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terça-feira, 4 de setembro de 2012

UM BALANÇO DO ANO QUE FINDA - 20 DE DEZEMBRO DE 1982.

JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 20 DE DEZEMBRO DE 1982.

              UM BALANÇO DO ANO QUE FINDA

A Guernica de Sante Scaldaferri foi muito
 apreciada. 
Estamos terminando o ano de 1982. Resolvi então fazer um ligeiro balanço dos principais acontecimentos ocorridos no setor. É uma retrospectiva, tão comum nas páginas de jornais neste período! Mas, não posso deixar de registrar num só bloco os acontecimentos no setor das Artes Visuais. Direi de imediato que foi um ano positivo.

Um ano em que foram realizadas algumas exposições de qualidade. Um ano em que entrou com toda a força o Museu de Arte da Bahia, realizando exposições e outros eventos de importância. Porém, mais uma vez a participação dos nossos artistas em eventos fora do estado foi desastrosa. Apenas o Sante Scaldaferri teve um certo destaque, com sua presença na exposição Guernica em homenagem a Picasso, e a Menção Honrosa no Salão Nacional.
A coluna não saiu em janeiro porque estava de férias, o que voltará a se repetir em 1983.
1- Em fevereiro, no período que antecede os festejos carnavalescos, escrevi o artigo “Julgamento e Execução” (dia 15.02.82). “Critiquei com insistência a maneira como a administração de Mário Kertész tinha escolhido a temática e os artistas para decorar Salvador durante o Carnaval de 1981.
Fui o primeiro a levantar o problema, tendo inclusive pago um preço alto por esta firme posição Aplaudi, este ano, quando a Prefeitura abriu a concorrência pública para escolha da decoração, e fiquei desapontado porque apenas três projetos concorreram. Convidando a integrar a Comissão Julgadora, através do presidente da Associação Baiana de Imprensa, Afonso Maciel Neto, tive o cuidado de examinar detalhadamente os projetos concorrentes. Escolhi aquele que achei que melhor estava identificado com o espírito baiano, “Esperando a Copa e juntamente com meus colegas de júri fizemos algumas recomendações que deveriam ter sido obedecidas pelas pessoas envolvidas na execução do projeto. Estou surpreso. Não levaram nada em consideração e ainda por cima mutilaram o projeto aprovado. Ou seja, não estão nem cumprindo o que se propuseram”.
2- O Memorial e a Verdade (1.º/03/82. “Conforme prometi na semana anterior ao Carnaval, que voltaria ao assunto decoração, aqui estou para complementar as minhas observações. Quero agradecer a Carlos Prata pela sua observação no ‘Programe’ em relação às críticas que fiz. Também agradeço a gentileza dos membros da equipe que ganhou a concorrência pública em procurar-me para dar algumas explicações, porém, fui rever o memorial Descritivo no qual a Comissão Julgadora se baseou para a escolha do projeto de decoração e foi lá, exatamente, que encontrei provas para novos argumentos e observações.
3-Concursos de Cartaz e Projetos movimentam artistas baianos (05.03.82).
“Este mês será realmente movimentado para as pessoas que acompanham ou estão envolvidas com a produção artística em nosso estado. É que o Museu de Arte Moderna está promovendo três importantes eventos: 1) um Curso que será ministrado de 29 a 8 de abril, pelo crítico Frederico Morais, no horário das 18 às 20 horas, onde ele abordará o tema Artes Plásticas na América Latina: do Transe ao Transitório, Frederico fará diferentes enfoques sobre a arte latino-americana com relação a seus conceitos, resistência, libertação, muralismo e outras tendências.
Ele projetará 18 audiovisuais, especialmente sobre a arte brasileira. (2) Concurso de Cartaz comemorativo do aniversário de Salvador, visando o seu lançamento quando das festividades dos 432 anos de nossa cidade. (“Ao vencedor, será atribuído um prêmio de CR$ 200 mil; 3) o concurso público para realização de Trabalhos de Artes Plásticas, quando serão empregados CR$2 milhões e 400 mil”.
4-Exposição de Ângelo Roberto (22.3.82)- “Depois de três anos sem mostrar os seus desenhos, Ângelo Roberto inaugurou a Galeria Raimundo Oliveira, com uma exposição individual. A nova sala, iniciativa do Instituto Mauá, está localizada no Porto da Barra, no prédio daquela entidade e acrescenta à cidade mais um local para os artistas plásticos, ampliando, assim o espaço cultural de suas atividades, até então restrito à comercialização do artesanato baiano”.Uma caricatura de Ângelo Roberto do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro.
5- Centenário de Biquiba (29.3.82)- “Será comemorado a 2 de abril o centenário do escultor Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany, autor de muitas das carrancas esculpidas neste século para as barcas do Médio São Francisco, que, segundo o Prof. Clarival Valladares, do Conselho Federal de Cultura, constituem “assunto de extrema importância na história da cultura brasileira, pois fazem o nível mais elevado da criatividade do arcaico, no Brasil”.
6-Uma notícia triste. Morre José de Dome, o pintor da alma brasileira (19.4.82)- “Morreu o pintor sergipano José de Dome. O pintor descalço e que soube colorir a alma brasileira. Filho de trabalhadores rurais, José de Dome nunca se deixou levar pela fama. Nasceu humilde, viveu humilde e assim morreu. Muitos não entendiam por que andava com os pés descalços pelas ruas de Cabo Frio, cidade do litoral carioca que elegeu como seu próprio paraíso. E, aos que indagavam por que não usava sapatos, respondia:” Na infância não os tive e por isso fui proibido de entrar numa exposição de pintura”.
7- Duas ceramistas mineiras no MAMB (10.5.82)- “As mineiras Lucimar Bello e Mary Di lório estão expondo no Museu de Arte da Bahia, até o próximo dia14, trabalhos de pintura e cerâmica. São duas artistas conscientes de seu papel de mulher na sociedade atual, mas que preferem ficar afastadas da militância dos movimentos feministas por discordarem de radicalizações tão comuns em alguns posicionamentos”.
8- Novos projetos escolhidos (24.5.82)- “Nove artistas foram escolhidos no concurso público de projetos, em artes plásticas promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, através o Museu de Arte Moderna. Pela segunda vez, integrei o júri que selecionou os candidatos e posso dar meu testemunho da importância desta promoção que visa colocar o artista à vontade dentro do processo criativo, sem a preocupação de produzir para vender. O artista é financiado pelo MAMB para exercer a sua criação com total liberdade.
É preciso, portanto que aqueles agora escolhidos atentem para o fato de que estão trabalhando com dinheiro do povo e por isto não podem cometer as falhas que ocorreram no concurso passado. Já se vão dois anos e até afora dois artistas não cumpriram o estabelecido, cabendo até uma ação judicial por parte da fundação.
Como já é de conhecimento público, foram selecionados: Zito, com o projeto ‘Personagens’; Almandrade, com ‘Escolas de Carpetes; Nildão, com o projeto ‘Popularização do Desenho de Humor ; Eckenberger, com ‘Morro num País Tropical Acolchoado por Deus; Márcia Magno, com Arraias; Juarez Paraíso, com Fotodesign; Juraci Dórea, com terra; Rino Marconi, com Tresporquatro e Vauluizio Bezerra, com um projeto sem título.
9- Sante faz boa exposição (12.7.82)- Eles podem ser encontrados nas encruzilhadas, nas cruzes abandonadas à beira da estrada ou mesmo nas igrejinhas de povoados, aonde a civilização ainda não chegou com sua febre de modernidade. São esculpidos por gente sem cultura, mas sensível por acreditar no mundo após a morte e temerem a Deus.
São os ex-votos, encomendados por familiares, de pessoas que acreditam ter alcançado uma graça ou mesmo beneficiado por um milagre. E, assim como os homens em sua grande maioria temem a morte e o que poderá acontecer após a sua chegada, enquanto vivem, cultuam os espíritos e um ex-voto é uma prova desta postura.
10- Israel Pedrosa e seu sonho e a realidade da cor inexistente (18.7.82) – “A exposição de Israel Pedrosa é composta de quarenta e dois trabalhos, sendo 13 serigrafias e 29 originais e fica aberto ao público no Museu de Arte Moderna até o próximo dia oito de agosto.
Lá você tem uma idéia perfeita da importância dos estudos teóricos deste artista que vive mergulhado nas variações da cor. Pude ver de perto, de lado e guardando uma distância significativa o que ele chama de a cor inexistente e que para alguns pode parecer apenas uma ilusão ótica.
11- Exposição dos 80 anos de Teruz (23.08.82)- Aos oitenta anos de idade, completados no último dia 18, o carioca Orlando Teruz é uma das marcas registradas da arte brasileira. Sua arte, que brotou de uma visita que fez, justamente com seu pai, ao Museu do Cairo, é cheia de vitalidade e riqueza de nossas tradições populares.
Uma temática rica e de belas formas e clima da gente brasileira. Tem uma produção invejável em torno de 11 mil quadros já pintados, embora faça questão de afirmar que nunca fiz uma estatística, mas levantando a minha produção, ano por ano, cheguei à conclusão de que estou atingindo aquela marca.
São telas espalhadas por todo este Brasil, e muitas no exterior. Agora, ele expõe, a partir do dia 25, no Bahia Othon Palace Hotel, graças ao trabalho do marchand Luís Caetano S. Queiroz que deseja prestar-lhe uma homenagem, e para nós baianos é gratificante esta exposição do mestre Teruz. O que ele não gosta é de retrospectiva porque ainda está vivo e pintando muito. Acha que somente, quando morrer é que esta palavra terá sentido quando se referir a sua arte.
12- Denunciei o desrespeito dos burocratas (06.09.82) –“O pintor baiano Esperidião Mattos tem sido uma vítima constante de alguns órgãos públicos. Basta dizer que já foi obrigado a mudar de residência duas vezes e, atualmente, está novamente sendo importunado por uma obra da Telebahia que inclusive não lhe permite trabalhar com tranqüilidade.
Agora, chegou à vez da Prefeitura Municipal, importuná-lo, aliás, de desrespeitar seu próprio trabalho artístico. Esperidião Mattos é um autor de vários murais que existem na parte alta do Elevador Lacerda onde retrata pontos pitorescos da cidade.
Recentemente ele teve o cuidado de restaurar todos os murais para que os turistas que nos visitam tenham uma visão, mesmo que rápida, de nossa Salvador. Porém, os burocratas da Prefeitura, que certamente não gostam de arte, mandaram afixar alguns painéis eletrônicos com propagandas de gosto duvidoso, basta dizer que nunca delas anuncia uma empresa que limpa fossas.
13- Exposição de Renina Katz, no Solar do Unhão 13.09.82) – “A poesia e o desenho unidos na obra Romanceiro da Inconfidência representam não apenas a presença de Cecília Meirelles e da artista Renina Katz, mas, acima de tudo, um momento histórico reservado para literatura e as artes plásticas brasileiras.
Revela ainda a força dessas duas mulheres e que a partir do próximo dia 17 até o dia 30 do corrente mês estará em exposição no Solar do Unhão.
14- O mestre Rescala expõe – 27/9/82 – “O mestre Rescala, fundador do Núcleo Bernadelli e professor de várias gerações na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, está de volta com uma importante exposição em sua homenagem que será aberta hoje, às 21 horas, no Bahia Pálace Hotel. São 72 anos de idade e cinqüenta e dois anos dedicados à arte. Uma existência pacífica e rica em criatividade. Ninguém pode escrever a História da Arte no Brasil sem mencionar sua presença ativa no Núcleo Bernadelli, sem esquecer também que durante anos a fio trabalhou na restauração de importantes obras como funcionário do antigo Patrimônio Artístico e Histórico Nacional.
15-Congresso dos Arquitetos 11/10/82 – O Congresso dos Arquitetos que, se realizará em Salvador de 19 a 24 do corrente mês tem como tema central A Gestão Democrática da Cidade. Um tema oportuno e que certamente resolveria em parte o nosso problema urbano, caso estivéssemos num país ou mais especificamente numa cidade democrática. O que estamos assistindo é uma inversão de valores, uma constante mutilação e desfiguração da nossa cidade, onde suas ruas já estreitas estão sendo cada vez mais estreitadas com alto e desnecessários calçadões. Não interessa saber quem os projeto ou, se foi um arquiteto ou um engenheiro. O que estamos presenciando é algo de anormal, e diria melhor de brutal”.
16- Museu de Arte da Bahia 1º/11/82 – estará em novo endereço nesta sexta-feira, dia 5, ocupando os amplos salões do Palácio da Vitória, construção nobre já incorporada ao patrimônio cultural da cidade. Novas instalações que possibilitam transformá-lo num espaço cultural de múltiplas atividades.
Encerrando o ano o Museu de Arte da Bahia apresenta " 400 Anos do Mosteiro de São Bento".(foto Google)
17-O retorno de Leonardo Alencar – 15/11/82. Estava envolvido em meu árduo trabalho de estruturar a cobertura das eleições quando Cosme colocou sobre a mesa alguns envelopes com a minha correspondência diária. Como estava muito atarefado, resolvi deixar tudo de lado, para um momento mais oportuno. Não imaginava que estava perdendo alguns minutos de alegria e felicidade, sim, porque num daqueles envelopes estava uma correspondência de grande revelação  “Irmão Reynivaldo: Esta vitória também é sua. Um abraço de Leonardo”.
18-Exposição de Poty no Desenbanco – 29/11/82 – O Núcleo de Arte do Desenbanco inaugura hoje a sua Sala de Exposições Temporárias com a mostra de um dos artistas mais importantes do cenário nacional que é o curitibano Napoléon Potyguara Lazzarotto mais conhecido por Poty.
19-A desinformação sulista – 13/12/82 – Aqui na Bahia assistimos de braços cruzados a hegemonia do sul com relação a política cultural. O Salão Nacional de Artes Plásticas é um exemplo grosseiro da presença sulista e da visão de alguns intelectuais feitos à beira de uma mesa de bar nos calçadões cariocas ou nos inferninhos lacrimejantes da paulicéia desvairada, que vomitam suas idéias para o resto do país. Uma visão deturpada e importada, é bom salientar. Muitos cultuam uma arte que não tem característica de qualquer lugar. São simples cópias mal feitas de produções americanas e européias. E, infelizmente, é dentro desta visão do tempo das Capitanias Hereditárias que é encaminhada a política cultural neste país. De vez em quando surge um lampejo como Aloísio Magalhães que era nordestino, mas infelizmente já faleceu.


NOVE PROJETOS ESCOLHIDOS REFLETIRÃO A ARTE BAIANA - 24 DE MAIO DE 1982.


JORNAL A TARDE SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 24 DE MAIO DE 1982.
 
NOVE PROJETOS  REFLETIRÃO A ARTE BAIANA


Estas fotos 3x4 do próprio Rino dão uma ideia do seu projeto. Ao lado maquete do trabalho de Juraci Dórea vai montar no sertão.

Nove artistas foram escolhidos no concurso público de projetos em artes plásticas promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, através o Museu de Arte Moderna. Pela segunda vez, integrei o júri que selecionou os candidatos e posso dar meu testemunho da importância desta promoção que visa colocar o artista à vontade dentro do processo criativo, sem a preocupação de produzir para vender. O artista é financiado pelo MAMB para exercer a sua criação com total liberdade. É preciso, portanto, que aqueles agora escolhidos atentem para o fato de que estão trabalhando com dinheiro do povo e por isto não podem cometer as falhas que ocorreram no concurso passado. Já se vão dois anos e até agora dois artistas não cumpriram o estabelecido, cabendo até uma ação judicial por parte da Fundação.
Tenho informações de que pretendem apresentar os projetos dentro em breve e por esta razão estou aguardando, na esperança de que realmente entendam a responsabilidade deste colunista, que além de tudo foi membro do júri que os escolheu. Porém, neste momento o que interessa é o sucesso deste novo concurso e acredito que os nove escolhidos vão cumprir com todo empenho o que se propuser. Como já é de conhecimento público, foram selecionados: Zito, com o projeto “Personagens”; Almandrade, com “Escolas de Carpetes”; Nildão, com o projeto “Popularização do Desenho de Humor”; Eckenberger, com “Moro Num País Tropical Acolchoado por Deus”; Márcia Magno, com “Arraias”; Juarez Paraíso, com “Foto Design”; Juraci Dórea, com “Terra”; Rino e Marconi, com  “Tresporquatro” e Vauluizio Bezerra, com um projeto sem título.
Os projetos foram selecionados depois de duas reuniões da comissão julgadora composta de dois representantes dos artistas plásticos participantes do referido evento: Gisélia Passos e Humberto Rocha e de Rubem Valentin, representante da Associação dos Artistas Plásticos da Bahia; de Frederico de Morais, Reynivaldo Brito e Matilde Matos, representantes da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Existem CR$ 2.400.000,00 que foram distribuídos entre os vencedores obedecendo a critérios de criatividade, originalidade e custos operacionais, e assim nove artistas estão em condições de executarem projetos significativos, que realmente reflitam o estágio de nossa arte. Como disse Chico Liberato, diretor do MAMB, “é hora dos artistas se colocarem livremente diante da manifestação criadora. É uma grande oportunidade para os artistas experimentais que normalmente têm um custo que o público comprador não se interessa, mas que tem a perspectiva de renovação dos conceitos de arte, codificados e academizados pelas sociedades que interromperam esse processo dialético de renovação de valores”.

                              OS PROJETOS
Da esquerda para direita: Chico Liberato, Ruben
Valentin, Matilde Matos, Frederico de Moraes,
 Reynivaldo Brito,Gisélia  Passos e, em pé,
Humberto e Maria Liberato, a secretária.
                                                                 1 -     Juraci Dóreacom seu projeto “Terra” (canção n.º7), quer levar a arte para locais antes desprovidos de qualquer evento, pois a arte sempre foi predominante urbana. Sua proposta é fazer uma arte sem referências urbanas e tentar vincular ao próprio ambiente que a inspirou. Sua proposta atinge o sertão baiano e espera encontrar respostas para uma série de indicações utilizando materiais como couro cru e curtido, caibros e outros elementos presentes na paisagem. Ele construirá escultura desmontáveis que pretende instalar em feiras livres, festas de largo, e assim por diante, nos municípios de feira de Santana, Monte santo, Uauá, Euclides da Cunha e Bendengó.
Todos votaram neste projeto.
2-    Almandrade - vai trabalhar com o carpete, plástico madeira, pedra, corda,corrente, dentre outros materiais. Ele pretende um trabalho lúdico que possibilite a busca de um estado de emoção.
“Pequenos fantasmas (psicanálise) que escapam do mundo da razão”. Assim, o carpete deixa o chão e pelas mãos de Almandrade vai para a parede, um lugar privilegiado. Ele também mostrará o contraste da presença do carpete num país subdesenvolvido e tentará estabelecer discussão acerca deste material.
Como muitos vanguardistas, Alamndrade tem muitas idéias, vamos agora aguardar a execução que tem sido o ponto fraco de muitos deles.
3-     Zito e seus “Personagens”. Segundo o autor, são personagens criados que podem ser utilizados em livro, desenho animado e outras utilidades. São seis personagens: Léo, o pirata, Val, o estudante; Sônia, a professora; Marte, o ator; Lena, a telefonista e Rui, o intelectual.
4-     Nildão- Seu projeto visa popularizar o humor junto à comunidade, e, para conseguir este objetivo, vai se utilizar dos outdoors, ou sejam, aqueles grandes cartazes de rua. Assim, um número significativo de pessoas vai assimilar suas idéias e a Central de Outdoor já prometeu dar uma força na veiculação dos desenhos de Nildão que estarão nas ruas possivelmente no mês de janeiro de 1983.
5- Rino Marconi – Com o Projeto “Tresporquatro” dará continuidade à pesquisa que vem desenvolvendo sobre a linguagem fotográfica. No concurso passado, ele trabalhou com fotos feitas por crianças e adolescentes que nunca tinham usado uma câmara fotográfica.
Agora vai trabalhar com fotos 3x4, tiradas pelos lambe-lambes para uso em carteiras de identidades, títulos de eleitor e assim por diante. Desprezadas e ridicularizadas inclusive pelo próprio fotografado, “estão na base da ideologia do estado, que é a apropriação, pela máquina burocrática, de um ícone que representa um indivíduo, significando a sua submissão à autoridade. A foto 3x4, normalmente pouco nítida, de duração limitada pela técnica utilizada, pretende representar e substituir o indivíduo, se tornando a marca registrada de cada cidadão”.
Outra coisa importante é que você tira um foto 3x4 exatamente em momentos importantes de mudança em sua vida. Assim, Rino vai trabalhar em cima das fotos perdidas nas repartições, jornais e etc., fotografando, montando, mudando, interferindo e utilizando meios que ressaltem o momento importante que levou aquela pessoa a se fazer fotografar. Todos os membros do júri aprovaram seu projeto.
6-Eckenberger- fará seu projeto “Morro num país acolchoado por Deus” com um grande boneco costurado em panos e enchimentos diversos. Será basicamente um colchão, de 4x4 metros, povoado de bonecos a serem movimentados pelo público por um sistema de fios. Aprovado por todos.
7- Juarez Paraíso - O projeto “Foto Design” implicará na utilização da fotografia, dos recursos fotográficos, para estruturação da forma. “Na verdade- explica Juarez-, o que pretendo é a concentração da imagem e da composição, abrangendo as deformações expressivas da imagem, a valorização do detalhe, a apropriação dos recursos de endurecimento dos contrastes pelos filmes gráficos, etc., apenas com recursos da fotografia no sentido mais amplo da utilização da máquina fotográfica e das técnicas de laboratório”.
8-Márcia Magno - “Projeto Arraias”. O seu projeto visa à valorização das arraias como uma forma de expressão popular. É um projeto que ela vem desenvolvendo há algum tempo e pela descrição do projeto não vi nada de novidade. Pretende realizar uma exposição com 30 arraias pesquisando sua estrutura física. Portanto, um projeto já conhecido e que talvez necessite de novos elementos para continuar o seu desenvolvimento. Tanto o de Juarez, quanto da Márcia não obtiveram unanimidade, pelo contrário, foram muito discutidos e questionados.
9-Vauluizio - O trabalho consiste na articulação de objetos e apropriação da História da Arte no sentido de demonstrar a fragilidade do meio de arte local, seus vícios e anacronismos ante a produção contemporânea exterior. São situações construídas ironicamente, articulações que incorporam o espaço ocupado (museus, galerias, etc.), às leis de sua materialidade. Um conjunto de três discursos, ou melhor, metáforas que abordam o produto arte, problematizando sua função, sua leitura, seu meio.
O projeto de Vauluizio Bezerra  certamente será um dos mais significativos e contemporâneos.

domingo, 2 de setembro de 2012

CONCURSO PARA DECORAÇÃO - 7 DE DEZEMBRO DE 1981.


JORNAL A TARDE, TERÇA-FEIRA, 7 DE DEZEMBRO DE 1981.

                         CONCURSO PARA DECORAÇÃO

Este ano a decoração do Carnaval será escolhida através de concurso público. Uma medida que deve ser encarada com naturalidade porque apenas o prefeito Renan Baleeiro está cumprindo determinação legal. No ano passado critiquei veementemente a escolha da decoração mediante critérios discutíveis e desconhecidos. Esta medida virá beneficiar os artistas plásticos e até mesmo estudantes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, os quais sempre são convocados para ajudar os responsáveis pelo projeto vencedor. Isto é uma prática salutar e uma oportunidade para artistas e estudantes ganharem algum dinheiro e exercitarem seu aprendizado.
 A decisão do concurso já foi comunicada oficialmente por Renato Ferreira, atual secretário de Informação da Prefeitura, após membros da Associação de Artistas Plásticos da Bahia, a qual tinha defendido a reivindicação. Os artistas foram mais longe, solicitando que fosse estendido o concurso público para qualquer trabalho relacionado com arte a ser executado pela Prefeitura e lembraram que os calçadões da Praça da Sé e Lapa poderão abrigar esculturas e outras obras de arte. Querem finalmente ser consultados quanto à decoração natalina e querem um local para funcionar a sede da entidade e que a reconheçam como de utilidade pública. A princípio parece que os membros da Associação de Artistas Plásticos da Bahia estão pedindo demais. Mas, ao contrário, esta é uma entidade séria que merece todo o apoio das autoridades porque congrega um segmento importante da nossa cultura e num país onde cultura e educação andam a passos de cágado, nada mais justo que atender a essas mínimas reivindicações.
Porém, voltando à decoração do Carnaval espero que seja feito um digno regulamento de concurso para que a escolha do projeto não permita interrogações. É preciso estabelecer os requisitos básicos para que a comissão julgadora, a ser escolhida, tenha condições de trabalhar com tranqüilidade em benefício do Carnaval baiano que hoje já tem amplitude universal pela sua espontaneidade e beleza plástica.
O anúncio da realização do concurso vem, portanto, nos confortar, na esperança de que seja executado um projeto de melhor qualidade que aquele do ano passado.
O verão baiano, por exemplo, com toda sua explosão de alegria nas praias e o colorido das ruas, dos camelôs e de dezenas de tipos humanos poderá, inclusive, ser uma fonte de inspiração para àqueles que pretendem concorrer. Ação que é hora de eliminar àqueles tipos tradicionais de piratas inspirados em outras culturas para integrar a decoração do Carnaval baiano. Vamos buscar inspiração na nossa gente, na nossa flora e fauna que são ricas e oferecem muitos elementos para elaboração de projetos fantásticos. Vamos aguardar. Estaremos a postos.

MANOEL DO BONFIM E 2 FILHOS EXPÕEM 
NA RUA FONTE DO BOI



À direita o escultor Manuel do Bonfim.


À esquerda
o filho, João Augusto com
duas telas de
sua autoria.

O clã dos Bonfim está agora reunido na Rua Fonte do Boi , número 8-A, no bairro do Rio Vermelho num novo atelier que o velho escultor Manuel do Bonfim instalou para trabalhar com seus dois filhos, também artistas. João Augusto e Manoel Augusto do Bonfim. Depois de cinco anos afastado do movimento artístico baiano o Manuel do Bonfim, risonho e falador, retorna com a força dos orixás que esculpe com tanta maestria nas pranchas de madeira. A inquietude de Manuel revela a sua intransigência com determinadas posturas. Um batalhador incansável que sempre está em busca de um lugar ao sol, de um lugar digno de sua capacidade criadora. Traz no sangue e na cor de sua pele a identidade com as coisas do culto que abraçou e respeita. Cultiva com suas goivas, serrotes e formões as figuras místicas dos orixás adorados nos terreiros de candomblés. Conhece a sua capacidade e defende a integridade de sua obra e a manutenção de seu caminho. Enfim, a pureza do seu trabalho, que é identificado com a própria maneira de ser. Um trabalho de emoção. Um trabalho onde os rostos de Nanã, de Oxalá e muitos outros são talhados com muito respeito. Existe uma identificação em Manuel do Bonfim entre o trabalho e a “obrigação” do seu culto. Assim ele prossegue realizando uma obra que merece o mais alto estímulo pela qualidade e pela seriedade com que executa.

A seu lado vem surgindo João Augusto do Bonfim com aquela mesma espontaneidade herdada do pai. Agora retorna do Rio de Janeiro onde fez uma exposição na Galeria Sagitário, que fica na Avenida Nossa Senhora de Copacabana e teve vários de seus quadros cortados a punhal por um vândalo. Não ficou devidamente esclarecido quem mutilou suas obras. Mas, não é preciso apurar muito, porque estas agressões não levam a nada. O que interessa a João Augusto é continuar trabalhando e lutando com a mesma firmeza de Manuel, o seu pai. O que interessa é que o Manuel (pai), Manoel Augusto e João Augusto (filhos) continuem pintando e lutando juntos. É preciso que o clã continue alegre, como é o velho Manuel do Bonfim. Este mês ele está em pela euforia com as festas de Santa Bárbara, que chegou a organizar vários anos no Mercado do Rio Vermelho e, agora com a da Conceição da Praia, sem esquecer-se do 2 de fevereiro, Yemanjá quando todos admiram àquela escultura bonita que fica em frente à Casa do Peso ou do Pescador, feita por ele, para homenagear a rainha do mar. Axé para o clã dos Bonfim.

PINTORA PERUANA MOSTRA SUA OBRA 
NA CAPELA DO UNHÃO












Pela primeira vez, a pintora peruana Haydée Persivale expõe a sua obra no Brasil, especificamente em Salvador, que escolheu pôr ser a sua cidade favorita e que a impressionou desde a primeira vez que veio aqui no ano passado. A exposição, intitulada O Imigrante contém 32 trabalhos e está aberta à visitação pública na Capela do Solar do Unhão, até o próximo dia 28.
Haydée Persivale nasceu em Lima e desde cedo demonstrou tendências artísticas, começando a pintar aos 8 anos de idade e a exibir os seus trabalhos aos 10 anos e conta hoje com um currículo muito vasto. Inicialmente cursou a Pontifícia Universidade Católica de Lima e, depois, o Instituto Suarez Vertiz e seguindo-se inúmeros outros cursos. O seu estilo , segundo ela própria, é o figurativo simplificado, com muita ênfase para o colorido.
O tema da exposição, Os Imigrantes foi escolhido devido a sua própria experiência vivendo fora da sua cidade natal durante muitos anos, 12 dos quais em San Francisco, onde reside. Foi nos Estados Unidos que ela cursou o bacharelado em Artes na Universidade da Califórnia, continuando o seu aperfeiçoamento na Universidade de New York.
Haydée Persivale se identifica muito com a Bahia pelos laços que, segundo ela, irmanam  a sua cidade natal com a nossa, além de admirar o colorido da cidade e alegria do seu povo. Ela conhece um pouco a arte baiana e afirma que em New York há um interesse muito grande pelos artistas primitivos brasileiros que trabalham com as cores naturais.
Lá, atualmente, continuou a pintora, há uma série de galerias exibindo trabalhos primitivos de muitos artistas brasileiros.
Além de suas preferências pela Bahia, a pintora veio à Salvador a convite da Fundação Cultural do Estado e conta com o patrocínio do Banco Econômico. A sua mostra prossegue até o próximo dia 28 de dezembro, porém, no sábado , ela seguiu para a Flórida para tratar de assuntos comerciais. Antes disso, na tarde da última terça-feira, Haydée se reuniu com artistas plásticos baianos, na Capela do Solar do Unhão trocando informações .
Em 1975, Haydée expôs três vezes nos Estados Unidos, participando de diversos outros eventos artísticos, sendo detentora de vários prêmios, como o Primeiro Prêmio Springhill Costume, em 1974, na Califórnia, assim como o Primeiro Lugar na Stanley Carving Competition, em 1976, também na Califórnia.
Em 1978, ela expôs em Lima e também no ano seguinte, participando ainda da exposição Artistas Peruanos Consagrados.
Este ano, ela já expôs na Oakland International Council Solo Show, em maio, na Oliver Galery durante a Exposição Internatioal e em São Francisco, durante a Art Expo, Califórnia ( de Margareth Lemos)

MEMÓRIA DA PHARMACIA APRESENTA RESULTADOS


Nesta última sexta-feira a Fundação Roberto Marinho e o Laboratório Roche receberam autoridades, representantes das classes médicas , farmacêutica e da imprensa para a divulgação dos primeiros resultados do 1º Inventário do Acervo Cultural Farmacêutico no Brasil, inventário este realizado como uma das principais atividades comemorativas dos 50 anos da Roche no país, com o apoio do Conselho  Federal de Farmácia e da Academia Nacional de Farmácia. 
Ao lado  foto da Pharmacia Chile que ficava na rua do mesmo nome
A Memória da Pharmacia , como ficou conhecido este trabalho, reuniu uma comissão de técnicos, museólogos e especialistas que, através de indicações da própria população, vem catalogando, fichando, descobrindo e arquivando um imenso patrimônio histórico que pretende ser, para as próximas gerações, uma verdadeira fonte de estudos e informações sobre a história da farmácia no Brasil. Com um total de 836 comunicações já recebidas de todo o país, a campanha da Memória da Pharmacia está registrando , ao final do seu sexto mês, um resultado bem acima das expectativas. E a chegada histórica da dica de número 1000 está sendo aguardada para muito breve. O Professor Benedito Lima de Toledo, presidente da Comissão do Inventário explica: “Este inventário pode ser feito de maneira ativa ou receptiva. Uma não exclui a outra, mas a segunda tem uma vantagem muito significativa: a valorização pela coletividade do patrimônio cultural que a cerca, aferindo aspectos do subconsciente coletivo. Como a iniciativa é, de certa forma, pioneira e depende da motivação desinteressada do público, uma vez que não se oferecem prêmios, o resultado obtido tem sido plenamente satisfatório".

sábado, 1 de setembro de 2012

SANTE VESTIU OS EX-VOTOS COM A FRAQUEZA DOS HOMENS - 12 DE JULHO DE 1982.


JORNAL A TARDE TERÇA-FEIRA, SALVADOR 12 DE JULHO DE 1982

SANTE VESTIU OS EX-VOTOS COM 
A FRAQUEZA DOS HOMENS

Eles podem ser encontrados nas encruzilhadas, nas cruzes abandonadas à beira da estrada ou mesmo nas igrejinhas de povoados, onde a civilização ainda não chegou com sua febre de modernidade. São esculpidos por gente sem cultura, mas sensíveis por acreditarem no mundo após a morte e “temerem a Deus”. São os ex-votos, encomendados por familiares de pessoas que acreditam, ter alcançado uma graça ou mesmo beneficiados por um milagre. E, assim como os homens em sua grande maioria temem a morte e o que poderá acontecer apões a sua chegada, enquanto vivem, cultuam os espíritos e um ex-voto é uma prova desta postura. 
Sante nos jardins de sua casa em Itapuã , ao lado de uma das telas que vai expor.

Porém, Sante enxerga o ex-voto com toda sua misticidade e importância, que transcende a própria concepção de quem mandou fazer ou mesmo o esculpiu em barro, cerâmica ou ferro. Sua obra está diretamente ligada ao ex-voto, uma manifestação tão forte quanto a sua própria obra. A identificação chega a tal ponto que só enxergo Sante colocado num cruzeiro, daqueles enormes, que ficam encimados, rodeado de alecrins e unhas-de-gato no alto de pequenos morros que circundam as cidades do sertão. Este é o lugar mais apropriado para entendermos o Sante Scaldaferri.
Seu físico e também seu nome, têm algo que transcendem a própria matéria e dão aquele místico que cerca o ex-voto.
Diria que Sante tem a imagem e o cheiro de ex-voto. Conheço outros artistas que têm influência marcante em suas obras dos ex-votos. Mas ouso assegurar que ninguém tem uma identificação tão perfeita como Sante.
Esta identificação passou do campo do imponderável para o material. E vejo as fraquezas do caráter humano incorporadas nos ex-votos. Uma dualidade digna de registro. O misticismo, a pureza do ex-voto sendo invadida propositadamente para mostrar as fraquezas do homem. Como que a pureza do homem rude do sertão, que ainda venera o Padim Padre Cícero, Antônio Conselheiro ou Frei Damião foi impregnada pela fraqueza que povoa os escritórios, as universidades e outros locais urbanos tão freqüentados. Os ex-votos ganharam pernas, mentes e uma representatividade. Como que estão trabalhando numa peça de teatro e vão percorrer os quatro cantos deste mundo conturbado, tentando sensibilizar as pessoas com a estampadura dos horrores da gula, da invejado puxa-saquismo, da traição, da mentira e tanto e tantos outros atributos que tem os mortais
Sante não é um artista de formação primitiva. È um erudito que sabe ser simples. Cansa de repetir o velho e sempre atual Dorival Caymmi, “o simples e o belo”, ele sabe ser simples e com estas temática é capaz de nos mostrar quanto contemporâneo ele é ao ponto de ter acesso a qualquer mostra do que tem sido feito ultimamente neste país em termos de artes plásticas. Além disto, Sante dos artistas considerados realizados profissionalmente em Salvador, é o mais simples, o mais aberto, o que procura dialogar com os mais jovens. Não vive fechado no sucesso e numa rosa de pouco amigos. É irônico no falar, no pintar.
Suas formas desconcertantes muitas vezes não são entendidas por alguns.
Essas pessoas, menos avisadas, sacam de imediato que seu desenho é primário.
Incapazes portanto, de alcançar a ambientação mística, toda a conotação que transcende o simples desenho alcançando sua plenitude no conhecimento e reconhecimento posterior. Não conseguem penetrar, nem sentir este mundo puro dos ex-votos ou não querem enxergar as suas próprias fraquezas estampadas nas figuras desproporcionais que ganharam a vida e, acima de tudo, as fraquezas do caráter humano. Dão de ombros e continuam seu caminho, mergulhados na inveja, na luxúria, na vaidade e em muitos outros atributos que normalmente as pessoas não enxergam em si próprias.
Portanto, não deixem de visitar esta nova exposição de Sante Scaldaferri que está aberta ao publico a partir do dia 16, no Solar do Unhão, numa promoção do Museu de Arte Moderna da Bahia. Ele convida a todos que gostam de arte, independentemente de ter recebido ou não convites para que compareçam porque acha que sua mostra é um ato popular que deve contar como o maior número possível de pessoas.

                           MURAL

PASOLINI- “O fim terrível de Píer Parolo Pasolini”, esta foi uma das esculturas expostas na Bienal de artes Visuais em Veneza, na Itália, de autoria do escultor vienense Alfredo Hrdiicka. É bom lembrar que Pasolini teve uma morte trágica devido a seu relacionamento homossexual. Porém, recordo que Pasolini esteve em Salvador há mais de dez anos, juntamente com sua amiga Maria Callas, também falecida. Fui entrevistá-los no antigo Hotel da Bahia. Pasolini estava no balcão entregando a chave de seu apartamento à recepção quando o abordei. Falei em espanhol meio quebrado e o italiano pouco entendeu. Começou a falar em italiano e as palavras saiam que nem as balas das metralhadoras israelenses contra frágil Beirute.
Nada entendi. Ele mudou para o francês e aí mantivemos um rápido diálogo. Em seguida, nervoso, saiu em disparada dizendo que ia chamar a Polícia. Voltei ao jornal e fiz a matéria. Foi, aliás, a primeira matéria que fiz para A TARDE. Daí a lembrança e também o rápido e nervoso encontro porque o Pasolini saíra do Rio com destino à Europa, anunciado por todos os jornais cariocas, mas ele veio para a Bahia onde permaneceu, dois dias.

OPALINA- “A beleza da opalina e seu destaque no século XIX” é a exposição que ora está sendo promovida no Museu do reconhecimento dos Humildes, em Santo Amaro, até o dia 31 do corrente. O museu está aberto à visitação pública de terça a sábado, das 9 às 11 horas e das 14 às 17 horas e aos domingos das 9 às 12 horas.
Já o Museu das Alfaias, em Cachoeira, apresenta “Memórias do 25 de Junho”, organizadas pelas escolas da região.

NAS OFICINAS- O Museu de Arte Modera da Bahia apresenta na sua galeria da gravura (Solar do Unhão), uma exposição didática do melhores trabalhos dos alunos das oficinas de Arte em Série. A mostra reúne 50 trabalhos selecionados dos cursos de iniciação às Técnicas de Xilogravura, Gravura em Metal, Litogravura e Serigrafia que o MAMB promove a cada semestre.
Todos os trabalhos são em papel, mostrando o resultado das técnicas aprendidas durante os três meses de cursos realizados pelos artistas e professores Márcia Magno e Guache (xilogravura), Paulo Rufino (litogravura), Yeda Maria (gravura em metal) e Jamir Teixeira (serigrafia). Além desses, a mostra consta de trabalhos do acervo (que permanecem no museu, doados por artistas profissionais que passaram pelas oficinas do MAMB.

GALEÃO SACRAMENTOEm Mar Grande, exatamente no Hotel Galeão Sacramento estarão reunidos, no próximo dia 17, obras de César Romero, Antonetto, Lígia Milton, Justino marinho, Anísio Dantas, Sante Scaldaferri, Arlindo Gomes, Nilza Barude Neves e Souza e muitos outros. Na foto uma tela de Lígia Milton.(foto)






AS MENINAS DE ALICE- A desenhista gaúcha Alice Soares inaugurou sua mostra individual de desenhos, tendo como temática a criança.
Escrevendo sobre o trabalho de artista, disso o crítico Carlos Sarinci, em 1980: “As meninas” de Alice são, com efeito, imprescindíveis para a sua compreensão da vida, toda feita de dedicação aos jovens, num magistério de arte que, praticamente, durou a existência inteira. É no olhar rasgado destas figuras juvenis que se expressa tanto o espanto, como a curiosidade e a esperança diante de um mundo ainda insondável cujo enigma, além da expectativa é promessa e, de certo modo, ameaça, vislumbre de algo ainda desconhecido que, por isso mesmo, se dá com estranheza fundamental, mas também como desejo e poesia. “É nele, no olhar, que compreendemos, juventude”.
Nascida em Uruguaiana, Rio grande do Sul, Alice Soares estudou no Instituto de Belas-Artes de Porto Alegre, do qual foi, posteriormente, professora durante 40 anos. A partir de 1949, começou expor em coletivas, tendo feito sua primeira exposição individual em 1957.
Premiada diversas vezes em salões gaúchos em 1954 conquistou o 1º prêmio em desenho do Salão da Câmara Municipal de Porto Alegre, Alice Soares tem exposto freqüentemente, não só no Brasil ma também no exterior. Em 1976, o Instituto Cultural Brasileiro-Alemão homenageou-a com uma retrospectiva de sua obra. Esta é a 4ª mostra individual da artista, que anteriormente, expôs na Galeria Macunaíma (1963). Galeria Goeldi (1964) e Galeria IBEU (1969). A exposição de Alice Soares permanecerá aberta ao público de 13 a 31 de julho de 1982. Horário: das 10 às 22 horas, na Galeria Banerj, no Rio de Janeiro.

YEDA MARIA -A professora Yeda Maria, da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e da Oficina do Museu de Arte Moderna, fará, de amanhã até o dia 15, no Museu de Arte Moderna, no Solar do Unhão, na Ladeira do Contorno, uma nova exposição. Nesta exposição, a professora Yeda Maria mostrará gravuras, pinturas e desenhos, cujo tema é a alimentação, além de destacar a realidade e a cor. Conhecida por ter trabalhos expostos em vários museus e galerias, a artista tem duas outras exposições programadas para este ano.


DUAS ARTISTAS MINEIRAS NO MUSEU DE ARTE MODERNA - 10 DE MAIO DE 1982.


JORNAL A TARDE ,TERÇA-FEIRA, SALVADOR, 10 DE MAIO DE 1982.

DUAS ARTISTAS MINEIRAS NO MUSEU DE ARTE MODERNA

As mineiras Lucimar Bello e Mary Dilório estão expondo, no Museu de Arte Moderna da Bahia, até o próximo dia 14, trabalhos de pintura e cerâmica. São duas artistas conscientes de seu papel de mulher na sociedade atual, mas que preferem ficar afastadas da militância dos movimentos feministas por discordarem de radicalizações tão comuns em alguns posicionamentos.
No entanto, as duas acompanham todo desenrolar da movimentação por mais espaço para mulher, e o questionam através do trabalho de arte. Lucimar, por exemplo, tem todo um trabalho voltado para a figura feminina onde o nu aparece com grande sensualidade e seriedade. O tema é tratado com tal seriedade que afasta qualquer possibilidade de exploração pornográfica. No alto trabalhos em cerâmica da mineira Mary di Iório
Ela leciona, desde 1977, Desenho e Criação da Forma, na Universidade Federal de Uberlândia. Sua ligação com o magistério vem de muito antes, pois já lecionou para crianças do 1° e 2° graus.
No entanto, seu contato com a arte começa em 67, quando inicia o curso de Belas-Artes, na Universidade Federal de Minas Gerais. Participou dos festivais de inverno realizados em Ouro Preto, onde mostrou trabalhos em gravura e desenhos. Já realizou várias exposições, inclusive ganhou o 3° Prêmio de Gravura no 1° Salão Nacional de Arte Universitária, realizado em Belo Horizontes em 1968; Prêmio de Aquisição Desenho V e VI Salões de Arte de Ribeirão Preto em 1980 e 81, e Menção Honrosa no 4° Salão de Arte de Presidente Prudente.
Agora, Lucimar resolveu sair para realizar esta exposição em Salvador e outra em Recife com o objetivo de divulgar e discutir seu trabalho.
Falando sobre sua obra diz que é uma técnica mista de desenho e pintura, com a presença destacada de figuras femininas. “É preciso aceitar o nu com naturalidade. A aceitação do próprio corpo dá ao individuo domínio de si mesmo. Não concordo com revistas fechadas de plástico e tampouco com o uso indiscriminado da mulher como se fosse um sabonete. Mas é preciso dizer que existem revistas que apresentam nus femininos muito bem cuidados e artísticos. Temos é que dar valor ao corpo e o meu trabalho ajuda a compreendê-lo. O meu trabalho é a manifestação de minha experiência. Sou eu e meu espaço, e quero discutir com as pessoas para saber suas opiniões”.
Já Mary Dilório, ceramista, não é tão desinibida como sua colega e parceira de exposição Lucimar, mas é uma artista de talento. Uma ceramista na expressão da palavra, porque trabalha o barro desde momento que a matéria-prima chega a seu atelier. É ela que amassa o barro e o prepara para criar seus objetos. Ela nos apresenta 17 peças onde demonstra uma preocupação formal; segundo declarou, esta mostra é uma síntese do que já havia mostrado para seus conterrâneos.
Você sente no trabalho desta ceramista a sua ligação com a natureza. Ao lado a ceramista Mary di Iório e a pintora Lucimar Bello.
Como que as peças, foram retiradas de uma mina, como se fossem criadas pela própria natureza. Uma fecundação que deixa transparecer a simplicidade desta artista de poucas palavras e muita criatividade. Portanto, um relacionamento perfeito entre os objetivos concebidos, fecundados ou, quem sabe, que surgiram misteriosamente desse contato tátil e consciente entre Mary e a terra. Os cortes, as aberturas e os vazios demonstram sua grande habilidade e dão aos objetos uma leveza singular.
Ela mesma revela o seguinte: “Penso que através da terra o ceramista se fecunda, propondo dar-lhe uma forma, um significado, animá-lo e infundir-lhe vida. Sinto que aí surge uma força que se apodera da gente para que, por um momento, nos sintamos invadidos por algo perpétuo. Então meu desejo é descobrir e conhecer materiais, e transmitir com as massas, os esmaltes, com as substâncias que são ingredientes do meu ofício, todas as minhas sensações, percepções, intuição e pensamentos. Enfim, tudo quanto constitui a ressonância do meu ser e minha atitude diante da vida e me converter na peça que entra no forno”

AGLAIA PELTIER DOS SANTOS EXPÕE 38 ÓLEOS 
NA GALERIA BRASILIANA

 Com um catálogo assinado por Jacob Klintowitz, Antônio Bento e Walmir Ayala, a pintora Aglaya Peltier dos Santos expõe, em São Paulo, até o dia 22 de maio, na Galeria Brasiliana, 38 óleos sobre tela, cujo tema dominante é a figura humana. As pinturas de Aglaia poderão ser vistas de segunda a sexta-feira, das 14 às 21 horas e aos sábados, das 10 às 13 horas.
O envolvimento de Aglaia com as artes plásticas remonta praticamente à infância. Aos 15 anos já lecionava arte infantil, atividade a que se dedicou até pouco tempo e que só deixou de exercer para dedicar-se inteiramente à pintura. Formada em Comunicação Visual pela Escola Nacional de Belas Artes, onde também fez o curso de técnica de pintura, teve entre seus professores Pindaro Castelo Branco, Quaglia e Heris Guimarães.

                                                                   EXPRESSIVA

O crítico Jacob Klintowitz identifica na obra de Aglaia a arte “como uma forma inteiramente despojada e fundamental, como representação filosófica do ser e do estar humano, como um só momento ser e estar da criação e do paraíso”. Diz que a pintora procura entender na “mesma realidade visual, num só bloco, numa única imagem, a mulher e o filho, o homem e a natureza, a ação e o resultado d ação, o trabalho e o pensamento”, identificando-a como “uma das mais profundas vertentes da arte contemporânea”.
Já o crítico Walmir Ayala acha que o forte de Aglaia está no bom manejo de um construtivo decorativismo desta artista que revela no que pinta o prazer da matéria e o voluntário esmero técnico. Afinal, decorativo dessa maneira também teria sido um Di Cavalcanti, do qual Aglaia se aproxima. “Há também ressonâncias de Gautuin”.
Ayala diz que a artista não pode ser caracterizada de ingênua e que “seu gosto pela forma e pela cor enganosamente conduz à interpretação do ingenuísmo, quando o que realmente vale neste exercício plástico é o toque despojado, a linearidade da composição, o reencontro das figuras amulatadas num lazer paradisíaco”.
Antônio Bento, outro dos críticos que assinam seu catálogo, afirma que Aglaia, “tendo escolhido a figura humana como tema de sua pintura, tomou um partido difícil. É sempre árduo dizer qualquer coisa de novo nesse domínio. Sobretudo, por esse motivo, creio que o caminho natural do artista seja, no momento, o de uma pintura popular. É a que vai melhor com sua tendência e os seus sentimentos”.

SALÃO FUJI DE ARTE FOTOGRÁFICA SOBRE
OS JOGOS DA COPA DO MUNDO

O Salão Fuji promoverá uma exposição de fotografias sobre a realização dos jogos da Copa do Mundo na Espanha. Trata-se de uma mostra que tem por objetivo apresentar o trabalho dos fotógrafos da imprensa brasileira, na cobertura dos jogos, durante toda a realização do evento, inclusive os fatos registrados no Brasil.
A participação nesta mostra será feita conforme os itens a seguir: 1- Exposição: “Fotógrafos Brasileiros na Copa-82”; 2- Tema: tudo que se relacionar com a Copa; 3- Participantes: Fotógrafos a serviço dos órgãos brasileiros de imprensa. 4- Participação:
a) enviando:- ampliações P e B; ampliações coloridas; slides; recortes de publicações.
Observações: Estas ampliações, slides ou recortes devem ser enviados para  efeito de seleção. As ampliações para exposição serão providenciadas pelo Salão Fuji. Pedimos não enviar contatos.
b) Durante período da Copa será feito um trabalho de acompanhamento das fotos publicadas na imprensa. Estas fotos estarão incluídas na seleção, desde que autorizadas pelo fotógrafo ou veículo.
c) Os fotógrafos e/ ou editores poderão submeter para seleção, inclusive, as fotos não publicadas.
5- Prazo Final de entrega: 20 de agosto de 1982.
Nesta data, devemos ter todos os negativos das fotos para exposição, a fim de providenciar as ampliações.
6) Seleção: Um grupo de seleção composto por Zé de Boni (Álbum Galeria), Manoel Reis (crítico de fotografia, Diário do Grande ABC), Claude Kubrusly (fotógrafo profissional) e Masaru Kojo (fotógrafo da Fuji Film) fará a seleção e edição das fotos para mostra.
Observação: a) O trabalho deste grupo de profissionais será o de selecionar e editar as fotos enviadas para compor um painel deste evento; b) Aproximadamente 100(cem) trabalhos serão selecionados para exposição.
7- Todas as fotos selecionadas (branco e preto/coloridas) serão ampliadas por conta do Salão Fuji.
8- As fotografias ampliadas serão expostas no Salão Fuji no período de 20 de setembro a 17 de outubro, com a possibilidade de se levar a exposição para outras cidades.
9- Todas as ampliações (montadas para exposição), slides e negativos serão entregues aos fotógrafos, assim que não forem mais necessárias.
10- Solicitamos às redações dos jornais e revistas, enviar uma carta confirmando a participação na mostra, bem como uma relação dos fotógrafos escalados para a cobertura. As correspondências poderão ser enviadas a: Paulino T. Hashimoto- Salão Fuji- Rua Major Diego, 670- Bela Vista- 01, 324- São Paulo-SP, Tel.37-3042 e 35-0303.
11- estaremos informando, periodicamente, o andamento de todo o programa, inclusive os prazos finais.
Contamos com sua participação.




MAB SERÁ ABERTO NA VITÓRIA NO MÊS DE JUNHO- 21 DE JUNHO DE 1982.


JORNAL A TARDE , SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 21 DE JUNHO DE 1982.

MUSEU DE ARTE SERÁ ABERTO NA VITÓRIA
 NO MÊS DE JUNHO

Até o final do próximo mês, o Museu de Arte da Bahia, atualmente instalado no Solar Góes Calmon, em Nazaré, será transferido para, o Solar Cerqueira Lima, onde funcionava a Secretária de Educação (Vitória). O diretor do MAB, Emanoel Araújo, disse que além da mudança, a instituição vai sofrer uma reformulação, deixando de ter somente um acervo estático em exposição.
O Museu de Arte da Bahia será transformado num centro de atividades culturais, estando prevista a promoção de cursos, espetáculos e exposições. E, para atender a esta proposta dinâmica, irá ser criada uma infra-estrutura necessária, com a implantação dos setores de documentação, pesquisa e arquivo.
Belas imagens estão sendo recuperadas no Mab.

                DENTRO DO PRAZO

Emanoel Araújo revelou que o prédio, que vai abrigar o MAB está sofrendo obras de adaptação, já que a proposta do governador Antônio Carlos Magalhães é de transferir o museu, definitivamente, para este novo local. Embora a mudança tivesse sido anunciada para o final do mês passado, não há maiores problemas, pois somente em agosto finda o prazo de seis meses para a entrega do Solar Góes Calmon à Academia de Letras da Bahia, que ali passará a funcionar.
Alojando-se no Solar Cerqueira Lima, o MAB poderá mostrar todo o seu grandioso acervo, atualmente espalhado por várias instituições, devido ao problema de espaço físico. Nas novas instalações o museu contará com um auditório, com capacidade para 150 pessoas e uma sala de exposição temporária, com 50 metros quadrados de área.
Uma das vantagens do novo local é a de possuir área para estacionamento, o que na opinião de Emanoel Araújo, deverá estimular a freqüência do público.
A Biblioteca de Arte do MAB, a mais especializada da Bahia, será também dinamizada e, segundo Emanoel Araújo, o desenvolvimento de atividades dinâmicas e a localização mais adequada, são fatores que, por certo, vão contribuir para que o museu seja mais freqüentado.

                                                                RESTAURAÇÃO

O Museu de Arte da Bahia está fechado à visitação pública desde março último. No seu interior, é grande o volume de trabalho, tendo sido realizado o cadastramento e inventário do acervo e posterior embalagem. Do acervo, as peças de louça, porcelana e obras de pintura são as que apresentam maior nível de danificação e estão sendo restauradas.
A coleção do museu é vasta: tem mobiliário do século XIX, reunindo artistas como Presciliano Silva, Lopes Rodrigues, Valença. Pertencentes ao segundo período da escola Baiana de Pintura, tem a coleção de Abott, com muitas peças européias, ainda não totalmente identificadas e uma grande coleção de cerâmica, com louça chinesa, japonesa e européia. O museu reúne, também, uma coleção de numismática, um acervo com 8 mil volumes em literatura artística e pratarias baianas e portuguesas do século XVIII.
O restaurador Jorge Mendes  restaurando uma das peças em louça do Museu de Arte da Bahia.
Criado em 1918, o MAB funcionou no Solar Pacífico Pereira, onde hoje se localiza o Teatro Castro Alves, tendo várias denominações até chegar a atual. O Solar Góes Calmon foi comprado em 43, com um pequeno acervo em seu interior, ao qual foi anexado os anteriores. Foi em 70, no governo de Luís Viana, que o solar foi reformado e o museu reinaugurado com o nome de “Museu de Arte da Bahia”.

                                                            EXPOSIÇÕES

Ainda este ano, diversos eventos serão realizados no MAB, conforme anunciou Emanoel Araújo. Está programada uma exposição sobre “A Obra Crítica Iconográfica de Clarival do Prado  Valladares” que reúne, além dos seus trabalhos críticos, cem painéis fotográficos das diversas exposições iconográficas organizadas por ele ao longo dos anos. Dentre outras atividades, acontecerão ainda as seguintes exposições. “ Os 80 anos de Pedro Calmon”, com a edição do livro “A Casa da Torre”, “Os 400 anos de São Bento”, “Pintura” baiana dos séculos XVIII e XIX”, “O negro na formação e cultura brasileira”, “A Arte Cemiterial Brasileira” e “Análise Iconográfica da Pintura Monumental de Portinari nos Estados Unidos”.
Uma outra atividade que vai dinamizar o MAB após a sua transferência para as novas instalações será a Feira de Arte e Antiguidade, que ocorrerá mensalmente, sempre aos sábados (de Ana Maria).

             CALÇADÃO DA SÉ INTERESSA AOS ARTISTAS

Serão encerradas hoje as inscrições ao concurso público que escolherá desenho, em pedra portuguesa, para o calçadão da Praça da Sé. Trinta e três artistas plásticos já receberam a planta da área na sede do Órgão Central do Planejamento da Prefeitura, para desenvolver seus projetos que devem ser inscritos no próprio Oceplan. Amanhã, a comissão julgadora do concurso reúne-se pela primeira vez para apreciar os trabalhos. A comissão é formada por representantes do Oceplan, da Secretária Extraordinária de Informações e Divulgação da Prefeitura, da Companhia de Renovação Urbana de Salvador (Renurb), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da Associação dos Artistas Plásticos de Salvador.

                                                        ANONIMATO

A forma de apresentação fica a critério de cada concorrente, podendo ser utilizado qualquer tipo de papel, cores, texturas, escala etc. Cada prancha apresentada deverá conter um letreiro no canto interior direito, com a seguinte legenda: “Prefeitura Municipal de Salvador” e, logo abaixo, “Concurso Público Desenho do Calçadão  da Praça da Sé”.Os anteprojetos não deverão conter quaisquer elementos, como marcas, nomes etc, que identifiquem sua autoria.
Na entrega dos trabalhos, estes receberão um número de identificação para assegurar o anonimato do autor ou autores.
No ato de inscrição, os concorrentes deverão anexar em envelope separado a ficha de identificação com os respectivos documentos exigidos identidade civil, atestado de residência (recibo de luz, telefone ou água), CPF ou CGC. Somente participarão do concurso artistas plásticos brasileiros residentes na Bahia, exceto aqueles que tenham vínculos empregatícios com as entidades envolvidas na comissão de seleção. A responsabilidade pelo anteprojeto poderá ser assumida individualmente ou em equipe. Sendo em equipe, esta será representada por uma pessoa.

                                                               SELEÇÃO

Caberá à comissão julgadora selecionar um anteprojeto entre os inscritos que será considerado o vencedor, recebendo um prêmio no valor de 100 mil cruzeiros. A comissão indicará também outros dois anteprojetos para menções honrosas. O resultado da seleção será conhecido e divulgado dias após a data de encerramento das inscrições.
Os concorrentes assinarão um termo de compromisso para executar os desenhos complementares e detalhes necessários, assim como acompanhar a execução do projeto, no caso de sua  premiação. Os trabalhos não classificados deverão ser retirados pelos interessados dentro do prazo de 15 dias, a partir da divulgação do resultado do concurso.