as fatias de laranja que aparecem agora em alguns dos pratos dos comensais não eram visíveis antes da restauração, processo no qual utilizaram-se solventes especiais e análises microscópicas. São novos também, para os admiradores modernos, os reflexos das vestimentas coloridas nos pratos e as finas bordas douradas dos copos.




CONCURSOS DE CARTAZ E PROJETOS - 15 DE MARÇO DE 1982.


JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 1982.

CONCURSOS DE CARTAZ E PROJETOS MOVIMENTAM
OS ARTISTAS BAIANOS

Este mês será realmente movimentado para as pessoas que acompanham ou estão envolvidas com a produção artística em nosso estado. É que o Museu de Arte Moderna está promovendo três importantes eventos: 1) Um curso que será ministrado de 29 a 8 de abril pelo crítico Frederico de Morais, no horário das 18 às 20 horas, onde ele abordará o tema “ Artes Plásticas na América Latina: do transe ao transitório”, Frederico fará diferentes enfoques sobre a arte latino-americana com relação a seus conceitos, resistência, libertação, muralismo e outras tendências. Ele projetará 18 audiovisuais, especialmente sobre a arte brasileira. 2) Concurso de cartaz comemorativo do aniversário de Salvador visando o seu lançamento quando as festividades dos 432 anos de nossa cidade. Ao vencedor será atribuído um prêmio de Cr$200 mil; 3) O concurso público para realização de trabalhos de artes plásticas, quando serão empregados Cr$2 milhões e 400 mil.
Quantias significativas que merecem ser aplicadas dentro de critérios justos para evitar possibilidade de distorções.
Quanto aos retardatários que não tinham executado os projetos do concurso anterior para o Museu de Arte Moderna, tenho informações seguras que já estão providenciando. Soube também que um deles ficou aborrecido com a crítica que fiz. Um bom sinal e uma prova que teve repercussão o que escrevi.
Porém, se não entregar o trabalho, prometo fazer uma denúncia pública mostrando sua falta de responsabilidade. Publico na íntegra os regulamentos dos concursos de cartaz e projetos para os devidos esclarecimentos aos interessados.

CONCURSO DE CARTAZ

Visando a criação de um cartaz para ser lançado na ocasião da comemoração dos 433 anos de fundação da Cidade do Salvador que possui um significativo cultural e promocional da cidade:
01- Na mensagem escrita deve ser referido o ano da fundação da cidade (1549) o ano da comemoração (1982) e/ou o número de anos da sua fundação (433).
A elaboração dos dizeres eferentes a mensagem cultural do cartaz, ficará a cargo do concorrente, constituindo-se num dos elementos fundamentais da proposta.
Na composição deverão ser previstos os nomes dos patrocinadores: Fundação Cultural do Estado da Bahia / Museu de Arte Moderna da Bahia.Prefeitura da Cidade do Salvador. e Bahiatursa S/A.
 02.- No referente a mensagem formal, os trabalhos devem ser apresentados a nível de arte final, com utilização de até 04 (quatro) cores, no formato de 62 x 43 cm, acompanhados de memorial justificativo e das especificações técnicas para sua impressão.
Em caso de utilização de fotografia policromática para seleção de cores deverão ser anexados os originais em diapositivo. 03 Disposições Gerais:
3.1) Ao vencedor do concurso será atribuído um prêmio de Cr$200.000,00 (duzentos mil cruzeiros).3.2) A inscrição dar-se-á no ato da entrega dos trabalhos devendo os originais  serem encaminhados ao Museu de Arte Moderna da Bahia, Solar do Unhão, AV. do Contorno s/n, Salvador-Bahia, até às 17 horas do dia 26 de março de 1982.
3.3) Os trabalhos deverão apresentar-se sob pseudônimo e acompanhados de sobrecarta identificadora fechada, em cujo exterior se encontra o referido pseudônimo, do concorrente, e no interior, além do papel contendo o nome verdadeiro, os dados pessoais: endereço, CPF,, nº da Carteira de Identidade, estado civil, etc..
.04) A comissão julgadora será constituída de 02 (dois) representantes indicados  pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, 01 (hum) representante da Prefeitura Municipal do Salvador, 01 (hum) representante da Bahiatursa e 01 (hum) representante da Associação de Artistas Plásticos Modernos da Bahia. 4.1) No tocante aos processos e critérios adotados pela comissão para, julgamento e escolha dos trabalhos, a mesma será soberana, não cabendo qualquer recursos ou reclamação do concorrente. 4.2) O resultado da decisão final da Comissão Julgadora deverá ser apresentado através relatório a ser divulgado até o dia 29 de março.
5) O trabalho vencedor passará a pertencer aos órgãos patrocinadores que poderão utilizá-lo com absoluta exclusividade, ficando, portanto, cedidos os direitos autorais para efeito de reprodução e divulgação.
6) O não cumprimento por parte dos concorrentes do presente regulamento, implicará na desclassificação dos mesmos e os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela comissão julgadora.

CONCURSO DE PROJETOS

A Fundação Cultural do Estado da Bahia vem instituir, através de Concurso Público, prêmio nas áreas das artes plásticas, segundo critérios abaixo enunciados.

DO CONCURSO

Art. 1.º- A Fundação Cultural do Estado da Bahia, através do Museu de arte Moderna da Bahia, institui um Concurso de Projetos para a elaboração de trabalhos de artes plásticas.
Art. 2.º- O presente concurso tem como principal objetivo o fornecimento de recursos financeiros para a realização de projetos de Artes Plásticas, visando estimular a criatividade nessa área bem como atender as expectativas do mercado de trabalho do meio produtor local.
Art. 3.º- As propostas para a realização de projetos de Artes Plásticas de que trata o artigo anterior deverão ser apresentados ao Museu de arte Moderna da Bahia, mediante inscrição, de acordo com o item específico deste regulamento.
Art. 4.º- Ao se inscreverem no presente concurso, os artistas plásticos deverão apresentar projetos de Concepção e Execução de trabalhos de Artes Plásticas, elaborados com base nas exigências expressas no presente regulamento.

DOS PARTICIPANTES

Art. 5.º- Concurso Público para a realização de trabalhos de Artes Plásticas, destina-se exclusivamente a artistas baianos ou brasileiros radicados na Bahia há mais de dois anos.
Art. 6.º-A responsabilidade da elaboração dos projetos poderá ser assumida individualmente, ou por equipe, na seguinte forma:
Parágrafo 1.º - um artista plástico.
Parágrafo 2.º-uma equipe, formada por artistas de diversas áreas de expressão, liderada impreterivelmente por um artista plástico.
Art. 7.º- Cada artista plástico poderá ser o responsável pela apresentação unicamente de um projeto. No entanto é permitida a sua participação em outras equipes concorrentes.
Art. 8.º- É assegurada aos responsáveis pela elaboração dos projetos vencedores a liberdade da escolha dos colaboradores necessários para a realização das suas propostas.
Esses colaboradores serão nomeados quando da assinatura do contrato.

DOS PRÊMIOS

Art. 9.º- Os prêmios na área de artes plásticas, objeto do presente concurso, constituirão no fornecimento de recursos financeiros para a produção de projetos no total de Cr$2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil cruzeiros).
Art. 10.º- A critério da comissão julgadora, o número total de projetos a serem selecionados não deverá ser inferior a 06 (seis) e nem superior a 12 (doze), devendo a referida comissão distribuir a verba global com os selecionados com base nos orçamentos, apresentados.
A cota máxima a ser atribuída a um projeto selecionado não deverá ser superior a Cr$400.000,00 (quatrocentos mil cruzeiros) ficando na inteira responsabilidade do artista selecionado os gastos que ultrapassarem a cota máxima acima estipulada. Não sendo permitido qualquer tipo de reajuste ou diferença.

DA CONCEPÇÃO DA PROPOSTA

Art. 11.º- aos artistas concorrentes é assegurada a liberdade de expressão e a utilização de diversas linguagens expressivas desde que a dominante seja inerente as artes plásticas.
Art. 12º- as propostas deverão ser concebidas de forma a atender aos seguintes requisitos:
Parágrafo1.º- Sejam propostas inéditas, considerando como referências as manifestações contemporâneas das artes plásticas.
Parágrafo 2.º- Tenham como característica fundamental propostas de novos significados estéticos relacionados com os diversos aspectos dos nossos conteúdos culturais.
Parágrafo 3.º - Cada parte da proposta deverá estar estruturalmente vinculada a proposta maior, reforçando a unidade de cada trabalho com um todo, quando se trata de proposta encerrando várias linguagens.

DO PROJETO DE REALIZAÇÃO

Art. 13.º- Deverão constar, necessariamente, do projeto de realização os seguintes elementos:
Parágrafo 1.º-PROPOSTA DE TRABALHO.
Item 1- Memorial Descritivo da idéia-tema e apresentação de proposta de trabalho, comunicabilidade com clareza de exposição, facilitando o seu julgamento e o exame da viabilidade de execução.
Item 2- Concepção geral da proposta definindo as diversas linguagens que serão utilizadas.
Item 3- Concepção visual apresentada através de desenhos e maquetes e tudo o mais que for necessário para a perfeita definição da proposta.

DO PROJETO DA EXECUÇÃO

Art. 14.º- O prêmio, em dinheiro, concedido às obras vencedoras deverá ser irrecorrivelmente, aplicado na execução das mesmas.
Parágrafo 1º- ASPECTOS CONTRATUAIS
Será assinado um contrato de prestação de serviços entre as partes, objetivando a execução da obra onde deverá ficar estabelecido, entre outras normas, o cronograma de desembolso.
Parágrafo 2.º- CRONOGRAMA DE DESEMBOLSO
Com base no contrato de execução, fica previsto o seguinte cronograma de desembolso:
1.ª Parcela: 50% do Prêmio quando da assinatura do contrato.
2.ª parcela: 25% do prêmio 30 (trinta) dias após o recebimento da primeira parcela.
3.ªparcela:25% restantes do prêmio na entrega da obra, prazo que não deverá ultrapassar 60 (sessenta) dias após o recebimento da 1.ª parcela.
Art. 15.º- Na falta de observância dos prazos supracitados e/ou do não-cumprimento de quaisquer cláusulas contratuais o (s) artista (s) e/ou responsável (eis) ficará (ão) sujeito (s) às penalidades legais estabelecidas no contrato de execução das obras vencedoras.
Art. 16.º- No caso de apresentação de projetos envolvendo diversas linguagens expressivas, cada uma delas deverá ser apresentada através de um subprojeto específico, para melhor compreensão da proposta como um todo.

DA MONTAGEM

Art. 17.º - Após a divulgação dos resultados do concurso, a Fundação Cultural do Estado da Bahia firmará contrato com o responsável por cada um dos projetos vencedores, formalizando, individualmente, os critérios relativos ao fornecimento dos recursos financeiros indicados nos orçamentos de cada projeto, de acordo com o presente regulamento.
Art. 18.º - Além dos recursos financeiros mencionados no artigo anterior, cada um dos vencedores terá a sua disposição para a realização da proposta o apoio do Museu de Arte Moderna da Bahia, fornecido da seguinte forma:
Parágrafo 1.º-Pauta de exposição do Museu de Arte Moderna da Bahia para uma mostra conjunta dos trabalhos vencedores do concurso.
Parágrafo 2.º- Espaço físico disponível no Museu de Arte Moderna da Bahia para os trabalhos de montagem e ensaios.
Parágrafo 3.º- Apoio da equipe técnica do Museu de Arte Moderna da Bahia para a montagem da exposição.
Parágrafo 4.º- Divulgação da exposição e elaboração de um catálogo contendo informações relativas às propostas vencedoras.
Art. 19.º- A supervisão da execução do projeto ficará a cargo da Direção e da seção Técnica do Museu de Arte Moderna da Bahia.

DA INSCRIÇÃO

Art. 20.º- A inscrição e entrega dos projetos será efetuada no Museu de Arte Moderna da Bahia, Av. do Contorno, s/n, Solar do Unhão, a partir da data da publicação do regulamento até 60 (sessenta) dias após, devendo as equipes interessadas apresentar os seguintes documentos:
Parágrafo 1.º - Indicação do artista plástico e/ ou dos integrantes da equipe da elaboração, mencionada no Art. 5.º do presente regulamento, definindo cada uma das responsabilidades profissionais.
Parágrafo 2.º- Cada profissional integrante da referida equipe deverá apresentar os seguintes documentos:
Item 1- Fotocópia da carteira de identidade.
Item 2-Fotocópia CPF
Item 3- Comprovação de nacionalidade e/ou naturalidade baiana ou de residência na Bahia, conforme específica o Art. 4.º do presente regulamento.
Item 4-“Curriculum Vitae”
Item 5- Os elementos mencionados no Art. 12.º e no artigo 13.º do presente regulamento.

DO JULGAMENTO

Art. 21.º- A comissão julgadora será composta de (06) seis jurados dos quais 03(três) serão indicados pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, 02(dois) indicados pelos concorrentes em reunião especialmente convocados para tal fim, no Museu de Arte da Bahia, em data a ser fixada e 01(um) indicado pela Associação de Artistas Plásticos Modernos da Bahia.
Art.22.º -  A Comissão Julgadora caberá a escolha e seleção dos projetos vencedores do concurso, ficando estabelecido o prazo de 15 (quinze) dias após o encerramento das inscrições para o fornecimento do resultado.
Art. 23.º - A seleção dos melhores projetos será efetuada pela comissão Julgadora, considerando as proposta de concepção e de realização dos trabalhos, a adequação do Orçamento Global de cada projeto apresentando com a realidade do mercado de trabalho baiano e com os preços reais dos materiais e dos equipamentos, além da observância de cada projeto aos termos do presente regulamento.
Art. 24.º- O pronunciamento da comissão julgadora será fundamentado por um parecer escrito, inapelável, salvo erro substancial, caso em que será aceito recurso, a critério e mediante deferimento do Conselho Deliberativo da Fundação Cultural do Estado da Bahia.
Art. 25.º - Os projetos não classificados deverão ser retirados pelos interessados dentro do prazo de 03(três) meses a partir da divulgação do resultado do concurso, findo o qual a Fundação Cultural não se responsabilizará por sua devolução.

GENERALIDADES

ART. 26.º - A inscrição de qualquer projeto no presente concurso pressupõe a total concordância dos concorrentes com o presente regulamento.
Art. 27.º- Os casos omissos serão resolvidos pelo Conselho Deliberativo da Fundação Cultural do Estado da Bahia, ouvidos os interessados e os membros da comissão julgadora.




quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CENTENÁRIO DE BIQUIBA SERÁ COMEMORADO DIA 2 DE ABRIL - 29 DE MARÇO DE 1982.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 29 DE MARÇO DE 1982.

 CENTENÁRIO DE BIQUIBA SERÁ COMEMORADO
DIA 2 DE ABRIL

 Será comemorado a 2 de abril o centenário do escultor Francisco Biquiba DY Lafuente Guarany, autor de muitas das carrancas esculpidas neste século para as barcas do médio São Francisco, que, segundo o Prof. Clarival Valladares, do Conselho Federal de Cultura, constituem “assunto de extrema importância na história da cultura brasileira pois fazem,o nível mais elevado da criatividade do arcaico, no Brasil”.
Guarany produziu de 1901 a 1980 cerca de 80 carrancas para barcas e 130 para colecionadores, além dos santos barrocos esculpidos em sua juventude e as figuras de um grande presépio que fez na década de 1940. Tendo trabalhado 81 anos, até a idade de 98 anos, retém um recorde brasileiro e, provavelmente, mundial. Seu estado físico e mental é bom, como comprovou ao viajar, em 1981, em pequeno avião, de sua cidade natal, Santa Maria da Vitória, no interior da Bahia, até Brasília, para a inauguração da mostra “Guarany 80 anos carrancas”, quando autografou mais de uma centena de catálogos.
Essa exposição, a maior que já houve sobre o tema, ocupou 500m2 e foi também apresentada no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife e Petrolina, sob o patrocínio do Serviço de Documentação Geral da Marinha e outras entidades. Dentre os documentos expostos, periódicos franceses com fotografias de carrancas de Guarany e uma carta que lhe foi enviada pela presidente da Comissão Internacional para o Estudo das Figuras de Proa- (Unesco-Paris), declarando que sua obra “faz parte do que já encontrei de mais belo em minhas pesquisas”.

Isso justifica o que escreveu Carlos Drummond de Andrade: “pois é. Quem diria que as carrancas antropomórficas de Francisco Guarany saltassem das águas do Médio São Francisco para a contemplação européia e fosse hoje o motivo de interesse mundial”.

Guarany é bisneto, por parte de pai, de frade espanhol (Dy Lafuente) e negra do Moçambique (Biquiba) e, por parte da mãe, de índia do Paraguaçu (daí o apelido de Guarany, incorporado ao nome). Além de marceneiro, sua atividade básica, foi, em sua cidade, juiz de paz durante 39 anos é observador pluvio-fluviométrico do Ministério da Agricultura, por 35 anos.

Sua veia artística é diversificada: pintava bandeiras, inclusive do Divino (Espírito Santo) e participava de serenatas tocando violão, embora não prove bebida, pois é presbiterianista convicto, o que não impede de participar da forte carga mística de sua comunidade, que inclui a crença na existência do caboclo d’água, provável inspirador de suas “figuras de barca”, como eram conhecidas essas esculturas no São Francisco.

A grandeza da obra de Guarany e a pureza de sua personalidade que podem ser avaliadas no capítulo de seu biógrafo, Paulo Pardal, da obra carrancas do São Francisco justificam sua classificação por Drummond como “uma grande figura humana” e a exposição de 1981, em sua honra, como “a mais comovedora, a mais lírica, a mais funcional, a mais gratificante, a mais brasileira, (...)”

                                                      AS COMEMORAÇÕES

A exposição “Guarany 80 anos de Carrancas”, devido ao sucesso alcançado junto ao público e aos mais variados setores culturais do país, está de volta a Salvador, a convite do governo do estado da Bahia, após ter sido apresentada em várias cidades brasileiras.

As carrancas estão no Centro de Convenções, onde hoje, as 20:00 horas se inaugura o IV Congresso Brasileiro de Mastologia, permanecendo até o dia 2 de abril naquele local. Aberta ao público das 8:00 às 20:00 horas. Na ocasião será prestada homenagem especial a Francisco Guarany, que no próximo dia 2 de abril completará 100 anos.

A repercussão da exposição, que desde setembro do ano passado até hoje já percorreu as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador, Recife e Petrolina gerou um movimento nacional em torno do tema e daquele que é o mais velho artista popular brasileiro vivo. Além de homenagem do governo do estado da Bahia, o Congresso Nacional deverá aprovar até a data do centenário de Guarany, lei que lhe concede pensão vitalícia de três salários mínimos. Foi também concedido a ele, pela Associação paulista de Críticos de arte, o Prêmio revelação 1982, estando ainda prevista a realização de um “Salão Guarany” nos meses de julho e outubro, em Juazeiro e salvador, respectivamente, com prêmios para as melhores carrancas no espírito das genuínas.

 DIRETOR DO MAMB SATISFEITO COM POSIÇÃO
DESTE COLUNISTA

Recebi esta carta de Francisco Liberato agradecendo a força que venho dando às promoções do Museu de Arte Moderna da Bahia. Fiquei satisfeito em saber que teve repercussão o comentário que fiz exigindo respeito daqueles que foram escolhidos e não tinham entregues os projetos concluídos e que aumentou o número de interessados. Mas, é bom salientar que está adiado até 11 de maio o prazo para realização de inscrições ao concurso de Projetos de Artes Plásticas do MAMB. Deixo a seguir a carta de Liberato para conhecimento dos interessados:

“OF. N.º 30/82
Ao Sr. Reynivaldo Brito
Jornal ‘A Tarde’
Prezado senhor:

        Queremos informar-lhe que sua coluna do dia 8 p. passado, teve uma grande repercussão no meio artístico, observado por nós pelos comentários positivos e grande aumento do número de interessados que têm procurado este museu para maiores informações e participação nos acontecimentos divulgados.
CONCURSO DE PROJETOS- Em face do aumento considerável do número de interessados a atendendo solicitações dos mesmos, estamos prorrogando o prazo de entrega dos projetos e respectivas inscrições, para o dia 11 de maio, no intuito de corresponder ao aumento de artistas interessados.
Adiantamos ainda, que desejamos contar com a participação de V. Sa. Como membro do júri que selecionará os projetos a serem produzidos pela Fundação Cultural do estado da Bahia. No devido tempo faremos o convite oficial.
CONCURSO DE CARTAZES- Agradecemos a divulgação, o que prestigiou o nosso concurso e esperamos um resultado que corresponda ao nível alto da mensagem cultural que representa os 433 anos de fundação da nossa cidade.
CURSO DE FREDERICO-  Por motivos de coincidência do período do curso do professor Frederico Moraes com os feriados da semana Santa, em entendimentos com o referido professor resolvemos prorrogar a realização do curso ‘Artes Plásticas na América Latina’ para o período do dia 03 a 15 de maio próximo.
Esperando continuar a merecer o prestígio da divulgação dos nossos eventos na sua coluna, firmamo-nos, atensiosamente, Francisco Liberato de Mattos, diretor do MAMB.

                          MURAL
 

CURSO DE FOTOGRAFIA- Michael Lee Wanner vai transmitir seus conhecimentos fotográficos a todos aqueles que gostam de fotografia, através um curso que será ministrado a partir do dia 12 de abril. As inscrições podem ser efetuadas no Clube de Engenharia da Bahia, que fica na Rua Carlos Gomes, nº 31, e também na Escola de Belas Artes, da UFBa., no Bairro do Canela.
O curso será intensivo, de cinco semanas e quanto à taxa de inscrição, horário e outras informações podem ser conseguidas nos locais das inscrições.
Michael Lee Wanner é um artista/fotográfo e também formado em Arqueologia pela Adams State College, do Colorado. Tem cursos de fotografia em várias cidades americanas e uma experiência profissional excelente.
Aqui ele já expôs no Museu de Arte Moderna com muito sucesso de público e crítica.

AQUARELA DE CHARLES -Duas pinturas de autoria do príncipe Charles foram exibidas numa exposição do prestigioso Instituto Real de Pintores de Aquarelas, em Londres.
As aquarelas de Charles obedecem a “verdadeira tradição britânica”, disse o porta-voz do instituto, Maurice Bradshaw.
“Elas são bastante boas”, disse ele. “Ele é um competente pintor de aquarelas. Esta exposição tem um padrão muito alto”.
“Este país tem uma boa reputação por seus pintores de aquarelas e as dele obedecem a verdadeira tradição britânica”.
O Palácio de Buckingham disse que Charles pinta há anos, mas está aparentemente foi sua primeira exposição em Londres.
As pinturas intituladas “Nepalese House in Nauri Danda Village” e Great bitter Lake”, estarão expostas até 12 de abril. Elas fazem parte de 752 pinturas escolhidas entre três mil inscritas pelos maiores pintores de aquarelas da Grã-Bretanha.

 BANDEIRA- O artista plástico José Bandeira teve todos os seus trabalhos adquiridos antes de terminar o período de 15 dias de sua exposição, no 2º piso da Sandiz. O artista foi convidado por Luiz Ferraz, daquela organização, para expor durante a inauguração de duas novas lojas da cadeia, em Niterói e São Paulo, no próximo mês de maio, quando mostrará casarios da Bahia.
Bandeira, além de pintar casarios, tem como temática vias-sacras, marinhas e santos, já tendo participado de várias coletivas e 20 exposições individuais na Bahia, duas no Rio de Janeiro e duas em São Paulo.
Também já pintou alguns painéis e participou de bienais.

 WALTER OLIVEIRA- Vinte telas a óleo do artista plástico baiano Walter Oliveira estão expostas no Museu Afro-Brasileiro até o final deste mês. A flor é a imagem onde Walter pousa a sua atenção, mas sua retina de criador foca este fortíssimo símbolo da natureza ligado à figura humana.
Há quem diga que o trabalho de Walter está pleno de espiritualidade, de negritude mas ele reduz e dialeticamente contesta este conceito de afirmar: “Sou um cultivador da beleza”. E que nunca se preocupou em definir seu trabalho, deixando a cargo dos observadores, há algo de que ele fala com muita convicção:“Todos os discursos que eu tenho ouvido a respeito de consciência negra estão cheios de bobagens. Consciência Negra no Brasil se limita a bloco de Carnaval, fazer música para arrastar multidões ou imitar os americanos”.
 HELYLIMA- “Ele veio da Bahia há 12 anos para trabalhar no departamento de arte da Agência Bob Brown Associates como desenhista especializado em cartazes para a América latina. Jamais se exibiu no Brasil e praticamente começou sua carreira de pintor nos Estados Unidos. Seu tema: a Cidade de New York. Seu estilo original, aclamado não só nos Estados Unidos como também na Europa e agora sendo também lançado no Japão. A revista Graphic Design, editada em Tóquio, publicou, recentemente, artigo de 4 páginas a cores sobre Lima. Ele é um dos poucos pintores que vivem exclusivamente de arte e também um dos poucos com uma lista de espera de 36 clientes, número mais do qe sufuciente para vender duas vezes que se exibiu em Paris (Gelerie Jean-Pierre Lavignes) seus trabalhos foram totalmente vendidos motivando cancelamento de exposições em Dusseldorf e Strassburg”.
 
PRIMEIRA INDIVIDUAL- A artista Neuza Guimarães está expondo desde o dia 26 na Galeria 13, Rua Gravatá, 37. É a sua primeira exposição individual. A mostra compreende 19 desenhos em bico-de-pena. Ela já participou da 6ª Exposição de Jovens Pintores, na galeria “O Mundo dos Quadros”, em setembro de 1980, e da exposição coletiva que comemorou os oito anos da galeria 13, em 1981.

A VOLTA E O INÍCIO DE 1982 - 8 DE FEVEREIRO DE 1982.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 08 DE FEVEREIRO DE 1982.

                                A VOLTA E O INÍCIO DE 1982

 
Depois de um mês de férias estamos de volta. Eu com esta coluna e os vários artistas que colaboram enviando sugestões e material para que possamos divulgar o movimento de arte brasileiro, especialmente o baiano. Voltamos com a disposição de quem arregaça as mangas para iniciar o trabalho neste ano de 1982. Alguns ficaram curiosos em saber por que a coluna deixou de ser publicada durante quatro semanas. É a primeira vez que isto acontece e assim procedi propositadamente para também dar um “descanso” aos leitores. Por outro lado, para aguçar a curiosidade daquelas pessoas que não concordam com pontos de vista e opiniões aqui publicadas. Agora de volta trago as mensagens ou as “Pré-visões Visuais para 82” do cartunista, publicitário e desenhista animador Serra. Dentro do espírito das previsões que enchem as páginas de jornais e revistas no início de todos os anos aqui está seu trabalho arriscando alguns palpites para este ano que já foi iniciado. As ilustrações estão numeradas e cada legenda corresponde ao número ali gravado. Fiquem com Serra.
1)      Miséria : 82 será um ano de muita seca e principalmente de muita fome no Nordeste devido ao desvio de rios e de recursos.

2)      Pena : Em 82 além da fome o povo continuará de trouxa nas costas sem ter onde habitar.

3)      Novidade: Em 82 nosso Ministro do Planejamento continuará a acreditar na estabilidade econômica do país, inclusive, saldando definitivamente a nossa dividazinha externa.

4)      Perigo: 82 ano eleitoral corre um sério risco de ser raptado por forças ocultas.

5)      Horror: Em 82 o consumidor brasileiro corre o perigo de sumir de dor dos altos impostos do governo e da selvageria das multinacionais.

6)      Catástrofe: Em 82 o mundo se dividirá, daí correrá um sério risco de um ataque nuclear, caso não parem desenfreada corrida armamentista. A você um Feliz 82.

   UM RETATO DO MOMENTO DO ARTISTA LUÍS EDUARDO

O artista plástico Luís Eduardo está expondo, na Galeria do Hotel  Méridien, 25 quadros, sendo 22 em óleo sobre tela e 3 utilizando tinta vinil.
Seus trabalhos são um retrato do momento confuso da realidade contemporânea, como ele mesmo intitula e de “grande e trágica beleza” como define o professor Carlos Eduardo da Rocha.
Sua obra é uma espécie de trajetória da humanidade, começando com o surgimento do homem, passando por suas transformações e chegando afinal ao mundo contemporâneo, com suas intricadas e perigosas máquinas e arriscando especulações sobre um futuro “que só o tempo dirá”.
Vemos acima, lado direito, duas obras de Luís Eduardo.
Pintar, para mim, é narrar uma verdade, é sentir, raciocinar, dizer, transmitir um conhecimento. E, o que é fundamental: procurar sempre uma visão nova, autêntica e nunca estagnar, diz Luiz Eduardo e acrescenta, inclusive, que sua fase atual em matéria de arte não está incluída em nenhuma categoria estilística preestabelecida.
                BAGAGEM E OPINIÃO

Embora jovem, o pintor Luiz Eduardo tem bagagem face às exposições que tem realizado, individualmente ou em mostras coletivas. Em exposições individuais já se apresentou e, 1975 no Salão da Prefeitura de Jequié, em 76 em Ilhéus, mostra que repetiu em 1980.
Neste mesmo ano realizou a Expo em Itapuã e, no ano passado, mostrou seus trabalhos na Galeria Tessa..
Coletivamente, Luiz Eduardo mostrou seus trabalhos em 1973 no II Salão de Novos da Panorama, em 1974, III Salão de Novos da mesma galeria, 1979, II Festival de Arte de Itapuã, em 80, no Festival de Arte da Bahia /80, no V Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas e, ainda, no Salão Rio Grandense, esta no Rio Grande do Sul. Em 1981, expôs no IV Salão Nacional de Artes Plásticas Pré-Seleção dos Artistas Nordestinos, em Salvador e ainda, na Galeria Geraldo Rocha, em Vitória da Conquista.

                           AS AQUARELAS DE ANNA VASCO

Anna da Cunha Vasco era filha do casal Anna e José Maria da Cunha Vasco. Tiveram quatro filhos: Maria, Anna, José e Adélia, todos cariocas. Anna era conhecida por seus familiares e amigos como Aninha e assim algumas vezes  assinou suas aquarelas. As duas moças tiveram decididos pendores artísticos: tanto Maria quanto Anna estudaram pintura com seriedade e Anna chegou a ser também uma boa pianista.

O ambiente familiar era propício para a arte, pois José Maria Cunha Vasco era um próspero homem de negócios , chegando à presidente da Companhia Confiança Industrial, que possuía grande fábrica de tecidos no início do século.

No entanto, ele era mais conhecido por Vasco apenas , nos meios artísticos e intelectuais do Rio de então. Possuía uma biblioteca considerável, com numerosos livros em vários idiomas, a qual infelizmente se dispersou após a morte de sua esposa, em 1936. O velho Cunha Vasco era alto e careca, de esmerada educação e amigo de vários artistas ilustres, daqui e d’além-mar. Os irmãos Bernadelli, Bordalo Pinheiro, Malhoa, Helius lhe dedicaram obras, também dispersas. Um notável retrato de Cunha Vasco, em estilo “caravaggiesco”, foi vendido inexplicavelmente pelo genro em 1939, após a morte de Ana Vasco.

O lar dos Cunha Vasco em Botafogo e sua casa de veraneio nas Palmeiras eram freqüentados com assiduidade por artistas e o industrial agia como verdadeiro mecenas. O mobiliário da residência de Ana Vasco, na Rua General Dionísio, número 24, em Botafogo abrangia peças de alto valor, também vendida após a sua morte. Destarte, os filhos da família Cunha Vasco cresceram em ambiente luxuoso e cercados de obras de arte, fato que certamente estimulou aos jovens Maria e Anna a iniciarem seus estudos artísticos. Seu mestre de pintura foi Benno Treidler , o bem conhecido pintor alemão radicado no Brasil, que deixou obra , inclusive no acervo do Banerj.
Aquarela foi o meio de expressão artística que mais as atraiu, possivelmente por sugestão médica ou do próprio professor.
Com os antecedentes de Adélia, devia ser evitada a convivência com a tinta a óleo. São conhecidas obras de Anna Vasco apenas de pequena faixa de tempo, ou seja, de pouco mais de 10 anos: 1897 a 1908. Nascida a 25 de março de 1881, Anna já demonstrava razoável mestria da aquarela aos 16 anos de idade, e aos 20 anos , é indiscutível seu domínio do estilo ao lado de precoce maturidade.
Os Anais da Escola Nacional de Belas Artes testemunham a concessão de três prêmios quase sucessivos: 1905,1907 e 1908, duas Medalhas de Prata e uma de Bronze. Supõe-se que por volta de 1909 interrompeu sua atividade, pois teve que dar assistência constante a sua irmã caçula Adélia , gravemente doente.
Em 1911 seguia para a Suíça com a enferma, e também Maria instalando-se em sanatório em Leysin, perto de Lausanne. Em 1914 lá faleceu Adélia. Sua irmã Maria casara-se com um médico que atendia a enferma : Dr. Joseph Mamie.
No início da Grande Guerra regressaram todos ao Brasil, inclusive o médico suíço.
Este triste intermédio parece haver esfriado o interesse de Anna Vasco pela pintura, embora se conheça algumas aquarelas com paisagens de neve , datada de Leyzin.
Pouco depois o velho Cunha Vasco caiu seriamente doente e veio falecer a 21 de junho de 1918. Dois anos depois Anna casou-se com Joaquim José Domingues Mariz, português amigo de seu pai, tendo dele um único filho, Vasco Mariz.
Infelizmente, seu marido não tinha pendores artísticos e portanto não deve te-la estimulado a pintar. Conservou porém, até o fim da vida o gosto pela música e pelo piano, que soube incutir em seu filho. Vasco Mariz, diplomata de carreira, foi cantor de Câmara e é autor de numerosos livros sobre música brasileira.Essa mesma tradição artística da família Cunha Vasco ficou também registrada em um dos filhos de sua irmão Maria, que aliás passou o resto dos dias na Suiça. O único de seus filhos nascido no Rio de Janeiro, Paul Mamie , é um bom pintor e gravador, Membro da Escola de Paris, onde habita há meio século.
Foi aluno de Léger e André Lhote e vive normalmente de sua arte, óleo e gravuras. Em 1978 fez uma exposição individual em Tel Aviv a convite do primo Vasco, atual embaixador do Brasil em Israel. Resta acrescentar que uma das netas de Anna Vasco, também chamada de Anna – Thereza Mariz Gudiño , é restauradora de arte, especializada no período Colonial, havendo feito cursos em Quito, Equador, onde seu pai representou o Brasil, e faz parte da equipe de restauração do Museu Histórico Nacional.

SOLER MOSTRA O MOVIMENTO DAS CORES NA TAPEÇARIA - 28 DE DEZEMBRO DE 1982.

JORNAL A TARDE, SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 28 DE DEZEMBRO DE 1981.

SOLER MOSTRA O MOVIMENTO DAS CORES NA TAPEÇARIA

Cândido Soler ou simplesmente Soler, que é como ele vem assinando seus trabalhos ultimamente. Trata-se de um artista plástico nascido em São Paulo há 39 anos que passa pelo menos seis meses por ano na Bahia.De 1º a 15 de fevereiro, com o Carnaval chegando, ele mostrará a sua Flora Tropical - Natureza Viva, no foyer do Teatro Castro Alves.São 25 tapeçarias -mural, com motivos tropicais-naturais que se aproximam do hiper-realismo, numa mistura com o figurativo primitivo que oferece ao espectador uma visão inédita neste tipo de trabalho.
É ele quem comenta sua preocupação, ou melhor,ligação, com as cores.O que importa é passar a intensidade e o movimento das cores para o espectador e isto o artista consegue com hidrocor e caneta Bic, ou ainda, com lápis.Não é por outro motivo que observa: " O material que escrevo geralmente uso para pintar"A Bahia em sua vida? Porque aqui é a fonte de inspiração.
Com oito tapeçarias participou do I Salão de Veteranos e Novos de Villas do Atlântico, de 21 a 29 de novembro passado, quando o destaque em termos de aceitação pelo público foi para a sequência Cósmica Lunisolares, da série Natureza Viva, concebida durante sua estada em Tairu, " na ponta da ilha, indo para Cacha Pregos", onde morou seis meses.

                                                       BAHIA

Foi em janeiro de 1964 que Cândido Soler começou a vir para a Bahia , quando passou a firmar amizades que perduram até hoje. Como publicitário,trabalhou na Thompson, em São Paulo, onde ficou seis anos e meio. Foi à Europa em 1969, ficando até 1971,fazendo jornalismo e arte de vanguarda, quando voltou para Campinas e começou a fazer tapeçaria.
Mas sua história começa mesmo é na Bahia. Apaixona-se pelo trabalho de Genaro de Carvalho, “ainda é o melhor tapeceiro brasileiro”. Sobre a mesa que separa as nossas poltronas na sala, vemos um exemplar da série “Plásticos da Bahia”, editado pela IOB e, prefaciada pelo então diretor da empresa, professor Junot Silveira. Não resta mais dúvida quanto à afirmativa de que a história deste artista também começa na Bahia.

                                                                          VIAGEM

Em fins de 72 começo de 73 ele chega a Salvador, trazendo tapeçarias com a temática “geometria bem comportada”, para depois partir para a produção de temas da “flora tropical”. José Pedreira viu esses trabalhos e me estimulou a fazer uma exposição em galeria, mas antes os trabalhos ficaram expostos na “Old Bahia”, “Pedreira era uma pessoa que tinha uma visão maior das coisas”, acrescenta Soler.
A exposição “Flora Tropical Natureza Viva” é um tributo a Genaro de Carvalho, informa o artista, mostrando que suas tapeçarias não precisam de moldura, já vem prontas, presas por um ferro e duas argolas revestidas em lã sobre um quadrado em madeira, para serem penduradas na parede.
Sua intenção ao produzir uma tapeçaria é “explicar bem com a cor aquilo que eu vi”, “O simplismo da flora tropical, por exemplo, pode ser visto sob esta ótica. As cores são nítidas, mostram suas transparências nos movimentos com sombra e luz”.
Além da tapeçaria, Cândido trabalha bem em ambientação. Gosta muito de desenhar e pintar em guache. Aprecia o bom material e reconhece que o treino para este discernimento foi adquirido na Thompson. Agora, o artista pretende ter dois estúdios: um no Nordeste, o que tem mais probabilidade de logo ser conseguido e outro no Sul do país.
Uma curiosidade na vida deste artista é que seus amigos sempre lhe presenteiam com materiais de pintura e desenho. Maitê Proença, com quem sonha casar um dia, Beto e Virgínia, Jonga Falcão, Guti Fernandez, Sérgio e Cristina, são alguns que incentivam sua criatividade, iniciada com desenhos aos quatro anos de idade.
Uma outra especialidade do artista é sua preferência por desenhar painéis nas paredes, das casas dos amigos. Na Fazenda “Engenho da Lagoa”, em Cruz das Almas, propriedade de Gilberto Costa, existe um desses murais que compõem satisfatoriamente o ambiente de uma sala. Também na Pousada da Praça Hotel, na Rua Ruy Barbosa, em Salvador, podem ser vistos trabalhos seus.
“Adoro fazer murais e quero fazer muito”, comenta o artista, cujo traço consegue a transmitir o balanço na palha do coqueiro, ou o vento forte balançando o coqueiral da ilha.
Segundo ele, esse efeito é conseguido pela emoção de ver as cores do mar, isto faz com que ele pinte, teça, produza uma obra de arte cheia de vida tropical, clima com o qual cultiva uma intimidade que sempre o traz de volta a Bahia. A sensualidade tropical é outro elemento pictórico captado por Cândido, cujo trabalho se aproxima do hiper realismo.
Ele também teve a sua experiência naturalista na qual adquiriu hábitos que conserva até hoje, como não comer carne, por exemplo.
Morou, três meses no Guará, próximo a Barreiras, “mas o lugar mais mágico da Bahia é a fazenda Cipó”, de Guti Fernandez, onde também morou longa temporada.
Sem raízes, “porque estou procurando morar em lugar nenhum”, Cândido Soler continua sua vida colorindo papéis, camisetas, sempre desenhando nos espaços em branco de onde chega, às vezes até acompanhando um amigo que foi visitar outro. Sua necessidade de desenhar, colorir, tecer, não o deixa parar.
Sua descendência espanhola lhe permite afirmar e se assumir como muralista. Ele é dessas pessoas que querem fazer um tapete voar, botar os pés longe do chão que nada mais são do que sensações conseguidas quando por exemplo, se ouve a Bachiana número cinco de Villa Lobos ou se ver a “Seqüência Cósmica Lunisolares”, obras de arte que transportam o espectador à dimensão do infinito da elevação (de Heraldo Costa).

             A BIENAL DE SÃO PAULO TRINTA ANOS DEPOIS

Trinta anos se passaram da I Bienal de São Paulo, instalada no pavilhão de madeira na velha avenida dos barões do café. Era o ano de 1951 e vivia-se o momento otimista da economia brasileira. Os empresários comandavam a nova instituição numa cidade industrial de pouco mais de dois milhões de habitantes a grande maioria constituída de imigrantes e filhos de imigrantes europeus - ávida de um status cultural e até com a pretensão de ser um pólo artístico mundial. A Bienal, entretanto não era um fato isolado. Depois da II Guerra, haviam sido criados em São Paulo dois museus (um deles com um rico acervo de pintura ocidental antiga e de impressionistas), uma Companhia cinematográfica de sólida estrutura e um teatro o TBC de rigor profissional. A cidade, pioneira na introdução de uma cultura nova no país (1917-22), entrava sem dúvida no outro estágio, passando seu meio artístico a determinar-se por fatores mais dinâmicos, abertos e influentes no país.
Com o advento da Bienal rompia-se uma situação endógena de desenvolvimento na cultura plástica do Brasil, sobretudo em seus centros urbanos maiores (ainda hoje Rio e São Paulo). Prevalecia fortemente agora a influência internacional, obrigando os artistas a traçar dentro desse contágio inevitável os seus próprios caminhos. Nos anos 50 as verbas eram mais fáceis e os problemas culturais não se comparavam às dificuldades atuais. Em 1953-54, a Bienal foi capaz de apresentar uma resenha que incluía vários dos grandes movimentos iniciais da arte moderna. Houve durante anos a atração das salas especiais e os numerosos prêmios conferidos garantiam para a cidade a posse de obras importantes (*). Mais que isto, São Paulo atraía público do país inteiro e da América Latina, propiciando não só a oportunidade de ver obras mais motivando encontros pessoais amplos entre artistas, críticos e comissários chegados de toda a parte.
Criada à imagem da Bienal de Veneza, a mostra brasileira, a exemplo de sua fonte inspiradora, sofreria, entretanto, penoso processo de desgaste desde o fim dos anos 60. Prejudicava-a o caráter competitivo que gerava entre países e artistas. Como se isso não bastasse, entre outros problemas, a situação política brasileira refletiu-se duramente na Bienal paulista, deslanchando o protesto e o boicote de várias nações.
Durante os anos 70, a Bienal de São Paulo atravessou um período difícil e de descrédito, decaindo em qualidade e organização. Não se pode negar, todavia, que houve esforço para melhorar sua imagem. Assegurada a sua continuidade naqueles anos obscuros o que se deve em primeiro lugar ao seu fundador, Francisco Matarazzo Sobrinho a Bienal, embora seus aspectos negativos, mantinha algo da natureza carismática de seus primeiros tempos. A mostra tornara-se mundialmente conhecida, não sendo fácil a tarefa dos que, não a vendo se não como um desperdício de dinheiros públicos, desejavam a sua destruição.
Um mínimo de bom senso levava a se ponderar que para um país-continente, como o Brasil, carentes de maiores e constantes informações, tudo se devia fazer para preservar esse espaço cultural. A audiência das artes alargara-se com o tempo (embora relativamente) na cidade agora várias vezes maior que a do começo dos anos 50. Tratava-se não de se acabar com a Bienal ou de transformá-la em mera mostra regional, confirmada à América Latina, como por um momento pretendeu um reduzido grupo de interessados, mas de revesti-la de uma melhor estrutura, de dar-lhe fundamentos dialéticos adequados aos dias atuais, com as condições para a apresentação sistemática da produção artística universal em liberdade. É esta tarefa complexa que lhe resta fazer.
A reformulação operada quando da recente XVI edição, realizada em 1981, foi um primeiro passo. A Bienal ganhou a base de organização crítica que lhe faltava atenta às novas concepções técnicas e epistemológicas da obra de arte.
Obrigou a todos a uma reflexão mais detida sobre as linhas do seu desenvolvimento futuro.

                                             MURAL

JOSÉ BANDEIRA- O artista está expondo na loja Sandiz, no Shopping Center Iguatemi, várias telas inspiradas em sua vida de despachante de uma firma de exportação no porto de Salvador. É uma exposição sentimental onde Bandeira relembra os tempos em que era obrigado a viajar de avião para Ilhéus, retornando no mesmo dia de navio. Sua ligação com o porto de Salvador nunca foi rompida, mesmo hoje estando dedicando a odontologia. Sua obra portanto, traz as marcas de sua própria vivência que sempre gosta de ressaltar, principalmente sua infância ligada ao bairro de Brotas e a cidade de Santo Amaro, onde nasceu seu pai.
Já fez várias exposições individuais e coletivas, inclusive na antiga Biblioteca Pública, em 1964. Sua exposição ficará aberta ao público até 16 de janeiro.

VII OFICINA- O Centro de tecnologia Educacional para o Desenvolvimento da Pessoa, do Núcleo da Escola de Administração Fazendária,do Ministério da Fazenda, está apresentando uma exposição de obras de Edmilson Ribeiro,Dília Dunce,Emma Vale, Moura, Carlinhos de Morais.
Escrevi algumas palavras sobre Edmilson que integram o catálogo da mostra as quais transcrevo: ''Conheci o Edmilson Ribeiro entocado num velho casarão da Ladeira do Sodré , colhendo portas e janelas antigas nas demolições para servirem de suporte à sua obra. Sua figura tem uma perfeita semelhança com os beatos que sempre criou, e inconformado com a textura das madeiras envelhecidas das portas e janelões passou a colorir suas figuras. Assim, seus trabalhos ganharam mais vida e o colorido tornou-o mais agradável. Os sulcos que fazia nas tábuas demonstravam que estava a caminho da escultura. Um caminho natural.
E, agora, Edmilson nos apresenta seus beatos em tri dimensão. Ganharam os espaços, deixaram os corredores dos conventos e foram às ruas. Aliás, isto talvez quem sabe, seja uma identificação inconsciente com a nova postura da própria Igreja, cujos membros saíram dos conventos e mosteiros em busca de uma identidade com sua clientela."
MONUMENTO – Maya Ting Lin o projeto de sua autoria, para um monumento em honra aos norte-americanos que lutaram na Guerra do Vietnã, tornou-se ralidade . Com apenas 21 anos de idade, Maya , que é estudante de arquitetura da Universidade de Yale, teve seu projeto escolhido entre 1420 outros, procedentes de vários estados, em um concurso de âmbito nacional. O novo monumento será construído na alameda denominada Mall, em frente ao Capit´polio, na capital norte-americana, e constará de duas paredes de granito com 60 metros de extensão, de modo a formar os dois lados de um triângulo oblíquo , que sobe suavemente sobre o terreno. Nas paredes estão inscritos os nomes dos 57.692 americanos que morreram no Vietnã entre 1963 a 1973. ( Foto atual do  Google, vendo-se o lindo e triste monumento aos soldados que morreram lutando no Vietnam e, que tantos males causaram àquela nação.)
BRASILEIRO NA ONU – Foi inaugurada, no vestíbulo da entrada principal do prédio da Organização das Nações Unidas, ONU, uma exposição de 30 gravuras do artista brasileiro Otávio Roth.
Trata-se das obras entalhadas em peças de madeira que abordam o tema da Declaração universal dos Direitos Humanos.
O início da mostra coincidiu com o Dia Universal dos Direitos Humanos, dia 10 passado, e a inauguração da exposição ocorreu simultaneamente em Nova Iorque, Genebra e Viena, em dependências da ONU.
Residente em São Paulo , Roth tem 29 anos e estudou no Colégio de Artes de Hornsey , de Londres. Ele já expôs na Inglaterra, Noruega, Estudo Unidos, Lima, São Paulo e Rio de Janeiro.
Por sugestão do Secretário geral da ONU, Kurt Waldhein, as Nações Unidas pretendem adotar as gravuras como parte de uma campanha mundial de promoção dos Direitos Humanos.